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8/01/2018

Dez anos de "Falsas baladas e outras canções de estrada" - OAEOZ






Há dez anos o OAEOZ lançava seu “canto do cisne”, um box set com dois discos: “Falsas baladas e outras canções de estrada”, com oito faixas gravadas no estúdio do guitarrista Carlos Zubek; e o “Ao vivo na Grande Garagem que Grava”, com cinco músicas gravadas, como já diz o título, na Grande Garagem que Grava mantida pela Chefatura Records de Luiz Antonio Ferreira e Rodrigo Barros Del Rei, do Beijo AA Força.
“Falsas baladas” tinha Ivan Santos (violão, voz, teclados, guitarras), Carlos Zubek (violão, voz, guitarras), André Ramiro (guitarra), Rodrigo Montanari (baixo, voz) e Hamilton de Lócco (bateria). E assim como em outros discos, também incluía a participação de vários amigos e parceiros, como Igor Amatuzzi tocando trompete em “Negativa”, e Desiré Amarantes tocando violino em “Pra longe”. O design da capa foi feito por Giancarlo Rufatto a partir de ilustrações de Hamilton de Lócco.
As parcerias também estavam nas composições. “Distância” é uma música de Ivan Santos feita a partir da adaptação de textos de Adriane Perin e Rubens K. “Negativa” é um poema de José Fernando da Silva, musicado por Ivan.
“Falsas baladas...” foi lançado originalmente pelo selo Senhor F Virtual, do jornalista Fernando Rosa, que na época completava dez anos, atingindo 140 mil downloads. E na época, segundo o próprio selo, foi o segundo disco mais baixado. A versão física em CD teve apoio das Livrarias Curitiba e Tecnicópias.

Para comemorar, estamos disponibilizando o disco para ser ouvido/baixado no soundcloud. 

Abaixo, algumas impressões sobre o disco publicadas:


"Com 'Falsas Baladas...' o OAEOZ lança um disco que em nenhum momento parece fácil e gratuito, que para ser apreciado precisa ser tocado por vezes e mais vezes, mas que a partir do momento que você acredita nas canções, fica difícil não gostar."


"Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcança a maturidade musical em um álbum que impressiona pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos. "

Marcelo Costa, Scream Yell.


Folha de Londrina

Banda curitibana OAEOZ chega à maturidade sonora com novo álbum ‘Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada’

Mesmo que em seus onze anos de existência a banda curitibana OAEOZ tenha zelado pela imagem de uma banda bastante adulta, é com o novo álbum ''Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada'' que eles chegam, de fato, à maturidade sonora. Ao mesmo tempo em que as novas músicas estão mais ricas em arranjos, o grupo limou alguns excessos do passado, principalmente em relação aos vocais, que estão mais contidos (antes, quando o vocalista era mais expansivo, a melodia se perdia).
Nas oito canções do novo trabalho, o que se ouve é rock adulto, sofisticado, de músicas geralmente lentas, mas que também tem seus momentos agitados, com inspiração nos alternativos paulistas dos anos 80, como Ira! e Fellini. É música feita por gente normal, que você encontra pela rua diariamente, sem uma produção visual, seja no palco ou fora dele.
O confronto de músicas mostram uma banda versátil. Enquanto ''Ninguém Vai Dormir'' esbanja adrenalina rock'n'roll, ''Distância'' destaca-se como a mais introspectiva do disco. Em ''Negativa'' os arranjos são minimalistas, enquanto ''Impossibilidades'' é generosa em recursos e elementos. Esta última foi lançada como single no ano passado, assim como o folk rock auto-referente ''Uma canção Para OAEOZ''.
Este lançamento pode ser considerado de luxo, pois vem acompanhado de um outro CD, ''Ao Vivo Na Grande Garagem Que Grava'', acomodados em um elegante box de papel cartão. No disco ao vivo, a banda apresenta cinco faixas inéditas. E apesar da gravação ao vivo ser crua, em relação à de estúdio, as músicas mantêm uma alta dose de sofisticação.

Rodrigo Juste Duarte

“Guardadas as devidas proporções e diferenças musicais, as letras lembram uma outra banda de Curitiba, que também tem trabalho novo à mostra, falo da OAEOZ (www.myspace.com/oaeoz), mais veterana, com dez anos de estrada e cinco discos. As duas mostram esse “deslocamento”, essa falta de lugar em um mundo que atropela quem pára para pensar ou sentir. Esse ser é torto, tímido, “gauche”, como definiu Drummond. Vou dar um só exemplo, mas não quero que pensem que as bandas são parecidas, apenas coincidentes em certas palavras: “O fim que chega toda manhã/ quando você fica na cama dormindo sozinho”, diz a letra de “Distância”, de OAEOZ. “Todas as noites quase morro/ Para renascer cada manhã” é o início da música “Heróis”, da banda Nuvens”

Gazeta do Povo – Acordes Locais – Luiz Cláudio Oliveira


O ÁLBUM BRANCO D'OAEOZ

Dúvida! Não sei se a vida inspira os phatos ou é arte?
Teu disco me recorda a resenha do último disco da Legião que li na
Bizz, o disco era "Tempestade" e o crítico foi muito feliz no
prognóstico - acho que o papel da resenha é levar a ouvir o disco
Sonoramente teu ao vivo pega gancho no Banquete dos Mendigos no
próprio AEOZ e Pink Floyd. Melâncolico ou mórbido? Mas o título é
dúbio falsas baladas e outras canções de estrada - se vc trocar os
discos de capinha tanto faz...
Rock Adulto? Entonação oitentista (Zero) Ballet Bauhaus Novo Cinema
Alemão Rock Teatral e a maior homenagem a Nei Lisboa, o disco que ele fez com outro nome - Disco da noite/dia luz/ - o tema do sol é lindo como uma banda que me esqueço o nome agora - ramo do Bauhaus mas tem aquele outro cantor australiano que morou em São Paulo vivendo o filme das tuas palavras. "Meg & John" de Rubens K. é a minha história com outros nomes - incrível nunca tive tanta saudade dos anos 80. alguns
acordes do ao vivo também me fizeram imaginar como os "headbangers" podem ignorar teu disco, ou por quê nós somos privados da oportunidade de assistir a este show? Mas esta é a máxima da arte guardar p/
descobrir a esquizofrênia em "deserto" e é certo que o AEOZ trabalha
arduamente em suas músicas e linguagens e discos.
Dois lados um ao vivo e outro de estúdio, sabiamente via dowload - boa - bootleg ao inverso - fiquei meio desapontado quando vi que o
primeiro cd era queimado e o segundo ao vivo oficalmente presnado sem contato c/ o ar - e ouvindo entendi que era um disco de downloads coisa de fã - peguei o espírito!

(...)

tô curtindo muito o disco elétrico - conhecendo os ensaios e os
outtakes do álbum branco a gente enxerga uma similaridade até nas
coisas mais cruas - Mariana é uma música muito bonita e este
desprendimento dos arranjos da duração das faixas e ecos com Joy
division - Renato Russo - ainda não analisei o lado lírico - mas eu
gosto como vc dá as notas no vocal e o arranjo vai atrás - o
convencimento da forma - a guitarra é muito bem tocada, muito bem
dosado - minimal - os arranjos são mais sofisticados tem um piano
bonito - uma introdução diferente - parece produção da gravadora
Stilleto - por isso eu ACHO oitentista - pega o Varsóvia - pega as
nossas releituras de Rimbaud

INTRAUTERINO CAFONA SENTIMENTAL OTIMISTA ESPERANÇOSO APAIXONADO -
SOLITÁRIO - NOSTÁLGICO mas NUNCA OMISSO QUANTO ÀS RELAÇÕES É O TIPO DE
DISCO QUE A GENTE PROCURA OUVIR
Vc sabe, que eu não conheço muito de Você e o disco leva a essa
procura em saber quem é vc- então o disco é perfeito
a expresão do it yourself - explica tudinho era isso que eu queria
ouvir - apesar de eu usar bootleg com o mesmo significado.
Receber este disco já velu a pena recolocar o site no ar e é o que
estamos fazendo divulgando a música doprópriobolso.

