4/20/2007

Folhetim Urbano - Cativeiro - por Wellington Dias

Gramophone e-zine

Folhetim Urbano é de Curitiba – PR; conheço a banda desde que se chamava Sabadá (assisti um show deles em uma de minhas passagens pela cidade com o pessoal do La Carne); a mudança do nome veio por forças maiores, já existia uma banda (e de Axé!!) com o mesmo nome.
O trio é composto pelos irmãos Calão Zubek (guitarra/voz); Renato Zubek (baixo/voz) e o amigo Marcelo Chytchy (bateria). Mas nas gravações do ep “Cativeiro” eles acresceram as composições de várias participações.
“Guerrilha” abre o disco com um funkeado de levantar defuntos, nela as participações foram: Rodrigo Genaro (bateria); Linari “La Carne” (voz); Paulinho Branco (sax). A musica pega pelo ritmo, sacode a poeira e mostra ao ouvinte uma das facetas do Folhetim Urbano, que a exemplo do nome segue estações diferentes de uma música a outra, sem amarras a estilos. Destaque a excelente participação do saxofone na composição; a voz aguda do Linari complementa a urgência sonora da composição!
“F de todos nós” vem na seqüência e trás mais uma participação La Carneana: Jorge Jordão dispara sua guitarra ríspida e rápida como sempre a é, novamente a bateria foi gravada por Rodrigo Genaro e os backing vocais são de Rubens K. difícil não relacionar essa musica ao La Carne, pois a marca registrada da banda esta presente nela na forma dos acordes rápidos do Jorge... para quem conhece a banda em questão, imagine-os acompanhados por uma guitarra solo, chegarão bem próximo ao resultado desta que também é um destaque no EP.
“Avon” é uma balada pop ao estilo Iggy Pop em sua fase “Candy”; trás na letra uma bela homenagem ao Avon o avô dos irmãos Zubek que tive o prazer de conhecer e assino embaixo, uma figura impar, daquelas que basta um pequeno período de contato (foi o que tivemos) para ficar marcado na memória! Para quem não o conheceu, fica aqui uma bela composição Pop que agrada tanto pelo ritmo quanto pela letra, ambos carregados de sentimentalismo sem soar piegas!
“Fases, Frases e tempestades” trás novamente a participação de no saxofone (muito bem colocado na composição, sem excessos e devidamente incorporado na mesma); balada romântica gostosa de ouvir! Trás certo ar de saudosismo bem BRock 80’s.
“Sabadá” retoma o peso para encerrar o EP, a música foi uma das primeiras composições da banda e foi batizada junto com a mesma com o mesmo nome que depois viria ser substituído na figura do criador ficando apenas na criatura! Tem certa uma pegada 80’s principalmente na guitarra que remete ao Smack e outras menos conhecidas.
A apresentação gráfica esta bem feita, com letras no encarte, informações técnicas precisas de gravações e participações e uma bela colagem de fotos que mostra um macking off da gravação e produção!

Para quem quiser conhecer a banda e estiver em São Paulo no próximo fim de semana uma boa pedida é ir ao Jukejoint onde vai acontecer esse evento:

21.04 - Jukejoint - SP
Folhetim Urbano - Terminal Guadalupe - La Carne
Rua Frei Caneca, 304, São Paulo - SP
A partir das 22h - $ 10,00 (homens e mulheres)

Contatos:
Site: www.folhetimurbano.com
E-mail: fu@folhetimurbano.com
MySpace: www.myspace.com./folhetimurbano

4/19/2007

É sonhar ou morrer!

Jornal do Estado

No caso da banda curitibana Charme Chulo, as idéias não ficaram só num mundo idealizado, elas se concretizam como resultado de um trabalho competente

Adriane Perin

No dia em que assistiram ao filme Eterno Brilho de uma Mente Sem Lembranças os músicos Igor Filus e Leandro Delmonico saíram do cinema melancólicos: “Vamos em um bar gaúcho que a gente vai ter amores iguais aos do cinema cult”, conta Leandro, lembrando ainda o dia em que a letra de uma música de Zezé de Camargo e Luciano lhe caiu sobre a cabeça. “Como eu posso gostar deles? Eu gosto é de Belle & Sebastian!”, pensou. Histórias perfeitas para falar da banda dos dois, que tem o brilhante nome de Charme Chulo, que lança hoje seu primeiro disco, que tem a música “Amor de Boteco”, que nasceu no tal bar gaúcho. E agora não tem mais jeito, com Charme Chulo a moçadinha indie vai curtir também as influências caipiras e bregas tão naturais na música brasileira. “É um lado irônico e até meio vingativo nosso”, define Igor em tom de brincadeira. O álbum, homônimo da banda, registra muito bem o amadurecimento da sonoridade e dos músicos nesse caminho que começou em 2003.
Conversei com eles ontem no estúdio de ensaio, e casa de Igor, onde estava também Leandro. A dupla segue sendo o centro nervoso e emocional do quarteto, mas agora sente que tem a formação definitiva, com Peterson Rosário, no baixo e Rony Jimenez na bateria, com disposição para encarar o périplo que cabe às bandas independentes brasileiras.
O disco foi feito em Florianópolis com Eduardo Xuxu, da banda Pipodélica, e Alexei Leão, responsáveis pela sensação de limpidez e equilíbrio. Que o Charme Chulo é uma das melhores bandas locais e nacionais da atualidade já é notícia velha, que vem sendo repetida até pela Veja, que também se rendeu ao poder dos independentes. O disco, no entanto, é divisor de águas, no registro da maturidade que a banda atingiu. A viola, marca registrada, por exemplo, ao mesmo tempo que se destaca, está cada vez mais orgânica e se mistura naturalmente. “Sonho com o dia em que ela será vista como uma segunda guitarra”, confessa Leandro, que agora vive a expectativa do público. É a fase mais gostosa, comenta, esta de ver as pessoas descobrindo o álbum. Leandro diz que a banda saiu pronta da gravação. Antes, era o tempo das dúvidas. “Quem gostar legal; quem não gostar, tudo bem porque este é o Charme Chulo, este é nosso momento”, diz. Agora o grupo vai se dedicar ao clipe da música “Mazzaropi Incriminado”, mas não pensa desesperadamente em MTV, como acontecia há alguns anos.
Maturidade é isso: ter tranquilidade pra dar cada passo e degustar ao máximo os frutos quando madurarem. Mais importante é seguir adiante sem atropelos. “Estamos circulando, temos amizades com várias bandas e estamos em sampa direto. Se a MTV se interessar, ok, mas não vamos sair correndo atrás”, pontua o guitarrista violeiro, cujo grupo lançou pelo selo paulista Volume I. “Esse interesse é o símbolo do momento do rock nacional: tudo está se estreitando e a distância entre o independente e o mainstrean, diminuindo. Não tô dizendo que vamos estourar, mas qualquer desses grupos que a gente vê tocando em Curitiba pode virar mainstream – inclusive os curitibanos”, analisa. “Sinto uma progressividade nisso tudo. Ninguém sabe direito o que vai acontecer, é um momento crucial”, completa Igor.
A Charme Chulo toca em breve na terra natal da dupla, Maringá. E a expectativa é grande. “O interior é o melhor porque a carência faz com que as pessoas curtam. É uma sinceridade que não tem preço”, nota Igor, apontando, porém, um lado ruim. Os pedidos de cover, aos quais a Charme não cede. “É perigoso abrir precedente”. Em Curitiba analisa Leandro, existe uma mítica de que o problema é falta de espaço na mídia. “Mas se em em bar de músico não tem equipamento legal... Falta de estrutura, de mercado, é o problema”, pondera o guitarrista cuja banda comemora o fato de não mais pagar para tocar, nem tocar de graça.
Charme Chulo conseguiu o desafio maior dos dias de hoje: criar uma sonoridade própria. Para isso, se apropia de elementos que vem da música gauchesca, do sertanejo pop e, claro da caipira. Do mesmo jeito que se agarra a influência do pós-punk, do rock brasileiro oitentista e da produção dos 90’s. Consegue soar como qualquer dessas bandas hype, apegadas aos anos 80, só que melhor ainda, porque não se priva de sua brasilidade sulista. É este, justamente, o grande charme, que não tem nada de chulo, de Igor, Leandro, Peterson e Rony.

