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8/12/2010

"Música é mais do que matemática"

"Só creio que infelizmente estamos baseados nos dois problemas que, pra mim, estragam a música: resultado e técnica. Sei que fiz muito pra entender dos dois, e lidei muito com isso (e ainda vou continuar lidando), mas a sinceridade as vezes não vem a tona se esses dois fatores entram na frente. Não julgo quem gravar uma música, já fazer MySpace, tirar foto, fazer clipe, fazer projeto pra Funcultura, querer tocar em festivais, querer lançar discos ou online, aparecer na tevê, dar entrevistas, fazer tournées mundiais em que interessa o nome da cidade e país, e não pra quantas pessoas se toca, não seja nada mais do que resultado, nenhum mérito se tem em aproximar do que já foi feito para atingir metas de quem teve o mesmo caminho, e tirar onda com isso tudo, achando-se importante e relevante para a música. Pois não o é, mesmo. Talvez, por algum motivo, possa impressionar as pessoas, possa iludir sobre o resultado, possa passar sentimentos positivos. Só que não canto uma música recente há tempos. Não me fica na cabeça melodias de discos novos, há anos. Ano passado, Radiohead. Ontem, só Chico Buarque. Continuo ouvindo aqui na memória coisas do passado, às vezes distante. Algumas perdidas, algumas canções, mas é bem pouco pra quando se tinham discos com todas as músicas cantáveis, ou músicas compostas há séculos que ainda mexem profundamente com alguma coisa que não temos compreensão. Em épocas de discussões acirradas por aqui, acho bom relembrar que música é mais do que matemática, e isso que estamos vivendo: formulas técnicas, de produção executiva, de resultados, de falsos méritos. Ainda assobio “Vassourinhas” quando passo em Olinda no carnaval."

trecho da excelente entrevista do produtor Iuri Freiberger no Scream Yell.
Leia a íntegra aqui.

9/11/2009

Sem pressão, só na expressão!

Jornal do Estado/ Bem Paraná


Jards e Maria Alcina prestam sua reverência ao Kid Morangueira (foto: Divulgação)


Maria Alcina e Jards Macalé se encontram pela primeira vez no palco em Curitiba, em projeto que homenageia Moreira da Silva, no Teatro da Caixa


Adriane Perin

Nove e meia de uma sexta-feira não é lá um horário dos mais apropriados para marcar uma entrevista com um músico. A não ser que seja para falar com Jards Anet da Silva, o Jards Macalé. “Sou um trabalhador”, diz com sua voz grave. Ele tampouco vai atrasar o outro encontro que tem marcado em Curitiba, este ao vivo no Teatro da Caixa, hoje. Com ninguém menos que Maria Alcina, revivida e pronta – como sempre esteve. Eles vão prestar reverência a um conhecido de todos, Antônio Moreira da Silva, o Kid Morengueira, ou ainda Moreira da Silva, amigo de Macalé, que com Maria Alcina dividiu palco. O espetáculo itinerante “Homenagem ao Malandro” começa aqui e depois vai para São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Para Macalé, amicíssimo de Moreira da Silva, é uma “junção quase que obvia, porque comecei a tocar com ele no Projeto Seis e Meia no Rio. E a Maria Alcina também fez parceria com ele em algum momento”. “É a primeira vez que estaremos junto no palco e sob as bençãos de Moreira da Silva, que uniu a gente de certa forma. Estou fazendo uma preparação com o Sergio Arara, que vai me acompanhar no violão. Temos conversado e organizado tudo com o Macalé pois teremos alguns números juntos também”, completa ela. “É uma preparação difícil porque o material do Moreira é bem incomum, muito personificado. Para eu cantar, preciso observar detalhes, arranjos, porque ele foi muito único e em sua obra, a toda hora a gente encontra abertura”, pondera a cantora que conheceu o autor de “Ghodan City” na época dos festivais da canção, nos anos 60 e 70, nos quais ambos se lançaram.
Começo — Macalé lembrou o projeto de Albino Pinheiro e Hermínio Bello de Carvalho, que convidava duplas para fazer shows especiais em um horário pouco usado do Teatro São Caetano, no Rio de Janeiro, em meados dos anos 70. “A imagem que ele tinha de mim era do menino de Gothan City, um rapaz cabeludo e barbudo, mas ali eu já estava com outra aparência. A empatia foi muito rápida”, conta Macalé, dono de uma carreira discográfica espaçada, mas que sempre que lança algo é um disco de valor. O mais recente, Macao, “ foi mais Macalé canta Moreira, pois é todo com repertório dele”, diz, sobre o lançamento da Biscoito Fino. Macalé é do tipo que faz várias coisas ao mesmo tempo. Vai compondo, “não tenho aquela pressão, só expressão”, diz. Sempre identificado como contestador por sua personalidade pouco afeita à facilidades musicais, já foi tido como maldito, termo que parece banido do vocabulário da nova geração de jornalistas, mas que já foi muito usado para definir artistas de personalidade “dispensados pelo mercadão”. Ele tem ciência do posto que lhe cabe. “Éramos contestadores até por provocação. Mas agora, digo que faço a diferença justamente por fazer a diferença diante de todas as coisas; por gostar do risco. Minha música já sai, não digo estranha, mas de uma forma em que para que ela apareça tive de me arriscar. Sempre foi assim”, pondera. Também se arriscou no cinema, teatro. “Agora por exemplo estou rodando o Cine Macalé, filme com trechos de filmes que fiz como ator ou músico – ou que assinei trilha sonora. No projeto em dvd eu interajo cantando ao vivo. O dois está saindo com novas informações, inclusive com super - 8 que fiz. Sempre gostei disso”, conta.
Ele também foi tema do documentárioJards Macalé: Um Morcego na Porta Principal, que ganhou o prêmio do juri do Festival do Rio de Janeiro. Também está circulando um curta metragem que conta a história de sua prisão em Vitória do Espirito Santo no projeto Pixinguinha, quando cantava em parceria com Moreira da Silva, aliás.
“Conto essa historia no show, espera para ouvir lá”, pede este homem de muitas linguagens que também está, como homenageado, em mostra no Centro Cultural Helio Oiticica, no Rio. “Todas essas linguagens andam muito próximas para mim. Lá está a “Macaléia”, que ele fez para mim”, conta.

