3/16/2011

Sorria pra mim, Patti, como estou sorrindo pra você!

Fim de livro. Demorou, me enrolei, mas, enfim, virei a página e dei de cara com a última. E as palavras todas ficam pulando do peito, maiores e mais fortes do que eu e sei que vão ficar escapando assim de mim nesse dia e por um tempo. Cheias dos seus, dos deles – e dos meus significados, porque agora a história deles é também um pouco minha. Eu sei que a gente sabe quando vive uma história especial, cheia desses significados mágicos que se guardam dentro da gente pra serem chamados sempre que preciso.
Era um livro pra ser lido em menos de sete dias. Mas levei alguns dias mais que os 30 de um mês. Eu sei porque. Não queria terminar essa história que nem conhecia e que é real. Patti Smith fez a mais linda “homenagem” que um amor pode querer: escreveu um livro contando sua história com o jovem fotógrafo e artista plástico Robert Mapplethorpe. É uma dessas histórias de sintonias espirituais, de laços que não se quebram ao invés disso se fortalecem, até com a separação de corpos. Duas almas que realmente são uma, com a força para viver cada um seu caminho estando sempre junto, até quando não estão.
Eu tava tão cheia desse amor lindo deles e por isso deixei pra terminar o livro de manhã. Alguns livros merecem o silêncio que acorda o dia para serem melhor degustados. Porque alguns livros merecem ser lidos de mente, olhos e corações descansados para que encontrem logo a porta do quarto que precisam abrir. É ali que estão as memórias que devem mexer. E é nas manhãs que tem-se a ilusão de que essas palavras vão ficar mais próximas e não se perder no som das cidades e dos trabalhos. Doce ilusão real.
É assim.
Mas agora, instantes depois da explosão de tudo – e do fim estampado embaixo da última linha, elas todas, as palavras que eu queria escrever, foram escapulindo, me deixando aqui só com essa sensação de fim, esse silêncio de gosto indecifrável. De vida que escapa entre os dedos, sem que eu tenha guardado pra mim a “escrivaninha” ou o radinho de pilha dele (s). Fica “só” a vida da gente misturada com a deles . De uma vida cheia de verdades, e sem disfarces – isso é o mais incrível. Até depois do fim.
Às vezes tenho medo do fim de um livro – o que será de mim depois dele? Nessas horas lembro de madrugadas distantes sobre os livros; de tardes no meio de livros e de manhãs amanhecidas com eles. Vai um tempo, depois disso, até que consiga pegar outro. E nesse tempo aquele livro fica pairando como uma canção em mim.
Só Garotos é um desses casos. Faz mais de uma semana já que o terminei e ele continua aqui. Ainda não consegui começar outro. Não achei aquele que deve vir agora. O livro de Patti Smith ainda está em mim e ele trouxe de volta aquela imagem linda dela cantando na Pedreira Paulo Leminski, bem ali, tão perto... (adriperin)

2 comentários:

Ivan disse...

ainda to lendo mas o livro é muito bom mesmo.

Simuniz disse...

Inspiradora como sempre. Já estou com vontade de ler até o fim.
By Simone Muniz