3/22/2007

Lembrando do futuro



e tem texto do grande figura Wellington Dias, produtor e il capo do selo Gramophone, que começou como programa de rádio, virou zine, etc. olha só:

"...Com um publico bem legal sobe ao palco o “OAEOZ”, saudades de ver essa banda ao vivo, destilando toda a doce melancolia que tanto me atrai em suas composições; OAEOZ não faz musica para dançar ou pular... Faz musica pra se ouvir, degustar, sentir e compartilhar (como aconteceu em “Dizem” com o publico cantando junto à bela letra da canção). “Alguns dizem que tenho talento para melancolia e qualquer tipo de fobia, e tenho pena de mim, gosto de me arrastar por ai, por debaixo da dor, implorando por afeto! Dizem também que mantenho uma distancia que dura mais ou menos dois copos; mas que depois me solto e sou capaz de ir para a casa mais próxima, com qualquer que seja, em busca de um pouco mais e de aconchego!” (nunca fui descrito tão bem por pessoas que mal conhecia quando a musica foi feita, claro que não foi composta para a minha pessoa, mas me dou ao direito de me apropriar dessa maravilha!)..."

leiam a íntegra aqui no site do Gramophone

e a foto acima também é do Wellington. Como dá pra sacar pela foto, nessa hora, quem tava no palco era o La Carne. E dá pra perceber na cara do pessoal a alegria de todo mundo naquela hora. Dá saudade e um arrepio só de ver isso. Muito foda. Cada vez que esses caras vem pra cá, causam um estrago danado. Fazem a gente se sentir mais vivos por alguns momentos. Como eu já disse no texto sobre o show para o blog do ruído, La Carne é mais que música, é vida dilacerada e esfregada na sua cara ao vivo em cima de um palco. Tenho muito orgulho de ser amigo desses caras e de poder partilhar esses momentos, que pra gente, são históricos, porque são pedaços fundamentais da nossa vida.



e hoje, aqui em Curitiba, tem o show de despedida daquela que pra mim a banda paranaense mais importante de todos os tempos. Quando eu digo pra mim, digo literalmente. O Beijo AA Força foi a primeira banda do Paraná que eu vi pessoalmente ao vivo, tocando música própria. Foi lá por 90,91, no teatro da cada de cultura de Ponta Grossa. Tinha umas 30 pessoas. Eu mau conhecia o trabalho dos caras, só conhecia as músicas que saíram naquela coletânea Cemitério dos Elefantes. E foi um choque. E os caras tocaram como se tivessem tocando pra 50 mil pessoas. E o Rodrigão não conseguia afinar a guitarra les pal epiphone e jogou ela no chão, e cada vez que passava dava um bico na dita cuja. E eu saí daquele lugar convencido de que era isso que eu queria fazer. Música. Ou seja, eles são os culpados. Enfim, é um dia histórico pro rock de Curitiba. Valeu BAAF!

3/16/2007

Deus e o Diabo - Rock de Inverno 5 - "Observática " e "ONU & EUA"



Mais um vídeo do Marcelo Borges do Rock de Inverno 5 disponível no You Tube. A banda mais classuda do Brasil, Deus e o Diabo, em dose dupla, tocando “Observática” e “ONU & EUA” (essa última, cada vez mais atual). Sempre lembrando que o áudio não foi mixado. Aliás, devemos começar essa mixagem nos próximos dias, aí sim, as coisas vão ficar nos seus lugares.

The show must go on



e hoje tem mais uma big super ultra festa da Ruído Corporation, no Korova, com o ruído/mm e como convidado, o pós rock da banda belorizontina Constantina. Vale a pena conferir.

3/14/2007

Invasão no You Tube

E a invasão paulista deste final de semana em Curitiba também chegou ao You Tube.

O Danilo, do Hierofante Púrpura, postou um video que ele fez da viagem com o La Carne, com bastidores da van e outras histórias hilárias.

E abaixo você pode conferir os vídeos feitos pelo Wellington, do selo Gramophone, com as apresentações dos malucos no Porão

La Carne no Porão





Ruído/mm



Hierofante Púrpura



OAEOZ

3/13/2007

PS

E tem mais depoimentos sobre a invasão paulista deste fim de semana na terra da aranha marrom, no Diário de Bordo do La Carne:

"Danilo com sua inseparável câmera filmou alguns maus elementos cantando a plenos pulmões uma das músicas dos caras, que diz algo assim: "alguns dizem que tenho talento prá melancolia, qualquer tipo de fobia, que tenho pena de mim, e que por isso gosto de me arrastar por aí por debaixo da dor, implorando por afeto". Algo está acontecendo com OAEOZ. Aqueles répteis estão trocando a casca.."

e no Algumas horas sozinho, blog do Leo Vinhas:

"La Carne, “Blues dos Seus Absurdos”, “Dândi” e “TGP” matando a pau. Eu não fico mais de cueca no sofá esperando Godot, mas eles ainda são o melhor show do Brasil. Eu ainda viajo em “Jukebox”, ainda danço ao som de “Bom Dia, Barbárie”, ainda choro com “Viaduto do Sol”. Eu ainda perco inibições no show do La Carne. Eu nunca terei agradecido o suficiente aos caras, pela música, pelo companheirismo, pelas lições de simplicidade."

Contra a corrente desde sempre, baby

Fotos: Digão Duarte

La Carne no Porão: o melhor show, da melhor banda do Brasil, só isso.

“Quem aqui pode me dizer o quanto se morre pra poder viver?”

A chuva que caiu por volta das 9/10 horas da noite de sábado, quando a gente ainda passa o som no Porão do Rock, faz alguns ficarem preocupados de que isso “esfriasse” a festa. Bobagem. A água apenas dá uma refrescada no ambiente, como se preparasse os ânimos para o que estava por vir. Mas nada poderia ser capaz de prenunciar o que viria.
Mais do que mais um show ou festa da Ruído Corporation, o que se viu no sábado no Porão foi o encontro de uma turma de amigos que se aproxima e se identifica não só pela música, mas principalmente, pela forma generosa e solidária como vê a vida e que faz da atividade artística (eu sei, expressãozinha horrível e pedante, mas é o que me ocorre agora) um instrumento para a troca de idéias, energia, calor humano. Um exercício de SOBREVIVÊNCIA, de sanidade mental. Que encontrou na soma de forças a saída para um cotidiano medíocre e tacanho que teima em nos enredar. E que despreza o patrulhamento indie dos que se acham capazes de ditar as regras do bom gosto, do que é “cool”, do que é legal. Arte, diversão e amizade contra o cinismo e a pobreza de espírito.

Quando o OAEOZ subiu ao palco, pouco depois da meia-noite, um bom público, formado por amigos, curiosos e desavisados, já ocupava o Porão. Depois de nove meses sem tocar ao vivo, e estreando nova formação e arranjos, não tinha como a gente esconder a ansiedade. Começamos com o pé em baixo, em “Ninguém vai dormir”, que serviu pra espantar um pouco o nervosismo, apesar da corda arrebentada da minha guitarra na primeira música.

Confirmando o clima de camaradagem, o Felipe, do ruído, logo me estendeu uma guita emprestada e após rápida afinação, iniciamos “Dizem”, responsável pelo momento mais emocionante do nosso show, com parte da platéia cantando junto a doída letra de Rubens K, agora envolvida em um arranjo mais básico e “rock”. Funcionou!
Avançamos com “Distância” e “Pra Longe”, que saíram meio arrastadas. E finalizando, “Canção para OAEOZ”, de autoria e com vocal principal do Carlão. Deu pra tirar as teias de aranha e teve até gente comprando nosso CD, e perguntando se ele tinha as músicas que a gente tocou no show. Mas o que me deixou feliz mesmo é que quando eu fui comprar uma água no balcão, o cara que tava servindo fez questão de me cumprimentar e de dizer que havia gostado muito. Sempre achei que se o cara que ta ali trabalhando no bar, vendo toda noite banda passando pra lá e pra cá, gosta, é sinal de que alguma coisa prestou mesmo. Massa.

Após um pequeno intervalo para desmontagem e montagem de instrumentos, o ruído/mm começa sua performance. Já tive oportunidade de ver alguns shows dos caras, mas não tenho dúvida de que esse foi o melhor que eu assisti. Dá pra ver claramente a diferença de pegada pelo fato deles estarem tocando direto ultimamente e terem encampado esse desafio de produzir shows com outras bandas.
Impressionante a dinâmica que eles imprimem as músicas, as mudanças de andamento estão ainda mais seguras, precisas e surpreendentes, e essa segurança é visível no entusiasmo que eles demonstram em cima do palco. Felipe continua sendo uma espécie de “maestro” condutor, agora escudado por André Ramiro, com suas dancinhas impagáveis e sua cara de criança que acabou de ganhar um doce. Pill com a elegância de sempre e John de costas, tecendo seqüências de riffs e texturas impressionistas. O batera alternando na porrada e em grooves jazzísticos, complementa a massa sonora que deixa o público estupefado e boquiaberto. Perfeito.
Confesso que não vi todo o show do Hierofante, pois nesse momento o cansaço da correria do dia começou a pesar. Acabei vendo parte da apresentação sentado no lado onde ficam as mesas, e voltava de vez em quando ao espaço do show quando eles tocavam músicas que eu já conhecia e gosto do EP. O que mais me chama a atenção neles é a alegria com que os caras tocam, principalmente o guitarrista base e o baixista. Uma alegria sincera, espontânea, contagiante, juvenil, de quem não se deixou contaminar pelos vícios desse meio “artístico” udigrudi nosso de cada dia, e ainda acredita na música como forma de expressão vital, sem amarras, sem regras, só pelo prazer de tocar e fazer um som com os amigos. Muito bom.

