Muitas vezes cheguei em casa depois do trabalho satisfeita, com a sensação de missão cumprida, por conta de um bom papo que rendeu uma boa reportagem, ou simplesmente por conhecer uma pessoa com história de vida incrível – ou por falar com um artista importante para a cultura brasileira e pra minha própria vida. Mas, essa rotina boa sempre teve por perto o outro lado. A frustração, a confusão, a insegurança, o peso de sentir-se aquém do que gostaria. O cansaço ruim de sentir que poderia ter feito melhor ou o desgaste por ter que lutar tanto, gastar muita energia, pra argumentar sobre o que não deveria nem precisar de argumentação. Ou pior, o cansaço diante da expressão de ignorância de pessoas que não tinham o direito de exibir aquela ignorância, aquela arrogância... jornalismo cultural – uma das minhas paixões. Agora, estou em suspenso nesta área. To fora de jornal e por alguma razão não tenho sentido mesmo muita vontade de escrever sobre nada (bem, não é bem assim...). To fazendo um trabalho bem técnico.
Acordo cedo, vou pra uma sala com pessoas simpáticas, mas o assunto não provoca o menor envolvimento. Ouço, recebo instruções e faço o que pedem. Raras, muito raras, foram as vezes em que trabalhei assim....
E sabe, que pelo menos hoje, estou gostando?!!!!! Quem sabe não estava precisando mesmo dar essa descansada. Desde 1995 não ficava em casa mais de um mês, sem trabalhar, sem estar correndo pra chegar no horário para alguma coisa. E nem sei quanto tempo não chegava em casa sem esse peso – que às vezes é bom, sim – que a entrega incondicional provoca. Sempre fui do tipo que veste a camisa, que não conseguia parar de pensar no trabalho, simplesmente porque o trabalho que eu fazia era também a minha vida.
Nesse momento não é assim. Esse trabalho é um trabalho. Só isso. Acho que, finalmente, estou conseguindo refletir mais claramente sobre a minha profissão de repórter com mais distanciamento, sem ser tão passional. Depois de 3 meses sem “fazer nada” a não ser curtir meus bichos, meu amor, minha casa e a cidade.
Me sinto estranhamente calma, como se minha vida profissional estivesse mesmo em suspenso por um tempo. Não sei se vou voltar pra Cultura. O que sei é que neste momento minha ida pra algum jornal nesta editoria soa impossível. E isso não está me incomodando, tanto, embora me entristeça. Sigo aqui, ouvindo nossas canções perfeitas, enquanto reescrevo um texto frio, do jeito que querem que eu escreva. Básico do básico, sem maiores preocupações. Isso é tão raro na minha vida profissional que nem lembro quando aconteceu - se é que aconteceu.
Puxa vida, então é mesmo possível fazer jornalismo, reportar sem por a alma e o coração em cada linha? To aprendendo que sim. Se isso é bom ou ruim? Eu desconfio que não é bom, mas me parece que neste momento isso está me fazendo bem. Então vou terminar aqui, ao som da “nossa canção doce” a perfeita, My life in Art. (Adri)
3/10/2010
3/05/2010
Hoje
2/27/2010
Hotel Avenida procura
E a Hotel Avenida está a procura de alguém pra tocar baixo com a gente. Nosso amigo e parceiro Igor Ribeiro terá que se dedicar este ano a outros projetos. Ainda esperamos contar com ele para participações sempre que sua agenda apertada de artista requisitado permitir (rs), até porque o Igor é tipo coringa, e pode tocar vários instrumentos diferentes, mas precisamos de um baixista fixo pra poder tocar as coisas pra frente com mais tranquilidade. Portanto, quem tiver interesse ou souber de alguém que tenha, é só entrar em contato pelo email deinverno2@gmail.com
2/23/2010
“Ainda é cedo amor Mal começaste a vida.....
To fazendo um frila sobre o mais novo trabalho que envolve o pessoal da GGG, Rodrigão e Ferreira, junto com o Samuel Lago. Trata-se da digitalização de entrevistas incríveis feitas pelo jornalista Aramis Millarch, aqui mesmo em Curitiba, com várias pessoas importantes da música brasileira. Ele levava os caras para casa dele e as conversas, bem naquele clima que a gente conhece, amigos tocando, batendo papo. Só que os “amigos”, os “chegados” eram Vinicius de Moraes, Toquinho, Mutinho, tem Cartola recitando; tem Paulo Leminski e Maysa falando e falando; Elis Regina idem... enfim... o que eu ouvi, não tem só valor pra história da música brasileira. Pra mim, só reafirma que o jeito de fazer é assim, valorizando o que temos por perto.
É emocionante ouvir uma gravação, como essas que a gente faz aqui em casa, com Vinicius, Toquinho, Mutinho e Azeitona cantando “nós somos os quatro mosqueteiros musicais”...
Esse Aramis Millarch era um figura, ao que tudo indica. Oferecia tudo do bom e do melhor e levava o “povo” pra casa, pra continuar o show so pra diretoria... Ah...como eu amo esses climas. Claro, guardadas as devidas proporções, isso me lembra muito o clima nas nossas casas do Campina, Casa Azul, na fase áurea da De Inverno, quando os ensaios d’OAEOZ viravam pequenas reuniões de pessoas muito especiais e passávamos horas e horas ali...
assim nasceu o Dusty (e assim que temos o original, o momento de nascimento, de Meg e John), de Pular (que, tenho fé, será agora novamente resgatada) e tantas outras que tão guardadas nas nossas fitas cassetes, presentes pra gente do Ivan, que sempre, sempre teve essa coisa de gravar tudo (agora ele pega no meu pé porque eu quero ficar gravando tudo,né???!!!!). Letras do Rubens, musicadas pelo Ivan. Escritos do Igor que fizeram também a fase inicial d’OAEOZ... até uma noite do rock de inverno... vejam só..., aconteceu lá em casa...
Quem sabe esse clima vai voltar aqui pra casa do Abranches, agora. Já tive duas tardes com o Hotel Avenida na minha “sala de jantar”... hahaha.... Muito bom.
Mas, voltando ao Aramis Millarch: acessem: http://www.millarch.org/
Lá tem parte dos 50 mil artigos escritos por ele e, especialmente,os audios restaturados de entrevistas que estavam em 2 mil fitas de rolo. Tem verdadeiras preciosidades. (adri)
É emocionante ouvir uma gravação, como essas que a gente faz aqui em casa, com Vinicius, Toquinho, Mutinho e Azeitona cantando “nós somos os quatro mosqueteiros musicais”...
Esse Aramis Millarch era um figura, ao que tudo indica. Oferecia tudo do bom e do melhor e levava o “povo” pra casa, pra continuar o show so pra diretoria... Ah...como eu amo esses climas. Claro, guardadas as devidas proporções, isso me lembra muito o clima nas nossas casas do Campina, Casa Azul, na fase áurea da De Inverno, quando os ensaios d’OAEOZ viravam pequenas reuniões de pessoas muito especiais e passávamos horas e horas ali...
assim nasceu o Dusty (e assim que temos o original, o momento de nascimento, de Meg e John), de Pular (que, tenho fé, será agora novamente resgatada) e tantas outras que tão guardadas nas nossas fitas cassetes, presentes pra gente do Ivan, que sempre, sempre teve essa coisa de gravar tudo (agora ele pega no meu pé porque eu quero ficar gravando tudo,né???!!!!). Letras do Rubens, musicadas pelo Ivan. Escritos do Igor que fizeram também a fase inicial d’OAEOZ... até uma noite do rock de inverno... vejam só..., aconteceu lá em casa...
Quem sabe esse clima vai voltar aqui pra casa do Abranches, agora. Já tive duas tardes com o Hotel Avenida na minha “sala de jantar”... hahaha.... Muito bom.
Mas, voltando ao Aramis Millarch: acessem: http://www.millarch.org/
Lá tem parte dos 50 mil artigos escritos por ele e, especialmente,os audios restaturados de entrevistas que estavam em 2 mil fitas de rolo. Tem verdadeiras preciosidades. (adri)
2/21/2010
Hotel Avenida na Radio Microfonia
Radio Microfonia é uma radio online especializada em rock independente nacional, iniciativa muito bacana de um pessoal do RJ, e que surpreende principalmente pelo bom gosto na seleção de seu playlist. Com explica essa matéria entrevista no Senhor F, "a rádio também tem um site, onde destacam-se matérias sobre bandas independentes, um "top ten" e links para pedir e enviar músicas". E o mais legal pra nós é que a Hotel Avenida já está na programação da rádio, com três canções, o single "Eu não sou um bom lugar", e as versões ao vivo de "Só o amor pode partir seus joelhos", e "Um centavo". Liga lá e confere porque tem muito mais coisas boas rolando na programação que vale a pena conhecer.
2/05/2010
De volta ao oeste
foto by yadayada
depois de muito tempo a gente finalmente saiu da toca ontem pra ir no show da banda Gentileza no James. E os caras fizeram uma apresentação impecável, com direito a casa lotadaça e galera cantando junto e dançando animadíssima em clima carnavalesco. Alias a lotação, o calor e a animação me lembraram os áureos tempos do antigo 92º.
Muito bom ver uma banda relativamente nova com esse domínio de palco e tocando um repertório próprio com a plateia nas mãos. Uma prova da vitalidade da cena local, apesar de todas as dificuldades e dos mau amados de sempre, afinal "sempre tem gente tentado puxar pra baixo", mas enquanto eles tão fazendo isso, quem realmente importa tá fazendo o que interessa: música boa, pra ser ouvida e apreciada, com alegria e despretensão, livre de discursos vazios, filosofias ocas e picuinhas politiqueiras.
Vejo alguns comparando o trabalho deles com Los Hermanos. Por mais que a comparação até possa ter algum fundo de verdade, acho ela raza e superficial. Afinal, ao contrário do que acredita a geração 00, não foram os losermanos que inventaram a fusão de rock com música brasileira, samba, etc. Isso é o mesmo que aquela história de querer comparar qualquer banda que tocasse rock brasileiro com letras reflexivas em portuguès e com violão a legião urbana, que acontece sempre. Além disso, os Gentileza tem uma ironia que é tipicamente curitibana, e que os cariocas barbudos não tem. e que pode ser encontrada também em outros grandes artistas da cidade, como os BAAF-Maxixe Machine, ou Carlos Careqa, ou mesmo no trabalho do Leminski. Um que de não se levar a sério se levando, mas sempre com uma capacidade de autocrítica que poucos tem.
enfim foi uma noite bem legal. mas confesso que apesar de ter me divertido bastante e ter valido a pena, cada vez me sinto mais anti-social, com menos saco pra certas coisas que implica "sair à noite". tipo ficar meia hora em uma fila do bar pra conseguir uma bebida, etc. nunca fui lá muito de boêmia. mesmo quando mais jovem e ainda solteiro já era do tipo que preferia reunir os amigos em casa do que frequentar bar. e com a idade, o casamento, etc, fiquei ainda mais caseiro e com menos vontade de "frequentar". e essa história de lei antifumo só piorou mais as coisas.
mas tem hora que vc tem que se obrigar a sair porque senão começa a ficar neurótico depressivo. e no final das contas depois que vc tá lá e encontra os amigos acaba valendo a pena. principalmente quando ainda tem a chance de ver um show tão bacada de uma banda na ponta dos cascos como os Gentileza.
e que venha o frio! ahaha
depois de muito tempo a gente finalmente saiu da toca ontem pra ir no show da banda Gentileza no James. E os caras fizeram uma apresentação impecável, com direito a casa lotadaça e galera cantando junto e dançando animadíssima em clima carnavalesco. Alias a lotação, o calor e a animação me lembraram os áureos tempos do antigo 92º.
Muito bom ver uma banda relativamente nova com esse domínio de palco e tocando um repertório próprio com a plateia nas mãos. Uma prova da vitalidade da cena local, apesar de todas as dificuldades e dos mau amados de sempre, afinal "sempre tem gente tentado puxar pra baixo", mas enquanto eles tão fazendo isso, quem realmente importa tá fazendo o que interessa: música boa, pra ser ouvida e apreciada, com alegria e despretensão, livre de discursos vazios, filosofias ocas e picuinhas politiqueiras.
Vejo alguns comparando o trabalho deles com Los Hermanos. Por mais que a comparação até possa ter algum fundo de verdade, acho ela raza e superficial. Afinal, ao contrário do que acredita a geração 00, não foram os losermanos que inventaram a fusão de rock com música brasileira, samba, etc. Isso é o mesmo que aquela história de querer comparar qualquer banda que tocasse rock brasileiro com letras reflexivas em portuguès e com violão a legião urbana, que acontece sempre. Além disso, os Gentileza tem uma ironia que é tipicamente curitibana, e que os cariocas barbudos não tem. e que pode ser encontrada também em outros grandes artistas da cidade, como os BAAF-Maxixe Machine, ou Carlos Careqa, ou mesmo no trabalho do Leminski. Um que de não se levar a sério se levando, mas sempre com uma capacidade de autocrítica que poucos tem.
enfim foi uma noite bem legal. mas confesso que apesar de ter me divertido bastante e ter valido a pena, cada vez me sinto mais anti-social, com menos saco pra certas coisas que implica "sair à noite". tipo ficar meia hora em uma fila do bar pra conseguir uma bebida, etc. nunca fui lá muito de boêmia. mesmo quando mais jovem e ainda solteiro já era do tipo que preferia reunir os amigos em casa do que frequentar bar. e com a idade, o casamento, etc, fiquei ainda mais caseiro e com menos vontade de "frequentar". e essa história de lei antifumo só piorou mais as coisas.
mas tem hora que vc tem que se obrigar a sair porque senão começa a ficar neurótico depressivo. e no final das contas depois que vc tá lá e encontra os amigos acaba valendo a pena. principalmente quando ainda tem a chance de ver um show tão bacada de uma banda na ponta dos cascos como os Gentileza.
e que venha o frio! ahaha
1/28/2010
1/22/2010
Dramaturgo renasce depois do pesadelo
Estadão de hoje

Quase totalmente refeito, Bortolotto diz que levará a vida agora com 'serenidade'
Jotabê Medeiros
No dia 5 de dezembro, após a sessão noturna de sua peça Brutal, do Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt (corredor cênico que se tornou uma espécie de Off-Off-Broadway nacional), o dramaturgo e ator Mário Bortolotto, de 47 anos, confraternizava com colegas de palco quando se viu envolvido em kafkiana situação. Dois bandidos armados invadiram o teatro, cujas portas estavam semifechadas, e começaram a barbarizar.
Atores foram agredidos e Bortolotto (vencedor dos prêmios Shell, APCA e Mambembe), após levar uma coronhada na cabeça, partiu para cima do agressor. Levou quatro tiros, um deles no coração, e foi levado para a Santa Casa em estado grave. Praticamente desenganado, recuperou-se surpreendentemente, assombrando até seus médicos.
