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8/01/2018

Dez anos de "Falsas baladas e outras canções de estrada" - OAEOZ






Há dez anos o OAEOZ lançava seu “canto do cisne”, um box set com dois discos: “Falsas baladas e outras canções de estrada”, com oito faixas gravadas no estúdio do guitarrista Carlos Zubek; e o “Ao vivo na Grande Garagem que Grava”, com cinco músicas gravadas, como já diz o título, na Grande Garagem que Grava mantida pela Chefatura Records de Luiz Antonio Ferreira e Rodrigo Barros Del Rei, do Beijo AA Força.
“Falsas baladas” tinha Ivan Santos (violão, voz, teclados, guitarras), Carlos Zubek (violão, voz, guitarras), André Ramiro (guitarra), Rodrigo Montanari (baixo, voz) e Hamilton de Lócco (bateria). E assim como em outros discos, também incluía a participação de vários amigos e parceiros, como Igor Amatuzzi tocando trompete em “Negativa”, e Desiré Amarantes tocando violino em “Pra longe”. O design da capa foi feito por Giancarlo Rufatto a partir de ilustrações de Hamilton de Lócco.
As parcerias também estavam nas composições. “Distância” é uma música de Ivan Santos feita a partir da adaptação de textos de Adriane Perin e Rubens K. “Negativa” é um poema de José Fernando da Silva, musicado por Ivan.
“Falsas baladas...” foi lançado originalmente pelo selo Senhor F Virtual, do jornalista Fernando Rosa, que na época completava dez anos, atingindo 140 mil downloads. E na época, segundo o próprio selo, foi o segundo disco mais baixado. A versão física em CD teve apoio das Livrarias Curitiba e Tecnicópias.

Para comemorar, estamos disponibilizando o disco para ser ouvido/baixado no soundcloud. 

Abaixo, algumas impressões sobre o disco publicadas:


"Com 'Falsas Baladas...' o OAEOZ lança um disco que em nenhum momento parece fácil e gratuito, que para ser apreciado precisa ser tocado por vezes e mais vezes, mas que a partir do momento que você acredita nas canções, fica difícil não gostar."


"Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcança a maturidade musical em um álbum que impressiona pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos. "

Marcelo Costa, Scream Yell.


Folha de Londrina

Banda curitibana OAEOZ chega à maturidade sonora com novo álbum ‘Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada’

Mesmo que em seus onze anos de existência a banda curitibana OAEOZ tenha zelado pela imagem de uma banda bastante adulta, é com o novo álbum ''Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada'' que eles chegam, de fato, à maturidade sonora. Ao mesmo tempo em que as novas músicas estão mais ricas em arranjos, o grupo limou alguns excessos do passado, principalmente em relação aos vocais, que estão mais contidos (antes, quando o vocalista era mais expansivo, a melodia se perdia).
Nas oito canções do novo trabalho, o que se ouve é rock adulto, sofisticado, de músicas geralmente lentas, mas que também tem seus momentos agitados, com inspiração nos alternativos paulistas dos anos 80, como Ira! e Fellini. É música feita por gente normal, que você encontra pela rua diariamente, sem uma produção visual, seja no palco ou fora dele.
O confronto de músicas mostram uma banda versátil. Enquanto ''Ninguém Vai Dormir'' esbanja adrenalina rock'n'roll, ''Distância'' destaca-se como a mais introspectiva do disco. Em ''Negativa'' os arranjos são minimalistas, enquanto ''Impossibilidades'' é generosa em recursos e elementos. Esta última foi lançada como single no ano passado, assim como o folk rock auto-referente ''Uma canção Para OAEOZ''.
Este lançamento pode ser considerado de luxo, pois vem acompanhado de um outro CD, ''Ao Vivo Na Grande Garagem Que Grava'', acomodados em um elegante box de papel cartão. No disco ao vivo, a banda apresenta cinco faixas inéditas. E apesar da gravação ao vivo ser crua, em relação à de estúdio, as músicas mantêm uma alta dose de sofisticação.

Rodrigo Juste Duarte

“Guardadas as devidas proporções e diferenças musicais, as letras lembram uma outra banda de Curitiba, que também tem trabalho novo à mostra, falo da OAEOZ (www.myspace.com/oaeoz), mais veterana, com dez anos de estrada e cinco discos. As duas mostram esse “deslocamento”, essa falta de lugar em um mundo que atropela quem pára para pensar ou sentir. Esse ser é torto, tímido, “gauche”, como definiu Drummond. Vou dar um só exemplo, mas não quero que pensem que as bandas são parecidas, apenas coincidentes em certas palavras: “O fim que chega toda manhã/ quando você fica na cama dormindo sozinho”, diz a letra de “Distância”, de OAEOZ. “Todas as noites quase morro/ Para renascer cada manhã” é o início da música “Heróis”, da banda Nuvens”

Gazeta do Povo – Acordes Locais – Luiz Cláudio Oliveira


O ÁLBUM BRANCO D'OAEOZ

Dúvida! Não sei se a vida inspira os phatos ou é arte?
Teu disco me recorda a resenha do último disco da Legião que li na
Bizz, o disco era "Tempestade" e o crítico foi muito feliz no
prognóstico - acho que o papel da resenha é levar a ouvir o disco
Sonoramente teu ao vivo pega gancho no Banquete dos Mendigos no
próprio AEOZ e Pink Floyd. Melâncolico ou mórbido? Mas o título é
dúbio falsas baladas e outras canções de estrada - se vc trocar os
discos de capinha tanto faz...
Rock Adulto? Entonação oitentista (Zero) Ballet Bauhaus Novo Cinema
Alemão Rock Teatral e a maior homenagem a Nei Lisboa, o disco que ele fez com outro nome - Disco da noite/dia luz/ - o tema do sol é lindo como uma banda que me esqueço o nome agora - ramo do Bauhaus mas tem aquele outro cantor australiano que morou em São Paulo vivendo o filme das tuas palavras. "Meg & John" de Rubens K. é a minha história com outros nomes - incrível nunca tive tanta saudade dos anos 80. alguns
acordes do ao vivo também me fizeram imaginar como os "headbangers" podem ignorar teu disco, ou por quê nós somos privados da oportunidade de assistir a este show? Mas esta é a máxima da arte guardar p/
descobrir a esquizofrênia em "deserto" e é certo que o AEOZ trabalha
arduamente em suas músicas e linguagens e discos.
Dois lados um ao vivo e outro de estúdio, sabiamente via dowload - boa - bootleg ao inverso - fiquei meio desapontado quando vi que o
primeiro cd era queimado e o segundo ao vivo oficalmente presnado sem contato c/ o ar - e ouvindo entendi que era um disco de downloads coisa de fã - peguei o espírito!

(...)

tô curtindo muito o disco elétrico - conhecendo os ensaios e os
outtakes do álbum branco a gente enxerga uma similaridade até nas
coisas mais cruas - Mariana é uma música muito bonita e este
desprendimento dos arranjos da duração das faixas e ecos com Joy
division - Renato Russo - ainda não analisei o lado lírico - mas eu
gosto como vc dá as notas no vocal e o arranjo vai atrás - o
convencimento da forma - a guitarra é muito bem tocada, muito bem
dosado - minimal - os arranjos são mais sofisticados tem um piano
bonito - uma introdução diferente - parece produção da gravadora
Stilleto - por isso eu ACHO oitentista - pega o Varsóvia - pega as
nossas releituras de Rimbaud

INTRAUTERINO CAFONA SENTIMENTAL OTIMISTA ESPERANÇOSO APAIXONADO -
SOLITÁRIO - NOSTÁLGICO mas NUNCA OMISSO QUANTO ÀS RELAÇÕES É O TIPO DE
DISCO QUE A GENTE PROCURA OUVIR
Vc sabe, que eu não conheço muito de Você e o disco leva a essa
procura em saber quem é vc- então o disco é perfeito
a expresão do it yourself - explica tudinho era isso que eu queria
ouvir - apesar de eu usar bootleg com o mesmo significado.
Receber este disco já velu a pena recolocar o site no ar e é o que
estamos fazendo divulgando a música doprópriobolso.