Muito mais do que só o confete e a serpentina
Maria Alcina conta que a música de Moreira da Silva sempre esteve “na cabeça desde menina”. “Era meio cinema, como se fosse uma criança brincando de cantar, de fazer cinema... O Sergio Arara com elementos eletrônicos traz a chance de reproduzir esses sons”, considera. “Eu e Moreira temos um humor, que ficou claro no projeto Pixinguinha nos anos 80. Com 38 anos de carreira tenho que olhar meus arquivos. Fazendo isso, percebi que quem uniu a gente lá, já sabia que dava ritmo. E Macalé... ele é meu ídolo...”. Ela lembra ainda de um trabalho que fez com Moreira na famosa casa de shows carioca O Beco. “Não fiz nada, só cantava e ria. Tudo dava certo, eu tava com 24 anos...”.
Mineira, vem de um pai que sempre gostou de música e estimulou, os homens, da família a cantarem.“Sou filha de operários; na minha casa não tinha rádio, mas eu buscava a música na casa do vizinho”. Mas, uma moça cantando era bonito só até um ponto. Ela fez dupla com um amigo do pai, mas quando a coisa ganhou ares mais sérios... “Não teve jeito, aquilo vai te margeando, o dom vai achando seus iguais. Fiz apresentações em teatro, igreja, festivais até vir para o Rio”. Veio para a gravação de uma trilha sonora, encontrou o Antonio Adolfo, que já a tinha ouvido cantar, e ficou.
A partir daí, a dona do vozeirão grave, que destoava das vozes nem sempre macias, mas sempre agudas das principais cantoras brasileiras a partir dos anos 60 (modo que hoje soa só enfadonho), ficou conhecida. “O artista precisa ter uma marca e o diferencial foi meu timbre, o que me deu oportunidade. É isso e é o contrário também. Porque agora preciso expandir minha voz. Quanta coisa que ainda tenho para fazer”.
Seu sucesso veio de uma música que pegava também pela irreverência, pelo deboche no jeito de cantar, se portar, de brincar fazendo música séria. Assim, ela conquistou pelo menos duas gerações. Mas, sabe como é a memória do brasileiro, ela saiu da midia. E eis que um representante daquela geração se encarregou de trazê-la de volta, pelo vies de sua própria memória afetiva. Foi a banda Bojo, em especial Maurício Bussab, sempre citado por Maria Alcina, quem a trouxe a tona outra vez.
Ela não é do tipo que fica remoendo sentimentos e avalia tudo com tranquilidade. “A midia muda, não é a gente que sai dela. Nessas mudanças a comunicação necessita de outras informações, outros aparatos. A gente é um produto e quando é hora de vender outro... eles te tiram da prateleira. Tive o infortúnio de ficar quase 20 anos sem gravar, mas sou uma sobrevivente muito forte de uma coisa obscura, que nem eu sei o que tenha sido, porque muitas veze cheguei a fazer repertório para discos que paravam”, conta. Diz que nem teve tempo de pensar nisso. Saia de uma situação desagradável e buscava algo melhor. “Olhando hoje, só estou aqui porque não parei lá atrás. Sobrevivi como pude, andei como deu, comi o que tinha e não saí da profissão”. Sem tempo para lamúrias, não lhe faltou trabalho . “Sem gravar você fica fora de muita coisa, mas tive que aprender a sobreviver no palco, porque nem todos que estouram tem essa experiência”, observa ela, que pegou cancha em apresentações no picadeiro.
Novidade — Maria Alcina traz na bagagem – e vai vender depois do show – um belo disco, Maria Alcina Confete e Serpentina. Foi uma sequência de coisas boas, com o empurrão da internet que abriga tudo que gravou. Até chegar a 2003 e o projeto de Alex Antunes – que lembra aquele lá que colocou Macalé e Moreira da Silva cara a cara no anos 70 -, Com:Tradição, que promoveu o encontro de artistas de ontem e de agora. Maria Alcina fez par com o Bojo – ou foi o Bojo que fez par com Maria Alcina? Não importa, o certo é que dali em diante voltamos a ouvir falar dela. “E aí o bicho pegou”. Do show veio um Cd e a parceria com Bussab andou. É dele a produção desse disco novo no qual Maria Alciona faz o que colocou como meta: “expandir-se”. Uma Maria Alcina diferente daquela que a minha geração cravou na lembrança se mostra desde o começo. É um disco para ouvir – e Maria Alcina, na nossa lembrança, ou na minha, de criança, era para ver também. “Nos outros trabalhos têm isso também, mas é que o meu lado da alegria era muito forte. E não tive a chance de mostrar os meus outros lados. O Maurício trouxe a Maria Alcina inteira. É confete e serpentina? É. Mas no carnaval também tem gente chorando no salão”.