Mário Pacheco

O texto de apresentação do jornalista Leonardo Vinhas:

Eu tinha 15 anos e sonhava em ser jornalista musical – depois que algumas aulas de contrabaixo me mostraram que eu teria “dificuldades técnicas” em seguir carreira até mesmo num “Ramones cover”. Era o começo dos anos 90, e cada descrição de um show na gringa ou mesmo na “longínqua” São Paulo (para quem morava no interior e só ia ao litoral com os pais...) valia para mim como a descrição de um épico, para dentro do qual eu era transposto graças à palavras que davam a dimensão do que eu havia perdido.
Acreditava, naquele momento, que o ofício de jornalista musical tinha a ver com saber dar aos leitores a medida exata do que eles haviam perdido, ou perdiam, não estando em determinado show, ou não escutando certo disco. E acreditava no poder transformador/catalisador/entorpecedor da música.
Hoje eu tenho o dobro dessa idade e, sendo justo comigo mesmo, continuo acreditando nesse poder da música. Mas não no jornalismo (e nem apenas no caso do musical). Cumpri meu objetivo, estive em shows, ouvi discos que ganhava de graça para resenhá-los, viajei e achei tudo isso muito frustrante e aborrecido. Conhecer os músicos era um comportamento típico da minha idealização adolescente, mas depois de certo tempo, achei melhor nem conhecer quem compunha uma canção que mexia comigo, da mesma maneira que é interessante que um fiel não conheça a vida íntima do pregador de sua fé. Os pequenos detalhes ganham demasiada importância e arruínam qualquer sonho.
A esse processo de transformação pessoal – que até aqui está restrito à música – soma-se o cinismo que parece ganhar força e tomar espaço, insidiosamente, conforme você vai abandonando a faixa dos vinte. Talvez seja uma característica de nossos tempos e nossa sociedade: começamos a trabalhar muito cedo, a dar a cara à tapa muito jovens, e a crise de meia-idade vem quando nos aproximamos do nosso suposto auge, que é a faixa dos 30 (pergunte ao seu médico, caso você já esteja freqüentando um). O fato é que quanto mais velhos, mais cínicos, e tudo parece tornar-se mais chato e menos empolgante, inclusive (e principalmente) os relacionamentos e a música. Minha geração está se sentindo velha e desesperançosa aos meros 30 anos, isso numa época em que a expectativa de vida supera os 70. Ou seja, não chegamos nem à metade de nossa existência, e já estamos rabugentos e entediados.
Aí calha que por uma série absurda de coincidências, por um ato de molecagem que parece inapropriado à sua “idade”, você faz uma viagem inesperada, cai numa cidade onde ninguém lhe conhece e você sai de lá com várias histórias para contar e até com alguns amigos. Levando ainda alguns discos debaixo do braço, passados pelos mesmos amigos.
Aí, de volta à sua casa, você escuta uma voz saindo de algum desses discos que confessa: “dizem que tenho talento para melancolia, qualquer tipo de fobia, que tenho pena de mim...” Como é que é? Eu acho que reconheço esse sentimento! Não passa muito, uma outra canção confessa que “a vida é fácil, eu é que sou complicado, sempre acabo me enroscando nesses dias tortos. A gente sempre quis ter uma vida simples, mas tudo é tão difícil quando se tenta fazer o que se quer”. Parece que todas as suas contradições adolescentes que ficaram disfarçadas sob camadas de cinismo adulto estão reveladas ali, na sua cara, prontas para ficarem reverberando até você não querer pensar mais nisso, simplesmente porque não consegue se encarar. Porém, esse mesmo disco traz uma canção sobre a estrada que, além de lhe lembrar que você nunca terá viajado o suficiente, lhe propõe que “o peso que carrego nos ombros é só bagagem”.
Foda.
Os anos passam, você passa a viajar para acompanhar aquela banda e vai vendo que, mesmo com a passagem do tempo e muitos meses de estrada, você continua cínico. Puxa, será que a música não te transformou? Será que aquilo que parecida redivivo em você foi só uma última fagulha de um brilho jovem que vai ficar permanentemente soterrado sobre essa carcaça de velho que você criou para si próprio? Live fast, die young, diziam anos atrás. Você não morreu jovem. E agora?
E agora chegam não um, mas dois discos novos dessa banda. Você nem estava esperando, mas eles chegam numa tarde rotineira, vento quente arrastando o tempo. Você tem que ir trabalhar, então coloca os discos no som do carro e nem percebe que, pela primeira vez em muito tempo, as idéias de “cinismo” e “idade” nem passam pela sua cabeça. Algumas palavras vêm lembrar que você não é mais um garoto mesmo, e daí? A esperança nunca foi privativa da juventude e, ademais, todos aqueles escritores de quem você gosta tanto, que ocupam a maior parte da sua surrada biblioteca, começaram a escrever suas melhores obras só depois dos 40. Quem é que estava preocupado com a data de nascimento mesmo?
Mas a queda do cinismo é que é mais interessante. Porque essa banda pode escrever canções a partir de uma conversa entre amigos na laje – uma canção sobre a conversa, aliás. Essa banda escreve uma canção sobre ela mesma, e a relação (não necessariamente idílica) entre seus integrantes. Caramba, essa banda escreve uma canção sobre a vontade que dá de parar com tudo e não se fazer mais o que se quer, talvez começar a fazer o que se “deve”, para evitar tantos aborrecimentos. Mas quem é que consegue viver assim? Com certeza, ninguém para quem a música importa algo conseguiria fazê-lo.
Você começa a andar com os discos na mochila (trinta e poucos anos, e ainda sai de mochila por aí?) e começa a ouvi-los quando dá tempo. Ninguém – seus “colegas” de trabalho, conhecidos, parentes – entende porque você escuta essas canções sem refrão, sem distorções óbvias ou ganchinhos saltitantes. Mas tudo bem. Eles passam suas noites de seu modo ordinário, enquanto o disco lhe recorda que “ninguém vai dormir” enquanto tivermos vontade de fazer algo mais substancial. Mesmo que estejamos de olhos fechados.
É quando você abre os olhos e vê que você mesmo está sorrindo. Sem cinismo.

Leonardo Vinhas

7/17/2018

Quarteto de Curitiba lança segundo single com texto de Mário Bortolotto








“Do lado de cá da cidade” foi adaptada a partir de poema de
escritor e dramaturgo londrinense publicado originalmente em 1997

“Do lado de cá da cidade” é o segundo single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). A nova canção é uma adaptação de um poema do escritor e dramaturgo londrinense radicado em São Paulo, Mário Bortolotto, fundador do grupo de teatro Cemitério dos Elefantes. O texto foi publicado originalmente no livro “Para os inocentes que ficaram em casa”, de 1997.
Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a segunda de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci. A gravação teve ainda a participação especial de Rodrigo Marques tocando baixo acústico. O primeiro single, “Sem acreditar”, foi lançado em maio último.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - guitarras e piano
Ivan Santos – voz


Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci

Participação especial
Rodrigo Marques – baixo acústico

Do lado de cá da cidade
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Letra – Mário Bortolotto
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno2@gmail.com

5/02/2018

De Inverno lança "Sem acreditar", primeiro single de Santos Marti Amatuzzi & Castel







“Sem acreditar” é o primeiro single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a primeira de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.
“Sem acreditar” é uma composição original de Ivan em parceria com Martinuci. A letra fala de abrir mão da crença como estratégia de libertação e sobrevivência. “É o fim do desejo/do medo/da solidão/de pensar/que existe algo além”.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - violão, guitarras e piano
Igor Amatuzzi - baixo e sintetizador
Ivan Santos - voz
Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci
Sem acreditar
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno.blogspot.com.br
deinverno2@gmail.com

7/02/2015

Rock de Inverno - 15 anos



É muito legal voltar a ouvir uma canção e reviver tudo – ou o que a memória permite! Não raras vezes essas canções cantam também os pedaços da vida de quem a ouve. Comigo é assim, quase sempre. Uma canção antiga é capaz de trazer cenas, lembranças, pessoas, pendengas, empreitadas boas, amigos, amigas, amores...

Por isso, mais uma vez bastou ouvir os primeiros acordes de Filme, do Cores d Flores para que meu ser inteirinho reagisse. Quando entrou “De Inverno”, d’OAEOZ, me toquei que estava ouvindo a coletânea Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba. OAEOZ do tempo do Igor... aquele menino que um dia o Daniel levou lá em casa e que se transformou no parceiro musical primeiro do Ivan, que o apresentou ao Rubens... enfim. (eu avisei que é só ouvir que as histórias vão voltando).