Serviço

Charme Chulo e Mordida. Dia 19. R$10.
Jokers (R; São Francisco, 164).

4/17/2007

A vida é doce


- E como dizia um amigo meu, "as coisas acontecem". Neste final de semana é a vez da invasão curitibana na terra da garoa. Terminal Guadalupe e Folhetim Urbano tocam no sábado, no Juke Joint, em São Paulo, tendo como anfitriões os grandes brothers do La Carne. Certamente será uma grande festa. Queria poder estar lá, mas não vai dar. Daqui, estaremos torcendo para que tudo corra bem. Façam um brinde pela gente lá e mandem um abraço praqueles meliantes de Osasco.



- Falando nisso, também já tá na rede o clip do Terminal.

- E na quinta-feira, 19, enquanto os aborrescente gotiquinhos estiverem choramingando na pedreira, e os tiozinhos, cantando Love Hurts, o Charme Chulo estará fazendo história, lançando seu primeiro disco, no Jokers. Já ouvi o disco e posso dizer que gostei muito. A produção capitaneada pelo grande Xuxu, da Pipodélica (SC) realçou as qualidades do trabalho dos caras, que por si só já era de alto nível. Belas canções, arranjos criativos, simplicidade e bom gosto, letras muito acima da média, que brincam com a fronteira entre aquilo que é "cool" e o "cafona". Com o perdão do clichê, imperdível.Eu queria colocar o flyer aqui, mas os caras me mandaram um negócio maluco. Qualquer coisa, vai lá no site deles ou se vira.


- E na sexta, mais um evento da Ruído Corporation, em parceria com o Só Para Losers,no Korova.Definitivamente, os caras são imparáveis.

- Gostei bastante do acústico do Lobão. Confesso que estava receoso, diante do histórico recente bunda mole desse programa/formato. Mas o Big Wolf não se deixou levar por isso, e privilegiou músicas dos discos mais recentes, que na minha opinião, estão entre os melhores trabalhos dele, mas que muito pouca gente ouviu. Pra mim são justamente essas músicas, como El Desdichado, Vou te Levar, A vida é doce, etc, são as melhores do programa/disco/dvd, sei lá.

4/12/2007

The show must go on

E para o horror dos coitadistas, tem muito mais gente se virando aí pras coisas acontecerem.

Hoje tem:



O mais legal é que o Hangar tá reabrindo com uma postura nova, e abrindo espaço para bandas com trabalhos autorais às quintas-feiras.

Amanhã, no mesmo lugar tem:



e também amanhã tem mais uma festa dos irredutíveis gauleses da ruído corporation:



falando neles, os Índios Eletrônicos foram indicados para concorrer ao Prêmio Toddy (antigo Dynamite) na categoria melhor álbum instrumental. Também estão indicados o Ciclojam, como programa de TV e o Caio Marques (Bad Folks), como revelação regional (seja lá o que for isso). Pra votar é só ir aqui ó: www.premiotoddy.com.br/

A minha influência nefasta.. (uau!).

Não é pra rir, é pra dar gargalhada, né? Além tudo é passado e acha que tá na crista da onda. Que coisa mais infantil o tal blog citado pelo ivan. Até achei que era algo mais "complexo", uma crítica apurada e bem argumentada. Me dei ao trabalho de ir lá ler... aquilo? Ele nem fala da de inverno, será que conhece? Fala de mim e do omar, puts, o cara tá no tempo do peçonha, ainda. Faria bem pra cena, se ensinasse muitas bandas por aí a se divulgarem decentemente. È, é verdade, agora não tem mais chance nenhuma pras bandas, né, elas não saem mais na Gazeta (porque será?), que é só o que os ignorantes acham que existe aqui. Bem, eu, de minha parte, vou logo avisando, a quem interessar possa: VOU CONTINUAR COM MINHA INFLUÊNCIA NEFASTA (poderosa eu, não!?) NA CENA LOCAL. Ah, por favor...tenho mais o que fazer...(só não resisti a tirar um sarro)

4/11/2007

"Se a gente não se abraçar, morre"

Felizmente, o mundo gira, e enquanto muitos vivem de reclamar, alguns insistem em fazer. Taí mais um exemplo na matéria de hoje da Adri, no Jornal do Estado, sobre projeto Prasbandas.


