2/21/2008

Uma autêntica 90’s band local, Tod’s toca hoje no Korova

Jornal do Estado

Primeira banda de Igor Ribeiro, que teve Daniel Fagundes, da Reles , na formação original mostra novas e antigas canções


Adriane Perin

Em 1993 Curitiba vivia a euforia de uma cena musical que nunca fora tão forte, com tanta visibilidade e importância em um circuito nacional. Foi naqueles primeiros anos da década que o 92 - e a cidade - se consolidou como referência do circuito musical independente. Era muitos grupos e o porão da Visconde do Rio Branco suava, literalmente, com toda a energia que explodia ali dentro, com as principais bandas alternativas nacionais – e as curitibanas nunca deixaram por menos. Foi neste ambiente estimulante que três garotos, entre 13 e 15 anos, criaram o Tod’s. Igor Ribeiro, Fernando Lobo e Daniel Fagundes, este último vocalista da Relespública, querendo mostrar também as músicas que não “cabiam” na sua banda mais famosa e uma das mais novas e queridas da turma do porão. Tod’s cantava em inglês e se encaixava no estilo chamado - não sem uma pitada de ironia - “shoegazer” (N.R. algo como “adoradores de sapatos”, estilo de artistas de comportamento introspectivo no palco, que praticamente não tiravam os olhos dos próprios sapatos). Não só por reunir promissores músicos da cidade o Tod’s fez história. Foi a primeira banda de Igor Ribeiro, um dos mais talentosos e completos músicos da atualidade, hoje tocando também na Plêiade. Daniel era um cantor impressionante, que teve a vida interrompida por um traumático, para toda a cena local, acidente de carro, o que acabou provocando um brake no ritmo do grupo.
Hoje em dia, a banda só faz show esporadicamente e hoje (21/02/2008) é um desses. Vai ser no Korova, aproveitando que Rodrigo “Paia” Elias, um dos integrantes há tempos, está em Curitiba. Agora é assim, quando a ala que vive em Londres retorna, eles vão para o palco. Desta vez, no entanto, os caras querem fazer uma correção histórica e gravar também. A banda esteve, por volta de 1996, com um disco quase pronto. 17 músicas esperavam apenas a mixagem. Tudo se perdeu por irresponsabilidade de um dono de estúdio que vendeu seus equipamentos e sumiu com as gravações.
A formação atual é Fernando Lobo(baixo), Igor Ribeiro (guitarra, voz, trompete) – ambos da formação original; Rodrigo “Paia” Elias (voz, guitarra) e Vitor Schemes ( bateria). Vários músicos passaram pela banda, como Emanuel Moon e Gor. Rodrigo Rigoni, que foi de uma das primeiras formações, entrou em um ensaio em que o ex-tecladista da Reles, Gor, faltou e “saiu tocando”, conta Igor em entrevista. “Tínhamos uma bateria muito tosca, os pratos pareciam tampa de panela. Mas ele mandava ver, aprendeu a tocar com a gente”, lembra Igor.
Tudo começou na casa do Fernando, “por pura diversão e porque o Daniel tinha algumas musicas que não eram o perfil sonoro da reles”. O inglês não era regra, mas os meninos tinham mais familiaridade com a sonoridade inglesa. Indie, guitar, shoegazer, são termos que podem ser aplicados aos Tod’s. “Prefiro chamar simplesmente de rock alternativo, se é que isso existe”, diz Igor e emenda. “Mas, acho rock dos anos 90 a melhor definiçao”.
O Tods foi sua escola, assegura. “A gente queria fazer rock pra dançar”. Ele foi parar neste circuito por conta do primo dois anos mais velho, Fernando, o companheiro musical, pra conhecer bandas, festas, bares. Naquele ambiente efervescente ele teve duas importânctes referências. “Relespublica, sem duvida foi uma delas. E o Magog. Nós éramos muito moleques mesmo”, lembra o multiinstrumentista Igor Ribeiro. Na época, ele só sabia que “queria ligar minha guitarra e tocar”. Ensaiavam todo dia. “Não tínhamos responsabilidades. Ensaio durante a semana e showzinho no final. E sempre tinha uma banda de algum amigo tocando e a gente tava lá.”
Gravações -
Hoje, o som do Tod’s está no site da Trama Virtual. Participaram de duas coletâneas e têm demos-tapes, mas a maior frustração foi perder uma gravação com 17 músicas. “O dono do estúdio simplesmente o vendeu e sumiu com o material. Hoje a gente dá muito mais valor ao que se perdeu do que na época. Era o regristro da primeira fase da banda, mas como éramos pés-rapados pedimos um tempo pra juntar a grana e quando ligamos ele já não tinha mais nada”, lembra Igor, sobre a gravação de meados dos anos 90. Entre os shows importantes, ele lembra o do BIG, Festival Leite Quente, no Aeroanta, das performances com a Pin Ups em sampa, e os shows em Martingá.
Sem paradas a banda foi até 99. Daí, começaram as viagens dos rapazes ao exterior, e tudo mudou. Em 2000, foram os “rodrigos” para Inglaterra.
Nesse meio tempo surgiram OAEOZ – a escola em bom português de Igor -; ESS - a mais conhecida nacionalmente de suas bandas -; e a Íris fruto de uma fase ainda mais autoral e madura de Igor, também com o predominio da língua portuguesa e com ele mais uma vez mostrando que é um dos grandes compositores jovens da música brasileira. Mesmo que torça o nariz para sua voz. “Nunca gostei da minha voz e sempre me achei melhor cantando em inglês. Mas, foi todo um processo evolutivo. O Tod’s era muito mais a sonoridade do que um significado especial”, avalia.
E agora? “O Tod’s é o seguinte, queremos gravar tudo que temos, pra deixar, enfim, o registro e, se rolar, partir pra novas. O Paia é um compositor de mão cheia, tem muita coisa nova. Mas vai depender do tempo dele aqui”. É certo que outros show acontecerão. “Porque afinal é sempre divertido tocar com esses caras, relembrar essas velharias musicais”, diz Igor, que esta noite toca também na Plêiade. Completa a noite a Capacabana Club.

Serviço
Tods, Plêiade e Copacabana Club. Dia 21. R$7. Korova (Av. Batel, 906).

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