12/31/2009

thats all folks

e pra terminar o ano bem, um momento que define 2009 pra gente. vídeos gravados pelo nosso grande brother e parceiro Luigi Castel, na passagem de som do Rock de Inverno 7. estrelando, Liquespace, Beto Só e 3 Hombres.

Saúde, alegria e felicidade pra todos nós em 2010 e no que mais vier.





12/29/2009

A incultura de todo dia

TEIXEIRA COELHO
FOLHA DE SP (para assinantes)

A cultura cristalizada, objetivada (museu, cinema, folclore) recebe atenção no Brasil. Não muita: alguma. É antes objeto de discussão que de apoio real. Mas recebe.
A microcultura, porém, que forma as relações humanas, a cultura interiorizada, modo de pensar e viver, continua à margem. Rala, esburacada, em frangalhos. A cultura formal e a cultura cotidiana seguem rotas paralelas que deveriam ser pelo menos convergentes.
Sinal claro é o Índice de Desenvolvimento Humano do país: 75º entre 182. Atrás de Sérvia, Rússia, Romênia, México, Uruguai, Argentina, Chile, Barbados, Hong Kong, Singapura, Bahamas, Costa Rica, Líbia... Índices falham. Mas algo mostram.
Integram esse índice a alfabetização e a escolaridade: quantos sabem ler e escrever, quanto tempo passam na escola. Quando se examina o conteúdo de uma e outra, a situação aqui assusta ainda mais.
Nos últimos dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os estudantes brasileiros estão na 53ª posição em matemática, entre 57 países; e na 48ª, entre 56, em compreensão de texto.
Um abismo existe entre a cultura objetivada e a cultura vivida. O resultado é o autoritarismo em todas as suas formas (incluindo a corrupção) de humilhação e abuso cotidianos -do ônibus que não para junto ao meio-fio para recolher passageiros ao lixo espalhado nas ruas e às pessoas que, no metrô, querem entrar nos vagões antes que os outros desembarquem, como se os outros não existissem. A incultura faz isso: torna os outros invisíveis. Irrelevantes.
A violência crua é o modo duro da incultura. Com a ausência do Estado em uma de suas funções indelegáveis, as pessoas, desesperadas, querem proteger-se como possível. Terceirizar parece a saída. Ninguém quer saber se os contratados são capacitados. Passa-se a responsabilidade adiante e pronto. Tudo é questão de aparência. E a aparência, aqui, é violência. O Estado passa sua responsabilidade aos que já pagaram por ela e esses a repassam a terceiros, pagando de novo, sem ocupar-se do "produto". Se algo acontecer, a culpa é do terceiro. Não é. Mas todos pretendem que sim. Resultado, "o segurança" é, ele mesmo, não raro, fator de insegurança e da violência que deveria evitar.
É evidente que falo do assassinato de um jovem pelo "segurança" de uma padaria num bairro de classe média alta, ao lado de um ótimo hospital ao qual esse jovem não pôde chegar com vida. Tragicamente emblemático.
Enquanto isso, um economista diz que o Brasil logo será a quinta economia do mundo e que então terá sua autoestima.
Não terá. Sem a cultura como lastro e tecido, o país não se moverá um centímetro do horror que tentamos não ver.
Cruzar a ponte entre a cultura formal e a cultura interiorizada, que juntas sugerem, senão o amor, pelo menos o respeito pelo outro, não é o maior desafio: é o único desafio. A educação foi vista como panaceia universal. Não é. Educação sem cultura, como aqui, nada é.
Cultura tampouco é panaceia. É apenas, e não é pouco, a alavanca restante. Este texto é uma homenagem, ínfima, aos que em 2009 caíram sob o peso da incultura brasileira.

12/28/2009

Bortolotto recebe alta

da Folha Online

O dramaturgo Mario Bortolotto, atingido por tiros em uma tentativa de assalto na madrugada do último dia 5, recebeu alta hospitalar na manhã desta segunda-feira, informou o boletim divulgado pela assessoria de imprensa da Santa Casa.

mais aqui

12/23/2009

The Flaming Lips Doing The Dark Side of The Moon [2009]


É isso mesmo. Em seu novo disco, o Flaming Lips coveriza na íntegra o clássico Dark side of the moon, do Floyd. Forgado os cara.

aqui

12/22/2009

Tempo, tempo...

"Hoje, a grande maioria dos meus amigos se parece muito pouco com o que eram há quatro anos. Para o bem e para o mal, viraram gente que se resignou em um mundo que passa longe de seus sonhos - e têm pra si que não há mais nada a fazer além de maximizar o tempo livre e o dinheiro a ganhar."

do blog do Fernando Lalli.

12/17/2009

"Seja bem-vindo, Mario Bortolotto"

"Só quero dizer que o Bortolotto sobreviveu aos quatro tiros pelo mesmo motivo que a Bárbara Heliodora jamais vai entender o significado de sua obra. Ele sobreviveu porque é o Mario Bortolotto. Pelo mesmo motivo que me fez assistir a todas as peças dele, no mínimo umas vinte vezes cada uma, quero dizer que ele sobreviveu aos tiros porque é assim que acontece nos gibis que ele coleciona, ele sobreviveu para rir das piadas dos amigos, pelas noites de blues (das quais não participo), pelos tragos e pela sinuca e porque ele vem de longe e isso já faz um bom tempo, ele sobreviveu porque o Muttley e o Frankenstein de suas camisetas são à prova de bala, e porque ele reveza esses dois com Milles Davis, ele sobreviveu porque veio lá do Jardim do Sol e porque já havia sobrevivido à violência e ao amor do pai, ele sobreviveu aos quatro tiros porque nunca deixou de reagir à própria rotina e isso inclui (quem acompanha o blog dele sabe disso) levar quatro tiros no peito toda madrugada e fazer uma oração antes ou depois de ir dormir e acordar dilacerado, tanto faz sangrar na Santa Casa de Misericórdia ou na quitinete da rua Avanhandava; ele sobreviveu pelo amor de suas mulheres e pelo amor de sua filha; e porque a Fernanda D’Umbra foi mãe, mulher e filha e teve sangue frio e não esperou o Resgate chegar. Mais vinte minutos – segundo os médicos – e ele teria morrido."

(...)

"Um milagre todo ele é feito de coincidências e, às vezes, de um chiqueirinho de uma viatura policial que chega na hora certa, e é simples de entender: ele devia estar ouvindo La Carne no seu MP3 quando virou pro filhodaputa e disse “atira” e depois disse outra vez “atira, filhodaputa” e o filhodaputa descarregou a pistola, e o dramaturgo sobreviveu porque a luz que incide na poeira é exata e os seus diálogos são certeiros (quem viu as peças dele sabe o que estou falando); ele sobreviveu porque nunca precisou mais do que um sofá velho, três amigos e meia dúzia de latinhas de cerveja quente para contar suas histórias “vai lá garoto, vai fazer o que tem de ser feito” e também porque é um cavalheiro e porque é impossível um sujeito ser um cavalheiro se não for um touro também, sim, um touro que, depois de cinco dias já corcoveava na UTI, queria saber dos amigos, e escrevia seu primeiro bilhete depois do milagre “não chora filha, senão eu também vou chorar”; porque um milagre fica bem melhor com um pouco de poesia e outro tanto de prosa, por isso que ele agüentou o tranco: porque agora finalmente vai escrever o romance que eu e o Bactéria lhe cobramos faz um bom tempo, ele sobreviveu para poder voltar ao Hotel Marina no Rio de Janeiro, não aquele que acende, mas o Hotel Marina quando apaga, porque entendeu que é o mar que olha pra gente e não o contrário, ele sobreviveu porque domina a técnica de seguir na contra-mão e porque, quando levava quatro tiros no peito, ele, ao contrário do que muito filho da puta especulou, não estava brincando de representar, aliás, quando o cara tem uma 45mm apontada diuturnamente em sua direção, ele não tem alternativa diferente de dizer “atira, filhadaputa”, mas ele sobreviveu – também - porque intuitivamente sabia que a associação falsa que o jornalista almofadinha iria fazer sobre o assalto ao teatro e a “violência de suas peças” era tão mortífera quanto a 45mm que o atingiu, e ele sobreviveu para mais uma vez desmentir os canalhas, porque ele tinha de repetir que eles eram canalhas e que,embora estivesse pouco se cagando para a mentira deles (inclusive quando o ignoraram durante todos esses anos), ele não estava ali, no bar dos Parlapatões, fazendo teatrinho interativo para a distração de ninguém, ele sobreviveu porque teve a manha de assimilar golpes desleais até o último disparo e o nome disso é generosidade - ele sobreviveu porque seu anjo da guarda é casca grossa, e agora ele quer saber aonde é que foram parar seus coturnos, ele sobreviveu porque, entre muitas e iluminadas parcerias, fez dupla com o Carcarah, esse outro maluco que sabe o que é dar uma voadora na morte, Mario Bortolotto sobreviveu porque a mesma delicadeza que tira a vida de uns traz a vida de volta para outros."


Leia a íntegra do belo texto de Marcelo Mirisola no Congresso em foco

12/15/2009

Quem sabe, sabe


"Há sempre novos sons para imaginar, novas sensações para alcançar. E sempre há a necessidade de continuar purificando essas sensações e esses sons para que realmente enxerguemos o que descobrimos em seu estado puro. Para que possamos enxergar com uma clareza cada vez maior o que somos...temos de continuar limpando o espelho."

John Coltrane - extraído do livro "A Love Supreme - a criação do álbum clássico de John Coltrane - de Ashley Kahn.

"O que permanece comigo sobre o quarteto de Coltrane é a imagem deles subindo ao palco, sem falar um com o outro, pondo fogo na coisa por duas horas sem nenhuma palavra para ninguém, saindo do palco e se sentando como pessoas comuns. Nenhum entourage ou coisa do gênero em volta deles. Depois faziam tudo de novo, despretensiosamente, diretos e com absoluta honestidade. Assim era uma jornada de oito horas deles - não era entretenimento, não era diversão e brincadeiras. Ainda tento corresponder a essa imagem: faça seu trabalho, faça com intensidade, com convicção e seja honesto com a música".

De Dave Liebman, do mesmo livro.

12/11/2009



francamente. isso é tão flagrantemente bom que pela logica proibitiva do politicamente correto, deveria ser proibido. felizmente não é. benzadeus!

Moshcam



Essa semana descobri um site muito legal, Moshcam, que disponibiliza shows ao vivo completos para serem assistidos em streaming, com imagem de alta definição e som de primeira, e que tem uma lista de atrações de babar. Pra começar, só o show de janeiro deste ano do Spiritualized que tem lá já valeria a visita. Mas ainda tem Black Mountain, Mogwai, e muito mais. O legal é que dá pra assistir o show na íntegra, ou só as músicas que você quiser. Cãofiram! Acima, um pequeno exemplo, uma interpretação acachapante de "Shine a light".