Há 15 anos, nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2000, no Circus Bar, acontecia a primeira edição do nosso primeiro grande desafio, o  Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba , com os shows começando “impreterivelmente às 23h”.  rsrsrs. uma ‘briga’ nossa desde sempre esse negócio de horário de shows!







No palco,  Faus (banda do Coelio), Plêiade (‘retornando’), Zigurate, Loaded, OAEOZ (que acabou tocando na sexta), Cores d Flores, Madeixas, Quisto (depois Loxoscelle) e Zeitgeist co. Na plateia, muita gente, entre os quais, Carlota Cafieiro, jornalista do Correio do Povo, de Campinas, repórter do Alexandre Matias; e ele, o figuraça, uma atração à parte, o  músico e, na época, jornalista da Bizz, que acabou escrevendo sobre o festival para o Estadão: Minho K!






Na produção eu e Ivan, com  Mackoy ajudando no som, Marcelo Borges nas imagens e meus pais recebendo os jornalistas convidados, levando os dois para almoçar, enfim, fazendo as honras da casa enquanto eu e Ivan estamos nos respectivos jornais em que trabalhávamos (Gazeta do Povo e Jornal do Estado).  Lembro bem da ansiedade!!








A De Inverno nascia ali, antes mesmo de ter ciência disso. Nossa vontade era muito simples: mostrar para o Brasil essa nova geração da música curitibana, pós “Seattle brasileira”,  nascida em meados dos anos 90 em diante com canções em bom português. Mais ou menos na mesma época o Ivan preparou um kit sobre essas e muitas outras bandas da época e enviamos para jornalistas-chave. A gente não tinha dúvida da qualidade dessa nova safra e sabia que, se queríamos que o resto do mundo soubesse, alguém tinha que fazer alguma coisa. Uma das ações – além de organizar um festival bacana, com estrutura bacana, pensando nos artistas e na qualidade do equipamento de som – foi convidar jornalistas de veículos importantes para virem cobrir - leia-se bancar todos os custos da viagem e estadia.  Outra estratégia era ter bandas de outras cidades, também das novas cenas, para assim completar nossa proposta de “inserir essa nova geração curitibana na nova cena nacional”, o que fizemos a partir da terceira edição.

Material gráfico bonito assinado pelo Camarão e Alexandre Striq e um press kit que, além dos tradicionais releases e fotos, também tinha uma coletânea com uma música de cada banda, uma marca do Rock de Inverno, que deu início ao acervo do Selo.

Lá fui eu toda confiante como projeto na mão caprichado bater na porta de algumas empresas. Lembro muito da Cini, acho que foi para quem mais liguei.  Em uma tarde, lembro até o telefone público  (hoje inexistente, claro) do qual falei com o Ivan, à beira das lágrimas porque não me conformava: “como as pessoas podem não querer apoiar um projeto legal como este?”. É, eu achava tão improvável isso na época. Sonhadora, iludida! Hahahaha. Enfim, não rolou apoio e fizemos com nossos salários mesmo!  Pois é, vale sim ser sonhadora e iludida, às vezes!

A casa cheia nas três noites foi algo incrível.  Ao tentar voltar pra frente do palco no show da Plêiade uns engraçadinhos quiseram não me deixar passar... tá bom! Claro que eu ri e disse que era para ele me agradecer ao invés de me barrar e fui para o meu lugar preferido!

De outras cenas que não esqueço Minho K é a estrela.  Ele e seu indefectível chapéu. Lá pelas tantas, em algum dia, estava o jornalista estirado no chão, curtindo o som. Completamente tomado pelos sons das bandas que tanto curtíamos também!  Foi sem palavras, porque além de jornalista ele tocara em uma banda que eu e Ivan curtíamos há anos, embora pouco conhecida. Um disco que eu lembro do instante em que peguei nas mãos, com sua capa de vinil linda e suas canções incríveis. No final, eu e Ivan cantávamos canções do 3 Hombres, cada um de um lado do Minho K. E ele lá, sem acreditar naqueles dois doidos chorando de alegria e não acreditando ainda no que tínhamos feito.

Vendo hoje,  ainda que tivéssemos feito uma única edição do Rock de Inverno, aqueles três dias já teriam tornado tudo mais especial. Mas, não paramos. Veio o segundo, terceiro ( no 92, com 22 jornalistas convidados, entre os quais MTV, Folha, Estadão, Alto Falante), quarto, quinto (com a atração internacional, Transcargo), sexto e o sétimo (que trouxe Fellini e fez nossos amigos, marmanjos chorarem por aquele momento).

Entre erros e acertos, gosto da nossa história, tenho orgulho dela e ela me dá muito alegria ainda hoje.

E aqui, pra relembrar e reviver, o link com a coletânea Rock de Inverno - Mostra da Nova Mùsica Independente de Curitiba.

http://deinvernorecords.bandcamp.com/album/rock-de-inverno-2000




4/15/2011

Sempre teremos as canções

Semana passada fiz algo que há muito tempo não fazia. Baixar discos aleatoriamente de coisas que nunca ouvi falar, só pelo prazer de descobrir algo novo. Fazia muito isso antes, mas por preguiça, fastio, sei lá, há tempos andava sem saco pra ouvir qualquer coisa, e acabava, quando dava ou tinha vontade, ouvindo sempre as mesmas coisas, ou lances antigos que volta e meia eu resolvo escaranfunchar como uma espécie de exercício de memória afetiva.
Mas enfim, não sei porque me deu vontade de voltar a "prospectar" pelos blogs por aí. Como quando a gente, naquele longínquo tempo em que se frequentava lojas e comprava discos, fazia quando ia à saudosa 801 discos. Comprei muito disco lá nesse esquema, só pela capa ou pelo nome, sem ter nenhuma referência. E foi assim que descobri Tindersticks, Mercury Rev, Spiritualized e uma pá de coisas legais que gosto até hoje.
Hoje a coisa ficou bem mais fácil, e talvez por isso mesmo, tenha perdido um pouco da graça. É a velha história de que o que vem fácil a gente não dá tanto valor.
Me lembrei de uma das últimas vezes que tinha feito esse lance de pesquisar coisas novas em blogs já fazia uns três, quatro anos, e uma das últimas coisas que eu descobri assim por acaso foi o iliketrains, banda de Leeds que lançou o primeiro disco naquele ano de 2008. Como eu comentei na época, descobri o disco por acaso e baixei mais pela capa e pela descrição do blog e me maravilhei. Pois bem, eles estão com novo disco, que mantém as qualidades do primeiro e avança ainda mais na construção de melodias climáticas e épicas que caracterizam o grupo. "He Who Saw The Deep" é um disco para se ouvir com calma, em que mais uma vez o vocal grave se destaca e o instrumental minimalista te envolve.

Mas não era do iliketrains que eu queria falar, mas sim de outra banda que descobri nessa busca, bem nesse esquema, nunca tinha ouvido falar, baixei apenas por ter ficado curioso pela capa e o nome. The Sand Band, sei agora, é um grupo de Liverpool e lançou a pouco seu primeiro disco, o belíssimo "All Through The Night". E ao ouvi-lo, fui invadido novamente por aquela sensação do prazer da descoberta. É incrível como certas coisas parecem que estão lá só esperando você, porque adorei o som desde a primeira orelhada. É bem na linha que eu gosto, aquela coisa slow, minimalista, melódica, que te eleva, e te faz esquecer de tudo. É impressionante como a música tem esse poder. Quando você menos espera, e já está naquela de achar que não tem mais nada por aí que lhe interessa, que você já não tem mais vontade de ouvir nada, está cansado de tudo, de repente por acaso topa com algo que recupera de novo toda aquela paixão pelas belas canções. E é de belas canções que a Sand Band fez esse disco, pelo que eu andei lendo, gravado caseiramente. Soa algo como uma combinação de Mojave 3 com Spiritualized. Vocal cantado baixinho, quase sussurado, guitarras econômicas, e uma atmosfera de sonho. Enfim, tudo aquilo que me faz ter vontade de ouvir, e ouvir de novo e de novo. Como é bom saber que ainda tem isso por aí. Que o mundo da música não é esse planeta de plástico e vaidades vazias como as vezes a gente tem a sensação de que tudo se tornou. Tô adorando ouvir música nova de novo. Porque por mais que a gente se sinta cansado, e as vezes, com vontade de sumir, de não ouvir mais nada, de não conhecer mais nada, sempre teremos as canções pra salvar nossos dias. Sempre haverá uma canção à sua espera para te fazer sentir como dá primeira vez em que elas lhe tocaram profundamente o coração. E tudo começa de novo.