E então, chega o momento mais esperado da noite. A expectativa em torno do show do La Carne era grande, mas como eu disse no início, nada seria capaz de me preparar para o que estava por vir. Já vi vários shows dos caras, e tinha em mente principalmente o último do Rock de Inverno 6, quando foi uma questão de honra pra gente ter os caras como headliners em um show bem organizado, divulgado e com som legal, depois da merda que havia acontecido no Rock de Inverno 4. Nesse dia deu tudo certo, e os caras colocaram o 92 abaixo. Jamais eu imaginaria que dentro dee instantes esses caras seriam capazes de superar e muito isso, de me deixar sem fôlego novamente.
Eles começam com duas músicas novas. O que poderia ser um balde de água fria nas expectativas. Menos para o La Carne. As músicas novas parecem ainda mais urgentes, diretas, monolíticas, agora com o reforço dos backings de Jorge e Carlinho. A essa altura a platéia já está vidrada. “Contra a corrente desde sempre, baby. Contra os abutres que devoram devagar”. O som ainda melhor do que o RI 6 faz o show do La Carne soar mais impressionante que nunca. Os grooves do baixo rimbombante de Carlinho ligado em dois amplis de baixo, mais a caixa de baixo do PA ecoam no ambiente e se encaixam perfeitamente nos riffs explosivos detonados pela “mão direita mais rápida do Oeste” de Jorge Jordão, armado por dois fenders de luxe cortesia da ruído corporation.
Por cima desse paredão, Linari canta como nunca, como se o mundo fosse acabar nessa noite. Sua voz corta ar e navega em gritos lancinantes como se a qualquer momento ele fosse desfalecer ou implodir. Esses quatro elementos superpostos criam um tsunami sonoro que assalta o lugar em ondas “numa espiral da elipse curta do abismo material”.

Quando eles iniciam os primeiros acordes de “Demônio triste”, o público suinga e dança, como se a noite tivesse apenas começado agora. E vem “Jukebox”, “Viaduto do Sol”, e outros clássicos, pra deixar todo mundo de cara. Linari hipnotiza e se supera nos trejeitos e caretas teatrais, voltinhas a la James Brown, no olhar maquiavélico e cúmplice. No pogo, se misturam, se empurram, e riem amigos, conhecidos, agregados e uma molecada que provavelmente nunca ouviu La Carne na vida. Uma garota joga cerveja pra cima, pra horror de um segurança troglodita, que fica ouriçado mas logo é colocado pra escanteio. Cansados, eles tentam terminar o show. O público não deixa. Tentam de novo. São xingados. Mais uma. “Vão beber”, se despede Linari. Inacreditável.
Domingo de manhã (ta bom, começo de tarde). Acordo ainda com o show do La Carne ecoando na cabeça. Por impulso, penso em colocar algum som. Aí percebo que depois daquilo que eu tinha acabado de ouvir, qualquer música pareceria ofensiva. Só no início da noite, quando consigo terminar de baixar as “The Complete Sun Sessions”, do Elvis, é que coloco música pra ouvir. O círculo se fecha.
Como Elvis, La Carne é mais do que rock, é mais do que meras canções de festa, é vida musicada e dilacerada ao vivo em versos e acordes. É um convite para um apocalipse particular (“vamos celebrar a estupidez humana?”). Criaturas flamejantes gritando por uma saída, mesmo que não acreditem nela. Apenas pela diversão de testar os limites, de jogar as favas o bom senso. Pelo prazer de compartilhar suas dores com quem ainda acredita no poder da amizade, do companheirismo, do sonho ou porque não, da loucura. Ave Sidney, Carlinho, Jorge, Linari. Ave La Carne.

Ave Ruído Corporation e Hierofante Púrpura. Ave OAEOZ.

Ivan Santos

coloco mais fotos quanto o André me mandar (mandaí André)

3/10/2007

É HOJE!



Os La Carnes e Hierofantes já estão na cidade. Logo mais tem uma big super ultra macarronada aqui em casa. Depois passagem de som e bum! Será uma grande noite. Quem ver, verá.

3/08/2007

... como a lua

Um dia, há muito tempo, numa férias de faculdade, recebi a carta de um novo amigo, já muito especial. E ela começava com um poema que, dizia meu amigo, o fazia lembrar-se de mim, se parecia comigo. Me encantei, e fiquei pra sempre na ponta da língua e em algum canto do coração, com a primeira frase de Cecília Meirelles: tenho fases como a lua. Me vi nas palavras dela como me vejo hoje em dia em certas canções. Por alguma razão hoje esse poeminha voltou pra perto, saiu do cantinho e ganhou o centro do palco. Acho que ele, escrito por uma mulher, é muito mulher, dá dicas, bem escondidas desse espírito que habita muitos corpos que existem dentro do “feminino”.
Não, por favor, isso não tem absolutamente nada a ver com esse tal dia internacional da mulher, que não me atrai em nada – não me diz nada, como o dos namorados e essas datas econômicas. Meu dia é todo dia, ou nenhum dia, dependendo do meu estado astral.
Só acordei pensando que sou assim, tenho dias que são meus, e outros para os quais não existo. Confusões desses hormônios que, ufa, nos diferenciam - só precisamos nos entender em nossas diferenças, nem sempre é fácil, ás vezes a gente se perde, derrapa, quase cai e, noutras, tomba mesmo. Pensamentos que respingam de conversas a luz do luar, via virtual e que me jogam de volta para dentro das entrelinhas do que escreveu essa mulher fudida de incrível.
aí vai um dos meus poemas preferidos e, procurando por ele, encontrei outras cecílias que também se parecem comigo e – possivelmente, com alguns (algumas) de vocês também.

(adri perin)

Lua Adversa

Tenho fases como a lua
Fases de andar escondida
Fases de vir para a rua
Perdição da minha vida,
Perdição da minha vida,
Tenho fases,
Tenho outras de ser sozinha,
Fases que vão e que vem,
no secreto calendário que
um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda melancolia
Seu interminável fuso.
Não me encontro com ninguém
Tenho as fases como a lua.
No dia de alguém ser meu,
Não é dia de eu ser sua,
E quando chega este dia,
o outro desapareceu.

Noturno

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano, esforçado e vencido, na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança, orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis, no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensado só tem a tristeza para distingui-lo.

Porque havia nas úmidas paragens animais adormecidos,
com o mesmo mistério humano: grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes, puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente, cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça, e começavam
a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei.

Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.

3/06/2007

Amigos, retornos, estréias

E nesse final de semana teremos de novo a alegria de receber na terra do mau humor os nossos comparsas do La Carne, que dispensam apresentações, junto com os amigos do ruído m/m, que também dispensam apresentações, e tem produzido alguns dos melhores shows da cidade. Já trouxeram Ludovic (SP), Debate (SP), Colorir (SC), e nas próximas semanas estão trazendo a grande SOL (RS), Constantina (MG), e Sodda Café (SC), só pra ficar no que eu lembro agora. Se você não tá sabendo disso e não foi em nenhum dos shows, meu filho, tá perdendo, tá vacilando. A não ser que você ache o big brother mais interessante, então, nesse caso, como diria o Mário Bortolotto, tá no blog errado.
Além de ter a satisfação de receber essa malta novamente (com as consequências de praxe), a gente ainda vai ter a oportunidade de voltar aos palcos depois de um longo e tenebroso verão. O último show do OAEOZ foi no longínquo 11 de junho de 2006, no festival Tinidos, no Motorad. De lá pra cá muita coisa aconteceu (e não aconteceu), mas isso é coisa pra outro post. De qualquer forma, vai ser minha reestréia na guitarra e a estréia do oaeoz novamente como quarteto. Vamos ver no que dá.
Não preciso nem dizer que tá todo mundo intimado. Quem não for é mulher do padre!

3/05/2007

Johnz - Georgia - Rock de Inverno 5



e o Marcelinho postou mais um video inédito do Rock de Inverno 5 no You tube. A bela canção "Georgia", do Johnz, do nosso amigo Tulio Bragança. Confiram, divulguem, vão lááááááá!

2/28/2007

Charme Chulo: vivendo e aprendendo

Jonas Oliveira
Jornal do Estado

A banda curitibana, nascida em 2003, é uma das mais prestigiadas neste começo de ano, em que a cena local vive outro bom momento


Adriane Perin
A banda curitibana Charme Chulo que lança seu primeiro disco ainda em março começou o ano conquistando o aval da revista Bizz