Anteontem, ao receber a reportagem do Estado, parecia plenamente recuperado. Já sai à rua sem problemas, recebe encomendas no elevador. E já marcou até data para voltar aos palcos: 18 de março, no Festival de Teatro de Curitiba, com o texto inédito Música para Ninar Dinossauros.
E os tiros, onde pegaram?
Cara, eu sou o menos indicado para falar dos tiros. Não sei direito. Sei que um pegou no coração. Foi o que mais deu problema, foram nove horas de cirurgia. Era para morrer, né? Os médicos mesmo falam que foi milagre eu ter sobrevivido, porque ninguém chega ao hospital vivo com um tiro no coração, morre no caminho. Em segundo lugar, ninguém sobrevive à operação. Eu consegui chegar ao hospital e sobreviver à operação. Os médicos não botam fé, dizem: "Bicho, é muito milagre."
É verdade que você ficou com duas balas no corpo?
Tem uma aqui, perto da coluna. Se pega, eu tava aleijado. E tem uma outra aqui atrás... sei lá. No raio X tem, tá ali, não sei onde é direito. Sei que tem duas balas-souvenir aí dentro.
E qual eles tiraram?
A que foi no coração.
No seu blog, muita gente pergunta o que você viu enquanto estava em coma, se viu Deus ou se viu o Diabo...
Rarararará! Cara, eu vi o Pereio (Paulo Cesar Pereio, ator).
É sério?
Sério. Eu lembro que não tive sonhos. O que tive foi... Sabe aquela brincadeira que a gente fazia quando era criança, de jogar um palito de fósforo no café e aí formava imagens? Lembra disso? A coisa do palito de fósforo no café era a coisa de formar imagens mesmo, a avó da gente sabia fazer isso. E aí tinha isso, cara: do nada começavam a se formar imagens. Eu via tudo como se fosse uma tela preta e ia se formando uma imagem de fumaça. E eu lembro nitidamente do Pereio, que depois se transformava em Stalin. Eu achava muito engraçado: o que tem a ver o Stalin comigo? O Pereio tudo bem, é meu amigo.
Ademais, você nunca teve pendores para a política...
Pois é, bicho! Apareceu o Stalin, e depois o Príncipe Valente. Sabe umas coisas assim? Meio estranho, umas referências estranhas. Eu me lembro disso dos dois dias em coma. E demorava muito para formar a imagem, era uma coisa que ia muito devagarzinho. E quando aparecia o Pereio era sempre do mesmo jeito, cabeça meio abaixada. Sempre assim.
E a sensação dos tiros? O que você sentiu?
Cara, eu me lembro do impacto. Não chegou a me jogar, porque eu segurei a onda e ainda fui para cima do cara. Levei três tiros, e um de raspão, quando o cara foi dar o tiro de misericórdia, que pegou de raspão, no pescoço. Isso me contaram, que o cara foi embora e voltou. E errou. Eu lembro do primeiro impacto, parece que você está levando um murro muito bem dado no peito. Aí eu caí. Eu estava muito bêbado, muito bêbado.
Foi tudo muito rápido, não?
Muito. A polícia veio me pedir para identificar o cara. Mas eu não lembro, como é que vou identificar? Eu achava que o cara que atirou em mim estava com camiseta branca. Aí eu fui ver na imagem da câmera interna da TV e ele estava com uma jaqueta verde. Como é que vou identificar o cara? Que espécie de testemunha confiável eu sou? Aí ficam falando que eu tô com medo de represália. Medo? Eu não tenho medo de p... nenhuma! Não tenho medo de ir para cima de um cara armado, vou ter medo de represália? Se eu soubesse quem foi o cara que atirou em mim, fazia questão de falar. E não acho que isso seja delação. Delator, o cacete! O cara atirou em mim, pô! Eu não tô me metendo na vida dos outros. Delator é para quem é de gangue, eu não sou de gangue de bandido.
Parece que é mais um estigma se formando. Assim como se diz que em peça do Zé Celso vai ter um ator querendo te beijar, dizem agora que em torno do Mário Bortolotto tá cheio de bandido...
Aliás, eu escrevo muito pouco sobre isso. Se pegar, 10% do meu trabalho é sobre marginalidade. E ficam insistindo nisso. Eu acho uma pena....
Essa nova peça sua que vai estrear em Curitiba no dia 18 de março....
Música para Ninar Dinossauros. É uma peça sobre velhos amigos, eu, o Picanha (o ator Paulo de Tharso) e o (Lourenço) Mutarelli. Não lembro se foi o Mutarelli, quando a gente estava em um bar, que sugeriu uma peça sobre nós três. Aí eu disse: vamos fazer, então. Não terminei o texto ainda, mas eu avisei o festival, eles sabem disso. Vamos começar a ensaiar depois do carnaval. Não somos só nós três em cena, tem um monte de gente na peça. São três caras que só transam com putas. É uma história da nossa geração, uma geração que foi pega no contrapé. Nós nascemos nos anos 1960, não fomos os caras que vivemos as revoluções, as mudanças. A gente nasceu ali sem saber o que estava acontecendo. E, nos anos 1970, enquanto tava todo mundo na luta armada, etc., a gente estava colecionando figurinha do Geisel. Cantando Incríveis, Eu te Amo Meu Brasil, colecionando figurinhas Brasil Pátria Amada. A gente começou a tomar pé da situação nos anos 80, quando já estava acabando. Aí ficou aquela sensação: para que a gente serve? Então a peça é sobre essa dificuldade. Mostra os três jovens, 20 anos antes, e eles também só transavam com putas. Ou seja: eles não mudaram nada.
Quando você chegou com seu teatro à Praça Roosevelt?
Foi quando os Sátiros abriram ali. A gente começou a frequentar o bar do lado, o La Barca. Onde hoje é o Sátiros 2 era o Teatro X. A gente só ficava bebendo ali e começamos a apresentar algumas peças nos Sátiros, como um grupo convidado.
Nunca teve uma ajuda do poder público ali, teve?
Que eu saiba, não. Só tinha os Sátiros. E era muito barra-pesada aquilo.
E hoje não é barra-pesada?
Hoje não é, cara. Aconteceu o seguinte: enquanto os bares e os teatros estão abertos é muito tranquilo. O problema é quando eles fecham as portas. É aí que os noias (viciados em crack) descem. O que aconteceu no dia é que tem essa p... da Lei do Silêncio. Se os Parlapatões baixam as portas, vira uma arapuca, uma armadilha para quem está lá dentro. A gente baixou as portas, o ladrão entrou e baixou de novo. Quem está lá fora não sabe o que está acontecendo lá dentro. Quem está lá dentro vira refém. E é por causa da Lei do Silêncio, porque senão as portas estariam abertas até as 6 horas da manhã. Entendeu? E aí nenhum ladrão vai entrar lá com a porta toda aberta. A praça fica segura. Agora, começa a baixar porta à 1 hora da manhã, vira um lugar ermo, fica perigoso. Não fosse a Lei do Silêncio não tinha acontecido.
Você nunca foi assaltado na Roosevelt?
Eu ando até de madrugada ali, nunca fui assediado, nunca fui assaltado. Só lembro de flashes do que aconteceu. Fiquei muito puto.
Tem uma história de que você partiu primeiro para cima dos bandidos.
Tinham me dado uma coronhada, tinham batido na Guta, na Manu. Entraram lá a fim de barbarizar. "Vamos pegar esses babacas aqui." Subestimaram a gente. Pensaram: aqui vai ser fácil, um bando de atores de teatro, uma rapaziada indefesa. Se tivesse mais uns três amigos malucos meus lá, eles tinham se ferrado. Porque quase eu arranco a arma desse fdp, mesmo sozinho. Se a gente pegasse, a gente quebrava de pau esses caras. Eles levaram sorte, porque fui só eu e o Carcarah para cima deles. Tinha mandado eles para o hospital, igual me mandaram.
Tem essa coisa clichê dos sujeitos que passam por uma coisa extrema como essa e mudam radicalmente. Você não mudou nada.
Eu não mudo. Não sou borboleta. O que acho que muda em mim agora, se é que isso é mudança, é que, se eu vou ficar mais um tempo por aqui, vou fazer umas coisas que gosto de fazer. Não vou ter mais ansiedade, vou fazer com calma, olhar as coisas com serenidade. Não vou mais ter pressa de agarrar o mundo, porque já era para eu ter ido. Tudo que eu fizer agora é faixa-bônus. Tenho duas peças para fazer e mais um filme.
Qual é o filme?
Chama Nove Crônicas para Um Coração aos Berros, um filme do Gustavo Galvão, é o primeiro longa dele. É um filme simples de fazer, vou fazer como ator, são apenas duas diárias. E eu faço de muletas, ou seja, já estou caracterizado.
Houve um momento em que você teve um ponto de contato com o teatrão, quando o Raul Cortez comprou sua peça e montou no Teatro Faap. Você cedeu os direitos porque precisava da grana?
Eu sempre gostei do Raul Cortez. E quanto ao dinheiro... Não foi por estar precisando. Vou falar sério para você: de 2000 para cá eu nunca mais precisei de grana. Até 2000 eu passava fome, não tinha dinheiro para comer. Comia cachorro-quente ali, era meu almoço. Eu sempre ganhei pouco, mas vivo com pouco também. Depois que ganhei o prêmio Shell, o APCA, fiz a mostra no Centro Cultural São Paulo, a partir dali sempre pintou um trabalhinho para mim, eu consegui me manter. Comprei essa quitinete com os direitos que vendi para o Raul Cortez e os diretos de Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet. Não gostei da montagem do Raul porque ele ficou com um pé num barco e com um pé no outro. Vem um cara que é fã dele e não gosta, vem um cara que é fã meu e não gosta. Era tudo muito bonitinho, superprodução. Tinha de fazer num teatro mais modesto, com recursos mínimos, com um diretor que obrigasse a uma interpretação visceral.
O que é uma interpretação visceral, em sua opinião?
Quando falo visceral, falo de interpretar com verdade. Eu não preciso muito disso porque já sei o que tô fazendo. Eu escrevi, eu conheço esse universo. Faço com verdade, neguinho acredita no que estou fazendo. E os atores que eu chamo é porque sei que podem trabalhar na mesma sintonia. Não é assim essa coisa de preparação de atores, de arrancar pedaço do corpo, de sair gritando, rolando no chão. Isso para mim é palhaçada, é histeria, não é ser visceral. Ser visceral é ser verdadeiro, para mim. É ir até o fundo do poço. E quando eu vou ao fundo do poço, eu não vou me cansar muito, porque eu já conheço o fundo do poço.

Quase totalmente refeito, Bortolotto diz que levará a vida agora com 'serenidade'
Jotabê Medeiros
No dia 5 de dezembro, após a sessão noturna de sua peça Brutal, do Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt (corredor cênico que se tornou uma espécie de Off-Off-Broadway nacional), o dramaturgo e ator Mário Bortolotto, de 47 anos, confraternizava com colegas de palco quando se viu envolvido em kafkiana situação. Dois bandidos armados invadiram o teatro, cujas portas estavam semifechadas, e começaram a barbarizar.
Atores foram agredidos e Bortolotto (vencedor dos prêmios Shell, APCA e Mambembe), após levar uma coronhada na cabeça, partiu para cima do agressor. Levou quatro tiros, um deles no coração, e foi levado para a Santa Casa em estado grave. Praticamente desenganado, recuperou-se surpreendentemente, assombrando até seus médicos.
Anteontem, ao receber a reportagem do Estado, parecia plenamente recuperado. Já sai à rua sem problemas, recebe encomendas no elevador. E já marcou até data para voltar aos palcos: 18 de março, no Festival de Teatro de Curitiba, com o texto inédito Música para Ninar Dinossauros.
E os tiros, onde pegaram?
Cara, eu sou o menos indicado para falar dos tiros. Não sei direito. Sei que um pegou no coração. Foi o que mais deu problema, foram nove horas de cirurgia. Era para morrer, né? Os médicos mesmo falam que foi milagre eu ter sobrevivido, porque ninguém chega ao hospital vivo com um tiro no coração, morre no caminho. Em segundo lugar, ninguém sobrevive à operação. Eu consegui chegar ao hospital e sobreviver à operação. Os médicos não botam fé, dizem: "Bicho, é muito milagre."
É verdade que você ficou com duas balas no corpo?
Tem uma aqui, perto da coluna. Se pega, eu tava aleijado. E tem uma outra aqui atrás... sei lá. No raio X tem, tá ali, não sei onde é direito. Sei que tem duas balas-souvenir aí dentro.
E qual eles tiraram?
A que foi no coração.
No seu blog, muita gente pergunta o que você viu enquanto estava em coma, se viu Deus ou se viu o Diabo...
Rarararará! Cara, eu vi o Pereio (Paulo Cesar Pereio, ator).
É sério?
Sério. Eu lembro que não tive sonhos. O que tive foi... Sabe aquela brincadeira que a gente fazia quando era criança, de jogar um palito de fósforo no café e aí formava imagens? Lembra disso? A coisa do palito de fósforo no café era a coisa de formar imagens mesmo, a avó da gente sabia fazer isso. E aí tinha isso, cara: do nada começavam a se formar imagens. Eu via tudo como se fosse uma tela preta e ia se formando uma imagem de fumaça. E eu lembro nitidamente do Pereio, que depois se transformava em Stalin. Eu achava muito engraçado: o que tem a ver o Stalin comigo? O Pereio tudo bem, é meu amigo.
Ademais, você nunca teve pendores para a política...
Pois é, bicho! Apareceu o Stalin, e depois o Príncipe Valente. Sabe umas coisas assim? Meio estranho, umas referências estranhas. Eu me lembro disso dos dois dias em coma. E demorava muito para formar a imagem, era uma coisa que ia muito devagarzinho. E quando aparecia o Pereio era sempre do mesmo jeito, cabeça meio abaixada. Sempre assim.
E a sensação dos tiros? O que você sentiu?
Cara, eu me lembro do impacto. Não chegou a me jogar, porque eu segurei a onda e ainda fui para cima do cara. Levei três tiros, e um de raspão, quando o cara foi dar o tiro de misericórdia, que pegou de raspão, no pescoço. Isso me contaram, que o cara foi embora e voltou. E errou. Eu lembro do primeiro impacto, parece que você está levando um murro muito bem dado no peito. Aí eu caí. Eu estava muito bêbado, muito bêbado.
Foi tudo muito rápido, não?