Mário Pacheco

O texto de apresentação do jornalista Leonardo Vinhas:

Eu tinha 15 anos e sonhava em ser jornalista musical – depois que algumas aulas de contrabaixo me mostraram que eu teria “dificuldades técnicas” em seguir carreira até mesmo num “Ramones cover”. Era o começo dos anos 90, e cada descrição de um show na gringa ou mesmo na “longínqua” São Paulo (para quem morava no interior e só ia ao litoral com os pais...) valia para mim como a descrição de um épico, para dentro do qual eu era transposto graças à palavras que davam a dimensão do que eu havia perdido.
Acreditava, naquele momento, que o ofício de jornalista musical tinha a ver com saber dar aos leitores a medida exata do que eles haviam perdido, ou perdiam, não estando em determinado show, ou não escutando certo disco. E acreditava no poder transformador/catalisador/entorpecedor da música.
Hoje eu tenho o dobro dessa idade e, sendo justo comigo mesmo, continuo acreditando nesse poder da música. Mas não no jornalismo (e nem apenas no caso do musical). Cumpri meu objetivo, estive em shows, ouvi discos que ganhava de graça para resenhá-los, viajei e achei tudo isso muito frustrante e aborrecido. Conhecer os músicos era um comportamento típico da minha idealização adolescente, mas depois de certo tempo, achei melhor nem conhecer quem compunha uma canção que mexia comigo, da mesma maneira que é interessante que um fiel não conheça a vida íntima do pregador de sua fé. Os pequenos detalhes ganham demasiada importância e arruínam qualquer sonho.
A esse processo de transformação pessoal – que até aqui está restrito à música – soma-se o cinismo que parece ganhar força e tomar espaço, insidiosamente, conforme você vai abandonando a faixa dos vinte. Talvez seja uma característica de nossos tempos e nossa sociedade: começamos a trabalhar muito cedo, a dar a cara à tapa muito jovens, e a crise de meia-idade vem quando nos aproximamos do nosso suposto auge, que é a faixa dos 30 (pergunte ao seu médico, caso você já esteja freqüentando um). O fato é que quanto mais velhos, mais cínicos, e tudo parece tornar-se mais chato e menos empolgante, inclusive (e principalmente) os relacionamentos e a música. Minha geração está se sentindo velha e desesperançosa aos meros 30 anos, isso numa época em que a expectativa de vida supera os 70. Ou seja, não chegamos nem à metade de nossa existência, e já estamos rabugentos e entediados.
Aí calha que por uma série absurda de coincidências, por um ato de molecagem que parece inapropriado à sua “idade”, você faz uma viagem inesperada, cai numa cidade onde ninguém lhe conhece e você sai de lá com várias histórias para contar e até com alguns amigos. Levando ainda alguns discos debaixo do braço, passados pelos mesmos amigos.
Aí, de volta à sua casa, você escuta uma voz saindo de algum desses discos que confessa: “dizem que tenho talento para melancolia, qualquer tipo de fobia, que tenho pena de mim...” Como é que é? Eu acho que reconheço esse sentimento! Não passa muito, uma outra canção confessa que “a vida é fácil, eu é que sou complicado, sempre acabo me enroscando nesses dias tortos. A gente sempre quis ter uma vida simples, mas tudo é tão difícil quando se tenta fazer o que se quer”. Parece que todas as suas contradições adolescentes que ficaram disfarçadas sob camadas de cinismo adulto estão reveladas ali, na sua cara, prontas para ficarem reverberando até você não querer pensar mais nisso, simplesmente porque não consegue se encarar. Porém, esse mesmo disco traz uma canção sobre a estrada que, além de lhe lembrar que você nunca terá viajado o suficiente, lhe propõe que “o peso que carrego nos ombros é só bagagem”.
Foda.
Os anos passam, você passa a viajar para acompanhar aquela banda e vai vendo que, mesmo com a passagem do tempo e muitos meses de estrada, você continua cínico. Puxa, será que a música não te transformou? Será que aquilo que parecida redivivo em você foi só uma última fagulha de um brilho jovem que vai ficar permanentemente soterrado sobre essa carcaça de velho que você criou para si próprio? Live fast, die young, diziam anos atrás. Você não morreu jovem. E agora?
E agora chegam não um, mas dois discos novos dessa banda. Você nem estava esperando, mas eles chegam numa tarde rotineira, vento quente arrastando o tempo. Você tem que ir trabalhar, então coloca os discos no som do carro e nem percebe que, pela primeira vez em muito tempo, as idéias de “cinismo” e “idade” nem passam pela sua cabeça. Algumas palavras vêm lembrar que você não é mais um garoto mesmo, e daí? A esperança nunca foi privativa da juventude e, ademais, todos aqueles escritores de quem você gosta tanto, que ocupam a maior parte da sua surrada biblioteca, começaram a escrever suas melhores obras só depois dos 40. Quem é que estava preocupado com a data de nascimento mesmo?
Mas a queda do cinismo é que é mais interessante. Porque essa banda pode escrever canções a partir de uma conversa entre amigos na laje – uma canção sobre a conversa, aliás. Essa banda escreve uma canção sobre ela mesma, e a relação (não necessariamente idílica) entre seus integrantes. Caramba, essa banda escreve uma canção sobre a vontade que dá de parar com tudo e não se fazer mais o que se quer, talvez começar a fazer o que se “deve”, para evitar tantos aborrecimentos. Mas quem é que consegue viver assim? Com certeza, ninguém para quem a música importa algo conseguiria fazê-lo.
Você começa a andar com os discos na mochila (trinta e poucos anos, e ainda sai de mochila por aí?) e começa a ouvi-los quando dá tempo. Ninguém – seus “colegas” de trabalho, conhecidos, parentes – entende porque você escuta essas canções sem refrão, sem distorções óbvias ou ganchinhos saltitantes. Mas tudo bem. Eles passam suas noites de seu modo ordinário, enquanto o disco lhe recorda que “ninguém vai dormir” enquanto tivermos vontade de fazer algo mais substancial. Mesmo que estejamos de olhos fechados.
É quando você abre os olhos e vê que você mesmo está sorrindo. Sem cinismo.

Leonardo Vinhas

7/17/2018

Quarteto de Curitiba lança segundo single com texto de Mário Bortolotto








“Do lado de cá da cidade” foi adaptada a partir de poema de
escritor e dramaturgo londrinense publicado originalmente em 1997

“Do lado de cá da cidade” é o segundo single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). A nova canção é uma adaptação de um poema do escritor e dramaturgo londrinense radicado em São Paulo, Mário Bortolotto, fundador do grupo de teatro Cemitério dos Elefantes. O texto foi publicado originalmente no livro “Para os inocentes que ficaram em casa”, de 1997.
Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a segunda de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci. A gravação teve ainda a participação especial de Rodrigo Marques tocando baixo acústico. O primeiro single, “Sem acreditar”, foi lançado em maio último.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - guitarras e piano
Ivan Santos – voz


Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci

Participação especial
Rodrigo Marques – baixo acústico

Do lado de cá da cidade
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Letra – Mário Bortolotto
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno2@gmail.com

5/02/2018

De Inverno lança "Sem acreditar", primeiro single de Santos Marti Amatuzzi & Castel







“Sem acreditar” é o primeiro single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a primeira de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.
“Sem acreditar” é uma composição original de Ivan em parceria com Martinuci. A letra fala de abrir mão da crença como estratégia de libertação e sobrevivência. “É o fim do desejo/do medo/da solidão/de pensar/que existe algo além”.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - violão, guitarras e piano
Igor Amatuzzi - baixo e sintetizador
Ivan Santos - voz
Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci
Sem acreditar
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno.blogspot.com.br
deinverno2@gmail.com

4/06/2016

Banda IMOF lança seu novo single: “O começo outra vez”



A banda IMOF, de Curitiba, está lançando seu novo single: “O começo outra vez”. Com três faixas, ele foi gravado no estúdio AB Música, por Rodrigo Andrade, baixista do grupo, com direção musical e arranjos de Martinuci. Além da canção título, o disco traz “Eu vou dizer”, parceria entre Ivan Santos e Martinuci, e como bônus track, “Vai se abrir”, versão da IMOF para a música "Va A Escampar" (Sebastián Teysera) da banda uruguaia La Vela Puerca, gravada originalmente para o tributo “Somos todos latinos”, do site Scream Yell.

