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3/12/2010

"Mataram o Glauco. Morremos um pouco também."

Não consigo acreditar, nem elaborar o que dizer sobre essa história do Glauco. Prefiro reproduzir um texto de um blog (Querido Leitor, de Rosana Hermann) que eu nem conhecia, mas que expressa perfeitamente o turbilhão de sentimentos que me atinge diante disso:

"Não consigo acreditar, assassinaram o Glauco. O Glauco, o cartunista, o criador do Geraldão, um cara do bem, da paz. Assassinaram ele e o filho dele. Na casa deles. A família em casa.

Vontade de chorar, de xingar, de berrar: mundo de merda, país de bosta, violência filha da puta.
Filha da puta.
Não dá pra fazer por menos, expressar por menos.
Assassinos, covardes, desgraçados.

O Glauco tentou negociar. Conversar. Como é que se conversa com monstros?

Glauco tocava sanfona em sua igreja do Santo Daime. Fui lá algumas vezes. O daime é recomendado para algumas pessoas viciadas em drogas, que tentam largar o vício e procuram paz, um ritual. Fui acompanhar um conhecido.

Fui lá. Tomei o Daime.
Glauco tocava sanfona, todos entoavam hinos. Homens de um lado, mulheres de outro. Tudo tão simples, tão intenso.

O Daime é feito de raizes, uma mistura. Essa mistura teve um efeito forte em mim. De tudo, uma palavra se fixou: firmeza.

Firmeza de fé, firmeza de caráter, de alma. Firmeza. Em todos os cantos, ela volta. Firmeza.

E agora minha firmeza se abala, verga como vara ao vento. Glauco foi assassinado. O o filho. De vinte e cinco anos.

Eu sei, vão dizer que muita gente morre no Brasil e que só comento porque ele era famoso. Cara, não é por isso. É porque ele produzia coisas pro mundo, porque era pai, marido, amigo, porque era simples e centrado, bom e justo. Porque era da paz. Porque tinha firmeza.

Dá raiva, dá revolta, dá vontade de chorar, de ficar puta da vida. Mas é hora de ter firmeza, de dizer o que se pensa, de ter coragem.

E é isso que quero dizer agora. Temos que buscar essa firmeza.

Temos que ser firmes na hora de punir esses assassinos. Firmes para lutar contra as injustiças, a corrupção. Firmes para enfrentar a chaga da violência e combatê-la em todo lugar. Todo lugar.

Firmes.

Assassinaram um pai. E um filho. E com eles, morremos todos um pouco.

Firmeza.
Ou a gente dá um jeito, ou vamos todos pro saco."