8/20/2015

1.º Showrrasco dos Penitentes

A banda Penitentes mostrou ontem para uma seleta plateia algumas novas composições. Em pleno fim de tarde de sexta-feira, no belo quintal da casa de um de seus integrantes, no Pilarzinho, entre espetaculares pinheiros e outros tipos de árvores, os sortudos que não tinham que estar trabalhando aproveitaram a boa música com churrasco e cerveja. Também ouvimos alguns clássicos da banda. Foi bem legal.

8/05/2015

MAGNÉTICOSs - 15 anos de Elektro

Sempre bom reencontrar aquelas relíquias que não estavam esquecidas, mas quietas no canto delas só esperando o próximo momento. MAGNÉTICOSs foi um dos projetos envolvendo uma das duplas mais ativas que já conheci da cena musical curitibana, Jr Ferreira e Marcos Gusso, junto de Germano e Kako Louis, em períodos diferentes. O ano era 2000 – lá se vão 15 anos!!!! – e os Magnéticoss era mais um dos dois projetos da época dessa dupla incansável que tive o prazer de conhecer lá em um certo porão da Visconde do Rio Branco. Acho que naquele começo de década o 92 já nem era mais lá no seu mais clássico endereço, sinceramente não lembro das informações com precisão. Ter dois cds de uma banda curitibana em casa não é novidade, pois muitas vezes ganhamos dois por conta dos trabalhos. Mas, passando os olhos nas prateleiras dos sons curitibanos me dei conta que os dois discos “Elektro”, segundo lançamento do Magnéticoss não são iguais. A cor é diferente. Intrigada, bastou pegar o encarte pra sentir a textura diferente. Um deles parece ser um boneco, com papel mais grosso e a foto da capa mais poluída. Continuei intrigada até notar que um tem a marca da FCC, ou seja, foi feito pela lei de incentivo. Explicado. Adoro esse charme de ter esse tipo de ‘bootleg'.
Do mesmo jeito que sinto um imenso orgulho de ter participado de um projeto como este, mesmo que ele tenha, por puro descuido das pessoas, ficado meio esquecido, talvez eclipsado pela avalanche de produção musical deste trio. Só isso pode explicar que canções divinas como “Jazzo” tenham ficado praticamente relegadas ao esquecimento. “eu já pintei o céu, o set e a lua; eu já cruzei o mar, desertos, oceanos, sem ser visto por ninguém, sem ser visto por aí. Ah! Nem mesmo eu me vi” Mas, eu não esqueço – e adoro lembrar, eu confesso. Vejo nessas bem traçadas linhas musicais até mesmo uma conexão com o momento que passa, mais uma vez, esse guerreiro chamado JR Ferreira, em sua incansável luta pelo 92 Graus, em outra tentativa de manter essa chama acesa.Jazzo fecha o disco com primor e pra mim é das mais belas canções feitas pelo Jr. De quebra, esse disco me lembra de outra pessoa muito especial, Marcelo Borges. Lembro da gravação do documentário que acompanha o Cd, em VHS. A gente caminhando por alguns pontos da cidade fazendo as entrevistas. A cidade passando ao redor, os carros, a chuva, uma praça, a casa do campina... Em 2000 eram quinze anos a menos na nossa vida e estávamos em um auge, podíamos muito e havia sim uma certa confiança de que toda essa história, a nossa história – nossa e de toda as pessoas que conhecemos ao longo daqueles últimos oito anos. Para mim - aquela menina, parte de um grupo de jornalistas recém formados, que reuniu os compactos do selo Bloody e foi divulgar a história nas redações que nem conhecia ainda – foi incrível fazer parte deste projeto que tem canções fortes e belas, que mostram a verve compositora – em português – de JR Ferreira, que, aliás, me parece ainda pouco explorada. E inclusive a interpretação, a intenção musical muda neste elektro, sem aquela pegada bem humorada que também é uma marca dele. Amo July et Joe, mas, definitivamente, gosto muito do JR cantando em português! E em especial as canções deste disco. Ouvindo agora, nestes últimos dias em especial, não resisto à tentação de afirmar que este disco ocupa um lugar único na trajetória de JR. Por canções como S.O.S... "Fazendo o que quero e até alcançando alguma satisfação, misturada com a fumaça do escape sonoro do alto falante. Acordo pra vida que quero, acordes que gritam: "Socorro". O mundo vai mal. mas com quinze em cada perna a vida me parece eterna, dentro do meu terno. mesmo sendo de linho, fazendo o que quero, sempre saio da linha que divide a estrada". Cada som que exala da batida constante que que bomba o sangue e faz a diferença naquelas horas em que você vem me ver tocar, cantor couro um blue4s, com meu terno de linho temperado com a fumada do cigarro, no rádio do seu carro, te convido para mais uma noite de pura satisfação” olha que legal isso, com direito a duas presenças bastante importantes, Vitor França, do Estúdio Solo, espaço que tem vínculos importantíssimos com algumas gerações de músicos curitibanos, onde Elektro foi gravado; e Fabio Elias... ah, puxa, esse doc tem que ser digitalizado todo ele, agora quero assistir tudo e não tenho mais video cassete que funcione. ou a canção de aniversário (?) que mais gosto, do Coelho, Parabéns: Hoje você vai ter tudo que sempre quis, basta os olhos fechar e você verá. hoje é o seu dia, que dia mais feliz e quando os olhos abrir irão brilhar!” Outra música bacana é Ontem, mais uma composição do JR. Começa e penso: parece Reles... Adivinha quem tocou uma guita e, ao que tudo indica, fez uns uhu, também???? Um tal de Fabiote (naquele tempo grafado com “i”). E mais uma do JR, Slow Motion, "É meio dia, faz um baita sol, estou preso no trânsito, passando mal. se os vidros eu abro, logo fica pior, que o recondicionado ar, admiral. Preso no trânsito, eu vou, em slow motion, technicolor. Apesar de tudo isso eu nada posso fazer. apenas sentar e ouvir minha canção preferida e ver tudo rodar ao meu redor e ver você passar perto de mim”. São sons que trazem as marcas dos seus criadores. ‘Brinquedo’ tem a pegada do Jr.... ‘Parabéns’, é a cara do Coelho, assim como a divertida ‘Havaiana’, do Coelho, que rendeu um clipe hilário, estrelado pelo próprio. Na época, conta JR, com quem precisei tirar umas dúvidas, ele tinha também o Limbonautas. “Aí o Magnéticoss acabou e fiquei só no Limbo”... hahaha, se tem um lugar que não é pra vc é o limbo, JR.... Pra ele, aliás, este disco, Elektro, ficou melhor que o primeiro – do qual eu sinceramente nem lembrava - La Kukaracha wave music, lançado pela Excelente/ Polygram. Eu não tenho dúvida alguma, JR, da superioridade artística e do quanto este Elektro é mais fiel ao que vc e Coelho, os dois cujo trabalho conheço, criaram. É, como diz o ‘mestre’ JR Ferreira, “Agora lembro... é só uma questão de refrescar as memórias" ... e quando o disco acabar, não se engane, disco bom não acaba.