12/15/2009

Quem sabe, sabe


"Há sempre novos sons para imaginar, novas sensações para alcançar. E sempre há a necessidade de continuar purificando essas sensações e esses sons para que realmente enxerguemos o que descobrimos em seu estado puro. Para que possamos enxergar com uma clareza cada vez maior o que somos...temos de continuar limpando o espelho."

John Coltrane - extraído do livro "A Love Supreme - a criação do álbum clássico de John Coltrane - de Ashley Kahn.

"O que permanece comigo sobre o quarteto de Coltrane é a imagem deles subindo ao palco, sem falar um com o outro, pondo fogo na coisa por duas horas sem nenhuma palavra para ninguém, saindo do palco e se sentando como pessoas comuns. Nenhum entourage ou coisa do gênero em volta deles. Depois faziam tudo de novo, despretensiosamente, diretos e com absoluta honestidade. Assim era uma jornada de oito horas deles - não era entretenimento, não era diversão e brincadeiras. Ainda tento corresponder a essa imagem: faça seu trabalho, faça com intensidade, com convicção e seja honesto com a música".

De Dave Liebman, do mesmo livro.

12/11/2009

Moshcam



Essa semana descobri um site muito legal, Moshcam, que disponibiliza shows ao vivo completos para serem assistidos em streaming, com imagem de alta definição e som de primeira, e que tem uma lista de atrações de babar. Pra começar, só o show de janeiro deste ano do Spiritualized que tem lá já valeria a visita. Mas ainda tem Black Mountain, Mogwai, e muito mais. O legal é que dá pra assistir o show na íntegra, ou só as músicas que você quiser. Cãofiram! Acima, um pequeno exemplo, uma interpretação acachapante de "Shine a light".

9/01/2009

Alegria de tocar para sua gente

Jornal do Estado/ Bem Paraná

O chorão Altamiro Carrilho faz o lançamento de 4 DVDs e diz que ainda tem muito show para fazer (foto: Divulgação)

Altamirro Carrilho renova seu prazer em tocar flauta e festeja os brasileiros

Adriane Perin

Oitenta e quatro anos, 70 de carreira musical. Cem discos gravados e perto de 200 composições assinadas. Estes são alguns dos numeros em torno daquele que é considerado o último dos mestres chorões que pode dividir com a gente sua experiência e prosa. Altamiro Carrilho está em Curitiba para o lançamento do projeto A Fala da Flauta, composto por 4 Dvds e um livro, organizados por Andreas Pavel, que traz os DVDs “Primeira e Segunda Noite em Niterói”, “Uma Vida na Flauta” e “Esse Sou Eu”, filme de Ana Suttor, com o making of das gravações.

Inicialmente estava cá com meus botões ansiosa sobre possíveis perguntas. Ele atrasou um tantinho a entrevista, mas chegou ao telefone acalmando minha intranquilidade e tomando as rédeas da conversa. Logo foi dizendo que gosta de tocar em Curitiba porque é um povo muito musical. “Fiz no Guairão um concerto musical popular e clássico”. Para ele, aliás, não tem essa história de música erudita ou popular. Tem é música boa. A convite do Sesi Paraná ele se apresenta ao lado de Pedro Bastos (violão 7 cordas) Mauricio Verde (cavaquinho), Éber de Freitas (bateria e percussão) e Luis Américo (violão). Carrilho contará também com as participações de Sérgio Albach (Clarinete) e Trio Catuaba Brasil, ambos residentes em Curitiba.
A seguir trechos da conversa, sob o pulso firme desse alegre senhor.

Música erudita e o choro
O indivíduo que gosta de música erudita forçosamente vai gostar de choro, porque ele é todo baseado nas sonatas de Bach, nos concertos de Tchaikovsky , Bethoven. Tudo da mais alta qualidade. Bethoven era chorão, “Pour Elise” é um choro, basta colocar pandeiro, cavaquinho, instrumentos que o choro incorporou. Até já gravei em ritmo de choro e dá a impressão que foi sempre assim. E, agora os jovens estão descobrindo o choro como opção para tocar boa música sem precisar estudar 10, 12 anos. Porque pra tocar concertos tem que ter essa experiência, o domínio de pelo menos 8 anos do instrumento.

Ritmos populares
Pouca gente tem esse dom, chamo de dom, de assimilar bem ritmos populares. Quase que 90% da nossa música se deve à dita África e foi uma mistura fantástica essa. Uns especialistas em percussão e outros especializados em harmonia e melodias bonitas. Outra coisa que interessa a todo instrumentista é saber improvisar. Quem sabe sair de um tema sem perder a linha a harmônica leva muita vantagem e o público também agradece não ser repetitivo.

Jazz e outros gêneros
Gosto de tudo, só existe um tipo de música: a música boa, de quaquer gênero. Não podemos classificar de ruim a música que não gostamos, mas milhares de pessoas gostam. Mas, também tem muito barulho com nome de música no mundo inteiro. E existem adeptos. Então, como diria o outro: o que seria do amarelo se não houvesse o mal gosto (risos).

Bom humor
Eu tento passar isso para o público nos títulos jocosos, por exemplo. No show, ninguém quer sofrer. E tenho uma convivência muito boa com quem toca comigo. Mas, para ser músico bom tem que ter boa cabeça, além de talento. Acima de tudo tem que ser um indivíduo intelectual, mesmo que não tenha cursado faculdade. A música obriga isso.

66 anos de música?
Não, são 70 anos de música, comecei aos 14 anos; e já era profissional. Dentro da minha biografia gravei com Moreira da Silva quando menino ainda e ele teve que conseguir autorização da polícia. E dali fui ficando mais conhecido, com meus discos e acompanhando os grandes mestres; os melhores cantores, Orlando Silva, Francisco Alves, Vicente Celestino, Carlos Galahardo, Isausinha, Jorge Veiga, Trio de Ouro, Dalva de Oliveira. .... é muita gente.... Elizete Cardoso, Elis, ela era um espetáculo. A meu ver a melhor de todas, porque almoçava, jantava e lanchava música.

Bom de conversa
Eu falo bastante e fui aprendendo muito com as viagens pelo exterior. Fiz quase os cinco continentes. Até em Israel eu toquei. Recebi um papel em hebraico e me disseram o som que teria em português. Levei uma semana pra decorar, mas fiz a saudação. Só que , depois de uma certa idade, a idade do condor, tive que aceitar o conselho médico e diminuir minhas travessuras. Naturalmente, hoje já não tenho tanta resistência. Na execução da flauta tenho ligeiras limitações nas músicas mais puxadas na respiração. Porém, nunca parei de estudar e exercitar.

A Fala da Flauta
São seis horas de concertos, documentário, entrevistas antigas, apresentações especais, gravações de estúdio. O público vai saber como é uma gravação lá bem junto da gente, ouvindo até as bobagens que a gente fala. Só mandei tirar um palavrão, porque plateia não tem que ouvir palavrão. Eu não parei. Só quando papai do céu chamar. Fico tão feliz quando entro no palco que parece que tô recebendo um presente. Mas, agora priorizo tocar no Brasil. Sou o contrário, gosto mais de tocar para minha minha gente. Pros gringos toco pelos dolares (risos).

SERVIÇO
Altamiro Carrilho. Dia 01 às 20h30. R$20 e R$10. Cietep ( Av. Comendador Franco, 1.341).

7/10/2009

"Segue, por favor não peça direção..."


"Ando cansado de correr atrás
e nunca chegar a lugar algum"


Eu não consigo - Koti e os Penitentes

A vida tem uns lances engraçados. Nas últimas semanas essa frase da música do Koti e os Penitentes tem rodado no player da minha cabeça direto como um mantra. É aquela coisa, música boa, parece que o cara tá falando de vc, da tua vida.

