Foram dois shows esta semana. O do Jame, com Criaturas e Mordida, na quinta,dia 20, foi nota dez, de verdade. O atendimento no James foi inclusive melhor que a última vez que estive lá, quando achei meio devagar. O do Otto, na sexta anterior a esta quinta, no John Bull Music Hall, só ficou perfeito quando a banda subiu no palco.
O John Bull Music Hall me deixou envergonhada por ele, por conta do (falta de) atendimento. Antes dessa noite, eu costumava dizer que o John Bull era uma das nossas principais casas de shows; depois desse show do Otto, não direi mais. Simplesmente porque uma casa de shows de respeito tem que atender bem a seus clientes e oferecer o melhor. E não foi o caso do John Bull Music Hall. Não que eu tenha sido atendida mal pelos pessoal.
O bar pecou pelo que não tinha. Só um tipo de cerveja, e em lata (tinha aquela bohemia insossa também, mas não tinha nem heinekken ???!!!! Básico! Nem uma cerveja escura decente? Nem sequer um uísque bebível, pois a única dose que a gente comprou daquela porcaria que eles tavam vendendo ficou no copo. De plástico. E o sistema novo de fichas, sem uso de cartão, é uma regressão pra uma casa tão importante. Se a intenção era evitar problemas na hora de sair, com filas, sinto informar que essa “solução” ficou pior. Sem falar que o show começou 1h30 da manhã – o ingresso falava 22h. Imperdoável. E mais, incompreensível, pra uma casa com a tradição do John Bull. (ah, e o ingresso tava com o valor riscado, pra mais, é claro, quando eu o comprei?????!!!!)
Só não foi uma noite mais irritante porque Otto e sua banda não deixaram. Quando eles começaram esqueci que tava puta da cara com o lugar. A sonzera no palco, as firulas de Otto querendo fumar e fazendo suas ligas sonoras entre uma musica e outra, uma platéia feliz, junto com a base da poderosa percussão que o lançou ao mundo e alguns dos melhores músicos da atualidade (porque esses caras o são, efetivamente), salvaram a noite. O Otto está melhor do que nunca, e não poderia escolher melhores companhias para subir ao palco. A gente agradece. Voltem sempre. Mas, o John Bull que se prepare melhor pra receber seus clientes da próxima vez. (adriane perin)
5/23/2010
A Força que vem da Capoeira
Minha amiga Fran tava passeando pela rede e resolveu ler algo que escrevi há alguns anos, pro site Overmundo, sobre a capoeira. Diz que achou lindo e até ficou inspirada para ir dar um passeio com sua filhotinha linda, que eu chamo de Franzinha", a Julia. Fui ler novamente e gostei. Resolvi colocar replicar, com algumas atualizadas.
Esse primeiro encontro foi há 9 anos. Nem eu acredito que já estou com uma corda verde amarela e vários dos amigos que conheci na capoeira, agora estão casados com seus filhotinhos indo também curtir os sons do sábado ou os treinos. Muito legal isso. Agora não treino mais no Aquacenter, que fechou. TReino na Água VErde. Continuo atravessando a cidade pra ir jogar capoeira, ali ao lado do Shopping Água Verde. O que não mudou é que continuo no Força da Capoeira, que ano passado fez uma roda linda no meu aniversário na praça ao lado de casa, com a ilustre presença do meu Avô amado. E espero que façamos outra pra festejar o 4.0 em outubro.
"Eu lembro bem aquela tarde quando, enjoada da monotomia da academia de ginástica, ouvi uma batida diferente e vi umas pernas pra cima na janela de uma das salas. Eu, entrando na minha década balzaquiana, procurava um desafio:
- O que eu sempre gostei mas nunca me atrevi a fazer por me achar incapaz?, me perguntava.
Quando descobri que ali tinha aquela arte tão linda da ginga que eu via embevecida e hipnotizada acontecer nas ruas, achando que era algo que meu corpo não conseguiria fazer, pirei. Quando botei a cabeça – e olhos curiosos - pra dentro da sala, veio o convite de um cara de voz forte e bonita que, depois eu soube, era o Mestre Kinkas – Joaquim Guedes da Silva Alcoforado Neto.
- Venha aí, fazer uma aula com a gente”, disse.
De onde veio a coragem, sinceramente ainda não sei, mas eu fui. E há cinco anos, toda terça e quinta eu tô lá, faça chuva ou sol, atravesso a cidade para aprender a jogar capoeira, cantar, tocar e, de quebra, tenho aula de Brasil, de um Brasil que parecia distante pra essa “catarina” branquela, mais acostumada, nos seus mais de 20 anos de Curitiba, à toada do rock que aos ritmos da cultura popular. Ainda hoje me emociono com a força da cantoria e do batuque que contam sobre a saga dos negros, provocando calafrio no ritmo marcado pelo pandeiro, atabaque e berimbau. Que coisa linda é essa cantoria! E o som do berimbau hoje em dia é capaz de me tirar (e colocar de volta no) do prumo.
O Grupo Força da Capoeira nasceu em Curitiba há 14 anos, quando Kinkas e Áurea vieram de Recife para Curitiba para (re) começar tudo. O menino Gabriel eles tiveram aqui, e foi por conta das “intromissões” dele – que já é um capoeirista com estilo aos 13 anos - , querendo fazer bananeira e entrar no jogo, que eles desenvolveram uma técnica de ensino da capoeira para crianças a partir de 2 anos e 9 meses, que auxilia também na alfabetização. Áurea e Kinkas também ajudaram a disseminar nessa “terra de polaco” os ritmos da nossa cultura popular. Junto com a capoeira, aprendemos frevo, maculelê, samba de roda, coco, maracatú, xaxado, puxada de rede, eles tentam pôr mais dendê na vida dessa gente meio durinha aqui do Sul. No ritmo dos quadris e dos pés da professora Àurea ví alguns preconceitos – que nem sabia que eu tinha – irem por terra com ela buzinando no meu ouvido: “Vamo lá Rubi, solta essa franga, faz a piriquita falar”.
E o maculelê – “essa dança guerreira de preto velho do tempo da escravidão” - ? Confesso que entre a candura do coco, a sensualidade do samba de roda, foi a energia catártica do Maculelê que mais me acertou. O batuque, as músicas guerreiras o bater dos paus e o faiscar dos facões....
Não foi só por sua beleza que a capoeira entrou na minha vida. Tenho convicção que se continuo nessa lida é porque encontrei o Grupo Força da Capoeira. Porque gosto da filosofia de vida que norteia seus trabalhos, das pessoas especiais que o fazem existir. Sábado passado mesmo, em uma aulão, Mestre Kinkas teve outra daquelas conversas que nos dizem que a capoeira não é só dar pernada, mortais e essas coisas de exibicionismo gratuito. Sempre ao final das aulas ele conversa, alerta para não entrar no jogo de quem gosta de tretá, relembra histórias da capoeira, comenta sobre algo que está acontecendo...eu gosto disso.
Também tem os dias em que o tempo fecha, faz parte, é só saber levar e não é por acaso que Kinkas é chamado de Mestre. Ele é uma referência, principalmente, noto, para algumas pessoas que estão há mais de dez anos juntas no grupo, começaram adolescentes, crianças, cresceram e hoje são homens e mulheres que ajudam a quebrar os preconceitos que ainda rondam essa linda arte marcial brasileira. E a Áurea ali, segurando a onda junto, fazendo as roupas, os instrumentos que eles vendem na Feirinha do Largo da Ordem, todo domingo, dando aulas e, especialmente, ensinando as gurias a cantar e soltar o corpo de “um jeito diferente dos homens”. Ela tem uma voz poderosa e isso é importante, porque ainda não é muito comum as mulheres cantarem na capoeira. O Força tem mulheres que cantam e tocam. Terá mais, em breve. Até porque o número delas aumentou muito desde 2001. Já tinha a Maria José, a Mirian, a Alessandra e a Grila, vieram as superpoderosas Lindina, Docinho e Florzinha. A Sereia, “que cresceu na capoeira”, voltou com uma gana visível para recuperar os três anos que ficou sem treinar; chegou a Cacá, carioca seu jeito de guerreira, e, há pouco tempo a Tati, com sua experiência de dez anos na arte da ginga. Gurias porretas que não perdem o charme na hora de brincar a capoeira.
É um hábito na capoeira dar apelidos aos seus integrantes. Eu simplesmente amo o que ganhei, Rubi, por conta de meus cachos coloridos artificialmente - que lhes causava um tanto de espanto no começo, principalmente quando um suor vermelho escorria depois de uma camada recente de tinta.
Gosto de estar em mundos diferentes, e vê-los se encontrando. A jornalista tagarela acostumada a ter tudo sob relativo controle que, aqui, se desarma, desacelera, entra com uma expressão tensa no rosto e sai leve, sorriso aberto e com uma vontade louca no peito de nunca mais sair de uma roda de capoeira. Fico puta da cara quando o jogo não rende, mas tem horas mágicas em que já não importa se eu jogo muito ou pouco, se acerto o movimento ou não. Quando dou o aú para entrar na roda, é um transe incrível que, ao invés de cansar, descansa, descarrega todo o peso do mundo e repõe as forças – tanto quanto uma bela canção.
A vontade de fazer capoeira melhor aumenta quando vejo o “jogo zen” do Boneco de Milho (Miguel); a obstinação do Ema (Rodrigo); a alegria contagiante do Cigano (Marcos), o charme da Sereia (Larissa), da Jaboticaba (Mirian) e da Grila, os cuidados do Olavo, a força do Marquinhos. Mestre Kinkas e Áurea inspiram, também na vida. Assim como a amizade de todos os outros, nesse grupo que cresce a olhos vistos e sempre dá um jeito de engrenar uma baladinha regada, claro, a roda de capoeira, que vai até o churrasco e uma cervejinha, que ninguém é de ferro.
E por falar em balada, esse texto é pra contar que no próximo dia 9 de dezembro, como sempre acontece no segundo sábado de dezembro, é dia do Batizado do Grupo Força. Batizado é a cerimônia de troca de cordas dos alunos, não tem absolutamente nenhum cunho religioso.
Vai ter também xaxado, maculelê, coco, samba de roda, com convidados daqui, de Santa Catarina e Rio de Janeiro. Eu vou pegar a corda marrom e verde – e me dá um frio na barriga só de pensar.
Eu não planejei ficar na capoeira, só queria ver como era. E hoje não consigo me imaginar sem ela e sem essas pessoas que conheci. E pra quem acha que capoeira é só pro pessoal mais novo, tem uma fala que o Mestre Kinkas emprestou de alguém, se não me engano, que é perfeita: a Capoeira é o jeito que o corpo dá. Que o diga eu, essa branquelinha de 36 anos, que dava pinta de que não vingaria: pois é, e eu achei mais um lugar que é meu nesse mundão: a capoeira, junto com o Força da Capoeira."
(Adri)
Esse primeiro encontro foi há 9 anos. Nem eu acredito que já estou com uma corda verde amarela e vários dos amigos que conheci na capoeira, agora estão casados com seus filhotinhos indo também curtir os sons do sábado ou os treinos. Muito legal isso. Agora não treino mais no Aquacenter, que fechou. TReino na Água VErde. Continuo atravessando a cidade pra ir jogar capoeira, ali ao lado do Shopping Água Verde. O que não mudou é que continuo no Força da Capoeira, que ano passado fez uma roda linda no meu aniversário na praça ao lado de casa, com a ilustre presença do meu Avô amado. E espero que façamos outra pra festejar o 4.0 em outubro.
"Eu lembro bem aquela tarde quando, enjoada da monotomia da academia de ginástica, ouvi uma batida diferente e vi umas pernas pra cima na janela de uma das salas. Eu, entrando na minha década balzaquiana, procurava um desafio:
- O que eu sempre gostei mas nunca me atrevi a fazer por me achar incapaz?, me perguntava.
Quando descobri que ali tinha aquela arte tão linda da ginga que eu via embevecida e hipnotizada acontecer nas ruas, achando que era algo que meu corpo não conseguiria fazer, pirei. Quando botei a cabeça – e olhos curiosos - pra dentro da sala, veio o convite de um cara de voz forte e bonita que, depois eu soube, era o Mestre Kinkas – Joaquim Guedes da Silva Alcoforado Neto.
- Venha aí, fazer uma aula com a gente”, disse.
De onde veio a coragem, sinceramente ainda não sei, mas eu fui. E há cinco anos, toda terça e quinta eu tô lá, faça chuva ou sol, atravesso a cidade para aprender a jogar capoeira, cantar, tocar e, de quebra, tenho aula de Brasil, de um Brasil que parecia distante pra essa “catarina” branquela, mais acostumada, nos seus mais de 20 anos de Curitiba, à toada do rock que aos ritmos da cultura popular. Ainda hoje me emociono com a força da cantoria e do batuque que contam sobre a saga dos negros, provocando calafrio no ritmo marcado pelo pandeiro, atabaque e berimbau. Que coisa linda é essa cantoria! E o som do berimbau hoje em dia é capaz de me tirar (e colocar de volta no) do prumo.
O Grupo Força da Capoeira nasceu em Curitiba há 14 anos, quando Kinkas e Áurea vieram de Recife para Curitiba para (re) começar tudo. O menino Gabriel eles tiveram aqui, e foi por conta das “intromissões” dele – que já é um capoeirista com estilo aos 13 anos - , querendo fazer bananeira e entrar no jogo, que eles desenvolveram uma técnica de ensino da capoeira para crianças a partir de 2 anos e 9 meses, que auxilia também na alfabetização. Áurea e Kinkas também ajudaram a disseminar nessa “terra de polaco” os ritmos da nossa cultura popular. Junto com a capoeira, aprendemos frevo, maculelê, samba de roda, coco, maracatú, xaxado, puxada de rede, eles tentam pôr mais dendê na vida dessa gente meio durinha aqui do Sul. No ritmo dos quadris e dos pés da professora Àurea ví alguns preconceitos – que nem sabia que eu tinha – irem por terra com ela buzinando no meu ouvido: “Vamo lá Rubi, solta essa franga, faz a piriquita falar”.
E o maculelê – “essa dança guerreira de preto velho do tempo da escravidão” - ? Confesso que entre a candura do coco, a sensualidade do samba de roda, foi a energia catártica do Maculelê que mais me acertou. O batuque, as músicas guerreiras o bater dos paus e o faiscar dos facões....
Não foi só por sua beleza que a capoeira entrou na minha vida. Tenho convicção que se continuo nessa lida é porque encontrei o Grupo Força da Capoeira. Porque gosto da filosofia de vida que norteia seus trabalhos, das pessoas especiais que o fazem existir. Sábado passado mesmo, em uma aulão, Mestre Kinkas teve outra daquelas conversas que nos dizem que a capoeira não é só dar pernada, mortais e essas coisas de exibicionismo gratuito. Sempre ao final das aulas ele conversa, alerta para não entrar no jogo de quem gosta de tretá, relembra histórias da capoeira, comenta sobre algo que está acontecendo...eu gosto disso.