O single está sendo lançado pelo selo De Inverno para download gratuito. Também será lançada uma versão física em CD, no próximo dia 16/04, em show no 92 Graus, ao lado das bandas La Carne (Osasco/SP) e a curitibana Leis do Avesso.

 Nascida em 2012, a IMOF tem em sua formação músicos experientes e com longa história na música alternativa paranaense. Ivan Santos (voz, violão) foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock de Inverno. Osmário Jr (bateria) integrou as bandas CMU Down, UV Ray, Dive e Sofia; Rodrigo AB (baixo) tocou na Equipe Espacial nos anos 90, entre outros grupos, e Martinuci (guitarra, piano) encabeça o projeto Stilnovisti. Lucas Paixão (guitarra) trabalha com produção musical.


Baixe http://deinverno.blogspot.com.br



Ouça https://soundcloud.com/imof
Contato deinverno2@gmail.com


7/02/2015

Rock de Inverno - 15 anos



É muito legal voltar a ouvir uma canção e reviver tudo – ou o que a memória permite! Não raras vezes essas canções cantam também os pedaços da vida de quem a ouve. Comigo é assim, quase sempre. Uma canção antiga é capaz de trazer cenas, lembranças, pessoas, pendengas, empreitadas boas, amigos, amigas, amores...

Por isso, mais uma vez bastou ouvir os primeiros acordes de Filme, do Cores d Flores para que meu ser inteirinho reagisse. Quando entrou “De Inverno”, d’OAEOZ, me toquei que estava ouvindo a coletânea Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba. OAEOZ do tempo do Igor... aquele menino que um dia o Daniel levou lá em casa e que se transformou no parceiro musical primeiro do Ivan, que o apresentou ao Rubens... enfim. (eu avisei que é só ouvir que as histórias vão voltando).

Há 15 anos, nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2000, no Circus Bar, acontecia a primeira edição do nosso primeiro grande desafio, o  Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba , com os shows começando “impreterivelmente às 23h”.  rsrsrs. uma ‘briga’ nossa desde sempre esse negócio de horário de shows!







No palco,  Faus (banda do Coelio), Plêiade (‘retornando’), Zigurate, Loaded, OAEOZ (que acabou tocando na sexta), Cores d Flores, Madeixas, Quisto (depois Loxoscelle) e Zeitgeist co. Na plateia, muita gente, entre os quais, Carlota Cafieiro, jornalista do Correio do Povo, de Campinas, repórter do Alexandre Matias; e ele, o figuraça, uma atração à parte, o  músico e, na época, jornalista da Bizz, que acabou escrevendo sobre o festival para o Estadão: Minho K!






Na produção eu e Ivan, com  Mackoy ajudando no som, Marcelo Borges nas imagens e meus pais recebendo os jornalistas convidados, levando os dois para almoçar, enfim, fazendo as honras da casa enquanto eu e Ivan estamos nos respectivos jornais em que trabalhávamos (Gazeta do Povo e Jornal do Estado).  Lembro bem da ansiedade!!








A De Inverno nascia ali, antes mesmo de ter ciência disso. Nossa vontade era muito simples: mostrar para o Brasil essa nova geração da música curitibana, pós “Seattle brasileira”,  nascida em meados dos anos 90 em diante com canções em bom português. Mais ou menos na mesma época o Ivan preparou um kit sobre essas e muitas outras bandas da época e enviamos para jornalistas-chave. A gente não tinha dúvida da qualidade dessa nova safra e sabia que, se queríamos que o resto do mundo soubesse, alguém tinha que fazer alguma coisa. Uma das ações – além de organizar um festival bacana, com estrutura bacana, pensando nos artistas e na qualidade do equipamento de som – foi convidar jornalistas de veículos importantes para virem cobrir - leia-se bancar todos os custos da viagem e estadia.  Outra estratégia era ter bandas de outras cidades, também das novas cenas, para assim completar nossa proposta de “inserir essa nova geração curitibana na nova cena nacional”, o que fizemos a partir da terceira edição.

Material gráfico bonito assinado pelo Camarão e Alexandre Striq e um press kit que, além dos tradicionais releases e fotos, também tinha uma coletânea com uma música de cada banda, uma marca do Rock de Inverno, que deu início ao acervo do Selo.

Lá fui eu toda confiante como projeto na mão caprichado bater na porta de algumas empresas. Lembro muito da Cini, acho que foi para quem mais liguei.  Em uma tarde, lembro até o telefone público  (hoje inexistente, claro) do qual falei com o Ivan, à beira das lágrimas porque não me conformava: “como as pessoas podem não querer apoiar um projeto legal como este?”. É, eu achava tão improvável isso na época. Sonhadora, iludida! Hahahaha. Enfim, não rolou apoio e fizemos com nossos salários mesmo!  Pois é, vale sim ser sonhadora e iludida, às vezes!

A casa cheia nas três noites foi algo incrível.  Ao tentar voltar pra frente do palco no show da Plêiade uns engraçadinhos quiseram não me deixar passar... tá bom! Claro que eu ri e disse que era para ele me agradecer ao invés de me barrar e fui para o meu lugar preferido!

De outras cenas que não esqueço Minho K é a estrela.  Ele e seu indefectível chapéu. Lá pelas tantas, em algum dia, estava o jornalista estirado no chão, curtindo o som. Completamente tomado pelos sons das bandas que tanto curtíamos também!  Foi sem palavras, porque além de jornalista ele tocara em uma banda que eu e Ivan curtíamos há anos, embora pouco conhecida. Um disco que eu lembro do instante em que peguei nas mãos, com sua capa de vinil linda e suas canções incríveis. No final, eu e Ivan cantávamos canções do 3 Hombres, cada um de um lado do Minho K. E ele lá, sem acreditar naqueles dois doidos chorando de alegria e não acreditando ainda no que tínhamos feito.

Vendo hoje,  ainda que tivéssemos feito uma única edição do Rock de Inverno, aqueles três dias já teriam tornado tudo mais especial. Mas, não paramos. Veio o segundo, terceiro ( no 92, com 22 jornalistas convidados, entre os quais MTV, Folha, Estadão, Alto Falante), quarto, quinto (com a atração internacional, Transcargo), sexto e o sétimo (que trouxe Fellini e fez nossos amigos, marmanjos chorarem por aquele momento).

Entre erros e acertos, gosto da nossa história, tenho orgulho dela e ela me dá muito alegria ainda hoje.

E aqui, pra relembrar e reviver, o link com a coletânea Rock de Inverno - Mostra da Nova Mùsica Independente de Curitiba.

http://deinvernorecords.bandcamp.com/album/rock-de-inverno-2000




6/03/2015

Cláudio Pimentel e os Misantropos, Plêiade e "a monotonia dos dias sem surpresa"



Conheci o Claudio Pimentel primeiro como vocalista, letrista da Plêiade, depois como vendedor da 801 Discos e na sequência  como dono e balconista do Korova.

Com a Plêiade, ele lançou um dos melhores e mais bem acabados registros do rock feito em Curitiba - "A Descoberta", de 1998 - que tinha na banda também o piano de Marcelo Torrone em uma das mais belas canções já feitas por uma banda curitibana, na minha modesta opinão - "Orações".

Conhecemos a Plêiade antes disso, no início dos anos 90, e logo chamou a atenção o fato de que junto com Relespública e Acrilírico - era das poucas bandas da época que arriscava cantar no idioma pátrio - em uma cena em que a maioria das bandas havia adotado o inglês. E a banda já se destacava pelas letras de Claudião - claramente inspiradas em literatura beat, poesia, cinema - e pela interpretação rasgada dele no palco, em contraste com a atitude ensimesmada do shoegaze-grunge que predominava no underground de então.

A 801 é um capítulo a parte nessa história. mais do que uma loja de discos, se tornou um verdadeiro ponto de encontro do underground curitibano da época e de certa forma um "centro cultural". Lá por exemplo, acompanhei a gravação dos primeiros "Ciclojans" - que começou como segmento do programa Caleidoscópio na rádio Educativa e depois migrou para a televisão pelas mãos de Cyro Ridal. Lembro especialmente da gravação com o pessoal do The Charts (SP), com quem a gente ainda fez uma jam histórica no apto em que moravamos no edifício Tijucas, centrão de Curitiba.

