8/25/2014

o tempo dentro de mim


Foi preciso tempo pra vc sair de mim
Viajei  entre a saudade de existir
E o cansaço de ser o que me tornei
Os olhos bem fechados a cada espelho
Pra não ver o fogo que sentia devastar  por dentro
Arrancando raízes de seus lugares errados

Transplantando beiras de calçadas para as cidades 




8/15/2014

Meu paizão

Há um ano uma pessoa descansou da vida, um gatinha partiu em silêncio e duas novas saudades entraram para os meus dias.
É verdade que a uma delas eu já estava até acostumada, pois aprendi bem nova o peso das despedidas de pessoas amadas.  No dia 15 de agosto de 2013 meu pai morreu. Ele descansou, pois  não estava gostando da vida do jeito que estava. Acho mesmo que ele desistiu, mas não sei se adiantaria ele não ter desistido, depois do histórico de descuidos consigo próprio que construiu.  Alcoólatra, cardíaco e diabético, e em depressão, ele foi embora, mas só depois de ver as duas pessoas que faltava ele ver. A última pessoa da família que viu foi minha irmã, com quem estava numa relação turbulenta. Já tinha visto minha mãe, de quem se separara mas a quem continuava amando, do jeito dele, meio torto, mas com devoção!  Eu e meu irmão estávamos lá todos os dias, mas era evidente que a ausência dessas duas mulheres da vida dele era o que ficava.
Morei muito pouco tempo com meus pais. Com ele, Roinildo Alves Vieira, foi uma relação ainda mais diferente, mas uma das coisas que mais me encantavam no meu pai quando estava comigo era seu jeito devotado a esta família e, especialmente, a minha mãe, a polaca de olhos verdes que o encantou quando ainda eram adolescentes!
Continuo achando, a despeito de tudo, e de todas as falhas, e de todos os erros cometidos por ele, que era um dos caras mais sensíveis que já conheci. Era meio chucro, é verdade, tinha um jeito ríspido de falar, parecia meio grosso, às vezes, mas a verdade é que o que fez de melhor na vida dele foi ser pai. Foi construir essa família diferente – e tão igual a todas as outras - da qual faço parte. Nunca fui de me preocupar com dia dos pais e este tipo de data que considero meramente mercadológica. Nunca fui de visitar nestes dias, não gosto disso, me soava profundamente falso. No máximo, com o passar do tempo, eu ligava.
Mas eis que, desde domingo passado, já tenho pensado muito nele. As lembranças voltam, de todas as épocas.  Dele acordando muito cedo para fazer vitamina para esta adolescente quando veio morar com eles em Curitiba; não esqueço dos passeios de carro: ele curtia essa coisa de pegar o carro e sair passear, ir pro meio do mato só ver a paisagem, fazer um churrasquinho na  Serra da Graciosa – ninguém de nós esquece uma vez com guarda-chuva, minha irmã neném, e a gente lá fazendo churrasco na floresta.
Também era sempre ele que corria atrás para resolver os problemas da família toda que o adotou e que ele adotou também  – a Perin. Também não posso esquecer das bebedeiras assustadoras...primeiro me irritei, não admitia.... com o tempo, fui vendo a fragilidade de toda uma vida aparecendo ali!

Tampouco posso esquecer o instante em que ele percebeu que eu estava apaixonada de verdade por um carinha aí, numa noite em que voltei para casa sozinha, embriagada de vinho para tentar esquecer que ele tinha ido embora pra outra cidade. Talvez tenha sido ali, sentada no chão chorando e muito surpresa com a sensibilidade dele, que percebi  um dos grandes valores do  Paizão. Também pode ter sido ali que minha relação com ele começou a mudar.   Eu tinha uns  22, 23 anos e percebi que o meu pai era valioso por várias razões.

Creio que alguma porta se abriu porque depois daquilo algumas vezes ele abriu seu coração apaixonado comigo de um jeito tão dolorido, tão intenso que eu nunca mais esqueci. Que meu pai foi um romântico completamente a-pai-xo-na-do pela minha mãe e que o que lhe interessava era a família.  Mesmo depois de separados há algum tempo,  ele abria o coração de um jeito tão desconcertante, em conversas que inevitavelmente lhe traziam lágrimas aos olhos.

Eu juro que nunca acreditei que sentiria tanto essa perda! Por não ter morado com eles, por notar que nossa relação familiar sempre fora diferente; porque em alguns momentos o achei fraco... e olha eu aqui, agora! Há dias pensando no que escreveria, em quais palavras apareceriam, hoje...