Projeto Prasbandas, criado por Getúlio Guerra em 2005, leva os grupos musicais curitibanos para tocar nos bairros da cidade

Adriane Perin - Jornal do Estado

Foto: Douglas Fróis

A equipe do Prasbandas e seu idealizador, Getúlio Guerra (seg.a partir dir.): sempre em frente

Getúlio Guerra sempre gostou de rock. Lá nos anos 80 era fã, especialmente, das bandas nacionais que tinha o (bom) português como língua mãe. Não raras vezes ficava sozinho nesta escolha que ia contra as ondas da moda, muitas vezes. Tanto que no primeiro show do Pato Fu na cidade, quando ainda não era banda do primeiro escalaão, não conseguiu convencer os amigos e foi sozinho. “Sempre gostei de rock, desde que era piá, mas do rock nacional com bons textos e não das novidades gringas”.
Das bandas curitibanas, apenas três lhe interessavam: BAAF, Abaixo de Deus e Opinião Púbica. A cena local do começo dos anos 90, não lhe interessou, calcada que era quase toda na língua inglesa - e ele casou, teve filhos e se afastou da onda que tornou Curitiba conhecida como a “Seatle brasileira”, nas palavras daquela mesma revista que era sua única fonte de informação, a Bizz.
“Daí, de repente você cresce e as responsabilidades se avolumam. E os anos 90 passaram batido pra mim. Um show aqui outro lá, mas as músicas em inglês não me interessavam”, comenta.
Porém, o rapaz que sempre sempre foi um tanto presunçoso, reconhece, não conseguiu se afastar da mania de mobilizar as pessoas. “Sempre fui meio arrogante, o dono da bola e do jogo de camisa, no futebol; o que organizava os jogos, as excursões para show, enfim, esses detalhes chatos”. Pois foi esse perfil empreendedor, na real, que o fez criar o belo projeto Prasbandas, em novembro de 2005. Trata-se de uma idéia muito simples que começou auto-centrada na vontade de ajudar as bandas dos amigos, dos sobrinhos e dos filhos.
Para tal, ele começou a promover o festival Prasbandas em bairros, se afastando do circuio central, mais tradicional na oferta de shows independentes. Até agora foram 4 edições que passaram pelos bairros do Sítio Cercado, Xaxin, Hauer e Boqueirão. “Todos pertos de onde moro, porque não tenho carro e tem que fazer pelo menso dois meses de divulgação”, diz ele que deixa filipetas e cartazes em tudo que é estabelecimento do bairro, do açougue a escolas. Como parte da ingresso, as pessoas fazem a doação de um livro, que é doado para as escolas e assim, conseguir apoio dos diretores.
Antes da idéia se concretizar, no entanto, em 2002, Guerra virou o produtor do Engenheiro do Hawai, Carlos Maltz – que também é astrólogo. Depois de algum tempo junto, o músico propos fazer o mapa astral de Guerra e viu que a existência do rapaz já havia sido marcada pelo tal egoísmo - mas em um grau mais maléfico. “Ele viu que eu tinha essa coisa de organizar, de fazer, perguntou porque eu não voltava a fazer isso direito, então, olhando também para o outro”, lembra Guerra.
Pronto, desse puxão de orelha para o nascimento do inspirado Prasbandas, foi tudo muito rapido. “Sei que é um papo messiânico do c*, mas eu sou ligado nesses assuntos e isso me leva a agir na vida, sei disso”. Bom “pras bandas” curitibanas, que ganharam mais um produtor arrretado, disposto a chutar por lado as pedras que vão aparecer.
Das bandas do filho e sobrinhos para o “resto” da cena contemporânea curitibana foi um salto que teve como impulso uma demo do Vadeco e os Astranautas, cujas músicas o fizeram voltar a se conectar com a produção local contemporânea. Desde então, arregimentou novos parceiros, como a Drum Shop, que apoiou desde o primeiro Prasbandas. Também devem vir este ano parcerias com o pessoal do Tinidos e do coletivo Situação. Contada assim, a idéia até parece a de um caminho óbvio. Só que que essa simplicidade exige uma tremenda disposição e muitas outras pessoas dispostas a serem voluntárias, trabalhar de graça, pelo amor à idéia. E nisso, Guerra hoje em dia se sente bem acompanhado. Cita várias pessoas importantes na entrevista e fez questão de ser fotografado com a turma de apoio. Agora, ele está preparando a quinta edição do Pras bandas, que deve ser na Praça Renato Russo, no Uberaba. Mas, ir para espaços públicos, exige articulação melhor ainda. Ele já começou a se inscrever em editais de apoio cultural. “Começou com uma tentativa de fazer algo pela minha turma, por isso no bairro. E virou algo maior quando conheci tanta gente legal que taí batalhando, hoje. É isso, se a gente não se abraçar, a gente morre”.

