8/01/2018

Dez anos de "Falsas baladas e outras canções de estrada" - OAEOZ






Há dez anos o OAEOZ lançava seu “canto do cisne”, um box set com dois discos: “Falsas baladas e outras canções de estrada”, com oito faixas gravadas no estúdio do guitarrista Carlos Zubek; e o “Ao vivo na Grande Garagem que Grava”, com cinco músicas gravadas, como já diz o título, na Grande Garagem que Grava mantida pela Chefatura Records de Luiz Antonio Ferreira e Rodrigo Barros Del Rei, do Beijo AA Força.
“Falsas baladas” tinha Ivan Santos (violão, voz, teclados, guitarras), Carlos Zubek (violão, voz, guitarras), André Ramiro (guitarra), Rodrigo Montanari (baixo, voz) e Hamilton de Lócco (bateria). E assim como em outros discos, também incluía a participação de vários amigos e parceiros, como Igor Amatuzzi tocando trompete em “Negativa”, e Desiré Amarantes tocando violino em “Pra longe”. O design da capa foi feito por Giancarlo Rufatto a partir de ilustrações de Hamilton de Lócco.
As parcerias também estavam nas composições. “Distância” é uma música de Ivan Santos feita a partir da adaptação de textos de Adriane Perin e Rubens K. “Negativa” é um poema de José Fernando da Silva, musicado por Ivan.
“Falsas baladas...” foi lançado originalmente pelo selo Senhor F Virtual, do jornalista Fernando Rosa, que na época completava dez anos, atingindo 140 mil downloads. E na época, segundo o próprio selo, foi o segundo disco mais baixado. A versão física em CD teve apoio das Livrarias Curitiba e Tecnicópias.

Para comemorar, estamos disponibilizando o disco para ser ouvido/baixado no soundcloud. 

Abaixo, algumas impressões sobre o disco publicadas:


"Com 'Falsas Baladas...' o OAEOZ lança um disco que em nenhum momento parece fácil e gratuito, que para ser apreciado precisa ser tocado por vezes e mais vezes, mas que a partir do momento que você acredita nas canções, fica difícil não gostar."


"Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcança a maturidade musical em um álbum que impressiona pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos. "

Marcelo Costa, Scream Yell.


Folha de Londrina

Banda curitibana OAEOZ chega à maturidade sonora com novo álbum ‘Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada’

Mesmo que em seus onze anos de existência a banda curitibana OAEOZ tenha zelado pela imagem de uma banda bastante adulta, é com o novo álbum ''Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada'' que eles chegam, de fato, à maturidade sonora. Ao mesmo tempo em que as novas músicas estão mais ricas em arranjos, o grupo limou alguns excessos do passado, principalmente em relação aos vocais, que estão mais contidos (antes, quando o vocalista era mais expansivo, a melodia se perdia).
Nas oito canções do novo trabalho, o que se ouve é rock adulto, sofisticado, de músicas geralmente lentas, mas que também tem seus momentos agitados, com inspiração nos alternativos paulistas dos anos 80, como Ira! e Fellini. É música feita por gente normal, que você encontra pela rua diariamente, sem uma produção visual, seja no palco ou fora dele.
O confronto de músicas mostram uma banda versátil. Enquanto ''Ninguém Vai Dormir'' esbanja adrenalina rock'n'roll, ''Distância'' destaca-se como a mais introspectiva do disco. Em ''Negativa'' os arranjos são minimalistas, enquanto ''Impossibilidades'' é generosa em recursos e elementos. Esta última foi lançada como single no ano passado, assim como o folk rock auto-referente ''Uma canção Para OAEOZ''.
Este lançamento pode ser considerado de luxo, pois vem acompanhado de um outro CD, ''Ao Vivo Na Grande Garagem Que Grava'', acomodados em um elegante box de papel cartão. No disco ao vivo, a banda apresenta cinco faixas inéditas. E apesar da gravação ao vivo ser crua, em relação à de estúdio, as músicas mantêm uma alta dose de sofisticação.