Já está pronto e ainda este mês os fãs poderão desfrutar do primeiro álbum propriamente dito, da banda curitibana Charme Chulo, formada em 2003 por Igor Filus e Leandro Delmônico. Hoje acrescida de Rony Jimenez e Peterson Rosário é uma das formações mais prestigiadas da cidade no circuito alternativo nacional, com uma proposta pop de qualidade, com referências que vão do rock inglê a música caipira brasileira. Entre as mais recentes boas repercussões, foi citada na edição de janeiro da revista Bizz, entre as “bandas que a gente gostaria que dessem certo em 2007”. Não é acaso. Desde o começo, quando a dupla original começou a ir nos shows de outros grupos locais, a Charme Chulo soube fazer tudo certinho, sem arrogâncias e com estratégia – a começar pelo ótimo nome.
“A gente foi se enfiando na cena”, conta Leandro, lembrando que um empurrava o outro para chegar junto dos mais experientes e de produtores de festivais. “Lia o que você escrevia das bandas daqui, tinha o Rock de Inverno e decidimos procurar “essas pessoas”. Era engraçado porque víamos você e o Ivan (NR. Ivan Santos da banda OAEOZ e também produtor do festival Rock de Inverno, no qual o Charme tocou em 2004 e foi um dos destaques) e um dizia pro outro ir falar. A cena autoral curitibana nos inspirou, sim”, diz Leandro, e emenda. “Quando fui no Rock de Inverno e quando ouvi a Pipodélica foram momentos em que pensei: no underground tem bandas melhores que no mainstream e isso mudou minha cabeça”, conta.
Porém, não se pense que eles querem ficar em algum nicho alternativo eternamente. A Charme Chulo sabe onde quer chegar. E pode, acredite, chegar lá. “Los Hermanos não precisa ir num Faustão para ter um público fiel. Conquistamos fãs e mídia, mas ainda temos muito a fazer, não passamos por uma MTV. Não que com o disco queiramos chegar ao Faustão, mas queremos ir o mais longe possível. Não quero que soe arrogante, mas queremos, no mínimo, ser reconhecidos na história da música curitibana, paranaense ou brasileira.”, diz Leandro. A Pipodélica citada pelo Leandro é a banda catarinense de Eduardo Xuxu, que assina a produção do álbum que está prestes a sair pelo selo Volumeone, de São Paulo. Ele foi escolhido, conta Igor, porque gostou da banda a ponto de se oferecer para produzir. Os rapazes chegaram a conversar com Philipe Seabra, mas acabaram optando pelas afinidades mais evidentes. “Nosso EP foi produzido pela gente com pitacos de amigos. Era importante ter alguém de fora. Somos uma banda pop mas com uma sonoridade diferente, então o produtor tem que querer mesmo”, comentam os dois, se completando nas razões.
Para o amadurecimento notado na Charme Chulo, a quantidade de shows, especialmente ano passado, foi decisiva e o resultado se mostra no amadurecimento de Igor, vocaista, das letras, da sonoridade e da performance, cada dia mais segura nos palcos – onde eles já vêm, desde ano passado, mostrando músicas novas. “Antes a gente tinha medo de falar com o público. Ainda temos, mas já melhorou”, conta, entre risos, o guitarrista Leandro, que também usa muito bem uma viola. O álbum vai ter apoio de selo, mas Igor e Leandro sabem muito bem que a trabalheira vai só aumentar. “Selo é complicado, porque são pessoas com boa vontade mas sem grana e nem muito tempo. Disco se vende em show. O que o selo vai ajudar é pagar as contas da prensagem”, explica o guitarrista, cuja banda optou por não assinar com a distribuidora Trattore. “Encarece muito. Do que adianta ter disco caro em todo lugar do Brasil e não ser conhecido? E quem vai pagar R$30 por disco de banda independente?”. Igor completa: “Tudo está correndo dentro do planejado. Fazemos música por música e esse foi o momento do disco chegar, amadurecida a idéia de banda. Foi demorado? Pois é, essa é nossa realidade”. Sobre a citação da Bizz, Igor e Leandro avaliam com a corriqueira humildade.
O legal é que foi tudo natural. Eles não são amigos de jornalistas, nem têm um assessor de imprensa ligando para os tais. É outro bom momento da cena curitibana que neste começo de ano tem pelo menos outros dois grupos em destaque – Terminal Guadalupe e Faichecleres, que daqui a pouco estará na revista Outra Coisa. Para Igor isso é, óbviamente, resultado do trabalho de muitas bandas. “As pessoas falam em se unir, mas não dá pra forjar um movimento, como alguns gostariam. Cena é consequência de cada um trabalhando, sem picuinhas, sem dor de cotovelo”, diz.

2/23/2007

Jornal do Estado

André Ramiro, João XXIII, Pill e Felipe Luiz e Giva estão de volta para a terceira edição da festa Ruído Corporation

Adriane Perin

Divulgação

Esta é a Ludovic, banda paulistana que tem feito fama no undergroun brasileiro por conta de performance fortes e boas letras



André Ramiro, João XXIII, Pill e Felipe Luiz e Giva estão de volta para a terceira edição da festa Ruído Corporation. Hoje a banda deles, a ruído/mm, recebe mais visitas ilustres no Korova Bar para outra noite regada à energia vital do rock. A convidada desta sexta é a a paulistana Ludovic, comanda pelo incendiário Jair, banda que divulga seu segundo álbum e já é conhecida dos curitibanos de outras performances. Ano passado, tocou junto com a Charme Chulo no Porão Rock Clube, mostrando mais uma vez porque é considerada uma das revelações dos porões brasileiros.
Mas, seu debu na cidade foi há mais tempo. Há uns três anos, a então desconhecida Ludovic tocou no extinto Rephinaria, “apresentada” por outra conterrânea igualmente visceral, a La Carne. Naquela noite, o então trio, deixou as pessoas boquiabertas diante do modo ensandecido com que o vocalista – na época também baixista – se movimentava no palco, parecendo mesmo possuído por um espírito forte do (pós) punk rock – e olha que fazer frente ao La Carne não é fácil. Agora a banda está um pouco diferente, com Jair dividindo as responsabilidades e podendo se dedicar ainda mais aos seus vocais carregados, no melhor sentido. Tem sido assim que eles superam as dificuldades inerentes ao underground brasileiro e conquistados seus fãs. O primeiro registro do grupo foi o EP homônimo de 2001, ao qual se seguiu Servil, em 2004. Ano passado chegou o mais recente, Idioma Morto, via Travolta Discos. Com Servil, aliás, a banda ganhou pelo voto popular, o Prêmio Dynamite de Música Independente 2005 na categoria “melhor disco de indie rock”. Além das performances intensas e contagiosas no palco, o disco novo, como os outros, traz letras impactantes que fazem a diferença, tratando de temas pesados da vida adulta sem meios termos, nem passar a mão na cabeça, acertando direto no estômago, várias vezes. Desde o nascimento em 2000, foram várias as formações, que agora se firmou com Jair Naves (voz), Eduardo Praça (guitarra), Ezekiel Underwood (guitarra), Fábio Sant’anna (baixo) e Júlio Santos (bateria). A fama arregimentada em shows se espalhou e os levou aos principais festivais independentes do país, como o Goiânia Noise Festival (GO), Calango (MT) e Campari Rock (SP), onde dividiram o palco com nomes de peso como Supergrass, Nação Zumbi e o trio norte-americano Mission of Burma, influência confessa da banda (ao lado de Sonic Youth, Patti Smith, Joy Division e Fellini).
“Em uma época com tantos subgêneros dentro do rock, é até de se estranhar que a melhor definição para dar à banda seja simplesmente rock! Cru, intenso, furioso”, diz o jornalista Cleiton Sotte sobre a banda. Jair, também compositor, escreve muito bem e não parece disposto a fazer concessões pop. Não é acaso que o trabalho do grupo tem sido saudado com comentários do tipo: “A banda e o disco que ainda vão salvar o seu dia (...); Servil é um dos LPs mais bem sacados gravados no Brasil nos últimos 15 anos”; “Se você ainda não viu um show do Ludovic, arrependa-se enquanto há tempo”. Ou ainda, “As sutilezas melódicas só são sentidas no CD porque ao vivo o Ludovic pratica o caos. Já vi shows do Ludovic e nunca sobra pedra sobre pedra”, de Gastão Moreira; ou as palaavras de Lúcio Ribeiro: “O show mais perigoso do rock nacional”
Curitibana - Na Ruído mm também é evidente a evolução musical – e não só. Com a proposta de construir sua música a partir de muitas guitarras, efeitos, grunhidos e tudo mais encapados pelo mais puro noise, o grupo curitibano vem construindo sua fama pedra a pedra, e deu um passo diferente ao decidir virar, também, produtor, com esta propósta de shows em diferente endereços sempre com convidados especiais. O bom gosto tem dado o tom também das escolhas que ainda prometem muitas boas noitadas por aqui.
A próxima aliás, já está marcada, dia 10, no Porão Rock Clube, com a osasquense La Carne (aquela que nos apresentou a Ludovic) e o retorno da curitibana OAEOZ aos palcos, depois de um 2006 completamente parado em termos de shows – para abrir o ano em que vai comemora uma década de atividade e lançar novos trabalhos. Outros nomes estão acertados, entre eles: Constantina (MG), SOL (POA), La carne (SP), Hierofante Púrpura (SP), e outros em negociação, como input output (POA), supercordas (RJ). Quem conhece sabe, só coisa fina.
Um caldeirão experimental que possibilita a integração de diversos domínios artísticos como música, quadrinhos, artes plásticas, arte de rua, poesia, enfim, qualquer tipo de manifestação artística que não queira ser aplainada. De modo mais simples, nada mais é que um coletivo de produção artística, com o intuito de promover o cenário artístico local.
As festas da Ruído contam também com a participação dos artistas do Interlux Arte Livre, criando verdadeiros happenings - utilizando artes plásticas, vídeos, performances e arte de rua. Os cartazes também são um show, que fazem parte do conceito. O artista plástico e quadrinista DW está criando os 12 cartazes que, ao final, comporão uma obra de HQ. O primeiro deles, realizado em janeiro com o concerto da banda Colorir, foi a capa da revista. A partir do cartaz de fevereiro, o público poderá contemplar o início da trama e, no decorrer do ano, a história se completando. “É uma forma que achamos de dar mais brilho e simpatia às artes de cartazes, muitas vezes deixadas de lado pelas bandas brasileiras”, diz André Ramiro.

SERVIÇO
Ludovic e e ruído/mm. Dia 23. R$6. Korova bar (Av Batel, 906).