12/08/2009

O preço da mediocridade

De toda essa terrível história que aconteceu com o Mário Bortolotto, o comentário que mais me chamou a atenção foi um texto do blog "Dramaticoblog´s blog", que eu achei através do blog do Ivam Cabral, do grupo Sátyros. No texto, a Márcia Abos conta que uma das coisas determinantes para a ocupação e revitalização da região da praça Roosevelt pelos grupos de teatro foi justamente a possibilidade dos bares locais manterem mesas na calçada, o que fez com que a criminalidade na região fosse reduzida durante um tempo. Ocorre que há três semanas as mesas tiveram que ser retiradas por conta de uma decisão idiota da prefeitura, resultante da reclamação de vizinhos. Na Gazeta de Hoje o Ivam Cabral conta que essa decisão foi motivada por um abaixo assinado com, pasmem, 29 assinaturas, de vizinhos que reclamavam de perturbação da ordem. O resultado foi que a região voltou a ser ocupada pela bandidagem, crackeiros e afins, os assaltos e a violência de sempre.
Isso sem falar que a própria praça em si está fechada há anos, a espera das obras de revitalização, que nunca chegam, porque os prefeitos que lá passaram ter que cortar verbas dessas obras pra poderem investir em propaganda.
Isso só comprova como as pessoas não percebem o preço que a mediocridade e a mesquinharia cobra. Ao invés da ocupação pelos artistas, prefere-se baixar proibições ridículas em nome "da ordem e do sossego". O resultado é que ao invés de uma ocupação sadia, pela arte, tem-se o esvaziamento da região central de São Paulo e de outras cidades do País, que se tornam território para a violência e a criminalidade. Quem paga por isso são aqueles que insistem em resistir, se negam a fugir, e não aceitam se esconder, como o Mário, e as outras pessoas que como ele ainda acreditam que a arte pode ser a resposta para a falta de humanidade. Enquanto na Europa e outros países, o poder público e a sociedade caminha justamente na direção contrário, ocupando o centro de suas cidades com arte, música, vida enfim, aqui a classe média se esconde atrás de seus carros blindados e condomínios fechados para não se misturar com a "ralé". Até quando a gente vai aceitar que os idiotas e medíocres continuem ditando as regras? não sei...

Reproduzo abaixo o texto, pra vocês conferirem.

Para salvar a Praça Roosevelt

Por Márcia Abos


Ao ouvir as palavras de ordem dos assaltantes que invadiram o Espaço Parlapatões na madrugada de sábado, mandando todos se deitarem no chão, Mario Bortolotto teria respondido: “Ninguém vai assaltar ninguém aqui”. Imagino a cena e me assombro com a coerência deste grande artista. O dramaturgo, diretor, ator, músico, escritor e poeta é de uma coerência rara. Jamais fez concessões em sua arte, tampouco na vida. A reação de Mario a um absurdo assalto em um teatro (alguém já ouviu falar de tiroteio em teatro?) diz muito sobre ele, que pagou um preço alto demais por ser fiel a si mesmo: foi alvejado por quatro tiros, alguns deles em órgãos vitais. Ninguém que o conhece duvida de sua recuperação. Ouve-se na praça amigos dizendo: “ele é um touro, um búfalo, vai sair dessa logo”. Vai sim, mas a tristeza e a dor que se abate sobre artistas e frequentadores da praça precisa de consolo.

Há dez anos teve início o processo de revitalização da Praça Roosevelt. Não, a praça não virou um local habitável e cheio de gente por decreto. Começou com Os Satyros que decidiram abrir um teatro no local. Mas ninguém ia até a praça, espaço na época dominado pela criminalidade. Era um lugar sinistro, que metia medo até nos artistas que iniciaram o processo. Mas eles logo entenderam que a praça poderia se transformar com uma injeção de vida. Colocaram uma mesinha com cadeiras na calçada, um convite para um bate-papo. Por muito tempo essa mesinha ficou vazia. Mas era um gesto simbólico, eles sabiam que não podiam recuar. E acertaram. O tempo provou que a praça pode ser ocupada pela paz, por muita alegria e uma ebulição artística sem igual. Demorou, mas a praça tornou-se um local digno deste nome, onde gente de todo tipo se reúne para ir ao teatro, trocar idéias, criar. A Praça Roosevelt é o que temos de similar a Ágora grega, um espaço livre e público.

Mas a tragédia que se abateu sobre a nossa praça na madrugada deste fatídico dia 5 de dezembro de 2009 é também sintoma de um retrocesso na revitalização que começou com uma mesinha na calçada. Há três semanas não existe mais nenhuma mesinha na calçada. É proibido. E a vida parece estar se esvaindo. Muita gente continua a ir aos teatros, mas terminada a peça eles se vão. Acabou o alegre burburinho antes e depois dos espetáculos, acabou a alegria de quem pode ver em uma noite duas peças diferentes e aproveitar os intervalos para filosofar.

Triste constatar, mas este é o caminho para transformar os teatros da praça em algo parecido com o que foi o vizinho Cultura Artística ou como é a elegante Sala Julio Prestes. São lugares de passagem, uma espécie de oásis das elites no meio de um entorno totalmente degradado. Quem vai à Sala Julio Prestes chega em seu carro blindado e com vidros negros, desce na porta escoltado por seguranças, evita olhar para os lados e ver os ‘nóias’ e entra para ouvir as mais lindas e bem executadas sinfonias. Acabado o espetáculo, a saída é ainda mais rápida que a chegada. O jantar, o cálice de vinho, a cerveja são consumidos bem longe dali, no Itaim, nos Jardins, na Vila Olímpia (ou qualquer outro bairro onde é impossível lembrar que existem moradores de ruas, drogados e mendigos em São Paulo).

Ninguém que conhece a Praça Roosevelt acredita que a arte que se cria ali pode sobreviver sem o oxigênio de um entorno vivo, que se alimenta e é alimentado pelo teatro. Portanto, convoco a todos a estarem na praça. Nossa presença é a única coisa que impede a sua degradação. Certo, é proibido mesinha na calçada. Juntos talvez seja mais fácil derrubar o decreto que as proíbe, este sim capaz de destruir nossa ágora. Se a revitalização da praça não aconteceu por decreto, sua degradação pode ser consequência de um decreto exdrúxulo que proíbe singelas mesinhas na calçada. E enquanto não pudermos ter mesinhas na calçada, estaremos lá, nos teatros, em pé, sentados no chão, andando de um lado para o outro…

12/04/2009

tuas mãos

não se iluda comigo
também vou embora um dia
mesmo que não saiba quando
nem porque

faça seu próprio caminho
diga o que quer
ou deixe o silêncio falar
até de manhã

a cortina azul entreaberta
na janela sempre fechada
a esperança de algum tempo
que não deu em nada

os copos jogados num canto
a roupa da velha estação
quem precisa da verdade
quanto tem tuas mãos

quem precisa da verdade
quando tem tuas mãos

12/03/2009

La Carne - Discografia



Taí uma belíssima notícia pra esse fim de ano. A melhor banda de rock do Brasil resolveu desencavar suas pérolas e fez uma nova prensagem dos seus três primeiros discos. Eu se fosse você não perdia essa oportunidade única de adquirir alguns dos melhores discos que o rock do Brasil (aquele que segundo alguns criticuzinhos por aí não presta) produziu, desde meados da década de 90. Eu tenho todos, mas já to pensando em comprar mais alguns pra dar pros amigos, ou simplesmente pra garantir, sabecomoé. Isso aí pode virar peça rara de colecionador com o tempo, nunca se sabe (eheh). Além do que a tiragem é limitada, portanto, não dá pra vacilar. Quem tiver bom gosto e for esperto, é só mandar um email pros meliante lacarne@lacarne.com.br

11/30/2009

Melhores da década por mim mesmo ou quem liga pra listas

Nunca gostei de listas. Pra falar a verdade, tenho uma relação de amor-ódio com elas (mais ódio que amor). Sempre achei que arte em geral, música em particular, não é competição esportiva. Não cabe nesse tipo de classificação porque uma coisa não exclui a outra. O fato de eu gostar de Beatles não me impede de ouvir Stones. E não faz sentido nenhum querer comparar coisas diferentes, dando a elas um valor intrínseco melhor-pior. Tudo depende como aquilo bate em você, dentro de um contexto muito pessoal, que é praticamente é impossível mensurar de forma objetiva.
Mas nos últimos anos, tenho sido convidado pelo Scream Yell pra participar das votações de melhores do ano. E por gostar muito do SY e ter um carinho especial pelo Mac, que considero um dos poucos jornalistas especializados em música da atual geração no País que realmente gosta de música, e não quer só fazer pose de antenado, fiz questão de participar, mesmo não me achando gabaritado para julgar o que quer que seja. Até porque, não sou crítico musical, não ouço todos os discos que estão sendo lançados de uma forma sistemática. Aliás nem quero. Portanto, nem teria condições de julgar se isso é melhor que aquilo outro, etc, querendo dar a isso algum caráter de verdade.
Pois bem, esse fim de semana fechei a lista de melhores da década que o Mac pediu, sobre os anos 2000-2009. E como das outras vezes, mais do que uma lista com critérios objetivos, a minha é muito mais uma relação baseada em afinidades pessoais, de memória afetiva. Não tenho a pretensão – de jeito nenhum – de que dizer que esses foram os melhores discos lançados no período, obviamente. Mas posso dizer com absoluta convicção de que esses foram alguns dos discos que mais me tocaram pessoalmente, que mais frequentaram o aparelho de som da minha casa, que mais me emocionaram e me fizeram cantar junto, ficaram rodando na minha cabeça, de ter vontade de ter feito essas músicas. De querer conhecer mais e ver essas bandas tocando. No caso específico das bandas nacionais, não por acaso, boa parte delas a gente teve a oportunidade e o privilégio de trazer pra tocar em Curitiba. E conhecê-las pessoalmente só aumentou a nossa admiração pelo trabalho delas.
Dito isso, publico abaixo a minha lista de melhores da década. Como digo, totalmente pessoal e intransferível. É claro que tem muitos outros discos/artistas e bandas que eu poderia ter relacionado, e isso é uma das coisas que me deixa incomodado com listas, porque sempre fica coisa legal de fora. Mas enfim, foi a síntese a que eu consegui chegar, meio no susto, porque como sempre deixei pra última hora e tive que tentar puxar pela memória, sem ficar de grandes elocubrações. O mais legal é perceber que ouvir esses discos continua sendo uma experiência única e emocionante pra mim. E confirmar que essas músicas fazem parte – de forma inequívoca – da trilha sonora da minha vida.