Serviço
Homenagem ao Malandro. Dias 11e 12 às 21h e 13 ás 19h. R$20 e R$10 Teatro da CAIXA
(Rua Conselheiro Laurindo, 280). Informações: (41) 2118-5111

9/01/2009

Alegria de tocar para sua gente

Jornal do Estado/ Bem Paraná

O chorão Altamiro Carrilho faz o lançamento de 4 DVDs e diz que ainda tem muito show para fazer (foto: Divulgação)

Altamirro Carrilho renova seu prazer em tocar flauta e festeja os brasileiros

Adriane Perin

Oitenta e quatro anos, 70 de carreira musical. Cem discos gravados e perto de 200 composições assinadas. Estes são alguns dos numeros em torno daquele que é considerado o último dos mestres chorões que pode dividir com a gente sua experiência e prosa. Altamiro Carrilho está em Curitiba para o lançamento do projeto A Fala da Flauta, composto por 4 Dvds e um livro, organizados por Andreas Pavel, que traz os DVDs “Primeira e Segunda Noite em Niterói”, “Uma Vida na Flauta” e “Esse Sou Eu”, filme de Ana Suttor, com o making of das gravações.

Inicialmente estava cá com meus botões ansiosa sobre possíveis perguntas. Ele atrasou um tantinho a entrevista, mas chegou ao telefone acalmando minha intranquilidade e tomando as rédeas da conversa. Logo foi dizendo que gosta de tocar em Curitiba porque é um povo muito musical. “Fiz no Guairão um concerto musical popular e clássico”. Para ele, aliás, não tem essa história de música erudita ou popular. Tem é música boa. A convite do Sesi Paraná ele se apresenta ao lado de Pedro Bastos (violão 7 cordas) Mauricio Verde (cavaquinho), Éber de Freitas (bateria e percussão) e Luis Américo (violão). Carrilho contará também com as participações de Sérgio Albach (Clarinete) e Trio Catuaba Brasil, ambos residentes em Curitiba.
A seguir trechos da conversa, sob o pulso firme desse alegre senhor.

Música erudita e o choro
O indivíduo que gosta de música erudita forçosamente vai gostar de choro, porque ele é todo baseado nas sonatas de Bach, nos concertos de Tchaikovsky , Bethoven. Tudo da mais alta qualidade. Bethoven era chorão, “Pour Elise” é um choro, basta colocar pandeiro, cavaquinho, instrumentos que o choro incorporou. Até já gravei em ritmo de choro e dá a impressão que foi sempre assim. E, agora os jovens estão descobrindo o choro como opção para tocar boa música sem precisar estudar 10, 12 anos. Porque pra tocar concertos tem que ter essa experiência, o domínio de pelo menos 8 anos do instrumento.

Ritmos populares
Pouca gente tem esse dom, chamo de dom, de assimilar bem ritmos populares. Quase que 90% da nossa música se deve à dita África e foi uma mistura fantástica essa. Uns especialistas em percussão e outros especializados em harmonia e melodias bonitas. Outra coisa que interessa a todo instrumentista é saber improvisar. Quem sabe sair de um tema sem perder a linha a harmônica leva muita vantagem e o público também agradece não ser repetitivo.

Jazz e outros gêneros
Gosto de tudo, só existe um tipo de música: a música boa, de quaquer gênero. Não podemos classificar de ruim a música que não gostamos, mas milhares de pessoas gostam. Mas, também tem muito barulho com nome de música no mundo inteiro. E existem adeptos. Então, como diria o outro: o que seria do amarelo se não houvesse o mal gosto (risos).