Ele se foi há um ano e levou com ele a minha gatinha Lu,  xará da minha mãe, vejam só!  Foi só isso que pensei quando soube, logo depois do enterro dele, que a gatinha que tinha ido pro veterinário tinha morrido, assim, do nada!!!! “Puxa, paizão, vc levou a minha gatinha com você!”.


Hoje acordei pensando nele! Não o sinto por perto. Mas sinto! Na verdade, não sei o que sinto! Mas, se penso tanto nisso, sinto alguma coisa que mexe profundamente comigo. Uma tristeza e uma saudade diferentes.  Faltou tempo, faltou fazer mais alguma coisa? Não sei, talvez sim, talvez não! Mas sei que guardo pelo meu pai um carinho que parece aumentar. Tentei mais que tudo não julga-lo! Tentei mais que tudo que a família pudesse guardar o lindos momentos que ele lhes deu - muito mais do que mim, sempre achei. Não sei se sinto falta, afinal acostumei a não estar com ele todo dia desde sempre. É, acho que ainda tenho muito por descobrir sobre esse cara.

8/14/2014

hora de chacoalhar a poeira! - parte I

20 anos! 20 anos é muito tempo e é apenas metade da história toda! Só que é desta parte da história que tô tirando um pouco da poeira e, daí, impossível não se surpreender! Não se surpreender com o tanto de coisa que eu (nós) guardo (mos).  Em pastas coloridas, de papelão e de plástico, um tanto das lembranças vão se mostrando de novo, uma puxando a outra pela mão. É coisa que faz rir, gargalhar, falar sozinha, com gatos, cães e ate com a casa; é coisa que faz silenciar, chorar e rir de novo! Não acredito que tenho isso guardado! Tem fanzines, os polêmicos e os que marcaram, marcados pelo tempo, rasgados no canto, dobrados....e pela metade. Nada importa, porque o que volta, mesmo quando não volta inteiro, volta com a parte mais importante.  

Tem fotos de família perdidas no meio da papelada de faculdade;  tem cartas, fotos e trechos de fanzines com velhos poemas adolescentes (Mildo, achei um pedaço do seu zine com meus escritinhos do tempo em que  eu escrevia muito e comecei a não mostrar pra quase ninguém).
Tem fotos e releases de bandas. Tem foto de banda antiga até com a marcação do jornal atrás ( retranca!)!  Tem até alguns TCCs sobre o rock em Curitiba esperando minha atenção. tem histórias do rock e da música feita aqui em Curitiba nos últimos anos!

E tem a história d’OAEOZ e da De Inverno, passo a passo, tudo misturado: cartazes, flyes, capas de cds, fanzines com as letras; jornais feitos por nós; projetos de fanzines/revistas; rascunhos de letras que estavam nascendo e das que não ganharam a vida na banda quase como esperando outra chance.... 

Tem fitas cassetes!!!!! Muitas, muitas, muitas! Empoeiradas, com a capinha quebrada e as sem capinhas, também.  Cassetes de bandas daqui e dos primórdios do que depois chamaríamos de ‘indie’ ou independente brasileiro, os 90’s. Tem jams com amigos que seguem por perto até hoje; ensaios e shows gravados.  Tem  no susi, também (uma pré-produção que será eterna?).

Também tem Rock de Inverno, claro. Tem ingressos 01 e 02 da edição 5, quando conhecemos o Luigi Castel. Tem os ingressos artesanais da quarta edição. Tem projetos aprovados, propostas que nunca foram aprovadas e clipping e mais clipping! Tem os releases e muitas fotos. Aliás, tem as fotos feitas por fotógrafos amigos do Festival também (um dia eu desencavo a ideia de reunir alguns desses registros em uma edição comemorativa! eu tardo, mas tento não falhar). Tem nota fiscal de serviços pagos, do único cd prensado,  tem anotações de degravação de dvds...

Tem tanta coisa! Acima de tudo tem muitas e boas lembranças. “É, Adriane, pensa o que? 20 anos não são 20 dias!, diz o Ivan).  Vinte anos, no caso, é o tempo que estamos, 'assumidamente', juntos. Naquele longínquo 1994 já conhecíamos algumas das pessoas que estão marcadas nessa parte da história, já estávamos no circuito e Fábio Elias, Daniel Fagundes e Igor Ribeiro já eram considerados amigos e podiam ser encontrados na nossa casa - ou melhor, no 1001 do Asa. O 92 era “o lugar” das descobertas para o que viria depois e onde conhecemos uma boa parte dos que se aproximaram depois.  Duas décadas que passaram tão rápido. 20 anos de mudanças drásticas no mundo. computador, internet, email, cds e tudo mais!