7/30/2015

resto de noite

Sil saiu caminhando na chuva em direção ao portão. Não havia mais nada a dizer, portanto também não havia o que fazer naquela hora. Era melhor mesmo caminhar um pouco e deixar a chuvinha fina que ameaçava engrossar bagunçar as luzes fracas que iluminam o parque. Guardou os óculos no bolso, acendeu um cigarro e tentou puxar o gorro o suficiente pra formar uma aba de proteção. A imagem dele falando coisas que ela não entendia, sobre coisas que não aconteceram, como se mesmo vivendo naquela casa há 10 anos tivessem estado em terras distantes, confundia tudo que acontecera nos últimos 60 minutos. Sil nem sentiu quando uma pessoa passou a seu lado apressada esbarrando na bolsa onde estava o seu computador, única coisa que pegara ao sair de casa quase correndo. Ao ver a máquina espatifada no chão algo aconteceu e foi como se o mundo tivesse vindo abaixo, num dilúvio de frustração desencadeado por um estalo inesperado! Largada na nisga calçada deixou o corpo arcar e soluçou, tanto, que se sentiu sem forças até pra levantar. Então, ficou ali. Sozinha no escuro, a chuva colando a roupa no corpo; sentindo a voz e até mesmo os soluços sumirem enquanto a enxurrada deixava só aquele frio gelado. Do mesmo jeito que veio, a tempestade foi embora. E ela recomeçou os passos vagarosos de onde parou. Meia volta lenta observando a água correr pelos cantos da ruela de paralelepípedo, marrom, grossa... naquela água suja da chuva, formando minúsculas ondas, deixou correr junto toda aquela confusão de pensamentos e simplesmente seguiu até o fim da rua. Sil estava sem um pingo de vontade de existir, naquele resto de noite.

7/23/2015

Quatro bandas e um objetivo: Salve o 92Graus!