Bom humor
Eu tento passar isso para o público nos títulos jocosos, por exemplo. No show, ninguém quer sofrer. E tenho uma convivência muito boa com quem toca comigo. Mas, para ser músico bom tem que ter boa cabeça, além de talento. Acima de tudo tem que ser um indivíduo intelectual, mesmo que não tenha cursado faculdade. A música obriga isso.

66 anos de música?
Não, são 70 anos de música, comecei aos 14 anos; e já era profissional. Dentro da minha biografia gravei com Moreira da Silva quando menino ainda e ele teve que conseguir autorização da polícia. E dali fui ficando mais conhecido, com meus discos e acompanhando os grandes mestres; os melhores cantores, Orlando Silva, Francisco Alves, Vicente Celestino, Carlos Galahardo, Isausinha, Jorge Veiga, Trio de Ouro, Dalva de Oliveira. .... é muita gente.... Elizete Cardoso, Elis, ela era um espetáculo. A meu ver a melhor de todas, porque almoçava, jantava e lanchava música.

Bom de conversa
Eu falo bastante e fui aprendendo muito com as viagens pelo exterior. Fiz quase os cinco continentes. Até em Israel eu toquei. Recebi um papel em hebraico e me disseram o som que teria em português. Levei uma semana pra decorar, mas fiz a saudação. Só que , depois de uma certa idade, a idade do condor, tive que aceitar o conselho médico e diminuir minhas travessuras. Naturalmente, hoje já não tenho tanta resistência. Na execução da flauta tenho ligeiras limitações nas músicas mais puxadas na respiração. Porém, nunca parei de estudar e exercitar.

A Fala da Flauta
São seis horas de concertos, documentário, entrevistas antigas, apresentações especais, gravações de estúdio. O público vai saber como é uma gravação lá bem junto da gente, ouvindo até as bobagens que a gente fala. Só mandei tirar um palavrão, porque plateia não tem que ouvir palavrão. Eu não parei. Só quando papai do céu chamar. Fico tão feliz quando entro no palco que parece que tô recebendo um presente. Mas, agora priorizo tocar no Brasil. Sou o contrário, gosto mais de tocar para minha minha gente. Pros gringos toco pelos dolares (risos).

SERVIÇO
Altamiro Carrilho. Dia 01 às 20h30. R$20 e R$10. Cietep ( Av. Comendador Franco, 1.341).

Biografia ou livro de fã?

Jornal do Estado/Bem Paraná

Mesa redonda de hoje, na Bienal do Livro reúne Arnaldo Bloch e Ruy Castro,que deu uma entrevista por email. Fernando Morais teve que cancelar sua participação por questões relacionadas a seu novo trabalho

Adriane Perin

A 1.ª Bienal do Livro de Curitiba segue até dia 4 de setembro com muitas opções; nas manhãs e tardes, voltadas à educação e também conversas descontraídas no Café Literário. Os começos de noite oferecem mesas-redondas e, depois, pocket shows e . Hoje, o assunto é biografia, com participação de Arnaldo Bloch e Ruy Castro. Fernando Morais, infelizmente teve que cancelar sua participação por questões relacionadas a seu novo livro. A mesa foi batizada de “Biografias: Vida Privada, Bisbilhotice, Marketing, Exemplo, História” e começa às 19h30, em um dos anfiteatros do ExpoUnimed, que abriga os encontros e os stands da Bienal (que, infelizmente, ficaram devendo para que esperava encontrar alternativas ao que está nas livrarias).
Ruy Castro respondeu algumas perguntas por email.