Serviço
geto@prasbandas.mus.br
www.prasbandas.mus.br

4/08/2007

"Nova" - Fluid - Rock de Inverno 5 e o onanismo crítico by internet



Por mais que muitos ainda torçam por isso, a gente não pára. Pelo menos ainda não. Taí mais um vídeo do Rock de Inverno 5. “Nova” dos guris do Fluid, que atualmente atendem pelo nome de Estática.
Por incrível que pareça, ainda tem neguinho que a essa altura do campeonato insiste na ladainha do coitadismo, de justificar a sua própria incompetência e inércia não pelas iniciativas que ele mesmo banca, mas pelo que os outros fazem ou deixam de fazer. Digo isso porque quando eu esperava que com o recolhimento que a gente adotou nos últimos tempos, os arautos da babaquice já tivessem nos esquecido, novamente topei essa semana com esse tipo de comentário, em um blog, segundo o qual o que a De Inverno faz nada mais é do que puxar os sacos dos amigos e trabalhar em causa própria. De acordo com um blog até bem intencionado que eu conheci esses dias, tudo o que a gente fez até hoje é classificado como uma “influência nefasta” para a cena curitibana.
Primeiro eu não acho que a gente tenha tanta importância assim. Segundo que esse tipo de comentário só mostra que a burrice é mesmo contagiosa, e neguinho continua cultivando o péssimo hábito de repetir besteiras que ouviu por aí sem nem prestar atenção no que tá dizendo. Sim, pois o mais engraçado é que em uma passada de olhos pelo mesmo blog, o que eu vi foram textos destacando muitas das bandas que passaram pelo Rock de Inverno e que tiveram destaque através das reportagens da Adri. Ou seja, o cara acusa a gente de falar sempre das mesmas bandas, de só fazer “panelinha”, e daí destaca as mesmas bandas que a gente ajudou a divulgar. Estão lá por exemplo, Charme Chulo, Poléxia, Terminal Guadalupe, Mordida, Cores D Flores, só pra ficar nas que eu lembro agora. Quer dizer então que quando tocam no Rock de Inverno essas bandas fazem parte de uma panelinha odiosa e mau caráter. Mas quando é pra falar de bandas legais da cidade no blog, aí elas servem? Faz sentido? Eu só queria entender a lógica. Das duas uma, ou o cara também faz parte da tal panelinha, e fala uma coisa e faz outra, ou não sabe do que tá falando, pois está apenas repetindo uma bobagem que outros falam por aí, sem se dar ao trabalho de ver se aquilo tem sentido.
Enfim, tudo isso me traz à mente as circunstâncias que nos levaram, por exemplo, a escalar o Fluid no Rock de Inverno 5. Foi assim: a gente recebeu a demo dos caras, gostou, foi no show, gostou mais ainda e chamou eles pra tocar. Não rolou jabá (aahahaha, quem dera), nenhuma conspiração internacional. Não tenho parentesco ou sequer relacionamento pessoal com os caras. Não tenho nenhuma amizade com eles, não sei onde eles moram, estudam, o que lêem, se são casados ou solteiros. Nunca sentei em um bar pra tomar uma cerveja com os caras. E com exceção do vocalista, o Will, os outros caras da banda, se eu cruzar na rua, provavelmente sequer vou reconhecer. Mas mesmo assim, os babacas coitadistas ainda insistem na ladainha de repetir bobagens para justificar a própria falta de coragem de tomar iniciativa e fazer alguma coisa. É a cultura do choramingo. “Eu não faço nada, porque não vai dar certo mesmo, porque ninguém vai me dar espaço, ninguém dá apoio, então eu nem sequer tento”. Pra essa gente, como eu já comentei, o pior crime que alguém pode cometer é fazer algo e aquilo dar certo, ter algum tipo de repercussão. Porque aí fica evidente que o problema não é que “não tem espaço, apoio, etc”, mas porque o cara é que não tem coragem de tomar as rédeas do próprio destino e ir à luta. É mais fácil ficar colocando a culpa nos outros. Mais cômodo ficar fazendo comentariozinhos em orkut, e blogs, batendo punheta, criando espinha e reclamando da vida. Afinal, se eu fizer algo, vai que dá certo, e daí do que é que eu vou reclamar? Em quem vou colocar a culpa pela minha própria incapacidade?
Tomei o cuidado de contar e descobri que nas cinco edições realizadas do Rock de Inverno, passaram 46 bandas diferentes. Muitas delas eram de meus amigos. Com certeza. Eu escalaria uma banda que acho ruim só porque tem amigos meus? Nunca. Deixaria de escalar uma banda que eu acho legal só por isso? É claro que não. Mas o fato – por mais que os idiotas tentem negar – é que boa parte, se não a maioria das bandas que a gente escalou no festival a gente sequer conhecia os caras pessoalmente. Escalou porque ouviu o som e gostou. Muitos se tornaram amigos depois. Outros continuam sendo estranhos pra mim. Muda alguma coisa? Não. Tô me justificando? Ahahaha. A essa altura da vida não tenho que provar nada pra ninguém. Se quiserem acreditar, beleza. Se não, vão tomar nos respectivos orifícios anais. Faço o que faço porque quero, gosto, ninguém paga minhas contas e não tô nem aí para o que indiezinhos onanistas metidos a criticuzinhos de blog acham. Não gostou? Vai procurar tua turma. Acha o Rock de Inverno uma bosta? Organize o seu próprio festival e chame as bandas que você gosta. Do contrário, cala a boca e não enche o meu saco.

O que eu sei é que enquanto neguinho perder tempo e desperdiçar energia com esse tipo de picuinha inútil e medíocre, a coisa não vai pra frente mesmo. Até por isso, tenho feito questão de manter uma distância segura desse tipo de babaquice. Tenho mais o que fazer do que ficar alimentando polêmicas vazias de quem não sabe o que tá falando e não mexe a bunda da cadeira a não ser pra coçar o rabo.

Tenho, por exemplo, que terminar o vídeo do Rock de Inverno 5 junto com o Marcelo, pra gente lançar em dvd ainda este ano. E a gravação do novo disco do OAEOZ. E a gravação do disco ao vivo na Grande Garagem que Grava, dos grandes brothers e esses sim, heróis da música local do BAAF e seus comparsas. E tem a comemoração dos dez anos do OAEOZ, que se tudo der certo, vai render um documentário. E ainda tem o vídeo do Rock de Inverno 6, que a gente ainda nem começou. Enfim, tem muito trabalho pela frente. Quem não gosta, é muito fácil, não vai no show, não baixa o mp3, não compra o disco, nem assiste o vídeo. A gente vai continuar fazendo do mesmo jeito, nem que seja só pelo prazer de fazer o que gosta e dar assunto pros idiotas continuarem reclamando da merda da vida deles. Fazer o que. Alguns vieram pro mundo pra isso. Eu, pessoalmente, quero muito mais da minha vida. E não tenho do que reclamar, pois já fiz muito mais do que esperava, e com certeza, ainda vou fazer muito mais, com a ajuda do meu amor, dos meus parceiros queridos e daqueles que realmente tem algo a dizer que valha a pena ser ouvido.

4/05/2007

O dia em que a gente parar...

não sei o que acontece ou sei muito bem, né). Dá um susto mesmo, entendo o rubens, ouvir que o Edson parou. Mas, ele já parou (ou tentou) algumas vezes. De vc mesmo, rubens, algumas vezes ouvi a mesma coisa. Do igor já ouvi, de tantos desses amigos especiais. Do ivan não ouvi, (que “ele” pararia), ele não é dado a esses desabafos, pode até pensar. E já pensou que OAEOZ tava parado quase parando, nós dois já paramos o Rock de Inverno...mas, na real a gente não pára. Não consigo pensar no dia em que vcs irão parar. Ivan, rubens, igor, andré, coelio, Jr, wallace, tupirô, bauducko, mariele, marcelo borges, camarão, ro, carlão, mestre kinkas, aurea, boneco, marco cigano, lacarnianos, deod, blanched...ah, enfim, essas pessoas incríveis que povoam meus dias... essas pessoas, definitivamente, não param. Porque, como já sabemos, é impossível parar, é uma questão de sobrevivência... de respiração, o mais básico e imprescindível dos movimentos humanos. a gente acorda uns dias mais fechados, leva a vida no mau humor, tentando equilibrar nas pernas e às vezes caindo na calçada, mas não tem como... por isso, agora, quando ouço esse tipo de conversa, fico na minha, é só deixar o dia ruim passar... tem dias que baixa “um anjo triste”perto da gente e só sobra se encolher num canto e não ver o dia. Se deixar quieto....

essa semana fui ver pela primeira vez Chico Buarque. E fiquei embasbacada. Temia o cansaço e nem senti o show passar. Simplesmente maravilhoso, das composições ao visual do palco. Os músicos dão seu show a parte, se escondem e se mostram ao sabor da canção. Chico parece de uma simplicidade desconcertante.E que iluminação do show (não sou muito d prestar atenção, confesso, mas dessa vez...) pensei muito na lu raitani e no marcelo borges enquanto as cores de tons quentes ajudavam a criar o clima pra tramas sonoras. Muito legal. Valeu cada segundo dessa disposição de, neste ano, ver os(bons) medalhões da música brasileira.

