4/01/2009

“Na vida e na carreira, o que vier agora é lucro”

Bem Paraná/Jornal do Estado

Ivo “do Blindagem” Rodrigues fala em primeira mão sobre as gravações informais que está fazendo de suas composições inéditas, inclusive parcerias com Paulo Leminski

Jonas Oliveira


Adriane Perin


A conversa que escapou de uma mesa de bar ao lado foi que Ivo Rodrigues estaria gravando um disco solo. Na rápida entrevista que deu por telefone, no entanto, ele não confirma a informação. Diz apenas que está registrando suas músicas que nunca foram gravadas. Sem compromisso algum com discos, lançamentos ou coisa do tipo. Quem, sim, está trabalhando em novo álbum, a ser lançado este ano ainda, é a Blindagem, banda que há anos virou adendo no nome do vocalista e compositor curitibano.

Levada adiante, a informação gerou outra especulação. Estaria Ivo “do Blindagem” gravando um disco solo em clima de despedida, por conta de sua delicada condição de saúde que exige do músico cuidados muitos, enquanto espera o transplante de um fígado? Haveria algum tipo de risco à vida do artista? Nenhuma pista indica este rumo, já que Ivo se mostra muito bem na conversa – a não ser por um esquecimento do horário marcado que complicou, por duas vezes, a vida dos fotógrafos. Ele garante - e, que bom, parece mesmo - que tudo vai muito bem. “Achei estranho quando você me ligou falando que estou gravado porque não é um CD, só estou registrando as músicas de minha autoria que ainda não gravei”, garante. “Minha única preocupação é não esquecer as músicas. Por outro lado, nada impede que se eu achar boas as gravações, as transforme em um disco. Estou registrando músicas que não tive antes a oportunidade de gravar”, completa.

Ele prefere não colocar o Blindagem nessa conversa inicialmente, mas assegura que, se essas músicas vierem a ser lançadas, sua banda desde os anos 70 tem a prioridade absoluta. “Assim como 95% das músicas da banda são minhas, a Blindagem também é minha primeira opção. “Sempre lembrava dessas canções e dizia pra mim mesmo que uma hora iria acabar por esquecê-las. Estou fazendo bem devagar, vou ao estúdio quando posso. É só eu voz e violão, não tem mais ninguém, gravo na minha casa no meu computador pretinho. Tenho umas 50 composições inéditas, coisas mais antigas. Tem boas coisas, até da época do Paulo (Leminski), meu grande amigo e parceiro. É que quando ele morreu perdi um pouco o tesão, sabe. Agora, é mole. É bom lembrar bons amigos”, conta, acrescentando que ninguém sabia. “Meu filho até perguntou que gravação é esta depois que você ligou aqui”.

É impossível falar de Ivo Rodrigues sem passar pela Blindagem, veículo que bem serviu de suporte para o compositor mostrar seu talento. Sobre a banda, ele diz que vem disco novo por aí. “Já começamos a gravar e vamos dar continuidade. Serão todas músicas inéditas, não temos planos de regravar nada. Antes, vai sair um Ao Vivo, do show que fizemos com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Esse sai antes, mas é dificil, vamos procurar patrocínio. Sobre o nosso disco, agora estamos a fim de gravar, só depois a gente vê esses pormenores de lançamento e tal”, diz.

Até lá, quem quer ver a banda e Ivo já sabe. Toda quarta-feira, tem Blindagem no Porão do Hermes. Com os mesmos componentes há 33 anos - “isso não existe no Brasil, é só nós”. “Vai tudo de vento em popa, minha saúde tá muito bem. Não fiz o transplante ainda, estou na fila, mas tenho previsão para este ano”.

Ele diz que a doença mudou tudo em sua vida. “Me informei muito e sei que é um dos transplantes mais fáceis de fazer, o que me tranquilizou. E estou nas mãos do maior especialista do assunto e de Deus. O médico pediu que eu mudasse o ritmo de shows, mas não mudei nada, continuo fazendo direto. Só parei de beber, há mais de um ano, já. Eu me conscientizei mais com isso tudo. Parei com todas as drogas e estou muito feliz, com meus filhos, minha mulher por perto. Na carreira e na vida, o que vier agora é lucro”.

Serviço
Blindagem. Todas as quartas-feiras. Hermes Bar (Av. Iguaçu, 2504).

3 comentários:

Panda disse...

Figurassa! Lenda viva do rock curitibano. Vida longa ao Ivo!

Ivan disse...

pois é Xanda. Ivo viu a uva, comeu a uva e se lambuzou! ahaha.

bjs

gabriel pão disse...

tem que sair esse disco com a orquestra, porque foi um dos melhores show que já vi na cidade