Muito. A polícia veio me pedir para identificar o cara. Mas eu não lembro, como é que vou identificar? Eu achava que o cara que atirou em mim estava com camiseta branca. Aí eu fui ver na imagem da câmera interna da TV e ele estava com uma jaqueta verde. Como é que vou identificar o cara? Que espécie de testemunha confiável eu sou? Aí ficam falando que eu tô com medo de represália. Medo? Eu não tenho medo de p... nenhuma! Não tenho medo de ir para cima de um cara armado, vou ter medo de represália? Se eu soubesse quem foi o cara que atirou em mim, fazia questão de falar. E não acho que isso seja delação. Delator, o cacete! O cara atirou em mim, pô! Eu não tô me metendo na vida dos outros. Delator é para quem é de gangue, eu não sou de gangue de bandido.
Parece que é mais um estigma se formando. Assim como se diz que em peça do Zé Celso vai ter um ator querendo te beijar, dizem agora que em torno do Mário Bortolotto tá cheio de bandido...
Aliás, eu escrevo muito pouco sobre isso. Se pegar, 10% do meu trabalho é sobre marginalidade. E ficam insistindo nisso. Eu acho uma pena....
Essa nova peça sua que vai estrear em Curitiba no dia 18 de março....
Música para Ninar Dinossauros. É uma peça sobre velhos amigos, eu, o Picanha (o ator Paulo de Tharso) e o (Lourenço) Mutarelli. Não lembro se foi o Mutarelli, quando a gente estava em um bar, que sugeriu uma peça sobre nós três. Aí eu disse: vamos fazer, então. Não terminei o texto ainda, mas eu avisei o festival, eles sabem disso. Vamos começar a ensaiar depois do carnaval. Não somos só nós três em cena, tem um monte de gente na peça. São três caras que só transam com putas. É uma história da nossa geração, uma geração que foi pega no contrapé. Nós nascemos nos anos 1960, não fomos os caras que vivemos as revoluções, as mudanças. A gente nasceu ali sem saber o que estava acontecendo. E, nos anos 1970, enquanto tava todo mundo na luta armada, etc., a gente estava colecionando figurinha do Geisel. Cantando Incríveis, Eu te Amo Meu Brasil, colecionando figurinhas Brasil Pátria Amada. A gente começou a tomar pé da situação nos anos 80, quando já estava acabando. Aí ficou aquela sensação: para que a gente serve? Então a peça é sobre essa dificuldade. Mostra os três jovens, 20 anos antes, e eles também só transavam com putas. Ou seja: eles não mudaram nada.
Quando você chegou com seu teatro à Praça Roosevelt?
Foi quando os Sátiros abriram ali. A gente começou a frequentar o bar do lado, o La Barca. Onde hoje é o Sátiros 2 era o Teatro X. A gente só ficava bebendo ali e começamos a apresentar algumas peças nos Sátiros, como um grupo convidado.
Nunca teve uma ajuda do poder público ali, teve?
Que eu saiba, não. Só tinha os Sátiros. E era muito barra-pesada aquilo.
E hoje não é barra-pesada?
Hoje não é, cara. Aconteceu o seguinte: enquanto os bares e os teatros estão abertos é muito tranquilo. O problema é quando eles fecham as portas. É aí que os noias (viciados em crack) descem. O que aconteceu no dia é que tem essa p... da Lei do Silêncio. Se os Parlapatões baixam as portas, vira uma arapuca, uma armadilha para quem está lá dentro. A gente baixou as portas, o ladrão entrou e baixou de novo. Quem está lá fora não sabe o que está acontecendo lá dentro. Quem está lá dentro vira refém. E é por causa da Lei do Silêncio, porque senão as portas estariam abertas até as 6 horas da manhã. Entendeu? E aí nenhum ladrão vai entrar lá com a porta toda aberta. A praça fica segura. Agora, começa a baixar porta à 1 hora da manhã, vira um lugar ermo, fica perigoso. Não fosse a Lei do Silêncio não tinha acontecido.
Você nunca foi assaltado na Roosevelt?
Eu ando até de madrugada ali, nunca fui assediado, nunca fui assaltado. Só lembro de flashes do que aconteceu. Fiquei muito puto.
Tem uma história de que você partiu primeiro para cima dos bandidos.
Tinham me dado uma coronhada, tinham batido na Guta, na Manu. Entraram lá a fim de barbarizar. "Vamos pegar esses babacas aqui." Subestimaram a gente. Pensaram: aqui vai ser fácil, um bando de atores de teatro, uma rapaziada indefesa. Se tivesse mais uns três amigos malucos meus lá, eles tinham se ferrado. Porque quase eu arranco a arma desse fdp, mesmo sozinho. Se a gente pegasse, a gente quebrava de pau esses caras. Eles levaram sorte, porque fui só eu e o Carcarah para cima deles. Tinha mandado eles para o hospital, igual me mandaram.
Tem essa coisa clichê dos sujeitos que passam por uma coisa extrema como essa e mudam radicalmente. Você não mudou nada.
Eu não mudo. Não sou borboleta. O que acho que muda em mim agora, se é que isso é mudança, é que, se eu vou ficar mais um tempo por aqui, vou fazer umas coisas que gosto de fazer. Não vou ter mais ansiedade, vou fazer com calma, olhar as coisas com serenidade. Não vou mais ter pressa de agarrar o mundo, porque já era para eu ter ido. Tudo que eu fizer agora é faixa-bônus. Tenho duas peças para fazer e mais um filme.
Qual é o filme?
Chama Nove Crônicas para Um Coração aos Berros, um filme do Gustavo Galvão, é o primeiro longa dele. É um filme simples de fazer, vou fazer como ator, são apenas duas diárias. E eu faço de muletas, ou seja, já estou caracterizado.
Houve um momento em que você teve um ponto de contato com o teatrão, quando o Raul Cortez comprou sua peça e montou no Teatro Faap. Você cedeu os direitos porque precisava da grana?
Eu sempre gostei do Raul Cortez. E quanto ao dinheiro... Não foi por estar precisando. Vou falar sério para você: de 2000 para cá eu nunca mais precisei de grana. Até 2000 eu passava fome, não tinha dinheiro para comer. Comia cachorro-quente ali, era meu almoço. Eu sempre ganhei pouco, mas vivo com pouco também. Depois que ganhei o prêmio Shell, o APCA, fiz a mostra no Centro Cultural São Paulo, a partir dali sempre pintou um trabalhinho para mim, eu consegui me manter. Comprei essa quitinete com os direitos que vendi para o Raul Cortez e os diretos de Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet. Não gostei da montagem do Raul porque ele ficou com um pé num barco e com um pé no outro. Vem um cara que é fã dele e não gosta, vem um cara que é fã meu e não gosta. Era tudo muito bonitinho, superprodução. Tinha de fazer num teatro mais modesto, com recursos mínimos, com um diretor que obrigasse a uma interpretação visceral.
O que é uma interpretação visceral, em sua opinião?
Quando falo visceral, falo de interpretar com verdade. Eu não preciso muito disso porque já sei o que tô fazendo. Eu escrevi, eu conheço esse universo. Faço com verdade, neguinho acredita no que estou fazendo. E os atores que eu chamo é porque sei que podem trabalhar na mesma sintonia. Não é assim essa coisa de preparação de atores, de arrancar pedaço do corpo, de sair gritando, rolando no chão. Isso para mim é palhaçada, é histeria, não é ser visceral. Ser visceral é ser verdadeiro, para mim. É ir até o fundo do poço. E quando eu vou ao fundo do poço, eu não vou me cansar muito, porque eu já conheço o fundo do poço.
1/15/2010
tem um silêncio novo em casa

a casa ficou tão silenciosa de repente, tá faltando algo no chão. aquele clec clec compassado atrás de mim, nem a correria do corredor de fora, acordando a gente de manhã. olho pro lado e so tem essa grande falta. o lugar vazio ao lado. insuportável. você já sentiu o coração pesado assim? a garganta doendo. pra todo lado que olho... a falta que você faz. mas, agora, sinto o coração até mais leve, só não queria que tivesse sido daquele jeito, com a lembrança do dogui saindo de casa, virando a cabeça, a minha procura, indo naquele carro sem que eu pudesse ir junto. nesses últimos dias, meu melhor amigo definhou, não havia mais como negar que sofria e a gente jamais prolongaria isso. uma porcaria de um bicho peçonhento aproveitou a fragilidade do nosso "vovo" dogui e acelerou o processo que já sabíamos batia na porta. ontem, pulei da cama logo cedo e lá estava ele, sem se levantar, triste, acabrunhado, não vinha mais atrás de mim, não aceitava mais o remédio ( ele que sempre foi tão compreensivo com o que sabia que iria aliviar o incômodol), não comia nada. nem queria vir pra sala com a gente. insuportável ver meu amigo assim.
de ontem pra hoje foram horas horríveis porque eu ficava pensando que ele tava lá na clinica, onde o tratam como príncipe, mas sem a gente por perto. sozinho. encaramos a decisão e fomos lá hoje, eu e ivan. ele tava lá abatido,mas olhando pra gente, procurando a gente. nem foi preciso medicamento, seu coração tava tão fraco que um anestésico o fez dormir, ali do meu lado. lindo.
me sinto mais leve agora, apesar dessa tristeza que volta toda vez que eu olho pro lado e vejo que ele não tá ali. que não vai mais estar ao lado do portão me esperando chegar, nem vai ficar bem no meio da cozinha, enquanto tento nos alimentar. achei várias fotos dele lá naquele jardim da casa do campina, bonitão, no seu auge, correndo, jogando bola, se exibindo, o safado. impossível não passar um filme na minha cabeça desde aquele dia que ele chegou no bagageiro do carro do Junior, da Patrulha, vindo da casa que ele dividia com a Relespublica. Um garotão pastor alemão; lembro da tristeza dele quanto perdemos a tatu; de como sempre recebeu bem os novos moradores, desde a baby, passando pelos filhotes da manu, até chegar à molly, que dormia entre as patas dele.
Como diz a mariele, que o viu logo depois da gente, ele é um cara de mais caráter do que muitos que a gente encontra por aí.
Enfim... meu grande amigo, companheiro de tantas horas, partiu e neste final de semana não acho que vou conseguir ir para nosso belo quintal. (Adri)
1/12/2010
atualizando...

Mais uma pra começar o ano com boas notícias. O blog Move That Jukebox! compilou uma mix tape com o que considera as melhores músicas de 2009, com dez faixas internacionais e dez nacionais. Entre as nacionais, o primeiro single do Hotel Avenida - Eu não sou um bom lugar. Confira e baixe.
Em tempo: o Carlos Eduardo Lima, do RJ, publicou no final do ano uma lista de melhores em seu Blog do CEL. E inclui o EP Hotel Avenida entre os dez melhores lançamentos nacionais de 2009. E o Hotel Avenida entre as "revelações" do ano.
PS: O Gian me alertou agora há pouco. A pedido do blog Goiânia Rock News, o jornalista e editor do site Senhor F, Fernando Rosa, destacou discos e músicas que mais gostou de 2009. Rosa listou no topo de sua lista de músicas do ano o single "Eu não sou um bom lugar", da Hotel Avenida.
1/06/2010
A minha conquista do ano!
Tem gente que não gosta de gato. Ouço tanto isso, junto com aqueles clichês de que são bichos traiçoeiros, que não são leais e são egoístas. Definitivamente, de nada entendem de gatos e posso afirmar com uma certeza rara nesses dias que alguns dos mais lindos momentos de minha vida foram com esses felinos. São quatro as gatas que moram com a gente, mas foram vários os que conviveram por perto, desde que a primeira delas, minha pequenina Manuela, chegou lá na casa das jabuticabeiras, depois de eu a ter notado na casa dos meus pais, mirradinha, a mais pequenininha e arisca, esconda num canto. Me apaixonei na hora. Já não lembro bem como foram os primeiros dias com ela. Em geral, estes são dias tensos, dias de conquistas, porque é preciso ganhar a confiança deles - e nisso eu digo, os gatos são mais difíceis mesmo que os cachorros (igualmente meus preciosos amigos). Mas, o que eles nos dão depois, a entrega deles pra gente, o companheirismo (sim, eles são muito companheiros, sabem quando to triste e é quando ficam mais por perto, me olhando e falando coisas com esses seus olhinhos bordados. Nunca vou esquecer o dia que a Manu teve filhote – ela ficou tão redonda! E quando eles nasceram, fui a primeira a poder chegar perto dos sete gatinhos. E lembro do jeito dela quando eu ou Ivan mostrava os bebês para alguém: alerta. Ela ficava olhando eu pegar aquelas coisinhas (e uma delas era a minha adorada Tigra Maria, até hoje com a gente, minha doce rabugentinha) que cabiam na palma da minha mão e podia ser esmagados por uma pessoa má. Pra mim, essa lembrança continua sendo uma das maiores provas de confiança que já tive. E se repetiu com outras gatas. por exemplo, a que chamava selvagem, que nem ao meu chamado atendia e vivia fora de casa, foi ter filhote. Onde se deram os primeiros sinais? No nosso quarto. Nem eu acreditei, quando a vi lá, mas me rendi outra vez ao que entendi como mais uma prova de amor e confiança.
Esse ano duas novas gatinhas vieram morar com a gente: a carinhosa Moli que por sua tristeza diante da não acolhida das mais velhas, nos fez trazer a Chanel Frajuta, a mais arisca de todas as gatas que a gente teve.
Nos deu um olé, e cheguei mesmo a pensar que ela não vingaria com a gente, porque não tinha jeito de ganhar a confiança: eu dizia, em certo tempo, que eu era a monstra preferida dela, porque apesar de ela já saber que eu daria comida e tal, não deixava nem a mim nem o Ivan chegar perto. Nas primeiras horas na casa do abranches, ela entrou nas engrenagens de uma geladeira velha de tal jeito, que tivemos que chamar a assistência pra tirar o motor da geladeira e soltar a gatinha, porque a gente não conseguiu liberta-la. E mesmo assim, ela continuou arisca, não queria nossa aproximação.
Ela só foi ceder depois de passar um dia na clínica veterinária para uma cirurgia. Aí, se convenceu que nós somos seus amigos pra sempre. Foi incrível, voltou outra gatinha (embora ainda tivesse seus surtos de medo). Ficou minha amiga e agora é a própria “nermal” (sabe o gato fofinho, dengoso, metido e fru fru que o Garfield odeia?, pois é). Não preciso mais chamá-la, ela ta sempre por perto; voltou tagarela, e não pode ver eu ou Ivan chegando que já se enrosca nas nossas pernas, deita e rola no chão, insaciável em sua vontade de ganhar carinho na barriga. Ela só tem um defeito, essa coisinha: não gosta que eu a pegue no colo, vejam só, uma das regras básicas de ser um gato da Adri. Ok, nenhum gato gosta disso, mas é um acordo que as outras já aprenderam: pra morar comigo elas tem que tolerar um ou outro agarrão, quando baixa a Felícia. E olha, que há uns 20 anos, eu compartilhava alguns daqueles clichês que falei no começo. Até que uma gatinha foi a minha companhia em um reveilon solitário lá nos anos 90... (adri)
Vazio

Sim, eu sei
não era o que planejava
só termina quando tudo acaba em nada
e o vazio
preenche os rios
e os meus dias até o fim
até o final
até um sinal
que a gente sempre deixa escapar
se no fim
alguma coisa deu errado
mil fantasmas escaparam do passado
mas acabou
não posso mais
nem quero mais viver assim
sangrando aos poucos
matando as horas
só pra esquecer que eu sou assim
tão fraco
tão fraco...