"Cativeiro", do Folhetim Urbano

Do Scream Yell

por Leonardo Vinhas

Os irmãos Carlos (voz e guitarra) e Renato Zubek (baixo cheio de variantes, caminhos tortuosos e inspirações jazzísticas), mais o baterista Marcelo Tchychy (agora substituído por Lucas Baumer), estão juntos desde 2005 e já vem dessa época a peleja para registrar em estúdio as cinco faixas que compõem o EP Cativeiro, lançado de forma independente.
"Guerrilha" havia sido disponibilizada em versão demo no TramaVirtual, quando o grupo ainda atendia por Sabadá e já chamava a atenção pelos grooves solapados de baixo e pela guitarra que rockeava para caminhos desconhecidos a partir de inspirações setentistas. O vocal agudo do convidado Linari (La Carne) trazia a urgência e a convocação aos versos cínicos, fosse na ponte que diz que aqui "só tem índio" ou no refrão que prometia que "quem matar mais americano, mais medalha no peito".
Essa faixa ganhou produção mais pesada e o sax dissonante de Paulinho Branco e abre o CD no susto, seguindo sem descanso até o último suspiro do sax. "Avon", dedicada ao controverso avô dos irmãos Zubek, prova que música não é só profissionalismo - ela ainda requer grande dose de entrega e abandono, sem que isso signifique autodestruição. Só ouvindo para entender como os versos "não feche os olhos pra sonhar / não pare para descansar / a vida segue / e procura o fim / sozinha" perdem a aura ingênua para virar declaração de vida sem qualquer afetação. A guitarra contribui muito para tanto, mas o xeque está no vocal, que ainda entoa o precioso verso "ainda ouço o teu sorriso".
Versos mais densos estão em "Frases, Fases e Tempestades", uma canção cortante, conduzida com menos urgência, mas sem significar descanso. "São os dias engolindo as idéias / tempestade que não passa mais / Ontem eu vi alguém que se ama / Isso é raro e já não toca mais". Internet, pressões profissionais, ditadura estética, a TV exercendo a função de canção de ninar adulta, a rotina para pagar as contas e a diversão para esquecer das dívidas, ansiolíticos e pílulas para todos os males, até os que não são maus; tudo isso levando o Homem numa enxurrada e fazendo-o soterrar-se na nulidade de sua própria rotina.
"F de Todos Nós" traz mais um La Carne, agora Jorge Jordão, para correr com sua guitarra sobre tudo enquanto a independência social declarada pelo crime, representado por Fernandinho Beira-Mar, ganha ares de vingança contra a sociedade que exclui os que nasceram do lado errado da calçada. "Sabadá" era para ser canção-tema dos primórdios, mas é um hard-rock que passa batido frente aos quatro outros monolitos saltenhos que já te envolveram.
Só isso. Só cinco faixas. No máximo, pode-se dizer que algo está iniciando aí. Uma combinação de circunstâncias e emoções banhada por inspiração. As cinco músicas podem ser baixadas gratuitamente no site oficial do grupo, linkado logo abaixo. Fique atento: nem tudo é mercado.

2/22/2007

Matema no Rock de Inverno 5



E o nosso amigo Marcelo Borges publicou mais um vídeo inédito do Rock de Inverno 5. Desta vez quem entra em cena é o inclassificável Matema, do grande figura Guilherme Glerm, responsável por um dos shows mais surpreendentes e experimentais do festival. Vale a pena dar uma conferida. E para quem ainda não viu, no post abaixo tem o link para o vídeo do Cores D Flores, na mesma edição do festival. Vão lá, comentem, divulguem.

2/21/2007

Nóis no space

Então. Aproveitei a folga do carnaval para criar uma página da De Inverno no myspace. A idéia é ir colocando lá material do selo, coisas inéditas, raras ou pouco conhecidas. As quatro primeiras músicas são "France dress", faixa gravada pelo Svetlana para o Rock de Inverno 3; o Hurtmold
tocando "Fontanka" ao vivo no mesmo festival; "Movimentos" do disco "Belas Noites" do Cores D Flores, lançado pela gente em 2001; e "Waking up", do Take um, disco ao vivo do OAEOZ. Com o tempo, a gente vai trocando essas faixas por outras. Ainda tá em fase "experimental", mas já dá pra curtir também um "slide show" com imagens, fotos, cartazes, capas de discos, etc, da nossa história. É isso. Vão lá, ouçam, comentem, divulguem.

2/06/2007

o nosso abacateiro e no susi

Acordei pensando na vida. Fui ouvir no susi. Há tempos não pegava esse cedezinho inacabado pra ouvir. E constato que, por alguma razão, algo soa diferente. Não sei explicar, direito. Vejo a essência que curti desde o começo ali, mas tem algo mais. Acho que o distanciamento do tempo clareia as sensações tratadas ali e deixa as tonalidades menos sombrias. Talvez hoje possamos ver esses temas de um jeito menos pacional. Mas, a pureza, cruel até, porém necessária, das primeiras canções, continuam vísiveis. pulsam diante de um espelho que deixa os dias ainda mais claros, agora. Mágoas guardadas, machucados lambidos e prestes a secar, quem sabe, talvez possamos ouvir esse canto fazendo rasgos menos profundos na pele. Há alguns meses ouvir esses projetos de canções era muito difícil. tanta saudade que parecia sem sentido.
No susi foi como uma daquelas tempestades que derrubam árvores sobres as casas, arrastam enganos e acertos que já deviam ter morrido e fazem boiar aquele punhado de sentimentos que a gente tentou esconder...
até consigo rir... Ainda tenho vontade de cantarolar... lembro instantes com uma sensação de quem passou por um turbilhão, mas não sinto aquela dor estranha. Já não sinto mais a mesma tristeza por ter perdido algo muito precioso... não sinto mais aquela descontrole de algo que me foi arrancado antes da hora... o que será isso? Porque será isso? Quando pego o violão me alugando com alguma melodia, só pelo prazer de me sentir entretida por algo bom, sem sequer pensar muito, sei que meus dias ficam melhores..... como será agora?

Sábado, ao abrir a porta da cozinha me deparei com um árvore imensa a meus pés.
Linda, tão poderosa na noite anterior, sob uma brilhante lua cheia que acolheu e iluminou a mim e a meu amor, e agora ali tombada, raízes a vista, deixando todo um céu azul, com poucas nuvens se abrindo sobre minha cabeça. Chorei, sim. Me senti culpada vendo seus galhos carregados de frutas condenadas... espalhadas pelo chão. Ele não machucou ninguém. Caiu a noite, depois de dividir com a gente deliciosos momentos, sem barulho, sem alarde...
depois, sozinha, quintal limpo, flores num canto, terra molhada pronta pra minha horta, veio o silêncio. Sentada no canto, fugindo do sol a pino, mas sentindo seu calor arder nos meus olhos e pele, perto das flores, sob a terra úmida, sozinha em casa, tantos pensamentos sobre a vida daquela árvore linda que ainda ontem nos acolhia numa sombra confortável e agora deixava o espaço aberto pra algo ser começado, outra vez.
Claro, que vou plantar outra árvore que possa nos dar novamente a doce acolhida de sua sombra. Mas a tristeza de ver aquele abacateiro, de folhas largas, tão belo, aos meus pés, vai caminhar comigo mais um pouco. um vazio, uma silêncio forçado pela falta do que dizer....
É melhor entender como um tempo que se abre.
Do abacateiro foi seu tempo, agora é chegado o nosso, nesse lugar. Nesse outro tempo que também vai trazer suas surpresas. Por alguma razão, nesse ano que começa me dando muita vontade de fazer coisas que gosto, me agarro a esse abacateiro caído e sua imagem imponente da noite anterior como o (re) começo e de um fim que vai chegar de novo, uma hora ou outra, O a e o Z, no susi degustando o inverno e o verão em um quintal que não se esconde mais da ardência desses dias que merecem o sol queimando os olhos, mas que também sabe dar um abraço orvalhado.... acordei pensando na vida... (adri)

1/31/2007

Quando ter uma banda é terapia de grupo

Jornal do Estado

A gaúcha Monodia está com disco novo, que não vai ser vendido em lojas mas pode ser baixado na internet gratuitamente, no site do grupo

Adriane Perin

Divulgação/Fabio Alt

Na internet estão disponíveis oito faixas, mas o segundo disco da banda gaúcha Monodia, que não está nas lojas do ramo, vem com 12 faixas. É um álbum de 2006. E não é um disco qualquer. Porém, praticamente ninguém se deu conta do “lançamento” de Esquerdo, que tende a ser uma daquelas pérolas pouco conhecidas, do independente brasileiro. Nele as coisas são meio assim: se o artista não está no circuito mainstream (sic) do alternativo, nem é do tipo que se ufana, acaba despercebido. Trata-se de um álbum – ou EP, se preferir, afinal não foi prensado, nem tem esquema de distribuição – terminado em casa. Mas, tem nos créditos nomes fortes da produção independente, o também gaúcho, Thomas Dreher.
A primeira vez que ouvi Monodia foi quando Desirée Marantes veio para tocar no festival Rock de Inverno 5, com a Deus e o Diabo, da qual é violinista. Na Monodia, ela é “mulher de frente”, no sentido, também, de quem corre atrás nos bastidores. Naquele primeiro disco de 2003, havia uma força latente em melodias de jeito meio sombrio - na mesma praia sonora da DeoD e Blanched, conterrâneas que também não trafegam pelas sonoridades do rock gaúcho clássico. Com Esquerdo, ainda em Mp3, fiquei meio zonza. Puxa vida, pensei! Como ninguém ainda descobriu esse disco? Compositora da maioria das faixas, Desirée também canta. Divinamente, como que sussurrando segredos que só quer dividir com a gente. Esquerdo tem um astral introspectivo, é como se ela falasse pra ela mesma se conhecer mais. E quando a gente ouve, são letras que provocam um gelo no coração, com suas melodias de uma beleza um pouco melancólica – mas esta palavra pode enganar, porque não é aquela coisa cool de bandas que fazem da melancolia um status. Não, Monodia, não tem essa melancolia plástica e não é exatamente triste. Soa despida de vaidades (“Um dia/ espero/ que você/ aceite/ que eu sou assim/ sem nada demais”). É dificil saber o que cria essa relação mágica, que faz o corpo tremer quando se ouve uma canção, “sem nada demais”. Monodia também tem seus momentos Mercury Rev da primeira fase, dos experimentais de Beck e John Frusciante. Também conversa com DeoD, Blanched, OAEOZ.
Alternativas — A rotina da Monodia é aquela de bandas cujos integrantes fazem música por pura possessão, porque parecem não ter o livre arbítrio de sair fora, por maiores que sejam os percalços. “É a sina de qualquer banda independente sem grandes pretensões pop. Trabalhar e ganhar dinheiro tendo uma vida “normal” para sustentar o vicio da música (se bem que prefiro dizer terapia)”, nas palavras de Desirée. Entre um show e outro, sem atrapalhar estudos/trabalho, Ernani Fração , Claus Pupp e Carlos Wolff concentram energias em “compor mais para ter um repertório legal, evoluir como banda, fazer bastante ensaios (que é onde a gente se diverte) para, quem sabe, fazer outro disco em 2007”, completa. Gravar Esquerdo foi um desafio, em 2005, ano dedicado a composição e ensaio para chegar tinindo nas gravações ao vivo, em dois dias de fevereiro passado. “O Thomas é o cara que se você falar pra por o microfone no cano do ventilador para pegar o barulho, os olhos dele brilham”, conta.Com o Monodia, ficou assim: “O baixo foi gravado sem amplificador, em um canal em linha e outro numas caixinhas de computador microfonadas ”, conta Desirée, sobre como foi resolvido o “mau contato do baixo”. “Então foi guitarras com amplificadores valvulados e baixo na caxinha do computador microfonada”, comenta, entre risos. Gravação de vocais, violinos e mixagem foram feitas na casa dela. “Improviso II” foi composta durante a gravação. “Considero um exemplo de como estávamos inspirados. Acho que o conjunto das músicas ficou bonito e simples, fora que eu, pessimista como sempre, nunca acreditei que seríamos capazes de fazer um *disco*”, confidenciou, por email. “Deve ser coisa de quem acha que disco de verdade são os álbuns conceituais do Pink Floyd. Acho que escutei o Wish you were here demais”, diz, sobre o álbum que foi também um pouco escola para eles.