Melhores discos nacionais

Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
Íris – Bizri (2004)
Deus e o Diabo – Também morrem os verões (2004)
Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
La Carne – Desconhece o rumo mais se vai (2003)
Cascadura – Vivendo em grande estilo (2004)
Gianoukas Papoulas – Gianoukas Papoulas (2003)
Pipodélica – Simetria radial (2003)
Beto Só – Dias mais tranquilos
Charme Chulo – Charme Chulo (2007)

Melhores discos internacionais

Spiritualized – Let It Come Down (2001)
Mojave 3 – Excuses for travelers (2000)
Nick Cave – No more shall we part (2001)
Cowboy Junkies – One soul now (2004)
Mercury Rev – All is a dream
Beth Gibbons & Rustin Man – Out of season (2002)
Tindersticks - Waiting for the moon (2003)
Cat Power – The Greatest
Morphine – The night (2000)

11/25/2009

a sua benção, meu Vô Ino



Não lembro exatamente quando o conheci, mas sei que cresci na casa que ele construiu – pelo menos foi assim com um pedaço dela, que lembro, pois em algumas manhãs frias, pra abrir o bar, a gente tinha que passar por dentro de um pedaço da casa sem chão, em construção. Sempre soube, mas com o tempo isso ganha ainda mais força, que foi perto dele, sob sua sombra acolhedora que eu me fiz gente. Ele foi minha maior referência de vida e continua sendo. Sua alegria, sua força, sua sabedoria são sentimentos que vou carregar comigo pra sempre. E é nele que penso, e é com ele que quero conversar(e com minha mãe também, cada vez mais, sua filha guerreira) quando me sinto triste.

E hoje, meu amado Vô Ino está fazendo 80 anos. Meu, 80 anos, 8 décadas fazem desde que esse bebê aí de cima, batizado Aquaelino Perin, veio a mundo para fazer dessa nossa vida algo melhor, mais cheia dos valores que fazem a existência valer a pena, junto com seu irmão gêmeo, Avelino, que não conheci, mas muitas vezes o ouvi falando dele. Meu avô é um contador de causos, cresci ouvindo suas histórias, algumas fantásticas, de um mundo que a gente, temo, não vai ter mais. Histórias de um senhor que ficou de luto, com roupas pretas e uma barba gigante, por meses, se não engano, quando o pai dele morreu. Ele bem que tentou me levar para conhece-lo, acho que na minha primeira viagem longa. Lembro de minha avó me dando banho pra viagem e eu reclamando, a chatinha, e que passei mal na viagem (sempre tive problema de enjôo ao andar de carro). Não lembro da chegada lá, mas sei que meu bisa morreu antes de me conhecer. Tive um sonho quando era muito criança, com um senhor imponente, montado eu seu cavalo com uma daquelas capas que cobria cavalo e cavaleiro num lugar alto e plano ( meio zorro, assim, sei lá), como se olhasse a tudo de cima, atento e cuidadoso... acordei sentindo que tinha sonhado com meu bisa, que era também um pouco o meu avô, de um jeito que não cheguei a ver.

Quando eu nasci, filha de mãe solteira em pleno ano de 1970, foi ele, Vô Ino, que ficou ao lado da minha mãe e que diante da sugestão do médico de que me dessem pra ele, nem quis conversa, conta minha mãe. Ele me levou e a ela de volta a Curitibanos (nasci no meio de uma viagem da minha mãe pra fazer um concurso do Banco do Brasil, em Joaçaba, cidade que não conheço, porque 'minha cidade' é Curitibanos). Foi lá que nasci pro mundo, foi pra lá que ele se mudou, antes, para que os filhos pudessem estudar. Essa foi uma das primeiras grandes lições que cresci ouvindo. E foi de lá, que eles partiram gente feita, trazendo até madeira pra construir suas casas na Curitiba (em Colombo, acho), a cidade que primeiro acolheu meus tios e meus pais, e depois ao meu irmão, minhas primas, a mim, e onde nasceram minha irmã e meus sobrinhos lindos, Gabriel e Gica. Onde fiz minha vida ao lado do meu companheiro especial.

Conversei com ele agora, por telefone. E sua voz pareceu mais forte do que nunca, dizendo que sua parte ele fez, que está pronto pra partir, com a mesma tranqüilidade com que me fez ter forças pra deixar a primeira parte da minha história e vir embora, naquele dezembro de 1984. “Saiba de uma coisa”, disse-me, naquele começo de tarde quando fui ao bar dizer tchau, fraquejando, já cheia de dúvidas se era mesmo a decisão mais acertada: “Só estou deixando você ir porque é o melhor pra você. Senão, você não iria”. Nunca esqueci isso, e muitas vezes lembro,quando sinto as perdas se dobrando. Minha vozinha, a Vô Ina, foi sua companheira de uma vida inteira, que já partiu e espera por ele em algum lugar que não sei onde é, mas acredito de alguma forma que existe esse lugar mágico, onde os espíritos iluminados se encontram pra continuar dando forças pra gente aqui desse lado; ela, naquele dia não quis nem se despedir de mim. Lembro dela com com seu vestido florido e seu avental, com uma toalhinha secando as lágrimas... mas ela não foi ver o carro partindo.

Puxa, já se passou tanto tempo e aquele dia continua queimando em mim, como se fosse ontem.... não lembro de outro dia tão difícil como aquele. Lembro de dor parecida, mas não como aquele dia.

Ele tava certo, como sempre. Eu tinha que vir fazer a minha história aqui.

Nunca me cansei de ouvi-lo repetir as mesmas histórias de sua vida. E o que vivemos naquele bar.... minha escola de vida, ta grudado em mim como uma casca que protege. Ele não mora mais naquela casa, ela ficou grande demais depois que a Vó Iná se foi, pra todos nós. Aliás, foi só depois disso que vi nos olhos do meu avô uma sombra, um silêncio que não eram comuns nele. Ele nunca conseguiu ficar muito tempo longe dela. E quando ela se foi ( em 2001, se não me engano... prefiro não lembrar, embora isso seja impossível) eu temia era por ele, que ele não viveria sem ela porque é um amor tão lindo. “É UM AMOR TÃO LINDO”. Porque continua nos alimentando e servindo como luz no fim do tunel. Nunca convivi com outro casal como eles – que foram meus pais sem nunca, jamais, esquecer de deixar muito claro que eu tinha pai e mãe, sim. Eles sempre foram meus avós. Hoje eu sei que perdi muito do que minha vozinha podia ter me dado, me apeguei ao meu avô sem me dar conta, e deixei um pouco do que a Vó Ina benzedeira, cozinheira, companheira imprescindível na vida de um homem, podia me dar. Por conta do bar, vivi mais perto dele, mas o tempo passou e fui me dando conta, lembrando de detalhes de como é verdade que só parecia que o homem naquele tempo era quem comandava tudo. Mas, na verdade, elas, ELA, é que estava sempre ali por perto dando a força que eu tanto admirava nele. Por isso, pra mim, hoje, eles são um só. Catarina Daros Perin e Aquaelino Perin se tornaram um, do jeito mais lindo que duas pessoas podem conseguir isso. É muito difícil imaginar a vida sem os olhos azuis e as mãos grandes e abençoadas (sim, ele é a única pessoa para quem peço a benção, quase do mesmo jeito de quando era criança – quase porque gente fica besta quando cresce!) do meu avô e agora eu sei que ela ta ali junto, me dando sua benção. E enquanto ele se prepara para sua grande viagem, como sempre fala, como que me preparando para mais essa despedida, só sinto cada vez mais a presença dela nele.

Só vejo cada vez mais como o amor é a coisa mais linda e valiosa desse mundo e como é bom sentir que aprendi as coisas mais importantes que eles me ensinaram, que pode ser resumida em uma palavra: amor. É como eu disse para ele a pouco, batendo na porta dos 40: eu continuo querendo ser como ele quando crescer. Meu Vô Ino querido, queria e devia estar ai pra te dar um abraço hoje, mas até isso você entende e sempre diz quando eu ligo: “Olha, você não esqueceu a gente!”. Até parece, né, vozinho, que isso é possível. Você(s) está (ao) dentro de mim pra sempre. Eu te amo muito, muito muito muito muito... eu nunca vou conseguir dizer ou escrever direito o que sinto... então vou lembrar de uma cena linda do dia do meu aniversário de 39 anos, 24 de outubro de 2009, na pracinha ao lado da minha casa, que tem cara de casa de vó: seus olhinhos brilhando feliz vendo nossa roda de capoeira. Obrigada, mil vezes obrigada por tudo, pela minha vida. (Adri perin)

Meu avô é esse bebê à direita, o mais parrudinho.

11/22/2009

Led Zeppelin - Since I've Been Loving You



To lendo a biografia do Led (Led Zeppelin – Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra). E aproveitando pra reouvir os discos dos caras, que há muito tempo não ouvia. Lembro que na época de faculdade consegui uma cópia em VHS do filme "The Songs Remains the same" e assiste até furar a fita. Ouvir de novo os caras depois de tanto tempo faz com que eu me lembre da sensação que foi descobrir isso naquela época. Como aquilo abria todo um mundo novo. Um mundo onde a música não era simplesmente aquilo que tocava no fundo enquanto vc estava na balada. Porque aquilo exigia atenção total. Bem diferente de hoje, em que a banalização da música fez com que ela voltasse a ser apenas um acessório.
Engraçado que no livro os caras contam que o Bonham foi expulso de várias bandas por tocar alto demais. Tanto que quando ele entrou no Led achou sua turma, porque na banda, não tinha essa de baterista ter que ficar em segundo plano.

11/13/2009

Tempo

OAEOZ em 1999, na frente do antigo estúdio Áudio Beltrão, na época da gravação da segunda demo, "De Inverno": tínhamos todo o tempo do mundo.