1/04/2010
Tindersticks - Falling Down a Mountain

Tindersticks - Falling Down a Mountain
Excelente notícia pra começar 2010. ELES estão de volta com disco novo e com direito a video de apresentação no site oficial. Certas coisas não mudam nunca, ainda bem!
12/31/2009
thats all folks
e pra terminar o ano bem, um momento que define 2009 pra gente. vídeos gravados pelo nosso grande brother e parceiro Luigi Castel, na passagem de som do Rock de Inverno 7. estrelando, Liquespace, Beto Só e 3 Hombres.
Saúde, alegria e felicidade pra todos nós em 2010 e no que mais vier.
Saúde, alegria e felicidade pra todos nós em 2010 e no que mais vier.
12/29/2009
A incultura de todo dia
TEIXEIRA COELHO
FOLHA DE SP (para assinantes)
A cultura cristalizada, objetivada (museu, cinema, folclore) recebe atenção no Brasil. Não muita: alguma. É antes objeto de discussão que de apoio real. Mas recebe.
A microcultura, porém, que forma as relações humanas, a cultura interiorizada, modo de pensar e viver, continua à margem. Rala, esburacada, em frangalhos. A cultura formal e a cultura cotidiana seguem rotas paralelas que deveriam ser pelo menos convergentes.
Sinal claro é o Índice de Desenvolvimento Humano do país: 75º entre 182. Atrás de Sérvia, Rússia, Romênia, México, Uruguai, Argentina, Chile, Barbados, Hong Kong, Singapura, Bahamas, Costa Rica, Líbia... Índices falham. Mas algo mostram.
Integram esse índice a alfabetização e a escolaridade: quantos sabem ler e escrever, quanto tempo passam na escola. Quando se examina o conteúdo de uma e outra, a situação aqui assusta ainda mais.
Nos últimos dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os estudantes brasileiros estão na 53ª posição em matemática, entre 57 países; e na 48ª, entre 56, em compreensão de texto.
Um abismo existe entre a cultura objetivada e a cultura vivida. O resultado é o autoritarismo em todas as suas formas (incluindo a corrupção) de humilhação e abuso cotidianos -do ônibus que não para junto ao meio-fio para recolher passageiros ao lixo espalhado nas ruas e às pessoas que, no metrô, querem entrar nos vagões antes que os outros desembarquem, como se os outros não existissem. A incultura faz isso: torna os outros invisíveis. Irrelevantes.
A violência crua é o modo duro da incultura. Com a ausência do Estado em uma de suas funções indelegáveis, as pessoas, desesperadas, querem proteger-se como possível. Terceirizar parece a saída. Ninguém quer saber se os contratados são capacitados. Passa-se a responsabilidade adiante e pronto. Tudo é questão de aparência. E a aparência, aqui, é violência. O Estado passa sua responsabilidade aos que já pagaram por ela e esses a repassam a terceiros, pagando de novo, sem ocupar-se do "produto". Se algo acontecer, a culpa é do terceiro. Não é. Mas todos pretendem que sim. Resultado, "o segurança" é, ele mesmo, não raro, fator de insegurança e da violência que deveria evitar.
É evidente que falo do assassinato de um jovem pelo "segurança" de uma padaria num bairro de classe média alta, ao lado de um ótimo hospital ao qual esse jovem não pôde chegar com vida. Tragicamente emblemático.
Enquanto isso, um economista diz que o Brasil logo será a quinta economia do mundo e que então terá sua autoestima.
Não terá. Sem a cultura como lastro e tecido, o país não se moverá um centímetro do horror que tentamos não ver.
Cruzar a ponte entre a cultura formal e a cultura interiorizada, que juntas sugerem, senão o amor, pelo menos o respeito pelo outro, não é o maior desafio: é o único desafio. A educação foi vista como panaceia universal. Não é. Educação sem cultura, como aqui, nada é.
Cultura tampouco é panaceia. É apenas, e não é pouco, a alavanca restante. Este texto é uma homenagem, ínfima, aos que em 2009 caíram sob o peso da incultura brasileira.
FOLHA DE SP (para assinantes)
A cultura cristalizada, objetivada (museu, cinema, folclore) recebe atenção no Brasil. Não muita: alguma. É antes objeto de discussão que de apoio real. Mas recebe.
A microcultura, porém, que forma as relações humanas, a cultura interiorizada, modo de pensar e viver, continua à margem. Rala, esburacada, em frangalhos. A cultura formal e a cultura cotidiana seguem rotas paralelas que deveriam ser pelo menos convergentes.
Sinal claro é o Índice de Desenvolvimento Humano do país: 75º entre 182. Atrás de Sérvia, Rússia, Romênia, México, Uruguai, Argentina, Chile, Barbados, Hong Kong, Singapura, Bahamas, Costa Rica, Líbia... Índices falham. Mas algo mostram.
Integram esse índice a alfabetização e a escolaridade: quantos sabem ler e escrever, quanto tempo passam na escola. Quando se examina o conteúdo de uma e outra, a situação aqui assusta ainda mais.
Nos últimos dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os estudantes brasileiros estão na 53ª posição em matemática, entre 57 países; e na 48ª, entre 56, em compreensão de texto.
Um abismo existe entre a cultura objetivada e a cultura vivida. O resultado é o autoritarismo em todas as suas formas (incluindo a corrupção) de humilhação e abuso cotidianos -do ônibus que não para junto ao meio-fio para recolher passageiros ao lixo espalhado nas ruas e às pessoas que, no metrô, querem entrar nos vagões antes que os outros desembarquem, como se os outros não existissem. A incultura faz isso: torna os outros invisíveis. Irrelevantes.
A violência crua é o modo duro da incultura. Com a ausência do Estado em uma de suas funções indelegáveis, as pessoas, desesperadas, querem proteger-se como possível. Terceirizar parece a saída. Ninguém quer saber se os contratados são capacitados. Passa-se a responsabilidade adiante e pronto. Tudo é questão de aparência. E a aparência, aqui, é violência. O Estado passa sua responsabilidade aos que já pagaram por ela e esses a repassam a terceiros, pagando de novo, sem ocupar-se do "produto". Se algo acontecer, a culpa é do terceiro. Não é. Mas todos pretendem que sim. Resultado, "o segurança" é, ele mesmo, não raro, fator de insegurança e da violência que deveria evitar.
É evidente que falo do assassinato de um jovem pelo "segurança" de uma padaria num bairro de classe média alta, ao lado de um ótimo hospital ao qual esse jovem não pôde chegar com vida. Tragicamente emblemático.
Enquanto isso, um economista diz que o Brasil logo será a quinta economia do mundo e que então terá sua autoestima.
Não terá. Sem a cultura como lastro e tecido, o país não se moverá um centímetro do horror que tentamos não ver.
Cruzar a ponte entre a cultura formal e a cultura interiorizada, que juntas sugerem, senão o amor, pelo menos o respeito pelo outro, não é o maior desafio: é o único desafio. A educação foi vista como panaceia universal. Não é. Educação sem cultura, como aqui, nada é.
Cultura tampouco é panaceia. É apenas, e não é pouco, a alavanca restante. Este texto é uma homenagem, ínfima, aos que em 2009 caíram sob o peso da incultura brasileira.
12/28/2009
Bortolotto recebe alta
da Folha Online
O dramaturgo Mario Bortolotto, atingido por tiros em uma tentativa de assalto na madrugada do último dia 5, recebeu alta hospitalar na manhã desta segunda-feira, informou o boletim divulgado pela assessoria de imprensa da Santa Casa.
mais aqui
O dramaturgo Mario Bortolotto, atingido por tiros em uma tentativa de assalto na madrugada do último dia 5, recebeu alta hospitalar na manhã desta segunda-feira, informou o boletim divulgado pela assessoria de imprensa da Santa Casa.
mais aqui
12/23/2009
The Flaming Lips Doing The Dark Side of The Moon [2009]

É isso mesmo. Em seu novo disco, o Flaming Lips coveriza na íntegra o clássico Dark side of the moon, do Floyd. Forgado os cara.
aqui
12/22/2009
Tempo, tempo...
"Hoje, a grande maioria dos meus amigos se parece muito pouco com o que eram há quatro anos. Para o bem e para o mal, viraram gente que se resignou em um mundo que passa longe de seus sonhos - e têm pra si que não há mais nada a fazer além de maximizar o tempo livre e o dinheiro a ganhar."
do blog do Fernando Lalli.
do blog do Fernando Lalli.
12/19/2009
12/17/2009
"Seja bem-vindo, Mario Bortolotto"
"Só quero dizer que o Bortolotto sobreviveu aos quatro tiros pelo mesmo motivo que a Bárbara Heliodora jamais vai entender o significado de sua obra. Ele sobreviveu porque é o Mario Bortolotto. Pelo mesmo motivo que me fez assistir a todas as peças dele, no mínimo umas vinte vezes cada uma, quero dizer que ele sobreviveu aos tiros porque é assim que acontece nos gibis que ele coleciona, ele sobreviveu para rir das piadas dos amigos, pelas noites de blues (das quais não participo), pelos tragos e pela sinuca e porque ele vem de longe e isso já faz um bom tempo, ele sobreviveu porque o Muttley e o Frankenstein de suas camisetas são à prova de bala, e porque ele reveza esses dois com Milles Davis, ele sobreviveu porque veio lá do Jardim do Sol e porque já havia sobrevivido à violência e ao amor do pai, ele sobreviveu aos quatro tiros porque nunca deixou de reagir à própria rotina e isso inclui (quem acompanha o blog dele sabe disso) levar quatro tiros no peito toda madrugada e fazer uma oração antes ou depois de ir dormir e acordar dilacerado, tanto faz sangrar na Santa Casa de Misericórdia ou na quitinete da rua Avanhandava; ele sobreviveu pelo amor de suas mulheres e pelo amor de sua filha; e porque a Fernanda D’Umbra foi mãe, mulher e filha e teve sangue frio e não esperou o Resgate chegar. Mais vinte minutos – segundo os médicos – e ele teria morrido."
(...)
"Um milagre todo ele é feito de coincidências e, às vezes, de um chiqueirinho de uma viatura policial que chega na hora certa, e é simples de entender: ele devia estar ouvindo La Carne no seu MP3 quando virou pro filhodaputa e disse “atira” e depois disse outra vez “atira, filhodaputa” e o filhodaputa descarregou a pistola, e o dramaturgo sobreviveu porque a luz que incide na poeira é exata e os seus diálogos são certeiros (quem viu as peças dele sabe o que estou falando); ele sobreviveu porque nunca precisou mais do que um sofá velho, três amigos e meia dúzia de latinhas de cerveja quente para contar suas histórias “vai lá garoto, vai fazer o que tem de ser feito” e também porque é um cavalheiro e porque é impossível um sujeito ser um cavalheiro se não for um touro também, sim, um touro que, depois de cinco dias já corcoveava na UTI, queria saber dos amigos, e escrevia seu primeiro bilhete depois do milagre “não chora filha, senão eu também vou chorar”; porque um milagre fica bem melhor com um pouco de poesia e outro tanto de prosa, por isso que ele agüentou o tranco: porque agora finalmente vai escrever o romance que eu e o Bactéria lhe cobramos faz um bom tempo, ele sobreviveu para poder voltar ao Hotel Marina no Rio de Janeiro, não aquele que acende, mas o Hotel Marina quando apaga, porque entendeu que é o mar que olha pra gente e não o contrário, ele sobreviveu porque domina a técnica de seguir na contra-mão e porque, quando levava quatro tiros no peito, ele, ao contrário do que muito filho da puta especulou, não estava brincando de representar, aliás, quando o cara tem uma 45mm apontada diuturnamente em sua direção, ele não tem alternativa diferente de dizer “atira, filhadaputa”, mas ele sobreviveu – também - porque intuitivamente sabia que a associação falsa que o jornalista almofadinha iria fazer sobre o assalto ao teatro e a “violência de suas peças” era tão mortífera quanto a 45mm que o atingiu, e ele sobreviveu para mais uma vez desmentir os canalhas, porque ele tinha de repetir que eles eram canalhas e que,embora estivesse pouco se cagando para a mentira deles (inclusive quando o ignoraram durante todos esses anos), ele não estava ali, no bar dos Parlapatões, fazendo teatrinho interativo para a distração de ninguém, ele sobreviveu porque teve a manha de assimilar golpes desleais até o último disparo e o nome disso é generosidade - ele sobreviveu porque seu anjo da guarda é casca grossa, e agora ele quer saber aonde é que foram parar seus coturnos, ele sobreviveu porque, entre muitas e iluminadas parcerias, fez dupla com o Carcarah, esse outro maluco que sabe o que é dar uma voadora na morte, Mario Bortolotto sobreviveu porque a mesma delicadeza que tira a vida de uns traz a vida de volta para outros."
Leia a íntegra do belo texto de Marcelo Mirisola no Congresso em foco
(...)