No próximo sábado, 25, quatro bandas sobem ao palco do 92 Graus para uma série de shows com o objetivo de levantar verba para compra do​ imóvel onde está hoje​ histórico bar. Imof, Freefall, Black Pipe e Garden of the Eatingtapes se juntam à campanha “Espaço Cultural 92 Graus, o show não pode parar”, que inclui um financiamento coletivo com contribuições a partir de R$ 20. No sábado a casa abre às 21h e os shows iniciam às 22h. O ingresso custa R$10. Para incentivar as doações, foram montados diversos kits que trazem desde um cartão postal e um certificado digital até uma coleção dos compactos lançados pelo selo Bloody Records, criado por J.R. Ferreira na década de 1990, e uma carteira vitalícia de sócio livre de entrada em qualquer show do 92 Graus. Depoimentos de músicos brasileiros e estrangeiros se juntam às performances de bandas locais nessa empreitada em prol do principal ícone da música autoral contemporânea da capital paranaense. Há 24 anos o 92 Graus é um dos mais importantes palcos da música independente brasileira. Neste período mudou de endereços algumas vezes, mas nunca fechou as portas para as novas formações que sempre encontraram guarida sob os cuidados de JR Ferreira e sua incansável equipe. Praticamente toda geração 90 da música alternativa brasileira passou por este palco. Foram mais de dez mil shows com bandas de todas as vertentes, performances que ajudaram a consolidar não apenas Curitiba como uma referência em produção autoral, como também a formação cultural de músicos, produtores e jornalistas que vieram depois. Para contribuir com a campanha basta acessar: http://www.kickante.com.br/campanhas/espaco-cultural-92o-o-show-nao-pode-parar# IMOf Nascida em 2012, a banda Imof, tem em sua formação músicos experientes e com longa história na música alternativa paranaense. Ivan Santos (voz, violão) foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, e é um dos criadores do selo De Inverno e do festival Rock de Inverno. Osmário Jr (bateria) integrou as bandas CMU Down, UV Ray, Dive e Sofia; Rodrigo AB (baixo) tocou na Equipe Espacial nos anos 90, entre outros grupos, e Martinuci (guitarra, piano) encabeça o projeto Stilnovisti. Lucas Paixão (guitarra) trabalha com produção musical. O primeiro lançamento da Imof foi o single “Um silêncio novo na casa”, de 2012, com três faixas, pelo selo De Inverno. Em 2013, a música ganhou um clip editado a partir de vídeos caseiros de bichos de estimação enviados por internautas, fãs e amigos. O single e o clip foram destaque em diversos veículos de comunicação, e foi veiculado pela TVs Educativa, ÓTV, além de recebido boas críticas no jornal Gazeta do Povo, e sites como o Scream Yell. Em novembro passado, o segundo single, “Chuva”, foi disponibilizado para download gratuito no blog da De Inverno através do "Pague com um Tweet", um sistema de pagamento social, que troca downloads por divulgação nas redes sociais. O lançamento também rendeu ainda um show no lendário Teatro Paiol, de Curitiba, com a participação de Fábio Elias, guitarrista e vocalista da Relespública, e Igor Ribeiro (Iris, Humanish). O single também recebeu boas críticas. “‘Chuva’ é uma balada pop e melancólica com alma roqueira, em cuja letra há tanto aceitação quanto cumplicidade”, escreveu o jornalista Cristiano Castilho, do blog “Pista Um”, da Gazeta do Povo. E o show no Paiol motivou um especial na ÓTV dentro do programa “Tubo de som”. A música também foi relacionada como um dos melhores lançamentos nacionais pelos blogs “Pergunte ao Pop”, editado pelo jornalista Bruno Capelas (RJ), e El Cabong, do jornalista Luciano Matos (Salvador/BA). Em maio de 2014, a Imof lançou o vídeo de uma música inédita, "Sem acreditar", gravado em show no teatro Paiol, em novembro passado, com a participação de Fábio Elias (Relespública), na guitarra. A música faz parte de um novo EP que a banda prepara para este ano. FREEFALL Unida pela paixão ao rock'n'roll britânico, a banda nasceu em 2013, com Beto Reis e Ale D, e com a disposição de elaborar músicas próprias inspirada nas bandas britânicas favoritas do duo, como Beatles, Stones, Led Zeppelin, The Who, T.Rex, Oasis, The Verve, Radiohead, Stone Roses, The Jam. Em seguida, Bob, antigo parceiro de Beto, assumiu a guitarra base, trazendo sua influência do rock americano. Por fim, Johnny assumiu o baixo no fim de 2014 e trouxe junto suas referências do rock dos anos 60/70, completando a formação que sobe ao palco do 92. O resultado dessa combinação é um rock’n’roll vigoroso e visceral, que vem recebendo elogios da crítica especializada. Em 2015, a banda ficou entre as 50 bandas selecionadas para disputar tocar na abertura do festival Lollapalooza Brasil 2015. BlackPipe A sonoridade da Black Pipe mostra a influência do "rock inglês - britrock” nas letras, na atitude e na estética visual, tudo temperado pelo som característico do rock sulista. A dedicação da banda para atingir a melhor qualidade sonora poderá ser conferida em breve com o lançamento do primeiro EP, “Vizinho Irlandês”. Com as músicas "Boa Noite" e "Chá no Trem" , o disco foi masterizado em Londres no mítico estúdio Abbey Road pelos lendários produtores musicais Simons Gibson (Bealtes, Sting, Paul Mccartney) e Alex Warthon (My Bloody Valentine, The Breeders, The Strypes). Em 2014, as duas faixas ganharam clipes. “Chá no Trem” tem imagens gravadas na Inglaterra, Escócia e Alemanha, além de cenas filmadas em Curitiba. Os dois vídeos tiveram boa repercussão e receptividade. Este ano, a banda lançou mais dois vídeos: “Hey” e “Vizinho Irlandês”. Garden of the Eatingtapes A Garden of the Eatingtapes é um power trio de rocknroll cru e true, formado no final de 2013 por Tiago Oliveira (Vocais/Guitarra), Felipe Hotz (Baixo) e Kiko Sousa (Bateria). A proposta é fazer um som orgânico, criando um ambiente musical onde o fator humano da música se faz presente em todos os momentos. Em agosto de 2014 a Garden lançou o seu primeiro álbum, "Twist of Fate", composto de 12 músicas que exploram as mais diversas sonoridades que uma banda de rock pode ter. Serviço: O que: shows das bandas Garden Of The Eatingtapes, Imof, Freefall e Black Pipe. Campanha: “Espaço Cultural 92 Graus, o show não pode parar”. Quando: 25/07/2015, a partir das 21h. Quanto: R$10. Onde: 92 Graus (Av. Manoel Ribas, 108). Informações e Reservas: 41.9919-1492 Informações para imprensa: De Inverno Comunicação Adriane Perin 41 9902-1814​