Jornal do Estado — O que você considera mais dificil para um biógrafo brasileiro. Me parece que possíveis biografados são arredios e falta compreensão de que suas histórias são também de interesse público.
Ruy Castro — Não posso falar por outros biógrafos e por seus biografados. No meu caso, nunca tive problemas no começo do trabalho - mesmo as filhas do Garrincha [com seus maridos, que eram quem mandava na história] pareciam muito contentes em saber que eu estava biografando o pai delas e, dentro do pouco que sabiam sobre ele, colaboraram bastante nas entrevistas. Depois, quando o livro estava para sair, seus advogados vieram com aquele processo. Ou seja, houve má fé deles na jogada. Mas não vejo personalidades arredias. Ao contrário, vivo recusando “encomendas” de gente famosa e importante que gostaria que eu os biografasse. Não entendem muito bem quando digo que não aceito encomendas, muito menos de vivos.
JE — Por outro lado, também tem muitas biografias servis. Nas estrangeiras o que se vê é o esmiuçar das vidas dessas personalidades de uma forma impressionante, sem a preocupação de se algo vai denegrir a “imagem” do biografado. Por exemplo, na de John Lennon, o autor diz que ele tinha tesão pela mãe. Na dos Rollings Stones, as brigas entre os integrantes são abordadas sem meios termos. Já na biografia do Renato Russo, por exemplo, publicada recentemente, o autor não trata do homossexualismo, assumido, do compositor, nem do filho que ele teve com uma pessoa de quem não se sabe nada direito. Posto isso, quais são os limites de um biógrafo? Como se relacionar com quem “guarda a imagem da pessoa pública”?
Castro — Mas a “biografia” do Renato Russo será uma biografia ou um livro de fã? Favor não confundir. Assim como a maioria das “biografias” que se publicam por aqui - é tudo livro de fã. Para um biógrafo de verdade, o único limite deve ser: Essa informação é verdadeira? E tem relevância na narrativa? Se as duas respostas forem sim, ele deve publicar.
JE — Acho que o Brasil tem muitos possíveis biografados ainda - mas proporcionalmente poucos “biógrafos profissionais”. É um nicho de mercado que ainda tem muito o que render, não achas? O consideras mais importante amadurecer neste segmento? E em relação ao público?
Castro — O biógrafo precisa ter a confiança do seu editor e algum dinheiro para trabalhar [porque é um trabalho que exige tempo integral]. Quanto ao público, precisa ser instruído sobre o que é uma biografia, um perfil ou uma memória. [Por exemplo, o belo livro da Helena Jobim sobre seu irmão Tom, O homem iluminado, não é uma biografia, mas uma memória. A de Nelsinho Motta sobre o Tim Maia, de certa maneira, também]. E os resenhistas dos jornais precisam parar de resenhar o personagem e passar a resenhar a biografia.
JE — O caso do Roberto Carlos foi emblemático, é difícil não falar dele.
Castro — O caso desse livro é um equívoco só, a começar pelo próprio livro. Antecipei para o Paulo César Araújo o que aconteceria - e, infelizmente, aconteceu. Fez um livro todo a favor e mesmo assim foi perseguido, como previsto.
JE — O que você acha que pode acontecer, legalmente falando, depois do episódio da proibição do livro?
Castro — Acho que nada vai acontecer. O livro só voltará às livrarias se o Roberto Carlos “deixar”...
JE — Qual foi a sua biografia mais difícil pra você fazer. Por quê?
Castro — Disparado o Carmen - Uma biografia. Pela dificuldade de encontrar pessoas que tivessem convivido com Carmen Miranda enquanto ela morava no Brasil. Essas pessoas precisariam ter pelo menos 19 anos em 1939, que foi o ano em que ela foi embora para os Estados Unidos. Ou seja, precisavam ter nascido até 1920.
Como tive a idéia do livro em 2000, significa que, naquele ano, seriam pessoas de 80 anos para cima. E onde eu ia encontrar tanta gente com essa idade, que tivesse conhecido a Carmen Miranda e estivesse lúcida para falar?
Pois, no decorrer de quase cinco anos, encontrei dezenas de pessoas.
JE — Como é que você faz a escolha de alguém para ser seu biografado? Já teve muito problema para ter acesso a materiais?
Castro — Escolho um biografado pela admiração que tenho por sua obra e pela curiosidade que tenho por sua vida.
Como disse, o maior problema que tive no “Carmen” foi levantar material sobre sua fabulosa fase brasileira — sua infância na Lapa, sua vida de adolescente e tudo que ela fazia antes de se tornar cantora. Nesse sentido, cada descoberta - uma frase, um fato, um endereço — era uma vitória. A parte de sua carreira internacional foi comparativamente mole de fazer.
JE — Uma coisa legal de biografia é que quase sempre o autor acaba fazendo também - e levando o leitor com ele - por um passeio também pela época do seu “personagem”. A pesquisa para o livro sobre a Carmem Miranda foi a mais dificil que teve que fazer?
Castro — Foi, com o disse. Mas, pelo menos, eram cenários que me apaixonavam e com o qual eu já tinha uma certa intimidade: o Rio dos anos 20 e 30 e Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50.
JE — Quer continuar fazendo biografias?
Castro — Sem dúvida. Mas só voltarei a elas se me der um estalo e surgir um novo personagem que me apaixone tanto quanto os que já biografei — Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.

8/11/2009

Profissão de fé

Jornal do Estado/ Bem Paraná
Carlos Moraes faz “ficção autobiográfica” (foto: Divulgação)

Ex-padre e ex-preso político, o escritor Carlos Moraes registra sua memória ficcional em livros

Leonardo Vinhas/Especial para o JE

A apresentação é quase novelesca: padre em dúvida quanto ao sacerdócio é preso, larga a batina e, ao sair do cárcere, troca o bucólico interior gaúcho pela urbanidade terminal da capital paulistana, onde começa a trabalhar como repórter. Entretanto, o roteiro não é fictício, e são as conduções literárias dessa história que a tornam não apenas crível, mas extremamente envolvente.