Serviço
ouça
baixe o disco na íntegra

Fazer “música chiclê” não é interessante

segunda parte

Desiré Marantes sabe onde o sapato aperta e neste caso é na divulgação. “Incompetência para se divulgar é pouco. Mas, também não vejo interesse nas pessoas em conhecer uma banda como a nossa. Como não tenho paciência pra ficar falando que tenho banda e tal... o disco só vai chegar mesmo em quem se interessar”, diz e emenda sobre o que mais curte nessa história toda. “Ensaiar é o que mais gostamos de fazer. Fazer um som, o que para mim é uma terapia de grupo”. Estilo ela prefere não definir, mas se é para ter nome, opta pelo pós-rock. Embora, o Monodia não seja um som dificil, também não pode ser considerado pop. “Tenho um ranço com o pop, e é consciente. Eu sei fazer aquela coisinha certinha, bonita, para ficar aquela coisa chiclê, mas não me parece interessante. Queremos progredir mas não com objetos comerciais”, comenta.

1/29/2007

Quer saber o que é Punk? O Botinada mostra


O DVD de Gastão Moreira é um precioso documento sobre o nascimento do movimento no Brasil, lançamento da ST2

Adriane Perin

Divulgação
Parte da turma de São Paulo que, em plena ditadura militar, deu os primeiros passos do punk brasileiro


Fotografias, entrevistas, flyers, imagens raríssimas de shows, aglomerações e histórias, muitas e boas, histórias fazem do DVD Botinada um marco na História da Música Brasileira. Assinado pelo jornalista Gastão Moreira, o documentário conta os primeiros passos do punk em território brasileiro, centrado na cena paulista, mas mostrando um pouco também das movimentações gaúcha, carioca e brasiliense que divide com São Paulo o crédito oficial da maternidade. Curitiba não aparece, desta vez, porque a empreitada exige escolhas difíceis e acaba prevalescendo o que teve maior impacto. Mesmo assim, uma pergunta era inevitável: e o Carne Podre, que nasceu em 76 em Curitiba? “Tive que me concentrar nos que mais repercutiram. Até o pessoal de Brasília ficou meio chateado”, conta Gastão. Ao saber de que há um documentário do Punk curitibano, ele ficou de cara. “Se isso soubesse, teria incluído”, lamentou. Dá pra imaginar o jornalista debruçado nas mais de 90 entrevistas – 77 usadas - e no material que conseguiu com muito esforço encontrar nos escombros da memória de uma turma que escreveu sua própria história, contra tudo e contra todos. Foram 4 anos de pesquisa, na cola de pistas. Gastão achou que teria farto material, mas não foi bem assim. “Ouvi muito sobre caixas e baús jogados quando os caras casaram”, conta. Mesmo assim, foram muitas as “escolhas de sofia” na hora de editar. Gastão é um apaixonado pelo punk, mas ao trabalhar com Clemente, dos Inocentes, que era produtor do Musikaos, na TV Cultura, a brasinha foi assoprada com mais energia. “Ele sempre contava histórias muito boas e eu pensava: caramba, ninguém sabe disso”. Clemente é um dos entrevistados, ao lado de representantes de muitas bandas, mais ou menos conhecidas, todas muito importantes: Garotos Podres, Olho Seco, Condutores de Cadáveres, AI-5, Restos de Nada e mais uma penca. Ao lado deles, jornalistas como Silvio Essinger, Fábio Massari, Regina Echeverria, Antonio Bivar.
Leia mais:

1/25/2007

No rumo certo da primeira divisão do rock independente

Jornal do Estado

Terminal Guadalupe, negociando o lançamento do disco gravado na Toca do Bandido, faz o primeiro show do ano, com Zigurate


Adriane Perin



Divulgação/Fernando Souza

A banda Terminal Guadalupe faz o primeiro show do ano no Jokers, junto com a Zigurate



A banda Terminal Guadalupe abre o ano com show no Jokers hoje a noite, na lista entre das mais promissoras do pop rock nacional para o ano – situação na qual tem a companhia de outra prata da casa, Charme Chulo. Ela se apresenta junto da veterana Zigurate e no final as duas se encontram no palco para uma jam, na apresentação que marca a entrada do guitarrista Lucas Borba no TG. Quem acompanha a caminhada do grupo, decidido a “dar viabilizar a uma carreira de músico”, sabe que houveram momentos tensos. Mas, os percalços serviram para calcificar a união dos músicos usando, além da sonoridade pop com qualidade, a persistência e o empenho como parte da estratégia de trabalho. Depois de meter as caras em festivais, amealhar indicações e prêmios importantes , o momento é da mídia. Há poucas semanas, o grupo curitibano foi destaque de Sérgio Martins, na revista Veja e, mais recentemente, o ainda inédito A Marcha dos Invisíveis foi apontado pelo jornalista Marcelo Costa, na Coluna Revoluttion, do Portal IG, como o “disco certo na hora certa” .
O lançamento de A Marcha está sendo negociado por selos e uma gravadora major, mas por hora é só isso que podemos saber. Também está sendo feito um clipe da música “Pernambuco Chorou”. É a colheita das sementes plantadas e o auge desses primeiros três anos da atual formação.
O disco, que deve sair até abril, foi gravado ano passado no estúdio A Toca do Bandido, sob a tutela de Tomas Magno. O lugar é um dos mais prestigiados do Brasil, e o “cara” é top de linha. “Entreguei nosso disco no Claro que é Rock. Tomas é um engenheiro de som que está entrando com tudo na produção e tenho convicção que ele será o grande produtor do rock nacional, porque é obcecado por padrão de qualidade internacional e sabe lidar com expectativas do mercado”, avalia Dary Júnior, o vocalista. A importância dele no processo, diz, foi fazer a banda “perceber e valorizar detalhes das músicas que passavam batido”.
Dary trata com cuidado o badalo. “Não tem segredo: é degrau por degrau, com muitos sacrifícios”, pondera o jornalista que largou um bom emprego em 2001 por sua primeira banda, Lorena foi Embora. Em 2003 foi que a Terminal nasceu, efetivamente. “Ainda não atingimos o que queremos em termos de linguagem própria, mas temos conseguido (re) definir o som a cada disco”, diz ele, cuja banda tem quatro músicas do novo disco no my space, enquanto o novo site é criado. A novidade mais quentinha é o clipe, que será feito por Ricardo Spencer, ganhador do VMB, em trabalho com a Pitty. “O Tomás gostou tanto que falou da gente pro cara, que também gostou e, ao saber que somos um duros de grana, topou fazer por orçamento mínimo”, conta. A meta para 2007 é “chegar a primeira divisão do rock independente”. Tocar em pelo menos um dos grandes festivais: Porão, Abril, Mada, Tim ou Goiânia Noise. E entrar nas emissoras que exibem clipes. “Recebemos o que você chama de apostas com alegria, mas temos os pés no chão. O certo é que o novo disco não será lançado pela banda sozinha”, finaliza o vocalista, que tem ao lado Allan Yokohama, Rubens K, Fabiano Ferronato e, Lucas Borba.

Serviço: Terminal Guadalupe e Zigurate. Dia 25. Jokers (R. São Francisco, 164)

1/18/2007

Ruído Corporation no Korova e a reabertura do 92

Do Jornal do Estado

Banda curitibana vira residente no “bar do Claudião” e JR Ferreira reabre o espaço que é referência em rock alternativo brasileiro

Adriane Perin

Foto: Franklin de Freitas
A turma da banda Ruído mm, que agora é residente no Korova e começa temporada no sábado

É sempre bom ver sangue novo se organizando para contribuir com a arte local. E nessa vida do faça-você-mesmo pessoas com vontade de trabalhar são sempre bem- vindas. Por isso é uma boa notícia, ver que começa a se concretizar uma nova parceria que pretende produzir mensalmente shows alternativos, no novo Korova Bar.

E, já que o assunto é independente, outra excelente notícia se confirmou esta semana - pena que a estréia dos dois projetos será no mesmo dia, o próximo sábado, dia 20. É a reabertura do 92 Graus - espaço curitibano lendário na história da música independente brasileira que agora volta a ser palco para as bandas, depois de um ano fechado. O novo endereço é nas redondezas da Praça do Gaúcho e o “test drive” vai ser com Popelines, Dalilla, Kompressores e Claudio Evecos, a partir das 20 horas. JR Ferreira, o músico e dono do lugar, adianta que não é, ainda, a inauguração. As obras para deixar o bar do jeito que a gente gosta estão a toda e a noitada do sábado é só aquecimento.