Já o show dos Mutantes me deixou com uma tristeza imensa no coração. Esperei tanto, defendi o direito deles de fazer shows de retorno sim, mas o que vi no palco do Curitiba Master Hall só serviu para me deixar triste e irritada. Desrespeito total com aquele que é um dos maiores nomes de todos e todos os tempos da música brasileira. Arnaldo Baptista! Em uma das mais lindas canções,Dia 36, que ele cantaria, o microfone simplesmente falhou. Qualé, produção. Depois me vêm falar de (falta) profisisonalismo nas bandas independentes. Como é que uma coisa dessas acontece num show desses. E o sergio dias, megalômano constrangedor com suas guitarras incomodamente mais altas que o resto. O pior é que o cara não precisa disso (ou precisa, né, e eu é que tô sendo ingênua de novo). O som como um todo estava uma porcaria, abafado. A banda não pareceu empolgada, não tinha brilho, não estava em um dia legal – e ainda assim, ouvir aquelas canções.... fiquei triste sim. Não foi nem de longe a magia que deveria ter sido. Lamentável.

Terminal Guadalupe tá de parabéns por toda movimentação. O tempo todo recebo no jornal material deles. Profissa e com boa música. É isso aí.

Marcelo, já falei isso por email pra ti e vou repetir aqui. Teus vídeos me deixam orgulhosa, por ser sua amiga, pelo Rock de Inverno, pelo OAEOZ, pelas bandas curitibanas, pelas bandas alternativas brasileiras, por sermos capazes de perceber a beleza, não apenas a sonora, disso tudo. Me deixam com vontade de não parar nunca, me dão vontade de chorar, de alegria por poder desfrutar disso, de tristeza e de frustração por tanta gente não perceber isso tudo... no fim das contas é o que nos resta para pelo menos tentar fazer essa vida um pouco mais especial. Às vezes a gente ( esse a gente é todos nós) consegue!(adri)

3/27/2007

Sofia -" Ode' - Rock de Inverno 5



arriba, como o título diz, está o video do Sofia, tocando a bela e inédita canção "Ode", no Rock de Inverno 5, cortesia by Marcelo Borges, é claro.


abajo, a segunda parte da incrível "Invasão Paulista", doc feito pelo Danilo, do Hierofanta Púrpura, sobre a passagem dos irredutíveis La Carne e Hierofante pela cidade carranca. impagável!

3/22/2007

Lembrando do futuro



e tem texto do grande figura Wellington Dias, produtor e il capo do selo Gramophone, que começou como programa de rádio, virou zine, etc. olha só:

"...Com um publico bem legal sobe ao palco o “OAEOZ”, saudades de ver essa banda ao vivo, destilando toda a doce melancolia que tanto me atrai em suas composições; OAEOZ não faz musica para dançar ou pular... Faz musica pra se ouvir, degustar, sentir e compartilhar (como aconteceu em “Dizem” com o publico cantando junto à bela letra da canção). “Alguns dizem que tenho talento para melancolia e qualquer tipo de fobia, e tenho pena de mim, gosto de me arrastar por ai, por debaixo da dor, implorando por afeto! Dizem também que mantenho uma distancia que dura mais ou menos dois copos; mas que depois me solto e sou capaz de ir para a casa mais próxima, com qualquer que seja, em busca de um pouco mais e de aconchego!” (nunca fui descrito tão bem por pessoas que mal conhecia quando a musica foi feita, claro que não foi composta para a minha pessoa, mas me dou ao direito de me apropriar dessa maravilha!)..."

leiam a íntegra aqui no site do Gramophone

e a foto acima também é do Wellington. Como dá pra sacar pela foto, nessa hora, quem tava no palco era o La Carne. E dá pra perceber na cara do pessoal a alegria de todo mundo naquela hora. Dá saudade e um arrepio só de ver isso. Muito foda. Cada vez que esses caras vem pra cá, causam um estrago danado. Fazem a gente se sentir mais vivos por alguns momentos. Como eu já disse no texto sobre o show para o blog do ruído, La Carne é mais que música, é vida dilacerada e esfregada na sua cara ao vivo em cima de um palco. Tenho muito orgulho de ser amigo desses caras e de poder partilhar esses momentos, que pra gente, são históricos, porque são pedaços fundamentais da nossa vida.



e hoje, aqui em Curitiba, tem o show de despedida daquela que pra mim a banda paranaense mais importante de todos os tempos. Quando eu digo pra mim, digo literalmente. O Beijo AA Força foi a primeira banda do Paraná que eu vi pessoalmente ao vivo, tocando música própria. Foi lá por 90,91, no teatro da cada de cultura de Ponta Grossa. Tinha umas 30 pessoas. Eu mau conhecia o trabalho dos caras, só conhecia as músicas que saíram naquela coletânea Cemitério dos Elefantes. E foi um choque. E os caras tocaram como se tivessem tocando pra 50 mil pessoas. E o Rodrigão não conseguia afinar a guitarra les pal epiphone e jogou ela no chão, e cada vez que passava dava um bico na dita cuja. E eu saí daquele lugar convencido de que era isso que eu queria fazer. Música. Ou seja, eles são os culpados. Enfim, é um dia histórico pro rock de Curitiba. Valeu BAAF!

3/16/2007

Deus e o Diabo - Rock de Inverno 5 - "Observática " e "ONU & EUA"



Mais um vídeo do Marcelo Borges do Rock de Inverno 5 disponível no You Tube. A banda mais classuda do Brasil, Deus e o Diabo, em dose dupla, tocando “Observática” e “ONU & EUA” (essa última, cada vez mais atual). Sempre lembrando que o áudio não foi mixado. Aliás, devemos começar essa mixagem nos próximos dias, aí sim, as coisas vão ficar nos seus lugares.

