5/11/2010

Próxima parada

Gazeta do Povo

Fotos: Rafael Dabul/Divulgação
No alto, Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato (bateria), Marano (guitarra e voz), e Igor Ribeiro (sintetizadores e sax): o cotidiano e uma mistura sonora

Dasvelas, banda formada por ex-integrantes do Terminal Guadalupe, grava primeiro álbum, produzido por Carlos Trilha, e apresenta o novo repertório no próximo domingo

Marcio Renato dos Santos

Uma novidade sonora deve provocar burburinho na cena cultural curitibana: a banda Dasvelas vai, finalmente, mostrar o seu repertório, durante 40 minutos, na manhã do próximo domingo, no pátio do Conservatório de MPB.

A expectativa a respeito desse projeto musical está no ar desde março do ano passado, quando foi anunciado o fim das atividades da banda Terminal Guada­­lu­­pe, apontada por críticos, como Sérgio Martins, da revista Veja, como uma das mais promissoras do cenário nacional. O TG, na realidade, não acabou: está na ativa, capitaneado pelo vocalista Dary Jr. Mas três ex-integrantes do TG continuaram tocando juntos e formaram a Dasvelas.
Para fluir

Allan Yokohama (guitarra e voz), Marano (guitarra e voz) e Fabiano Ferronato (bateria), músicos que chamaram a atenção do público e da crítica pela sonoridade que desenvolveram no TG, incorporaram o amigo Igor Ribeiro (sintetizadores e sax) nessa nova proposta musical.

Eles afirmam que, antes da sonoridade, o que explica a banda é a amizade, o elo que os aproxima e torna a relação leve e agradável.

Yokohama lembra que, como muitos ensinamentos evidenciam, nada é independente nesse mundo de contínuos intercâmbios. O quarteto troca informações com muita frequência. Mostram, uns aos outros, a mais recente descoberta musical, assistem filmes e compartilham inúmeras horas da existência.

Marano e Ribero vi­­vem há seis meses no mesmo endereço, no bairro Água Verde, local em que a banda ensaia, das segundas às quintas-feiras, das 19 às 22 horas.

Além de refinar o repertório para as apresentações públicas, eles se permitem brincar, improvisar e ouvir o que gostam. De Led Zeppelin a Cazuza, também fazem soar no aparelho de som canções de bandas curitibanas, como ruído/mm, Anacrônica, Sabonetes, Copacabana Club, Hotel Avenida, Mordida, Narciso Nada e outras.

No dia 10 de junho, a Dasvelas divide o palco do James com a banda Charme Chulo. Eles querem exibir as suas canções no palco do Wonka, no Blues Velvet, no Teatro do Paiol, enfim, onde for possível soar.

Em um segundo momento, a meta é conhecer o país fazendo música. Nada mais natural, observa Yokohama, do que seguir Brasil afora por meio de uma turnê permanente – algo que pode se estender por ou­­tros países.

No tsunâmi do agora

“Pessoas vivendo o presente, esquecendo o depois.” Eis um trecho de uma nova letra que, como sugere Yokohama, pode ajudar a compreender a proposta da banda.

Eles entendem que esse começo de década é um momento que, acima de tudo, “pede” leveza, devido a tantos incidentes e tragédias que se repetem em diversos pontos do mundo, de corrupção a desastres naturais. “Então, percebemos que o artista tem de oferecer leveza ao público. Não é escapismo. Ao contrário. Já há ‘peso’ demais na realidade”, diz Ribeiro. E Yokohama completa dizendo que as letras são, de maneira geral, “para cima”.

A gravação do álbum, ainda sem título, aconteceu em meio a um astral muito leve, dizem os músicos. De janeiro a março, eles registraram 14 canções no estúdio carioca Órbita, com a produção de Carlos Trilha, famoso por ter burilado álbuns da Legião Urbana, Renato Russo, Marisa Monte e Lobão.

Trilha, conta Ribeiro, soube extrair o que a banda tinha de melhor, sem tentar transformá-los em um produto comercialmente viável. Eles lançam o álbum em agosto. No mês que vem, anteciparão uma das faixas pela internet. E, neste próximo domingo, dão o primeiro passo em público desse projeto que, como o nome sugere, segue ao sabor do vento.

Saiba mais sobre a banda Dasvelas:

Sintonia

Os quatro integrantes são da mesma geração. Allan Yokohama e Fabiano Ferronato têm 29 anos, dois a mais do que Marano. Eles se encontraram no Terminal Guadalupe (conjunto de rock local), e há pouco mais de um ano seguiram em busca de novos ares, o que resultou no grupo Dasvelas. Igor Ribeiro, 30, que já tocou, entre outras bandas, na Íris, é um amigo de muito tempo, que ajudou a consolidar esse novo projeto.

Baixo

Yokohama e Marano tocam guitarra, mas em algumas situações Yohohama assume uma guitarra barítono, responsável pelos graves, uma vez que a banda não tem contrabaixista. Igor Ribeiro também dá um jeito nos graves, por meio de seus sintetizadores.

Texto

Yokohama, um dos letristas, diz que, de maneira geral, o discurso da banda é “para cima”, a respeito do cotidiano, do amor, da amizade. Para exemplificar, ele apresenta, com exclusividade para os leitores da Gazeta do Povo, trechos de algumas das letras de canções inéditas. “Faço um brinde ao amor dono do que eu sinto/ Ao sentimento que renasce cheio de vontade por ser nobre”. Em outra canção, ele canta o seguinte: “O livre arbítrio sempre caiu bem/ Essa é a força natural que o mantém”. Ele ainda sente necessidade de enunciar o seguinte discurso: “Lembra do amanhecer/ como foi bom ouvir tua parte/ Eu tinha tempo vc saudade/ Nem céu nem inferno pra crer”.


Serviço

Estréia da banda Dasvelas. Conservatório de MPB (R. Mateus Leme, 66). Dia 16, às 11h. No Sarau das Nuvens. R$ 5. Mais informações: (41) 9902-1814.

3 comentários:

giancarlo rufatto disse...

levei um susto com a carona do Allan na capa do caderno hahahahha.

pena que vou trabalhar no domingo, queria muito ver, sabe se vai começar exatamente as 11h? entro 12h, se começar na hora marcada, rola.

Ivan disse...

em geral esses eventos da FCC começam no horário. vale a pena dar uma passada.

Panda disse...

oba, acho que vai rolar da gente ir!!!