7/15/2015

No estúdio com Stilnovisti




Em novembro, eles ocupam o palco do Teatro Paiol para momentos, por certo, especiais: o lançamento do primeiro álbum da banda Stilnovisti. Até lá, a rotina é de criação, entre estudos de possibilidades musicais, ensaios, na Casa do Rock, e de gravação, no Gramophone.  Daqui a 4 meses será a hora de mostrar o resultado de um árduo trabalho e dedicação, no projeto batizado de Stilnovisti: Canção Com Palavras.

Eles são:
Martinuci - voz, piano, guitarra
Luís Bourscheidt -  bateria, percussão e voz
Jorge Falcon - guitarra, violão, voz
Fábio Abu-Jamra - guitarra, violão, voz
Gustavo Slomp - baixo acústico e elétrico.

Projeto de Martinuci, poucos ensaios bastaram para que ele, Bourscheidt, Falcon, Abu-Jamra e Slomp, e convidados, afinassem o repertório, sob os ouvidos atentos de Jorge, que faz as vezes de maestro – missão dividida com todos, na verdade, já que as trocas de ideias são constantes. Martinuci, notei, fica mais calado ouvindo o que os outros sugerem, às voltas, muitas vezes, com a tecnologia, fios, teclas, cabos. Entretanto, levam a assinatura dele as partituras com as melodias e as harmonias. Houve também um pequeno período de pré-produção, compartilhada com Jorge Falcon, com foco nas composições mais recentes de Martinuci. E se poucos ensaios foram suficientes, é porque dos cinco músicos, quatro deles já estão trabalhando no projeto desde 2011, tempo suficiente para ver que a química está funcionando. E o baixista Gustavo Slomp também já tocou com o Stilnovisti, portanto também já conhece boa parte do repertório que será gravado. No dia 7 de julho, o quinteto fez o último ensaio geral, antes das decisivas horas de estúdio do projeto, que conta com o apoio do Mecenato da Prefeitura Municipal de Curitiba e patrocínio do Banco do Brasil e Volvo.


É sempre interessante observar este processo de perto. Algumas canções são conhecidas e ganham agora um novo registro sonoro, na busca incessante por gravações definitivas (se é que elas existem, diriam alguns, inclusive eu!) desta safra de canções nascidas com Martinuci ao longo dos últimos 15 anos.


 “Canções que não foram gravadas anteriormente, ou seja, inéditas. Algumas já foram apresentadas ao vivo, mas quatro foram compostas recentemente: Sweet Flower, O Que Nem Sei (milonga), Cem Dias de Espera e Mikrokosmos. Duas canções tiveram profundas alterações: Zumzumzum e Os Rios. Duas canções são poemas de Paulo Leminski - Um Deus Também é o Vento e Zumzumzum; uma outra, Francesinha, era uma valsa para piano que ganhou letra da poetisa paranaense Neuzza Pinheiro (parceira de Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Grupo Fato, entre outros).”
Muito curiosa para ouvir esta nova versão, já que a anterior, como vocês podem ver no link acima,é muito linda!

Embora o projeto Stilnovisti tenha nascido da  iniciativa individual de Martinuci, ao longo dessa caminhada ele foi agregando parceiros musicais. Ao todo, serão cerca de 35 músicos envolvidos diretamente, numa soma total de 50 pessoas, que inclui produtores e técnicos.

“Participações especiais: André Deschamps (sax soprano) - Guilherme Romanelli (volino) - Cristiane Serkes (soprano lírica) - Madrigal da UFPR e Maestro Alvaro Nadolny. (haverá ainda um músico argentino que vai gravar um bandoneon, mas  não sei o nome dele...). O quarteto de cordas será formado por músicos da Camerata Antiqua de Curitiba e Guilherme Romanelli.”




Sete caras e seus instrumentos num espaço de poucos metros quadrados. Paredes cobertas de cartazes, guitarras, cases e outros detalhes que contam histórias recentes e mais antigas. É a Casa do Rock, estúdio simpático na vizinhança do Largo da Ordem, numa terça-feira chuvosa; 10 da matina. Metade dos músicos já aguardava a abertura da portão quando cheguei. Logo, todos estão a postos e o café na padoca fica pra outro dia.  O clima é bem tranquilo entre o quinteto que já se conhece de longa data. O primeiro convidado do dia, André Deschamps, com seu sax soprano, já está a postos também.