The show must go on



e hoje tem mais uma big super ultra festa da Ruído Corporation, no Korova, com o ruído/mm e como convidado, o pós rock da banda belorizontina Constantina. Vale a pena conferir.

3/14/2007

Invasão no You Tube

E a invasão paulista deste final de semana em Curitiba também chegou ao You Tube.

O Danilo, do Hierofante Púrpura, postou um video que ele fez da viagem com o La Carne, com bastidores da van e outras histórias hilárias.

E abaixo você pode conferir os vídeos feitos pelo Wellington, do selo Gramophone, com as apresentações dos malucos no Porão

La Carne no Porão





Ruído/mm



Hierofante Púrpura



OAEOZ

3/13/2007

PS

E tem mais depoimentos sobre a invasão paulista deste fim de semana na terra da aranha marrom, no Diário de Bordo do La Carne:

"Danilo com sua inseparável câmera filmou alguns maus elementos cantando a plenos pulmões uma das músicas dos caras, que diz algo assim: "alguns dizem que tenho talento prá melancolia, qualquer tipo de fobia, que tenho pena de mim, e que por isso gosto de me arrastar por aí por debaixo da dor, implorando por afeto". Algo está acontecendo com OAEOZ. Aqueles répteis estão trocando a casca.."

e no Algumas horas sozinho, blog do Leo Vinhas:

"La Carne, “Blues dos Seus Absurdos”, “Dândi” e “TGP” matando a pau. Eu não fico mais de cueca no sofá esperando Godot, mas eles ainda são o melhor show do Brasil. Eu ainda viajo em “Jukebox”, ainda danço ao som de “Bom Dia, Barbárie”, ainda choro com “Viaduto do Sol”. Eu ainda perco inibições no show do La Carne. Eu nunca terei agradecido o suficiente aos caras, pela música, pelo companheirismo, pelas lições de simplicidade."

Contra a corrente desde sempre, baby

Fotos: Digão Duarte

La Carne no Porão: o melhor show, da melhor banda do Brasil, só isso.

“Quem aqui pode me dizer o quanto se morre pra poder viver?”

A chuva que caiu por volta das 9/10 horas da noite de sábado, quando a gente ainda passa o som no Porão do Rock, faz alguns ficarem preocupados de que isso “esfriasse” a festa. Bobagem. A água apenas dá uma refrescada no ambiente, como se preparasse os ânimos para o que estava por vir. Mas nada poderia ser capaz de prenunciar o que viria.
Mais do que mais um show ou festa da Ruído Corporation, o que se viu no sábado no Porão foi o encontro de uma turma de amigos que se aproxima e se identifica não só pela música, mas principalmente, pela forma generosa e solidária como vê a vida e que faz da atividade artística (eu sei, expressãozinha horrível e pedante, mas é o que me ocorre agora) um instrumento para a troca de idéias, energia, calor humano. Um exercício de SOBREVIVÊNCIA, de sanidade mental. Que encontrou na soma de forças a saída para um cotidiano medíocre e tacanho que teima em nos enredar. E que despreza o patrulhamento indie dos que se acham capazes de ditar as regras do bom gosto, do que é “cool”, do que é legal. Arte, diversão e amizade contra o cinismo e a pobreza de espírito.

Quando o OAEOZ subiu ao palco, pouco depois da meia-noite, um bom público, formado por amigos, curiosos e desavisados, já ocupava o Porão. Depois de nove meses sem tocar ao vivo, e estreando nova formação e arranjos, não tinha como a gente esconder a ansiedade. Começamos com o pé em baixo, em “Ninguém vai dormir”, que serviu pra espantar um pouco o nervosismo, apesar da corda arrebentada da minha guitarra na primeira música.

Confirmando o clima de camaradagem, o Felipe, do ruído, logo me estendeu uma guita emprestada e após rápida afinação, iniciamos “Dizem”, responsável pelo momento mais emocionante do nosso show, com parte da platéia cantando junto a doída letra de Rubens K, agora envolvida em um arranjo mais básico e “rock”. Funcionou!
Avançamos com “Distância” e “Pra Longe”, que saíram meio arrastadas. E finalizando, “Canção para OAEOZ”, de autoria e com vocal principal do Carlão. Deu pra tirar as teias de aranha e teve até gente comprando nosso CD, e perguntando se ele tinha as músicas que a gente tocou no show. Mas o que me deixou feliz mesmo é que quando eu fui comprar uma água no balcão, o cara que tava servindo fez questão de me cumprimentar e de dizer que havia gostado muito. Sempre achei que se o cara que ta ali trabalhando no bar, vendo toda noite banda passando pra lá e pra cá, gosta, é sinal de que alguma coisa prestou mesmo. Massa.

Após um pequeno intervalo para desmontagem e montagem de instrumentos, o ruído/mm começa sua performance. Já tive oportunidade de ver alguns shows dos caras, mas não tenho dúvida de que esse foi o melhor que eu assisti. Dá pra ver claramente a diferença de pegada pelo fato deles estarem tocando direto ultimamente e terem encampado esse desafio de produzir shows com outras bandas.
Impressionante a dinâmica que eles imprimem as músicas, as mudanças de andamento estão ainda mais seguras, precisas e surpreendentes, e essa segurança é visível no entusiasmo que eles demonstram em cima do palco. Felipe continua sendo uma espécie de “maestro” condutor, agora escudado por André Ramiro, com suas dancinhas impagáveis e sua cara de criança que acabou de ganhar um doce. Pill com a elegância de sempre e John de costas, tecendo seqüências de riffs e texturas impressionistas. O batera alternando na porrada e em grooves jazzísticos, complementa a massa sonora que deixa o público estupefado e boquiaberto. Perfeito.
Confesso que não vi todo o show do Hierofante, pois nesse momento o cansaço da correria do dia começou a pesar. Acabei vendo parte da apresentação sentado no lado onde ficam as mesas, e voltava de vez em quando ao espaço do show quando eles tocavam músicas que eu já conhecia e gosto do EP. O que mais me chama a atenção neles é a alegria com que os caras tocam, principalmente o guitarrista base e o baixista. Uma alegria sincera, espontânea, contagiante, juvenil, de quem não se deixou contaminar pelos vícios desse meio “artístico” udigrudi nosso de cada dia, e ainda acredita na música como forma de expressão vital, sem amarras, sem regras, só pelo prazer de tocar e fazer um som com os amigos. Muito bom.