Pois é bem o que diz o Koti mesmo. Parece que quando vc não aguenta mais dar murro em ponta de faca, e está prestes a desistir, as coisas começam a correr atrás de você. Não a toa o Koti diz na frase seguinte a essa:

"talvez daqui pra frente as coisas vão mudar
vou sepultar o passado"


foda. é por aí.

toda essa introdução é pra dizer que a agenda por aqui vai ficar cada vez mais agitada nos próximos dias. A partir de sexta-feira da semana que vem, o Hotel Avenida faz três shows seguidos e quem não gostar da gente vai ter um pouco mais de trabalho. Vai ter que fugir de mais lugares. A começar pelo Wonka Bar, na sexta, dia 17, onde a gente vai atrapalhar o namoro dos casaizinhos e irritar quem for ver o Gruvox depois.
No domingo, também é bom evitar a feirinha do largo da ordem, principalmente os arredores das ruínas do São Francisco. É que o Hotel Avenida foi convidado para tocar lá pelo projeto Oi Expressões, junto com uma pá de bandas legais. Nesse dia, por exemplo, além da gente tem Wandula e ruído/mm. Pois é, pro desconsolo dos críticos de música que não gostam de música, não ouvem discos e não vão a shows e se orgulham disso, e vivem de criar polemiquinhas razas falando mal das bandas de Curitiba porque isso da ibope entre um certo segmento do público preguiçoso, desinformado e mal amado, tem muita gente de fora que pensa diferente. Que tá ligado no que tá acontecendo aqui e acha que a música feita na cidade está entre a melhor produzida no país. Pois cada vez mais essa gente vai ter mais trabalho pra continuar evitando admitir o óbvio.
Voltando ao Oi Expressões, os shows acontecem no domingo, dia 19, em palcos colocados em três lugares diferentes da cidade. Além das ruínas do Largo, o Parque São Lourenço e a Praça 29 de março. Ou seja, ao ar livre, de graça, e aproveitando o público que tá passando por ali, o que é uma ótima ideia. Além de música vai ter artes plásticas, etc. Quem quiser saber mais é só ver a programação no site dos caras aqui.
Aliás, é interessante ver que das bandas selecionadas, sete estarão também no Rock de Inverno 7 - além do Hotel Avenida e o ruído/mm, Je Rêve de Toi, Delta Cockers, Nevilton, Mordida e Heitor e a Banda Gentileza. Nada mal, hem?

Pois bem. pra terminar, obviamente, nunca é demais lembrar que recomenda-se aos malas sabe tudo evitarem as imediações do rebouças, nas proximidades do John Bull Music Hall nos proximos dias 24 e 25. Muita música que vcs não gostam, sabe como é. Pode ser uma experiência traumática. Vai que seus sentidos o traem e vc acaba tendo que admitir que gostou? Como vai ficar pra explicar isso aos amigos e fãs, não é mesmo? Melhor não...Fica em casa lendo aqueles livros do Mainardi, que é mais seguro.

7/09/2009

Rock de Inverno 7 no ar !



E já está no ar o site oficial do Rock de Inverno 7, elaborado pelo nosso amigo Renato Zubek, baixista do Folhetim Urbano, com base no design feito pelo Gian, a partir de fotos de Alberto Nane. Lá vcs podem encontrar todas as informações sobre o festival, ouvir as músicas das bandas, conhecer mais sobre elas, etc. Vão lá, acessem, divulguem, comentem seus pulhas!

www.rockdeinverno.com.br

7/03/2009

Plêiade na Piracema



Na Piracema desta semana, os 17 anos da Plêiade, duelo de monobandas, e Bardot em Coma.

Arnaldo Baptista - Esse cara não vai virar bolor na estante empoeirada

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Documentário traz pessoas importantes na vida e obra de Arnaldo Baptista, menos “Ritinha”

Muitas biografias de brasileiros importantes estão por serem escritas.

Adriane Perin

Muitas biografias de brasileiros importantes estão por serem escritas. É provável que tenhamos que esperar ainda mais tempo para esta lacuna ser coberta à altura dessas pessoas, pelo que se nota do que tem sido publicado por aí. É verdade, também que o volume de material biográfico aumentou. Nas últimas semanas até os cinemas de Curitiba, conhecidos por ficarem pra trás nos lançamentos com um pezinho no alternativo, tiveram em cartaz três cinebiografias de importantes músicos brasileiros: Wilson Simonal, Paulo Vazolini e Arnaldo Baptista.

A história do criador, líder dos Mutantes, seguem em cartaz. É mostrada com tranquilidade por Paulo Henrique Fontenelle no documentário Loki – Arnaldo Baptista, que acompanha a retomada dos Mutantes sem Rita Lee, no show de Londres, no aniversário da Tropicália. Com entrevistas e imagens de arquivo reconstroi a tortuosa história deste que, sem dúvida alguma, está bem lá no alto da lista dos caras que mudaram a música. É um documentário de fã, mas Fontenelle nem era tanto quando começou um programa sobre os Mutantes, para o Canal Brasil, produtor do filme. Ficou assim, como disse em entrevista ao JE, depois de ouvir o disco Lóki, um dos mais impressionantes feitos na música brasileira, pelo alto teor emocional. É tão cheio de sentimentos, de saudades, de dores, e arrependimentos, também, que machuca até quem ouve — e, pode acreditar, nem se ouve ele impunemente, nem é possível ouvi-lo qualquer dia.
Ali, está um Arnaldo fragilizado tanto pela separação de Rita Lee e rumos da banda, como pelos efeitos do consumo de drogas. Incapacitado de separar vida e arte, mergulhou tão profundamente na mistura que desmoronou sua existência, mas acabou por construir uma obra que continua sendo única. No documentário, estão pessoas importantes em sua vida, mas não Rita Lee. A relação com ela é tratada de maneira muito bonita pelos amigos. Não existe dúvida que foi um amor mais do que arrebatador. Todos falam com muito cuidado, compreendendo que as relações amorosas têm suas nuances só percebidas por quem as viveu.

O filme mostra todas as fases: o começo, na adolescência; tropicália; sem Rita nos Mutantes, com a Patrulha do Espaço e a solo, marcada por machucados visíveis, recados e pedidos de desculpas em canções que fazem a gente chorar. E a fase da internação para desintoxicação quando ele caiu da janela da clínica; o ostracismo, sem esquecer a da recuperação, sob os cuidados de Lucinha Barbosa, fã que virou mulher, mãe, amiga e protetora.

Arnaldo Baptista, como o são as pessoas geniais, não foi um cara fácil de se conviver. E as pessoas que depõem no filme, parece, são condescendentes com ele, abrigadas também no distanciamento que o tempo traz. Mas, todas são unânimes em reafirmar a genialidade de Arnaldo, em reconhecê-lo como “o cara” dos Mutantes e ao ver a sua obra como uma das mais revolucionárias da música. Arnaldo Baptista ainda não tem uma biografia “definitiva”, mas já tem uma cinebiografia que consegue colocá-lo no patamar que lhe cabe. Muito se fala de outros grandes nomes geniais da música brasileira, mas não são tantas assim as que citam Arnaldo. Quem sabe, justiça começa a ser feita.

6/05/2009

Bom de música e de polêmica

O músico Carlos Careqa: “No meio artístico tem muito ego inflado e pouco resultado” (foto: Divulgação/Edson Kumasaka)


Jornal do Estado/ Bem Paraná

Carlos Careqa bate um papo sobre música e critica sem piedade a “onda de resgate” cultural que assola todo o Brasil

Adriane Perin

Toques de Berimbau, um ritmo de forró e letras ácidas: “Brasileiro tá com medo de perder a identidade, tá fazendo curso de bumba meu boi no Sesc da cidade, tá jogando capoeira na universidade. Tá inscrito num curso de clown”. Ou: “Tem tanto artista falido/ tocando só pra família/ os amigos já não aguentam mais os discos que não tem saída/ Tanta menina namora com um guitarrista e já um microfone quer comprar/o campo precisa de gente, não tem mais agricultor”. Os trechos das faixas, “Brasileiro” e “Por que” mostram a discordância do músico Carlos Careqa - que está lançando seu novo trabalho, Tudo que Respira quer Comer, por seu próprio selo – em relação à moda do resgate do folclore e de todo mundo ser artista. Nascido catarinense, mas conquistado pelos curitibanos bem cedo, Careqa não se intimida em explicar melhor o que quer dizer, leia-se criticar, mesmo tendo que citar amigos. Vai conversando, com coerência e arraigado às defesas do que acredita. Por exemplo, faz questão de não usar leis de incentivo na produção de seus discos e deixa isso claro na contracapa.