Também tem os dias em que o tempo fecha, faz parte, é só saber levar e não é por acaso que Kinkas é chamado de Mestre. Ele é uma referência, principalmente, noto, para algumas pessoas que estão há mais de dez anos juntas no grupo, começaram adolescentes, crianças, cresceram e hoje são homens e mulheres que ajudam a quebrar os preconceitos que ainda rondam essa linda arte marcial brasileira. E a Áurea ali, segurando a onda junto, fazendo as roupas, os instrumentos que eles vendem na Feirinha do Largo da Ordem, todo domingo, dando aulas e, especialmente, ensinando as gurias a cantar e soltar o corpo de “um jeito diferente dos homens”. Ela tem uma voz poderosa e isso é importante, porque ainda não é muito comum as mulheres cantarem na capoeira. O Força tem mulheres que cantam e tocam. Terá mais, em breve. Até porque o número delas aumentou muito desde 2001. Já tinha a Maria José, a Mirian, a Alessandra e a Grila, vieram as superpoderosas Lindina, Docinho e Florzinha. A Sereia, “que cresceu na capoeira”, voltou com uma gana visível para recuperar os três anos que ficou sem treinar; chegou a Cacá, carioca seu jeito de guerreira, e, há pouco tempo a Tati, com sua experiência de dez anos na arte da ginga. Gurias porretas que não perdem o charme na hora de brincar a capoeira.
É um hábito na capoeira dar apelidos aos seus integrantes. Eu simplesmente amo o que ganhei, Rubi, por conta de meus cachos coloridos artificialmente - que lhes causava um tanto de espanto no começo, principalmente quando um suor vermelho escorria depois de uma camada recente de tinta.
Gosto de estar em mundos diferentes, e vê-los se encontrando. A jornalista tagarela acostumada a ter tudo sob relativo controle que, aqui, se desarma, desacelera, entra com uma expressão tensa no rosto e sai leve, sorriso aberto e com uma vontade louca no peito de nunca mais sair de uma roda de capoeira. Fico puta da cara quando o jogo não rende, mas tem horas mágicas em que já não importa se eu jogo muito ou pouco, se acerto o movimento ou não. Quando dou o aú para entrar na roda, é um transe incrível que, ao invés de cansar, descansa, descarrega todo o peso do mundo e repõe as forças – tanto quanto uma bela canção.
A vontade de fazer capoeira melhor aumenta quando vejo o “jogo zen” do Boneco de Milho (Miguel); a obstinação do Ema (Rodrigo); a alegria contagiante do Cigano (Marcos), o charme da Sereia (Larissa), da Jaboticaba (Mirian) e da Grila, os cuidados do Olavo, a força do Marquinhos. Mestre Kinkas e Áurea inspiram, também na vida. Assim como a amizade de todos os outros, nesse grupo que cresce a olhos vistos e sempre dá um jeito de engrenar uma baladinha regada, claro, a roda de capoeira, que vai até o churrasco e uma cervejinha, que ninguém é de ferro.
E por falar em balada, esse texto é pra contar que no próximo dia 9 de dezembro, como sempre acontece no segundo sábado de dezembro, é dia do Batizado do Grupo Força. Batizado é a cerimônia de troca de cordas dos alunos, não tem absolutamente nenhum cunho religioso.
Vai ter também xaxado, maculelê, coco, samba de roda, com convidados daqui, de Santa Catarina e Rio de Janeiro. Eu vou pegar a corda marrom e verde – e me dá um frio na barriga só de pensar.
Eu não planejei ficar na capoeira, só queria ver como era. E hoje não consigo me imaginar sem ela e sem essas pessoas que conheci. E pra quem acha que capoeira é só pro pessoal mais novo, tem uma fala que o Mestre Kinkas emprestou de alguém, se não me engano, que é perfeita: a Capoeira é o jeito que o corpo dá. Que o diga eu, essa branquelinha de 36 anos, que dava pinta de que não vingaria: pois é, e eu achei mais um lugar que é meu nesse mundão: a capoeira, junto com o Força da Capoeira."
(Adri)
5/19/2010
Adri Perin agora no BRpress
Então é isso, estou relativamente de volta à ativa, escrevendo sobre cultura para o site Brpress, que é também uma agência de notícias de cultura. Estou começando, tomara que vingue. Ontem foi publicado um texto sobre o 92 graus. Hoje tem novidades sobre a Sabonetes.
É só acessar - BR PRESS
link para matéria sobre os Sabonetes
e 92 graus
É só acessar - BR PRESS
link para matéria sobre os Sabonetes
e 92 graus
Quinta-feira de oportunidades musicais únicas

Gazeta do Povo
Coluna Acordes Locais
Luiz Claudio Oliveira
É uma oportunidade única. Não se sabe se haverá outra. A banda Criaturas está despedaçada, isso a gente já sabe. O motivo é que o casal Xanda Lemos e Bruno Zagonel mudou-se para a cidade de Charlotte, nos Estados Unidos. Mas todas as criaturas têm um período de férias e os dois estão dando um tempo em Curitiba e decidiram fazer um show na cidade. Vão se apresentar no mesmo dia e palco, mas não ao mesmo tempo, em que a banda Mordida aproveita para gravar o videoclipe da música “Maluca”, integrante de seu próximo disco, que vai ser lançado em breve. Criaturas e Mordida são duas das melhores bandas de rock/pop desta cidade infestada de grupos. E tudo acontece amanhã, no James.
No ano passado, a Criaturas lançou um belo CD, que já foi assunto de texto aqui neste espaço. Um álbum pouco valorizado pelo universo musical brasileiro. Talvez não soasse tão indie, ou tão rock, ou tecno, ou hippie, ou pagodeiro, ou sertanejo, ou sei lá qual é o som da moda. As pessoas gostam de se deixar escravizar por rótulos. Tudo bem, faz parte da autoafirmação de buscar apoio em grupos. Quem não escutou, perdeu. O Sexto Dedo é um dos melhores registros de pop-rock já feitos na cidade e, amanhã, há uma oportunidade única para conhecê-lo ou voltar a apreciá-lo.
Xanda e Bruno avisam que haverá versões em inglês para algumas canções e a participação especial dos músicos Fred Teixeira (percussão e voz) e Du Gomide (guitarra e voz), que participaram da gravação do disco.
E também tem Mordida, que além de gravar o clipe, vai apresentar algumas músicas que estarão no primeiro CD da banda (até agora só lançou EPs). Um disco aguardado com muita expectativa, pois o grupo é um dos mais respeitados do cenário curitibano pela qualidade de seus componentes e pelo trabalho sério que desenvolvem. Sério, apenas antes de subir ao palco, pois lá o som é descontraído e vibrante. A banda é formada pelo núcleo Paulo Hde Nadal (voz e guitarra) e Ivan Rodrigues (bateria), além de músicos convidados que gravitam dependendo da ocasião.
5/18/2010
Batera do Hotel convida

Eduardo Patrício, o baterista do Hotel Avenida, é um estudioso de sons. Com seu projeto experimental ele faz uma apresentação hoje:
" Afstand no DeArtes
Nesta terça-feira no auditório do DeArtes – UFPR às 18:30h, concerto com o grupo Afstand.
O DeArtes fica na rua Coronel Dulcídio, 638, Batel – Curitiba
Pode-se esperar: jazz, muito improviso e coisinhas eletrônicas.
Afstand é:
Pepê Barcellos – guitarra
Eduardo Patrício – derbak, bateria e eletrônicos
Carlos Ramos – sax, flauta e tromba marina
+ participações especiais…"
5/17/2010
sobre eu e você
Em geral, quem comenta os escritos do Bortolotto aqui é o ivan, mas desta vez, o que o mario escreveu pra Folha de hoje, acertou primeiro em mim. E me lembrou uma amiga dos tempos de faculdade. Ela, a Paulinha, rabiscou na parede da kit onde a gente morava, em Ponta Grossa, uma frase que não lembro direito, mas falava de felicidade, de estar alegre, enfim.
Um dia, ela chegou de saco cheio daquelas letras grandes exigindo, cobrando uma felicidade que em vários dias nem quer olhar pra cara da gente (e nem a gente pra cara dela, vamo combinar!). Lembro até da expressão dela quando perguntei porque isso, agora? ela me respondeu, com uma cara que estava em algum lugar muito próximo de "um bater a cara na porta que quem aparecesse na frente": "Ah, é uma obrigação de ser feliz todo dia!!!"... Achei aquele instante tão genial.
Acho que o que o Mario fala em relação à exigência de se divertir, de ter que ver todos os shows, tem a ver com isso também. Ele está falando da Virada Cultural, e não falou mal do evento, falou muito certo é do nosso tempo e das pessoas "antenadas" de hoje.
E falou de mim mesma, mesmo que muitas vezes eu não me dê conta. Não que eu me obrigue a ser feliz todo dia, ao contrário. Ou me obrigue a ir a todos os eventos que acontecem. Definitivamente, não.
Mas sim, me fez lembrar de me dar o direito (e que os outros me deixem também) de não estar feliz todos os dias. E, mais, que eu não cobre de quem está ao lado que seja feliz todos os dias. E que eu não me sinta culpada por não ter ido a qualquer coisa que seja. E que eu não me sinta culpada por ter preferido ficar na minha casinha gostosa, lendo um livro que to amando ou ouvindo música, sem fazer mais nada.
Lendo Mario lembrei da minha amiga, lembrei do fim do 92, lembrei de mim mesma, outra vez. (adri)
Um dia, ela chegou de saco cheio daquelas letras grandes exigindo, cobrando uma felicidade que em vários dias nem quer olhar pra cara da gente (e nem a gente pra cara dela, vamo combinar!). Lembro até da expressão dela quando perguntei porque isso, agora? ela me respondeu, com uma cara que estava em algum lugar muito próximo de "um bater a cara na porta que quem aparecesse na frente": "Ah, é uma obrigação de ser feliz todo dia!!!"... Achei aquele instante tão genial.
Acho que o que o Mario fala em relação à exigência de se divertir, de ter que ver todos os shows, tem a ver com isso também. Ele está falando da Virada Cultural, e não falou mal do evento, falou muito certo é do nosso tempo e das pessoas "antenadas" de hoje.
E falou de mim mesma, mesmo que muitas vezes eu não me dê conta. Não que eu me obrigue a ser feliz todo dia, ao contrário. Ou me obrigue a ir a todos os eventos que acontecem. Definitivamente, não.
Mas sim, me fez lembrar de me dar o direito (e que os outros me deixem também) de não estar feliz todos os dias. E, mais, que eu não cobre de quem está ao lado que seja feliz todos os dias. E que eu não me sinta culpada por não ter ido a qualquer coisa que seja. E que eu não me sinta culpada por ter preferido ficar na minha casinha gostosa, lendo um livro que to amando ou ouvindo música, sem fazer mais nada.
Lendo Mario lembrei da minha amiga, lembrei do fim do 92, lembrei de mim mesma, outra vez. (adri)
Easy Players
Caraca,esse é o Norberto Pie cantando.... é. Esse é o Easy Players, que tem na formação também o Coelho, Cris, Cassiano e a Andreza. A música é "Girl" e o Coelho conta que azucrinou a vida do pobre do Norberto pra ele cantar desse jeito... gostei mesmo desse jeito pra lá de cool de cantar, inspirado em uns caras bons que a gente conhece. O clipe foi feito pelo Cassiano. Gostei da música. (adri)
Vai também no:
http://www.myspace.com/easyplayers
5/13/2010
5/12/2010
Criaturas e Mordida no James
Há mais de um ano vivendo nos Estados Unidos, a vocalista, compositora e guitarrista da banda curitibana CRIATURAS, Xanda Lemos – junto com seu marido e baterista Bruno Zagonel – retorna à terra natal para uma breve estadia na cidade. Aproveitando a oportunidade, eles reúnem pela primeira vez o grupo todo para divulgação do CD O SEXTO DEDO, gravado no final de 2008.
Neste show exclusivo, CRIATURAS promete algumas versões em inglês de clássicos da banda, como Óculos Escuros (Dark at Night), o Homem Mosca (The Housefly Man) e Insuportavelmente Só (Alone). O show contará também com a participação dos músicos Fred Teixeira (percussão e voz) e Du Gomide (guitarra e voz), que participaram da produção do disco.
CRIATURAS vai dividir o palco com a MORDIDA, que promete um show arrebatador, com a participação do público para a gravação de mais um vídeoclipe!
Ouça Criaturas aqui: www.myspace.com/bandacriaturas
Ouça Mordida aqui: www.tramavirtual.com.br/mordida
Serviço: Show com CRIATURAS & MORDIDA
Quinta, 20/05, a partir das 22h
James Bar - R. Vicente Machado, 894
Entrada: R$ 8,00
Lista amiga até 18h do dia: lista@jamesbar.com.br
5/11/2010
Próxima parada
Gazeta do Povo
Fotos: Rafael Dabul/Divulgação
No alto, Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato (bateria), Marano (guitarra e voz), e Igor Ribeiro (sintetizadores e sax): o cotidiano e uma mistura sonora
Dasvelas, banda formada por ex-integrantes do Terminal Guadalupe, grava primeiro álbum, produzido por Carlos Trilha, e apresenta o novo repertório no próximo domingo
Marcio Renato dos Santos
Uma novidade sonora deve provocar burburinho na cena cultural curitibana: a banda Dasvelas vai, finalmente, mostrar o seu repertório, durante 40 minutos, na manhã do próximo domingo, no pátio do Conservatório de MPB.
A expectativa a respeito desse projeto musical está no ar desde março do ano passado, quando foi anunciado o fim das atividades da banda Terminal Guadalupe, apontada por críticos, como Sérgio Martins, da revista Veja, como uma das mais promissoras do cenário nacional. O TG, na realidade, não acabou: está na ativa, capitaneado pelo vocalista Dary Jr. Mas três ex-integrantes do TG continuaram tocando juntos e formaram a Dasvelas.
Para fluir
Allan Yokohama (guitarra e voz), Marano (guitarra e voz) e Fabiano Ferronato (bateria), músicos que chamaram a atenção do público e da crítica pela sonoridade que desenvolveram no TG, incorporaram o amigo Igor Ribeiro (sintetizadores e sax) nessa nova proposta musical.
Eles afirmam que, antes da sonoridade, o que explica a banda é a amizade, o elo que os aproxima e torna a relação leve e agradável.
Yokohama lembra que, como muitos ensinamentos evidenciam, nada é independente nesse mundo de contínuos intercâmbios. O quarteto troca informações com muita frequência. Mostram, uns aos outros, a mais recente descoberta musical, assistem filmes e compartilham inúmeras horas da existência.
Marano e Ribero vivem há seis meses no mesmo endereço, no bairro Água Verde, local em que a banda ensaia, das segundas às quintas-feiras, das 19 às 22 horas.
Além de refinar o repertório para as apresentações públicas, eles se permitem brincar, improvisar e ouvir o que gostam. De Led Zeppelin a Cazuza, também fazem soar no aparelho de som canções de bandas curitibanas, como ruído/mm, Anacrônica, Sabonetes, Copacabana Club, Hotel Avenida, Mordida, Narciso Nada e outras.
No dia 10 de junho, a Dasvelas divide o palco do James com a banda Charme Chulo. Eles querem exibir as suas canções no palco do Wonka, no Blues Velvet, no Teatro do Paiol, enfim, onde for possível soar.