Falcon chega um pouco depois para dar seus pitacos, poucos, na real. A verdade é que eles já estão com tudo encaminhado pra iniciar a gravação no dia seguinte.  Enquanto eles se viram com a arrumação dos instrumentos, fico observando, escolhendo melhor lugar pras fotos, testando possibilidades de gravação de um áudio para ilustrar. Não conheço a acústica do lugar, vamos ver como fica. Pescando palavras no ar e tentando não atrapalhar. 

Conseguir fotografar todos juntos é sempre um grande problemas em estúdio, o batera tá sempre lá num canto, separado... rsrsrs. Salve a estratégica escada da Casa do Rock.  

Depois de tudo montado, instrumentos ligados, acertos e mudanças de tom acontecem entre conversas de sustenidos, busca de afinações e belas melodias para acordar um dia que segue indeciso lá fora. Ali dentro o tempo passa em ritmo diferente. 

 Instantes ímpares pra mim, estes em que consigo esquecer o mundo lá fora... e quase só acontecem com música e livros.

O movimento dos dedos em cordas de diferentes ‘calibres’, o acariciar das baquetas em seus pratos cor de um sol que não se vê lá fora; o deslizar pelas teclas brancas e pretas... vendo assim, até parece que tudo é só encanto na magia de “ver” uma canção ganhando corpo.

  Nada, é uma trabalheira danada e se não tomar cuidado não sai do estúdio de ensaio, porque estes caras estão sempre querendo algo a mais que está logo ali na frente, embora nem eles saibam bem o que é. Me parece.

Mas, tem-se a impressão de que tudo é tão corriqueiro para eles, neste longo percurso de uma canção até chegar ao seu destino: o público.

É o ‘trabalho’ dos caras – e eles o fazem com a tranquilidade de quem domina seu ofício, mas quer mais. Para mim, definitivamente, é encantador observar do meu canto os movimentos de cada um nessa busca por “outras cores” para a música. A procura pela faceta musical de cada um que converse com aquela canção do Stilnovisti.


Afinal, qual é o caminho para escapar das armadilhas que levam para os lugares mais comuns senão essa (pequena) profusão de acordos e desacordos amenos, essa inquietação que leva a outra pergunta, que conduz ao experimento de outra nota, e que assim vai tecendo um borbado musical na vontade de tocar alguém que o escuta.

Cada um tem seu jeito de desvendar (ou ao menos tentar) o grande mistério de manter uma banda. Mas o que é esse poderoso mistério senão encontrar aquele espaço, a intersecção que passa por todos, naquela canção?

Nesta busca, às vezes o som ‘gordo’ do baixo acústico fica melhor; noutras, o contrabaixo elétrico é quem dá o tom. É o conjunto da obra se erguendo diante dos meus olhos.  E pequenas pérolas que ficam por alí,  na Casa do Rock, no Gramophone,  marcando ainda mais suas paredes com mais melodias, musas invisíveis a inspirar (e inspiradas) até (em) quem não tem ideia.

Entre o quebrar  de andamentos, o não dobrar de viradas, tudo e mais é possível, agora.  Mas, é preciso foco – afinal não é todo o tempo do mundo que se tem agora.

E a gente vai vendo/ouvindo altas horas passarem sem sentir, todos mergulhados nos sons, todos prontos para ouvir e criar, juntos. Descalços, de certa forma, tateando sons em certa medida para encontrar os “nossos” neste momento; para encontrar os instantes musicais que ninguém espera!

Stilnovisti, por ora, encontrou os seus. Ou, os seus, por ora, os encontraram. Outros virão e é possível ainda que no palco do Paiol, em novembro, outros sons já tenham brotado, depois de tudo pronto e gravado.  Essa é a magia de acompanhar uma banda. Tudo pode acontecer, mesmo depois que vc acha que já tá tudo pronto. E será então, outro momento único, o que veremos e viveremos entre as paredes do Paiol da música. Porque a música é viva, apurada nesta constante inquietação tentando dizer o que nós, pobres humanos, às vezes nem sabemos. Ela cutucando dentro da gente para no final deixar a vista um pouco do que são e fazem estes caras iluminados pelo colorido das luzes do palco e pelos sons que estão por aí, prontos para serem abraçados.  
















7/02/2015

Rock de Inverno - 15 anos



É muito legal voltar a ouvir uma canção e reviver tudo – ou o que a memória permite! Não raras vezes essas canções cantam também os pedaços da vida de quem a ouve. Comigo é assim, quase sempre. Uma canção antiga é capaz de trazer cenas, lembranças, pessoas, pendengas, empreitadas boas, amigos, amigas, amores...