Rodrigo Juste Duarte

“Guardadas as devidas proporções e diferenças musicais, as letras lembram uma outra banda de Curitiba, que também tem trabalho novo à mostra, falo da OAEOZ (www.myspace.com/oaeoz), mais veterana, com dez anos de estrada e cinco discos. As duas mostram esse “deslocamento”, essa falta de lugar em um mundo que atropela quem pára para pensar ou sentir. Esse ser é torto, tímido, “gauche”, como definiu Drummond. Vou dar um só exemplo, mas não quero que pensem que as bandas são parecidas, apenas coincidentes em certas palavras: “O fim que chega toda manhã/ quando você fica na cama dormindo sozinho”, diz a letra de “Distância”, de OAEOZ. “Todas as noites quase morro/ Para renascer cada manhã” é o início da música “Heróis”, da banda Nuvens”

Gazeta do Povo – Acordes Locais – Luiz Cláudio Oliveira


O ÁLBUM BRANCO D'OAEOZ

Dúvida! Não sei se a vida inspira os phatos ou é arte?
Teu disco me recorda a resenha do último disco da Legião que li na
Bizz, o disco era "Tempestade" e o crítico foi muito feliz no
prognóstico - acho que o papel da resenha é levar a ouvir o disco
Sonoramente teu ao vivo pega gancho no Banquete dos Mendigos no
próprio AEOZ e Pink Floyd. Melâncolico ou mórbido? Mas o título é
dúbio falsas baladas e outras canções de estrada - se vc trocar os
discos de capinha tanto faz...
Rock Adulto? Entonação oitentista (Zero) Ballet Bauhaus Novo Cinema
Alemão Rock Teatral e a maior homenagem a Nei Lisboa, o disco que ele fez com outro nome - Disco da noite/dia luz/ - o tema do sol é lindo como uma banda que me esqueço o nome agora - ramo do Bauhaus mas tem aquele outro cantor australiano que morou em São Paulo vivendo o filme das tuas palavras. "Meg & John" de Rubens K. é a minha história com outros nomes - incrível nunca tive tanta saudade dos anos 80. alguns
acordes do ao vivo também me fizeram imaginar como os "headbangers" podem ignorar teu disco, ou por quê nós somos privados da oportunidade de assistir a este show? Mas esta é a máxima da arte guardar p/
descobrir a esquizofrênia em "deserto" e é certo que o AEOZ trabalha
arduamente em suas músicas e linguagens e discos.
Dois lados um ao vivo e outro de estúdio, sabiamente via dowload - boa - bootleg ao inverso - fiquei meio desapontado quando vi que o
primeiro cd era queimado e o segundo ao vivo oficalmente presnado sem contato c/ o ar - e ouvindo entendi que era um disco de downloads coisa de fã - peguei o espírito!

(...)

tô curtindo muito o disco elétrico - conhecendo os ensaios e os
outtakes do álbum branco a gente enxerga uma similaridade até nas
coisas mais cruas - Mariana é uma música muito bonita e este
desprendimento dos arranjos da duração das faixas e ecos com Joy
division - Renato Russo - ainda não analisei o lado lírico - mas eu
gosto como vc dá as notas no vocal e o arranjo vai atrás - o
convencimento da forma - a guitarra é muito bem tocada, muito bem
dosado - minimal - os arranjos são mais sofisticados tem um piano
bonito - uma introdução diferente - parece produção da gravadora
Stilleto - por isso eu ACHO oitentista - pega o Varsóvia - pega as
nossas releituras de Rimbaud

INTRAUTERINO CAFONA SENTIMENTAL OTIMISTA ESPERANÇOSO APAIXONADO -
SOLITÁRIO - NOSTÁLGICO mas NUNCA OMISSO QUANTO ÀS RELAÇÕES É O TIPO DE
DISCO QUE A GENTE PROCURA OUVIR
Vc sabe, que eu não conheço muito de Você e o disco leva a essa
procura em saber quem é vc- então o disco é perfeito
a expresão do it yourself - explica tudinho era isso que eu queria
ouvir - apesar de eu usar bootleg com o mesmo significado.
Receber este disco já velu a pena recolocar o site no ar e é o que
estamos fazendo divulgando a música doprópriobolso.