É a história de Carlos Moraes, que trabalhou, dentre outras, nas revistas Realidade e Ícaro, sempre focado no jornalismo investigativo. Depois de uma tímida estreia literária batizada de Como Ser Feliz Sem Dar Certo, ele começou a apresentar suas memórias: primeiro as da prisão, em Agora Deus Vai te Pegar Lá Fora, e depois as de jornalista iniciante, em Desculpem, Sou Novo Aqui, todos pela Editora Record. Nessas duas últimas obras, um humor nada clerical se mistura a uma sensibilidade que tem mais humanismo que cristandade – ou remeta justamente ao cristianismo iniciante, ainda não contaminado pela caridade burguesa.

Desculpem, Sou Novo Aqui, lançado há alguns meses, ainda não obteve a repercussão que merece. É uma crônica ensaísta, uma história moderna que se vale do passado para questionar certas dificuldades pelas quais passa qualquer um que decide abandonar certezas de longa data. Um aviso para os incautos que não sabem o perigo representado por uma mulher com luzinha ou o poder revigorante de uma sauna fantasma.

Não sabe do que se trata? Calma: leia o livro e entenda a importância desses conselhos. E por ora, fique com uma conversa com o autor, na qual, apesar de algumas recaídas sacerdotais, ele não passa qualquer sermão.

Jornal do Estado — Seus dois últimos livros são um exercício de “ficção autobiográfica” ou se tratam de livros de memórias mesmo?

Carlos Moraes — Por ocasião do lançamento das minhas livres memórias de cadeia, Agora Deus vai te pegar lá fora, eu disse o seguinte: “um pouco disso tudo aconteceu aqui; outro pouco aconteceu também, mas não aqui; outro pouco não aconteceu nunca e outro pouco merecia ter acontecido”. Trocando a cadeia de Bagé pela cidade de São Paulo, a explicação é a mesma para Desculpem, sou novo aqui. Teu modo de dizer, “ficção autobiográfica”, é perfeito. Toda a invenção é memória e em toda a memória já há um pouco de invenção.

JE — Já se escreveu que o narrador de um livro nunca é o autor, é sempre outra pessoa. Mas a familiaridade com a qual o senhor trata os sentimentos do protagonista sugere que a história é ainda mais “factual” que o senhor afirma. Tanto que é quase irresistível se dirigir ao senhor como “padre”.

Moraes — É curioso. Alguns ex-padres logo se tornam leigos razoáveis. Outros parecem levar para sempre, no jeito de ser e pensar, as marcas do seu passado. Vários amigos ex-padres me disseram depois deste último livro: “puxa, mas como você continua padre”. É engraçado, porque sou do tipo meio gozador e corintiano. No livro, procurei manter uma certa candura perplexa do personagem diante do seu novo mundo, vindo como vinha do interior gaúcho e de mais de 20 anos de Igreja. Esse era um pouco eu e um pouco quem recomeça tudo do zero, em qualquer época De muitas pessoas ouvi: eu nunca fui padre e vivi em São Paulo muita coisa do que você conta.

JE – Aproveitando esse gancho: o que fez o senhor – não o personagem João – largar a batina?
Moraes — Foram muitos os fatores e faz quase 40 anos. Mas há uma fase da vida em que a tensão entre o indivíduo e a instituição se torna particularmente sufocante. Mais tarde a gente descobre que isso não acontece só no caso padre-Igreja, mas entre o casado e o casamento, entre o empregado e a empresa, e assim por diante. Na época, eu achava que o modelo de sacerdócio católico – viver economicamente da igreja e sozinho numa casa paroquial fria - não era necessário para a missão de pregar e celebrar o Evangelho. Me sentia um tanto condenado a salvar senhoras por sua vez condenadas à salvação. Na verdade, isso era injusto, mas na época era como me sentia. Continuo achando que o sacerdócio pode ser vivido de muitas maneiras. Esse atual modelo celibatário da Igreja não tem futuro, nem é evangélico. Com poucas exceções, Jesus só escolheu homens casados para seus apóstolos.

JE — Como o senhor vê a Igreja Católica e a atitude dos sacerdotes no Brasil ?

Moraes — Esta resposta merece um livro. Tenho lido muito sobre Igreja primitiva, Cristo histórico. Nas últimas décadas foram escritos muitos livros sobre esses temas. Obras rigorosas, isentas, respeitosas com a pessoa e a mensagem do primeiro Jesus, aquele de Nazaré antes que catedrais de dogmas e teorias sobre ele se abatessem. Lendo-as, a gente percebe o quanto foi tudo um processo histórico, da redação dos evangelhos à formação da Igreja, da hierarquia e da ortodoxia. É à luz desse Jesus primordial que a Igreja tem de rever suas posturas. O problema é que, ao longo dos séculos, ela se tornou um fim em si mesma, seus mandamentos são mais celebrados do que a mensagem evangélica em si, papas atravessam oceanos para falar de camisinha e não lhes passa pela cabeça relembrar uma daquelas lindas parábolas de Jesus. Sem falar de padres que conseguiram reduzir o cristianismo a uma luta sem tréguas contra a masturbação.