Na 801 era muito legal a relação da gente com os "vendedores" - além do Claudião, o Torrone e o Horácio. Cansei de comprar discos lá no escuro, sem ter a mínima ideia do que tava levando confiando nas dicas, na sensibilidade e no bom gosto dos caras, porque parecia que eles interpretavam o que a gente ia gostar, e quase que invariavelmente acertavam na mosca. foi lá que comprei meus primeiros discos do Tindersticks, Morphine, Mojave 3 e uma pá de coisa que ouço e está nos meus preferidos desde então até hoje e pra sempre.

E ele ainda teve o Korova, saudoso bar lendário do underground curitibano do final dos anos 90, começo dos 2000, onde toquei muito com o OAEOZ, fiz e vi muitos shows memoráveis, como  a Íris.

E agora o Claudião está de volta com Cláudio Pimentel e os Misantropos - "Psiconáutica". E o cara já começa o disco com um direto no fígado: "estou ficando antigo/apegado ao farrapo/agarrado ao obsoleto/acomodado ao usual" (Névoa).



E depois emenda com um cruzado no queixo: "é que hoje você só me faz lembrar a monotonia dos dias sem surpresa/enquanto sentamos mudos lado a lado".



E ainda tem uma gravação de "A árvore" - música que ele tocou com a Plêiade no primeiro Rock De Inverno, em 2000, no Circus - em interpretação que está imortalizada no vídeo documentário do festival feito pelo Marcelo Borges.



Ouvindo esse disco eu me sinto feliz por ver um cara como o Claudião continuar produzindo música de tanta qualidade, independente de modinhas ou expectativas, do chororô e blá blá blá inútil de cena. Simplesmente fazendo o som dele - belas canções, bem feitas, com um texto de alto nível e bom gosto extremo em timbres e climas. Música de gente grande, que não deve nada pra ninguém e nem está em busca de aprovação ou hype. Simplesmente existe e é o que é. E pelo menos pra mim, é bom pra caramba! Porque é música de verdade feita por gente de verdade. Que faz a inexorável passagem do tempo na nossa vida parecer fazer mais sentido, mesmo que isso seja uma ilusão.

Parabéns Claudião - Você conseguiu de novo cara!

9/25/2010

Punks na cidade



Documentário "Punks na Cidade" sobre a cena da capital paranaense. Parte 1. Produzido por Darwin Dias entre maio e agosto de 2003.

Veja aqui o restante do doc
.

5/21/2009

"Festival Rock de Inverno traz Fellini a Curitiba"

Rock de Inverno 7 no Sobretudo

"A amiga, colega jornalista e produtora musical Adriane Perin manda notícias sobre a nova edição do "Rock de Inverno", que está se tornando tradicional ao chegar ao seu sétimo aniversário. Como o próprio nome diz, trata-se de um festivel de bandas de rock que acontece durante o inverno curitibano.

Sempre feito no peito e na raça pela Adri e pelo jornalista e músico Ivan Santos, da banda OAEOZ, neste ano ganha o apoio da Fundação Cultural de Curitiba. A grande novidade promete ser a volta aos shows da banda paulistana Fellini, em comemoração aos 25 anos de surgimento do grupo que foi um dos precursores do indie brasileiro."


lei a íntegra

5/19/2009

Rock de Inverno 7 - Folha de Londrina

Folha de Londrina de hoje (acesso com cadastro), na coluna "Camarim", de Rodrigo "Digão" Duarte

Festival 1

Após três anos sem ser realizado, o festival Rock de Inverno confirma sua sétima edição, programada para os dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall. A principal atração é o Fellini, banda cult da cena rock paulistana dos anos 80, que encerrou atividades no começo da década seguinte mas realiza shows de reencontro de tempos em tempos, como já aconteceu em 1998, 2000 e 2003 (este último, no Tim Festival).

Festival 2

O Fellini vem a Curitiba com sua formação clássica: Cadão Volpato (vocais), Thomas Pappon (baixo), Jair Marcos (guitarra) e Ricardo Salvagni (bateria). Segue a linha invernal, intimista e de letras inteligentes. Foi uma das primeiras bandas de rock a flertar com a MPB, inserindo algumas batidas de samba às músicas. Isso era percebido, de leve, no álbum de 1986, ''Fellini Só Vive Duas Vezes'', se intensificando no disco de 1987, ''Três Lugares Diferentes'' (vale citar que na mesma época o Beijo AA Força já fazia algo semelhante em Curitiba).

Festival 3

A grade do Rock de Inverno conta com mais 13 bandas. Estão escaladas Ruído/mm, Mordida (estas são as únicas que já tocaram em outras edições), Hotel Avenida, Je Rêve De Toi, Koti e os Penitentes, Heitor e Banda Gentileza, Diedrich e os Marlenes, Pão de Hamburger e Liquespace. Todas essas são de Curitiba. Entre os convidados de outras cidades estão Nevilton (Umuarama), Beto Só (Brasília), Les Tics e 3 Hombres (ambas de São Paulo). Esta última fará um show em homenagem ao falecido Minho K, integrante de sua formação original, e que também já fez parte do Fellini.

Festival 4

O Rock de Inverno terá também uma festa de abertura no dia 23 de julho, no Era Só O Que Faltava, com outros shows (a confirmar). No mesmo dia, às 19 horas, também vai rolar um bate-papo sobre produção de festivais de música independente.

5/13/2009

Curitiba tem jazz, sim senhor!

Jornal do Estado/Bem Paraná


O pianista Gebran Sabbag, o trombonista Raul Souza (foto) e o maestro Waltel Branco: músicos que ajudaram a construir, aqui de Curitiba ou buscando outros espaços, a história da música brasileira (foto: Divulgação)

É essa história que ganha destaque no documentário Música Subterrânea

Adriane Perin

La Vie en Rose, Marrocos, Moulin Rouge, King’s Club, Gracefull e o Clube Tropical. Se você viveu as décadas de 1950 e 60 em Curitiba e gostava de boa música, é possível que estes nomes estejam revolvendo suas lembranças. São nomes de algumas das casas de jazz da efervescente capital paranaense em meados do século passado. Uma cena que era forte e seguiu até os dias de hoje cheia de histórias que ficam na memória de poucos. Mas, cada vez, pode acreditar caro leitor, tem gente de olho nessa que é a “nossa história”. Um desses núcleos é o projeto Olho Vivo, de Luciano Coelho, cujo acervo de pesquisa fica cada vez mais precioso, e que agora se debruçou no jazz produzido em Curitiba. Um dos resultados é o documentário Música Subterrânea, assinado por Coelho, cuja exibição de lançamento será amanhã, no Wonka, na noite de jazz do bar.

A bonança daqueles anos na cidade refletia um dos momentos áureos da economia local e suas grandes safras de café, o chamado “ouro verde”. O movimento atraia músicos de vários lugares do país e teve palco principalmente nas boates da cidade, onde o repertório habitual começou a ser substituído pelo estilo musical norte-americano. O assunto é de interesse de Luciano há muito tempo, fã de jazz que é, e um observador próximo desse circuito que, me parece, é ainda mais maltratado, em certo sentido, que o das bandas independentes pelo seu público potencial. Mas, que tem um público fiel que acompanha os “êxodos” de seus instrumentistas pela cidade.

“A maior parte dos músicos que aparecem no trabalho eu já vi tocar várias vezes e sempre gostei muito de assisti-los e de perceber a qualidade e, também, que como em outras áreas, Curitiba tem uma peculiaridade: tem os artistas que ficaram e os que foram embora”, comenta. Um dos primeiros casos famosos é de Airto Moreira, que passou três dos anos muito significativos de sua formação musical, na cidade. “Ele coloca isso no filme. É um cara super importante para a música mundial, tocou no grupo de Miles Davis”, acentua Coelho. Um caso oposto ao dele, é o do pianista Gebran Sabbag, hoje uma espécie de eminência parda do jazz local.