Em um segundo momento, a meta é conhecer o país fazendo música. Nada mais natural, observa Yokohama, do que seguir Brasil afora por meio de uma turnê permanente – algo que pode se estender por outros países.
No tsunâmi do agora
“Pessoas vivendo o presente, esquecendo o depois.” Eis um trecho de uma nova letra que, como sugere Yokohama, pode ajudar a compreender a proposta da banda.
Eles entendem que esse começo de década é um momento que, acima de tudo, “pede” leveza, devido a tantos incidentes e tragédias que se repetem em diversos pontos do mundo, de corrupção a desastres naturais. “Então, percebemos que o artista tem de oferecer leveza ao público. Não é escapismo. Ao contrário. Já há ‘peso’ demais na realidade”, diz Ribeiro. E Yokohama completa dizendo que as letras são, de maneira geral, “para cima”.
A gravação do álbum, ainda sem título, aconteceu em meio a um astral muito leve, dizem os músicos. De janeiro a março, eles registraram 14 canções no estúdio carioca Órbita, com a produção de Carlos Trilha, famoso por ter burilado álbuns da Legião Urbana, Renato Russo, Marisa Monte e Lobão.
Trilha, conta Ribeiro, soube extrair o que a banda tinha de melhor, sem tentar transformá-los em um produto comercialmente viável. Eles lançam o álbum em agosto. No mês que vem, anteciparão uma das faixas pela internet. E, neste próximo domingo, dão o primeiro passo em público desse projeto que, como o nome sugere, segue ao sabor do vento.
Saiba mais sobre a banda Dasvelas:
Sintonia
Os quatro integrantes são da mesma geração. Allan Yokohama e Fabiano Ferronato têm 29 anos, dois a mais do que Marano. Eles se encontraram no Terminal Guadalupe (conjunto de rock local), e há pouco mais de um ano seguiram em busca de novos ares, o que resultou no grupo Dasvelas. Igor Ribeiro, 30, que já tocou, entre outras bandas, na Íris, é um amigo de muito tempo, que ajudou a consolidar esse novo projeto.
Baixo
Yokohama e Marano tocam guitarra, mas em algumas situações Yohohama assume uma guitarra barítono, responsável pelos graves, uma vez que a banda não tem contrabaixista. Igor Ribeiro também dá um jeito nos graves, por meio de seus sintetizadores.
Texto
Yokohama, um dos letristas, diz que, de maneira geral, o discurso da banda é “para cima”, a respeito do cotidiano, do amor, da amizade. Para exemplificar, ele apresenta, com exclusividade para os leitores da Gazeta do Povo, trechos de algumas das letras de canções inéditas. “Faço um brinde ao amor dono do que eu sinto/ Ao sentimento que renasce cheio de vontade por ser nobre”. Em outra canção, ele canta o seguinte: “O livre arbítrio sempre caiu bem/ Essa é a força natural que o mantém”. Ele ainda sente necessidade de enunciar o seguinte discurso: “Lembra do amanhecer/ como foi bom ouvir tua parte/ Eu tinha tempo vc saudade/ Nem céu nem inferno pra crer”.
Serviço
Estréia da banda Dasvelas. Conservatório de MPB (R. Mateus Leme, 66). Dia 16, às 11h. No Sarau das Nuvens. R$ 5. Mais informações: (41) 9902-1814.
Fotos: Rafael Dabul/Divulgação
No alto, Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato (bateria), Marano (guitarra e voz), e Igor Ribeiro (sintetizadores e sax): o cotidiano e uma mistura sonoraDasvelas, banda formada por ex-integrantes do Terminal Guadalupe, grava primeiro álbum, produzido por Carlos Trilha, e apresenta o novo repertório no próximo domingo
Marcio Renato dos Santos
Uma novidade sonora deve provocar burburinho na cena cultural curitibana: a banda Dasvelas vai, finalmente, mostrar o seu repertório, durante 40 minutos, na manhã do próximo domingo, no pátio do Conservatório de MPB.
A expectativa a respeito desse projeto musical está no ar desde março do ano passado, quando foi anunciado o fim das atividades da banda Terminal Guadalupe, apontada por críticos, como Sérgio Martins, da revista Veja, como uma das mais promissoras do cenário nacional. O TG, na realidade, não acabou: está na ativa, capitaneado pelo vocalista Dary Jr. Mas três ex-integrantes do TG continuaram tocando juntos e formaram a Dasvelas.
Para fluir
Allan Yokohama (guitarra e voz), Marano (guitarra e voz) e Fabiano Ferronato (bateria), músicos que chamaram a atenção do público e da crítica pela sonoridade que desenvolveram no TG, incorporaram o amigo Igor Ribeiro (sintetizadores e sax) nessa nova proposta musical.
Eles afirmam que, antes da sonoridade, o que explica a banda é a amizade, o elo que os aproxima e torna a relação leve e agradável.
Yokohama lembra que, como muitos ensinamentos evidenciam, nada é independente nesse mundo de contínuos intercâmbios. O quarteto troca informações com muita frequência. Mostram, uns aos outros, a mais recente descoberta musical, assistem filmes e compartilham inúmeras horas da existência.
Marano e Ribero vivem há seis meses no mesmo endereço, no bairro Água Verde, local em que a banda ensaia, das segundas às quintas-feiras, das 19 às 22 horas.
Além de refinar o repertório para as apresentações públicas, eles se permitem brincar, improvisar e ouvir o que gostam. De Led Zeppelin a Cazuza, também fazem soar no aparelho de som canções de bandas curitibanas, como ruído/mm, Anacrônica, Sabonetes, Copacabana Club, Hotel Avenida, Mordida, Narciso Nada e outras.
No dia 10 de junho, a Dasvelas divide o palco do James com a banda Charme Chulo. Eles querem exibir as suas canções no palco do Wonka, no Blues Velvet, no Teatro do Paiol, enfim, onde for possível soar.
Em um segundo momento, a meta é conhecer o país fazendo música. Nada mais natural, observa Yokohama, do que seguir Brasil afora por meio de uma turnê permanente – algo que pode se estender por outros países.
No tsunâmi do agora
“Pessoas vivendo o presente, esquecendo o depois.” Eis um trecho de uma nova letra que, como sugere Yokohama, pode ajudar a compreender a proposta da banda.
Eles entendem que esse começo de década é um momento que, acima de tudo, “pede” leveza, devido a tantos incidentes e tragédias que se repetem em diversos pontos do mundo, de corrupção a desastres naturais. “Então, percebemos que o artista tem de oferecer leveza ao público. Não é escapismo. Ao contrário. Já há ‘peso’ demais na realidade”, diz Ribeiro. E Yokohama completa dizendo que as letras são, de maneira geral, “para cima”.
A gravação do álbum, ainda sem título, aconteceu em meio a um astral muito leve, dizem os músicos. De janeiro a março, eles registraram 14 canções no estúdio carioca Órbita, com a produção de Carlos Trilha, famoso por ter burilado álbuns da Legião Urbana, Renato Russo, Marisa Monte e Lobão.
Trilha, conta Ribeiro, soube extrair o que a banda tinha de melhor, sem tentar transformá-los em um produto comercialmente viável. Eles lançam o álbum em agosto. No mês que vem, anteciparão uma das faixas pela internet. E, neste próximo domingo, dão o primeiro passo em público desse projeto que, como o nome sugere, segue ao sabor do vento.
Saiba mais sobre a banda Dasvelas:
Sintonia
Os quatro integrantes são da mesma geração. Allan Yokohama e Fabiano Ferronato têm 29 anos, dois a mais do que Marano. Eles se encontraram no Terminal Guadalupe (conjunto de rock local), e há pouco mais de um ano seguiram em busca de novos ares, o que resultou no grupo Dasvelas. Igor Ribeiro, 30, que já tocou, entre outras bandas, na Íris, é um amigo de muito tempo, que ajudou a consolidar esse novo projeto.
Baixo
Yokohama e Marano tocam guitarra, mas em algumas situações Yohohama assume uma guitarra barítono, responsável pelos graves, uma vez que a banda não tem contrabaixista. Igor Ribeiro também dá um jeito nos graves, por meio de seus sintetizadores.
Texto
Yokohama, um dos letristas, diz que, de maneira geral, o discurso da banda é “para cima”, a respeito do cotidiano, do amor, da amizade. Para exemplificar, ele apresenta, com exclusividade para os leitores da Gazeta do Povo, trechos de algumas das letras de canções inéditas. “Faço um brinde ao amor dono do que eu sinto/ Ao sentimento que renasce cheio de vontade por ser nobre”. Em outra canção, ele canta o seguinte: “O livre arbítrio sempre caiu bem/ Essa é a força natural que o mantém”. Ele ainda sente necessidade de enunciar o seguinte discurso: “Lembra do amanhecer/ como foi bom ouvir tua parte/ Eu tinha tempo vc saudade/ Nem céu nem inferno pra crer”.
Serviço
Estréia da banda Dasvelas. Conservatório de MPB (R. Mateus Leme, 66). Dia 16, às 11h. No Sarau das Nuvens. R$ 5. Mais informações: (41) 9902-1814.
5/09/2010
5/04/2010
Armadilhas da vida virtual - ou quem disse que eu tenho que estar conectado o tempo todo
Como já comentei por aqui, não sou exatamente um fã do André Forastieri. Não gostei quando ele assumiu o comando da Bizz e sempre tive reservas a atitudes dele que mais pareciam aquele tipico jornalismo que se preocupava mais em "causar" do que em informar ou mesmo dar opinião consistente. Bobagens como "preto não sabe fazer rock" ou "o disco do fulano é ruim porque é chato" acabaram colaborando para gerar um tipo de "escola" de crítica musical no Brasil boba, superficial e vazia que não me atrai nem um pouco. Sem falar nos imitadores que sem o talento de polemista, a inteligência, o texto e a cultura do cara pegaram a casca da coisa e só produziram nulidades.
Mas também nunca deixei de reconhecer o talento do cara para escrever e levantar questões pertinentes sobre assuntos polêmicos. Prefiro um jornalista com o qual eu não concorde, mas que me instigue, do que o comodismo, o bom mocismo e a mesmice que muitas vezes impera por aí.
E recentemente ele escreveu mais um texto em seu blog com o qual me identifiquei bastante. "Por que você não me encontra no Facebook nem no Orkut" fala sobre esse excesso de vida virtual que parece nos engolir nos dias atuais. Como igualmente já comentei por aqui, acho curioso que a tecnologia e a era da informática tenha sido vendida como uma forma de livrar a gente de trabalhos e ocupações maçantes, para que tivessemos mais tempo para nós mesmos, família, amigos, ler, lazer, etc. E que o que aconteceu tenha sido justamente o contrário - nunca tivemos cercados de tantas máquinas pra fazer as coisas, e nunca tivemos tão pouco tempo pra nada. Destaco alguns trechos do que ele disse:
"Você às vezes tem impressão de que está sendo soterrado por tanta novidade? Você está começando a achar que talvez toda essa gente com quem você se comunica digitalmente o dia inteiro talvez não mereça, assim, tanto tempo da sua vida? Não está sozinho.
Muita gente está ficando com gastura da pressão insistente para estarmos em todos os lugares, disponíveis 24 horas por dia para todo mundo. Tem até neguinho que está além de cansado: está certo de que todo esse pula-pula das redes sociais é espuma. Até, ironia, gente que é especialista em comunicação e vive de se comunicar."
concordo plenamente. não sou nenhum saudosista, nem refratário a tecnologia ou as facilidades da internet. pelo contrario. tenho blog, myspace, tres emails, conta na trama virtual, etc. mas não tenho celular, nem twitter. detesto essa coisa de que porque surgiu algo novo e todo mundo tá usando você tem que obrigatoriamente aderir mesmo que não precise realmente daquilo. vira uma armadilha. a indústria tá o tempo todo criando "necessidades" que na verdade muitos de nós poderia passar melhor sem. mas é a lógica do negócio. a gente é que não tem que agir como manada e simplesmente aceitar isso como se fosse lei.
a medida pra eu aderir usar ou não alguma ferramenta tecnológica é a minha necessidade daquilo. não aquilo que a manada midiática me impõe.
qdo digo que não tenho celular certas pessoas me olham com espanto. não tenho porque simplesmente estou cercado de telefone a maior parte do tempo, seja em casa ou no trabalho. se eu não tiver é só deixar recado que eu retorno assim que for possível. Quem disse que a gente tem que estar disponível 24 horas por dia? porque é que eu vou querer um telefone me seguindo no banheiro ou enquanto eu to almoçando?
"Com todo o respeito e admiração pelo potencial embasbacante das novas tecnologias de comunicação – e reconhecendo que as velhas ou estão mortas, ou estão fedendo – peço licença para defender uma posição impopular: você precisa escolher onde vai investir seu tempo, sua energia, sua inteligência.
O esforço de estar sempre atualizado com as mínimas e máximas inovações não compensa. A não ser, claro, que você seja um profissional de internet / mídias sociais."
(...)
"Pessoalmente, decidi faz algum tempo ser seletivo, e recentemente ser muito seletivo. Não se trata de nostalgia dos velhos tempos e das antigas plataformas de comunicação."
(...)
"Simplesmente concluí que preciso concentrar meus esforços onde eles são mais produtivos e prazerosos. Por isso, você pode encontrar perfis meus no Facebook e no Orkut, mas confiro bimestralmente o que acontece por lá."
perfeito. recentemente entrei no tal facebook, mais pela dica do Rubens que tavam transmitindo o coachella por lá. acabei nem vendo o festival, mas fiquei atordoado com a quantidade de "informação" que brota daquele negócio. acho legal como ferramenta e tal, mas francamente, me parece mais uma coisa que acaba te tomando um tempo tremendo, com um monte de informação que seria dispensável e até inútil. pra que eu quero saber que fulano de tal "curtiu" o comentário de sicrano? ou travou "amizade" com beltrano? como dizem por aí: informação demais desinforma.
"há que saber usar o tempo com sabedoria. Agitação não é movimento."
enfim. confere lá o texto do cara na íntegra. falou muito do que eu ando pensando/sentindo.
e afinal, é pra isso que os jornalistas servem, não é mesmo (rs).
Mas também nunca deixei de reconhecer o talento do cara para escrever e levantar questões pertinentes sobre assuntos polêmicos. Prefiro um jornalista com o qual eu não concorde, mas que me instigue, do que o comodismo, o bom mocismo e a mesmice que muitas vezes impera por aí.
E recentemente ele escreveu mais um texto em seu blog com o qual me identifiquei bastante. "Por que você não me encontra no Facebook nem no Orkut" fala sobre esse excesso de vida virtual que parece nos engolir nos dias atuais. Como igualmente já comentei por aqui, acho curioso que a tecnologia e a era da informática tenha sido vendida como uma forma de livrar a gente de trabalhos e ocupações maçantes, para que tivessemos mais tempo para nós mesmos, família, amigos, ler, lazer, etc. E que o que aconteceu tenha sido justamente o contrário - nunca tivemos cercados de tantas máquinas pra fazer as coisas, e nunca tivemos tão pouco tempo pra nada. Destaco alguns trechos do que ele disse:
"Você às vezes tem impressão de que está sendo soterrado por tanta novidade? Você está começando a achar que talvez toda essa gente com quem você se comunica digitalmente o dia inteiro talvez não mereça, assim, tanto tempo da sua vida? Não está sozinho.