No Korova, a empreitada é com a banda Ruído/ mm que começa neste sábado, sua residência no bar, sempre com um grupo de destaque do circuito independente brasileiro como convidado. Na estréia, os curitibanos recebem a catarinense Colorir. A lista dos sonhos dos rapazes, não é fraca não, e contempla algumas das melhores bandas brasileiras da atualidade. Vê só: La Carne, Ludovic, Blue Afternoon, Hurtmold, Grenade, Constantina (MG), Daniel Belleza, Input Output, Madeixas, Jumbo Elektro e Pí.
A turma, que tem à frente da correria André Ramiro, integrante também do duo Índios Eletrônicos, decidiu meter a mão na massa para acabar com essa história de que “são poucos os corpos que suam em favor dos bons sons” em Curitiba. “Sabemos do potencial da cidade, sabemos das novidades da noite que abrem a cada mês nos mais inóspitos pontos e sabemos das inúmeras cabeças pensantes que integram esta faminta cidade, em busca de mais arte e de algum reconhecimento”, argumenta Ramiro, apresentando a “plataforma caótica de pensamento” da recém nomeada entidade Ruído Corporation. A idéia é simples, o que vai fazer a diferença, é a continuidade.
A inspiração, assumida, são as noites na paulistana Millo Garage, da gravadora Peligro, que que costumam não se prender a sonoridades óbvias. “Todos sabem que as bandas que lá tocam são de qualidade, assim o público pode ir de olhos fechados, sabendo que bons sons ouvirão. É o que queremos fazer aqui”, conta Ramiro, lembrando que a trupe do coletivo Ainterlux Arte Livre, também vai dar as caras nas noitadas, com vídeos, performances, pinturas, colagens, enfim, arte pela arte.Outro detalhe legal, serão os cartazes. Para aumentar a atratividade foi convidado o artista plástico e músico DW para fazer os 12 cartazes das festas, que ao final, comporão uma História em Quadrinho. “As pessoas que se interessam pelo universo das artes visuais terão um prato cheio para suas coleções. Assim, também imaginamos atingir públicos em livrarias, cafés, cinemas, sebos, enfim, não serão somente cartazes postados em bares”, comenta Ramiro.

Serviço:
Ruído e Colorir. Dia 20. R$6 Korova Bar (Av. Batel, 906).
Popelines, Dalila, Kompressores. Dia 20 às 20h. R$5. 92 (R. Benvindo Valente, 280).

1/17/2007

Novassssss!

Pois é. Chega fim de ano, ano novo, e vem as listas de “melhores”. Não sou lá muito chegado nesse lance de listas de melhores. Primeiro porque, como diz o Mário Bortolotto, pra fazer uma lista dessas à sério você teria que ouvir/assistir/ler tudo o que rolou, o que evidentemente eu não fiz, mesmo. Além disso, sempre achei que quando a gente fala de arte, uma coisa não exclui a outra. Não é porque eu gosto de Beatles que eu não posso gostar também de Stones.
Mesmo assim, a convite do Marcelo Costa, desde o ano passado tenho participado da lista dos melhores do Scream Yell. Primeiro porque gosto muito do site e do trabalho do Marcelo, que considero um dos melhores jornalistas culturais da nova geração no País. Segundo porque mesmo não tendo ouvido nem 10% do que tá rolando por aí, vejo essa votação como uma oportunidade de destacar coisas que eu gosto e que dificilmente outras pessoas vão citar. Na minha lista dos melhores discos, por exemplo, eu inclui o do Monodia (RS), o Insomniac, do Igor Ribeiro, Gianoukas Papoulas. E no dos blogs, o do Mário e o do Rubens, que aliás, entraram no “Top Seven” - o que é muito legal. E faço isso não com qualquer tipo de puxasaquismo/ufanismo ou filantropia, não. Votei porque efetivamente esses discos que eu citei estiveram entre os que eu mais ouvi e que mais me emocionaram no ano passado. E os blogs do Mário e do Rubens estão realmente entre os meus favoritos, tanto que eu leio eles quase todo o dia. Por menor que seja, gosto de pensar que estou ajudando a divulgar esses trabalhos, que pra muita gente passam despercebidos.
Também fiquei feliz de ver que o OAEOZ, mesmo tendo estado praticamente parado em 2006, acabou entrando na votação, citado pelo figura Marcelo Urânia, do Tinidos. Ele colocou a nossa apresentação no festival Tinidos como o segundo melhor show do ano, e esse blog que vocês estão lendo também na lista dos melhores blogs. Valeu mesmo Marcelão!
Mudando de assunto, o ano mal começou, mas as novas na nossa musica curitibana já estão à toda. A começar pela inauguração do novo 92 graus neste sábado. Realmente, esse JR Ferreira não desiste. Que bom!. A nova sede fica na rua Benvindo Valente, 280, há uma quadra da praça do gaúcho. O test drive, como diz o JR, vai ser com as bandas Popelines, Dalilla e Kompressores. Que seja bem vindo e muito bem sucedido nosso novo porão.
Outra novidade é que o ruído m/m se tornou residente do novo Korova. Todo mês eles vão fazer um show lá, sempre com uma banda convidada de fora. Neste sábado, eles recebem o Colorir (SC).

Outra coisa legal é que cada show terá o cartaz feito por um artista da cidade. O deste primeiro é do DW (Lonely Nerds/Constanza).

Enfim, o show não pode parar!

1/10/2007

1/07/2007

Deu na Veja

Da Veja desta semana: (o código de acesso da revista na banca para a matéria é FARO)

Música

A reação roqueira

Brasil afora, surgem novos núcleos de música independente. Contra o axé, o forró e o calipso

Sérgio Martins


Fotos Lailson Santos

Terminal Guadalupe: visual de cobrador de ônibus, letras de protesto e guitarras poderosas são as armas do grupo curitibano


Nos últimos quinze anos, Goiânia foi o grande berço da música sertaneja nacional. De lá saíram as quatro duplas mais bem-sucedidas do país – Chrystian & Ralph, Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo e Bruno & Marrone. Os goianos têm orgulho de seus sertanejos, e o gênero é quase uma unanimidade no estado. Quase. A existência de uma numerosa dissidência roqueira transparece em festivais como o Goiânia Noise e o Bananada (realizado no mês de maio, durante a temporada de rodeios, por aqueles que desejam "dar uma banana" para os amantes da viola). Goiânia tornou-se, efetivamente, um dos principais centros do rock brasileiro na atualidade. Só não se pode chamá-la de capital porque outras cidades, em outros estados, se mostram igualmente animadas. Bandas de rock promissoras vêm surgindo em Pernambuco, no Paraná ou no Acre – freqüentemente em reação à "hegemonia" de algum gênero popular como o axé ou o forró. E o fenômeno tem outra característica notável: juntamente com as bandas despontam selos independentes, casas de espetáculos e festivais, que fazem com que essas várias cenas roqueiras ganhem um ar duradouro e se sustentem sozinhas, sem precisar, como em outros tempos, do aval do público do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Roqueiro goiano em geral tem cara de mau e faz som pesado. As bandas Mechanics e MQN preenchem à risca esses requisitos. Para os adeptos do estilo punk de dança – que tem um quê de pugilismo –, assistir a uma apresentação desses grupos em Goiânia pode ser uma experiência memorável. Principalmente se for no Martim Cererê, um antigo reservatório de água que nos anos 70 teria sido usado pelos militares como centro de tortura. São dois cones de concreto com arquibancadas de madeira e um palco mambembe. Com alguns poucos intervalos, esse espaço abrigou o Goiânia Noise por uma década. No fim do ano passado, o festival foi transferido para o Centro Cultural Oscar Niemeyer, uma construção que custou 60 milhões de reais. Mas a irreverência roqueira continuou a mesma.
O contraponto mais "doce" ao estilo duro de Mechanics e MQN é oferecido pelo quinteto Valentina. Influenciado pela estética teatral e andrógina do glam rock, o Valentina é alvo de brincadeiras dos roqueiros cascas-grossas. Há dois anos, eles abriram um show da banda inglesa Placebo em Brasília. No fim da apresentação, a secretária de Brian Molko, cantor do Placebo, perguntou qual a marca de delineador que Rodrigo Feoli, vocalista do Valentina, usou nos olhos. "Foi o momento de glória do menino", dizem os músicos do MQN. Apesar das diferenças, não há hostilidade entre os grupos. Ambos lançam discos pela mesma gravadora local, a Monstro. Violins e Réu e Condenado são outros destaques do rock goiano. O primeiro segue a linha de grupos como o inglês Radiohead. Seus fãs são de uma fidelidade canina. Pouco tempo atrás, foi divulgado que eles encerrariam as atividades. Pela reação mostrada em alguns sites, parecia o fim dos Beatles – e os Violins voltaram. Formada por Daniel Drehmer e Francis Leech, a dupla Réu e Condenado satiriza o estilo sertanejo – no nome e no nonsense das letras. "Paulo Eduardo tinha tremedeiras / E não conseguia se pentear / Ah, essa vida me maltrata tanto", cantam em Vida Severina. O pai de Francis Leech é um ex-missionário americano que se envolveu com uma freira goiana – os dois, claro, foram expulsos da Igreja. "O resultado do casamento fui eu, um autêntico anticristo", brinca o músico.

Outro pólo roqueiro é Curitiba, que conta com uma centena de bandas. Uma delas está próxima de estourar. O Terminal Guadalupe é seguidor do rock político dos roqueiros dos anos 80, em especial Legião Urbana. Seus integrantes adoram renegar a fama de "cidade-modelo" ostentada por Curitiba. No palco eles se vestem como cobradores de ônibus – e o nome da banda faz menção a um terminal da cidade que à noite é reduto de punguistas, traficantes e moças de má fama. "Falam tanto do progresso de Curitiba, mas somos o quinto município brasileiro em número de favelas", dispara o vocalista e líder Dary Jr. Bandas políticas sempre correm o risco de cair na pregação, mas o grupo possui uma sonoridade à prova de chatice. Marcha dos Invisíveis, o quarto disco do Terminal Guadalupe, com lançamento previsto para março, tem aquele frescor que o roqueiro Ian McCulloch atribui ao "pop perfeito": canções com apelo comercial, mas longe da banalidade, e um som de guitarra como pouco se ouve no rock brasileiro. Já se formou até mesmo um certo folclore em torno da turma roqueira local. Toda uma família de bandas é composta dos chamados "curitibanos de Manchester" – que, segundo os detratores, teimam em acreditar que o frio de Curitiba basta para aproximá-los de grupos ingleses como Smiths e Oasis.