“Um super pianista citado por todos que entrevistei e que ficou aqui e foi praticamente esquecido por muito tempo. Uma pessoa hoje ainda muito desconhecida e que não pede reconhecimento da arte que faz. O filme acompanha essa geração do Gebran, da época em que havia muita vida noturna e muita música nas boates da cidade. O próprio Gebran diz que eram umas 20 casas”, comenta o documentarista que, de papo informal em papo informal entre os músicos que gravou, reconstruiu essa história.
Moreira é um conhecido, mas tem um outro “estranho”, que começa a ser notado e não aqui na cidade, apenas. Um tal Guarany Nogueira. “Cada vez mais se comenta que a batida da bateria da bossa nova foi criada por aqui por este músico que tocava na banda de Waltel Branco e Gebran”, conta o diretor. “Ele e o Waltel foram para o Rio e o Guarany foi tocar com João Gilberto e agora isso está vindo à tona. Quem conta no nosso filme é o Robertinho Silva, um dos maiores bateristas brasileiros”, situa Luciano, emendando outro porém. “Isso sem falar no Waltel. Nem todos sabem mas o arranjo de “Chega de Saudade” não é do Tom Jobim, não; é dele. É que a gente tem ainda uma imagem de Brasil como sendo o Rio de Janeiro”.

O documentário foi possível pelo Fundo Municipal via edital de patrimônio imaterial, o que é muito interessante. Com verba pública, foi possível fazer a pesquisa coordenada por Débora Aguilham. Basicamente, explica Luciano, foram longas conversas, que renderam 30 horas que agora ele está sofrendo para transformar em 1h50. Não dá para perder a exibição de amanhã, porque não tem outra marcada. Primeiro, terminar o trabalho, depois agilizar uma agenda para que ele seja mais conhecido.

Foram muitos momentos comoventes no encontro com cinco gerações de músicos locais, conta ele, um deles, a conversa com Scarlate, um (super, na definição de Luciano) guitarrista que está bem velhinho e que não tem destaque atualmente. “Mas a maneira como ele conta que veio para Curitibapara ser faxineiro... as histórias lembradas das madrugadas no Bar do Saul...”

Serviço
Lançamento de Música Subterrânea , com banda Wonka Jazz Project e jam session. Dia 14 às 21h. Ingressos a confirmar. Wonka Bar (Rua Trajano Reis, 326. Informações: (41) 3015-1592

4/25/2009

Lembranças que valem tudo



"palavras não tem sentido, são sentidas"


pois é. o tempo passa cada vez mais rápido. há quase nove anos atrás, em uma noite de junho de 2000, o Faus - banda do grande multiinstrumentista e compositor Marcos Coelio Gusso - abria o primeiro Rock de Inverno, no porão do finado e saudoso Circus bar. E hoje faltam exatamente três meses para o Rock de Inverno 7, que desta vez, está programado para acontecer nos dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall, com quatorze atrações divididas em duas noites. A contagem regressiva já começou e a ansiedade tá batendo. Mas é um sentimento bom, pois na verdade esse momento já é o de realização, pois o trabalho mesmo pra chegar aqui começou há pelo menos dois anos, e só por isso e pela insistência da Adri que a coisa toda aconteceu de novo. Que os deuses da música nos iluminem e protejam! Como diria o Arnaldo, tudo o que nós queremos é que sejam duas noitadas excelentes para todos.

fiquem ligados que daqui pra frente nos próximos dias estaremos divulgando muitas outras novidades e informações sobre o festival.

4/03/2009

O que o nosso tempo tem a dizer em forma de som

Bem Paraná/Jornal do Estado

Dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita

Adriane Perin

No palco do John Bull Music Hall, sábado, é dia do encontro de três bandas de ponta do circuito independente da atualidade: a curitibana Ruído/mm e as paulistas Cérebro Eletrônico e Guizado, estas duas, pela primeira vez na cidade. E preste atenção, leitor, dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita. Estas são, efetivamente, três formações em evidência pela sonoridade que colocam em cena - e o encontro mostra bem como a capital, neste quesito, está sintonizada no seu tempo – muito graças às bandas que continuam “se produzindo e se convidando” .

O Cérebro Eletrônico tempera seu som com um ironia direcionada ao egocentrismo que alimenta muito artista por aí, calcado em uma sonoridade que, primeiro de tudo, lembra Mutantes e a fase mais experimental de ícones da música brasileira. Mas, é só dar uma batida de olho nas influências para perceber que essa constatação é só a mais óbvia. O mix do disco de estreia Pareço Moderno, tem cara pop, usa levadas eletrônicas, e não dispensa o rock. Fernando Maranho, Fernando TRZ, Isidoro Cobra e Gustavo Souza são os caras que tocam junto com Tatá Aeroplano - o idealizador -, uma moçada que circula por vários projetos bem cotados. Foi do duo dele com o guitarrista Fernando, amigo de infância, que veio a banda. “Lançamos um disco todo gravado em casa e decidimos ter mais acompanhamento. Acabou virando banda mesmo, todos colocaram suas personalidades e referências”, conta Tatá, dizendo que agora o projeto é prioridade. “O disco chamou a atenção porque tem vários ingredientes que funcionam bem. Tem a ironia, mas tem também o romantismo, o lirismo, canções pop”, avalia. A moçada já está pensando em novo trabalho e deve mostrar 3 ou 4 novas composições. “É importante hoje ter uma constância na produção musical”. Importante também é circular e se articular, já que hoje em dia a banda não pode ficar numas de esperar. “Existem pessoas pensando a cena alternativa e vivemos uma realidade em que o artista tem que ser tudo e não se deslumbrar”.

Se o Cérebro tem canções e uma levada meio pop, o Guizado é experimentalismo psicodélico. Se tem gente de outros projetos, Guizado tem Lucio Maia, da Nação Zumbi e Regis Damaceno e Rian Batista, do Cidadão Instigado. Precisa mais? O trompetista Guilherme Mendonça, quem começou essa história, conta ainda com o amigo das antigas Curumim, na batera. Só a formação, na boa, neste caso concordo com o assessor de imprensa, é garantia de bom show. São todos músicos profissionais acostumados a fazer altas sonzeiras em palcos e discos. “Eu não queria que fosse Guilherme e banda, e esse nome – que é um prato de carne cozida em seus próprios liquidos, em seu caldo – virou conceito”, conta ele, que vinha alimentando a vontade de investir no trabalho autoral. “Quando começou a tomar forma, era eu e Curumim na bateria, e bem experimental. Fomos entrando num acordo, colocando baixo, guitarra e sacando como ficava. Hoje eu dou uma direção e todos criam”, completa ele que quer lançar o disco de estreia, Punx, em vinil. “Gravamos em fita de rolo, 16 polegadas, uma gravação bem analógica que ganharia em vinil”.

Mas, o tempo não pára e também eles já estão com a cabeça no novo trabalho. “Em uma eu canto, é natural que exploremos esse lado também, mas não pensamos no modelo com refrão e estrofe. Não vamos perder a pegada experimental”, assegura. E qual o futuro de uma banda com músicos tão solicitados? “O Guizado tá começando a se conectar, estão aparecendo convites com cachês melhores, a idéia é até pegar um empresário...”

Sobre a Ruído, vai tocar para moçada que já sabe do que eles são capazes, com repertório novo e na pilha dos shows recentes (muito bem) feitos em São Paulo. Não tenha dúvida, vai ser uma noite preciosa para quem gosta de boa música e mais instigante ainda, para quem gosta de conhecer o que o nosso tempo tem a dizer musicalmente. (AP)

Serviço
Cérebro Eletrônico, Guizado e ruído/mm.
Dia 04. R$20 (meia entrada válida tambémpara doadores de 1kg de alimento. John Bull Music Hall. (R. (Eng. Rebouças, 1645). Informações: (41) 3013 2700 / 3013-2707

2/08/2009

(A)mostra cultural a céu aberto

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Divulgação/Guilherme Pupo

Os sábados da Praça da Espanha são com antiguidades, bandas curitibanas e, no próximo o primeiro Gritinho de Carnaval

Adriane Perin

Associação de comerciantes da Praça da Espanha cria projetos culturais para otimizar seus produtos e atrair clientela

Sábado, em Curitiba. Sol a toda em um céu de azul límpido, enquanto as pessoas aproveitam a tarde sentadas na grama da praça, depois de uma sessão de Yoga, curtindo um som de voz feminina potente e firme. Crianças, cachorros, motos, antiguidades e música. São assim, agora, as tardes na Praça da Espanha, encostada à região central da capital.