E então, chega o momento mais esperado da noite. A expectativa em torno do show do La Carne era grande, mas como eu disse no início, nada seria capaz de me preparar para o que estava por vir. Já vi vários shows dos caras, e tinha em mente principalmente o último do Rock de Inverno 6, quando foi uma questão de honra pra gente ter os caras como headliners em um show bem organizado, divulgado e com som legal, depois da merda que havia acontecido no Rock de Inverno 4. Nesse dia deu tudo certo, e os caras colocaram o 92 abaixo. Jamais eu imaginaria que dentro dee instantes esses caras seriam capazes de superar e muito isso, de me deixar sem fôlego novamente.
Eles começam com duas músicas novas. O que poderia ser um balde de água fria nas expectativas. Menos para o La Carne. As músicas novas parecem ainda mais urgentes, diretas, monolíticas, agora com o reforço dos backings de Jorge e Carlinho. A essa altura a platéia já está vidrada. “Contra a corrente desde sempre, baby. Contra os abutres que devoram devagar”. O som ainda melhor do que o RI 6 faz o show do La Carne soar mais impressionante que nunca. Os grooves do baixo rimbombante de Carlinho ligado em dois amplis de baixo, mais a caixa de baixo do PA ecoam no ambiente e se encaixam perfeitamente nos riffs explosivos detonados pela “mão direita mais rápida do Oeste” de Jorge Jordão, armado por dois fenders de luxe cortesia da ruído corporation.
Por cima desse paredão, Linari canta como nunca, como se o mundo fosse acabar nessa noite. Sua voz corta ar e navega em gritos lancinantes como se a qualquer momento ele fosse desfalecer ou implodir. Esses quatro elementos superpostos criam um tsunami sonoro que assalta o lugar em ondas “numa espiral da elipse curta do abismo material”.

Quando eles iniciam os primeiros acordes de “Demônio triste”, o público suinga e dança, como se a noite tivesse apenas começado agora. E vem “Jukebox”, “Viaduto do Sol”, e outros clássicos, pra deixar todo mundo de cara. Linari hipnotiza e se supera nos trejeitos e caretas teatrais, voltinhas a la James Brown, no olhar maquiavélico e cúmplice. No pogo, se misturam, se empurram, e riem amigos, conhecidos, agregados e uma molecada que provavelmente nunca ouviu La Carne na vida. Uma garota joga cerveja pra cima, pra horror de um segurança troglodita, que fica ouriçado mas logo é colocado pra escanteio. Cansados, eles tentam terminar o show. O público não deixa. Tentam de novo. São xingados. Mais uma. “Vão beber”, se despede Linari. Inacreditável.
Domingo de manhã (ta bom, começo de tarde). Acordo ainda com o show do La Carne ecoando na cabeça. Por impulso, penso em colocar algum som. Aí percebo que depois daquilo que eu tinha acabado de ouvir, qualquer música pareceria ofensiva. Só no início da noite, quando consigo terminar de baixar as “The Complete Sun Sessions”, do Elvis, é que coloco música pra ouvir. O círculo se fecha.
Como Elvis, La Carne é mais do que rock, é mais do que meras canções de festa, é vida musicada e dilacerada ao vivo em versos e acordes. É um convite para um apocalipse particular (“vamos celebrar a estupidez humana?”). Criaturas flamejantes gritando por uma saída, mesmo que não acreditem nela. Apenas pela diversão de testar os limites, de jogar as favas o bom senso. Pelo prazer de compartilhar suas dores com quem ainda acredita no poder da amizade, do companheirismo, do sonho ou porque não, da loucura. Ave Sidney, Carlinho, Jorge, Linari. Ave La Carne.

Ave Ruído Corporation e Hierofante Púrpura. Ave OAEOZ.

Ivan Santos

coloco mais fotos quanto o André me mandar (mandaí André)

3/10/2007

É HOJE!



Os La Carnes e Hierofantes já estão na cidade. Logo mais tem uma big super ultra macarronada aqui em casa. Depois passagem de som e bum! Será uma grande noite. Quem ver, verá.

3/08/2007

... como a lua

Um dia, há muito tempo, numa férias de faculdade, recebi a carta de um novo amigo, já muito especial. E ela começava com um poema que, dizia meu amigo, o fazia lembrar-se de mim, se parecia comigo. Me encantei, e fiquei pra sempre na ponta da língua e em algum canto do coração, com a primeira frase de Cecília Meirelles: tenho fases como a lua. Me vi nas palavras dela como me vejo hoje em dia em certas canções. Por alguma razão hoje esse poeminha voltou pra perto, saiu do cantinho e ganhou o centro do palco. Acho que ele, escrito por uma mulher, é muito mulher, dá dicas, bem escondidas desse espírito que habita muitos corpos que existem dentro do “feminino”.
Não, por favor, isso não tem absolutamente nada a ver com esse tal dia internacional da mulher, que não me atrai em nada – não me diz nada, como o dos namorados e essas datas econômicas. Meu dia é todo dia, ou nenhum dia, dependendo do meu estado astral.
Só acordei pensando que sou assim, tenho dias que são meus, e outros para os quais não existo. Confusões desses hormônios que, ufa, nos diferenciam - só precisamos nos entender em nossas diferenças, nem sempre é fácil, ás vezes a gente se perde, derrapa, quase cai e, noutras, tomba mesmo. Pensamentos que respingam de conversas a luz do luar, via virtual e que me jogam de volta para dentro das entrelinhas do que escreveu essa mulher fudida de incrível.
aí vai um dos meus poemas preferidos e, procurando por ele, encontrei outras cecílias que também se parecem comigo e – possivelmente, com alguns (algumas) de vocês também.

(adri perin)

Lua Adversa

Tenho fases como a lua
Fases de andar escondida
Fases de vir para a rua
Perdição da minha vida,
Perdição da minha vida,
Tenho fases,
Tenho outras de ser sozinha,
Fases que vão e que vem,
no secreto calendário que
um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda melancolia
Seu interminável fuso.
Não me encontro com ninguém
Tenho as fases como a lua.
No dia de alguém ser meu,
Não é dia de eu ser sua,
E quando chega este dia,
o outro desapareceu.

Noturno

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano, esforçado e vencido, na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança, orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis, no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensado só tem a tristeza para distingui-lo.

Porque havia nas úmidas paragens animais adormecidos,
com o mesmo mistério humano: grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes, puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente, cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça, e começavam
a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei.

Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.