20 anos de mudanças drásticas na minha (nossa) vida. Posso dizer que 20 anos incríveis da minha vida adulta. Não sei se serão superados (nem sei se devem ser superados! ),  mas estou vivendo para que, no minimo, sirvam de alimento para os próximos 20.´

Ano intenso, esse 2014. Só fiz as contas quando comecei a mexer na bagunça porque vem uma reforma grande pela frente. É hora não só de assoprar a poeira, mas encontrar distanciamento para separar o que é pra ser lembrado e o que, agora, é lixo. Confesso que é difícil fazer essa separação. Encontrar a primeira versão da letra da canção que tanto amo hoje, pra mim, é mágico! Esse é o desafio agora.

Então, pra começar, preciso de ajuda: guardo ou não guardo esse exemplar selado dessa verdadeira raridade que é, hoje, uma fita VHS?! Rsrsrsrs.

EM TEMPO: Este texto foi rascunhado quando comecei a guardar as coisas todas para a mudança. AGora, já foram dois meses de muita poeira, caixas empilhadas e tudo mais. A casa já tem outros contornos.










5/19/2014

Enfim

Nasceu. Um dia depois chegou. E cheia de tudo acordo vazando possibilidades mortas,
transbordando ideias que dançam numa coreografia confusa num ritual que gostaria de ser pagão.
Em uma balança que traz o bom e o ruim as palavras pulam tentando se esconder de mim e de você.
Só servem para iludir, mas não iludem mais!
Porque agora já sei a hora de pegar o ônibus. E se perder esse virá o outro
desvirando os caminhos
deixando as letras tortas encarando o céu sem uma nisga de núvens
sentindo o risco do violão com corda de aço
e do slide entre os dedos metálicos

Dormi na eternidade ocasional dessa manhã que começou tarde

Mas, não demais.

Toda mulher tem seu dia de não ser nada
Não posso crer que aos homens faltem esses dias, tampouco.
é que sou covarde e não acredito
e me irrito com essas pessoas
e também com a procura inerte e incessante que não cala nunca

é que amo essas vozes que tento ouvir dias após dias gritando logo aqui
mas está tudo muito alto e não consigo entender nada até que a lua venha e feche minha boa
e me faça, enfim...

5/17/2014

ontem e hoje entre novas canções

Ontem e hoje foram dias movimentados. Conheci novas bandas, visitei um ateliê - o que sempre é bacana - e conversei com uma artista que não conhecia por conta de um frila e curti o papo, as ideias,  gostei do jeito dela e dos trabalhos de Sandra Hiromoto. Não bastasse, conversa vai conversa vem, ela, que também é marketeira, sem saber me botou mais pilha pra voltar a fazer uma das coisas que mais gosto: conversar e escrever sobre essas conversas. Ler e escrever sobre estas leituras. Pesquisar e escrever sobre estas pesquisas. Escrever, simplesmente. Sobre o que for. sobre o que for pra sentir.

E por falar em sentir, chego em casa e ouço um violão. Adoro quando antes mesmo de abrir o portão ouço o som do violão. Uma nova canção nascendo é sempre um instante mágico, até mesmo quando ela ainda tá sem forma, quase só tem a intenção. Mas, perceber que ela tá ali, pulsando já.... é muito especial.  Eu acho que essa vinga!

Me esperava em casa o meu disk jóquei preferido, com uma bela seleção de bandas que eu não conhecia (e ainda não conheço, né. mas, tá certo que vou ouvir novamente). belas vozes masculinas e sonoridades e letras que me chamam. de Curitiba e de minas, as que lembro.

Hoje começou cedo, assuntos da reforma da casa, decisões a tomar, escolhas a fazer. Conversas animadas e a certeza de que logo começamos a por paredes abaixo para deixar o lugar ainda mais legal. Pra fechar, tarde cheia de arranjos musicais, procuras sonoras para velhas canções ganhando novos tons e  para a nova canção que dá sinais de querer achar o seu lugar nessa história.
Belo final de semana por aqui!