Muita gente está ficando com gastura da pressão insistente para estarmos em todos os lugares, disponíveis 24 horas por dia para todo mundo. Tem até neguinho que está além de cansado: está certo de que todo esse pula-pula das redes sociais é espuma. Até, ironia, gente que é especialista em comunicação e vive de se comunicar."
concordo plenamente. não sou nenhum saudosista, nem refratário a tecnologia ou as facilidades da internet. pelo contrario. tenho blog, myspace, tres emails, conta na trama virtual, etc. mas não tenho celular, nem twitter. detesto essa coisa de que porque surgiu algo novo e todo mundo tá usando você tem que obrigatoriamente aderir mesmo que não precise realmente daquilo. vira uma armadilha. a indústria tá o tempo todo criando "necessidades" que na verdade muitos de nós poderia passar melhor sem. mas é a lógica do negócio. a gente é que não tem que agir como manada e simplesmente aceitar isso como se fosse lei.
a medida pra eu aderir usar ou não alguma ferramenta tecnológica é a minha necessidade daquilo. não aquilo que a manada midiática me impõe.
qdo digo que não tenho celular certas pessoas me olham com espanto. não tenho porque simplesmente estou cercado de telefone a maior parte do tempo, seja em casa ou no trabalho. se eu não tiver é só deixar recado que eu retorno assim que for possível. Quem disse que a gente tem que estar disponível 24 horas por dia? porque é que eu vou querer um telefone me seguindo no banheiro ou enquanto eu to almoçando?
"Com todo o respeito e admiração pelo potencial embasbacante das novas tecnologias de comunicação – e reconhecendo que as velhas ou estão mortas, ou estão fedendo – peço licença para defender uma posição impopular: você precisa escolher onde vai investir seu tempo, sua energia, sua inteligência.
O esforço de estar sempre atualizado com as mínimas e máximas inovações não compensa. A não ser, claro, que você seja um profissional de internet / mídias sociais."
(...)
"Pessoalmente, decidi faz algum tempo ser seletivo, e recentemente ser muito seletivo. Não se trata de nostalgia dos velhos tempos e das antigas plataformas de comunicação."
(...)
"Simplesmente concluí que preciso concentrar meus esforços onde eles são mais produtivos e prazerosos. Por isso, você pode encontrar perfis meus no Facebook e no Orkut, mas confiro bimestralmente o que acontece por lá."
perfeito. recentemente entrei no tal facebook, mais pela dica do Rubens que tavam transmitindo o coachella por lá. acabei nem vendo o festival, mas fiquei atordoado com a quantidade de "informação" que brota daquele negócio. acho legal como ferramenta e tal, mas francamente, me parece mais uma coisa que acaba te tomando um tempo tremendo, com um monte de informação que seria dispensável e até inútil. pra que eu quero saber que fulano de tal "curtiu" o comentário de sicrano? ou travou "amizade" com beltrano? como dizem por aí: informação demais desinforma.
"há que saber usar o tempo com sabedoria. Agitação não é movimento."
enfim. confere lá o texto do cara na íntegra. falou muito do que eu ando pensando/sentindo.
e afinal, é pra isso que os jornalistas servem, não é mesmo (rs).
4/30/2010
A música voltou pra casa
Como é bom ter som ao vivo em casa de novo. Desde que os ensaios d’oaeoz saíram da casa azul e foram pro estúdio do Carlão que não tinha os caras ensaiando, mesmo, em casa. Adoro isso. Fazer a janta, ler um livro ao som de Hotel Avenida. Lembro na casa das jabuticadas, as tardes de sábado, naquele sótão. A gente passava a tarde e parte da noite naquela, os “ensaios” sempre se prolongavam. Tinha festa junina com fogão à lenha. Soa até engraçado falar disso agora, mas é isso mesmo, pinhão na chapa, que sabor de infância! que cheiro forte de infância.. cheiro forte de lenha queimando que, volta e meia sinto, aqui nas redondezas, e sei que alguém acende
O Hotel Avenida ta ensaiando aqui em casa, com participação especial do Igor e do Allan, já que o Edu vai estar viajando e não poderá participar do show em homenagem ao Ivo no Tuc, que o Getúlio e o pessoal da GGG tão organizando pros próximos dias. Rolaram outros encontros, aos poucos foi voltando. Sei que eles precisam ver um estúdio e tal, mas, puxa vida, como é bom isso. Ouvir as músicas que só ouço no fone e as “novas”, muito boas também. Pena que tô sem câmera fotográfica. Não to acostumada a ficar só olhando, quero logo ir filmando, fotografando, registrando. Mas, enfim, essa é só pra mim. Vocês podem ouvir no TUC.
O Hotel Avenida ta ensaiando aqui em casa, com participação especial do Igor e do Allan, já que o Edu vai estar viajando e não poderá participar do show em homenagem ao Ivo no Tuc, que o Getúlio e o pessoal da GGG tão organizando pros próximos dias. Rolaram outros encontros, aos poucos foi voltando. Sei que eles precisam ver um estúdio e tal, mas, puxa vida, como é bom isso. Ouvir as músicas que só ouço no fone e as “novas”, muito boas também. Pena que tô sem câmera fotográfica. Não to acostumada a ficar só olhando, quero logo ir filmando, fotografando, registrando. Mas, enfim, essa é só pra mim. Vocês podem ouvir no TUC.
4/29/2010
Hotel Avenida no programa Frente
E o programa Frente, produzido e apresentado por Henrique Portugal (Skank), incluiu recentemente em seu set list a faixa "Só o amor pode partir seus joelhos", da Hotel Avenida. Na mesma edição tem também outras duas bandas curitibanas, o Delta Cockers e Rosie And Me. Pra ouvir é só clicar em "home" e ir ao player do lado direito, em "lista", e escolher o programa de número 44.
Mais aqui.
Mais aqui.
4/27/2010
Década dos diretores

To lendo um livro bem legal, sobre cinema. Mais especificamente sobre a geração 60, a que mudou, de verdade, o jeito de fazer filmes. Gente como Francis Ford Coppola, Warren Beatty (Bonnie and Clyde), Dennis Hopper (Sem Destino), George Lucas (o mais comportadinho!!!), Robert Altman, pra ficar entre alguns dos mais badalados. A geração que mudou o cinema e o levou pro caminho do mal, dizem e dirão alguns, com boas doses de razão. “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood", de Peter Biskind tem 502 páginas. Da 461 em diante são só notas, desde a lista de personagens, passando por filmografia dos principais diretores até a fonte de cada entrevista usada, a maioria, feitas pelo próprio autor. Incrível.
É muita, mas muita informação, reunida em um livro só. E por isso mesmo uma consulta na lista de quem é quem, volta e meia se faz necessária pra refrescar a memória. São muitos nomes de diretores, assistentes, produtores, atores, e executivos de várias empresas envolvidas e convivendo entre si, entre tapas, beijos e muita disputa de egos. Em permanente queda de braço para impor seus jeitos próprios de fazer cinema. Foi o nascimento do chamado ”cinema de diretor” ou de autor (auteur, emprestado do francês).
Poderoso Chefão, Shampoo, M*A*S*h, A ùltima Sessão, Sem Destino, Bonnie and Clyde entre vários outros marcos da produção mundial, alguns menos conhecidos, foram feitos neste período e, efetivamente, mudaram tudo dentro de um mundo que a gente que ta aqui deste lado, não tem a menor ideia.
Entre altos e baixos, foram feitos em meio disputas de poder, ego e grana, muita grana. De um lado, a “Velha Hollywood”, várias gerações de profissionais veteranos às voltas com a “Nova Hollywood” e seus (falta de) métodos, que pra espanto dos “donos” do negócio, conseguiam contra todas as projeções, ter bons resultados.
Em meio a histórias de bastidores das produções, sempre cheias de problemas, diga-se, o que se acompanha é o caminho feito pela industria rumo aos blockbuster que empesteiam os cinemas atuais, monopolizando-os e alimentando a gana neurótica de consumo desses tempos velozes.
No exato trecho da leitura em que estou, nasceu esta porcaria de sistema que coloca o mesmo filme, recheado de altas cifras, em praticamente todas as salas de praticamente todos os cinemas da cidade. Foi com o Poderoso Chefão – que Coppola só aceitou fazer pressionado para tentar salvar sua produtora a Zoetrope – que se deu a virada. Aliás, Coppola não queria de jeito nenhum fazer um filme comercial baseado em um Best seller (Mario Puzo); o produtor, Evans (não to lembrando o primeiro nome), da Paramount, não aceitava de jeito nenhum AL Pacino, como o Michael e o chefe deles não queria ouvir falar do “estrela problemática” Marlon Brandon - além do tempo de duração do "ultimo corte", um horror.... haha. E deu no que deu.
O Poderoso estreou em 316 salas de cinema e a cada semana novas 50 entravam no circuito, o que pôs abaixo a hegemonia de algumas salas que pelo “prestígio” conquistado mantinham o monopólio de exibição, em situações extremas, por até um ano. Se por um lado isso parece bom, com o acesso mais rápido pra mais gente, por outro, virou essa bola de neve que nos assola a cada grande lançamento.
Sobre Easy Rider, o livro mostra um pouco do temperamento difícil de Dennis Hopper, que na época já estava de mal com a industria e acabou fazendo sessões verdadeiramente caóticas de loucas gravações se transformarem em uma produção histórica, embebida no consumo das drogas populares naqueles anos. Mentes visionárias, porém completamente entorpecidas em entregues a uma força maior que eles, que até um ponto funcionaram a favor.
O primeiro tremor, no entanto, identifica o autor, foi em 67, com a ousadia sanguinolenta e risonha de Bonnie and Clyde, o primeiro tapa violento na cara da geração que criou o cinema. Aliás, este é um dos poucos filmes que lembro muito, mas muito da minha infância, de como gostei dele, embora com olhos chocados arregalados com aquele fim triste.
Foi ali que o poder começou a sair das mãos dos criadores do cinema. A passagem de bastão, não sem espernear, dos grandes estúdios e produtores, para os diretores e sua trupe. Com Gravações externas, como donos dos cortes finais e sem os rostinhos consagrados. Tudo virou de pernas para o ar. Ajudaram também a baixa dos lucros, claro, o que abriu a porta pra que novatos que topassem gastar pouco abrissem a porta, na virada dos anos 50 pros 60, uma explosão que pode ser vista mesmo na ultima metade daquela década.
“(...) nós queremos fazer filmes que sejam sobre coisa alguma. Como este Blow Up”, disse um executivo para um novo diretor. “Filmes independentes americanos ou filmes britânicos ou europeus de arte desgarrados, interessavam”, na ainda “velha Hollywood”.
Bom, estou no estouro de O Poderoso Chefão e não cheguei na metade do livro, ainda. Mas, passo o dia pensando na hora de ler mais um pedaço. Apesar de tantos nomes, tanta informação junta deixar meio zonza e com a sensação de que não to captando tudo, a leitura é deliciosa e toma conta. Só to dando uma parada agora pra ir ao cinema. O livro é da editora Intrínseca. Vale a pena pra quem gosta mesmo de cinema, biografias, pra gosta de ir além do que vê. (Adri)
PS: não tinha percebido até agora que a tradução é da maravilhosa Ana Maria Bahiana (tinha que ser!!!!)
4/21/2010
Flashback
hoje deu uma vontade de ouvir Legião...
"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre"
"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre"
4/20/2010
ela lembrou
Ela lembrou da ponta dos narizes de dois garotos sem jeito, numa noite chuvosa, roçando; lábios perdidos tateando no escuro. Ela lembrou disso enquanto observava os três montinhos de farelo amarelo levantados pelos cupins. Deitada sob os braços pensava, na verdade, no quanto é triste ver um amor desmoronar em acusações, frustrações despidas sem pudor ao longo de uma vida cheia de anos inteiros que parecem se desfazer do mesmo jeito que uma vassoura sem jeito pode tirar aqueles montes de madeira gasta pelo tempo e comida por esses bichinhos invisíveis que corroem e o deixam oco. À vista, as mágoas que põem na boca acusações pesadas.
Uma história bonita se desfazendo entre duas pessoas que construíram tanto mas não conseguiram sobreviver à imagem de si próprias, que vêem agora diante de um espelho rachado.
Depois de muitos dias de chuva, ontem o céu tava limpo, tinha até umas estrelas e um pouquinho de nuvens só pra se deixar envolver no charme da lua cheia que, desta vez, prenuncia.... mudanças? Sei lá....(Adri)
Uma história bonita se desfazendo entre duas pessoas que construíram tanto mas não conseguiram sobreviver à imagem de si próprias, que vêem agora diante de um espelho rachado.
Depois de muitos dias de chuva, ontem o céu tava limpo, tinha até umas estrelas e um pouquinho de nuvens só pra se deixar envolver no charme da lua cheia que, desta vez, prenuncia.... mudanças? Sei lá....(Adri)
4/16/2010
DasVelas
Taí. Banda nova no pedaço. Nossos brothers Allan Yokohama, Marano, Fabiano, e Igor, em trechos das gravações do primeiro disco, entre janeiro e março, no RJ, com produção do Carlos Trilha, que trabalhou com Renato Russo, Marisa Monte, etc. Dá pra ver pelo clima das gravações que teremos um grande disco por aí. Também, com essa turma de meliantes ia ser difícil errar. Sucesso moçada!
4/13/2010
Minha bela Graciosa
Ontem toquei os pés na água límpida do rio de pedras que corre ao lado da Estrada da Graciosa. Melhor que isso ainda, ouvi o barulho da brincadeira das águas, em sua ciranda com as pedras.
Elas, como sempre, me receberam de braços abertos, guria da cidade, desajeitada descendo a encosta.
Guria da cidade que veio do mato, e que por isso se sente em casa naquela velha estrada de paralelepípedo, cúmplice do silêncio dos dois.
Quando fui dormir, foi o som daquela brincadeira no rio o mantra que embalou meu sono. Cansada.
Hoje “Quero ser mais nada, demasia é frustração”.
Só quero a minha casa, os braços do meu amor, meus amigos bichos e capoeira.
Queria também ter um rio de pedras pra cantar aquele mantra pra mim.
Mas, puxa que alivio é, também, ouvir uma canção e descarregar essa pilha de nervos de cima de mim.
Radiare - Radiare:
“Quero ser mais nada/ demasia é frustração
me despertando de sonhos a idade toca toda manhã/
horizonte claro posso antever o fim/
que massada é essa
silêncio em que consentes
mente pra mim
Já perdi a vontade de não saber porque brigar
e a esportiva de cair, sorrir e levantar
uma razão pra eu ficar só
é mendigar um tempo a mais
e assim
vou doendo
Radiare espírito/
transcender como um som
suspirar a tarde
e anoitecendo
uma razão
tantos ofícios me encantavam, vigor em dispersão
se escolhas eram por capricho
agora não me troca outra opção
e hoje eu sinto dor nas costas
me restou uma paixão
então...
desviei meu olhar na origem dessa canção
nunca abandonei
sem mais forças para abraçar
tudo em todos vão
vão caber neste coração
(...)"