Mário Pacheco

O texto de apresentação do jornalista Leonardo Vinhas:

Eu tinha 15 anos e sonhava em ser jornalista musical – depois que algumas aulas de contrabaixo me mostraram que eu teria “dificuldades técnicas” em seguir carreira até mesmo num “Ramones cover”. Era o começo dos anos 90, e cada descrição de um show na gringa ou mesmo na “longínqua” São Paulo (para quem morava no interior e só ia ao litoral com os pais...) valia para mim como a descrição de um épico, para dentro do qual eu era transposto graças à palavras que davam a dimensão do que eu havia perdido.
Acreditava, naquele momento, que o ofício de jornalista musical tinha a ver com saber dar aos leitores a medida exata do que eles haviam perdido, ou perdiam, não estando em determinado show, ou não escutando certo disco. E acreditava no poder transformador/catalisador/entorpecedor da música.
Hoje eu tenho o dobro dessa idade e, sendo justo comigo mesmo, continuo acreditando nesse poder da música. Mas não no jornalismo (e nem apenas no caso do musical). Cumpri meu objetivo, estive em shows, ouvi discos que ganhava de graça para resenhá-los, viajei e achei tudo isso muito frustrante e aborrecido. Conhecer os músicos era um comportamento típico da minha idealização adolescente, mas depois de certo tempo, achei melhor nem conhecer quem compunha uma canção que mexia comigo, da mesma maneira que é interessante que um fiel não conheça a vida íntima do pregador de sua fé. Os pequenos detalhes ganham demasiada importância e arruínam qualquer sonho.
A esse processo de transformação pessoal – que até aqui está restrito à música – soma-se o cinismo que parece ganhar força e tomar espaço, insidiosamente, conforme você vai abandonando a faixa dos vinte. Talvez seja uma característica de nossos tempos e nossa sociedade: começamos a trabalhar muito cedo, a dar a cara à tapa muito jovens, e a crise de meia-idade vem quando nos aproximamos do nosso suposto auge, que é a faixa dos 30 (pergunte ao seu médico, caso você já esteja freqüentando um). O fato é que quanto mais velhos, mais cínicos, e tudo parece tornar-se mais chato e menos empolgante, inclusive (e principalmente) os relacionamentos e a música. Minha geração está se sentindo velha e desesperançosa aos meros 30 anos, isso numa época em que a expectativa de vida supera os 70. Ou seja, não chegamos nem à metade de nossa existência, e já estamos rabugentos e entediados.
Aí calha que por uma série absurda de coincidências, por um ato de molecagem que parece inapropriado à sua “idade”, você faz uma viagem inesperada, cai numa cidade onde ninguém lhe conhece e você sai de lá com várias histórias para contar e até com alguns amigos. Levando ainda alguns discos debaixo do braço, passados pelos mesmos amigos.
Aí, de volta à sua casa, você escuta uma voz saindo de algum desses discos que confessa: “dizem que tenho talento para melancolia, qualquer tipo de fobia, que tenho pena de mim...” Como é que é? Eu acho que reconheço esse sentimento! Não passa muito, uma outra canção confessa que “a vida é fácil, eu é que sou complicado, sempre acabo me enroscando nesses dias tortos. A gente sempre quis ter uma vida simples, mas tudo é tão difícil quando se tenta fazer o que se quer”. Parece que todas as suas contradições adolescentes que ficaram disfarçadas sob camadas de cinismo adulto estão reveladas ali, na sua cara, prontas para ficarem reverberando até você não querer pensar mais nisso, simplesmente porque não consegue se encarar. Porém, esse mesmo disco traz uma canção sobre a estrada que, além de lhe lembrar que você nunca terá viajado o suficiente, lhe propõe que “o peso que carrego nos ombros é só bagagem”.
Foda.
Os anos passam, você passa a viajar para acompanhar aquela banda e vai vendo que, mesmo com a passagem do tempo e muitos meses de estrada, você continua cínico. Puxa, será que a música não te transformou? Será que aquilo que parecida redivivo em você foi só uma última fagulha de um brilho jovem que vai ficar permanentemente soterrado sobre essa carcaça de velho que você criou para si próprio? Live fast, die young, diziam anos atrás. Você não morreu jovem. E agora?
E agora chegam não um, mas dois discos novos dessa banda. Você nem estava esperando, mas eles chegam numa tarde rotineira, vento quente arrastando o tempo. Você tem que ir trabalhar, então coloca os discos no som do carro e nem percebe que, pela primeira vez em muito tempo, as idéias de “cinismo” e “idade” nem passam pela sua cabeça. Algumas palavras vêm lembrar que você não é mais um garoto mesmo, e daí? A esperança nunca foi privativa da juventude e, ademais, todos aqueles escritores de quem você gosta tanto, que ocupam a maior parte da sua surrada biblioteca, começaram a escrever suas melhores obras só depois dos 40. Quem é que estava preocupado com a data de nascimento mesmo?
Mas a queda do cinismo é que é mais interessante. Porque essa banda pode escrever canções a partir de uma conversa entre amigos na laje – uma canção sobre a conversa, aliás. Essa banda escreve uma canção sobre ela mesma, e a relação (não necessariamente idílica) entre seus integrantes. Caramba, essa banda escreve uma canção sobre a vontade que dá de parar com tudo e não se fazer mais o que se quer, talvez começar a fazer o que se “deve”, para evitar tantos aborrecimentos. Mas quem é que consegue viver assim? Com certeza, ninguém para quem a música importa algo conseguiria fazê-lo.
Você começa a andar com os discos na mochila (trinta e poucos anos, e ainda sai de mochila por aí?) e começa a ouvi-los quando dá tempo. Ninguém – seus “colegas” de trabalho, conhecidos, parentes – entende porque você escuta essas canções sem refrão, sem distorções óbvias ou ganchinhos saltitantes. Mas tudo bem. Eles passam suas noites de seu modo ordinário, enquanto o disco lhe recorda que “ninguém vai dormir” enquanto tivermos vontade de fazer algo mais substancial. Mesmo que estejamos de olhos fechados.
É quando você abre os olhos e vê que você mesmo está sorrindo. Sem cinismo.