Curitiba, que já tem o projeto Música nos Parques, da prefeitura da cidade, que leva mais grupos de MPB para alguns dos espaços arborizados da cidade, ganhou, ano passado, outro projeto cultural bacana, este de iniciativa privada, organizado pela Associação de Comerciantes da Praça da Espanha, que fica nos limites do bairro Batel, (re) batizada pelo grupo de Batel-Soho - o projeto também tem apoio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

E no litoral também tem um projeto com este perfil na temporada de Verão. Lá em Matinhos, neste sábado, a partir das 18 horas, as bandas 5 Graus, Anacrônica, Charme Chulo e Terminal Guadalupe sobem ao palco instalado na Praça Central da cidade para fazer os shows da temporada passada que não realizaram por conta da chuva. A Terminal faz sua terceira tentativa. Garante que toca até embaixo d’água. Esses grupos já receberam seu cachê e toparam tocar agora, alguns deles um ano depois, para honrar o contrato assinado com o Governo do Estado. Organizado pelo produtor Getúlio Guerra, os shows acontecem nos moldes do projeto Prasbandas, que tira os grupos musicais dos lugares tradicionais no centro da cidade para os colocar em espaços nos bairros .

Curitiba — O Batel-Soho comprende um perímetro de duas quadras no entorno da Praça, onde estão vários, e variados, estabelecimentos, desde sorveteria até a livraria infantil Bisbilhoteca. O objetivo da Associação é tornar a região um ponto de lazer, com cultura, gastronomia e comércio diversificado e interessante. Transformar o local em um shopping a céu aberto. Para isso, parcerias para execução de vários projetos estão sendo viabilizadas. Entre os que já estão em atividade, tem a Feirinha de Antiguidades, que faz tempo instalada ali, aos sábados a partir das 10 horas. Também a partir deste horário, até o meio-dia, tem o "Pintando na Praça", patrocinado pela Bisbilhoteca (que mantém em seu espaço interno, ao lado da praça, também várias atividades muito legais) que lembra aquelas matinês de sábado no Calçadão da Rua das Flores, onde a criançada (inclusive esta reporter, passando férias na cidade) se divertiam com tintas e pincéis. Ah, e para os pais já irem se programando, no próximo sábado, dia 14, a Bisbilhoteca promove o primeiro Gritinho de Carnaval, com banda e tudo, a partir das 11h.

A programação fixa, por ora, segue, às 15 horas, com yoga e logo em seguida, às 16 horas entrem em cena as bandas curitibanas. Neste sábado, tem repeteco de Naína, que toca versões e algumas músicas próprias e, às 17 horas, tem a banda 350 Ml., de Araucária.

Esta programação musical é parceria com a rádio Mundo Livre e com o programa Acústico, produzido pela cantora e compositora Mariele Loyola com direção artística de Helinho Pimentel, dois "agitadores musicais" das antigas que não se cansam de trabalhar em prol da cena local. Sábado passado o palco foi de uma representante da nova geração local, a banda Pão de Hamburguer que fez um show impecável, quase todo com música própria – e um cover inesperado de Arnaldo Batista, "Será que eu Vou Virar Bolor", que ganhou cores mais roqueiras nas mãos dos rapazes, em constraste com a versão pra lá de intimista do ex-Mutantes.

Som impecável é o que bandas como estas precisam para mostrar todo seu potencial. E, pelo que se viu, semana passada, disso a produção tem cuidado bem. Em versões eletro-acústicas, as músicas soavam poderosas e se ouvia todos os instrumentos com seus detalhes – inclusive a flauta que não estava ali só pra fazer figuração, não. Muito bom ver as bandas boas locais tocando em condições adequadas.

Os shows na praça são outro desdobramento do projeto Acústico Mundo Livre, que desde o ano passado grava performances ao vivo para levar ao ar na rádio homônima e a cada 15 dias, coloca as mesmas bandas no palco do Jokers. Agora, elas também vão para a praça. Muito bacana. A tarde ainda tem encontro dos amantes de Harley Davidson e exposição de carros antigos.

1/06/2009

As “James Sessions” estão de volta

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Copacabana Club: novidade feita por gente das antigas do circuito musical curitibano

Bar reabre hoje com show de Mordida, autora de um dos melhores discos de 2008, e Copacabana Club, uma promessa para 2009

Adriane Perin

O James nasceu com capacidade para 80 pessoas e reabre hoje, equipado para receber 300 - e no ponto em que seu dono, o também músico Luciano Frank , quis desde o começo, na década passada: com estrutura para shows. A programação musical, portanto, vem com força total e não poderia começar melhor, colocando no palco os autores de um dos melhores discos brasileiros de 2008, a curitibana Mordida, que toca junto com a mais recente “descoberta” curitibana da mídia nacional, a Copacabana Club, mais uma formação a ter Luciano em seu front.

Se a Mordida vive um momento de firmação com o delicioso EP Eu Amo Vc, a Copacabana, com um ano, colhe, também, os frutos plantados pelos músicos experientes que tem em sua formação – além de Luciano, o multiinstrumentista Alec Ventura, o guitarrista Tille Douglas e a baterista Claudinha Bukowski, conhecida principalmente como Dj, mas que já teve bandas antes. Aos veteranos se juntou a jovem Camila Cornelsen, que “surgiu do nada” querendo ter uma banda no momento em que os amigos preparavam a nova investida. Ela e Claudinha, conta Luciano, são as que se empenham de verdade, na divulgação da banda, que foi destaque da Folha de Sâo Paulo na Revista Bravo que está nas bancas. “Os rapazes só querem tocar, se a gente está aparecendo é resultado do trabalho delas”. E do caminho já feito pelos músicos, que conquistaram prestígio, por exemplo, com a ESS, banda bem conceituada Brasil afora, da qual fizeram parte Tille, Luciano e Alec. “O Copacabana foi uma surpresa até pra mim, porque fizemos a banda naquela de reunir os amigos e teve toda essa repercussão. Tem qualidade, é gente que toca a muito tempo, mas tivemos sorte de um jornalista da Folha ir ao nosso show ”, avalia.

“A Camila foi impressionante, ela já nos deixou boquiabertos desde o primeiro ensaio. Tem uma presença incrível, não tem vergonha, é o jeito dela mesmo”, assegura Luciano, aproveitando para comentar a produção local. “Curitiba tem muita banda boa. Recentemente, tocamos no Rio Grande do Sul com grupos muito bons, mas as curitibanas...são f...”., diz ele que já passou por várias e atualmente também atua na Plêiade (que fez outros dois discos que se destacam entre os melhores, FF e Domingo). “E vi algo que não tinha visto, as pessoas vão aos shows cantando as músicas, pegam o set list da gente; engraçado e legal”, completa.

Luciano não gosta de rótulos, mas comenta a diferença entre a ESS, a que teve3 maior repercussão, entre as que integrou. “O ESS é mais psicodélico; o Copacabana tá ficando mais indie carnaval, alegre”. Agora, eles quererem burilar as músicas do EP King of the Night, lançar um disco e gravar o clipe com o patrocínio da Levis. No próximo final de semana, a banda volta a São Paulo para o Curitiba vai Pro Inferno, com Ruído, Sabonetes e Heitor e Banda Gentileza, todos nomes fortes da nova cena curitibana. “Queremos que nosso público cresça e se conseguirmos gravar caprichando mais, será legal”, diz ele, cuja banda não recebeu proposta concreta para o disco e vai trabalhar com lei de Incentivos.

O bar — Luciano conta que aproveitou a liberação do bar que existia grudado no James, para incrementar o simpático James, que desde seu surgimento – da vontade “de montar um lugar que tocasse músicas legais” - construiu uma história que o tornou referência com o assunto é música alternativa em Curitiba. E desde que surgiu, abrigou shows de amigos de Luciano, mesmo sem a estrutura sonhada. Agora houve um investimento maior em equipamentos de som e iluminação para dar essas condições. “ Do mesmo jeito que eu tenho planos como músico, sei da dificuldade de tocar em Curitiba, onde são poucos os lugares, de pequeno porte com estrutura bacana. Não é muito grande, mas dá para fazer um show com qualidade e a gente não precisa de muita gente para encher”, observa.

Entre as novidades para o ano está a parceria com a Mamute, produtora surgida em torno da banda Ruído/mm, que produz shows muito bacanas sempre trazendo o que está despontando no pop rock brasileiro. Essa rapaziada será a responsável pelo som das quintas-feiras, noites batizadas de James Session. Os domingos serão do rockabilly. Há o plano de o bar produzir alguns shows também, e outra boa notícia, é que uma possibilidade é a gaúcha Blanched.