"Um milagre todo ele é feito de coincidências e, às vezes, de um chiqueirinho de uma viatura policial que chega na hora certa, e é simples de entender: ele devia estar ouvindo La Carne no seu MP3 quando virou pro filhodaputa e disse “atira” e depois disse outra vez “atira, filhodaputa” e o filhodaputa descarregou a pistola, e o dramaturgo sobreviveu porque a luz que incide na poeira é exata e os seus diálogos são certeiros (quem viu as peças dele sabe o que estou falando); ele sobreviveu porque nunca precisou mais do que um sofá velho, três amigos e meia dúzia de latinhas de cerveja quente para contar suas histórias “vai lá garoto, vai fazer o que tem de ser feito” e também porque é um cavalheiro e porque é impossível um sujeito ser um cavalheiro se não for um touro também, sim, um touro que, depois de cinco dias já corcoveava na UTI, queria saber dos amigos, e escrevia seu primeiro bilhete depois do milagre “não chora filha, senão eu também vou chorar”; porque um milagre fica bem melhor com um pouco de poesia e outro tanto de prosa, por isso que ele agüentou o tranco: porque agora finalmente vai escrever o romance que eu e o Bactéria lhe cobramos faz um bom tempo, ele sobreviveu para poder voltar ao Hotel Marina no Rio de Janeiro, não aquele que acende, mas o Hotel Marina quando apaga, porque entendeu que é o mar que olha pra gente e não o contrário, ele sobreviveu porque domina a técnica de seguir na contra-mão e porque, quando levava quatro tiros no peito, ele, ao contrário do que muito filho da puta especulou, não estava brincando de representar, aliás, quando o cara tem uma 45mm apontada diuturnamente em sua direção, ele não tem alternativa diferente de dizer “atira, filhadaputa”, mas ele sobreviveu – também - porque intuitivamente sabia que a associação falsa que o jornalista almofadinha iria fazer sobre o assalto ao teatro e a “violência de suas peças” era tão mortífera quanto a 45mm que o atingiu, e ele sobreviveu para mais uma vez desmentir os canalhas, porque ele tinha de repetir que eles eram canalhas e que,embora estivesse pouco se cagando para a mentira deles (inclusive quando o ignoraram durante todos esses anos), ele não estava ali, no bar dos Parlapatões, fazendo teatrinho interativo para a distração de ninguém, ele sobreviveu porque teve a manha de assimilar golpes desleais até o último disparo e o nome disso é generosidade - ele sobreviveu porque seu anjo da guarda é casca grossa, e agora ele quer saber aonde é que foram parar seus coturnos, ele sobreviveu porque, entre muitas e iluminadas parcerias, fez dupla com o Carcarah, esse outro maluco que sabe o que é dar uma voadora na morte, Mario Bortolotto sobreviveu porque a mesma delicadeza que tira a vida de uns traz a vida de volta para outros."
Leia a íntegra do belo texto de Marcelo Mirisola no Congresso em foco
12/15/2009
Quem sabe, sabe

"Há sempre novos sons para imaginar, novas sensações para alcançar. E sempre há a necessidade de continuar purificando essas sensações e esses sons para que realmente enxerguemos o que descobrimos em seu estado puro. Para que possamos enxergar com uma clareza cada vez maior o que somos...temos de continuar limpando o espelho."
John Coltrane - extraído do livro "A Love Supreme - a criação do álbum clássico de John Coltrane - de Ashley Kahn.
"O que permanece comigo sobre o quarteto de Coltrane é a imagem deles subindo ao palco, sem falar um com o outro, pondo fogo na coisa por duas horas sem nenhuma palavra para ninguém, saindo do palco e se sentando como pessoas comuns. Nenhum entourage ou coisa do gênero em volta deles. Depois faziam tudo de novo, despretensiosamente, diretos e com absoluta honestidade. Assim era uma jornada de oito horas deles - não era entretenimento, não era diversão e brincadeiras. Ainda tento corresponder a essa imagem: faça seu trabalho, faça com intensidade, com convicção e seja honesto com a música".
De Dave Liebman, do mesmo livro.
12/11/2009
Moshcam
Essa semana descobri um site muito legal, Moshcam, que disponibiliza shows ao vivo completos para serem assistidos em streaming, com imagem de alta definição e som de primeira, e que tem uma lista de atrações de babar. Pra começar, só o show de janeiro deste ano do Spiritualized que tem lá já valeria a visita. Mas ainda tem Black Mountain, Mogwai, e muito mais. O legal é que dá pra assistir o show na íntegra, ou só as músicas que você quiser. Cãofiram! Acima, um pequeno exemplo, uma interpretação acachapante de "Shine a light".
12/10/2009
12/08/2009
O preço da mediocridade
De toda essa terrível história que aconteceu com o Mário Bortolotto, o comentário que mais me chamou a atenção foi um texto do blog "Dramaticoblog´s blog", que eu achei através do blog do Ivam Cabral, do grupo Sátyros. No texto, a Márcia Abos conta que uma das coisas determinantes para a ocupação e revitalização da região da praça Roosevelt pelos grupos de teatro foi justamente a possibilidade dos bares locais manterem mesas na calçada, o que fez com que a criminalidade na região fosse reduzida durante um tempo. Ocorre que há três semanas as mesas tiveram que ser retiradas por conta de uma decisão idiota da prefeitura, resultante da reclamação de vizinhos. Na Gazeta de Hoje o Ivam Cabral conta que essa decisão foi motivada por um abaixo assinado com, pasmem, 29 assinaturas, de vizinhos que reclamavam de perturbação da ordem. O resultado foi que a região voltou a ser ocupada pela bandidagem, crackeiros e afins, os assaltos e a violência de sempre.
Isso sem falar que a própria praça em si está fechada há anos, a espera das obras de revitalização, que nunca chegam, porque os prefeitos que lá passaram ter que cortar verbas dessas obras pra poderem investir em propaganda.
Isso só comprova como as pessoas não percebem o preço que a mediocridade e a mesquinharia cobra. Ao invés da ocupação pelos artistas, prefere-se baixar proibições ridículas em nome "da ordem e do sossego". O resultado é que ao invés de uma ocupação sadia, pela arte, tem-se o esvaziamento da região central de São Paulo e de outras cidades do País, que se tornam território para a violência e a criminalidade. Quem paga por isso são aqueles que insistem em resistir, se negam a fugir, e não aceitam se esconder, como o Mário, e as outras pessoas que como ele ainda acreditam que a arte pode ser a resposta para a falta de humanidade. Enquanto na Europa e outros países, o poder público e a sociedade caminha justamente na direção contrário, ocupando o centro de suas cidades com arte, música, vida enfim, aqui a classe média se esconde atrás de seus carros blindados e condomínios fechados para não se misturar com a "ralé". Até quando a gente vai aceitar que os idiotas e medíocres continuem ditando as regras? não sei...
Reproduzo abaixo o texto, pra vocês conferirem.
Para salvar a Praça Roosevelt
Por Márcia Abos
Ao ouvir as palavras de ordem dos assaltantes que invadiram o Espaço Parlapatões na madrugada de sábado, mandando todos se deitarem no chão, Mario Bortolotto teria respondido: “Ninguém vai assaltar ninguém aqui”. Imagino a cena e me assombro com a coerência deste grande artista. O dramaturgo, diretor, ator, músico, escritor e poeta é de uma coerência rara. Jamais fez concessões em sua arte, tampouco na vida. A reação de Mario a um absurdo assalto em um teatro (alguém já ouviu falar de tiroteio em teatro?) diz muito sobre ele, que pagou um preço alto demais por ser fiel a si mesmo: foi alvejado por quatro tiros, alguns deles em órgãos vitais. Ninguém que o conhece duvida de sua recuperação. Ouve-se na praça amigos dizendo: “ele é um touro, um búfalo, vai sair dessa logo”. Vai sim, mas a tristeza e a dor que se abate sobre artistas e frequentadores da praça precisa de consolo.
Há dez anos teve início o processo de revitalização da Praça Roosevelt. Não, a praça não virou um local habitável e cheio de gente por decreto. Começou com Os Satyros que decidiram abrir um teatro no local. Mas ninguém ia até a praça, espaço na época dominado pela criminalidade. Era um lugar sinistro, que metia medo até nos artistas que iniciaram o processo. Mas eles logo entenderam que a praça poderia se transformar com uma injeção de vida. Colocaram uma mesinha com cadeiras na calçada, um convite para um bate-papo. Por muito tempo essa mesinha ficou vazia. Mas era um gesto simbólico, eles sabiam que não podiam recuar. E acertaram. O tempo provou que a praça pode ser ocupada pela paz, por muita alegria e uma ebulição artística sem igual. Demorou, mas a praça tornou-se um local digno deste nome, onde gente de todo tipo se reúne para ir ao teatro, trocar idéias, criar. A Praça Roosevelt é o que temos de similar a Ágora grega, um espaço livre e público.
Mas a tragédia que se abateu sobre a nossa praça na madrugada deste fatídico dia 5 de dezembro de 2009 é também sintoma de um retrocesso na revitalização que começou com uma mesinha na calçada. Há três semanas não existe mais nenhuma mesinha na calçada. É proibido. E a vida parece estar se esvaindo. Muita gente continua a ir aos teatros, mas terminada a peça eles se vão. Acabou o alegre burburinho antes e depois dos espetáculos, acabou a alegria de quem pode ver em uma noite duas peças diferentes e aproveitar os intervalos para filosofar.
Triste constatar, mas este é o caminho para transformar os teatros da praça em algo parecido com o que foi o vizinho Cultura Artística ou como é a elegante Sala Julio Prestes. São lugares de passagem, uma espécie de oásis das elites no meio de um entorno totalmente degradado. Quem vai à Sala Julio Prestes chega em seu carro blindado e com vidros negros, desce na porta escoltado por seguranças, evita olhar para os lados e ver os ‘nóias’ e entra para ouvir as mais lindas e bem executadas sinfonias. Acabado o espetáculo, a saída é ainda mais rápida que a chegada. O jantar, o cálice de vinho, a cerveja são consumidos bem longe dali, no Itaim, nos Jardins, na Vila Olímpia (ou qualquer outro bairro onde é impossível lembrar que existem moradores de ruas, drogados e mendigos em São Paulo).
Ninguém que conhece a Praça Roosevelt acredita que a arte que se cria ali pode sobreviver sem o oxigênio de um entorno vivo, que se alimenta e é alimentado pelo teatro. Portanto, convoco a todos a estarem na praça. Nossa presença é a única coisa que impede a sua degradação. Certo, é proibido mesinha na calçada. Juntos talvez seja mais fácil derrubar o decreto que as proíbe, este sim capaz de destruir nossa ágora. Se a revitalização da praça não aconteceu por decreto, sua degradação pode ser consequência de um decreto exdrúxulo que proíbe singelas mesinhas na calçada. E enquanto não pudermos ter mesinhas na calçada, estaremos lá, nos teatros, em pé, sentados no chão, andando de um lado para o outro…
Isso sem falar que a própria praça em si está fechada há anos, a espera das obras de revitalização, que nunca chegam, porque os prefeitos que lá passaram ter que cortar verbas dessas obras pra poderem investir em propaganda.
Isso só comprova como as pessoas não percebem o preço que a mediocridade e a mesquinharia cobra. Ao invés da ocupação pelos artistas, prefere-se baixar proibições ridículas em nome "da ordem e do sossego". O resultado é que ao invés de uma ocupação sadia, pela arte, tem-se o esvaziamento da região central de São Paulo e de outras cidades do País, que se tornam território para a violência e a criminalidade. Quem paga por isso são aqueles que insistem em resistir, se negam a fugir, e não aceitam se esconder, como o Mário, e as outras pessoas que como ele ainda acreditam que a arte pode ser a resposta para a falta de humanidade. Enquanto na Europa e outros países, o poder público e a sociedade caminha justamente na direção contrário, ocupando o centro de suas cidades com arte, música, vida enfim, aqui a classe média se esconde atrás de seus carros blindados e condomínios fechados para não se misturar com a "ralé". Até quando a gente vai aceitar que os idiotas e medíocres continuem ditando as regras? não sei...
Reproduzo abaixo o texto, pra vocês conferirem.
Para salvar a Praça Roosevelt
Por Márcia Abos
Ao ouvir as palavras de ordem dos assaltantes que invadiram o Espaço Parlapatões na madrugada de sábado, mandando todos se deitarem no chão, Mario Bortolotto teria respondido: “Ninguém vai assaltar ninguém aqui”. Imagino a cena e me assombro com a coerência deste grande artista. O dramaturgo, diretor, ator, músico, escritor e poeta é de uma coerência rara. Jamais fez concessões em sua arte, tampouco na vida. A reação de Mario a um absurdo assalto em um teatro (alguém já ouviu falar de tiroteio em teatro?) diz muito sobre ele, que pagou um preço alto demais por ser fiel a si mesmo: foi alvejado por quatro tiros, alguns deles em órgãos vitais. Ninguém que o conhece duvida de sua recuperação. Ouve-se na praça amigos dizendo: “ele é um touro, um búfalo, vai sair dessa logo”. Vai sim, mas a tristeza e a dor que se abate sobre artistas e frequentadores da praça precisa de consolo.
Há dez anos teve início o processo de revitalização da Praça Roosevelt. Não, a praça não virou um local habitável e cheio de gente por decreto. Começou com Os Satyros que decidiram abrir um teatro no local. Mas ninguém ia até a praça, espaço na época dominado pela criminalidade. Era um lugar sinistro, que metia medo até nos artistas que iniciaram o processo. Mas eles logo entenderam que a praça poderia se transformar com uma injeção de vida. Colocaram uma mesinha com cadeiras na calçada, um convite para um bate-papo. Por muito tempo essa mesinha ficou vazia. Mas era um gesto simbólico, eles sabiam que não podiam recuar. E acertaram. O tempo provou que a praça pode ser ocupada pela paz, por muita alegria e uma ebulição artística sem igual. Demorou, mas a praça tornou-se um local digno deste nome, onde gente de todo tipo se reúne para ir ao teatro, trocar idéias, criar. A Praça Roosevelt é o que temos de similar a Ágora grega, um espaço livre e público.
Mas a tragédia que se abateu sobre a nossa praça na madrugada deste fatídico dia 5 de dezembro de 2009 é também sintoma de um retrocesso na revitalização que começou com uma mesinha na calçada. Há três semanas não existe mais nenhuma mesinha na calçada. É proibido. E a vida parece estar se esvaindo. Muita gente continua a ir aos teatros, mas terminada a peça eles se vão. Acabou o alegre burburinho antes e depois dos espetáculos, acabou a alegria de quem pode ver em uma noite duas peças diferentes e aproveitar os intervalos para filosofar.
Triste constatar, mas este é o caminho para transformar os teatros da praça em algo parecido com o que foi o vizinho Cultura Artística ou como é a elegante Sala Julio Prestes. São lugares de passagem, uma espécie de oásis das elites no meio de um entorno totalmente degradado. Quem vai à Sala Julio Prestes chega em seu carro blindado e com vidros negros, desce na porta escoltado por seguranças, evita olhar para os lados e ver os ‘nóias’ e entra para ouvir as mais lindas e bem executadas sinfonias. Acabado o espetáculo, a saída é ainda mais rápida que a chegada. O jantar, o cálice de vinho, a cerveja são consumidos bem longe dali, no Itaim, nos Jardins, na Vila Olímpia (ou qualquer outro bairro onde é impossível lembrar que existem moradores de ruas, drogados e mendigos em São Paulo).