4/24/2014

Ultimo Volume em noite de estreias no Jokers




No ar há 17 anos, programa apresenta o space rock  do Veenstra pela primeira vez ao vivo; guitar rock do Lindberg Hotel, nova formação da Imof e This Lonely Crowd lançando novo disco

No ar há 17 anos, o Último Volume – um dos mais antigos programas de música alternativa do rádio brasileiro – promove no próximo sábado (26/04), a UV Stage – festa que apresenta quatro bandas da cena atual do rock curitibano. A noite inclui a estreia nos palcos do space rock do Veenstra, o indie guitar do Lindberg Hotel, a nova formação da Imof e This Lonely Crowd lançando novo disco. Os ingressos antecipados já estão à venda no Jokers.
O Veenstra, novo projeto do jovem baterista da banda Dunas, Lorenzo Molossi, começou como um projeto paralelo de um homem só. Diante do convite para mostrar o que vem produzindo solo nos últimos tempos, ele convidou os amigos Guilherme Nunes, guitarrista da Dunas; Thomas Berti e Lucas Leite, ambos da Farol Cego, para mostrar pela primeira vez ao vivo as composições de seus dois primeiros discos - “Journey to the Sea” e “Six Months of Death”, marcados por um som climático na melhor linha “dream pop”, que se firma nas nuances de um pos-rock que encontra também no cinema e na literatura suas referências.
Lindberg Hotel é a retomada da carreira de Claudio Romanichen, que fez parte de duas bandas curitibanas do começo dos anos 90, Electric Heaven e The Good Witches. No UV Stage, ele apresenta as músicas que estão no primeiro álbum lançado neste início de 2014, marcadas por guitarras bem presentes, barulhentas às vezes, combinadas a melodias simples e assobiáveis, nas quais se nota a influência sonora da virada dos anos 80/9 -  Teenage Fanclub, Jesus and Mary Chain e Flaming Lips. Neste show, Claudio será acompanhado por Eduardo Ambrósio, nas guitarras e vocais.
Também formada por músicos que estão na ativa desde os anos 90, a IMOF estreia sua nova formação que agora traz, além de Ivan Santos (voz e violão), Osmário JR (bateria) e Aguinaldo Martinuci (guitarras e teclado), o baixista Rodrigo AB e o guitarrista Lucas Paixão. A banda também disponibiliza esta semana o vídeo de uma música inédita, "Sem acreditar", gravado em show no teatro Paiol, em novembro passado, com a participação de Fábio Elias (Relespública), na guitarra. A edição é de Luigi Castel. A música faz parte de um novo EP que a banda prepara o lançamento para este ano.
This Lonely Crowd faz o primeiro show do ano e apresenta o novo disco, “Möbius and the Healing Process”, lançamento do selo virtual Sinewave. Desde 2009, This Lonely faz pos-rock calcado no noise experimental que bebe na fonte shoegaze nos anos 90. Seus mais recentes trabalhos, “Doppeldanger and other delicious secrets” e “Pervade” são de 2012. Instrumental, o quinteto curitibano trilha seu caminho entre a introspecção do pós-rock e as distorções sujas do shoegaze, e tem na experimentação e na sobrecarga de ruídos, que criam massas sonoras climáticas e cheias de nuances, sua principal marca.  
Produzido e apresentado por Neri Rosa e Marco Stecz, o programa Último Volume começou em 1997 na então Rádio Educativa do Paraná, dentro da faixa Todos os Caminhos do Rock. Desde 2005, o programa é veiculado semanalmente na Lúmen FM, nas noites de domingo.

Serviço:
O que: UV Stage. Com as bandas VeenstraLindberg Hotel, IMOF e This Lonely Crowd .-  Discotagem: Karen Koltrane Radio
Quando: 26/4
Onde: Jokers (Rua São Francisco, 164 )
Quanto: R$15 (antecipados) e R$20 na hora.  Ingressos antecipados à venda na Livraria Joaquim (R. Alfredo Bufren, 51), na Damadame (R. Tapajós, 19) e no Jokers.

Para conhecer as bandas:




4/23/2014

Imof - Sem acreditar - ao vivo no Paiol



Novo vídeo da Imof, gravado ao vivo no Teatro Paiol, em novembro de 2013, com participação mais que especial do grande Fabio Elias. Áudio gravado por Fernando Lobo. Edição de vídeo e mix de áudio por Luigi Castel

Lembrando que sábado tem UV Stage, com Veenstra, Lindbergh Hotel, Imof e This Lonely Crowd no Jokers.