Serviço
Copacabana Club e Mordida. Dia 06. R$10. James (Vic. Machado, 894. Informações: (41) 3222-1426.

11/28/2008

Vários olhares para o escritor Charles Bukowski

Jornal do Estado/Bem Paraná

Duas peças tratam da obra e da vida do polêmico escritor, no Teatro da Caixa e no Mini-Guaíra

Divulgação


O diretor João Fonseca trabalha com elenco de jovens atores de todo o Brasil, escolhidos em oficinas que ministrou


Adriane Perin

A vida e a obra do escritor Charles Bukovski está em evidência neste final de semana em Curitiba. São duas as montagens que tratam do consagrado, porém marginal, escritor que nasceu na Alemanha, mas passou toda a vida nos Estados Unidos. Pão com Mortadela é responsabilidade do premiado diretor João Fonseca, que coloca seu trabalho no palco do Teatro da Caixa.

No Mini-Guaíra, o paranaense Jota Eme é quem olha para a obra de Bukowski. Enquanto Pão com Mortadela é baseada na infância, adolescência e juventude de Bukowski, o trabalho de Jota é em cima de várias obras do autor, numa adaptação livre.

Fonseca trabalhou a partir do romance Misto Quente (Ham on Rye, 1982), acrescido de contos e poemas produzidos ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira. Segundo o diretor, a montagem conta a história de um indivíduo que nasce e se depara com um mundo hostil, tomando consciência, aos poucos, do seu irreversível não pertencimento à comunidade. “Bukowski define sua própria infância como um filme de terror e afirma que esta foi a fase de sua vida mais difícil de ser escrita. O sarcasmo e a sensibilidade para enxergar a sociedade com outros filtros que não os das pessoas comuns, no entanto, temperam com humor e beleza suas agruras, humanizando o terror e transformando-o em metonímia para nossas próprias feridas”, comenta Fonseca.

Ele trabalhou com um elenco de jovens atores de diferentes Estados do país, através de uma oficina que ministrou em 2006. A partir de então, o grupo passou a pesquisar a fundo a obra de Bukowski e a trabalhar na encenação

Serviço
Espetáculo: Pão com Mortadela. Sexta e sábado às 21h e domingo às 19h R$20 e R$10. Teatro da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280). Informações: 2118-5111.

10/22/2008

Uma noitada excelente

Névoa


Porta boleros


E o show do Lique, com sua Liquespace, ontem, no Wonka foi excelente. O melhor show que eu vi (e ouvi) lá. Mesmo com duas guitarras, baixo, bateria, acordeon e duas vozes dava para ouvir tudo bem, coisa que nem sempre se consegue lá, por conta do pouco espaço e da dificuldade em se acertar o som. Mas o Lique, como não é bobo, só se cercou de feras, que além de tocar muito, tem sensibilidade pra achar o volume exato da coisa, nem mais, nem menos. Gostei muito do guitarrista, excelentes timbres, colocação perfeita, sem exageros ou faltas. O batera (que também toca no Stella Viva), também muito bom, preciso e suingado (aliás, gostei da batera do cara com o bumbo menor, na medida pro lugar e pro tipo de som). E do acordeonista, talvez o maior destaque em termos de performance. O cara passa uma alegria contagiante de tocar. Você percebe quando uma banda funciona e se diverte tocando quando até os caras que não tem microfone cantam (vi isso várias vezes). Sobre o Denis, baixista, é desnecessário falar qualquer coisa, nê. O cara é simplesmente a elegância em pessoa.
Falando em elegância, o que dizer então do Lique? O cara faz tudo parecer tão fácil que dá até raiva. E as músicas cresceram ao vivo, ganhando corpo, soando mais pop, e mais rock sem perder os detalhes e a sofisticação que é a marca do trabalho do cara. Simplesmente clássico! Quem viu, viu, quem não viu, perdeu.
Fora que ontem reuniu-se no Wonka algumas das cabeças mais iluminadas e talentosas da música curitibana, com longa folha de serviços prestados à malandragem da boa, à arte, e a beberagem, claro, que ninguém é de ferro. Que dizer de uma festa que reúne Lucio Machado (Loxoscelle), Igor Ribeiro (oaeoz, Íris e mais trocentas bandas), Camarão, Cassio Linhares (Zeitgeist), Davi, Flávio Jacobsen, Rubens K, Marcelo França, Quinho, Antonio Saraiva, e muitos outros que não me lembro agora. Enfim, a fina flor da malandragem musical da cidade (ahahah). Foi deveras uma noitada excelente, como diria o Arnaldo.

10/21/2008

É rock, MPB ou música alternativa?

Liquespace

Jornal do Estado

É o novo disco de Marcelo França, o Lique, que mantém os dois pés nos jazz, cujo lançamento é com show hoje


Lique, no centro de camiseta branca, apresenta no Wonka o show do disco Cidade Estrangeira

Adriane Perin

Era para ser um show de lançamento do novo trabalho-solo do compositor Lique, mas o envolvimento dos músicos que participaram do projeto foi tamanho, ao longo dos mais de dois anos que a produção acabou levando, que o projeto solo virou o de uma banda, a Liquespace. E vai ser no Wonka que os curitibanos terão o privilégio de ouvir em primeira mão, ao vivo, o repertório de 12 canções que compõem o álbum Cidade Estrangeira, feito com apoio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura.
No palco, além de Marcelo França, o Lique (voz e guitarra), estarão Alonso Figueroa (acordeom, synth e programações), Denis Nunes (baixo), Fernando Rischbieter (guitarra) e Julio Epifany (bateria), com participação especial do produtor Antonio Saraiva, cujo plano inicial era ser só platéia, mas acabou arrastado para o palco pelo amigo que está lançando disco.

Dos amplis, vai sair um som que mistura várias vertentes, mas não se perde de uma certa pegada jazzy, que não se priva de experimentar ser música eletrônica, mpb, tampouco do rock Envoltos em um certo ar nostálgico que sempre pinta quando se usa um acordeom. Neste disco, as referências citadas dão pistas: Chemical Brothers, Astor Piazzolla, Tom Waits e Luiz Gonzaga. O resultado é uma sonoridade que não cabe nos rótulos sedimentados. È mais fácil, observam alguns, dizer o que o som não é. Não é rock, não é MPB. Alguém já chamou, e Lique gostou, de “mpb indie” - mas indie, Lique não é; e nem soa como o que se conhece por “MPB”. Foi tido também como pós -rock. O som que surge da inspiração de Lique - e seus companheiros - não é nada disso, ao mesmo tempo em que é (quase) tudo isso. E isso tudo ( ou nada disso), com um tratamento apurado nos arranjos, na combinação de instrumentos que não são inusitados, mas muito bem usados por mãos e mentes capazes de criar detalhes que surpreendem até no último milésimo de segundo da música. Disco de gente com uma intensa musicalidade, bom gosto e referências finas - que faz, às vezes, um clima de sedução nostálgica pairar no ar. Lique, que voltou por conta do disco, a se estabelecer em Curitiba, lançou antes o solo Reunião (2003) e com as bandas Folha Seca e Loxoscele (com quem está em fase de produção do novo trabalho).

Serviço
Liquespace. Dia 21 às 22h. R$5. Wonka Bar (R. Trajano Reis, 326). Informações: (41)3026-6272.



Na banda, estão velhos amigos

Na banda, conta Lique, estão velhos amigos. “São caras com quem tocava há 15 anos ou aos 15 anos ou que chegaram até mim atrávés desses caras”. Tem composições em parceria com Hamilton de Lócco, Amarildo Anzolin, Alessandro Martins e Rafa Barreto. Apenas em duas, Lique assina sozinho. Ele diz que prefere só gravar composições nas quais fez letra e música. “Porque na música surge a identidade musical. Uma letra ganha o jeito dos outros. Preservo os caras dessas decepções de colocar uma guitarra distorcida em suas criações, que é o que eu faria”, brinca.

