7/12/2007

sobre fazer jornalismo

Eu participei do debate do Festival Tinidos esse ano e uma das perguntas foi como a gente, o jornalista que fala de música independente, se sente quando não tem nenhum retorno do que escreve. Achei legal a pergunta, porque é bom virar o jogo um pouco e parar de se fazer de coitadinho pra ver o outro lado - que é tão´difícil quanto, em alguns dias, mais, tenho certeza, porque a gente não tem o prazer o palco (mas tem o fazer uma puta duma entrevista que vale o dia). É um trabalho muitas vezes frustrante e solitário, pois parece que ninguém lê nada mesmo e quando lê, é a Gazeta ( mas, mesmo lá, eu tinha pouco retorno).

Mas, eu já tive retorno emocionados. E é legal conversar com alguém que se sentiu valorizado - sem pieguismo, tô falando um pouco do ser jornalista também, que pode ser algo bem solitário. E pensar nisso me faz lembrar de uma alguns dos momentos mais legais de minha vida como jornalista. Um dia cheguei no jornal (Na Gazeta) e tinha um cd, aliás, mais de um, largado mesmo, em cima das mesas, ao lado de computadores. Ninguém tinha dado bola, ele tava lá e quando eu entrei me encarou. "Será que esse Cd aqui, é pra mim?”. “Um carinha passou aí distribuindo, pode pegar pra ti”, alguém respondeu com jeito de nada importante.

Pois é, este disco, Grosso Calibre, é um dos meus preferidos de todos os tempos, tem canções que passados uns seis anos continuam me emocionando de tal maneira que ainda alimentam meu espírito e me dão ânimo pra seguir em frente. Quando peguei o cd e vi a foto reconheci logo “aquele maluco que tá sempre nos bares, é do circuito do igor. Ah, ele também faz música, não sabia”. Coloquei pra ouvir. Meu amigo, que estrondo aquela gravação tosca, com a voz meio enterrada (que ele odeia e eu continuo amando), com letras que até o ivan já confessou igualmente emocionado que gostaria de ter escrito. É o disco do Rodrigo Garcia, uma carinha que até onde sei tá nos EUA.

O engraçado é que cheguei em casa toda elétrica e fui logo falando pro meu amor: “olha só aquele maluco que tá sempre nos bares que a gente vai também é músico, ele deixou o Cd no jornal e é muito bom, cê tem qu ouvir”. Rá-rá: ele tinha encontrado o tal “maluco do bar” na rua que havia passado um exemplar pro ivan que também já tinha ouvido e se impressionado. Enfim, desde então, Rodrigo Garcia é o dono de um disco tão inspirado que de tempos em tempos eu preciso ouvir – e o disco tem que rolar lá em casa – pra resgatar energia, sensações... E sempre, é incrível, mas sempre a audição desse disco me deixa estupefeta.

Rodrigo se aproximou e agradeceu muitas vezes, me deixando até sem jeito. Me surpreendi porque, afinal, não vejo nada demais em falar das bandas que eu acho legal. Aí alguém me deu o toque da importância que é prum artista nessa fase ser comentado num jornal e, principalmente, numa Gazeta do Povo. Eu realmente não tinha noção, pra mim não fazia (faço) mais do que obrigação de passar adiante quando encontro algo que me encanta. Eu realmente quero que mais gente saiba dessas existências, se elas não dão bola, o problema é delas que são idiotas ou correm demais e deixam passar coisas importantes....

E hoje recebi um email legal do Gian, esse rapaz de quem a gente tem falado nos último dias:

"ola, acabei de ver este email e de ler seu texto la no blog. fiquei pensando que minha mãe estava certa, fiquei dois meses com ela (abril e maio) e foi la que eu escrevi essas canções novas (entre outras 20 hehehe) e foi pensando em gente simples como meu pai, minha mae que eu gravei tudo, pelo menos desta vez. As canções dos outros discos, do primeiro que gravei, do ep que não lancei, elas foram feitas pra mim, numa epoca que eu estava totalemente grudado a hypes, internet, wanna bees. olhando por esse prisma hj eu acho tudo uma merda e digo que estraguei um monte de boas canções. mas então, quando li seu texto, ontem o do ivan, fiquei com aquela coisa na cabeça, a virtualidade e a indiferença para com tudo hj, quando musica é baixada hoje e deletada amanha e de repente, vcs se importam, gastam linhas e tempo sobre a minha musica, assim como uns meninos que me deixam scraps no orkut, (tem um pessoal de manaus que me assusta, gente que tem até demos que eu deletei, medo), tem d ehaver alguma relevancia, algum coração batendo por ai. e ai aquilo que decidi meses atras, de fazer canções que minha mae consiga ouvir e gostar tem de dar certo.obrigado a vcs."

Então, é isso, Gian, continue fazendo música pra sua mãe... e pra gente. (Adri).

2 comentários:

Ivan disse...

muito legal. pois é, grande Rodrigo Garcia. por onde andará esse maluco.

igor disse...

tá nos eua, nao voltou pro brasil ainda, esses tempos nos falamos por email, um grande figura mesmo