Por isso, mais uma vez bastou ouvir os primeiros acordes de Filme, do Cores d Flores para que meu ser inteirinho reagisse. Quando entrou “De Inverno”, d’OAEOZ, me toquei que estava ouvindo a coletânea Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba. OAEOZ do tempo do Igor... aquele menino que um dia o Daniel levou lá em casa e que se transformou no parceiro musical primeiro do Ivan, que o apresentou ao Rubens... enfim. (eu avisei que é só ouvir que as histórias vão voltando).

Há 15 anos, nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2000, no Circus Bar, acontecia a primeira edição do nosso primeiro grande desafio, o  Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba , com os shows começando “impreterivelmente às 23h”.  rsrsrs. uma ‘briga’ nossa desde sempre esse negócio de horário de shows!







No palco,  Faus (banda do Coelio), Plêiade (‘retornando’), Zigurate, Loaded, OAEOZ (que acabou tocando na sexta), Cores d Flores, Madeixas, Quisto (depois Loxoscelle) e Zeitgeist co. Na plateia, muita gente, entre os quais, Carlota Cafieiro, jornalista do Correio do Povo, de Campinas, repórter do Alexandre Matias; e ele, o figuraça, uma atração à parte, o  músico e, na época, jornalista da Bizz, que acabou escrevendo sobre o festival para o Estadão: Minho K!






Na produção eu e Ivan, com  Mackoy ajudando no som, Marcelo Borges nas imagens e meus pais recebendo os jornalistas convidados, levando os dois para almoçar, enfim, fazendo as honras da casa enquanto eu e Ivan estamos nos respectivos jornais em que trabalhávamos (Gazeta do Povo e Jornal do Estado).  Lembro bem da ansiedade!!








A De Inverno nascia ali, antes mesmo de ter ciência disso. Nossa vontade era muito simples: mostrar para o Brasil essa nova geração da música curitibana, pós “Seattle brasileira”,  nascida em meados dos anos 90 em diante com canções em bom português. Mais ou menos na mesma época o Ivan preparou um kit sobre essas e muitas outras bandas da época e enviamos para jornalistas-chave. A gente não tinha dúvida da qualidade dessa nova safra e sabia que, se queríamos que o resto do mundo soubesse, alguém tinha que fazer alguma coisa. Uma das ações – além de organizar um festival bacana, com estrutura bacana, pensando nos artistas e na qualidade do equipamento de som – foi convidar jornalistas de veículos importantes para virem cobrir - leia-se bancar todos os custos da viagem e estadia.  Outra estratégia era ter bandas de outras cidades, também das novas cenas, para assim completar nossa proposta de “inserir essa nova geração curitibana na nova cena nacional”, o que fizemos a partir da terceira edição.

Material gráfico bonito assinado pelo Camarão e Alexandre Striq e um press kit que, além dos tradicionais releases e fotos, também tinha uma coletânea com uma música de cada banda, uma marca do Rock de Inverno, que deu início ao acervo do Selo.

Lá fui eu toda confiante como projeto na mão caprichado bater na porta de algumas empresas. Lembro muito da Cini, acho que foi para quem mais liguei.  Em uma tarde, lembro até o telefone público  (hoje inexistente, claro) do qual falei com o Ivan, à beira das lágrimas porque não me conformava: “como as pessoas podem não querer apoiar um projeto legal como este?”. É, eu achava tão improvável isso na época. Sonhadora, iludida! Hahahaha. Enfim, não rolou apoio e fizemos com nossos salários mesmo!  Pois é, vale sim ser sonhadora e iludida, às vezes!

A casa cheia nas três noites foi algo incrível.  Ao tentar voltar pra frente do palco no show da Plêiade uns engraçadinhos quiseram não me deixar passar... tá bom! Claro que eu ri e disse que era para ele me agradecer ao invés de me barrar e fui para o meu lugar preferido!

De outras cenas que não esqueço Minho K é a estrela.  Ele e seu indefectível chapéu. Lá pelas tantas, em algum dia, estava o jornalista estirado no chão, curtindo o som. Completamente tomado pelos sons das bandas que tanto curtíamos também!  Foi sem palavras, porque além de jornalista ele tocara em uma banda que eu e Ivan curtíamos há anos, embora pouco conhecida. Um disco que eu lembro do instante em que peguei nas mãos, com sua capa de vinil linda e suas canções incríveis. No final, eu e Ivan cantávamos canções do 3 Hombres, cada um de um lado do Minho K. E ele lá, sem acreditar naqueles dois doidos chorando de alegria e não acreditando ainda no que tínhamos feito.

Vendo hoje,  ainda que tivéssemos feito uma única edição do Rock de Inverno, aqueles três dias já teriam tornado tudo mais especial. Mas, não paramos. Veio o segundo, terceiro ( no 92, com 22 jornalistas convidados, entre os quais MTV, Folha, Estadão, Alto Falante), quarto, quinto (com a atração internacional, Transcargo), sexto e o sétimo (que trouxe Fellini e fez nossos amigos, marmanjos chorarem por aquele momento).

Entre erros e acertos, gosto da nossa história, tenho orgulho dela e ela me dá muito alegria ainda hoje.