Desde que a banda pernambucana Chico Science & Nação Zumbi fundiu guitarras de heavy metal com tambores de maracatu, no começo dos anos 90, um dos caminhos para os roqueiros brasileiros é explorar algum ritmo local. O La Pupuña, grupo de Belém, se inspira na guitarrada – uma espécie de parente distante da lambada, que dominou os salões de baile da cidade na década de 70. Wado, um catarinense radicado em Alagoas, também segue uma linha semelhante à de Chico Science. A diferença é que Wado optou pela combinação do samba com elementos eletrônicos. Esse, porém, é apenas um caminho entre outros. Nos novos pólos roqueiros, não há culpa em simplesmente aderir à "linguagem universal" do rock, sem maiores qualificações. Para grupos como Volver e Rádio de Outono, do Recife, e Karine Alexandrino, do Ceará, fazer música é uma maneira de pertencer ao mundo. "Sou roqueiro, canto em inglês e não estou nem aí para o que acontece na MPB", resume o goiano Márcio Jr., do Mechanics.

1/05/2007

Liga pra mãe - Deus e o Diabo



Nossos queridos amigos do Deus e o Diabo, banda de Porto Alegre que tocou por aqui no Rock de Inverno 5, estão com clip novo na internet. E como todo o trabalho deles, o resultado final é irrepreensível e emocionante. Fico muito feliz de ver que eles continuam na ativa e brindando a gente com seu talento e sensibilidade. E confesso que cada vez que vejo/ouço algo dos caras, me emociono, e fico orgulhoso de termos sido responsáveis pelo show deles aqui. É incrível como apesar dos nossos contatos terem sido tão rápidos - conhecemos o Deod através do pessoal do Blanched, fomos tocar lá em Poa a convite deles e depois nos reencontramos quando eles vieram tocar no RI5, e foi só - sinto uma sintonia absurda em relação a postura dos caras e é claro, à música, que me toca de um jeito tão forte, tão avassalador. Que bom que existe gente assim ainda nesse mundinho besta. Assistam e confiram!

1/04/2007

O antiprofeta













Para começar o ano, outro texto do Emil Cioran. Esse inclusive me inspirou a fazer uma música adaptando parte do texto. Essa música fazia parte do repertório do OAEOZ bem no começo da banda, mas nunca chegou a ser gravada oficialmente. Qualquer dia desses gravo ela no violão e coloco no my space, sei lá. Foda que agora tô sem internet em casa, e as coisas se complicaram. Maldita infra-estrutura brasileira que num bairro há quinze minutos do centro de Curitiba não disponibiliza banda larga. enfan...

Na adaptação que eu fiz, a letra ficou assim:

O amor — o encontro de duas salivas...
Todos os sentimentos extraem seu absoluto da miséria das glândulas.
Não há nobreza senão na negação da existência,
em um sorriso que domina paisagens aniquiladas.
(Outrora tive um "eu"; agora sou apenas um objeto...
Empanturro-me de todas as drogas da solidão;
as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo.
Tendo matado o profeta em mim,
como terei ainda um lugar entre os homens?)
Livre do fim, de todos os fins, de meus desejos
minhas frustrações
só conservo as fórmulas.
Tendo resistido à tentação de concluir,
venci o espírito,
como venci a vida pelo horror,
a buscar-lhe uma solução
Tendo matado o profeta em mim,
como terei ainda um lugar entre os homens?

Abaixo, o texto na íntegra, retirado do site www.niilista.com.br

O Antiprofeta
por Émile Michel Cioran


Em todo homem dorme um profeta, e quando ele acorda há um pouco mais de mal no mundo... A loucura de pregar está tão enraizada em nós que emerge de profundidades desconhecidas ao instinto de conservação. Cada um espera seu momento para propor algo: não importa o quê. Tem uma voz: isto basta. Pagamos caro não ser surdos nem mudos...
Dos esfarrapados aos esnobes, todos gastam sua generosidade criminosa, todos distribuem receitas de felicidade, todos querem dirigir os passos de todos: a vida em comum torna-se intolerável e a vida consigo mesmo mais intolerável ainda: quando não se intervém nos assuntos dos outros, se está tão inquieto com os próprios que se converte o "eu" em religião ou, apóstolo às avessas, se o nega: somos vítimas do jogo universal...
A abundância de soluções para os aspectos da existência só é igualada por sua futilidade. A História: manufatura de ideais..., mitologia lunática, frenesi de hordas e de solitários..., recusa de aceitar a realidade tal qual é, sede mortal de ficções...
A fonte de nossos atos reside em uma propensão inconsciente a nos considerar o centro, a razão e o resultado do tempo. Nossos reflexos e nosso orgulho transformam em planeta a parcela de carne e de consciência que somos. Se tivéssemos o justo sentido de nossa posição no mundo, se comparar fosse inseparável de viver, a revelação de nossa ínfima presença nos esmagaria. Mas viver é estar cego em relação às suas próprias dimensões...
Se todos os nossos atos — desde a respiração até a fundação de impérios ou de sistemas metafísicos — derivam de uma ilusão sobre nossa importância, com maior razão ainda o instinto profético. Quem, com a visão exata de sua nulidade, tentaria ser eficaz e erigir-se em salvador?
Nostalgia de um mundo sem "ideal", de uma agonia sem doutrina, de uma eternidade sem vida... O Paraíso... Mas não poderíamos existir um instante sem enganar-nos: o profeta em cada um de nós é o grão de loucura que nos faz prosperar em nosso vazio.
O homem idealmente lúcido, logo idealmente normal, não deveria ter nenhum recurso além do nada que está nele... Parece que o ouço: "Livre do fim, de todos os fins, de meus desejos e de minhas amarguras só conservo as fórmulas. Tendo resistido à tentação de concluir, venci o espírito, como venci a vida pelo horror, a buscar-lhe uma solução. O espetáculo do homem — que vomitivo! O amor — um encontro de duas salivas... Todos os sentimentos extraem seu absoluto da miséria das glândulas. Não há nobreza senão na negação da existência, em um sorriso que domina paisagens aniquiladas.
(Outrora tive um "eu"; agora sou apenas um objeto... Empanturro-me de todas as drogas da solidão; as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo. Tendo matado o profeta em mim, como terei ainda um lugar entre os homens?)

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o que mais me chamou a atenção no Cioran quando conheci o trabalho dele foi o fato de que mesmo quem como eu, não entende patavina de filosofia, ainda mais de filosofia contemporânea, que é extremamente hermética e exige um conhecimento profundo de todas as referências filosóficas clássicas e modernas, pode se interessar pelo trabalho do cara. Em alguns momentos, o texto dele parece mais um tipo de poesia em prosa do que filosofia no sentido técnico da coisa. E a força do texto é avassaladora, revelando coisas que só alguém que realmente mergulhou fundo na alma humana é capaz de enxergar e expressar. Coisas como:

"Empanturro-me de todas as drogas da solidão;
as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo"

ou

"Mas viver é estar cego em relação às suas próprias dimensões..."

Por mais radical e extremo que possa parecer o niilismo de Cioran, ou concordando ou não com ele, o fato é que ele toca o dedo em feridas que a gente na maioria das vezes procura esquecer, ou ignorar. Taí uma coisa que eu quero fazer esse ano, e encontrar outra cópia de "Breviário da Decomposição", já que a que eu ganhei sumiu. Se alguém vir esse livro por aí em algum sebo, me avise.

12/28/2006

Ai, ai: é piada, sim: com a nossa cara

Ah, eu não resisti. O Jornal do Estado (www.bemparaná.com.br) tá bem bom de ler hoje, dá uma vontade incontrolável de rir, rir muito, da nossa própria cara e do que vem por aí em 2007 (e, infelizmente, não vai parar no 07). A parte política está “espicizi”, como diria um amigo. Vejam só: que o cara acusado de grampear gente em todo canto no Paraná, que trabalhava na sala próxima do excelentíssimo sr governador foi solto, “por engano”, numa sexta-feira que batia na porta do Natal, às 19h30 (como essa gente trabalha, não?!”). Se não fosse da nossa cara, o riso seria melhor, mas, a estas alturas do campeonato, tô optando pelo riso largo do que o choro, até porque isso não merece minhas lágrimas, então vou gargalhar da palhaçada. Em uma entrevista sobre os possíveis secretários da cultura, alguém intimou: “pô, a “classe artística” tem que se mexer, deixar de ser oportunista e se preocupar só em como garantir um pedaço do bolo”. E, olha, não fui eu que falei, não, foi um artista, uma pessoa, engajada que sabe do que tá falando muito, mas muito mais do que eu, porque tá nas mesas de bar, nas reuniões a porta fechada, nas conversas entre amigos.... o problema é que não é só os artistas, é pra todo lado essa esculhambação. O paranaense adora falar mal do Lula, mas não olha o próprio rabo, não vê o que acontece bem alí no Centro Cívico, na capital, faz vista grossa pro descalabro, pra arrogância, pro pedantismo e pro gangsterismo, porque isso que se falou no começo é crime, não é brincadeirinha, não...
Mas, vamos rir mais um pouco. A coluna Toda Política, do JE, alerta: não é piada: policiais em guarapuava colocaram cerca elétrica pra defender as sedes da polícia e a PF contratou empresa de segurança... Ah, vai dizer que não é engraçado isso? É sim, eu dei muita risada, foi bom, comecei o dia em alto astral, pensando que eu posso ficar bem sossegada: hoje tá um dia bom, 2006 tá acabando. Pode saber, tudo vai ficar piorar... por isso a Regina Casé, no Central da Periferia de sábado passado (eu gosto dela sim, e desse programa, gosto do jeito que ela mostra outras realidades, gosto mesmo!)fez bem em desejar a todos CORAGEM, MUITA CORAGEM. Faço minhas as palavras dela, porque é do que vamos precisar para ENCARAR esse nosso futuro de frente!!!!.