Tempo tanto tempo qualquer tempo
possibilidades
tempo pra tudo
tudo e o nada
talvez
a mesma coisa
tudo e o nada

tudo talvez no espaço
o que existe depois do espaço
seria a galáxia do nada
seria a galáxia do nada

venha comigo e pegue
pegue sua espada
vamos para uma caminhada
vamos atrás do nada


Dia desses tava conversando com o Ramiro pelo msn (sim, parece que agora a gente só consegue conversar através dessas malditas máquinas) e a gente tava comentando como todo mundo parece não ter mais tempo pra nada, muito menos pra encontrar os amigos e jogar conversa fora, ou simplesmente fazer um som sem maiores preocupações, só por diversão. E ele citou rapidamente essa música do Igor que foi lançada na primeira demo do OAEOZ, no longínquo ano de 1998. E depois disso fiquei pensando em como essa letra, apesar de até certo ponto pueril, é tão eloquente em sua simplicidade e ainda mais atual quanto quando ela foi lançada.
É curioso porque eu lembro que os futurólogos de antigamente (ops) diziam que com a revolução tecnológica os homens teriam máquinas pra assumir as coisas chatas da vida, e a gente ia ter muito mais tempo pra lazer e outras coisas prazerosas. E o que aconteceu foi justamente o contrário. Nunca estivemos tão cercados por máquinas, e nunca tivemos tão pouco tempo pra viver de verdade, no mundo real. Estamos tão ocupados com o mundo virtual e seus blogs, orkuts, facebooks, emails e o caralho a quatro, que não temos tempo mais pra um simples abraço, uma cerveja com os amigos ou simplesmente sentar na calçada e ver o tempo passar.
Não se trata de nenhuma reclamação, mas de uma constatação. Como já comentei aqui, estamos cada vez mais “conectados” com a realidade virtual, e cada vez mais alienados da realidade “real” (rs). O que outrora era facilidade, virou escravidão. O mais triste é pensar que quando acordarmos desse “sonho cibernético”, a vida real terá passado, e aí será tarde demais pra recuperar o tempo perdido desperdiçado na frente dessa telinha. “vamos atrás do nada...”

pra ouvir e baixar "tempo" aqui

11/12/2009

Melhores amigos

O ator Mickey Rourke, que retomou a carreira artística recentemente após um período como lutador profissional e em produções B, disse que os cachorros salvaram a sua vida. “Meus cachorros realmente me ajudaram a sair dos tempos difíceis. Perdi tudo ao mesmo tempo: minha mulher, minha carreira, minha casa, minha credibilidade”, afirmou ao jornal “Daily Mail”. “Muitas pessoas que você conhece viram as costas quando você está por baixo, mas os cachorros não.”

ontem, na FSP.

11/10/2009

Tinha que ser hoje

Fiquei muito triste hoje. Acordei bem, achei que já tinha superado mais uma mudança no trampo, mas quando vi não consegui manter o bom humor: eu preciso descobrir um jeito de não me deixar afetar por essas rasteiras, que não são em mim, mas na cultura e na arte. Mais uma vez, o caderno diminuiu por contenção de gastos... tá eu sei, entendo isso e também que preciso me concentrar no que é importante e fazer o que é possível, mas, o jornalismo cultural por aqui tá cada vez mais difícil de se (tentar) fazer. Converso com pessoas tão legais, tão interessantes que parecem valorizar meu trabalho – como foi o caso recente do pintor curitibano Domício Pedroso, um senhor de 79 anos, que gostou de conversar comigo por conta do mínimo que sei de história da arte paranaense - e fico pensando que é meu nome que tá ali, fico lembrando de como as pessoas gostam de malhar os jornalistas de cultura de hoje, porque já não são táo bons quanto os de antes, não vão a shows, porque têm uma vida particular que não se resume a fazer o que alguns artistas esperam, porque não escrevem sobre tudo, porque não tem senso crítico - e me dá uma indignação tão grande tão incontrolável... me sinto tão impotente e com uma vontade tão grande sumir (afinal acham que eu não faço jornalismo mais aprofundado porque não quero?) e largar tudo, já que é assim... só que eu não consigo. E como eu queria conseguir, em certos dias.
Tá, ok, isso é só mum desabafo, daqui a pouco passa.

Aí, vou limpar emails e acho um que chegou durante minhas férias, do Fabrício da banda Radiare, a comentada derradeira da coluna Piracema, se não me engano. E daí, o gosto salgado de um chorinho teimoso que insiste em borrar minha cara, se mistura a um riso de satisfação, de alegria, que me faz lembrar porque eu não consigo desistir:

“ Resgatando minhas lembranças depois de responder sua mensagem eu passei na net e encontrei seu blog, editado por você e o Ivan (do OAEOZ, certo? Grande banda, tenho um Cd do qual gosto muito). Li seus textos sobre o disco, sua descobertas e experiências, críticas, comentários....
Me lembro que quando eu era adolescente não cansava de ouvir certos discos e k7s. Ouvia até o disco gastar, várias vezes, mas um de cada vez. E, aos poucos, ia compartilhando sentimentos e me identificando com o artista. Pensava que hoje em dia, com myspaces, ipods, discos baixados a rodo, isso não acontecia mais.

Confesso que fiquei bem tocado pelo que você escreveu. Algumas das músicas desse disco são antigas, outras novas, mas o fato é que durante todos esses anos levando a vida e as minhas bandas esses pensamentos que motivavam as letras e as melodias eu sempre dividi só comigo mesmo, com os caras da banda ou pessoas muito próximas. Muitas vezes a motivação de um artista é solitária e incompreensível. Você escreveu algumas coisas ali que me deixaram satisfeito por ser tão teimoso, sempre.

Num mundo tão rápido, instantâneo, superficial e cheio de intenções mascaradas, é muito raro mesmo alguém que "perca tempo" prestando atenção numa obra, seja ela uma música, uma poesia ou uma pintura. Até rolar uma identificação pode ser exigido um tempinho a mais de atenção. A quantidade de obras (um pouco daquilo que o John Ulhoa disse no texto que você postou) que chega até nós é tão grande que hoje fracionamos o nosso tempo de modo a muitas vezes não dedicarmos a um artista o tempo que é necessário à sua compreensão. Em 20 segundos de myspace condenamos, enterramos ou consagramos um artista. Me parece injusto, em qualquer sentido.

Obrigado pela chance, por nos dedicar seu tempo, por prestar atenção, por ouvir, por gostar de música e entender e sentir a arte como ela eventualmente pede.”

É evidente que ele se refere também ao que o Ivan escreveu sobre o impacto desse maravilhoso disco nas nossas vidas...
Nnca dependi do jornalismo pra encontrar pessoas como o Fabrício – e suas bandas, Astromato e Radiare. Estas, eu é que trouxe para o jornalismo que, no geral, as esnoba, as desconhece. Agora, preciso fazer o trabalho do dia e pra conseguir vou outra vez por Radiare no ouvido e no coração, porque eu sei que pode até me dar uma vontadinha de chorar e sumir, mas sei também que é daí que vem a vontade de acordar mais um dia.

Valeu, Fabrício, tinha que ser hoje, o dia pra eu ler teu email. (Adri Perin)

11/07/2009

sobre música e "losers"

"Hoje, sei que o que o Txotxa me apresentou naquele instante foi a percepção de que a música deve ser, antes de um meio, o fim. Tocamos porque queremos fazer música boa. Esse é o objetivo."

do blog do beto só, em um ótimo texto sobre o fazer música no seculo 21

11/06/2009

Mais uma Granada do La Carne

Jornal do Estado/ Bem Paraná

La Carne apresenta o repertório de Granada, seu disco mais poderoso, até agora (foto: Divulgação/Edson Kumasawa)


Banda de Osasco mostra as novas músicas hoje no 92 Graus

Adriane Perin

A banda La Carne, de Osasco, está em Curitiba hoje para mostrar o repertório de um dos melhores discos do ano. Granada, quarto trabalho da banda, que se apresenta no Espaço Cultural 92 Graus, ao lado de Folhetim Urbano, Gruvox e Popstars Acid Killers, de São Paulo, tem um nome bem apropriado à história e à postura de Linari, Jorge, Carlos e Chicão. Granada é o sucessor de outro petardo, Desconhece o Rumo mas se Vai, e conseguiu ser ainda mais devastador - ou alentador, dependendo do olhar.

Uma história musical que iniciou em meados dos anos 90, e no começo, lembra Linari, eram os sonhos comuns a todo iniciante de fazer a vida na música, ter seu trabalho reconhecido - também por uma gravadora com força para dar suporte. Mas, o tempo passa, a realidade provoca e depende de cada um, a reação. A do La Carne foi seguir fazendo uma música como ninguém mais faz, de um vigor que namora o violento, calcado numa realidade ou situações mais fáceis ignorar. Nas músicas, Linari - um professor de História que leva pra cima do palco toda sua (ou seria nossa?) fúria, ainda que seja um cara gente boníssima - canta “cenas” que nos contam sobre um mundo que vive nas bordas. As ansiedades, as sacanagens que a vida apronta, o que lhe incomoda, ele transmuta em letras certeiras que explodem e implodem, se jogando na cara com força capaz de derrubar.

Se o compositor e cantor considera os trabalhos anteriores “manifestos”, com este Granada bate à porta uma certa maturidade. “A constante referência às letras me orgulha, claro, mas sempre tive um desejo íntimo que enxergassem no som a mesma ousadia que vejo; e isso, agora ficou muito evidente. Em comparação aos outros, desta vez repararam mais nisso também”, observa, com razão, afinal é o trio de instrumentistas feras que dá as bases tão perfeitas, com um equilíbrio tenso, para as histórias que Linari canta. Ajudou para isso, acredita o compositor, a produção de Bill Reinikova, amigo do tempo de escola e integrado ao circuito Grammy. “Grande parte do mérito deste disco é dele”, avalia, tentando se “eximir da culpa”.
Antes de mais nada, no entanto, teve a confiança de Wellington Dias, do Zine Gramophone, um seguidor da banda que motivou os rapazes. “Os anteriores foram feitos num “esquema guerrilha”, diz. Bom Dia Barbárie e Desconhece o Rumo Mas se Vai, em sua visão, são discos mais de um gueto político que artístico. “Na época não era tão evidente que as gravadoras estavam falidas, hoje é bem chique e todo mundo fala isso. Depois que gravamos o primeiro e não tivemos o retorno que imaginávamos nos perguntamos e agora?”, lembra. “Pra gente sempre foi muito mais prazeroso tocar junto do que fazer planos profissionais. E não somos virtuoses, viemos do punk rock, somos de pegar estrada junto”. Se a gravadora esperada inicialmente não veio, vieram fãs que espalharam a boa nova sobre, não uma nova “bandinha indie”, mas uma banda de verdade. Que faz música pra gente grande! Que não surfa na moda, não tem uma moçoila simpática na linha de frente, nem rapazes com seus cabelinhos bem penteados, mas tem o que ainda interessa para muita gente: música de verdade, que acerta em cheio.

Granada – lançado pelo selo Senhor F – está com boa repercussão “nesse nosso pequeno mercado alternativo. Recebemos muitas palavras carinhosas”.
Já a “outra mídia”, é indiferente. “Se voce me perguntar porque, não vou te responder porque não convém a mim julgar. É evidente que no meu íntimo penso mil e uma coisas. Imagino que não vejam relevância no que fazemos”, investiga, com a tranquilidade absoluta que vem da segurança de quem sabe que é isso que quer.