Jornal do Estado — Você está tirando um sarro desse papo de “resgate da cultura popular” que virou moda, né? Não acreditas na boas intenções?
Carlos Careqa
— A ideia é o seguinte: as pessoas no Brasil vão pela moda e não se perguntam qual é o significado disso. De tempos pra cá noto que as pessoas começam com música, acham que descobriram as coisas brasileiras e, por conta disso, o resgate da cultura popular virou exagero. Em cada esquina tem Bumba- Meu-Boi. Até Curitiba que nunca teve essa tradição acabou aderindo a este tipo de coisa meio chata e, muitas vezes, sem conteúdo. Não que eu seja contra movimentos folclóricos. Sou super a favor, mas tem que ter parcimônia entre gostar e querer transformar isso em arte. Muitas vezes o folclore tem que ser preservado mas não que subir ao palco; assim como índio não tem que fazer show. Nem é que disvirtua a essência. Talvez. Mas, o pior é querer transformar em algo que não é. Indio não precisa estar no palco para mostrar seu valor. É um crime quando se pega uma tribo indígena e a leva para tocar no Sesc. Se cria uma necessidade que eles não têm e, aí sim, temos um problema. Coloca esse pessoal no show business e eles vão querer voltar. O mesmo com folclore, pega o sinhozinho que toca rabeca no interior do Pernambuco e traz para São Paulo. Pode ser interessante da primeira vez, mas depois vai criar algo desnecessário. Seria legal manter os movimentos folclóricos na sua.
JE — Isso não tem a ver com essa filosofia “Petista” de que tudo hoje em dia tem que ter um fim social, como se a arte já não fosse, por si só, inclusora?
Careqa
— Uma coisa é resgatar o social, trabalhar para que o povo seja melhor remunerado. Outra, é levantar bandeiras sem limites. E música é negócio que tem uma tradição, exige um estudo, tem que ter um tipo de conteúdo. Folclore é folclore.
JE — Às vezes tem-se a sensação de que linguagens urbanas e mais contemporâneas não tem o mesmo valor dentro deste contexto
Careqa
— Como se algumas coisas não fossem tão autênticas e acabam estigmatizadas... Não sou contra o folclore, a pesquisa e transformar em música. Mas, colocar isso no palco nu e cru e comprar vestido de algodão e sair fazendo ciranda, não é arte; não é música: é folclore, é lazer, não tem o valor artístico.
JE — Não tem medo de falar isso? Sabe que pode comprar brigas.
Careqa
— Não tenho medo de dizer o que penso. O pessoal do Mundaréu, por exemplo, eles são meus amigos e fazem um trabalho por aí. O lado musical é bacana, mas quando fica só no folclore é chato. Não sou contra quem faz folclore no palco, mas não é necessário, acho que é mais um exercício de vaidade e ego do que artístico.
JE — Outro problema é que a palavra “resgate” ficou tão batida...
Careqa
— Mesma coisa que achar que o samba vai salvar a humanidade... A música é sem fronteiras, nasceu pra ser livre e sem amarras. Por isso minha crítica. Não precisa fazer curso de clown. “O campo precisa de gente não tem mais agricultor.” É absurda essa forçação de barra, todo mundo quer ser artista. Juro pra você, volta a meia penso que deveria ter feito medicina, ter ido para um lugar com menos vaidades. No meio artístico tem muito ego inflado e pouco resultado. Querer salvar tribos indígenas quando tem tanta gente do seu lado que precisa de ajuda? Existe um exagero em certos setores sociais.
JE — São 25 anos de música. Nesse tempo suas intenções mudaram?
Careqa
— Quando comecei minha preocupação era sempre fazer com que o ouvinte pensasse no que estava ouvindo, porque vinha de uma uma escola toda baseada em grandes da mpb e não podia admitir que se faça uma música por fazer. Tem o lado do entretenimento, mas como faço música popular, pra mim, é importante que haja uma ação. A pessoa escuta e pode gostar ou não. Mas, reage. Neste disco tem duas músicas da época, de 84, “Cida” - um funk, algo até mais pra comédia e um jogo de palavras - e “Fantasias”, que tinham essa preocupação. Caminhei por aí sempre, algumas vezes com um ar mais ácido. Acho que tô no mesmo caminho. Sou alternativo ou underground. O Mercado não me absorveu e porque eu já não sei. Mas hoje em dia to muito mais tranquilo em relação a isso, porque meus ouvintes continuam comparecendo nos shows.
JE — E como se manter, sem usar leis de incentivo, sendo alternativo, vivendo de música? E com lançamentos, pelo seu próprio selo, Bed, cujos acabamentos visuais também chamam muito a atenção e devem ser caros?
Careqa
—Um disco vai pagando outro e os shows. Na verdade, disco não dá lucro. Dos shows vou sempre guardando uma graninha e às vezes ataco de produtor. A publicidade até caiu bastante. Sobre Leis de Incentivo não sou contra, mas do jeito que ela é usada sou totalmente contra. Virou um cabidão de emprego, muita gente usa totalmente errado e se faz discos sem estímulo para vender porque não se gastou nada. Como invisto e sei de onde veio o dinheiro, aposto em uma boa divulgação, mesmo que alternativa. Faço e procuro vender os shows e vendo meus discos, não tenho vergonha nenhuma de dizer que vendo ao final do show, na beira do palco, a R$10. E funciona muito bem, porque as pessoas querem ver isso. O público não é idiota e sabe o que vai comprar. A Lei favorece parasitas culturais, que não fazem nada sem lei de incentivo. É uma pena porque vejo grandes artistras encostados na lei, como se fosse uma droga que vicia. Por isso meu grito de discordia.
JE — O que mais faz a diferença em estar em São Paulo?
Careqa
— Poder abrir as fronteiras de onde mostrar meu trabalho, porque quando morava em Curitiba era muito dificil fazer shows fora. Sampa me acolheu de farois abertos e tive oportunidade de fazer shows maravilhosos e, daqui, pude tocar no Brasil todo. Mesmo tendo essa carreira super alternativa que tenho - até para Buenos Aires fui. Não sei se ficasse em Curitiba teria esse mesmo respeito. Mas Curitiba mudou bastante e hoje tem outras possibilidades. Sou de Santa Catarina, mas minha alma é curitibana. Esse jeito de pensar, esse jeito crítico sobre o qual conversamos no começo, herdei dos curitibanos com os quais convivi e convivo até hoje. Pessoas como Thadeu Wojciechowski, Adriano Sátiro, Roberto Prado, o pessoal do Maxixe Machine. É a minha cidade e a adoro.
JE — Em realação ao disco anterior o mudou pra você?
Careqa
— Este disco é como se fosse o quarto da carreira, porque dei uma pausa para fazer um resgate de trabalho que tinha engavetado e não queria deixar passar. Mas, o Pelo Público faz parte da minha vida. E o do Tom Waits é um tributo a um cara que admiro muito e queria fazer. Como tava meio sem nada, e a mpb muito lotada de coisas e compositores, quis dar uma passeada pelo rock and roll para recarregar as pilhas dessa verve de compositor. Esse meu disco como se fosse a sequencia da carreira de cancionista. Muita gente não gosta dessas minhas mudanças, os que gostam mais da canção e da mpb torcem o nariz. Mas como sou livre e a música também, se quiser fazer música erudita, vou fazer, mesmo que seja algo que o público não goste – desde que eu ache que tem conteúdo. Não sou preso. Estamos vivendo em um tempo que não dá pra fechar as portas e linguagens. Tem gente que é muito preconceituosa.