Leonardo Vinhas

7/17/2018

Quarteto de Curitiba lança segundo single com texto de Mário Bortolotto








“Do lado de cá da cidade” foi adaptada a partir de poema de
escritor e dramaturgo londrinense publicado originalmente em 1997

“Do lado de cá da cidade” é o segundo single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). A nova canção é uma adaptação de um poema do escritor e dramaturgo londrinense radicado em São Paulo, Mário Bortolotto, fundador do grupo de teatro Cemitério dos Elefantes. O texto foi publicado originalmente no livro “Para os inocentes que ficaram em casa”, de 1997.
Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a segunda de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci. A gravação teve ainda a participação especial de Rodrigo Marques tocando baixo acústico. O primeiro single, “Sem acreditar”, foi lançado em maio último.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - guitarras e piano
Ivan Santos – voz


Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci

Participação especial
Rodrigo Marques – baixo acústico

Do lado de cá da cidade
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Letra – Mário Bortolotto
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno2@gmail.com

5/02/2018

De Inverno lança "Sem acreditar", primeiro single de Santos Marti Amatuzzi & Castel







“Sem acreditar” é o primeiro single de “Santos Marti Amatuzzi & Castel", grupo de amigos e músicos de Curitiba formado por Ivan Santos (voz), Martinuci (violão, piano, guitarra), Igor Amatuzzi (baixo e sintetizador) e Luigi Castel (edição bateria, mixagem, masterização). Lançado em formato virtual pela De Inverno Records, o single é a primeira de quatro faixas gravadas por Igor com a direção musical e arranjos de Martinuci.
Parceiros antigos, os quatro tem longa história na música alternativa paranaense. Ivan foi vocalista e compositor da banda OAEOZ, que fundou em 1997 ao lado de Igor, e é criador, junto com a jornalista Adriane Perin, do selo De Inverno e do festival Rock De Inverno. Martinuci encabeça o projeto Stilnovisti. Luigi é produtor com larga experiência em direção de áudio em eventos como o festival Psicodália.
Ivan e Martinuci integraram a extinta banda IMOF, que lançou dois EPs e um single entre 2012 e 2016. Com o fim da IMOF em 2017, os dois chamaram Igor para registrar composições inéditas e versões novas de músicas já editadas pela antiga banda. Para completar, Luigi se integrou ao grupo, participando da produção, edição de bateria, e sendo responsável pela mixagem e masterização.
“Sem acreditar” é uma composição original de Ivan em parceria com Martinuci. A letra fala de abrir mão da crença como estratégia de libertação e sobrevivência. “É o fim do desejo/do medo/da solidão/de pensar/que existe algo além”.

FICHA TÉCNICA:
Santos Marti Amatuzzi & Castel
Martinuci - violão, guitarras e piano
Igor Amatuzzi - baixo e sintetizador
Ivan Santos - voz
Bateria:
Produção – Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Concepção – Martinuci
Sem acreditar
Composição - Ivan Santos/Martinuci
Produção – Martinuci, Igor Amatuzzi e Luigi Castel
Produção executiva – Ivan Santos
Arranjo e direção musical - Martinuci
Gravação – Igor Amatuzzi
Edição- Igor Amatuzzi, Luigi Castel  e Martinuci
Mixagem e masterização – Luigi Castel
Fotos – Pri Oliveira (Ivan); Guilherme Grudina (Igor); Eve Ramos (Luigi).