JE — O retrato da São Paulo de Desculpem, sou novo aqui não parece ter 30 anos. Parece que o senhor esteve lá há uma semana, é tudo muito atual. Pelo visto, São Paulo não é tão moderna e cosmopolita como muita gente parece acreditar.
Moraes — O cenário do livro é mesmo uma São Paulo dos começos dos anos 70. A região dos Jardins já era um ponto chique da cidade. A Vila Madalena já pintava como um feérico reduto alternativo. Mais tarde os Jardins viveriam uma certa baixa com a explosão dos shopping centers, mas agora ruas como a Oscar Freire retomaram e ampliaram toda uma nobreza quase perdida. A Vila Madalena teve seus ideais domesticados pelo consumo. Sua rebeldia virou point.

JE — O anacronismo parece estar no jornalismo. Era a época das grandes redações, realizando apurações cuidadosas. Hoje as redações “enxutas” parecem se pautar por outros princípios. O senhor concorda que houve uma grande mudança?
Moraes — Houve. Na extinta revista Realidade, onde me iniciei no jornalismo, a gente tinha até um mês para fazer uma matéria, que ficava assim entre a grande reportagem, o ensaio e a monografia. Mas tudo bem. Concisão não faz mal a ninguém, nem ao leitor. De qualquer modo, hoje informação é o que não falta, olha só essa profusão de sites, blogs e, agora, o twitter. O problema, acho, é a falta de cultura instalada, ou o excesso de cultura clicada.

JE — Se tomarmos a história do personagem dos últimos livros como sua, podemos acreditar que o senhor pode até não ter mudado de religião, mas certamente trocou de time – do Inter pelo Corinthians. Ou ser corintiano é um grande ato de fé?
Moraes — Nem me fala, nem me fala. Na noite em que Inter e Corinthians decidiram a Copa Brasil, a primeira metade da minha vida, gaúcha, jogava contra a segunda, paulistana. Grande dor essa de sentir a alma da gente sem saber pra que lado chuta. No dia seguinte, por penitência, tentei torcer pelo Grêmio contra o Cruzeiro, na decisão da Libertadores. Meu Deus, foi como torcer pelo Palmeiras aqui em São Paulo, mesmo sabendo que o palmeirense no fundo não passa de um gremista travestido de lagartixa. Falando sério, gostaria de escrever um livro chamado Como educar um filho na fé corinthiana. Mas, por enquanto, só tenho o título. O título e a epígrafe, o salmo 126, que é toda a história do Corinthians: “O que semeiam entre lágrimas, cantando colherão”. O salmista só não falou de série B e série A porque não eram coisas do tempo dele.

JE — O senhor tem um livro com o título Como ser feliz sem dar certo. A pressão pelo “dar certo” está criando seres humanos encolhidos espiritualmente, frustrados. É mesmo possível escapar dessa pressão?

Moraes — O livro conta histórias de pessoas que, por pequenas bobagens, chegaram a grandes iluminações. Gosto muito dessa idéia da bobagem que salva, da bobagem como epifania. O livro tentou ser uma brincadeira com essa explosão de auto-ajuda que vigora por aí. Afinal, o que é o sucesso? Ganhar dinheiro? Ser feliz no amor? Na profissão, por modesta que seja? Ter bons amigos? Ter fé e ser capaz de ouvir a música que rege o baile da vida? Sucesso, felicidade e celebridade são coisas muito diferentes. Sinto que, em geral, a auto-ajuda se limita a técnicas que não mudam o coração. O que é um perigo. Um mau-caráter bom em técnicas de relaxamento vai ser apenas um mau-caráter mais relaxado. Mais perigoso.

JE — Conselhos não faltam ao João de Desculpem... O senhor recomenda alguns desses conselhos aos leitores?
Moraes — Não, não aconselho. Jefferson é uma machista grosseiro; Pessoinha é um feminista assustado; o Barbato é um anti-feminista amargo; Maura uma boazuda inconseqüente. Draúzia sim, mesmo com esse nome de raio, essa sabe das coisas.

JE — E uma última pergunta: mulher com luzinha ainda é um perigo?
Moraes — Eternamente. Um doce, abençoado e necessário perigo.

10/16/2008

“Nasci para tocar flauta, e acabou!”