Certa vez um amigo puxou papo sobre o La Carne com um desses grandes jornalistas nacionais, que já havia falado bem da banda, conta Linari. Ele disse que o tempo do La Carne passou. “Falando bem desapaixonadamente, isso tem sentido. A gente sempre foi ruim de mídia”, diz. Postura assumida no texto pessoal do encarte do disco anterior, que com suas palavras deixava às claras as intenções. La Carne não nasceu para fazer tipo. Muito menos pra frequentar. Hoje, Linari pondera. “Não sei se foi correto, mas na época havia muita pressão em cima da gente e escrevi como um manifesto de intenções. Porque é muito fácil alguém bater na testa da gente carimbos incomodos, como uma banda injustiçada e detesto isso”, diz, comentando entrevista que viu recentemente de Tom Zé, que o fez chorar. “Confesso, me identifiquei quando ele disse que ninguém tem culpa de seu ostracismo, porque ele sempre teve um pouco de vergonha de ser artista. Porque de onde ele veio, bater no peito e dizer que é artista é complicado. Talvez isso revele essa inabilidade de se vender”, pondera.

La Carne toca com velhos amigos daqui. Folhetim Urbano está em vias de terminar seu disco de estreia e Gruvox se prepara para os primeiros shows em Sampa. Flavio Jacobsen embarca naquela direção logo após o show. Ele também vai aproveitar para terminar dois clipes da Gruvox, assinados por Renato Larini, um músico curitibano que voltou a pouco de Londres e agora vivendo em São Paulo. “Onde a fome espanto” e “demasiadamente humano” foram filmados em Londres. A noite vale ainda para conhecer o som da Popstars Acid Killers.

Serviço
La Carne, Popstars Acid Killers, Folhetim Urbano e Gruvox. Dia 6. Espaço Cultural 92 Graus
(Rua Des. Benvindo Valente, 280 – S. Francisco) R$10 e R$5 (mulheres até as 23h)

11/05/2009

Granada em Curitiba



E finalmente nossos comparsas de Osasco do La Carne desembarcam em Curitiba para apresentar o show de um dos melhores discos de 2009, Granada. A festa, que acontece nesta sexta-feira, no 92 graus, terá também Popstars Acid Killers (SP), Gruvox e Folhetim Urbano. Eu e a Adri vamos colocar uns discos lá.

Nos vemos lá!

Programa:

Show com as bandas

Gruvox - 23h
Popstars Acid Killers – 23h40
Folhetim Urbano – 0h20
La Carne – 1h

Sexta-feira – 06/11/09 – 21hs
Espaço Cultural 92 Graus
R. Des. Benvindo Valente, 280. Alto São Francisco.
Ingressos: R$10,00. ELAS R$5,00 ATÉ 23:00hs.
21:00hs A CASA ABRE COM PROMOÇÃO DE CERVEJA ALL NIGHT LONG!
CHEGUE CEDO, ESTACIONE NA FAIXA!!

11/03/2009

Celebration ou "um dia de cada vez"

Fotos: Felipe Gollnick



E a festa no Jokers foi muito legal. Digo festa porque mais do que um show, foi uma celebração. Por vários motivos. Primeiro por ser o nosso último show programado no ano. E segundo, uma comemoração – um pouco atrasada é verdade – dos recém aniversariantes Adri e Gian, além do lançamento do novo EP.
Mas também e principalmente porque também foi o último show com essa formação. Como diz a canção, "não me pergunte, eu não sei" exatamente o que vai acontecer daqui pra frente. Da minha parte estou em uma fase da vida que não faço planos para o futuro mais do que para a próxima semana ou o próximo mês. E de certa forma me sinto bem assim. É bom viver a vida de acordo com o que ela se apresenta, sem alimentar grandes expectativas. Porque grandes expectativas quase sempre levam a grandes frustrações. Já dizia o filósofo Jésus: “a cada dia a sua própria angústia”. Me convenço cada vez mais que o negócio é viver um dia de cada vez mesmo. Porque quanto mais a gente faz planos, mas o destino teima em nos contrariar.
Enfim, mas voltando ao show, com certeza foi o nossa apresentação mais “power”. Acho que até por todos esses fatores que eu falei acima, todo mundo tocou “com a faca entre os dentes”. Quase todas as músicas ficaram mais rápidas, pesadas e com uma pegada forte. E funcionaram, o que é mais importante.
Todo mundo estava no gás e na sintonia de tocar e se divertir. Nossa “cozinha” mandou muito bem, com Alan impressionando os bateristas amigos presentes pela desenvoltura. E o Igor também não deixou por menos, mantendo o groove em alta e o beat certeiro. Carlão com sua guitarra minimalista desenhando licks e linhas na medida. E o Gian, despirocando e pulando que nem uma criança que ganhou um doce. Eu tentei como sempre não atrapalhar muito, mas me diverti bastante. O som colaborou e quando isso acontece, tudo fica mais fácil. Quem dera fosse sempre assim.
Na verdade, pensando bem, não temos do que reclamar. Todos os seis shows que fizemos esse ano foram legais. E pra mim o de sexta entra certamente na disputa com o do Wonka (17/07) e do Expressões Oi (19/07) na briga pela primeiro lugar no top five das apresentações da Hotel Avenida em 2009. Com o do Rock de Inverno 7 (24/07) e o primeiro do James (26/02) vindo logo em seguida.
Pra quem como eu sempre teve uma relação de “amor e ódio” com shows, por tudo o que envolve esses eventos, um índice de aprovação de cinco em seis shows é um recorde. E o mais legal é que tirando o do Rock de Inverno, todos os outros shows aconteceram naturalmente, por convite, sem que a gente tivesse que ir atrás. E tiveram todos ótima recepção de quem foi ver. O que confirma a qualidade do trabalho da banda.
Agora é curtir um recesso, enquanto preparamos o lançamento do DVD do Rock de Inverno 7, esse sim o último “acontecimento” de 2009 pra Hotel Avenida, em um ano atribulado, difícil, mas muito produtivo.
Aos comparsas - Carlão, Igor, Alan, Eduardo, Rubens - o meu muito obrigado. E em especial ao Gian, por ter me dado a oportunidade de renovar a minha paixão e vontade de fazer música, de uma forma que eu mesmo nem esperava mais. 2010 ta aí. Vamos ver no que dá.

10/29/2009

Passando a régua em 2009

Então é isso.
Nessa sexta-feira, 30/10, a gente da Hotel Avenida vai estar lá, fazendo o show da Mundo Livre, abrindo para a Plêiade. Com direito a cover de Roberto Carlos e Engenheiros do Havaí.
aproveitem porque é o último de 2009 e sei lá quando. como qualquer banda independente que se preze, sempre pode ser o último...nunca se sabe quando a ficha vai cair.
Nos vemos lá!

10/26/2009

Hotel Avenida lança EP ao vivo





BAIXE AQUI (rapidshare)

OU AQUI (4shared)

A banda Hotel Avenida, de Curitiba, lança no próximo dia 26/10, o EP com seis faixas, sendo quatro composições da banda, e duas versões: “Nuvens de Lágrimas”, conhecida pelas gravações de Roberta Miranda e Fafá de Belém; e “Meu abismo, meu abrigo”, do disco “Noite” (1998), de Lobão. O EP foi gravado ao vivo em pouco mais de três horas no Nico’s Studio, em Curitiba, na noite do último dia 6 de outubro. O EP faz parte do projeto “Acústico Mundo Livre”, que vai ao ar no próximo domingo, 25/10, as 23 horas, na Rádio Mundo Livre FM (93.9) e via internet (http://portal.rpc.com.br/mundolivrefm ). A gravação foi conduzida por Vinicius Braganholo, com produção de Mariele Loyola.

A exemplo do primeiro single da banda, “Eu não sou um bom lugar”, lançado em junho, o novo EP também será disponibilizado em formato virtual simultaneamente em uma rede de blogs e sites na internet, além das páginas da banda no Myspace e na Trama Virtual. No dia 30/10, no Joker´s Pub, a Hotel Avenida apresenta o show de lançamento do disco, ao lado da também curitibana Plêiade.

A Hotel Avenida surgiu de um projeto de Ivan Santos (OAEOZ) e Giancarlo Rufatto iniciado com um EP lançado no final de 2008. A vontade de apresentar ao vivo as canções os levou a recrutar outros músicos. Na gravação do Acústico Mundo Livre, os dois são acompanhados por Carlos Zubek (guitarra), Igor Ribeiro (baixo), Eduardo Patrício (bateria), e Alan Yokohama (bateria).

Sites amiguinhos deste lançamentos


http://www.myspace.com/hotelavenida

www.tramavirtual.com.br/hotel_avenida

http://giancarlorufatto.blogspot.com

http://deinverno.blogspot.com

www.senhorf.com.br

http://screamyell.com.br

http://aires-buenos.blogspot.com

http://subtropicalia.wordpress.com/

http://www.rockinpress.com.br/


http://www.innewmusicwetrust.com.br/


http://younghotelfoxtrot.blogspot.com/


http://www.blogdovinhas.blogspot.com/

http://euelaocoeoaffairredivivo.blogspot.com

10/25/2009

10/22/2009

Pão na rede

Uma das bandas mais legais da nova safra musical curitibana, o Pão de Hamburguer, acaba de disponibilizar no My Space seu primeiro álbum. Ainda não tive tempo de ouvir, mas pelo que já conhece com certeza deve ser muito bom. Então aproveita e vai lá conferir, porque se depender de qualidade musical essa piazada vai longe.

www.myspace.com/paodehamburgue

10/20/2009

Hotel Avenida no Acústico Mundo Livre



Quem quiser convite para o show do dia 30/10 é só entrar em contato: deinverno2@gmail.com

Para ouvir o programa é só sintonizar a Rádio Mundo Livre FM no próximo domingo, as 23 horas, no 93.9 do dial. Ou acessar pela página da rádio na internet.

10/16/2009

passando por aqui...

- fomos assistir Bastardos Inglórios. Não achei toda essa bolacha do pacote não. As críticas favoráveis e elogios dos amigos jogaram a expectativa lá no alto. achei arrastado. e os diálogos, que sempre foram talvez o grande trunfo do Tarantino, não tão inspirados. pra mim, tá longe de ficar entre os melhores do cara. melhor sorte na próxima.

- dia 25/10 - domingo que vem, as 23 horas, na rádio Mundo Livre FM, tem Hotel Avenida ao vivo, dentro do programa "Acústico Mundo Livre". No dia seguinte, segunda-feira, 26/10, vamos lançar um EP com as seis faixas gravadas no programa. Será o terceiro lançamento do ano da banda. Nada mal pra quem até agora foi levando a coisa na flauta, aos trancos e barrancos.