Serviço:
Lançamento digital do single “Sem Acreditar”, de  Santos Marti Amatuzzi & Castel
De Inverno Records
deinverno.blogspot.com.br
deinverno2@gmail.com

4/18/2018

sobre não parar



Tento pensado sobre essa incapacidade de parar! A mente, o corpo e o ser. Hoje fui para Yoga, outra etapa nessa busca. Nela, que é bem recente na minha vida, tenho tentado esquecer o tempo, sair de fora de mim e encontrar o centro do corpo, o ponto em que consigo manter o equilíbrio, físico. É quando, claramente, me sinto mais perto de algo que vislumbro ser o que identifico como serenidade. Noto sinais aqui e acolá, são pistas mesmo. Nas biografias que leio – como a mais recente, do impressionante monge Leonard Cohen, que me fez chorar tão profundamente que até me assustei -; no quintal e até no incenso de determinado orixá que escolhi pela primeira vez sem saber porquê. Ou nas palavras que pedem que atentemos para o coração - e não na respiração, como sempre fiz. 
Alta e fina!
Talvez não tão alta assim.
Olho ela mesmo sem estar a sua frente.
Olho ela, intrigada.
Corpo esguio
Pequena.
Parece mais alta do que é.
É a postura! Ereta no centro do corpo
Linha central sempre impecável!
Não tem modos ou vestígios de bailarina. Seus movimentos são outros, deixa escapar ...
aqui e ali
nisgas de uma certa impaciência mal disfarçada.
Rio, ao pensar nisso.
Tem algo nela que me faz querer saber mais.
É seu corpo.
É seu corpo?
“Ouça o coração”. Procure o coração.
Sinta o coração flutuar boiando no primeiro pedaço de uma possível existência
E no último pulsar do que se realizou, enfim!
Ela se movimenta, pouco, pela sala.
Fala baixo, mesmo quando escapa de si.
Te fiz meu objeto de observação (apreciação)
por pura inquietude,
não mais que isso.
Pela pura curiosidade de desvendar-me em outras filosofias vagas, talvez.

Me sinto tateanto.  Às vezes, como ontem, em alguns momentos acho que está tudo perdido mesmo, que é meu jeito não conseguir parar e que tenho que continuar convivendo com essa mente barulhenta. Noutras, uma pequena surpresa, tão inesperada quanto desejada, se dá e posso, por exemplo, de pernas pro ar, sentir uma plenitude, o vislumbre da tranquilidade que sabe (e o traduz por segundos) onde está o tal ponto de equilíbrio/centro do corpo, compreensão tão mais importante pra nós agora, me parece. Foi efêmero.  É efêmero. E se basta em sua efemeridade.  Pois é o suficiente para passar por mais um dia, alguns instantes sem pensar em alguma lista de coisas para fazer (elas sempre estarão lá, afinal, não importa o quanto eu faça!!)
Até os passarinhos estão quietos
É como se o dia continuasse a dormir
Enquanto me explico,
replico
explico
revolta em um mar de eus
que se debatem
nessa escuridão gelatinosa de placenta
pedaços de ‘mins’
massacrados por quereres
por quereres...
e eu explico
me replico
quanto menos me reconheço a braçadas largas
cuspo e me vomito
em uma desintoxicação de mim mesma.
Escorrego pra baixo da coberta e me encolho.
Nada existe, neste momento.
O nada existe,
(e) o ser em nada resiste.

Me sinto tateando em meio a ilusões de certezas. E lembro até da fábula da  Sapatinhos   Vermelhos e da garotinha tão deslumbrada, tão  ávida por não perder nada que acaba... se perdendo. Na primeira vez que li, senhora Clarissa, achei cruel, malvado mesmo. Estava tentando reconstruir-me dos ossos, cantando. Rsrs. Eu não sabia disso. Uma parte de mim desconfiava disso, sem saber. Tantas foram as vezes em que minhas antenas me desvirtuaram para fora de mim... quantas vezes ainda o farão...
Sim, me sinto tateando, portanto. Rouca e quase sem voz.
Abro um caderno velho e encontro a sua letra
Em palavras garrafais ela me diz que tudo acabou
Depois, mais calma, me conta alguns segredos esmagados
e que foram esquecidos
Mexo e remexo o pé nervoso e fecho os olhos para lembrar
Mas tudo que consigo é não notar que o tempo nos levou para voos de Ícaro
Sempre é possível voltar.
Querer é que é a razão.