Elas, como sempre, me receberam de braços abertos, guria da cidade, desajeitada descendo a encosta.
Guria da cidade que veio do mato, e que por isso se sente em casa naquela velha estrada de paralelepípedo, cúmplice do silêncio dos dois.
Quando fui dormir, foi o som daquela brincadeira no rio o mantra que embalou meu sono. Cansada.
Hoje “Quero ser mais nada, demasia é frustração”.
Só quero a minha casa, os braços do meu amor, meus amigos bichos e capoeira.
Queria também ter um rio de pedras pra cantar aquele mantra pra mim.
Mas, puxa que alivio é, também, ouvir uma canção e descarregar essa pilha de nervos de cima de mim.
Radiare - Radiare:
“Quero ser mais nada/ demasia é frustração
me despertando de sonhos a idade toca toda manhã/
horizonte claro posso antever o fim/
que massada é essa
silêncio em que consentes
mente pra mim
Já perdi a vontade de não saber porque brigar
e a esportiva de cair, sorrir e levantar
uma razão pra eu ficar só
é mendigar um tempo a mais
e assim
vou doendo
Radiare espírito/
transcender como um som
suspirar a tarde
e anoitecendo
uma razão
tantos ofícios me encantavam, vigor em dispersão
se escolhas eram por capricho
agora não me troca outra opção
e hoje eu sinto dor nas costas
me restou uma paixão
então...
desviei meu olhar na origem dessa canção
nunca abandonei
sem mais forças para abraçar
tudo em todos vão
vão caber neste coração
(...)"
4/10/2010
cheiro de mato
Não esperava isso hoje. Uma canção. Uma canção do passado. São tantos os discos que passaram por mim e mesmo os que ficaram pra valer às vezes ficam quietos, lá no meio das lembranças especiais que a gente não lembra mas também não esquece. Aí, volta e meia, o Ivan coloca um desses pra tocar... é aquela avalanche. O de hoje foi Verdura, do Blindagem, por razões óbvias.
E de repente eu tava lá. No meio da visão embaçada estava de volta à Casa Verde, uma república estudantil de garotas nas redondezas da UEPG, em Ponta Grossa, no último ano e meio da década de 80. Na garagem da casa antiga morava o Ivan e aquele lugar é uma referência pra nossa turma, um marco: a garagem da casa verde.
oltei pra lá num dia de sol, as portas grandes abertas, o vento solto e o som alto se espalhando pelo terreno todo e indo pra vizinhança próxima. A gente por ali.
Uma sensação de braços abertos se entregando ao vento, bem como me senti algumas vezes fazendo aquele mesmo caminho em direção a minha república, ou indo pra alguma festa, mesmo com o ar gelado ressecando minha boca e me atravessando. Incrível o que a lembrança da gente é capaz de fazer com a ajuda da música.
“Não posso ver sangue/Fico logo vermelho/ Querendo chorar/Não, não posso ver sangue/Fico logo vermelho/Querendo chupar”
Um silêncio estrondoso explodiu segundos depois num soluço seco, quase inexplicável, de um instante pro outro, derrubando com o susto o caderno de jornal que eu lia.
“Não posso ver água, poço, rio, mar/Eu já começo a tirar a roupa/Louco pra mergulhar/ Não posso ver ninguém/Que eu já quero, que eu já quero namorar/”
Entrou aquela melodia que eu conhecia tão bem e não lembrava. E por perto tava também o Eglerson Alan, o amigo que dividiu o fundo (com “cascata natural de chuva”) da garagem, por um tempo. Foi com ele a primeira banda, Flor de Cactus. Não tinha me tocado, mas deve ter sido também a primeira banda que vi tão de perto assim, ensaiando e tal. O Eglerson Alan e seu sorriso aberto. (eu era a única que insistia em chamá-lo pelos dois nomes, ficou tão gravado que acho que se no meio de um povareu ele ouvir alguém chamá-lo assim, é capaz de saber que aquela baixinha ta por perto). Grande cara. Com ele não tinha tempo ruim e tomava porres homéricos e voltava pra casa carregando placas recolhidas da rua. Quase pude ouvi-lo novamente tocando e cantando...
(...) Aí entra o Ivan, saindo do trabalho olhos também avermelhados por suas próprias lembranças que também se revolveram. Só me olha, não diz nada e dá a volta. Ouvimos a música terminar sem palavras.
Quem precisa de palavras quando tem uma canção?
- Puxa vida, balbucio e um soluço baixo, esquisito, ainda escapa junto com a certeza de que na cabeça de nós dois o tempo retrocedeu. Em mim foi uma confusão e eu quase sempre traduzo isso em choro, mas nem sempre a lembranças brotam assim aos borbotões.
“Quando me lembro/ do cheiro do mato/da beira da estrada/de comer pinhão
Lembro do amor/de uma árvore/sem esperar/para ver nascer a flor...”
- ... essa também é...
novamente a música rouba as palavras da tentativa de explicar, comentar algo.
“E vou seguindo/ caminhado, me espalhando/tirando poeira do meu coração
eu vou, eu vou sem olhar para trás/ eu quero ir embora/antes de parar/E vou seguindo
caminhado, me espalhando/tirando poeira do meu coração/eu vou, eu vou sem olhar para trás/eu quero ir embora/antes de parar”
- incrível como este disco parece uma coletânea e não o primeiro disco de uma banda - comenta ele; eu continuo sem conseguir falar.
(...)
- uma boa pauta, contar a história desse disco. é um clássico. Vai fazer trinta anos.
- um bom projeto, um show. Será que eles têm algo em vista – digo, voltando.
- acho que sim, já falaram sobre isso e o Ivo mesmo disse que eles têm que continuar.
- Pô, taí: esse é um projeto que eu gostaria de participar.
Os jornalistas retomaram o controle da situação. Ao menos por agora. (adriperin)
E de repente eu tava lá. No meio da visão embaçada estava de volta à Casa Verde, uma república estudantil de garotas nas redondezas da UEPG, em Ponta Grossa, no último ano e meio da década de 80. Na garagem da casa antiga morava o Ivan e aquele lugar é uma referência pra nossa turma, um marco: a garagem da casa verde.
oltei pra lá num dia de sol, as portas grandes abertas, o vento solto e o som alto se espalhando pelo terreno todo e indo pra vizinhança próxima. A gente por ali.
Uma sensação de braços abertos se entregando ao vento, bem como me senti algumas vezes fazendo aquele mesmo caminho em direção a minha república, ou indo pra alguma festa, mesmo com o ar gelado ressecando minha boca e me atravessando. Incrível o que a lembrança da gente é capaz de fazer com a ajuda da música.
“Não posso ver sangue/Fico logo vermelho/ Querendo chorar/Não, não posso ver sangue/Fico logo vermelho/Querendo chupar”
Um silêncio estrondoso explodiu segundos depois num soluço seco, quase inexplicável, de um instante pro outro, derrubando com o susto o caderno de jornal que eu lia.
“Não posso ver água, poço, rio, mar/Eu já começo a tirar a roupa/Louco pra mergulhar/ Não posso ver ninguém/Que eu já quero, que eu já quero namorar/”
Entrou aquela melodia que eu conhecia tão bem e não lembrava. E por perto tava também o Eglerson Alan, o amigo que dividiu o fundo (com “cascata natural de chuva”) da garagem, por um tempo. Foi com ele a primeira banda, Flor de Cactus. Não tinha me tocado, mas deve ter sido também a primeira banda que vi tão de perto assim, ensaiando e tal. O Eglerson Alan e seu sorriso aberto. (eu era a única que insistia em chamá-lo pelos dois nomes, ficou tão gravado que acho que se no meio de um povareu ele ouvir alguém chamá-lo assim, é capaz de saber que aquela baixinha ta por perto). Grande cara. Com ele não tinha tempo ruim e tomava porres homéricos e voltava pra casa carregando placas recolhidas da rua. Quase pude ouvi-lo novamente tocando e cantando...
(...) Aí entra o Ivan, saindo do trabalho olhos também avermelhados por suas próprias lembranças que também se revolveram. Só me olha, não diz nada e dá a volta. Ouvimos a música terminar sem palavras.
Quem precisa de palavras quando tem uma canção?
- Puxa vida, balbucio e um soluço baixo, esquisito, ainda escapa junto com a certeza de que na cabeça de nós dois o tempo retrocedeu. Em mim foi uma confusão e eu quase sempre traduzo isso em choro, mas nem sempre a lembranças brotam assim aos borbotões.
“Quando me lembro/ do cheiro do mato/da beira da estrada/de comer pinhão
Lembro do amor/de uma árvore/sem esperar/para ver nascer a flor...”
- ... essa também é...
novamente a música rouba as palavras da tentativa de explicar, comentar algo.
“E vou seguindo/ caminhado, me espalhando/tirando poeira do meu coração
eu vou, eu vou sem olhar para trás/ eu quero ir embora/antes de parar/E vou seguindo
caminhado, me espalhando/tirando poeira do meu coração/eu vou, eu vou sem olhar para trás/eu quero ir embora/antes de parar”
- incrível como este disco parece uma coletânea e não o primeiro disco de uma banda - comenta ele; eu continuo sem conseguir falar.
(...)
- uma boa pauta, contar a história desse disco. é um clássico. Vai fazer trinta anos.
- um bom projeto, um show. Será que eles têm algo em vista – digo, voltando.
- acho que sim, já falaram sobre isso e o Ivo mesmo disse que eles têm que continuar.
- Pô, taí: esse é um projeto que eu gostaria de participar.
Os jornalistas retomaram o controle da situação. Ao menos por agora. (adriperin)
4/09/2010
Meu voo é volta de qualquer lugar: até mais Ivo

Ivo Rodrigues lutou,lutou e agora partiu, enfim. Fico triste. Mas acho que ele vai em paz, como disse uma das últimas vezes que conversou comigo, sobre estar gravando suas músicas solo, antes ainda do transplante, se não faço confusão. Ele disse que tava pronto pra morrer, que tava tudo certo e bem vivido na vida dele. Isso não é pouco. Uma das belas lembranças que tenho de minha profissão é deste cara me deixando emocionada, olhos mareados mesmo ( e a jornalista sem conseguir disfarçar..) num boteco perto da casa dele, que foi o escolhido pra uma conversa sobre o rock paranaense, sua história, da sua banda. Entrevistas eu faço todo dia, mas conversar com alguém que tem uma vida bem forte pulsando dentro de si, não é todo dia não. E saí daquele boteco cheia de vida, certa de que estava fazendo a coisa certa da minha vida também e que, também para celebrar pessoas como ele, tinha que continuar vivendo minha vida daquele jeitinho mesmo. Também lembro de um dia no Bife Sujo em que o ivan pediu pra ele cantar "O Berro" (gravada pela Patrulha do Espaço), uma música muito antiga, que ele não lembrou mas cantou outras, naquele antigo boteco que guardou histórias tantas da turma dele e de outras. foi bonito e triste, porque achava que ele merecia estar num lugar de mais destaque (o que voltou a acontecer depois). Me fez pensar em passado e futuro de novo.
Enfim, o Ivo Blindagem morreu e digam o que disserem perdemos um grande cara. O rock paranaense, sulista e nacional está um pouco mais quieto hoje.
Uma das minhas músicas preferidas entre as que ele canta:
"Sou gaivota por sobre o mar
Meu vôo é volta
De qualquer lugar
Desapareço no tempo, no ar
Antes que um olho
Consiga piscar
Num vôo razante
O que eu vi
Não dá pra acreditar
Dá pra acreditar
Minhas penas tremendo
Me levem daqui
Faço parte do vento
Vou me embora correndo
Se acalme..."
Adri Perin
4/08/2010
Troco o mundo virtual por uma vida real
“Esses dias vi uma banda tocar. Quando saíram do palco, deixaram todo o equipamento deles lá jogado. Eles estavam abrindo para outra banda, mas sequer pensaram em tirar as coisas deles de lá. Eles vinham de um mundo onde você não cuida de seu próprio equipamento. Para mim, o processo é uma parte tão importante da arte. Ele 'é' a arte. Não é só: 'Oh, nossa, que disco bonito' ou 'esse disco soa maravilhoso', é o processo. É o fazer o disco, e o marcar os shows. Eu vejo isso como uma arte”. Ian MacKaye (Fugazi) – no livro “Não devemos nada a você”, coletânea de entrevistas da revista Punk Planet.
Achei muito interessante esse trecho da entrevista do MacKaye, porque ele acaba abordando um ponto que pra mim tem um paralelo direto com muito dos problemas que vejo na cena independente brasileira, em geral, e na curitibana em particular hoje. É aquela coisa, todo mundo quer posar de artista, mas ninguém quer se incomodar com tudo o mais que envolve o fazer artístico, ou com tudo o que é relacionado com o antes e depois de você subir no palco. A coisa chegou num ponto em que neguinho quer ter banda, quer tocar, mas nunca tem tempo pra ensaiar, pra trabalhar aquilo, marcar show, lidar com as burocracias naturais pra, por exemplo, apresentar um projeto, buscar apoios, patrocínios. A maioria ainda parece querer que outros façam por eles o que eles deviam fazer por si mesmos. E com isso, acaba deixando de aproveitar as poucas oportunidades que existem. Pior, quer fazer música, quer tocar junto, mas não quer se relacionar, não é capaz de reservar um tempo pra tomar uma cerveja junto, conversar, bater papo, falar merda. É o mundo do "virtual", dos relacionamentos "on line", da vida higienizada e sem vida.
Como ninguém é obrigado a trabalhar de graça para os outros, e a maioria das bandas não gera renda suficiente para pagar um produtor/empresário, temos uma equação que não fecha.
Isso também se reflete em uma quase total falta de comprometimento com as iniciativas que poderiam potencializar a cena, e acabam se esvaziando já que se nem os músicos tem interesse no que está acontecendo, como esperar que o público em geral o faça. Isso me lembra também um trecho da recente entrevista do Rómulo Froes no Scream Yell:
“E eu fico puto porque nenhum cara vai ao show do outro. Ninguém foi me ver tocar até hoje. Com exceção ao Bruno, que é muito meu amigo, e tem uns caras novos que eu conheci agora. Curumin nunca foi ao meu show. Catatau nunca foi. Andréa Dias nunca foi. Leo Cavalcanti também não. Só estou falando de todos que eu fui. Porque, cara, você tem que ir! Por interesse artístico, pra ajudar a cena, pra sair de casa. Vai ver seu amigo, porque se você não for ele não vai conseguir tocar mais. Eu fico: “Moçada, tenho uma festa no CB, vamos lá, a casa paga cachê bacana, vai lá ver, vê o bar, vê que a festa é legal, depois você vai lá tocar”. Eu acho foda essa coisa de um não ver o show do outro. A galera gosta tanto que toca junto, grava disco, mas eu acho que tem que ser mais do que isso. Tem que prestigiar. Você não pode ir lá só quando for gravar o disco. Vai lá porque você gosta, e fala pros outros. Isso eu sinto falta, de neguinho não fazer a cena virar.”