Ps. André, li em Parati, um belo livro do Henry Miller, ano passado.
Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch é meio briográfico, sobre um lugar lindo,próximo de penhascos, onde ele viveu. Foi o gancho dele pra falar espetacularmente bem de pessoas incríveis. gostei. agora faltam os clássicos dele...

12/26/2006

o natal já foi... agora é 2007

Terça-feira. O céu de curitiba tava tão bonito hoje de manhã, antes das 9. parecia aquele céu de um azul tranquilo de quando a gente tá chegando, cedinho, naquela praia sossegada, fora de temporada, sem tumultos. Tinha umas nuvens, mas elas compunham perfeitamente. Ônibus nem tão cheio, consegui até sentar. E a relativa tranquilidade, me fez pensar nesses dias em casa, o primeiro natal na nosso canto, brigadeiro, heineken, cigarrinhos, tigra, lu, dogui e baby... meu vô querido já foi conhecer e deu sua (imprescindìvel, pra mim) benção. Vim pensando nisso tudo, no embalo do ônibus sem correria, um solzinho já meio quente pondo lenha na fogueira......
há exatos 11 anos entrei pra ficar numa redação de jornal. Meu primeiro emprego com tudo certinho legalmente. Tava apavorada, mas decidida a agarrar minha última chance – já tinha desistido, na verdade, mas nem a mim eu obedeço.... deu nisso.
O meu natal também teve mário bortolotto. Terminei de ler as suas crônicas, Atire no Dramaturgo. A maioria eu não tinha lido no blog. O mário é engraçado, mas não o engraçado de fazer rir. Um outro tipo de engraçado, um engraçado que às vezes fica entalado na garganta, porque não dá pra rir do que ele escreve,não. Mas, de vez enquando dá pra ficar irritada... só que daí, logo adiante, ele dá outra rasteira certeira em algum tipo de lembrança coletiva (nem somos da mesma geração, hein) e bota à tona certas sensações incômodas, quase sempre, porém, comoventes. e como não abrir um sorriso, meio torto, não querendo ser, para concluir que o filho da mãe tem razão...
Esse jeito de ser ele mesmo, é de doer. Fico confusa, em algumas passagens. Com um tanto de raiva, em outras, pra logo perceber que não é raiva, não, é só ser obrigada a concordar com ele que certos tipinhos humanos tão mesmo devendo à vida. Eu não trouxe o livro comigo e,portanto, não vou citar trechos, embora vários merecessem citações. Resumidamente, acho que é a vida, toda irregular e confusa que salta das páginas de Atire no Dramaturgo, carregadas de verdades que não valem pra todos, mas que são preciosas; arranhões, cortes profundos, mentiras sinceras, verdades distorcidas, olhares cansados, vontades renovadas... é muita vida, nem sempre do jeito como a gente gostaria.
Gosto principalmente do jeito que ele não julga exatamente aquelas pessoas que seriam as "genis fáceis". Como ele entende o pai, se solidariza com a mãe. Como ele ama os amigos (errados?), como ele se declara, discreto, e meio sem jeito, à Fernanda; como ele se condena e se redime sob sua própria ótica, dolorida e dolorosa, mas sempre muito viva, muito vida. Não gosto de tudo, tudo o que o Mário escreve no blog, não. Gostei muuuuuuuiiiiiiiiito de vê-lo no palco e também gosto muito de Bagana na Chuva. Se troquei uma dúzia de palavras com ele, até hoje, foi muito. Mas,já tomamos cervejas na mesma roda de amigos – e tive(mos) o prazer de tê-lo lá em casa no primeiro churras. Até achei que não terminaria seu Atire no Dramaturgo. Pois, terminei. E gostei, gostei muito das suas palavras tão reais, tão sorrateiramente paupáveis. Agora sinto esse gosto de vida no céu da boca, nem sempre doce, nem sempre amargo. Também procuro meu silêncio, quero não falar, quero olhar. Não importa, os dias seguem. E outro ano está batendo a porta e espero sinceramente que tenhamos CORAGEM pra encará-lo de frente, olhos nos olhos, cheios de amor (e de ódio, também, sim, se preciso for).
Adri perin

12/19/2006

É natal?

Como ando totalmente sem inspiração e ânimo para escrever, e já que poucos parecem dar atenção ao que aparece por aqui, vai mais uma citação, aproveitando o clima "natalino". E de um cara que eu aprendi a admirar depois de ganhar de um colega de trabalho o livro "Breviário da Decomposição".

A fuga da Cruz

Aquele que pensou ser o filho de Deus apenas duvidou no último momento. Cristo duvidou realmente não na montanha, mas na cruz. Estou convencido de que na cruz Jesus invejou o destino dos anônimos e, pudesse tê-lo feito, haveria se retirado para o canto mais obscuro do mundo, onde ninguém lhe implorasse por esperança ou salvação. Posso imaginá-lo a sós com os soldados romanos, pedindo a eles que o apeassem da cruz, que arrancassem os cravos e o deixassem escapar para onde os ecos do sofrimento humano não o alcançassem mais. Não porque subitamente cessasse de crer em sua missão - era iluminado demais para ser um cético -, mas porque a morte pelos outros é mais difícil de suportar do que a própria morte. Jesus sofreu a crucificação, porque sabia que suas idéias só poderiam triunfar mediante seu próprio sacrifício.
(...)
Jesus poderia ter escapado facilmente à crucificação ou poderia ter se rendido ao demônio! Aquele que não fez um pacto com o demônio não deveria viver, porquanto o demônio simboliza a vida mais do que Deus. Se tenho do que me lamentar, é que o demônio raramente me tentou... mas também Deus não me amou. Os cristãos ainda não entenderam que Deus está mais distante deles do que eles de Deus. Posso perfeitamente imaginar a Deus se aborrecendo com os homens, que sabem apenas implorar, exasperado com a trivialidade de sua criação, igualmente desgostoso tanto do céu quanto da terra. E o vejo em fuga para o nada, tal como Jesus escapando da cruz... O que teria acontecido se os soldados romanos houvessem atendido à súplica de Jesus, se o tivessem descido da cruz e o tivessem deixado escapar? Certamente ele não iria para outra parte do mundo a fim de rezar, mas apenas para morrer, sozinho, fora da simpatia ou das lágrimas do povo. E, mesmo supondo que, pelo seu orgulho, ele não implorou por liberdade, acho difícil crer que esse pensamento não o tenha obsedado. Ele deve ter acreditado verdadeiramente que era o filho de Deus. Não obstante sua crença, ele não teria como não duvidar ou não ser tomado pelo medo da morte na hora de seu sacrifício supremo. Na cruz, Jesus teve momentos em que, se não duvidou de que era o filho de Deus, se arrependeu disso. Aceitou a morte unicamente para que suas idéias triunfassem.
Pode muito bem ser que Jesus fosse mais simples do que o imagino, que tivesse menos dúvidas e menos pesares, pois duvidou de sua origem divina apenas na hora da morte. Nós, por outro lado, temos tantas dúvidas e arrependimentos que nenhum de nós, sequer, ousaria sonhar ser o filho de um deus. Odeio Jesus pelas suas pregações, pela sua moralidade, pelas suas idéias e sua fé. Amo-o pelos seus momentos de dúvida e pesar, os únicos realmente trágicos de sua vida, embora não os mais interessantes nem os mais dolorosos, pois, se tivéssemos de julgar pelos sofrimentos, quantos outros antes dele não teriam sido mais dignos de serem chamados de filhos de Deus!

Emil Cioran - On the heights of despair - tradução de Renato Suttana

12/08/2006

"Daí veio um poste, algo bem mais convincente que um anjo ou um alien, me avisar pra viver cada dia, cada hora. De parar de antecipar os erros ou lamentar os acertos. Simplesmente, ir"

Alexandre Matias
Trabalho Sujo

12/07/2006

Força da capoeira





Neste sábado recebo outra corda na capoeira, desta vez a marrom e verde, o que me deixa orgulhosa e feliz. Claro, que ficaria mais feliz ainda se visse meus amigos lá... portanto esse post faz as vezes deum convite. Também vou dar uma de Maria Bonita, numa coreografia de xaxado. Vai ser no Memorial de Curitiba, dia 9 , às 14h30. O ingresso é R$2 (+1 kg de alimento)

aproveitando a deixa, tem texto novo meu, sobre este assunto, no Overmundo (www.overmundo.com.br)
Aí tá o link.
http://www.overmundo.com.br/revista/a-forca-que-vem-da-capoeira

A foto aí de cima é de uma tarde linda de sol, em um dos encontros pra treino extra do grupo. Quem tá jogando é o Boneco Milho e o Léo. No berimbau, ao lado do atabaque, está meu Mestre, o Kinkas e, logo depois do atabaque (tocado por mim, escondida atrás do Léo) estão Gabriel e a Áurea, outros dois "membros fundadores" do Grupo digamos assim, a esposa, amiga e parceira - e uma ótima professora de capoeira, xaxado, maculelê, samba, coco, frevo, etc...- e o filho dos dois, que também já é um capoeirista de prima.
Já me cobraram fotos minhas em ação, andaram até dizendo que essa história de eu fazer capoeira é engodo (risos)..... muito simples: é só aparecer em uma roda e verão...
mas, tudo bem, prometo em breve postar mais fotos e achar alguma comigo. Só deixa passar essa correria... mas, sábado é a grande chance de ver ao vivo e a cores (se minha pernoca deixar, porque ela anda me incomodando bem na semana do batizado...).
A festa vai ser linda!!!! té mais.
Iê: capoeira!

12/01/2006

E hoje...

...tem Folhetim Urbano no Porão, com Charme Chulo e outras bandas. vamo lá. e no Plano B tem uma entrevista legal com os caras.