3/10/2018

bem depois de tudo

o tempo passou e nasceu em mim essa saudade do que não vivi a seu lado
essa falta de respostas para perguntas que não fiz
às voltas com dúvidas sobre você que só surgiram bem depois de tudo
eu não quis assim
só que essa sensação tampouco pediu para entrar
e me vi à mercê (de você)
"você" no plural
acontece que nem sempre tive coragem
e então fecho a porta.


menininha

Ah, eu te amava...
mas, eu não podia te amar
você era uma criança, diziam,
e eu um rapaz
que gostava de pintar
curtia John Lennon
Charles Chaplin
e de jogar bilhar
tantos tempos já se foram
que de você nem lembro mais
mas, tem dias serenos assim
e neles volto a te encontrar
em algum canto escondido de mim
claramente sinto
que lá você está.
um dia ela acordou assim, doida pra jogar poesia por aí.

ao lado dela

será que me vejo, mesmo, em tuas páginas?
ou será apenas outra ilusão?
um passeio de carro
e pelo vidro da janela voltas à felicidade infantil de outrora
tua é a guia que me leva
e deixas ir
vais e vou
não vamos, mais... nem tanto assim!
escolha ficar
decida partir
deslize os dedos
e refazes o caminho
na pele eriçada de pelos pretos
e abundantes
que ondulam enrolados
Será que me vejo?
as afinidades me espantam
uma em milhares
eu, diante de você
você construída/eu desconstruindo
(n)as pequenas combinações
e (n)os grandes pensamentos
luzes distantes "alumiando' possibilidades
vagas ilusões de uma doce distração
doces distrações de uma vaga ilusão
flanar, flanamos
e não só!
quando encontro com ontem, eu gosto.
hoje, nem sempre?
de amanhã, não sei.
mas, acordo contigo
e ao lado dela.

cansado

Você está cansada.
Possivelmente.
Mas não desse cansaço primeiro que aparece
As coisas feitas trazem um cansaço bom
o que não fiz, e quis muito fazer,
o que não fiz, e precisava muito fazer,
por mim,
é que provoca esse cansaço nostálgico, esse gosto na boca,
que fica
indo e vindo na mente que não quer dormir
dizendo
gritando, às vezes,
chacoalhando pra ver se te acorda
esse cansaço que vem das vontades mais importantes não saciadas
... é ele que te acorda um belo dia
e te empurra com força.
pra onde, isso é  com você.