E aqui, pra relembrar e reviver, o link com a coletânea Rock de Inverno - Mostra da Nova Mùsica Independente de Curitiba.

http://deinvernorecords.bandcamp.com/album/rock-de-inverno-2000




6/16/2015

"Triste dos que procuram dentro de si respostas porque lá só há espera"


Semana passada, depois de muito tempo, andei bastante de ônibus e o melhor de não estar dirigindo, além de olhar a vida passando na janela, é conseguir ouvir música de verdade. O velho mp3 de guerra estava ao alcance com algumas antigas canções. Não pretendia ouvir apenas uma banda, mas não consegui tirar Blanched Toca Angelopoulos, um disco que continua, dez anos depois, me remexendo de um jeito muito impressionante. Escrevi em vários momentos sobre o quinteto de Novo Hamburgo (RGS),  formado por Marcelo Koch (bateria), Priscila Wachs (flauta transversa), Leonardo Fleck (guitarra/voz/baixo), Douglas Dickel (guitarra/acordeon/baixo/voz) e Daniel Galera (baixo/guitarra), em jornal e no blog. Relendo agora, é evidente o impacto da banda em mim.

A banda acabou já faz um tempo, mas, já sabemos, as boas canções não acabam e sempre podemos voltar a elas e encontrar novas sensações ao lado daquelas que ficaram por ali. Coloquei o disco no começo de novo, e de novo. e de novo. 
"Triste dos que procuram dentro de si respostas porque lá só há espera". A frase não sai de perto. Seus significados ficam inquietando. E, claro, com ela as lembranças do momentos legais e dos não tão legais, também. Eles foram convidados da programação do Rock de Inverno, mas acabaram tocando mesmo na cidade, depois, em um evento da FCC, numa época em que vivíamos de novo (ou acreditamos que vivíamos) a efervescência do início dos anos 90, com vários festivais e eventos focados na música autoral independente acontecendo, com apoio público direto - não atráves das Leis.

Me dei conta de que este disco completou uma década ano passado. E me dei conta, outra vez, que este é um dos discos que mais gosto, mas ouvi-lo, não é para qualquer dia.
Alguns links bons para ouvir e para ler sobre a Blanched, uma banda especial, que me marcou pra sempre.

http://casablanched.blogspot.com.br/
http://www.lastfm.com.br/music/Blanched


"Não é fácil 'resenhar' um disco como o novo EP da gaúcha Blanched. Suas qualidades são do tipo muito pessoais, passionais mesmo, cujo resultado é capaz de despertar sentimentos nunca intermediários: ou se gosta muito, ou se detesta. O quinteto, de Novo Hamburgo, vem trilhando um caminho absolutamente avesso ao que se conhece como rock gaúcho. Climas instrumentais pesados e uso mínimo de palavras cada vez mais tomam conta do som da banda, transformando sentimentos intensos em tramas instrumentais. No disco anterior, as dores de uma história começaram a ser tratadas. Em Blanched Toca Angelopoulos, as feridas não fecharam. Tem a ver com isso a sinceridade e a verdade, torturantes até, das cinco faixas cheias de uma delicada e dolorida beleza, expostas em arranjos minimalistas que se agarram ao máximo nas mais simples notas. O trabalho abre com 'Tristes dos que procuram dentro de si respostas porque lá só há espera', uma porretada cheia de climas quebrados, guitarras limpas e 'noiadas' que parecem escavar fundo nas mais incômodas, contraditórias e doídas sensações humanas. Aqui não existe paz, a missão é remexer. 'Cada um' soa mais suave, com sua flauta serena e a torrente de palavras no fundo, que provocam um efeito de entorpecimento para depois estourar em novo noise. 'Hoje eu tou melhor', 'Um palhaço no campo de concentração' e 'Casa de descanso' completam o disco, mantendo a mistura de delicadeza, dor e beleza. Mas, como é um disco do Blanched, só podia acabar assim: numa catarse de barulho bom que provoca o entorpecimento da embriaguez, um transe que faz a cabeça girar e o ouvinte engolir em seco o silêncio que fica reverberando o barulho quando a música acaba." (Adriane Perin, jornal Gazeta do Povo, PR)