Jornal do Estado

Divulgação

Altamiro Carrilho: fama com a boa música, simpatia e bom humor para conversar

Adriane Perin

Altamiro Carrilho, que faz hoje show no Teatro Guaíra com a OSP, bateu um papo muito bacana sobre sua carreira e a música

Aos 84 anos de idade, Altamiro Carrilho construiu uma carreira que o coloca no topo quando o assunto é música. Não foi só isso. É quase certo que esta convivência iniciada antes de ter cinco anos de idade seja também o seu elixir, pois até em uma conversa por telefone, é inevitável se supreender com o vigor do falante flautista, também muito bem humorado até quando faz críticas - e nenhuma rusga para conversar pela enésima vez sobre sua trajetória. Um dos nomes máximos da flauta transversa, e um mestre do choro, ele está em Curitiba, a convite do Sesi-Pr e Teatro Guaíra, em cujo palco faz hoje o show A Fala da Flauta. Na performance, junto com a Orquestra Sinfônica do Paraná, ele faz também o lançamento da caixa com 3 Cds, Poesia do Sopro, que traz o registro de um concerto feito por Altamiro e convidados em agosto de 2006 e uma antologia de gravações históricas realizadas entre 1949 e 1955. Ele adianta que está fazendo um DVD, com “ depoimentos em forma de música abrangendo minha trajetória, contando causos pitorescos, com gente de alta categoria, como Tárik de Souza, Julio Medaglia. Sou muito exigente”.

Com 112 discos gravados Altamiro diz que no Brasil não lhe falta fazer nada. “Talvez viajar para alguns países. Esses discos, metade fiz como solistas e outra com os grandes cantores desde os anos 40”, diz e vai desfilando os nomes que começam com Moreira da Silva, Francisco Alvez, Vicente Celestino, Dalva de Oliveira, Angela Maria, Elizete Cardoso, “gente do mais alto grau”, alguns ainda vivos, como Roberto Carlos e Chico Buarque, emenda.

Boas lembranças — Nem cinco anos ele tinha ainda, quando vidrou naquele instrumento que fazia fiu-fiu , de um amiguinho que não tirava melodia nenhuma. O Natal se aproximava e seu presente tava escolhido. “Fiquei intrigado, peguei e descobri que cada buraco daqueles que eu destampava, dava nota diferente. Quando ganhei a minha nem almoçei, fiquei agarrado com minha flautinha”, lembra ele, que teve no lado materno da família o estímulo musical. Uma tarde em uma reunião famíliar, sem avisar, tocou uma marchinha de carnaval, e causou espanto. “Comecei a ser tratado de outra forma”. A partir daí sua convivência com a música ficou ainda mais próxima, participando dos ensaios da banda dos tios - cada vez mais entusiasmado. “Era muito pequenininho, nem aguentava os instrumentos que ficavam em um suporte”, lembra ele que travou contato com vários instrumentos de percussão. Até que um vizinho o convidou pra ouvir um disco de flauta, “gravada no tempo do gramofone”. Nesse meio tempo, já com 12 anos e a família morando em Niterói, conheceu um carteiro flautista que ao ouvi-lo pensou ser um disco e se ofereceu para dar aulas de graça. “Passei também a fazer minha flauta com bambu e fui pra todo programa de calouro que existia”. Aos 14 anos, apareceu Moreira da Silva e o levou para um estúdio de gravação.

Serviço
Altamiro Carrilho. Dia 16 às 21h. R$20 e R$10. Guaira (Pça Santos Andrade, s/n). Informações: (41) 3304-7982.


Músico bom tem, mas é tudo mecânico

Altamiro gosta muito de ouvir música, mas com cuidado. “Sem ruído que interfira, para poder ouvir os detalhes, que dizem muito”. O brasileiro é bom de improviso, observa, e se sai melhor quando investe nisso. “Quem tem criatividade não deve negá-la. Gosto muito de colar notas que não estão na melodia”, diz. “O que tem aparecido não merece muito minha atenção. Preferem música fácil de assimilar, sem melodia é muita letra embolada”, diz, confessando que não gosta de rap. “De rock até tem coisas muito boas, mas a bossa nova, esta sim trouxe coisa boa. O brasileiro faz tudo melhor quando improvisa, seja na política, nas artes ou no jornalismo”. As décadas vividas não foram suficientes para amainar sua inquietação musical nem o deixaram mais condescendente. “Me nego a me acostumar. O problema é que gosto de melodia, harmonia”. Nem as novas gerações de músicos populares escapam de sua veia crítica. “Até estão revivendo o choro, não falta músicos bons, mas é tudo mecânico. Falta criação. Tem que fazer algo novo e não ficar remoendo o que foi”, alerta. E sobra também para quem divulga. “O pessoal não alcança a qualidade da pureza das coisas boas. Preferem tocar as mais fáceis, chamadas ‘comerciais’, porque acham mais fácil vender”.

Vaidade — No final, pede que a repórter “corte a metade” do que falou. “Não é bom ser vaidoso e peço a Deus que não me deixe influenciar, pois ela atrapalha e você só quer fazer aquilo que te agrada. Então, corta quando parecer que to sendo muito vaidoso”.