7/12/2017

Rock de Inverno 3: parte 1



Rock de Inverno 3:
Há 15 anos, nos dias 19, 20 e 21 de julho, o 92 Graus ferveu com a terceira edição do festival
Existe uma fase da vida que a gente tem a impressão que o tempo não passa nunca! Um ano durava um século e o tempo da ‘miss Brasil 2000’ era algo quase impensável de tão longe que parecia. Ao menos era assim pra mim. Agora, começo a contar os aniversários das realizações importantes da vida profissional somando números em uma conta que, sempre que faço, me causa espanto – e alguns sorrisos solitários embalados pelo barulho das teclas do computador e pelo desejado silêncio que permite organizar as ideias e informações.
Na próxima semana, nos dias 19, 20 e 21 de julho, mais especificamente, a terceira edição do Rock de Inverno, já com o epíteto “Mostra da Música Independente”, completa 15 anos! Uau: 15 anos, desde aqueles três dias de intenso frio que não foram nem percebidos dentro do porão mais acolhedor que Curitiba já teve! Não era a primeira vez que a De Inverno ocuparia aquele espaço ao mesmo tempo tão sagrado e profano, mas era algo muito especial fazer ali o festival criado dois anos antes e que carregava em seu DNA a inspiração impregnada em nós ali mesmo naquele ambiente enfumaçado e quente, onde nos esquecíamos de tudo mais para nos concentrar em alguns dos melhores momentos das nossas vidas.  Sim, foi no Espaço Cultural 92 Graus, no original, ali no nada insuspeito número 294 da Visconde do Rio Branco.  Era um ponto alto pra nós fazer o Rock de Inverno no  92! Uma forma de reconhecer ao JR, seu Geraldo, d. Claudete a importância deles pra gente, uma forma de dizer obrigada e de também demonstrar nossa disposição em ajudar e mover esses pesados, porém tão inspiradores moinhos. 
E que edição foi aquela. Aliás, vamos falar a verdade: que ano foi aquele – e o seguinte - para a música autoral curitibana, com várias cenas atuantes e uma programação de festivais de fazer inveja aos dias de hoje. Rsrsrs.
Bom, esta foi a edição em que conseguimos concretizar um passo que estava nos planos desde o começo: estabelecer uma conversa com as novas gerações nacionais da produção alternativa. Desta forma, com o imprescindível apoio da Fundação Cultural de Curitiba, patrocinadora do evento, conseguimos trazer não apenas as bandas Casino (RJ), Hurtmold (SP) e Pipodélica (SC), como também jornalistas dos principais veículos de comunicação da época, incluindo MTV, na pessoa do Rodrigo Lariú, que aproveitou a temporada para conversar com vários artistas daqui; Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, TV Educativa de Minas (programa Alto Faltante), para ficar entre os principais entre os 22 convidados da imprensa.
Também estão ali registrados no material gráfico nossos demais parceiros, a livrarias Curitiba, a 96 Rádio Rock/Helinho Pimentel e Rádio Educativa (confesso que não lembro como foi este apoio). Não tem como não falar da FCC, que deu, efetivamente, as condições pra gente (toda a cena) ‘efervescer’.  Foi um momento em que os gestores – cito aqui Cassio Chamecki, Leandro Knopfholz  e Janete Andrade, em especial estes dois últimos, com quem tratei diretamente todo o processo  -  deram um olhar contemporâneo para  a produção cultural de Curitiba.  Nesta gestão nasceram projetos muito interessantes, entre os quais o Circuito de Festivais, do qual o Rock de Inverno fez parte – e depois os inesquecíveis Curitiba Pop Festival e Curitiba Rock Festival. 
O 92 (quase) ficou pequeno, e a energia quente que rolava derrubou a luz três vezes no show da Aaaaaamalencada, sem que ninguém arredasse o pé.  Foi também um momento em que dissemos nosso muito obrigada para a cena do 92 Graus, a que escolhemos para chamar de ‘nossa’ (rs), ao convidar Magog, para um retorno histórico, e Relespública, de volta ao trio original. Tudo registrado pelas lentes de outra pessoa importantíssima para isso tudo, o fotógrafo e videomaker Marcelo Borges.  
Nossa programação ainda teve as novatas Criaturas e Poléxia ((ah, se orgulho matasse...rs); Svetlana (já que não tínhamos um piano pra colocar o Wandula no 92. Rsrs). Completaram a escalação: OAEOZ, Sofia, Volume, Excelsior, Pelebroi Não Sei (o que foi este show!! Os jornalistas de fora ficaram aos pés do Oneide!! Hehehe) e Lorena Foi Embora...  Além do já tradicional kit de imprensa, com releases e a coletânea com uma música de cada banda participante, enviado para imprensa nacional, os shows foram gravados e se transformaram em um cd ao vivo e um documentário em VHS, com direito a entrevista com as bandas.
E neste ponto chegamos ao grande momento: o documentário em VHS foi digitalizado pelo Marcelo Borges, que também está mexendo em seu precioso acervo.  E foi isso que me fez cair a ficha dos 15 anos, quando olhei a data.  Então, vamos celebrar junto esse pedaço da história da música brasileira escrito 15 anos atrás?! Um brinde a todos que participaram e ajudaram a fazer este belo capítulo da história da música paranaense e brasileira!

Nesta e na próxima semana eu vou lembrar na página da De Inverno Comunicação no Facebook um pouco desta história e postar os links para o documentário, em três partes.   Não espere nada. Comece ouvindo a coletânea que, aliás, tem as inéditas: FAncy Dress, da Svetlana, e Bonde 77, da Relespública, gravadas especialmente, por Lucio Machado e Luciano Vassão, para a coletânea! 

6/15/2017

sem você

Pois sem você
o tudo que eu era
agora não sobra
e, só pra depois me arrepender,
vou dizer olhando pra você, amor,
e fechar a porta sem um olá
pra deixar só esquecer
cansado dos dias
olhares amargos
palavra arrastada
arrasada
'pra ser parecido
tem que ser muito diferente'.