O que o Rômulo fala sobre a cena de SP é um problema generalizado que acontece em todo o País, inclusive em Curitiba. Digo isso de carteirinha, porque cansei de ver bandas que iam tocar no Rock de Inverno, e que tinham entrada franqueada em todos os dias, só aparecer no dia e na hora que ia tocar, e muitas vezes, depois disso, virava as costas e ia embora. Ou seja, não se interessava sequer de prestigiar o evento do qual elas faziam parte, e conhecer as outras bandas que iam tocar no mesmo dia que ela. Acho isso uma puta duma demonstração de desinteresse, de egocentrismo explícito, e de falta de comprometimento que diz muito sobre o estado atual das coisas. Repito, se nem os músicos se interessam em conhecer e prestigiar a cena e seus pares, como esperar que o público queira? Ou a mídia, de quem tanto os artistas cobram mais atenção?
Isso sem falar nas bandas que vivem fazendo discursos empolados de “temos que nos unir”, "temos que nos organizar", "temos que ser profissionais" e tal, mas não são capazes de distribuir um cartaz ou uma filipeta para divulgar o evento em que elas próprias estarão. Aí fica fácil. Aí até eu quero ser artista.
Desde cedo percebi que se eu quisesse conquistar algum espaço com minha música, teria que eu mesmo que arregaçar as mangas e partir para a luta. Não tem gravadora, a gente cria um selo, ninguém chama a gente pra tocar, a gente produz os nossos próprios shows, ninguém dá atenção pra o que a gente faz, a gente se junta com mais gente que tem a ver e faz um festival. E mesmo que não tenhamos conseguido tudo aquilo que gostaríamos ou ingenuamente sonhávamos em algum momento, não posso reclamar, pois tudo o que a gente fez foi muito bem recebido, teve atenção, repercutiu e foi muito mais longe até do que a gente imaginava. E isso só aconteceu graças a muito trabalho, iniciativa, da amizade e parceria e esforço conjunto de um monte de gente, ao invés dos costumeiros choramingos, coitadismos e teorias conspiratórias pra justificar a inércia.
Cansei de varar noites gravando CD, imprimindo, cortando, dobrando e colando capas de discos meus e de outros. Perdi a conta dos discos de outras bandas que eu fiz cópia pra mandar pra jornalistas, produtores, etc. E fazer isso nunca foi um peso, um problema, um sacrifício. Pelo contrário, sempre fiz isso com uma baita alegria no coração de saber que eu tava fazendo parte daquilo, vivendo o meu tempo, escrevendo a minha história e a de um monte de gente que eu admirava. Pois como diz o MacKye, isso tudo pra mim era parte inestimável e inseparável do processo criativo e me dava tanta satisfação quanto estar em cima de um palco se apresentando.
Aliás, sempre disse já na época do OAEOZ que gostava mais de ensaiar do que de fazer show. Pra mim era um prazer. Música pra mim sempre foi uma atividade gregária, essa coisa de juntar os amigos e fazer um som, em primeiro lugar. De tomar umas e fazer um churras, e uma jam. Ensaiar pra mim sempre foi a melhor coisa, mesmo quando a gente tinha que ensaiar as 9 horas da manhã de uma quarta-feira, e depois sair correndo pro trabalho. Aquilo pra mim ganhava meu dia. Mais do que uma banda, a gente era uma turma de amigos que curtia estar junto fazendo aquilo, vivendo aquilo. Hoje tá todo mundo ocupado demais com os MSNs, os orkuts, os twitters da vida pra se relacionar de verdade. Alguma coisa se perdeu.
Quando você pensa no pessoal da Tropicália, por exemplo, vê a diferença de atitude, como o próprio Rômulo aborda rapidamente na entrevista. Os caras tavam sempre juntos, e sempre trabalhando em parceria. O Caetano gravava músicas do Gil, que gravava músicas do Caetano, que tinham suas músicas cantadas pela Gal, pela Bethânia, pelos Mutantes, que tocavam em shows do Caetano e do Gil, que falavam dos Mutantes nas entrevistas, etc.
Se a gente for pensar no que ficou conhecida como “Vanguarda Paulistana”, apesar de ser calcada em uma vanguarda paranaense (Arrigo e Paulo Barnabé e Itamar Assumpção, etc), a mesma coisa. Itamar tocava baixo na banda do Arrigo, que tinha o irmão na bateria, que também tocava com o Itamar, etc. Pensando no rock dos anos 80, você via a Legião tocando Plebe Rude nos shows, o Paralamas tocando musicas da Legião, e mesmo depois, já nos anos 90, o Renato Russo usando camiseta do Pato Fu nas fotos para a imprensa. Enfim.
Lembro ainda de quando conheci a cena que rolava no 92 graus, no início dos anos 90, e como havia um sentimento de “comunidade”, de todo mundo se conhecer e de pertencer aquele momento, de tocar junto e ver o show do outro, mesmo que não fosse o seu estilo preferido. O pessoal da Reles via os shows do Boi Mamão, que curtiam os do Magog, que tava lá vendo o Acrilírico. A gente mesmo, eu e a Adri, cansamos de ir ao 92 sem nem saber quem ia tocar naquele dia, e graças a isso conhecemos um monte de coisas diferentes que normalmente não iriamos ver, de Cervejas a Pinheads, e muitos outros.
Hoje parece que tudo virou um clubinho “vip” excludente, um gueto. Todo mundo fechado em seu próprio mundinho de pretensão e arrogância, e falsa autosuficiencia. Neguinho é fã de hardcore, então só vê show de hardcore, o indie só vai no bar dos indies, headbangers só se misturam com headbantgers e daí por diante. O resultado é que a cena toda se fragmentou e se enfraqueceu, se fragilizou, em pequenos grupos isolados que não se relacionam.
Enquanto as pessoas não mudarem de atitude, começando pelos próprios músicos, e se interessarem pelas coisas que estão acontecendo em volta delas, ao invés de ficar apenas lambendo o próprio umbigo, nada vai mudar. Veremos cada vez mais espaços como o 92 se fechando, bandas acabando, pessoas desistindo pelo meio do caminho.
Como disse a Adri, onde estão os novos produtores? A turma que ia fazer e acontecer e mudar tudo? Cansei de ouvir discursos vazios de gente que achava que ia reinventar a roda e na primeira pedra, caiu de boca no chão e não se levantou mais. Enquanto isso, quem ainda continua fazendo as coisas por aqui? Os mesmos “veteranos” de sempre, de gente de gerações ainda anteriores à nossa, como o pessoal da Grande Garagem/BAAF, do JR, do Ciro Ridal, ou de gente contemporânea à nossa turma, de gente que já deveria estar "superada" e substituída por uma nova geração de produtores/iniciativas. Um monte de novas iniciativas que surgiram desde então, naufragaram na primeira onda contrária. O que é uma pena. Alguma coisa está errada. Posso não saber exatamente o que, nem como mudar isso, mas não me sinto nem um pouco otimista. Fala-se tanto em internet, essa onda virtual e tal, mas em certas coisas – eu diria nas mais importantes – nada substitui a presença real, física. Porque sem ela, não há comprometimento, e sem comprometimento, tudo o que fica são discursos vazios, e sonhos frustrados, abandonados pela metade.
Apesar de todo o cansaço, continuo sendo um sonhador. Acho que temos tudo pra virar o jogo, se quisermos. Acho que tem uma galera nova por aí que pode fazer isso. Mas é preciso iniciativa. Do contrário, nos tornaremos todos pessoas distantes e amarguradas. Uma geração sem vontade. Incapaz de dar o primeiro passo e sair da casca.
4/06/2010
92 Graus em situação de emergência
Juliana GirardiGazeta de hoje
“Tudo o que dependeu de mim neste tempo todo, fiz com todas as minhas forças e com tudo o que tinha e o que não tinha, porém sem resultados positivos, só balada mesmo, e isto não muda em nada a postura e o futuro de nossa arte, que está à deriva, ainda mais com a nova onda dos covers e pistas de dança que invadem a cidade.”
Essas são apenas algumas linhas da mensagem de desabafo que o músico e produtor JR Ferreira, proprietário da histórica casa de shows independentes 92 Graus, enviou há duas semanas a alguns amigos. Após 18 anos de serviços prestados ao underground curitibano e nacional, o 92 Graus parece dar seus últimos suspiros neste mês. “Estou cansado, pensando mesmo em dar um tempo. Venho tentando encontrar formas de manter o bar aberto de uma maneira financeiramente viável, mas está difícil. Acho que dessa vez, não vai ter jeito”, lamenta o músico, visivelmente triste.
Além das razões citadas no primeiro parágrafo do texto, o desânimo de JR deve-se a uma combinação de acontecimentos infelizes, que vêm dificultando sua vida de empreendedor independente. A primeira e mais preocupante delas é a renovação do contrato do imóvel que hoje abriga o 92 Graus, no bairro São Francisco. A imobiliária pretende dobrar o valor da locação, o que tornaria o funcionamento do bar impraticável. “Apresentamos uma contraproposta e teremos um retorno nas próximas semanas”, explica.
Fora o impasse imobiliário, um pequeno incêndio em um dos banheiros do bar, há duas semanas, complicou ainda mais as coisas, gerando gastos imprevistos. Para completar, JR teve as senhas violadas de suas contas no Orkut e no Gmail, impossibilitando a divulgação dos shows e o contato com as bandas, já que sua lista de e-mails foi totalmente excluída. O prazo de validade do domínio do site do bar (www.92graus.com) também venceu e não foi renovado devido à incerteza se o local continuará aberto ou não. “Tudo o que podia acontecer de ruim veio ao mesmo tempo”, diz.
Como possíveis soluções, JR vem buscando parceiros que possam investir no bar, mas a ideia de “passar o ponto” adiante, por enquanto, lhe parece a alternativa mais provável. “Estou analisando tudo como um negócio mesmo. Penso em vender a marca 92 Graus, que inclui o equipamento para shows e o alvará para bandas ao vivo”, revela.
Segundo o músico, até o dia 27 de abril o bar ainda irá contar com uma programação de festas e shows, que serão divulgados nos próximos dias, marcando a despedida do espaço e, quem sabe, o mantendo “respirando” por mais algumas semanas. Enquanto isso, JR está aceitando ideias e propostas que possam garantir o funcionamento do espaço. Basta entrar em contato pelo e-mail 92graus@bol.com.br.
3/24/2010
"Outra Vez 'De Inverno' Apresenta: A Cena Independente"
"A coletânea, 'Rock de Inverno 7' é um carnaval memorável de máscaras e ritmos posso exergar as batidas de Pete de Freitas, as guitarras liverpoolianas de Echo and The Bunnymen, as gaitas de Culture Club e The Cure (eles tocavam gaitas?) há influências desde Duane Eddy às influências psicodélicas de Ronnie Von e um material choroso digno do cancioneiro de Altermar Dutra a Waldick Soriano! E inferninhos de beira de estrada."
Mário Pacheco - Do próprio bolso
confira a íntegra aqui
Mário Pacheco - Do próprio bolso
confira a íntegra aqui
3/22/2010
Quando eu menos esperava a vida não falhou em surpreender

Faz dias que não pego o fone e ao ligar o aparelho é Jair Naves que ta tocando. O EP Araguari. Essas canções me acompanharam ao Uberaba, em ônibus lotados na ida, e vazios, na volta. Na ida, me distraíram das freadas e da algazarra da piazada; na volta, nada existia ao redor e pude até rabiscar apressada no primeiro pedaço de papel que apareceu na mão.
A força devastadora da música do Jair Naves já conhecia do Ludovic. Agora, ele joga na minha cara esse disco solo. Não pensei que seria possível, mas é ainda mais devastador que o punk raivoso que ele destilava sob a ‘proteção’ da banda. Aqui, o tipo de força que arrasta é outro. Também confessional, mas de um jeito diferente. A primeira palavra que vem a mente é mais calmo, mas não é isso não. É muito mais pessoal. As letras tocadas pelo Ludovic já traziam os seus (nossos) medos, confissões, estampados a ferro quente em cada braçada, em cada soco que ele desferia, na gente e nele mesmo, se debatendo em sua própria música, em suas próprias confissões, questionamentos e revoltas. Possuído por sua própria música que também nos possuía.
Mas lá, havia mais raiva primal. Aqui, há outros sentimentos. Cansaço, talvez. Uma pausa. Um acerto de contas – ele não ta cuspindo na cara de ninguém as verdades, ofensas merecidas. Agora ele se recolheu. Está cara a cara com ele mesmo – com o que ele viu em algum espelho que só ele vislumbra. Mais sutil, uma casca um tanto mais envelhecida – com aquilo de bom que o passar do tempo traz e também com suas marcas, bem a fundo. Como se passada a ansiedade, a euforia, a excitação e a certeza juvenis, que fervem a gente, sobrassem agora alguns escombros pra mostrar “que a vida passou e eu caí em nostalgia, mesmo de coisas que eu mal vivi, que dizer da inocência que eu deixei (...)” pela vida, no que foi feito dela.
Se antes ele estava em cima do palco com uma puta de uma banda de companheira, agora ele tá sozinho: num fim de noite sentado na beira de uma calçada, resto de cerveja quente dentro de um daqueles instantes cheio de uma certa sobriedade que só na bebida encontramos a coragem - e não se trata de uma escolha - pra ver.
Sei lá... To falando dele, de mim ou de nós? Vai saber..
Não sei para ele, mas pra mim isso lembra outra década chegando – e enfrentando a que acaba! Cara a cara com o que restou dela.
“E agora? O que é este disco?”, rabisquei no pedaço de papel de pão. Mais um acerto de contas com a vida como o são alguns discos? (Ou parecem ser). Um (outro) desabafo de solidão. Um doloroso e saudoso olhar pra trás a sentir saudade até do que não viveu. (Ah, mas eu vivi muito, e bem. Então o que é este disco?).
Um confronto, inevitável, com o que viveu. E o ver no espelho essa outra pessoa que (invariavelmente?) viramos.
Esses anos depois... um voltar pra dentro dos silêncios novos que largamos no caminho. E que nos habitam pra sempre, mesmo que os esqueçamos por alguns dias, instantes, anos, meses. No final dá tudo no mesmo, quando eles voltam.
E às vezes mostram suas mãos apertando a garganta
Por um fio
Bagunçados pelos amores que vemos chegar ao fim
(amores desperdiçados e inconfessos) guardados em diários de letras tão debilmente infantis
Araguari, curitibanos, paranavaí, irati, curitiba ou coronel vivida (não importa)
Com seus desbravadores meninos (e meninas)
Certos de suas certezas, e com seus céus que ficaram perdendo a gente, enquanto nós nos encontrávamos e nos perdíamos por nossas próprias contas.
Mais um disco que não consigo ouvir impunemente.
Começa assim: com uma reza de santa Maria, vozes de palavras duras. Um filme. Simplicidade musical para deixar as palavras se mostrarem em toda sua força.
(adri)
confira abaixo as letras de "Araguari I" - disco solo de Jair Naves.
Araguari I
“As lembranças que eu guardo de Araguari resumem-se ao dia em que fugi,
Caçado de perto por uma multidão, decidida a fazer justiça com as próprias mãos.