5/29/2009

Cada vez mais genuinamente Júpiter Maçã

Jornal do Estado/ Bem Paraná

O músico Flávio Basso, o Júpiter Maça, faz show hoje no Era Só o Que Faltava (foto: Divulgação/Cisco Vasques)


O gaúcho Flávio Basso apresenta sua nova banda a Curitiba, com repertório que passa por todos os discos e inéditas

Adriane Perin

Quando um músico constroi uma história que conquista pessoas, seu repertório acaba por ganhar uma interferência externa, digamos assim. Algumas músicas não podem faltar nos shows. É o caso de Flavio Basso. Ou Jupiter Apple. Ou Júpiter Maçã. O gaúcho, que começou a fazer história lá nos anos 80 nas irreverentes TNT e Cascavelletes, é um desses casos. E, para nossa sorte, não importa de qual disco ou época é sua música, porque o bom gosto musical é a regra em resultados que podem ter uma cara mais experimental ou mais pop, dependendo do que ele sente. A cada novo trabalho, esse cara engrossa sua lista de boas canções e o momento atual não parece diferente, como se pode conferir no single que acaba de lançar em sua página no my space (www.myspace.com.br/jupiterapple). Gregorian Fish tem um clima David Bowie, me lembrou Roxy Music. Outro trunfo de Júpiter Maçã são as sacadas regionais em referências a lugares, que aparecem em suas músicas sem que jamais as façam soar datadas, ao contrário, promovem aproximação. Golpe de mestre.
Hoje ele apresenta à Curitiba, na terceira edição do I_CWB, no Era Só o Que Faltava, sua nova banda, que tem as “estrelas” Thunderbird (aquele mesmo ex-VJ e vocalista do escrachado Devotos de Nossa Senhora Aparecida) no baixo, e Astonauta Pinguim no piano e órgão, com a responsa de dar aquele toque retrô que falta a um show do Júpiter. Ele também apresenta uma performance solo. A banda se completa com Dustan Galas (guitarra) e Felipe Maia (bateria). “A combinação está sendo bem boa e traduz o que quero passar no momento”, disse Basso, em uma animada conversa por telefone. Entre as músicas que não podem faltar no repertório – que terá também músicas inéditas - ele cita “Gregórian Fish” e “Um Lugar do Caralho”. Oba, essa é um clássico. Mas, e: “Eu e minha ex”, Miss Lexotan 6mg Garota .., “As Tortas e as Cucas”... ishi... essa lista é grande!

Jornal do Estado — Você está trabalhando em novo disco. O que podemos esperar desta vez?

Júpiter — O single já tá lançado virtualmente porque a música que abre tá no meu My Space. As gravações do álbum ainda tô no processo de criação. Na sequência virá o vinil, um compacto, ainda para este ano. Gosto dessa prova física, especialmente para o formato de single gosto de usar o compacto, que faço pela Monstro Discos.

JE — Você já fez discos pop, experimental; cantou em português em inglês; quando se esperava um tipo de som, você vio com outro... esse trabalho que está nascendo?
Júpiter — Acho que cada vez mais venho completando e sintetizando o disco anterior. A Tarde na Fruteira, o mais recente, já sintetiza os três anteriores. Na verdade, essa coisa de correr contra o que se esperava se deu mais nos meus primeiros discos. E aconteceu mesmo. São coisas que eu tenho que descobrir a meu respeito – e isso é saudável. Claro, que sempre coloco um plus, algo fresco à carga do que já estava no trabalho anterior. Me sinto cada vez mais completo e pleno como compositor.

JE — Legal essa postura longe da falsa modéstia de dizer que “é um trabalho despretencioso”.
Júpiter — Mas é a verdade. Me sinto assim. Tenho um estilo que já era definido e tende a afunilar, cada vez mais genuinamente Jupiter Maçã. Você ouve e sabe que se trata do meu disco, mesmo que sejam trabalhos com várias sonoridades diferentes, atitudes atípicas ou coisas que não tinha feito anteriormente.

JE — Desde aquele começo com TNT e Cascavelletes até agora...
Júpiter — O que disse não quer dizer que fosse inseguro ou imatudo na fase inicial. Nunca fui inseguro em relação ao que lancei. Essa segurança é que me move e abre para o exercício da continuidade. Mas, percebo, olhando pra trás que cada vez mais tem uma assinatura, que era de fato aquilo lá mesmo, desde o começo.

JE— Você - e alguns outros músicos da sua geração oitentista do Rio Grande do Sul – é um cara que influenciou muita gente e está entre os que deram os primeiros passos do que hoje chamamos de cena independente brasileira. Você se sente uma referência? Como é isso de ser pioneiro?

Júpiter — Independente eu sou. Mas, o independente cresceu e não é mais independente. Tomou vida própria em tamanho e dimensão. Se você pensar em termos de mainstream, acabei sendo um “main” que foi formado, que emergiu das profundezasa do indie, do underground, mas tomou proporções tais, que, agora, a essência, seja indie ou underground o termo que se aplique, já tem uma notoriedade outra. E lido com isso, no momento, como período transitório, porque sinto que venho de uma espécie de transição para que um número maior de pessoas tenha acesso. Isso tá acontecendo com meu trabalho.

JE — Por falar nos gaúchos já viu o Tenente Cascavel, formação que une ex-Cascavelletes e ex TNTs? Você chegou a ser convidado?
Júpiter — Fui convidado a assistir e fui comunicado com alegria do que acontecia, mas não tive a chance de ver ainda. Acho interessante um trabalho de resgate como este, mas eu não faria. Porque a mim incomoda viver do passado e, assim, não to dizendo que eles estão vivendo no passado, mas estão apegados por demais. Estão recriando uma sonoridade que eu já vivi intensamente. Seria difícil vivê-la como se fosse meu dia-a-dia. Mas, eles estão indo muito bem.

JE — Como ouvinte qual é sua relação com a música. Você gosta ouvir o que tá rolando agora?
Júpiter — Gosto sim, mas aconteceu de neste período estar completamente rodeado pelas minhas ideias, porque estou tentando organiza-las. Não que esteja desorganizado, mas estou dando nomes, encarando facetas de cada um dos elementos meus. E isso dá um trabalho. Algumas mudam, outras ficam mais em evidência em algum momento; outras que estavam esquecidas mostram sua importância.

JE — Tem algo que você citaria desta nova cena?
Júpiter— Diria que toda a cena está legal. Essa neo-mod que tem surgido é forte e gosto dos Faichecleres, por exemplo. Eles fazem várias alusões a Sétima Efervescência.

JE — Teus discos são bem resolvidos, acho que por isso você às vezes dá um intervalo maior para lançá-los – e por isso também aquela segurança que falou antes. Cada disco tem o tempo que precisa.

Júpiter — Só foram lançados albuns meus nos quais cheguei ao fim. Realmente é uma prova que me coloco, um dogma. Um disco só vem à tona se traduzir exatamente o que to querendo. Senão seria um desconforto muito grande e dificil de lidar artisticamente. E é o que você falou mesmo: cada um teve o tempo que precisava. Vejo que você conhece bem meu trabalho. Às vezes pode parecer que foi tempo demais, mas acaba saindo, uma vez que eu esteja completamente satisfeito.

JE — E sua relação com a crítica? Não tens muito que reclamar, você é “bem criticado”, né?
Júpiter — É sempre uma surpresa o que vão achar. Eu procuro ficar tranquilo porque é como disse: tem que passar por mim. Uma vez aprovado por mim tudo que tenho que fazer e ficar à vontade, porque afinal de contas fiz o que quis fazer.

JE — Uma Tarde na Fruteira foi lançado no exterior. Como vai a carreira internacional?
Júpiter— É, pela Elephant Records, gravadora espanhola com abrangência em outros países europeus. A crítica tem sido bastante generosa, meus discos estão sendo festejados, o que é lisonjeante. Infelizmente não estou acompanhando de perto, por isso os planos de fazer uma turnê. Mas por hora é planejamento. Issos ainda é recente de certa forma, dois anos de lançamento no exterior. Fiz uma vez um show em Londres, que foi muito legal. Com muitos ingleses e toquei “Marchinha Psicótica do Dr Soup”, que é toda em portuguuês e a letra é o forte, com longas estrofes, sem refrão. E eles realmente deliraram. Acho que é o formato de marchinha, a sonoridade.

JE — E sua postura com internet gravadoras e esses assuntos todos que vivem em voga?
Júpiter — A internet ajuda, mas também atrapalha em alguns pontos. Moeda com seus dois lados. Eu particularmente tenho lavado minhas mãos. Tenho todo um processo criativo, um trabalho que envolve muitos sentimentos, toda fase de composição até chegar a hora de expor o trabalho finalizado. E, aí, já não cabe mais a mim decidir ou ter certeza do que vai ser feito com isso pelo público. É assim que tenho encarado.