- E 06/11, tem La Carne de volta a Curitiba, finalmente lançando aqui o (já nem tão) novo disco, Granada, no 92 graus, ao lado das locais Gruvox e Folhetim Urbano, além de outra banda de SP que até agora não sei qual é. Imperdível MESMO!

- Se tudo der certo hoje chega nosso som novo. nem acredito que depois de mais de uma década ouvindo música em uma gambiarra só com um canal funcionando eu vou finalmente poder ouvir um som decente. a conferir.

- semana que vem tem aniversário da Adri. Churrasco à vista, roda de capoeira em casa, e amigos. Não muitos, que eles estão cada vez mais raros e ariscos. veremos.

- por enquanto é só. bom final de semana para todos.

10/13/2009

"Cadê as notas que estavam aqui"

"Os artistas perdem (com a pirataria), mesmo que haja certa euforia independente com todas as possibilidades de divulgação, o fato é que a capacidade que a indústria fonográfica tinha, com todos seus defeitos, de lançar e sustentar novos artistas ainda não foi substituído e está longe de ser".

"O resultado é que temos milhões de myspaces com artistas novos, mas quantos desses têm carreiras decentes na "vida real"? Muito menos que nos anos 90. É chato, mas o meio “indie-hit-de-internet” ainda não paga a conta do aluguel sem fazer a curva para o mainstream de tv e rádio, pelo menos aqui no Brasil. E, as gravadoras estão num ponto que não contratam quase ninguém. Mas prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo", conclui."


John Ulhoa, Pato Fu/Sexo Explícito

perfeito
dica do Scream Yell
aqui tem mais opiniões muito interessantes, incluindo o Pena Schimidt e o bombástico "O rock brasileiro precisa morrer", de Vladimir Cunha

10/09/2009

Um lugar onde eu possa me atrasar

da Piracema dessa semana

Adriane Perin

Colocar a primeira música de um disco – seja de uma banda conhecida ou de uma completa estranha - e já se sentir uma fisgada no estômago é algo cada vez mais precioso. Sentir o prazer de ouvir outra vez e outra, e ir rapidamente identificando minha música preferida pra logo em seguida perceber que essa lista não é fácil, porque tem outra, e mais outra, é daqueles momentos reveladores. Me faz pensar no que já caminhei, dá uma vontade tão grande de continuar; traz uma segurança que se opõe diretamente a esse trator que a vida no meu tempo se transformou, cheia de pressões que imobilizam e causam cansaço existencial. Quando isso acontece é porque tenho em mãos um disco que me faz chorar e rir porque fala de mim mesma falando de outro. Toca nos meus machucados, lambendo a ferida aberta de outro alguém. Traz as minhas minhas lembranças - e isso é tão absurdo porque eu sei que não são as minhas lembranças que estão sendo cantadas ali. Mas são - fazer o que? Mesmo que quem escreveu não tenha a menor ideia de quem eu sou. É essa a magia. Só que não é tão fácil encontrar isso no meio de tantas inversões de valores. Porém sou otimista, e só tenho que ser, afinal sou eu que faço a trilha sonora da minha vida – não deixo que uma rádio ou televisão quaisquer façam isso. Há muitos anos, quando eu engatinhava no jornalismo conheci uma banda de Campinas. Quisemos – eu e Ivan - trazê-la pra o Rock de Inverno 3, o primeiro que tivemos verba pra tal, mas cheguei tarde. Quando a conheci eram os anos 90 e o tal do “guitar” imperava soberano, com as bandas independentes brasileiras cantando maciçamente em inglês. Então ouvi Astromato. E, resumindo, ainda hoje mais de 10 anos depois, aquelas canções continuam muito boas. Daí, eis que semana passada, acho, um disco começou a rodar lá em casa. Quem é? “Radiare”. Radiare? Me lembra Violins e Astromato. “É a nova banda do cara do Astromato”. Caraca ! Peraí... é Violins que lembra Astromato. Vamos organizar as coisas. E, por conseguinte, é Violins que lembra Radiare e não o inverso, apesar dessa banda ter nascido este ano e Violins – uma das predilétissimas da casa e que, não por acaso, deu seu pulo do gato quando passou para o português – já ter acabado e voltado várias vezes. Porque Radiare é uma “evolução” de Astromato. (Entre aspas, porque não é exatamente isso, mas sim um outro momento de alguém que escreve muito bem e faz musica muito bem). A conexão tá toda ali: nas guitarras, no baixo, no cantar, na bateria, tudo na primeira audição remete ao Astromato. Não é a mesma banda, mas afetivamente, sinto como se o Astromato recomeçasse de onde parou - e melhor. Falando das coisas que fazem parte dos dias de seu compositor hoje. Enfim, a vida passou pra ele e pra mim e por isso ouvir esse disco agora me toca de uma maneira ainda mais especial que o Astromato tocava. Radiare chegou em algum canto, daqueles que provocam umas sensações estranhas e revitalizadoras. Esse disco me dá uma enorme votande de sair vagando pela cidade com fone no ouvido, de rir e chorar. Me dá vontade de largar tudo e parar um pouco o mundo só pra eu poder ficar aqui, sentada nessa calçada, ou num banco de praça olhando as pessoas passarem apressadas – como eu, na maioria das vezes. É um disco tão visceral em sua tranquilidade. Sereno em seus “acertos de contas com a vida” e na tranquila busca por um futuro. Um disco que dá vontade de beijar meu amor e abraçar um amigo especial. Ou seja, viver direito essa vida e não só senti-la passando pela janela do ônibus ou escapando entre os dedos. Vontade de jogar conversa fora e, mais: dá uma vontade enorme de deixar ele rolando indefinidamente, começando outra vez cada vez que chega ao fim. De manhã, de tarde ou de noite. Não quero parar de ouvir. Dessa vez, os campineiros vão tocar em Curitiba. Eles nem sabem, mas vão. E estarei lá, cantando junto. Vá correndo ouvir (myspace.com/radiare). E depois compre o CD, porque uma banda como esta faz a diferença. Acredite nisso.

Em tempo: Estou saindo de férias. Na volta, entrevista com Radiare é certa. Nesse tempo, Ivam Cabral assume este espaço.

10/08/2009

Rádio espírito, ou quem tem medo de envelhecer


Estamos quase em meados de outubro e 2009 já se encaminha para seu final, então hoje vou falar de um disco que descobri há uma duas, três semanas atrás, e que desde então não sai do meu player (real e mental).
To falando de Radiare, disco lançado este ano da banda homônima formada por Fabrício Frebs, ex-integrante da Astromato e outros músicos vindos de outras bandas de Campinas, SP. Astromato, pra quem não sabe, é uma das melhores bandas brasileiras dos anos 90, que lançou o excelente “Memórias de uma estrela falsa” (Midssummer Madness/1999) – verdadeiro clássico do indie brazuca (que pode ser baixado aqui). Pois bem, o Radiare mantém as qualidades do Astromato, com melodias perfeitas e ótimas letras, além do instrumental caprichado e das lindas harmonias vocais, mas com uma pegada atual.
Ao descobrir esse disco me lembrei de quando conheci o primeiro EP do Gianoukas Papoulas. Porque assim como o GP, o do Radiare foi um daqueles discos que na primeira audição achei legal, mas não dei muita bola. Mas aí você ouve de novo e pensa, poxa essa música é foda. E daí ouve mais uma vez descobre outra música, e daqui há pouco não consegue mais parar de ouvir.

Como já comentei por aqui, nesses tempos de overdose de informação e de milhões de bandas/discos, tem sido cada vez mais raro pra mim esse tipo de sensação de descobrir um disco que você se encanta tanto e se identifica de tal forma que aquilo passa a fazer parte da trilha sonora da tua vida. E talvez até por ser raro, hoje valorizo muito isso, talvez até mais que antes.

Porque as vezes a gente tem aquela sensação de "fim da história". De que toda música já foi feita. e que o que resta hoje é só pose, egocentrismo, gente de alma pequena que ao invés de viver sua vida vive de alimentar polemiquinhas vazias, picuinhas ridículas, disparando frases feitas e sociologia de botequim como se fossem os donos da verdade. cachorros cheirando o próprio rabo como animais midiáticos. Afinal, o importante agora não é ser, mas parecer, não é mesmo?

Mas aí chega alguém com uma coleção de canções que te balança e te atordoa. Com o Radiare, minha vontade de ouvir música voltou nas últimas semanas. TENHO que ouvir pelo menos uma vez ao dia pra conferir se aquela sensação é de verdade e ainda tá lá. Como se precisasse daquilo pra me reconfortar diante de tantos dias sem sentido.

Fazendo um leitura absolutamente pessoal e intransferível, diria que o disco tem como tema o amadurecimento, envelhecer, se redescobrir e se reinventar. Me parece que várias músicas falam ou insinuam uma situação de fim de um relacionamento longo daqueles que te marca pra toda a vida. E de como fazer desse momento limite uma oportunidade pra recomeçar. Pra quem como eu já tá na casa dos 4.0, e começa a perceber a curva da decadência, não teria como não ter empatia.
O negócio começa foda já na faixa inicial, “O meio é o fim”, com os vocais e guitarras de introdução à lá Ride/Teenage Fun Club. Na letra, o narrador/sujeito da história já entrega de cara que:

“ser bem surreal
não é me enganar
pois sei onde não quero mais chegar”


Só a introdução da levada de baixo e batera da segunda faixa “Quem canta o seu refrão”, já valeria o disco. Mas Frebs não deixa por menos e enquanto a cozinha segura a onda canta:

“viver nem é tão mal
discrer é que é o tal
se maldizer
aliviar
então tá...”


pra em seguida explodir junto com as guitarras no refrão:

“olho no olho e sangue quente
saia do seu alcance e mergulhe um pouco mais
sem ar, capaz
bem vindos aqui
não finjam que não
tentando ser sensatos
se o destino é jogo de dados
qualé a regra então?”



ufa. Não à toa, na mix eles mantiveram na linha de voz o som de alguém tomando fôlego. Porque é de tirar o fôlego mesmo.

Na faixa seguinte, “Relógios”, o narrador brinca/reclama da garota que apesar de não ligar pras horas tá sempre na hora certa, enquanto ele, sempre preocupado, sempre fica pra trás.

“Você nunca quis relógios
faz o que quer quando quer
nunca adivinhar as horas
mas você sempre vai chegar lá
você sempre vai chegar lá
antes de mim”

(...)

“eu marco hora pra fazer minhas coisas
você faz tudo pra não ter que marcar hora”


A quarta música, “Pra quando der mais” é outra pérola que poderia perfeitamente estar tocando no rádio, se a maioria das rádios tivesse interesse em algo mais que não a mesmice de sempre, e seus programadores não tivessem perdido qualquer capacidade de descobrir coisas novas. Outra levada que vai em um crescendo e embala mais uma letra dessas pra ficar na cabeça da gente e não sair mais.