Ecoavam sermões pelas ruas dormentes, ninguém nada
tudo impunemente
O abandono é a pior traição, no fim das contas hoje eu te dou razão
Em minha defesa eu apelo ao obvio eu era novo e sem temor, eu tinha o mundo ao meu dispor
Só que a vida passou e eu caí em nostalgia mesmo de coisas que eu mal vivi, que dizer da inocência que eu deixei em Araguari.
Araguari o que foi que aconteceu, fui eu que te pedi ou você que me perdeu?
Foge a minha compreensão, foge a minha contenção mas eu te dou razão
O fato é que eu não sou mais quem eu era antes, eu voltei envelhecido e hesitante, hoje eu quem cuido dos meus pais e as crianças da nossa rua já não somos mais.
Já não somos mais.
Mas eu sinto saudade da nossa banda de cada palco em que pisei
de cada nota que eu cantei. E ainda me dá um nó na garganta pensar no sonhos que eu sonhei, na leveza dos amores que eu desperdicei
Ah, as brigas que eu comprei, meus amores inconfessos
... os sonhos que eu sonhei.”
E depois vem
“Silenciosa”
“passou, passou
Um dia eu me conformo e paro de me culpar
Passou, acabou
Sabe quando você sente que não vale mais a pena lutar, se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar.
Passou, passou
um dia eu me acostumo e paro de te importunar
Passou, acabou
Sabe quando você sente que não vale mais a pena lutar
Se não deu certo com a gente acho que nunca vai dar
Prometo que não demoro, quando estiver pronto eu te aviso
Se bem que eu não incomodo, pode ir agora que eu já não ligo
Só vê se não esqueceu nada e vê se não volta mais
Enquanto eu não me recobro, enquanto eu não estiver
bem
em paz
A cama ficou espaçosa, nosso quarto ficou mais frio
A casa silenciosa não me serve mais como abrigo
E foi consensual nós nem sequer discutimos
Tudo tão civilizado
Nem parecia comigo
Nossos amigos ainda questionam o que foi desta vez, qual a gota d’água, como eu consegui
afastar você de mim
Deve haver em tudo isso alguma lição, algo a ser aprendido, uma compensação pro quanto nós nos ferimos
pro quanto nós nos ferimos
Passou, passou
Um dia eu me conformo e paro de te culpar.
Passou, acabou
Sabe quando vc sente que não vale mais a pena lutar
Se não deu certo com a gente acho que nunca vai dar
E depois: De branquidão hospitalar, queimando em febre eu me apaixonei
“Num cômodo abafado, de branquidão hospitalar, via-se um mar de rostos borrados tentando te acordar. Você zombava desse empenho, da proteção que eu ofereci,
um demônio enfermo de quem eu não consigo me despedir
Delirante queimando em febre, você buscou a minha mão
A esse poder que você exerce eu nunca soube dizer não
Ela viajou como se possuída por um espírito ruim, dizendo prepare-se pra uma guerra eu não respondo mais por mim
E eu tão impressionável
me apaixonei
Eu me apaixonei
Eu me apaixonei.
O que em mim vc reconhece, eu reconheço em você
E no gosto da sua pele, as fraquezas que eu tento esconder
Quando eu menos esperava a vida não falhou em surpreender
E nada mais me entristece agora que eu encontrei você
Quando eu mesmo esperava a vida não falhou em surpreender,
nada mais me entristece agora que eu encontrei você
Não estou só.”
ouça
baixe
3/19/2010
Na mosca
"A audição repetida, valorizada, focada de um álbum que custou caro e que você levou meses para conseguir comprar, é uma experiência completamente diferente de ver um videozinho no YouTube ou baixar 1.000 canções em cinco minutos."
do blog do André Forastieri
do blog do André Forastieri
3/18/2010
O valor da solidão

Gazeta de hoje
Mário Bortolotto retorna aos palcos com Música para Ninar Dinossauros, peça que estava em produção quando foi baleado em São Paulo
Cristiano Castilho
Foi com "um dedo só, catando milho e com uma dor violenta e constante nas costas" que Mário Bortolotto terminou de escrever o texto de Música para Ninar Dinossauros (confira o serviço da peça), peça que estreia nacionalmente hoje, no Festival de Curitiba. A montagem estava em gestação quando o dramaturgo paranaense foi ferido por tiros durante uma tentativa de assalto na Praça Roosevelt, em São Paulo, no dia 5 de dezembro.
O incidente, diz Bortolotto, não influenciou o destino da peça. “Pelo menos não diretamente”, confessa, em entrevista realizada por e-mail. “Tem sim, um tipo de melancolia brutal que tem a ver com o estado em que eu estava. Um jeito ainda mais descrente de olhar o mundo, mas a poesia sobrevive. Mesmo quando paramos de acreditar, a poesia continua lá, então a gente se permite continuar escrevendo”.
A história, encenada por seu grupo, o Cemitério de Automóveis, questiona a efemeridade das relações conjugais. Põe em xeque, por exemplo, o amor incondicional e sugere explicações várias para o fato de nos aproximarmos – também fisicamente – de outras pessoas. Em outras palavras, Bortolotto valoriza a solidão.
“Acho que as pessoas se juntam porque têm medo da solidão, de acordar no meio da noite e não ver ninguém ao seu lado. Não vejo nada de mais no fato de as pessoas agirem assim. Todos nós temos nossas muletas de sobrevivência. Mas eu gosto muito da solidão. E, quando estou cansado dela, sei onde encontrar companhia”, explica o dramaturgo de 47 anos, também autor de O Natimorto.
São três atores principais em cena, três amigos que rondam os 40 anos e, incapazes de manter relações ditas convencionais com mulheres, procuram garotas de programa. “De um jeito ou de outro, nós dependemos das mulheres pra continuar arrastando nossa velha carcaça bêbada por aí. Somos dependentes crônicos da presença delas”, comenta o autor. Estes mesmos personagens são vistos também 20 anos antes do momento presente – em meio aos anos 1960 e em todas as suas explosões sociais, políticas e culturais. A encruzilhada entre o momento estanque atual e a sensação libertária de duas décadas atrás é o mote principal do texto.
Além do retorno aos palcos e a Curitiba, onde morou por um ano, Bortolotto celebra em forma de parceria criativa sua amizade com o desenhista e escritor Lourenço Mutarelli (O Cheiro do Ralo), que praticamente estreia nos palcos como ator. “A motivação principal é que ele é meu amigo, e só trabalho com amigos. Além disso, é um ótimo ator. Para mim, é uma grande honra contar com ele no elenco”, elogia Bortolotto, que também dirige Paulo de Tharso.
Mesmo com algumas limitações físicas devido ao incidente – ainda há problemas de movimentação dos braços, por exemplo –, o dramaturgo nascido em Londrina continua trabalhando. “Eu trabalho ainda mais, mas muito mais devagar. Para um texto que eu escrevia em dez minutos, hoje estou levando uma hora”, exemplifica o autor, também integrante da banda Saco de Ratos Blues.
E, além de sua peça em cartaz no Sesc da Esquina, talvez seja possível vê-lo nos palcos em outro tipo de performance. Gosto muito de vir tocar Rock-and-Roll em Curitiba. Espero que a gente consiga lançar em breve o nosso CD por aqui”.
Serviço
Música Para Ninar Dinossauros.
Teatro Sesc da Esquina (R. Visc. do Rio Branco, 969), (41) 3304-2222. Dias 18, 19 e 20, às 21h. R$ 45 e R$ 22,50.
3/12/2010
Glauco foi líder religioso amoroso, mas exigente com discípulos
Da folha online
RICARDO FELTRIN
secretário de Redação da Folha Online
"Eu vi o meu povo amarrado
Todo acorrentado por falta de amor
Minha mãezinha estava comigo
E me sustentava com seu grande amor."
(Chaveirinho, "Águia Dourada", hino nº 15, por Glauco Villas Boas)
Uma vez Glauco sonhou que a igreja que ele criou, a Céu de Maria, no Jaraguá, era invadida por pessoas que fugiam de São Paulo. No sonho, contou Glauco, as pessoas fugiam da cidade desesperadas, por causa da violência, e ele temeu não ter como ajudá-las, pois eram muitas.
Glauco relatou esse sonho durante um ritual em 2000, no dia em que recebia e celebrava a iniciação de mais um grupo em sua igreja, na chamada cerimônia de "fardamento" --quando os fieis são oficialmente iniciados na doutrina.
Glauco ganhou o título de padrinho ao fundar a igreja Céu de Maria em meados dos anos 90, mas sua origem religiosa é muito anterior a isso. Ele contava que teve a primeira epifania mística ao ler livros de Carlos Castaneda, escritor e guru de uma geração, e autor entre outras obras do clássico "A Erva do Diabo". Definia Castaneda como o grande marco em sua vida.
Antes do Daime, Glauco frequentou centros de ensino esotéricos como Rosacruz, Eubiose e teosofia. Ele tomou o daime pela primeira vez na igreja fundada pelo escritor Alex Polari, na montanhosa Visconde de Mauá, no interior do Rio de Janeiro. Logo no primeiro trabalho diz ter visto "a luz" que modificaria sua vida para sempre. Começou sua caminhada como mestre reunindo um pequeno grupo de amigos em uma casinha no Butantã (zona oeste de SP).
Era lá que todos tomavam a amarga bebida sagrada, enviada pelos pioneiros da Amazônia, bebida feita da folha de planta chacrona e do cipó de mariri, e cujo preparo é também um ritual em si, chamado "feitio", e que pode se estender por até um mês. Glauco costumava se referir ao daime como "o vinho da floresta".
Para os vizinhos do Butantã, no entanto, não havia nada de sagrado nas celebrações, e era comum os trabalhos terminarem com a presença profana da polícia. Glauco, no entanto, teve sua missão reconhecida pela igreja central do daime no país, o Céu do Mapiá, no Acre, e com a benção de suas lideranças montou a própria igreja num grande terreno adquirido próximo ao pico do Jaraguá.
Com seu próprio suor, da mulher Bia e dos filhos de ambos, a Céu de Maria cresceu e, em alguns rituais, reúne mais de 300 pessoas, vindas de várias partes do mundo. Glauco, o padrinho, era querido e amável com todos, comandava os trabalhos no centro da igreja, sentado em um banquinho, acompanhando os cânticos com seu acordeão escuro.
De seu posto central, apenas usando o olhar, era capaz de agradecer ou admoestar o daimista ou visitante que estivesse ajudando ou atrapalhando o trabalho. Da mesma forma que era um líder carinhoso, não hesitava em interromper o ritual e ralhar com toda igreja quando notava falta de concentração ou dispersão.
Além de líder religioso, Glauco também era compositor e deixa para a doutrina que abraçou dois grandes hinários de fé, um conjunto de cânticos, como o descrito nos versos publicados no alto deste texto.
Esses dois hinários, o Chaveirinho e o Chaveirão, foram cantados anteontem à noite, dia de seu aniversário de 53 anos, quase no mesmo local em que ele partiu nexta sexta, vítima da violência que ele intuiu em sonho, mas não pode evitar na realidade.
Seus dois hinários serão cantados novamente hoje, em todas as igrejas daimistas do país, e voltarão a ser cantados todos os anos nesta mesma data, em memória à partida de Padrinho Glauco.
RICARDO FELTRIN
secretário de Redação da Folha Online
"Eu vi o meu povo amarrado
Todo acorrentado por falta de amor
Minha mãezinha estava comigo
E me sustentava com seu grande amor."
(Chaveirinho, "Águia Dourada", hino nº 15, por Glauco Villas Boas)
Uma vez Glauco sonhou que a igreja que ele criou, a Céu de Maria, no Jaraguá, era invadida por pessoas que fugiam de São Paulo. No sonho, contou Glauco, as pessoas fugiam da cidade desesperadas, por causa da violência, e ele temeu não ter como ajudá-las, pois eram muitas.
Glauco relatou esse sonho durante um ritual em 2000, no dia em que recebia e celebrava a iniciação de mais um grupo em sua igreja, na chamada cerimônia de "fardamento" --quando os fieis são oficialmente iniciados na doutrina.
Glauco ganhou o título de padrinho ao fundar a igreja Céu de Maria em meados dos anos 90, mas sua origem religiosa é muito anterior a isso. Ele contava que teve a primeira epifania mística ao ler livros de Carlos Castaneda, escritor e guru de uma geração, e autor entre outras obras do clássico "A Erva do Diabo". Definia Castaneda como o grande marco em sua vida.
Antes do Daime, Glauco frequentou centros de ensino esotéricos como Rosacruz, Eubiose e teosofia. Ele tomou o daime pela primeira vez na igreja fundada pelo escritor Alex Polari, na montanhosa Visconde de Mauá, no interior do Rio de Janeiro. Logo no primeiro trabalho diz ter visto "a luz" que modificaria sua vida para sempre. Começou sua caminhada como mestre reunindo um pequeno grupo de amigos em uma casinha no Butantã (zona oeste de SP).
Era lá que todos tomavam a amarga bebida sagrada, enviada pelos pioneiros da Amazônia, bebida feita da folha de planta chacrona e do cipó de mariri, e cujo preparo é também um ritual em si, chamado "feitio", e que pode se estender por até um mês. Glauco costumava se referir ao daime como "o vinho da floresta".
Para os vizinhos do Butantã, no entanto, não havia nada de sagrado nas celebrações, e era comum os trabalhos terminarem com a presença profana da polícia. Glauco, no entanto, teve sua missão reconhecida pela igreja central do daime no país, o Céu do Mapiá, no Acre, e com a benção de suas lideranças montou a própria igreja num grande terreno adquirido próximo ao pico do Jaraguá.
Com seu próprio suor, da mulher Bia e dos filhos de ambos, a Céu de Maria cresceu e, em alguns rituais, reúne mais de 300 pessoas, vindas de várias partes do mundo. Glauco, o padrinho, era querido e amável com todos, comandava os trabalhos no centro da igreja, sentado em um banquinho, acompanhando os cânticos com seu acordeão escuro.
De seu posto central, apenas usando o olhar, era capaz de agradecer ou admoestar o daimista ou visitante que estivesse ajudando ou atrapalhando o trabalho. Da mesma forma que era um líder carinhoso, não hesitava em interromper o ritual e ralhar com toda igreja quando notava falta de concentração ou dispersão.
Além de líder religioso, Glauco também era compositor e deixa para a doutrina que abraçou dois grandes hinários de fé, um conjunto de cânticos, como o descrito nos versos publicados no alto deste texto.
Esses dois hinários, o Chaveirinho e o Chaveirão, foram cantados anteontem à noite, dia de seu aniversário de 53 anos, quase no mesmo local em que ele partiu nexta sexta, vítima da violência que ele intuiu em sonho, mas não pode evitar na realidade.
Seus dois hinários serão cantados novamente hoje, em todas as igrejas daimistas do país, e voltarão a ser cantados todos os anos nesta mesma data, em memória à partida de Padrinho Glauco.
"Mataram o Glauco. Morremos um pouco também."
Não consigo acreditar, nem elaborar o que dizer sobre essa história do Glauco. Prefiro reproduzir um texto de um blog (Querido Leitor, de Rosana Hermann) que eu nem conhecia, mas que expressa perfeitamente o turbilhão de sentimentos que me atinge diante disso:
"Não consigo acreditar, assassinaram o Glauco. O Glauco, o cartunista, o criador do Geraldão, um cara do bem, da paz. Assassinaram ele e o filho dele. Na casa deles. A família em casa.