3/06/2007

Amigos, retornos, estréias

E nesse final de semana teremos de novo a alegria de receber na terra do mau humor os nossos comparsas do La Carne, que dispensam apresentações, junto com os amigos do ruído m/m, que também dispensam apresentações, e tem produzido alguns dos melhores shows da cidade. Já trouxeram Ludovic (SP), Debate (SP), Colorir (SC), e nas próximas semanas estão trazendo a grande SOL (RS), Constantina (MG), e Sodda Café (SC), só pra ficar no que eu lembro agora. Se você não tá sabendo disso e não foi em nenhum dos shows, meu filho, tá perdendo, tá vacilando. A não ser que você ache o big brother mais interessante, então, nesse caso, como diria o Mário Bortolotto, tá no blog errado.
Além de ter a satisfação de receber essa malta novamente (com as consequências de praxe), a gente ainda vai ter a oportunidade de voltar aos palcos depois de um longo e tenebroso verão. O último show do OAEOZ foi no longínquo 11 de junho de 2006, no festival Tinidos, no Motorad. De lá pra cá muita coisa aconteceu (e não aconteceu), mas isso é coisa pra outro post. De qualquer forma, vai ser minha reestréia na guitarra e a estréia do oaeoz novamente como quarteto. Vamos ver no que dá.
Não preciso nem dizer que tá todo mundo intimado. Quem não for é mulher do padre!

3/05/2007

Johnz - Georgia - Rock de Inverno 5



e o Marcelinho postou mais um video inédito do Rock de Inverno 5 no You tube. A bela canção "Georgia", do Johnz, do nosso amigo Tulio Bragança. Confiram, divulguem, vão lááááááá!

2/28/2007

Charme Chulo: vivendo e aprendendo

Jonas Oliveira
Jornal do Estado

A banda curitibana, nascida em 2003, é uma das mais prestigiadas neste começo de ano, em que a cena local vive outro bom momento


Adriane Perin
A banda curitibana Charme Chulo que lança seu primeiro disco ainda em março começou o ano conquistando o aval da revista Bizz

Já está pronto e ainda este mês os fãs poderão desfrutar do primeiro álbum propriamente dito, da banda curitibana Charme Chulo, formada em 2003 por Igor Filus e Leandro Delmônico. Hoje acrescida de Rony Jimenez e Peterson Rosário é uma das formações mais prestigiadas da cidade no circuito alternativo nacional, com uma proposta pop de qualidade, com referências que vão do rock inglê a música caipira brasileira. Entre as mais recentes boas repercussões, foi citada na edição de janeiro da revista Bizz, entre as “bandas que a gente gostaria que dessem certo em 2007”. Não é acaso. Desde o começo, quando a dupla original começou a ir nos shows de outros grupos locais, a Charme Chulo soube fazer tudo certinho, sem arrogâncias e com estratégia – a começar pelo ótimo nome.
“A gente foi se enfiando na cena”, conta Leandro, lembrando que um empurrava o outro para chegar junto dos mais experientes e de produtores de festivais. “Lia o que você escrevia das bandas daqui, tinha o Rock de Inverno e decidimos procurar “essas pessoas”. Era engraçado porque víamos você e o Ivan (NR. Ivan Santos da banda OAEOZ e também produtor do festival Rock de Inverno, no qual o Charme tocou em 2004 e foi um dos destaques) e um dizia pro outro ir falar. A cena autoral curitibana nos inspirou, sim”, diz Leandro, e emenda. “Quando fui no Rock de Inverno e quando ouvi a Pipodélica foram momentos em que pensei: no underground tem bandas melhores que no mainstream e isso mudou minha cabeça”, conta.
Porém, não se pense que eles querem ficar em algum nicho alternativo eternamente. A Charme Chulo sabe onde quer chegar. E pode, acredite, chegar lá. “Los Hermanos não precisa ir num Faustão para ter um público fiel. Conquistamos fãs e mídia, mas ainda temos muito a fazer, não passamos por uma MTV. Não que com o disco queiramos chegar ao Faustão, mas queremos ir o mais longe possível. Não quero que soe arrogante, mas queremos, no mínimo, ser reconhecidos na história da música curitibana, paranaense ou brasileira.”, diz Leandro. A Pipodélica citada pelo Leandro é a banda catarinense de Eduardo Xuxu, que assina a produção do álbum que está prestes a sair pelo selo Volumeone, de São Paulo. Ele foi escolhido, conta Igor, porque gostou da banda a ponto de se oferecer para produzir. Os rapazes chegaram a conversar com Philipe Seabra, mas acabaram optando pelas afinidades mais evidentes. “Nosso EP foi produzido pela gente com pitacos de amigos. Era importante ter alguém de fora. Somos uma banda pop mas com uma sonoridade diferente, então o produtor tem que querer mesmo”, comentam os dois, se completando nas razões.
Para o amadurecimento notado na Charme Chulo, a quantidade de shows, especialmente ano passado, foi decisiva e o resultado se mostra no amadurecimento de Igor, vocaista, das letras, da sonoridade e da performance, cada dia mais segura nos palcos – onde eles já vêm, desde ano passado, mostrando músicas novas. “Antes a gente tinha medo de falar com o público. Ainda temos, mas já melhorou”, conta, entre risos, o guitarrista Leandro, que também usa muito bem uma viola. O álbum vai ter apoio de selo, mas Igor e Leandro sabem muito bem que a trabalheira vai só aumentar. “Selo é complicado, porque são pessoas com boa vontade mas sem grana e nem muito tempo. Disco se vende em show. O que o selo vai ajudar é pagar as contas da prensagem”, explica o guitarrista, cuja banda optou por não assinar com a distribuidora Trattore. “Encarece muito. Do que adianta ter disco caro em todo lugar do Brasil e não ser conhecido? E quem vai pagar R$30 por disco de banda independente?”. Igor completa: “Tudo está correndo dentro do planejado. Fazemos música por música e esse foi o momento do disco chegar, amadurecida a idéia de banda. Foi demorado? Pois é, essa é nossa realidade”. Sobre a citação da Bizz, Igor e Leandro avaliam com a corriqueira humildade.
O legal é que foi tudo natural. Eles não são amigos de jornalistas, nem têm um assessor de imprensa ligando para os tais. É outro bom momento da cena curitibana que neste começo de ano tem pelo menos outros dois grupos em destaque – Terminal Guadalupe e Faichecleres, que daqui a pouco estará na revista Outra Coisa. Para Igor isso é, óbviamente, resultado do trabalho de muitas bandas. “As pessoas falam em se unir, mas não dá pra forjar um movimento, como alguns gostariam. Cena é consequência de cada um trabalhando, sem picuinhas, sem dor de cotovelo”, diz.