Agora, a idéia é fazer o máximo possível de shows e levar o projeto adiante, mantendo Curitiba como QG. “Já temos músicas novas e mais adiante quero fazer um show também com repertório do Reunião”. Ao longo dos quase três anos que decorreram entre o nascimento do projeto e seu tér- mino, Lique saiu e voltou de Curitiba, enquanto o projeto era aprovado pela Lei de Incentivo a Cultura. Inevitável que tenha havido mudanças. “Tinha comprometimentos com outros projetos e nesse tempo também surgiram músicas novas, que acabei juntando às que já tinha”, diz, sobre o disco que tem produção dividida entre ele e o recifense Igor Medeiros. E conta, ainda, com o dedo de Lucio Machado em uma das mais interessantes faixas, “Jazzofilia”, que tem citações a John Coltrane, Billie Holliday e Chet Baker. (AP)

10/17/2008

quando dezembro chegar....



esses dias instáveis de curitiba não me tiram o humor... só pena que sempre que planejo vir de bike essa primavera fecha a cara... po, que disperdício esses parques e ciclovias....

mas, tudo bem... pois boas notícias dão conta que amigos especiais que estão em terras distantes vão atravessar oceano pra estar aqui em dezembro...marcelinho e lu querem fugir do frio! serão boas as festas, mesmo.

Ah, agendaí: terça-feira, dia 21/10, lique de volta à curitiba faz o show de seu belo disco no Wonka. Vamos lá brindar as coisas boas da vida! Daqui a pouco mais posto o flyer...(adri)

10/09/2008

Um palhaço de cara limpa

Jornal do Estado
Entrevista exclusiva

Fotos: João Noronha /Divulgação

Dedé Santana: prêmio como o primeiro palhaço de cara limpa

O Trapalhão Dedé Santana, agora com escritório em Curitiba, conversou sobre seu planos e lembrou muitas histórias

Adriane Perin

Poucos sabem, mas foi no canal 12 da nascente televisão paranaense em Curitiba, que Manfried Sant´anna, mais conhecido como Dedé Santana, teve seu primeiro programa. “Era um garotão, passei por aqui com o show e peguei amor pela cidade. O Domingo de Festa foi um sucesso e me rendeu convite para a TV Rio”, conta o eterno Trapalhão, emendando que também estreou aqui com o parceiro Didi, no Teatro Guaíra, antes ainda da inauguração. “Foi nossa primeira peça, Os Inssociaveis”. Ele ainda não mudou-se definitivamente, mas a primeira parte da acalentada volta para a cidade está em curso com a abertura de seu escritório, Dedé Santana Produções, em Curitiba. Atualmente, ele se divide entre Itajaí, Curitiba e o Rio de Janeiro, onde grava em sua volta à Globo e à parceira com Renato Aragão.

Estar diante de um dos Trapalhões trouxe ansiedade, afinal sou filha dos anos 70, e como muitos, esperava os domingos pra, no colo do meu avô, cair na risada com aquele maravilhoso quarteto atrapalhado. Dedé está com 70 anos e suas histórias ocupam quase todo o tempo, que fica curto para as lembranças desde os tempos de circo da família, de quando substituia o famoso Palhaço Arrelia; das histórias loucas do “cumpadre Mussum”. Mas, quase não trata de assuntos mais belicosos como o período de afastamento de Renato Aragão, a temporada fora da Globo ou as pendengas com os familiares dos trapalhões mortos. “A poeira baixou, e o Didi pode me chamar de volta. É muito legal, porque todo mundo pára pra ver quando a gente vai gravar junto. O Renato está sendo muito bom comigo e sempre fomos amigos”, garante. Sobre o fim dos Trapalhões, e parcimonioso nas palavras. “Ah, foi cada um morrendo e, sem dois pés a mesa tombou”. Ele prefere falar do que vai fazer, entre os quais um sonhado “filme sério”.” A Ùltima Chance, que está quase pronto”, adianta, acrescentando que a idéia é ter um estúdio na cidade.

Também está contente com o lançamento em DVD dos clássicos cinematográficos dos Trapalhões. “O pessoal sempre me cobrou e agora eu vou ter também, já comprei cinco”. Aproveita para contar que “sempre quis ser diretor” e Didi lhe deu essa alegria. “Dirigi vários filmes dos trapalhões, inclusive O Mágico de Oroz, sucesso de crítica e público e a menina dos meus olhos, A Filha dos Trapalhões”.

Televisão — Ele lembra também de quando chegou na Globo e foi apresentado para “um cara magrelo, um cearense com cara de fome”. “Ele já era Didi e eu já era Dedé, desde criança. Eu tinha cara de baiano, nome de alemão e nasci em Niterói, veja só”. Dedé cresceu no circo. Estreou com 3 meses, no colo da mãe, em uma história onde o filho de escravo era vendido. Havia uma gravação do choro do bebê pronta, mas ele inventou logo de início. “Chorei na hora certa e a equipe começou a rir. Meu pai teve que parar e pedir desculpas. Foram meus primeiros aplausos”. No circo da família fez de tudo, de palhaço ao globo da morte, passando pelos trapézios. “Um dia meu pai foi perguntando para os filhos sobre o que cada um tava fazendo e eu contei sobre os oito números que ensaiava. Ele perguntou porque eu não fazia um só, bom”, lembra, rindo. “Eu era muito metido. E nosso circo foi o primeiro a ter também um palco, ao lado do picadeiro”. Lá, ele até tentou fazer um papel sério. “Era O Ébrio, o circo lotado e chovendo muito, as pessoas com guarda-chuva porque chovia dentro”. Claro que ele não resistiu e fez piada”. “Meu pai queria me pegar do lado de fora, mas o circo inteiro caiu na risada”, rememora ele, que já foi também, verdureiro, engraxate, ajudante de mecânico e cortador de camisa.

Trabalhou também com o famoso palhaço Arrelia, conhecido como o primeiro a ter circo na tv. “Na verdade o primeiro palhaço da tv foi meu primo Pirulito, mas o Arrelia que ficou pra história”, esclarece antes de engatar mais história. Ele substituia Arrelia, que era muito rigoroso com o horário. Mas ficava intrigado porque mesmo fazendo tudo igual ao Arrelia, as pessoas não riam do mesmo jeito. Um dia, chegou em cima da hora, entrou correndo em cena e... choveram aquelas risadas que ele tanto esperava. “Eu tinha esquecido de pintar a cara”. Momento histórico: foi a primeira vez que Dedé Santana fez graça com a cara limpa. “Nunca mais pintei a cara e ganhei até prêmio como o primeiro palhaço de cara limpa”, conta ele que hoje dia, só de vez emquando faz circo.


Histórias do “cumpadre Mussum”

Dedé é abordado o tempo todo, conta. “Em Serra Pelada as pessoas choravam porque lembravam das famílias que não viam. Recentemente tenho me emocionado mais ainda”. Outro dia, duas comissárias de borbo da TAM perderam aquela panca característica para se derreter de alegria diante dos autógrafos conseguidos. “Não me escondo, faço tudo normal. Sou como o Mussum”. E por falar nele, de volta às histórias, agora as do “cumpadre Mussum”.
Um dia, conta Dedé, ele chegou em sua casa com a família e malas prontas. “Cansei da minha casa, nesse final de semana eu fico aqui e você fica na minha,ok, para eu dar uma espairecida. Ele era assim”.
Em outra história, Dedé foi surpreendido com um telefonema do compadre informando que havia comprado um barco pra ele, mas ele teria de pagar. “Ele tinha conseguido dois pelo preço de um, acredita? Mas o que eu ia fazer com um barco?”. E outra ainda: Eles costumavam sair juntos com a turma dos Originais do Samba, mas um dia Mussum disse que não sairia mais com ele. “Ah, compadre, você me envergonha bebendo só esse suquinho aí”, conta, sobre o famoso bebedor de “mé”, seu mais próximo amigo. Já Didi é mais tímido. “Mas ele sempre teve uma coisa muito boa, que foi manter o clima de brincadeira mesmo quando a gente andava aborrecido”. Para fechar, mais uma história: em uma premiação que foram receber em Portugal, em meados dos anos 90, Renato inventou. Todo mundo chegava de limusine e o trapalhão quis fazer sua entrada triunfal de carrroça. “E cismou de querer guiar. Na hora que a gente devia parar, os cavalos não obedeceram e lá foi a gente com carroça para cima do tapete vermelho. “No outro dia, só deu nós nos jornais”.

Serviço
Dedé Santana Produções:
(41) 3027-6163.