3/15/2008

"Trago a minha estrada no rosto"

Tudo começou com margo timmins e os vaqueiros junkies embalando meus sonhos em um ônibus da cometa pela régis bitencourt. E terminou com um violeiro anônimo tocando modinhas gospel em um trem da CPTM. Ou de volta ao ônibus da cometa, hipnotizado pelos petardos do novo disco do La Carne.

Foi uma viagem musical, literalmente, que passou ainda pelo ensaio dos la carnes, lá no estúdio do chicão, em osasco. Pelos “ossos que tanto doem no inverno’, no teatro maria dellacosta, com o Mário e o Nelsinho Peres (grande ator e figura) ao som de Chet Baker. Pela simpática e acolhedora looservelt, no espaço parlapatões, a conversa jogada fora com o Mário, e a oportunidade de conhecer figuras já lendárias como Deus, Cecato, Paulo de Tarso Picanha. O hotelzinho barato ao lado da augusta, com sua decoração “colonial” escandalosamente kitsch. O café com leite e croissant na roosevelt na manhã paulistana preguiçosa. O almoço com o Mac ali na região da Faria Lima, depois de uma passagem frustrante pelas livrarias cultura, no conjunto nacional. A perambulação pela teodoro sampaio em busca de um novo baixo pra adri. e é claro, “babar” em todos aqueles instrumentos.

Mas foi sobretudo uma viagem de longas e intensas conversas com o grande mestre Linari e Julieta, brincar com a mixirica e o jubileu, ralhar com a Cacilda Catifunda e sua energia inesgotável.
E ouvir música, e falar de livros, e filmes, e ouvir música de novo, e falar besteira, contar histórias, lamentar lamúrias, lamber as feridas, comemorar sobrevivências, o companheirismo e a amizade que nos fortalece e nos alimenta. Nos dá o empurrão pra continuar mais um pouco. Afinal, ESTAMOS A UMPASSO DA REVOLUÇÃO! Ahahaha
E caralho. Como ta bom esse disco do La Carne. Os caras aprontaram de novo. Como é bom ouvir música feita por gente de verdade, de carne e osso, que não ta nem aí pro que “ta rolando no momento” e consegue sintetizar, em sons e palavras, os sentimentos e as perplexidades que a gente carrega por esses nossos dias. To apaixonado por “Blues de seus absurdos”, um absurdo de música, com seus riffs explosivos que vão e voltam e a interpretação furiosa de Linari que te assalta de um jeito que só ouvindo mesmo pra entender. E pricipalmente, “Agora decida”, pra mim desde já um clássico lacarneano de todos os tempos, o tipo de música que eu gostaria de ter escrito, simples, densa, que flui como uma onda de uma beleza terna e triste. "Amor, tenho quarenta anos, e acho que não aprendi nada", canta Linari a certa altura. Talvez uma das mais tristes e tocantes músicas que o La carne já fez. Mas por isso mesmo, é impossível ficar imune a ela. Triste sim, porque fala de coisas que estão muito presentes na vida de muita gente e na minha própria vida, de frustrações e de sentimentos que estão por aí, rodeando as nossas noites também. Do medo e da sensação de que a partir de um certo momento a vida pode ser só descida, e não há nada que possa te segurar. Mas felizmente alguma coisa faz a gente levantar, sempre. Pelo menos até que a sineta toque e a contagem não chegue a dez. "Tolices, pode ser, mas é assim que eu sei lutar", fala Linari em "Contracorrente".

Aqui eu faço um parênteses, pra emprestar e reproduzir um trecho de um texto do Alessandro Robocop Bartel, sobre a peça que a gente viu em sampa, que o Mário colocou no blog dele. Não tem nada a ver e tem tudo a ver.

"Quatro anos no inverno é muito tempo e embora a solidão não escolha idade fica mais doída aos ossos com o passar dos anos, com a vida se encaminhando para os quarenta e cinco do segundo tempo e você já não sabe se torce para uma prorrogação ou quer que tudo termine ali mesmo no apito final do tempo normal.


Enfim, to citando essas músicas, mas poderiam ser outras, como "Londres está uma merda" ("posso garantir, eu li no jornal, rock no Brasil não presta"), "Granada" ("vejo um anjo e um demônio vindo em minha direção, acendo o meu cigarro e digo, oi, qual de vocês vai me levar?") ou "Olhos escuros" ("só pra te dizer que nada disso importa, nada me interessa mais do que você") porque é daqueles discos que quanto mais você ouve, mais gosta, e cada dia tem uma preferida diferente. Valeu Linari, Carlinho, Jorge e agora o Chicão. Vê se não demoram tanto pra lançar o próximo porque a gente precisa disso, sempre.
Ah, e claro, teve também o show daquela bandinha, como é que é mesmo? Interpol. Foda, muito foda. Fim perfeito para uma viagem perfeita. Um show de classe, de nuances, uma apresentação cadenciada que alterna momentos mais agitados com passagens climáticas, tensas, com a voz do banks pairando sobre as melodias que a banda cria. Me impressionou o fato de parte do público cantar desde a primeira musica do show, que por sua vez é a primeira do último disco, aquele que a crítica malhou como fraco. Nota ruim só pro som abafado do via funchal, mas nada que comprometesse a noite.
Na volta, a certeza de que viagens como essa precisam ser repetidas com mais freqüência, porque revigoram. E a vontade de retomar o ano com gás renovado, pra poder reencontrar nossos amigos la carneanos, de preferência, juntos em um palco.

10 comentários:

Anônimo disse...

Aí bandido: pena que vcs ficaram tão pouco tempo. Valeu pelos rolês, pelas conversas, pela presença marcante de vcs.
Quanto ao nosso "Granada": estamos orgulhosos dele - e mais ainda agora, pelo que tu escreveu. Cê sabe que é de verdade,cara: a sua opinião conta muito pra nós. Brigado, meu amigo. Na próxima chance, iremos aí pra esvaziar a geladeira de vcs.rs.
Vamos trabalhar!

Túlio disse...

quero saber onde posso ouvir esse cd do la carne!!!

giancarlo rufatto disse...

eu ja tenho uma canção na lista do meu top5 deste ano: granada.

giancarlo rufatto disse...

alias, tenho duas:

ninguem vai dormir!
ninguem vai dormir!

Ivan disse...

Grande mestre. não preciso nem falar mais nada. podem ficar orgulhosos mesmo. abraço.

Ivan disse...

daí Tulio. o novo disco do La Carne tá pra sair em breve. fique de olho. abs

Anônimo disse...

se nao descolar uma copia desse disco vo pirateá na cara dura ! essa foto do dog dormindo no sofa ta demais. que vagabundo.

igor disse...

se nao descolar uma copia desse disco vo pirateá na cara dura ! essa foto do dog dormindo no sofa ta demais. que vagabundo

Tina Lopes disse...

Isso é que se pode chamar de férias.

Leo Vinhas disse...

Cada um vive a vida como pode. Que massa que vocês tão podendo vivê-la assim! Abração!
Esperamos vocês aqui em Foz, porra!