Vontade de chorar, de xingar, de berrar: mundo de merda, país de bosta, violência filha da puta.
Filha da puta.
Não dá pra fazer por menos, expressar por menos.
Assassinos, covardes, desgraçados.
O Glauco tentou negociar. Conversar. Como é que se conversa com monstros?
Glauco tocava sanfona em sua igreja do Santo Daime. Fui lá algumas vezes. O daime é recomendado para algumas pessoas viciadas em drogas, que tentam largar o vício e procuram paz, um ritual. Fui acompanhar um conhecido.
Fui lá. Tomei o Daime.
Glauco tocava sanfona, todos entoavam hinos. Homens de um lado, mulheres de outro. Tudo tão simples, tão intenso.
O Daime é feito de raizes, uma mistura. Essa mistura teve um efeito forte em mim. De tudo, uma palavra se fixou: firmeza.
Firmeza de fé, firmeza de caráter, de alma. Firmeza. Em todos os cantos, ela volta. Firmeza.
E agora minha firmeza se abala, verga como vara ao vento. Glauco foi assassinado. O o filho. De vinte e cinco anos.
Eu sei, vão dizer que muita gente morre no Brasil e que só comento porque ele era famoso. Cara, não é por isso. É porque ele produzia coisas pro mundo, porque era pai, marido, amigo, porque era simples e centrado, bom e justo. Porque era da paz. Porque tinha firmeza.
Dá raiva, dá revolta, dá vontade de chorar, de ficar puta da vida. Mas é hora de ter firmeza, de dizer o que se pensa, de ter coragem.
E é isso que quero dizer agora. Temos que buscar essa firmeza.
Temos que ser firmes na hora de punir esses assassinos. Firmes para lutar contra as injustiças, a corrupção. Firmes para enfrentar a chaga da violência e combatê-la em todo lugar. Todo lugar.
Firmes.
Assassinaram um pai. E um filho. E com eles, morremos todos um pouco.
Firmeza.
Ou a gente dá um jeito, ou vamos todos pro saco."
Vontade de chorar, de xingar, de berrar: mundo de merda, país de bosta, violência filha da puta.
Filha da puta.
Não dá pra fazer por menos, expressar por menos.
Assassinos, covardes, desgraçados.
O Glauco tentou negociar. Conversar. Como é que se conversa com monstros?
Glauco tocava sanfona em sua igreja do Santo Daime. Fui lá algumas vezes. O daime é recomendado para algumas pessoas viciadas em drogas, que tentam largar o vício e procuram paz, um ritual. Fui acompanhar um conhecido.
Fui lá. Tomei o Daime.
Glauco tocava sanfona, todos entoavam hinos. Homens de um lado, mulheres de outro. Tudo tão simples, tão intenso.
O Daime é feito de raizes, uma mistura. Essa mistura teve um efeito forte em mim. De tudo, uma palavra se fixou: firmeza.
Firmeza de fé, firmeza de caráter, de alma. Firmeza. Em todos os cantos, ela volta. Firmeza.
E agora minha firmeza se abala, verga como vara ao vento. Glauco foi assassinado. O o filho. De vinte e cinco anos.
Eu sei, vão dizer que muita gente morre no Brasil e que só comento porque ele era famoso. Cara, não é por isso. É porque ele produzia coisas pro mundo, porque era pai, marido, amigo, porque era simples e centrado, bom e justo. Porque era da paz. Porque tinha firmeza.
Dá raiva, dá revolta, dá vontade de chorar, de ficar puta da vida. Mas é hora de ter firmeza, de dizer o que se pensa, de ter coragem.
E é isso que quero dizer agora. Temos que buscar essa firmeza.
Temos que ser firmes na hora de punir esses assassinos. Firmes para lutar contra as injustiças, a corrupção. Firmes para enfrentar a chaga da violência e combatê-la em todo lugar. Todo lugar.
Firmes.
Assassinaram um pai. E um filho. E com eles, morremos todos um pouco.
Firmeza.
Ou a gente dá um jeito, ou vamos todos pro saco."
Superguidis lança terceiro disco
Foto: Thiago Piccoli
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Nosso brother e parceiro Fernando Rosa, grande "capo" do Senhor F nos envia material sobre o novo lançamento do selo. E como o Fernando aqui não pede, manda, confiram abaixo.
A banda Superguidis realiza o lançamento nacional de seu terceiro disco neste próximo dia 20 de março, com show em Santa Maria (RS), no Macondo Lugar, responsável pelo festival independente mais importante do estado. O álbum traz 11 canções assinadas por Andrio Maquenzi e Lucas Pocamacha (veja abaixo) – Superguidis é Andrio (vocal e guitarra), Lucas (guitarra e vocal), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria). O disco vem assinado pelos selos Senhor F (casa da banda desde a estréia, em 2006) e por Monstro Discos, o maior dos independentes nacionais. A produção é de Philippe Seabra, com mixagem do americano Kyle Kelso e masterização de Gustavo Dreher. A arte é de André Ramos.
O novo disco aponta para a consolidação da banda no cenário independente nacional como uma das mais criativas e produtivas entre as revelações dessa segunda metade da década que passou. Fiel e, de certa forma, parceira na construção da platafaforma independente, a banda gaúcha também tratou a internet como grande aliada. Com isso, tornou-se conhecida nacionalmente, o que abriu as portas do festivais e casas de shows, do que é exemplo a largada da turnê pelo Norte do país, com shows em Manaus, Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena, além de Cuiabá, Goiânia e Brasília.
Além de ter seu disco de estréia figurando em listas de melhores da década, e de ter seu show considerado um dos destaques do rock atual, a banda desenvolveu uma sólida carreira discográfica. Segundo eles, além da circulação, e do constante aprimoramento dos shows, discografia e repertório autoral são fundamentais para afirmar a banda no cenário independente nacional. O disco-bônus contendo show acústico (veja abaixo) realizado em Porto Alegre, em maio passado, é demonstração da quantidade de hits acumulados pelo quarteto. Apenas duas canções, do conterrâneos Prozak, não são de autoria da banda.
Sempre destacada por produzir "indie em português", neste terceiro disco o grupo afirma definitivamente sua linguagem particular, por meio de flashes poéticos e desencanados, identificada com uma visão de mundo do jovem suburbano desses novos tempos. Natural de Guaíba, cidade operária e dormitório de Porto Alegre, a banda traduz de forma universal o cotidiano do jovem que anda de ônibus/metrô, tem a "simplicidade de um tênis furado", faz uma faculdade pelo ProUni, mas que, mesmo com internet discada, corre atrás de informação.
O novo disco também premia as escolhas e estratégias de carreira da banda, que afirma-se no cenário nacional apostando na plataforma independente, sem afastar-se de sua realidade vivencial. A parceria dos selos Senhor F e Monstro Discos, assim como a presença de Fabrício Nobre (Macaco Bong, Black Drawing Chalks & Lucy and The Popsonics) como seu novo agente nacional, fortalecem o potencial de crescimento da banda, que conta com público em todas as regiões do país.
Baixe aqui o single: "Não fosse o bom humor"
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Nosso brother e parceiro Fernando Rosa, grande "capo" do Senhor F nos envia material sobre o novo lançamento do selo. E como o Fernando aqui não pede, manda, confiram abaixo.A banda Superguidis realiza o lançamento nacional de seu terceiro disco neste próximo dia 20 de março, com show em Santa Maria (RS), no Macondo Lugar, responsável pelo festival independente mais importante do estado. O álbum traz 11 canções assinadas por Andrio Maquenzi e Lucas Pocamacha (veja abaixo) – Superguidis é Andrio (vocal e guitarra), Lucas (guitarra e vocal), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria). O disco vem assinado pelos selos Senhor F (casa da banda desde a estréia, em 2006) e por Monstro Discos, o maior dos independentes nacionais. A produção é de Philippe Seabra, com mixagem do americano Kyle Kelso e masterização de Gustavo Dreher. A arte é de André Ramos.
O novo disco aponta para a consolidação da banda no cenário independente nacional como uma das mais criativas e produtivas entre as revelações dessa segunda metade da década que passou. Fiel e, de certa forma, parceira na construção da platafaforma independente, a banda gaúcha também tratou a internet como grande aliada. Com isso, tornou-se conhecida nacionalmente, o que abriu as portas do festivais e casas de shows, do que é exemplo a largada da turnê pelo Norte do país, com shows em Manaus, Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena, além de Cuiabá, Goiânia e Brasília.
Além de ter seu disco de estréia figurando em listas de melhores da década, e de ter seu show considerado um dos destaques do rock atual, a banda desenvolveu uma sólida carreira discográfica. Segundo eles, além da circulação, e do constante aprimoramento dos shows, discografia e repertório autoral são fundamentais para afirmar a banda no cenário independente nacional. O disco-bônus contendo show acústico (veja abaixo) realizado em Porto Alegre, em maio passado, é demonstração da quantidade de hits acumulados pelo quarteto. Apenas duas canções, do conterrâneos Prozak, não são de autoria da banda.
Sempre destacada por produzir "indie em português", neste terceiro disco o grupo afirma definitivamente sua linguagem particular, por meio de flashes poéticos e desencanados, identificada com uma visão de mundo do jovem suburbano desses novos tempos. Natural de Guaíba, cidade operária e dormitório de Porto Alegre, a banda traduz de forma universal o cotidiano do jovem que anda de ônibus/metrô, tem a "simplicidade de um tênis furado", faz uma faculdade pelo ProUni, mas que, mesmo com internet discada, corre atrás de informação.
O novo disco também premia as escolhas e estratégias de carreira da banda, que afirma-se no cenário nacional apostando na plataforma independente, sem afastar-se de sua realidade vivencial. A parceria dos selos Senhor F e Monstro Discos, assim como a presença de Fabrício Nobre (Macaco Bong, Black Drawing Chalks & Lucy and The Popsonics) como seu novo agente nacional, fortalecem o potencial de crescimento da banda, que conta com público em todas as regiões do país.
Baixe aqui o single: "Não fosse o bom humor"
3/10/2010
Just tell me about your life in art...
Muitas vezes cheguei em casa depois do trabalho satisfeita, com a sensação de missão cumprida, por conta de um bom papo que rendeu uma boa reportagem, ou simplesmente por conhecer uma pessoa com história de vida incrível – ou por falar com um artista importante para a cultura brasileira e pra minha própria vida. Mas, essa rotina boa sempre teve por perto o outro lado. A frustração, a confusão, a insegurança, o peso de sentir-se aquém do que gostaria. O cansaço ruim de sentir que poderia ter feito melhor ou o desgaste por ter que lutar tanto, gastar muita energia, pra argumentar sobre o que não deveria nem precisar de argumentação. Ou pior, o cansaço diante da expressão de ignorância de pessoas que não tinham o direito de exibir aquela ignorância, aquela arrogância... jornalismo cultural – uma das minhas paixões. Agora, estou em suspenso nesta área. To fora de jornal e por alguma razão não tenho sentido mesmo muita vontade de escrever sobre nada (bem, não é bem assim...). To fazendo um trabalho bem técnico.
Acordo cedo, vou pra uma sala com pessoas simpáticas, mas o assunto não provoca o menor envolvimento. Ouço, recebo instruções e faço o que pedem. Raras, muito raras, foram as vezes em que trabalhei assim....
E sabe, que pelo menos hoje, estou gostando?!!!!! Quem sabe não estava precisando mesmo dar essa descansada. Desde 1995 não ficava em casa mais de um mês, sem trabalhar, sem estar correndo pra chegar no horário para alguma coisa. E nem sei quanto tempo não chegava em casa sem esse peso – que às vezes é bom, sim – que a entrega incondicional provoca. Sempre fui do tipo que veste a camisa, que não conseguia parar de pensar no trabalho, simplesmente porque o trabalho que eu fazia era também a minha vida.
Nesse momento não é assim. Esse trabalho é um trabalho. Só isso. Acho que, finalmente, estou conseguindo refletir mais claramente sobre a minha profissão de repórter com mais distanciamento, sem ser tão passional. Depois de 3 meses sem “fazer nada” a não ser curtir meus bichos, meu amor, minha casa e a cidade.
Me sinto estranhamente calma, como se minha vida profissional estivesse mesmo em suspenso por um tempo. Não sei se vou voltar pra Cultura. O que sei é que neste momento minha ida pra algum jornal nesta editoria soa impossível. E isso não está me incomodando, tanto, embora me entristeça. Sigo aqui, ouvindo nossas canções perfeitas, enquanto reescrevo um texto frio, do jeito que querem que eu escreva. Básico do básico, sem maiores preocupações. Isso é tão raro na minha vida profissional que nem lembro quando aconteceu - se é que aconteceu.
Puxa vida, então é mesmo possível fazer jornalismo, reportar sem por a alma e o coração em cada linha? To aprendendo que sim. Se isso é bom ou ruim? Eu desconfio que não é bom, mas me parece que neste momento isso está me fazendo bem. Então vou terminar aqui, ao som da “nossa canção doce” a perfeita, My life in Art. (Adri)
Acordo cedo, vou pra uma sala com pessoas simpáticas, mas o assunto não provoca o menor envolvimento. Ouço, recebo instruções e faço o que pedem. Raras, muito raras, foram as vezes em que trabalhei assim....
E sabe, que pelo menos hoje, estou gostando?!!!!! Quem sabe não estava precisando mesmo dar essa descansada. Desde 1995 não ficava em casa mais de um mês, sem trabalhar, sem estar correndo pra chegar no horário para alguma coisa. E nem sei quanto tempo não chegava em casa sem esse peso – que às vezes é bom, sim – que a entrega incondicional provoca. Sempre fui do tipo que veste a camisa, que não conseguia parar de pensar no trabalho, simplesmente porque o trabalho que eu fazia era também a minha vida.
Nesse momento não é assim. Esse trabalho é um trabalho. Só isso. Acho que, finalmente, estou conseguindo refletir mais claramente sobre a minha profissão de repórter com mais distanciamento, sem ser tão passional. Depois de 3 meses sem “fazer nada” a não ser curtir meus bichos, meu amor, minha casa e a cidade.
Me sinto estranhamente calma, como se minha vida profissional estivesse mesmo em suspenso por um tempo. Não sei se vou voltar pra Cultura. O que sei é que neste momento minha ida pra algum jornal nesta editoria soa impossível. E isso não está me incomodando, tanto, embora me entristeça. Sigo aqui, ouvindo nossas canções perfeitas, enquanto reescrevo um texto frio, do jeito que querem que eu escreva. Básico do básico, sem maiores preocupações. Isso é tão raro na minha vida profissional que nem lembro quando aconteceu - se é que aconteceu.
Puxa vida, então é mesmo possível fazer jornalismo, reportar sem por a alma e o coração em cada linha? To aprendendo que sim. Se isso é bom ou ruim? Eu desconfio que não é bom, mas me parece que neste momento isso está me fazendo bem. Então vou terminar aqui, ao som da “nossa canção doce” a perfeita, My life in Art. (Adri)
3/05/2010
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