“Sabe
tem outra história
outros mistérios
que eu espero não ter que explicar
são outras vidas
longe do meu viver
maldisfarçadas dos meus passos

ah, que enganação
maldade não
que me segura aqui nessa ilusão
então espera um pouco mais
e a vida se vai

tantos anos que fazem não arriscar
mas sempre foi assim
guarda-me, dá pra me querer gastar lá atrás
pra quando não der mais

tenho vontades súbitas
qualquer coisa pra balançar essa rotina
densa neblina
sonho acordado
congelo o por do sol
no fundo é só um dizimar de tempo”

é aquela coisa. A gente passa tanto tempo apegado a coisas e sonhos que que muitas vezes já perderam o sentido, mas insiste nelas apenas por conveniência, medo, e perde a capacidade de entender que as vezes é preciso mudar sim, virar a página e deixar pra trás coisas que ao invés de te ajudarem, só estão te matando aos poucos.

Na música seguinte, o narrador, que claramente, após o fim de um longo relacionamento repentinamente se vê sozinho de novo e se depara com alguém (ele mesmo), que não reconhece mais.

“Fazia tempo que eu me apaixonava
Há muito tempo eu não ficava só
Fazia tempo que eu não via gente
Que eu não ia ao cinema, sozinho
E entrava em três sessões seguidas
Um vinho vagabundo eu bebia
Com amigos que há tempos eu não via

Eu nem lembrava que eu tinha um espelho
E hoje procuro um adulto são
Há muito tempo eu não ficava à toa
Descalço, sozinho em casa numa boa
Criando um prato estranho que só eu ia comer
Sem um futuro pra vencer
Só esperando minha unha crescer
Pra eu cortar

Não lembrei de mim
Só hoje eu conheci um cara bem mais velho
Careta e cabeça-dura
Mas que só quer gostar de viver
Muito prazer
Eu sou você
E após tanto tempo tentando agradar
Agora só eu sou o meu par”


Genial.

Mas pra mim a grande canção do disco é a seguinte, “Minha voz”. Ela tem uma melodia simples, limpa e fluida, que dá uma sensação de conforto e aconchego indescritível. Na letra ele fala sobre a dificuldade de expressar sentimentos e diz que talvez a canção seja a melhor forma de fazê-lo

“segure a minha mão
eu tenho alguns dons pra te mostrar
só não sou muito bom em fazer
esses momentos brilhar”

(...)

“prometo dizer muito mais
só espero pela próxima canção
essa é a voz desse coração

e mesmo se eu não disser
mesmo se eu não fizer
eu vou estar...aqui”

Simplismente maravilhoso.

E depois da também bela “Som do mar”, o disco termina com a épica “Rádio espírito”, que deu origem ao nome da banda. Aqui o tema do amadurecimento fica bem claro nos versos

“Quero ser mais nada
demasia é frustração
me despertando de sonhos
a idade toca toda manhã

horizonte claro
posso antever o fim
que massada é essa
o silêncio em que consentes
mente pra mim

já perdi a vontade de não saber porque brigar
e a esportiva de cair, sorrir e levantar
uma razão pra eu ficar só é mendigar um tempo a mais
e assim vou doendo”

ele sabe que está envelhecendo, que o tempo passa cada vez mais rápido; mas não sabe se terá forças pra começar de novo, continuar, ou pra mudar, ou pra voltar atrás.

“Tantos ofícios me encantavam
rigor em dispersão
se escolhas eram por capricho
agora não me tocam outra opção
e hoje eu sinto dor nas costas
me restou uma paixão”


enfim, um disco que pra mim tá entre os cinco mais nacionais de 2009. e que eu sinto, vai me acompanhar por um bom tempo. Porque fala coisas que eu mesmo gostaria de ter escrito, que me sinto absolutamente identificado. E que me dá vontade de novo de ouvir e de fazer música. Como aqueles discos que mais me apaixonaram na vida. Um daqueles discos de cabeceira, para embalar aqueles dias tortos em que tudo o que você precisa é uma boa canção.
Que bom Radiare, seja bem vinda. E vida longa a essas e outras canções que vocês possam nos brindar. Porque vale a pena sim, apesar de tudo. Porque ainda temos um coração, e enquanto ele bater, algo haverá de viver.

ouça: http://www.myspace.com/radiare
baixe: Radiare na Trama

P.S. : com exceção de "Não lembrei de mim", que achei a letra na internet, as outras tirei tudo de ouvido, portanto, podem e devem conter muitos erros de transcrição, todos minha culpa, whatever.

10/07/2009

De volta ao Nico´s

Ontem (terça, 06/10), gravamos a participação da Hotel Avenida para o programa Acústico Mundo Livre, da Mundo Livre FM, que vai ao ar no próximo dia 18, e tem show de lançamento com a gente e a Plêiade, no Jokers, no dia 30. Entre erros, desafinações e vacilos, mas também muita risadas, piadas e bobagens, salvaram-se todos e foi uma noite bem legal. Gravamos seis músicas, no esquema "ao vivo no estúdio", sem firulas. E apesar ou mesmo sem muito ensaio, acho que ficou legal, porque a Hotel Avenida é assim mesmo, e funciona assim. Pouco ensaio, muito feeling e vontade de fazer o que se gosta, sem se preocupar com expectativas outras que não fazer boa música.

Foi legal também voltar ao Nicos. Não pisava lá desde a gravação do "As vezes ceu", do OAEOZ, em 2004, ou seja, mais de cinco anos. Deu um frio na barriga lembrar e se tocar do tempo que passou e de tanta coisa que aconteceu desde então. Mas como "lembranças não valem nada", o que interessa agora é ver o resultado da gravação e se preparar para o show, que com certeza, será uma bela celebração.

Valeu ao Vinícius do Nicos, e principalmente a Mariele Loyola, grande parceira, amiga e produtora do "Acústico Mundo Livre", que nos deu essa oportunidade.

10/02/2009

Preciso de doadores de sangue pro meu paizão

Moçada, preciso de ajuda. Meu pai acaba de passar por uma cirurgia delicada de colocação de pontes de safena e precisamos de doares de todos os tipos de sangue.

A doação deve ser feita no Hemobanco (R. Capitão Souza Franco, 290 – Bigorrilho).

É muito importante que se diga que é doação para: Roinildo Alves Vieira, que está internado no Hospital Vita, Br 116.


Já tenho boas notícias, meu irmão tá la, e diz que "seu Roi" está bem, mas como é diabético exige cuidados.

Abraços apertados. E valeu.
Adri perin.

10/01/2009

Um poeta erudito e rock and roll

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Mostra lembra os 20 anos da morte de Paulo Leminiski ocupa Itaú Cultural

Em exibição estarão preciosidades como o primeiro manuscrito de Catatau, em um caderno escolar (foto: Divulgação/ Carlos R. Zanello de Aguiar)

Adriane Perin

Não vai ser em Curitiba a exposição mais completa que já se fez sobre o poeta paranaense Paulo Leminski, morto há 20 anos. São Paulo é que vai desfrutar, a partir de hojem de um material pra lá de especial na terceira edição do projeto Ocupação do Itaú Cultural, que refaz o percurso do poeta por meio de poemas, preciosos manuscritos que revelam a gênese do anti-romance Catatau, depoimentos pessoais gravados em vídeo e shows musicais. Ocupação Leminski conta ainda uma programação de leitura de poemas, adaptações de sua obra para o teatro e o cinema, além de shows musicais com participações especiais de Moraes Moreira e Vitor Ramil (veja abaixo). Durante a ocupação, poetas e prosadores – como Elson Fróes, Nelson de Oliveira, Marcelino Freire e Ricardo Aleixo, Maria Esther Maciel, Frederico Barbosa, Paulo Scott, Izabela Leal, entre outros, escreverão os primeiros twitcais (haicais em forma de twitter) e o público será convidado a fazer o mesmo.

A ideia partiu do também poeta Ademir Assunção, que assina a curadoria, há pouco mais de um ano. Apresentou ao Itaú Cultural e recebeu o sinal verde para se debruçar sobre o acervo que a família guarda em Curitiba no intento de transformar em um acervo público. A primeira oferta foi feita ao Sesc, que vacilou e perdeu a deixa. “Ofereci aqui porque moro em são Paulo e conheço pouca gente dos órgãos oficiais de Curitiba que poderiam fazer uma exposição como esta. Nem pensei em oferecer para Curitiba, na verdade”, diz.

Assunção conviveu com Leminski quando foi estudar jornalismo em Londrina, no final dos anos 70 e a identificação, imediata, se estreitou depois em correspondências e numa convivência maior que evoluiu para uma amizade. “Ele é, sobretudo, poeta em tempo integral. Embora sua obra extrapole a poesia, tudo que fez - na prosa, tradução e ensaios - tinha como centro a poesia. Não conheci poeta mais intenso que ele”, observa. “E não tenho dúvida de que tem o lugar dele na literatura brasileira. Mesmo que ainda hoje pessoas digam que é um poeta menor – como o fez recentemente José C astello sob o argumento de que Leminski é uma figura pop, de marketing. .. Só posso pensar que isso parte de pessoas que não conhecem a obra de Leminski”, defende.

Leminiski foi – e é – pop, sim, sem que isso seja algo pejorativo. É de conhecimento público que ele tinha uma formação erudita, sem que isso se traduzisse em uma empáfia que só serve para distanciar. “Fala isso quem só conhece a superfície, porque a obra de Leminski é densa e múltipla.Ele é uma figura muito peculiar na cultura brasileira exatamente por ser ao mesmo tempo extremamente erudito e ter uma atitude rock and roll. Um poliglota, que conhecia latim e grego, e um boêmio que mantinha uma disciplina rigorosa, fruto das práticas do budismo e do judô. Estive em noitadas com ele de nos separarmos de manhã e às nove ele estar na máquina de escrever. Eu vi isso”, conta o curador-poeta. “É um tipo de artista intelectual ainda bem pouco assimilado pela inteligentsia brasileira. Mas, é essa diferença que faz com que os jovens continuem se identificando de imediato com ele”, completa.
Assunção teve contato com o material com o qual a filha de Leminski, a jornalista Aurea, está tentando criar um memorial, um lugar que possa acondicionar corretamente e também disponibilizar pra pesquisa na internet. “É muito rico e tá tudo bem guardado, mas precisa de condições apropriadas”, alerta. “ Encontrei manuscritos do Catatau. O começo de tudo, de próprio punho em um caderno escolar... quando peguei isso na mão foi... emocionante. Para um pesquisador é como ter encontrado os manuscritos de On The Road , do Jack Kerouak”, pondera sobre uma das raridades que será exibida no Itaú Cultural, numa vitrine fechada.