JE — Mas você tem um contato direto com os fãs pela internet?
Júpiter — Não tenho. Mas sou muito acessado e tenho consciência que sou um sucesso de internet. Coloco tudo e acabam sendo coisas bastante acessadas?

JE — Não está na hora de um DVD?
Júpiter — Existem planos, mas nada de fato agendado. Mas, concordo que um DVD seria bem vindo.

Serviço
3ª edição do I_CWB – Júpiter Maça, Astronauta Pinguin, Djs Our Gang, Banzai, Delta Cokers e intervenções de rasputines.
Dia 29 R$15.
ESOQF (Av. Rep. Argentina, 1334)
Informações: 41 33420826.

5/19/2009

Rock de Inverno 7 - Folha de Londrina

Folha de Londrina de hoje (acesso com cadastro), na coluna "Camarim", de Rodrigo "Digão" Duarte

Festival 1

Após três anos sem ser realizado, o festival Rock de Inverno confirma sua sétima edição, programada para os dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall. A principal atração é o Fellini, banda cult da cena rock paulistana dos anos 80, que encerrou atividades no começo da década seguinte mas realiza shows de reencontro de tempos em tempos, como já aconteceu em 1998, 2000 e 2003 (este último, no Tim Festival).

Festival 2

O Fellini vem a Curitiba com sua formação clássica: Cadão Volpato (vocais), Thomas Pappon (baixo), Jair Marcos (guitarra) e Ricardo Salvagni (bateria). Segue a linha invernal, intimista e de letras inteligentes. Foi uma das primeiras bandas de rock a flertar com a MPB, inserindo algumas batidas de samba às músicas. Isso era percebido, de leve, no álbum de 1986, ''Fellini Só Vive Duas Vezes'', se intensificando no disco de 1987, ''Três Lugares Diferentes'' (vale citar que na mesma época o Beijo AA Força já fazia algo semelhante em Curitiba).

Festival 3

A grade do Rock de Inverno conta com mais 13 bandas. Estão escaladas Ruído/mm, Mordida (estas são as únicas que já tocaram em outras edições), Hotel Avenida, Je Rêve De Toi, Koti e os Penitentes, Heitor e Banda Gentileza, Diedrich e os Marlenes, Pão de Hamburger e Liquespace. Todas essas são de Curitiba. Entre os convidados de outras cidades estão Nevilton (Umuarama), Beto Só (Brasília), Les Tics e 3 Hombres (ambas de São Paulo). Esta última fará um show em homenagem ao falecido Minho K, integrante de sua formação original, e que também já fez parte do Fellini.

Festival 4

O Rock de Inverno terá também uma festa de abertura no dia 23 de julho, no Era Só O Que Faltava, com outros shows (a confirmar). No mesmo dia, às 19 horas, também vai rolar um bate-papo sobre produção de festivais de música independente.

4/25/2009

Lembranças que valem tudo



"palavras não tem sentido, são sentidas"


pois é. o tempo passa cada vez mais rápido. há quase nove anos atrás, em uma noite de junho de 2000, o Faus - banda do grande multiinstrumentista e compositor Marcos Coelio Gusso - abria o primeiro Rock de Inverno, no porão do finado e saudoso Circus bar. E hoje faltam exatamente três meses para o Rock de Inverno 7, que desta vez, está programado para acontecer nos dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall, com quatorze atrações divididas em duas noites. A contagem regressiva já começou e a ansiedade tá batendo. Mas é um sentimento bom, pois na verdade esse momento já é o de realização, pois o trabalho mesmo pra chegar aqui começou há pelo menos dois anos, e só por isso e pela insistência da Adri que a coisa toda aconteceu de novo. Que os deuses da música nos iluminem e protejam! Como diria o Arnaldo, tudo o que nós queremos é que sejam duas noitadas excelentes para todos.

fiquem ligados que daqui pra frente nos próximos dias estaremos divulgando muitas outras novidades e informações sobre o festival.

4/03/2009

O que o nosso tempo tem a dizer em forma de som

Bem Paraná/Jornal do Estado

Dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita

Adriane Perin

No palco do John Bull Music Hall, sábado, é dia do encontro de três bandas de ponta do circuito independente da atualidade: a curitibana Ruído/mm e as paulistas Cérebro Eletrônico e Guizado, estas duas, pela primeira vez na cidade. E preste atenção, leitor, dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita. Estas são, efetivamente, três formações em evidência pela sonoridade que colocam em cena - e o encontro mostra bem como a capital, neste quesito, está sintonizada no seu tempo – muito graças às bandas que continuam “se produzindo e se convidando” .

O Cérebro Eletrônico tempera seu som com um ironia direcionada ao egocentrismo que alimenta muito artista por aí, calcado em uma sonoridade que, primeiro de tudo, lembra Mutantes e a fase mais experimental de ícones da música brasileira. Mas, é só dar uma batida de olho nas influências para perceber que essa constatação é só a mais óbvia. O mix do disco de estreia Pareço Moderno, tem cara pop, usa levadas eletrônicas, e não dispensa o rock. Fernando Maranho, Fernando TRZ, Isidoro Cobra e Gustavo Souza são os caras que tocam junto com Tatá Aeroplano - o idealizador -, uma moçada que circula por vários projetos bem cotados. Foi do duo dele com o guitarrista Fernando, amigo de infância, que veio a banda. “Lançamos um disco todo gravado em casa e decidimos ter mais acompanhamento. Acabou virando banda mesmo, todos colocaram suas personalidades e referências”, conta Tatá, dizendo que agora o projeto é prioridade. “O disco chamou a atenção porque tem vários ingredientes que funcionam bem. Tem a ironia, mas tem também o romantismo, o lirismo, canções pop”, avalia. A moçada já está pensando em novo trabalho e deve mostrar 3 ou 4 novas composições. “É importante hoje ter uma constância na produção musical”. Importante também é circular e se articular, já que hoje em dia a banda não pode ficar numas de esperar. “Existem pessoas pensando a cena alternativa e vivemos uma realidade em que o artista tem que ser tudo e não se deslumbrar”.

Se o Cérebro tem canções e uma levada meio pop, o Guizado é experimentalismo psicodélico. Se tem gente de outros projetos, Guizado tem Lucio Maia, da Nação Zumbi e Regis Damaceno e Rian Batista, do Cidadão Instigado. Precisa mais? O trompetista Guilherme Mendonça, quem começou essa história, conta ainda com o amigo das antigas Curumim, na batera. Só a formação, na boa, neste caso concordo com o assessor de imprensa, é garantia de bom show. São todos músicos profissionais acostumados a fazer altas sonzeiras em palcos e discos. “Eu não queria que fosse Guilherme e banda, e esse nome – que é um prato de carne cozida em seus próprios liquidos, em seu caldo – virou conceito”, conta ele, que vinha alimentando a vontade de investir no trabalho autoral. “Quando começou a tomar forma, era eu e Curumim na bateria, e bem experimental. Fomos entrando num acordo, colocando baixo, guitarra e sacando como ficava. Hoje eu dou uma direção e todos criam”, completa ele que quer lançar o disco de estreia, Punx, em vinil. “Gravamos em fita de rolo, 16 polegadas, uma gravação bem analógica que ganharia em vinil”.

Mas, o tempo não pára e também eles já estão com a cabeça no novo trabalho. “Em uma eu canto, é natural que exploremos esse lado também, mas não pensamos no modelo com refrão e estrofe. Não vamos perder a pegada experimental”, assegura. E qual o futuro de uma banda com músicos tão solicitados? “O Guizado tá começando a se conectar, estão aparecendo convites com cachês melhores, a idéia é até pegar um empresário...”

Sobre a Ruído, vai tocar para moçada que já sabe do que eles são capazes, com repertório novo e na pilha dos shows recentes (muito bem) feitos em São Paulo. Não tenha dúvida, vai ser uma noite preciosa para quem gosta de boa música e mais instigante ainda, para quem gosta de conhecer o que o nosso tempo tem a dizer musicalmente. (AP)

Serviço
Cérebro Eletrônico, Guizado e ruído/mm.
Dia 04. R$20 (meia entrada válida tambémpara doadores de 1kg de alimento. John Bull Music Hall. (R. (Eng. Rebouças, 1645). Informações: (41) 3013 2700 / 3013-2707