Ninguém que conhece a Praça Roosevelt acredita que a arte que se cria ali pode sobreviver sem o oxigênio de um entorno vivo, que se alimenta e é alimentado pelo teatro. Portanto, convoco a todos a estarem na praça. Nossa presença é a única coisa que impede a sua degradação. Certo, é proibido mesinha na calçada. Juntos talvez seja mais fácil derrubar o decreto que as proíbe, este sim capaz de destruir nossa ágora. Se a revitalização da praça não aconteceu por decreto, sua degradação pode ser consequência de um decreto exdrúxulo que proíbe singelas mesinhas na calçada. E enquanto não pudermos ter mesinhas na calçada, estaremos lá, nos teatros, em pé, sentados no chão, andando de um lado para o outro…
12/04/2009
tuas mãos
não se iluda comigo
também vou embora um dia
mesmo que não saiba quando
nem porque
faça seu próprio caminho
diga o que quer
ou deixe o silêncio falar
até de manhã
a cortina azul entreaberta
na janela sempre fechada
a esperança de algum tempo
que não deu em nada
os copos jogados num canto
a roupa da velha estação
quem precisa da verdade
quanto tem tuas mãos
quem precisa da verdade
quando tem tuas mãos
também vou embora um dia
mesmo que não saiba quando
nem porque
faça seu próprio caminho
diga o que quer
ou deixe o silêncio falar
até de manhã
a cortina azul entreaberta
na janela sempre fechada
a esperança de algum tempo
que não deu em nada
os copos jogados num canto
a roupa da velha estação
quem precisa da verdade
quanto tem tuas mãos
quem precisa da verdade
quando tem tuas mãos
12/03/2009
La Carne - Discografia

Taí uma belíssima notícia pra esse fim de ano. A melhor banda de rock do Brasil resolveu desencavar suas pérolas e fez uma nova prensagem dos seus três primeiros discos. Eu se fosse você não perdia essa oportunidade única de adquirir alguns dos melhores discos que o rock do Brasil (aquele que segundo alguns criticuzinhos por aí não presta) produziu, desde meados da década de 90. Eu tenho todos, mas já to pensando em comprar mais alguns pra dar pros amigos, ou simplesmente pra garantir, sabecomoé. Isso aí pode virar peça rara de colecionador com o tempo, nunca se sabe (eheh). Além do que a tiragem é limitada, portanto, não dá pra vacilar. Quem tiver bom gosto e for esperto, é só mandar um email pros meliante lacarne@lacarne.com.br
11/30/2009
Melhores da década por mim mesmo ou quem liga pra listas
Nunca gostei de listas. Pra falar a verdade, tenho uma relação de amor-ódio com elas (mais ódio que amor). Sempre achei que arte em geral, música em particular, não é competição esportiva. Não cabe nesse tipo de classificação porque uma coisa não exclui a outra. O fato de eu gostar de Beatles não me impede de ouvir Stones. E não faz sentido nenhum querer comparar coisas diferentes, dando a elas um valor intrínseco melhor-pior. Tudo depende como aquilo bate em você, dentro de um contexto muito pessoal, que é praticamente é impossível mensurar de forma objetiva.
Mas nos últimos anos, tenho sido convidado pelo Scream Yell pra participar das votações de melhores do ano. E por gostar muito do SY e ter um carinho especial pelo Mac, que considero um dos poucos jornalistas especializados em música da atual geração no País que realmente gosta de música, e não quer só fazer pose de antenado, fiz questão de participar, mesmo não me achando gabaritado para julgar o que quer que seja. Até porque, não sou crítico musical, não ouço todos os discos que estão sendo lançados de uma forma sistemática. Aliás nem quero. Portanto, nem teria condições de julgar se isso é melhor que aquilo outro, etc, querendo dar a isso algum caráter de verdade.
Pois bem, esse fim de semana fechei a lista de melhores da década que o Mac pediu, sobre os anos 2000-2009. E como das outras vezes, mais do que uma lista com critérios objetivos, a minha é muito mais uma relação baseada em afinidades pessoais, de memória afetiva. Não tenho a pretensão – de jeito nenhum – de que dizer que esses foram os melhores discos lançados no período, obviamente. Mas posso dizer com absoluta convicção de que esses foram alguns dos discos que mais me tocaram pessoalmente, que mais frequentaram o aparelho de som da minha casa, que mais me emocionaram e me fizeram cantar junto, ficaram rodando na minha cabeça, de ter vontade de ter feito essas músicas. De querer conhecer mais e ver essas bandas tocando. No caso específico das bandas nacionais, não por acaso, boa parte delas a gente teve a oportunidade e o privilégio de trazer pra tocar em Curitiba. E conhecê-las pessoalmente só aumentou a nossa admiração pelo trabalho delas.
Dito isso, publico abaixo a minha lista de melhores da década. Como digo, totalmente pessoal e intransferível. É claro que tem muitos outros discos/artistas e bandas que eu poderia ter relacionado, e isso é uma das coisas que me deixa incomodado com listas, porque sempre fica coisa legal de fora. Mas enfim, foi a síntese a que eu consegui chegar, meio no susto, porque como sempre deixei pra última hora e tive que tentar puxar pela memória, sem ficar de grandes elocubrações. O mais legal é perceber que ouvir esses discos continua sendo uma experiência única e emocionante pra mim. E confirmar que essas músicas fazem parte – de forma inequívoca – da trilha sonora da minha vida.
Melhores discos nacionais
Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
Íris – Bizri (2004)
Deus e o Diabo – Também morrem os verões (2004)
Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
La Carne – Desconhece o rumo mais se vai (2003)
Cascadura – Vivendo em grande estilo (2004)
Gianoukas Papoulas – Gianoukas Papoulas (2003)
Pipodélica – Simetria radial (2003)
Beto Só – Dias mais tranquilos
Charme Chulo – Charme Chulo (2007)
Melhores discos internacionais
Spiritualized – Let It Come Down (2001)
Mojave 3 – Excuses for travelers (2000)
Nick Cave – No more shall we part (2001)
Cowboy Junkies – One soul now (2004)
Mercury Rev – All is a dream
Beth Gibbons & Rustin Man – Out of season (2002)
Tindersticks - Waiting for the moon (2003)
Cat Power – The Greatest
Morphine – The night (2000)
Mas nos últimos anos, tenho sido convidado pelo Scream Yell pra participar das votações de melhores do ano. E por gostar muito do SY e ter um carinho especial pelo Mac, que considero um dos poucos jornalistas especializados em música da atual geração no País que realmente gosta de música, e não quer só fazer pose de antenado, fiz questão de participar, mesmo não me achando gabaritado para julgar o que quer que seja. Até porque, não sou crítico musical, não ouço todos os discos que estão sendo lançados de uma forma sistemática. Aliás nem quero. Portanto, nem teria condições de julgar se isso é melhor que aquilo outro, etc, querendo dar a isso algum caráter de verdade.
Pois bem, esse fim de semana fechei a lista de melhores da década que o Mac pediu, sobre os anos 2000-2009. E como das outras vezes, mais do que uma lista com critérios objetivos, a minha é muito mais uma relação baseada em afinidades pessoais, de memória afetiva. Não tenho a pretensão – de jeito nenhum – de que dizer que esses foram os melhores discos lançados no período, obviamente. Mas posso dizer com absoluta convicção de que esses foram alguns dos discos que mais me tocaram pessoalmente, que mais frequentaram o aparelho de som da minha casa, que mais me emocionaram e me fizeram cantar junto, ficaram rodando na minha cabeça, de ter vontade de ter feito essas músicas. De querer conhecer mais e ver essas bandas tocando. No caso específico das bandas nacionais, não por acaso, boa parte delas a gente teve a oportunidade e o privilégio de trazer pra tocar em Curitiba. E conhecê-las pessoalmente só aumentou a nossa admiração pelo trabalho delas.
Dito isso, publico abaixo a minha lista de melhores da década. Como digo, totalmente pessoal e intransferível. É claro que tem muitos outros discos/artistas e bandas que eu poderia ter relacionado, e isso é uma das coisas que me deixa incomodado com listas, porque sempre fica coisa legal de fora. Mas enfim, foi a síntese a que eu consegui chegar, meio no susto, porque como sempre deixei pra última hora e tive que tentar puxar pela memória, sem ficar de grandes elocubrações. O mais legal é perceber que ouvir esses discos continua sendo uma experiência única e emocionante pra mim. E confirmar que essas músicas fazem parte – de forma inequívoca – da trilha sonora da minha vida.
Melhores discos nacionais
Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
Íris – Bizri (2004)
Deus e o Diabo – Também morrem os verões (2004)
Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
La Carne – Desconhece o rumo mais se vai (2003)
Cascadura – Vivendo em grande estilo (2004)
Gianoukas Papoulas – Gianoukas Papoulas (2003)
Pipodélica – Simetria radial (2003)
Beto Só – Dias mais tranquilos
Charme Chulo – Charme Chulo (2007)
Melhores discos internacionais
Spiritualized – Let It Come Down (2001)
Mojave 3 – Excuses for travelers (2000)
Nick Cave – No more shall we part (2001)
Cowboy Junkies – One soul now (2004)
Mercury Rev – All is a dream
Beth Gibbons & Rustin Man – Out of season (2002)
Tindersticks - Waiting for the moon (2003)
Cat Power – The Greatest
Morphine – The night (2000)
11/25/2009
a sua benção, meu Vô Ino

Não lembro exatamente quando o conheci, mas sei que cresci na casa que ele construiu – pelo menos foi assim com um pedaço dela, que lembro, pois em algumas manhãs frias, pra abrir o bar, a gente tinha que passar por dentro de um pedaço da casa sem chão, em construção. Sempre soube, mas com o tempo isso ganha ainda mais força, que foi perto dele, sob sua sombra acolhedora que eu me fiz gente. Ele foi minha maior referência de vida e continua sendo. Sua alegria, sua força, sua sabedoria são sentimentos que vou carregar comigo pra sempre. E é nele que penso, e é com ele que quero conversar(e com minha mãe também, cada vez mais, sua filha guerreira) quando me sinto triste.
E hoje, meu amado Vô Ino está fazendo 80 anos. Meu, 80 anos, 8 décadas fazem desde que esse bebê aí de cima, batizado Aquaelino Perin, veio a mundo para fazer dessa nossa vida algo melhor, mais cheia dos valores que fazem a existência valer a pena, junto com seu irmão gêmeo, Avelino, que não conheci, mas muitas vezes o ouvi falando dele. Meu avô é um contador de causos, cresci ouvindo suas histórias, algumas fantásticas, de um mundo que a gente, temo, não vai ter mais. Histórias de um senhor que ficou de luto, com roupas pretas e uma barba gigante, por meses, se não engano, quando o pai dele morreu. Ele bem que tentou me levar para conhece-lo, acho que na minha primeira viagem longa. Lembro de minha avó me dando banho pra viagem e eu reclamando, a chatinha, e que passei mal na viagem (sempre tive problema de enjôo ao andar de carro). Não lembro da chegada lá, mas sei que meu bisa morreu antes de me conhecer. Tive um sonho quando era muito criança, com um senhor imponente, montado eu seu cavalo com uma daquelas capas que cobria cavalo e cavaleiro num lugar alto e plano ( meio zorro, assim, sei lá), como se olhasse a tudo de cima, atento e cuidadoso... acordei sentindo que tinha sonhado com meu bisa, que era também um pouco o meu avô, de um jeito que não cheguei a ver.
Quando eu nasci, filha de mãe solteira em pleno ano de 1970, foi ele, Vô Ino, que ficou ao lado da minha mãe e que diante da sugestão do médico de que me dessem pra ele, nem quis conversa, conta minha mãe. Ele me levou e a ela de volta a Curitibanos (nasci no meio de uma viagem da minha mãe pra fazer um concurso do Banco do Brasil, em Joaçaba, cidade que não conheço, porque 'minha cidade' é Curitibanos). Foi lá que nasci pro mundo, foi pra lá que ele se mudou, antes, para que os filhos pudessem estudar. Essa foi uma das primeiras grandes lições que cresci ouvindo. E foi de lá, que eles partiram gente feita, trazendo até madeira pra construir suas casas na Curitiba (em Colombo, acho), a cidade que primeiro acolheu meus tios e meus pais, e depois ao meu irmão, minhas primas, a mim, e onde nasceram minha irmã e meus sobrinhos lindos, Gabriel e Gica. Onde fiz minha vida ao lado do meu companheiro especial.
Conversei com ele agora, por telefone. E sua voz pareceu mais forte do que nunca, dizendo que sua parte ele fez, que está pronto pra partir, com a mesma tranqüilidade com que me fez ter forças pra deixar a primeira parte da minha história e vir embora, naquele dezembro de 1984. “Saiba de uma coisa”, disse-me, naquele começo de tarde quando fui ao bar dizer tchau, fraquejando, já cheia de dúvidas se era mesmo a decisão mais acertada: “Só estou deixando você ir porque é o melhor pra você. Senão, você não iria”. Nunca esqueci isso, e muitas vezes lembro,quando sinto as perdas se dobrando. Minha vozinha, a Vô Ina, foi sua companheira de uma vida inteira, que já partiu e espera por ele em algum lugar que não sei onde é, mas acredito de alguma forma que existe esse lugar mágico, onde os espíritos iluminados se encontram pra continuar dando forças pra gente aqui desse lado; ela, naquele dia não quis nem se despedir de mim. Lembro dela com com seu vestido florido e seu avental, com uma toalhinha secando as lágrimas... mas ela não foi ver o carro partindo.
Puxa, já se passou tanto tempo e aquele dia continua queimando em mim, como se fosse ontem.... não lembro de outro dia tão difícil como aquele. Lembro de dor parecida, mas não como aquele dia.
Ele tava certo, como sempre. Eu tinha que vir fazer a minha história aqui.
Nunca me cansei de ouvi-lo repetir as mesmas histórias de sua vida. E o que vivemos naquele bar.... minha escola de vida, ta grudado em mim como uma casca que protege. Ele não mora mais naquela casa, ela ficou grande demais depois que a Vó Iná se foi, pra todos nós. Aliás, foi só depois disso que vi nos olhos do meu avô uma sombra, um silêncio que não eram comuns nele. Ele nunca conseguiu ficar muito tempo longe dela. E quando ela se foi ( em 2001, se não me engano... prefiro não lembrar, embora isso seja impossível) eu temia era por ele, que ele não viveria sem ela porque é um amor tão lindo. “É UM AMOR TÃO LINDO”. Porque continua nos alimentando e servindo como luz no fim do tunel. Nunca convivi com outro casal como eles – que foram meus pais sem nunca, jamais, esquecer de deixar muito claro que eu tinha pai e mãe, sim. Eles sempre foram meus avós. Hoje eu sei que perdi muito do que minha vozinha podia ter me dado, me apeguei ao meu avô sem me dar conta, e deixei um pouco do que a Vó Ina benzedeira, cozinheira, companheira imprescindível na vida de um homem, podia me dar. Por conta do bar, vivi mais perto dele, mas o tempo passou e fui me dando conta, lembrando de detalhes de como é verdade que só parecia que o homem naquele tempo era quem comandava tudo. Mas, na verdade, elas, ELA, é que estava sempre ali por perto dando a força que eu tanto admirava nele. Por isso, pra mim, hoje, eles são um só. Catarina Daros Perin e Aquaelino Perin se tornaram um, do jeito mais lindo que duas pessoas podem conseguir isso. É muito difícil imaginar a vida sem os olhos azuis e as mãos grandes e abençoadas (sim, ele é a única pessoa para quem peço a benção, quase do mesmo jeito de quando era criança – quase porque gente fica besta quando cresce!) do meu avô e agora eu sei que ela ta ali junto, me dando sua benção. E enquanto ele se prepara para sua grande viagem, como sempre fala, como que me preparando para mais essa despedida, só sinto cada vez mais a presença dela nele.