"A Thiane comentou que ficou arrasada com o CD da Blanched e me deu vontade de dizer mais uma coisa sobre este disco e sobre outros sons nessa linha. As pessoas comentam que é triste, e é. Mas o que provocam em mim não é de jeito nenhum a tristeza da depressão, a tristeza que dá vontade de se trancar num buraco e não olhar mais o dia. Eu não sei explicar direito o que Blanched provoca em mim, mas, com certeza, não é puxar para baixo, nunca. Me alimentam, estes sons. Me dão vontade de fazer mais e mais coisas legais. Me dão vontade viver de um jeito muito vivo. Me mostram que se eu não fizer, vai ficar sem fazer. Não me empurram para a imobilidade nostálgica de uma saudade de algo que não tenho. Ao contrário. Parece que me trazem forças para encarar outro dia, de trabalho, de existência, para correr atrás de patrocínio para o Rock De Inverno, de fazer um jornalismo minimamente decente. Porque é, também, para essas pessoas que eu faço jornalismo, o Rock De Inverno, a De Inverno. Me parece que tem alguma relação com o que sinto com o frio. Estava pensando nisso hoje, indo, caminhando às 8 da manhã para o trabalho, ouvindo Blanched e OAEOZ, no fone. O frio, que todos ao meu redor detestam, me faz sentir mais viva. Quando ele bate no meu rosto, cortando, gelado, de alguma maneira me desperta, me alerta que não tem outro jeito de viver o dia, senão com muita, muita intensidade. Como se não tivesse mais nenhuma alternativa, mesmo. E não há, para mim, não há. Eu sinto coisas gritando tão alto dentro de mim." (Adriane Perin, jornalista e produtora, PR)




"Ouvi ontem à noite o novo EP da Blanched, Blanched Toca Angelopoulos. Estou meio zonza até agora, quando começo a ouvi-lo novamente, pela segunda vez, de manhã, 9 horas, para começar mais um dia de trabalho. Fui dormir pensando nas melodias. Acordei pensando em ouvir o disco novamente. É gostar de uma banda de um jeito que não é só o mero gostar, por gostar. É ser pego de jeito por sons que desmontam mesmo. E aí, depois, do primeiro disco que derrubou, vem o outro. Quando ouvi a primeira faixa, ontem à noite, não lembrei dela do show que vi no Motorrad. Quando ouvi hoje, lembrei claramente que, mesmo não entendendo direito as palavras, naquela noite de um final de semana tão longo e cheio de alegrias especiais e extremamente doloridas. A canção me acertou em cheio. E agora, pela manhã, voltou todo o impacto entorpecente daquela primeira audição. Me vejo de boca aberta, balançando o corpo, olhos fechados naquela escuridão de fumaça. Eu estou até meio que sem saber o que dizer sobre este disco, lindo, triste, carregado, minimalista que deixou quase totalmente de lado as palavras, que é algo que sempre me pega. Na segunda música, 'Cada Um', aquela flauta me lembrou logo de cara Mercury Rev. E a voz que fica no fundo falando e falando. É um disco que exige silêncio, para o levar por um escuro do quarto, mas que traz sensaçães tão boas, também vontades tão boas, tão quentes, de abraçar, de beijar, de chorar, de dizer coisas que estavam para serem ditas fazia tempo. As melhores coisas são ditas no silêncio. No silêncio de um quarto, sem uma palavra, quando as respiraçôes ficam ansiosas. No silêncio de um walkman que leva para longe o que não se quer ouvir e deixa só o que escolhemos para uma manhã nublada - mas não tão fria quanto se pensou que seria. Os climas. O que mais dizer da Blanched? Os climas que eles criam esticando as notas ao máximo e que, parece, nos esticam junto. Essa guitarra que parece colocar uma furadeira dentro da minha cabeça. Outra rasteira. O olhar perdido em algum ponto que ninguém sabe onde está. Eu continuo não sabendo direito o que dizer. Mas sou impulsionada a ouvi-lo e ouvi-lo, como que para conseguir sacar algo que está lá e não consegui pegar ainda. Mas, que está me olhando... E parece que sempre tem mais lá de onde veio isso. Até onde Leonardo, Marcelo, Douglas, Priscila e Daniel irão? Porque eu quero ir junto. Agora não tem mais volta: saiu o novo disco do Blanched. E são estranhas as sensações que ele provoca. Ou não. Na verdade não são nada estranhas. Elas só nos remexem as entranhas. E deixam a gente assim. Aquietadas e exultantes ao mesmo tempo. Hoje eu to melhor, pode saber. E, aí, vem a última faixa. Com palavras, várias palavras. Tão afiadas quanto os climas instrumentais. Só o violão do começo já valeria a música, mas tem mais, muito mais. Depois de cantar 'calma, que essa dor logo passa, essa dor...', eles voltam com seus pensamentos. 'Quando eu voltar, espero deixar mais longe, tão longe, a dor que não me deixa esquecer que este cansaço é sem alívio. Quando eu voltar espero aceitar a tristeza, na crueza da certeza de que os melhores momentos são em silêncio. Quando eu voltar, espero encontrar-te mais forte, mais livre, consciente de que o amor morreu doente.' Difícil continuar aqui depois disso. É isso, são essas sensações, que fazem valer tudo." (Adriane Perin, jornalista e produtora, PR)


Muito legal também foi conhecer os caras e constatar que as afinidades eram tantas. Encontrar, anos depois, as filipetas em cujo verso eles deixaram seu carinho impresso também é muito legal. Nós conhecemos a banda pessoalmente por conta do disco anterior, Ter Estado Aqui,  repertório pelo qual os convidamos para tocar no Rock de Inverno  4, em 2003. O show deles não rolou como gostaríamos, mas a passagem por Curitiba abriu outras portas e, com alegria, os vimos tocar no Memorial de Curitiba.