E alguma chance desse material vir pra Curitiba? “Se alguém dos órgãos culturais da cidade ou do Estado demonstrar interesse. A Áurea tá conversando com a Secretaria de Estado da Cultura. Sem dúvida é a maior exposição que já se fez sobre ele. E o que coroaria isso tudo, pra mim, seria o anúncio do relançamento por alguma grande editora das obras completas dele, porque os livros não estão em circulação e seria uma grande homenagem a ele traze-lo de volta pras livrarias”, diz sobre o escritor que Leminski morreu no dia 7 de julho de 1989, aos 44 anos. Seu livro Metaformose ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, o poema “Sintonia para Pressa e Presságio” foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século.

SERVIÇO
Ocupação Paulo Leminski. Até 8/11. De terça a sexta, das 10h às 21h; sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h. Entrada franca Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149). Informações: (11) 2168-1776/1777.

9/30/2009

Hotel Avenida na Parada Senhor F


E já está no ar o 4º volume da Parada Senhor F, coletânea virtual editada pelo site homônimo, reunindo 13 faixas de grupos independentes brasileiros escolhidas pelo editor do site, jornalista Fernando Rosa. Esta edição inclui a versão ao vivo de "Eu não sou um bom lugar", lançada pelo Hotel Avenida no bootleg virtual com o show da banda no Rock de Inverno 7. Desde sua estreia, em junho, as coletâneas da Parada Senhor F já tiveram cerca de 2 mil downloads. Confere e baixa lá.

9/29/2009

Demônio Triste - La Carne

Como vai, demônio triste?
quer saber onde vai chegar?
Por enquanto eu tô tranquilo
ainda bobo da corte
Se eu for fim, o que vai ser de nós?

Como vai, demônio triste?
quer saber onde vai parar?
Eu já sei, não tem sentido
qualquer coisa … tão longe...

Cotovelo no balcão
uma pá de bituca no chão
Eu continuo sem saber se rezo ou saio sem pagar
Bêbado na estação
uma pá de bituca no chão
eu continuo sem saber

Como vai, demônio triste?
quer saber onde quer chegar?
Eu só sei que nosso ouvido
tá por aí respirando
se eu for fim, o que vai ser de nós?

9/25/2009

Memórias do Rockingá

Bem Paraná/Jornal do Estado

Coluna Piracema

Adriane Perin

Como vocês já sabem estive em Maringá conferindo a quantas anda a cena de lá, com a volta do agitador Andye Iore às produções. Ele fez o Rockingá, dias 13 e 14 último, e me convidou. Eu e o simpático e tão tagarela quanto eu, “Pardal”, da Dynamite fomos hospedados na casa do Gótico – ou melhor na casa da avó dele -, um figura da banda Professor Astromar & Os Criadores de Lobisomen (que, alías, tem uma personalidade bem própria). Me senti a vontade, pois alguns amigos já passaram por ali e foi legal ser recebida por pessoas que conheciam até Hotel Avenida – e tinham OAEOZ no computador. Obra do seu Rubens K, que passou a nossa ficha, pelo jeito.

Fui sem esperar muito e preparada para encontrar bandas cruas e problemas típicos das cenas que estão se firmando. Encontrei os tais problemas nas conversas, mas principalmente me surpreendi com o que me pareceu maturidade das bandas. Fazia tempo que não encarava um show num lugar “não preparado” para tal. E, bem por isso, foi bacana ver os músicos sem frescuras e vaidades inflando seus egos, pacientes e parceiros, mandando ver, apertados num cantinho do simpático Fernandes Bar - com garçons disputando espaço até com os microfones.
Sou bem chata com essa coisa de cantar em inglês e, vou dizer, até das bandas com esta opção curti muito. De Betty By Alone (bettybyalone.blogspot.com) e Hospital Doors (www.hospitaldoors.blogspot.com), em especial. Não sei dizer de qual formação gostei mais - curti muito o show da mais conhecida, A Inimitável Fábrica de Jipes. A NOVA (myspace.com/bandnova) sem duvida é a sonoridade que mais faz parte das minhas listas e foi a mais diferente do conjunto do Festival. E tem que prestar atenção na Nina Nóbrega
( myspace.com/ninanobrega), menina que já sabe o que quer ser quando crescer. Mas, talvez quem tenha me chamado mais a atenção tenha sido mesmo o figura à frente do José Ferreira & Seus Amigos (www.seusamigos.blogspot.com). Também (bom e bem humorado) compositor, o provocativo Gabriel é um daqueles tipos que não se esquece. Sarrista, não perde a chance de marcar presença. E teve a cara de pau de “testar” o batera no show. Na verdade, foi jogo de cena, porque ele já tocava com o rapaz antes. Legal foi que ele subiu no palco e o Thiago Soares, um estudante de jornalismo que entende do assunto, também metido a produtor tipo eu, que faz só os shows de bandas que curte, veio me passar a ficha do rapaz e contar de suas estrepolias no palco.

Uma coisa que chama a atenção é que muitas bandas por lá não têm myspace - têm blogs. E também a maioria, pelo que entendi, não toca fora da cidade, ainda. Isso tem que ser resolvido. O pessoal que eu vi lá tem que circular para que as pessoas saibam que eles existem.

Johnz
Quem é vivo uma hora aparece. Inclusive na “grande mídia” e não só nos blogs dos amigos. Pois é, lembra do Tulio Bragança, o rapaz que fez belas canções sob o nome de Johnz? Então, ele tá morando na linda Buenos Aires e apronta das suas. Agora caiu na rede – via UOL - a notícia de que catou seu violão e foi fazer versões de pagode. Em um inglês literal. E com direito a vídeos caseiros de suas “performances” com os hits do gênero. “Caçamba”, do Molejo, agora é “Bring The Caçamba”; “Eu Me Apaixonei Pela Pessoa Errada”, do Exaltasamba, é “I’ve Fallen In Love With The Wrong Person”; e “Que Se Chama Amor”, do Só Pra Contrariar, ficou “That’s Called Love”. O blog dele é http://aires-buenos.blogspot.com/.

Procure
Dois belos discos que ainda não chegaram aqui já estão circulando nos fones de uma moçada aí. O novo do Soulsavers, um dos projetos com Mark Lanegan um pouco menos “soturno” me pareceu, mas interessante como sempre. E o Grant Lee Phillips, que já ficou a manhã inteira rodando na minha cabeça. A mesma pegada. “Good Morning Happiness”. Procure na rede que você acha.

9/22/2009

Bootleg Hotel Avenida por Leo Vinhas

"Música, para mim, hoje, é o que evita que eu caia nas minhas próprias armadilhas. Música é o que faz eu parar na hora em que volto pra casa, e analiso “que porra, eu não preciso ficar só na sobrevivência, posso fazer minhas coisas”. FAZER, meu amigo. Não me lamentar, chorar pelos cantos porque não tenho a oportunidade. A oportunidade ta na minha frente, sempre. Vai de eu ter timing, colhão, sabedoria, experiência, desprendimento e vontade para aproveitá-la. Nem sempre consigo. Mas a música e os amigos me ajudam a conseguir.

E a música feita por esses amigos mais ainda."


trecho de texto do Leo Vinhas sobre o bootleg do Hotel Avenida ao vivo no Rock de Inverno 7. Vai lá no blog dele e confira a íntegra.

...


Catarina se agarra nas bordas tentando não afundar totalmente. Hoje, acordou melhor, mas ontem ainda sentia aquele enjôo horroroso – boca do estômago em pânico, por alguma coisa esquisita que se esconde tão dentro dela que nem ela mesma consegue saber o que é. Mas quinta, estava pior. Só que aqueles olhos verdes que o encantaram há quase 40 anos voltaram com todo o brilho, enchendo o coração de uma alegria que há tanto andava longe. Sentou no meio do quintal e só chorou. Só chorou, balbuciando sentimentos. Medo, saudade, amor, solidão, um querer que quase explode o peito, aberto, à mostra, arranhado, machucado, mas já pronto pra encarar outra. “Seu peito doi e o sol começa a te envelhecer. De repente voce já não tem mais 15 anos e continua sozinho. Bem mais do que antes. E é do medo que eu sinto falta, do teu zelo, da tua calma”.

Ele disse pra ela hoje de manhã que está voltando aos anos 70. Ano fatídico. Pra Catarina. Pras Catarinas. E pra não Catarinas também. Mas, sua voz era de quem está pronto para outro passeio no meio daquelas lindas árvores. Aliás, por falar nisso, ontem foi o Dia da árvore, pra Catarina todos os dias são dias das arvores, e ela lembrou delas novamente, ontem, quando passava por aquela bela praça esquecida diante da antiga estação. Queria parar, sentar, conversar com elas, mas olhares estranhos não deixaram. Antigamente, ela ganhava mudas de árvores e esperou isso outra vez. Mas nada. Daí lembrou dele, que gosta de ir para o meio do mato quando está triste e também quando está bem. Ela também. Pensa, às vezes, que foi árvore em alguma outra encarnação. Ou então uma bruxa que vivia numa floresta encantada. Daquelas que dão medo e acolhem, que saltam dos livros para abrir capoeiras na vida da gente – e também pra manter tudo bem fechado sem um raio de sol quando é preciso. Sentiu uma puta saudade do tempo em que ia com ele para serra tão graciosa em suas curvas e sombras, fazer um churrasquinho segurando o guarda-chuva. É, a chuva não era páreo para eles, naquela época. Catarina também voltou a 1970 ontem. E hoje de manhã. Mas, agora está volta a 2009. Melhor, parece. Ouvindo suas músicas e outra vez encontrando ali as palavras. Não cansa nunca. E isso pode ser um problema. Voltar aos anos 70 pode ser uma alternativa. Mas, não dá mais. É aqui, o agora. E Catarina, então, fica com essa saudade boa no peito que faz parar o trabalho para conversar com ele. Esse cara apaixonado. Que a comove, tão frágil. E tão forte. E que precisa de Catarina por perto. Todos nós precisamos corrigir alguns passos, refazê-los. Reencontrar esses olhos verdes que nos deram e dão vida. É isso que Catarina quer agora: cuidar melhor dos seus dias. Quem sabe, não trabalhar tanto e ter mais tempo para esses olhos verdes meio azulados, castanhos, pretos... esses olhinhos de jabuticaba, esses olhões atentos. Esses olhares dessas pessoas que são as mais importantes na vida dela, mesmo quando ela estão tão rigiculamente centrada em seus próprios problemas e não consegue sentir a ternura e a saudade crônicas que eles – e ela – trazem dentro de si. Coisas da vida. Histórias de Catarina.

Ps. essa foto é de uma exposição de Leila Kris, a quem não conheço. Tá lá no Jokers. Amei. (Adri)