Só vejo cada vez mais como o amor é a coisa mais linda e valiosa desse mundo e como é bom sentir que aprendi as coisas mais importantes que eles me ensinaram, que pode ser resumida em uma palavra: amor. É como eu disse para ele a pouco, batendo na porta dos 40: eu continuo querendo ser como ele quando crescer. Meu Vô Ino querido, queria e devia estar ai pra te dar um abraço hoje, mas até isso você entende e sempre diz quando eu ligo: “Olha, você não esqueceu a gente!”. Até parece, né, vozinho, que isso é possível. Você(s) está (ao) dentro de mim pra sempre. Eu te amo muito, muito muito muito muito... eu nunca vou conseguir dizer ou escrever direito o que sinto... então vou lembrar de uma cena linda do dia do meu aniversário de 39 anos, 24 de outubro de 2009, na pracinha ao lado da minha casa, que tem cara de casa de vó: seus olhinhos brilhando feliz vendo nossa roda de capoeira. Obrigada, mil vezes obrigada por tudo, pela minha vida. (Adri perin)
Meu avô é esse bebê à direita, o mais parrudinho.
11/22/2009
Led Zeppelin - Since I've Been Loving You
To lendo a biografia do Led (Led Zeppelin – Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra). E aproveitando pra reouvir os discos dos caras, que há muito tempo não ouvia. Lembro que na época de faculdade consegui uma cópia em VHS do filme "The Songs Remains the same" e assiste até furar a fita. Ouvir de novo os caras depois de tanto tempo faz com que eu me lembre da sensação que foi descobrir isso naquela época. Como aquilo abria todo um mundo novo. Um mundo onde a música não era simplesmente aquilo que tocava no fundo enquanto vc estava na balada. Porque aquilo exigia atenção total. Bem diferente de hoje, em que a banalização da música fez com que ela voltasse a ser apenas um acessório.
Engraçado que no livro os caras contam que o Bonham foi expulso de várias bandas por tocar alto demais. Tanto que quando ele entrou no Led achou sua turma, porque na banda, não tinha essa de baterista ter que ficar em segundo plano.
11/17/2009
11/13/2009
Tempo
OAEOZ em 1999, na frente do antigo estúdio Áudio Beltrão, na época da gravação da segunda demo, "De Inverno": tínhamos todo o tempo do mundo. Tempo tanto tempo qualquer tempo
possibilidades
tempo pra tudo
tudo e o nada
talvez
a mesma coisa
tudo e o nada
tudo talvez no espaço
o que existe depois do espaço
seria a galáxia do nada
seria a galáxia do nada
venha comigo e pegue
pegue sua espada
vamos para uma caminhada
vamos atrás do nada
Dia desses tava conversando com o Ramiro pelo msn (sim, parece que agora a gente só consegue conversar através dessas malditas máquinas) e a gente tava comentando como todo mundo parece não ter mais tempo pra nada, muito menos pra encontrar os amigos e jogar conversa fora, ou simplesmente fazer um som sem maiores preocupações, só por diversão. E ele citou rapidamente essa música do Igor que foi lançada na primeira demo do OAEOZ, no longínquo ano de 1998. E depois disso fiquei pensando em como essa letra, apesar de até certo ponto pueril, é tão eloquente em sua simplicidade e ainda mais atual quanto quando ela foi lançada.
É curioso porque eu lembro que os futurólogos de antigamente (ops) diziam que com a revolução tecnológica os homens teriam máquinas pra assumir as coisas chatas da vida, e a gente ia ter muito mais tempo pra lazer e outras coisas prazerosas. E o que aconteceu foi justamente o contrário. Nunca estivemos tão cercados por máquinas, e nunca tivemos tão pouco tempo pra viver de verdade, no mundo real. Estamos tão ocupados com o mundo virtual e seus blogs, orkuts, facebooks, emails e o caralho a quatro, que não temos tempo mais pra um simples abraço, uma cerveja com os amigos ou simplesmente sentar na calçada e ver o tempo passar.
Não se trata de nenhuma reclamação, mas de uma constatação. Como já comentei aqui, estamos cada vez mais “conectados” com a realidade virtual, e cada vez mais alienados da realidade “real” (rs). O que outrora era facilidade, virou escravidão. O mais triste é pensar que quando acordarmos desse “sonho cibernético”, a vida real terá passado, e aí será tarde demais pra recuperar o tempo perdido desperdiçado na frente dessa telinha. “vamos atrás do nada...”
pra ouvir e baixar "tempo" aqui
11/12/2009
Melhores amigos
O ator Mickey Rourke, que retomou a carreira artística recentemente após um período como lutador profissional e em produções B, disse que os cachorros salvaram a sua vida. “Meus cachorros realmente me ajudaram a sair dos tempos difíceis. Perdi tudo ao mesmo tempo: minha mulher, minha carreira, minha casa, minha credibilidade”, afirmou ao jornal “Daily Mail”. “Muitas pessoas que você conhece viram as costas quando você está por baixo, mas os cachorros não.”
ontem, na FSP.
ontem, na FSP.
11/10/2009
Tinha que ser hoje
Fiquei muito triste hoje. Acordei bem, achei que já tinha superado mais uma mudança no trampo, mas quando vi não consegui manter o bom humor: eu preciso descobrir um jeito de não me deixar afetar por essas rasteiras, que não são em mim, mas na cultura e na arte. Mais uma vez, o caderno diminuiu por contenção de gastos... tá eu sei, entendo isso e também que preciso me concentrar no que é importante e fazer o que é possível, mas, o jornalismo cultural por aqui tá cada vez mais difícil de se (tentar) fazer. Converso com pessoas tão legais, tão interessantes que parecem valorizar meu trabalho – como foi o caso recente do pintor curitibano Domício Pedroso, um senhor de 79 anos, que gostou de conversar comigo por conta do mínimo que sei de história da arte paranaense - e fico pensando que é meu nome que tá ali, fico lembrando de como as pessoas gostam de malhar os jornalistas de cultura de hoje, porque já não são táo bons quanto os de antes, não vão a shows, porque têm uma vida particular que não se resume a fazer o que alguns artistas esperam, porque não escrevem sobre tudo, porque não tem senso crítico - e me dá uma indignação tão grande tão incontrolável... me sinto tão impotente e com uma vontade tão grande sumir (afinal acham que eu não faço jornalismo mais aprofundado porque não quero?) e largar tudo, já que é assim... só que eu não consigo. E como eu queria conseguir, em certos dias.
Tá, ok, isso é só mum desabafo, daqui a pouco passa.
Aí, vou limpar emails e acho um que chegou durante minhas férias, do Fabrício da banda Radiare, a comentada derradeira da coluna Piracema, se não me engano. E daí, o gosto salgado de um chorinho teimoso que insiste em borrar minha cara, se mistura a um riso de satisfação, de alegria, que me faz lembrar porque eu não consigo desistir:
“ Resgatando minhas lembranças depois de responder sua mensagem eu passei na net e encontrei seu blog, editado por você e o Ivan (do OAEOZ, certo? Grande banda, tenho um Cd do qual gosto muito). Li seus textos sobre o disco, sua descobertas e experiências, críticas, comentários....
Me lembro que quando eu era adolescente não cansava de ouvir certos discos e k7s. Ouvia até o disco gastar, várias vezes, mas um de cada vez. E, aos poucos, ia compartilhando sentimentos e me identificando com o artista. Pensava que hoje em dia, com myspaces, ipods, discos baixados a rodo, isso não acontecia mais.
Confesso que fiquei bem tocado pelo que você escreveu. Algumas das músicas desse disco são antigas, outras novas, mas o fato é que durante todos esses anos levando a vida e as minhas bandas esses pensamentos que motivavam as letras e as melodias eu sempre dividi só comigo mesmo, com os caras da banda ou pessoas muito próximas. Muitas vezes a motivação de um artista é solitária e incompreensível. Você escreveu algumas coisas ali que me deixaram satisfeito por ser tão teimoso, sempre.
Num mundo tão rápido, instantâneo, superficial e cheio de intenções mascaradas, é muito raro mesmo alguém que "perca tempo" prestando atenção numa obra, seja ela uma música, uma poesia ou uma pintura. Até rolar uma identificação pode ser exigido um tempinho a mais de atenção. A quantidade de obras (um pouco daquilo que o John Ulhoa disse no texto que você postou) que chega até nós é tão grande que hoje fracionamos o nosso tempo de modo a muitas vezes não dedicarmos a um artista o tempo que é necessário à sua compreensão. Em 20 segundos de myspace condenamos, enterramos ou consagramos um artista. Me parece injusto, em qualquer sentido.
Obrigado pela chance, por nos dedicar seu tempo, por prestar atenção, por ouvir, por gostar de música e entender e sentir a arte como ela eventualmente pede.”
É evidente que ele se refere também ao que o Ivan escreveu sobre o impacto desse maravilhoso disco nas nossas vidas...
Nnca dependi do jornalismo pra encontrar pessoas como o Fabrício – e suas bandas, Astromato e Radiare. Estas, eu é que trouxe para o jornalismo que, no geral, as esnoba, as desconhece. Agora, preciso fazer o trabalho do dia e pra conseguir vou outra vez por Radiare no ouvido e no coração, porque eu sei que pode até me dar uma vontadinha de chorar e sumir, mas sei também que é daí que vem a vontade de acordar mais um dia.
Valeu, Fabrício, tinha que ser hoje, o dia pra eu ler teu email. (Adri Perin)
Tá, ok, isso é só mum desabafo, daqui a pouco passa.
Aí, vou limpar emails e acho um que chegou durante minhas férias, do Fabrício da banda Radiare, a comentada derradeira da coluna Piracema, se não me engano. E daí, o gosto salgado de um chorinho teimoso que insiste em borrar minha cara, se mistura a um riso de satisfação, de alegria, que me faz lembrar porque eu não consigo desistir:
“ Resgatando minhas lembranças depois de responder sua mensagem eu passei na net e encontrei seu blog, editado por você e o Ivan (do OAEOZ, certo? Grande banda, tenho um Cd do qual gosto muito). Li seus textos sobre o disco, sua descobertas e experiências, críticas, comentários....
Me lembro que quando eu era adolescente não cansava de ouvir certos discos e k7s. Ouvia até o disco gastar, várias vezes, mas um de cada vez. E, aos poucos, ia compartilhando sentimentos e me identificando com o artista. Pensava que hoje em dia, com myspaces, ipods, discos baixados a rodo, isso não acontecia mais.
Confesso que fiquei bem tocado pelo que você escreveu. Algumas das músicas desse disco são antigas, outras novas, mas o fato é que durante todos esses anos levando a vida e as minhas bandas esses pensamentos que motivavam as letras e as melodias eu sempre dividi só comigo mesmo, com os caras da banda ou pessoas muito próximas. Muitas vezes a motivação de um artista é solitária e incompreensível. Você escreveu algumas coisas ali que me deixaram satisfeito por ser tão teimoso, sempre.
Num mundo tão rápido, instantâneo, superficial e cheio de intenções mascaradas, é muito raro mesmo alguém que "perca tempo" prestando atenção numa obra, seja ela uma música, uma poesia ou uma pintura. Até rolar uma identificação pode ser exigido um tempinho a mais de atenção. A quantidade de obras (um pouco daquilo que o John Ulhoa disse no texto que você postou) que chega até nós é tão grande que hoje fracionamos o nosso tempo de modo a muitas vezes não dedicarmos a um artista o tempo que é necessário à sua compreensão. Em 20 segundos de myspace condenamos, enterramos ou consagramos um artista. Me parece injusto, em qualquer sentido.
Obrigado pela chance, por nos dedicar seu tempo, por prestar atenção, por ouvir, por gostar de música e entender e sentir a arte como ela eventualmente pede.”
É evidente que ele se refere também ao que o Ivan escreveu sobre o impacto desse maravilhoso disco nas nossas vidas...
Nnca dependi do jornalismo pra encontrar pessoas como o Fabrício – e suas bandas, Astromato e Radiare. Estas, eu é que trouxe para o jornalismo que, no geral, as esnoba, as desconhece. Agora, preciso fazer o trabalho do dia e pra conseguir vou outra vez por Radiare no ouvido e no coração, porque eu sei que pode até me dar uma vontadinha de chorar e sumir, mas sei também que é daí que vem a vontade de acordar mais um dia.
Valeu, Fabrício, tinha que ser hoje, o dia pra eu ler teu email. (Adri Perin)
11/08/2009
11/07/2009
sobre música e "losers"
"Hoje, sei que o que o Txotxa me apresentou naquele instante foi a percepção de que a música deve ser, antes de um meio, o fim. Tocamos porque queremos fazer música boa. Esse é o objetivo."
do blog do beto só, em um ótimo texto sobre o fazer música no seculo 21
do blog do beto só, em um ótimo texto sobre o fazer música no seculo 21
11/06/2009
Mais uma Granada do La Carne
Jornal do Estado/ Bem Paraná
La Carne apresenta o repertório de Granada, seu disco mais poderoso, até agora (foto: Divulgação/Edson Kumasawa)
Banda de Osasco mostra as novas músicas hoje no 92 Graus
Adriane Perin
A banda La Carne, de Osasco, está em Curitiba hoje para mostrar o repertório de um dos melhores discos do ano. Granada, quarto trabalho da banda, que se apresenta no Espaço Cultural 92 Graus, ao lado de Folhetim Urbano, Gruvox e Popstars Acid Killers, de São Paulo, tem um nome bem apropriado à história e à postura de Linari, Jorge, Carlos e Chicão. Granada é o sucessor de outro petardo, Desconhece o Rumo mas se Vai, e conseguiu ser ainda mais devastador - ou alentador, dependendo do olhar.
Uma história musical que iniciou em meados dos anos 90, e no começo, lembra Linari, eram os sonhos comuns a todo iniciante de fazer a vida na música, ter seu trabalho reconhecido - também por uma gravadora com força para dar suporte. Mas, o tempo passa, a realidade provoca e depende de cada um, a reação. A do La Carne foi seguir fazendo uma música como ninguém mais faz, de um vigor que namora o violento, calcado numa realidade ou situações mais fáceis ignorar. Nas músicas, Linari - um professor de História que leva pra cima do palco toda sua (ou seria nossa?) fúria, ainda que seja um cara gente boníssima - canta “cenas” que nos contam sobre um mundo que vive nas bordas. As ansiedades, as sacanagens que a vida apronta, o que lhe incomoda, ele transmuta em letras certeiras que explodem e implodem, se jogando na cara com força capaz de derrubar.
Se o compositor e cantor considera os trabalhos anteriores “manifestos”, com este Granada bate à porta uma certa maturidade. “A constante referência às letras me orgulha, claro, mas sempre tive um desejo íntimo que enxergassem no som a mesma ousadia que vejo; e isso, agora ficou muito evidente. Em comparação aos outros, desta vez repararam mais nisso também”, observa, com razão, afinal é o trio de instrumentistas feras que dá as bases tão perfeitas, com um equilíbrio tenso, para as histórias que Linari canta. Ajudou para isso, acredita o compositor, a produção de Bill Reinikova, amigo do tempo de escola e integrado ao circuito Grammy. “Grande parte do mérito deste disco é dele”, avalia, tentando se “eximir da culpa”.
Antes de mais nada, no entanto, teve a confiança de Wellington Dias, do Zine Gramophone, um seguidor da banda que motivou os rapazes. “Os anteriores foram feitos num “esquema guerrilha”, diz. Bom Dia Barbárie e Desconhece o Rumo Mas se Vai, em sua visão, são discos mais de um gueto político que artístico. “Na época não era tão evidente que as gravadoras estavam falidas, hoje é bem chique e todo mundo fala isso. Depois que gravamos o primeiro e não tivemos o retorno que imaginávamos nos perguntamos e agora?”, lembra. “Pra gente sempre foi muito mais prazeroso tocar junto do que fazer planos profissionais. E não somos virtuoses, viemos do punk rock, somos de pegar estrada junto”. Se a gravadora esperada inicialmente não veio, vieram fãs que espalharam a boa nova sobre, não uma nova “bandinha indie”, mas uma banda de verdade. Que faz música pra gente grande! Que não surfa na moda, não tem uma moçoila simpática na linha de frente, nem rapazes com seus cabelinhos bem penteados, mas tem o que ainda interessa para muita gente: música de verdade, que acerta em cheio.
Granada – lançado pelo selo Senhor F – está com boa repercussão “nesse nosso pequeno mercado alternativo. Recebemos muitas palavras carinhosas”.
Já a “outra mídia”, é indiferente. “Se voce me perguntar porque, não vou te responder porque não convém a mim julgar. É evidente que no meu íntimo penso mil e uma coisas. Imagino que não vejam relevância no que fazemos”, investiga, com a tranquilidade absoluta que vem da segurança de quem sabe que é isso que quer.
Certa vez um amigo puxou papo sobre o La Carne com um desses grandes jornalistas nacionais, que já havia falado bem da banda, conta Linari. Ele disse que o tempo do La Carne passou. “Falando bem desapaixonadamente, isso tem sentido. A gente sempre foi ruim de mídia”, diz. Postura assumida no texto pessoal do encarte do disco anterior, que com suas palavras deixava às claras as intenções. La Carne não nasceu para fazer tipo. Muito menos pra frequentar. Hoje, Linari pondera. “Não sei se foi correto, mas na época havia muita pressão em cima da gente e escrevi como um manifesto de intenções. Porque é muito fácil alguém bater na testa da gente carimbos incomodos, como uma banda injustiçada e detesto isso”, diz, comentando entrevista que viu recentemente de Tom Zé, que o fez chorar. “Confesso, me identifiquei quando ele disse que ninguém tem culpa de seu ostracismo, porque ele sempre teve um pouco de vergonha de ser artista. Porque de onde ele veio, bater no peito e dizer que é artista é complicado. Talvez isso revele essa inabilidade de se vender”, pondera.
La Carne toca com velhos amigos daqui. Folhetim Urbano está em vias de terminar seu disco de estreia e Gruvox se prepara para os primeiros shows em Sampa. Flavio Jacobsen embarca naquela direção logo após o show. Ele também vai aproveitar para terminar dois clipes da Gruvox, assinados por Renato Larini, um músico curitibano que voltou a pouco de Londres e agora vivendo em São Paulo. “Onde a fome espanto” e “demasiadamente humano” foram filmados em Londres. A noite vale ainda para conhecer o som da Popstars Acid Killers.
Serviço
La Carne, Popstars Acid Killers, Folhetim Urbano e Gruvox. Dia 6. Espaço Cultural 92 Graus
(Rua Des. Benvindo Valente, 280 – S. Francisco) R$10 e R$5 (mulheres até as 23h)
La Carne apresenta o repertório de Granada, seu disco mais poderoso, até agora (foto: Divulgação/Edson Kumasawa)Banda de Osasco mostra as novas músicas hoje no 92 Graus
Adriane Perin
A banda La Carne, de Osasco, está em Curitiba hoje para mostrar o repertório de um dos melhores discos do ano. Granada, quarto trabalho da banda, que se apresenta no Espaço Cultural 92 Graus, ao lado de Folhetim Urbano, Gruvox e Popstars Acid Killers, de São Paulo, tem um nome bem apropriado à história e à postura de Linari, Jorge, Carlos e Chicão. Granada é o sucessor de outro petardo, Desconhece o Rumo mas se Vai, e conseguiu ser ainda mais devastador - ou alentador, dependendo do olhar.
Uma história musical que iniciou em meados dos anos 90, e no começo, lembra Linari, eram os sonhos comuns a todo iniciante de fazer a vida na música, ter seu trabalho reconhecido - também por uma gravadora com força para dar suporte. Mas, o tempo passa, a realidade provoca e depende de cada um, a reação. A do La Carne foi seguir fazendo uma música como ninguém mais faz, de um vigor que namora o violento, calcado numa realidade ou situações mais fáceis ignorar. Nas músicas, Linari - um professor de História que leva pra cima do palco toda sua (ou seria nossa?) fúria, ainda que seja um cara gente boníssima - canta “cenas” que nos contam sobre um mundo que vive nas bordas. As ansiedades, as sacanagens que a vida apronta, o que lhe incomoda, ele transmuta em letras certeiras que explodem e implodem, se jogando na cara com força capaz de derrubar.
Se o compositor e cantor considera os trabalhos anteriores “manifestos”, com este Granada bate à porta uma certa maturidade. “A constante referência às letras me orgulha, claro, mas sempre tive um desejo íntimo que enxergassem no som a mesma ousadia que vejo; e isso, agora ficou muito evidente. Em comparação aos outros, desta vez repararam mais nisso também”, observa, com razão, afinal é o trio de instrumentistas feras que dá as bases tão perfeitas, com um equilíbrio tenso, para as histórias que Linari canta. Ajudou para isso, acredita o compositor, a produção de Bill Reinikova, amigo do tempo de escola e integrado ao circuito Grammy. “Grande parte do mérito deste disco é dele”, avalia, tentando se “eximir da culpa”.
Antes de mais nada, no entanto, teve a confiança de Wellington Dias, do Zine Gramophone, um seguidor da banda que motivou os rapazes. “Os anteriores foram feitos num “esquema guerrilha”, diz. Bom Dia Barbárie e Desconhece o Rumo Mas se Vai, em sua visão, são discos mais de um gueto político que artístico. “Na época não era tão evidente que as gravadoras estavam falidas, hoje é bem chique e todo mundo fala isso. Depois que gravamos o primeiro e não tivemos o retorno que imaginávamos nos perguntamos e agora?”, lembra. “Pra gente sempre foi muito mais prazeroso tocar junto do que fazer planos profissionais. E não somos virtuoses, viemos do punk rock, somos de pegar estrada junto”. Se a gravadora esperada inicialmente não veio, vieram fãs que espalharam a boa nova sobre, não uma nova “bandinha indie”, mas uma banda de verdade. Que faz música pra gente grande! Que não surfa na moda, não tem uma moçoila simpática na linha de frente, nem rapazes com seus cabelinhos bem penteados, mas tem o que ainda interessa para muita gente: música de verdade, que acerta em cheio.
Granada – lançado pelo selo Senhor F – está com boa repercussão “nesse nosso pequeno mercado alternativo. Recebemos muitas palavras carinhosas”.
Já a “outra mídia”, é indiferente. “Se voce me perguntar porque, não vou te responder porque não convém a mim julgar. É evidente que no meu íntimo penso mil e uma coisas. Imagino que não vejam relevância no que fazemos”, investiga, com a tranquilidade absoluta que vem da segurança de quem sabe que é isso que quer.
Certa vez um amigo puxou papo sobre o La Carne com um desses grandes jornalistas nacionais, que já havia falado bem da banda, conta Linari. Ele disse que o tempo do La Carne passou. “Falando bem desapaixonadamente, isso tem sentido. A gente sempre foi ruim de mídia”, diz. Postura assumida no texto pessoal do encarte do disco anterior, que com suas palavras deixava às claras as intenções. La Carne não nasceu para fazer tipo. Muito menos pra frequentar. Hoje, Linari pondera. “Não sei se foi correto, mas na época havia muita pressão em cima da gente e escrevi como um manifesto de intenções. Porque é muito fácil alguém bater na testa da gente carimbos incomodos, como uma banda injustiçada e detesto isso”, diz, comentando entrevista que viu recentemente de Tom Zé, que o fez chorar. “Confesso, me identifiquei quando ele disse que ninguém tem culpa de seu ostracismo, porque ele sempre teve um pouco de vergonha de ser artista. Porque de onde ele veio, bater no peito e dizer que é artista é complicado. Talvez isso revele essa inabilidade de se vender”, pondera.
La Carne toca com velhos amigos daqui. Folhetim Urbano está em vias de terminar seu disco de estreia e Gruvox se prepara para os primeiros shows em Sampa. Flavio Jacobsen embarca naquela direção logo após o show. Ele também vai aproveitar para terminar dois clipes da Gruvox, assinados por Renato Larini, um músico curitibano que voltou a pouco de Londres e agora vivendo em São Paulo. “Onde a fome espanto” e “demasiadamente humano” foram filmados em Londres. A noite vale ainda para conhecer o som da Popstars Acid Killers.
Serviço
La Carne, Popstars Acid Killers, Folhetim Urbano e Gruvox. Dia 6. Espaço Cultural 92 Graus
(Rua Des. Benvindo Valente, 280 – S. Francisco) R$10 e R$5 (mulheres até as 23h)
11/05/2009
Granada em Curitiba

E finalmente nossos comparsas de Osasco do La Carne desembarcam em Curitiba para apresentar o show de um dos melhores discos de 2009, Granada. A festa, que acontece nesta sexta-feira, no 92 graus, terá também Popstars Acid Killers (SP), Gruvox e Folhetim Urbano. Eu e a Adri vamos colocar uns discos lá.
Nos vemos lá!
Programa:
Show com as bandas
Gruvox - 23h
Popstars Acid Killers – 23h40
Folhetim Urbano – 0h20
La Carne – 1h
Sexta-feira – 06/11/09 – 21hs
Espaço Cultural 92 Graus
R. Des. Benvindo Valente, 280. Alto São Francisco.
Ingressos: R$10,00. ELAS R$5,00 ATÉ 23:00hs.
21:00hs A CASA ABRE COM PROMOÇÃO DE CERVEJA ALL NIGHT LONG!
CHEGUE CEDO, ESTACIONE NA FAIXA!!
11/03/2009
Celebration ou "um dia de cada vez"
Fotos: Felipe Gollnick



E a festa no Jokers foi muito legal. Digo festa porque mais do que um show, foi uma celebração. Por vários motivos. Primeiro por ser o nosso último show programado no ano. E segundo, uma comemoração – um pouco atrasada é verdade – dos recém aniversariantes Adri e Gian, além do lançamento do novo EP.
Mas também e principalmente porque também foi o último show com essa formação. Como diz a canção, "não me pergunte, eu não sei" exatamente o que vai acontecer daqui pra frente. Da minha parte estou em uma fase da vida que não faço planos para o futuro mais do que para a próxima semana ou o próximo mês. E de certa forma me sinto bem assim. É bom viver a vida de acordo com o que ela se apresenta, sem alimentar grandes expectativas. Porque grandes expectativas quase sempre levam a grandes frustrações. Já dizia o filósofo Jésus: “a cada dia a sua própria angústia”. Me convenço cada vez mais que o negócio é viver um dia de cada vez mesmo. Porque quanto mais a gente faz planos, mas o destino teima em nos contrariar.
Enfim, mas voltando ao show, com certeza foi o nossa apresentação mais “power”. Acho que até por todos esses fatores que eu falei acima, todo mundo tocou “com a faca entre os dentes”. Quase todas as músicas ficaram mais rápidas, pesadas e com uma pegada forte. E funcionaram, o que é mais importante.
Todo mundo estava no gás e na sintonia de tocar e se divertir. Nossa “cozinha” mandou muito bem, com Alan impressionando os bateristas amigos presentes pela desenvoltura. E o Igor também não deixou por menos, mantendo o groove em alta e o beat certeiro. Carlão com sua guitarra minimalista desenhando licks e linhas na medida. E o Gian, despirocando e pulando que nem uma criança que ganhou um doce. Eu tentei como sempre não atrapalhar muito, mas me diverti bastante. O som colaborou e quando isso acontece, tudo fica mais fácil. Quem dera fosse sempre assim.
Na verdade, pensando bem, não temos do que reclamar. Todos os seis shows que fizemos esse ano foram legais. E pra mim o de sexta entra certamente na disputa com o do Wonka (17/07) e do Expressões Oi (19/07) na briga pela primeiro lugar no top five das apresentações da Hotel Avenida em 2009. Com o do Rock de Inverno 7 (24/07) e o primeiro do James (26/02) vindo logo em seguida.
Pra quem como eu sempre teve uma relação de “amor e ódio” com shows, por tudo o que envolve esses eventos, um índice de aprovação de cinco em seis shows é um recorde. E o mais legal é que tirando o do Rock de Inverno, todos os outros shows aconteceram naturalmente, por convite, sem que a gente tivesse que ir atrás. E tiveram todos ótima recepção de quem foi ver. O que confirma a qualidade do trabalho da banda.
Agora é curtir um recesso, enquanto preparamos o lançamento do DVD do Rock de Inverno 7, esse sim o último “acontecimento” de 2009 pra Hotel Avenida, em um ano atribulado, difícil, mas muito produtivo.
Aos comparsas - Carlão, Igor, Alan, Eduardo, Rubens - o meu muito obrigado. E em especial ao Gian, por ter me dado a oportunidade de renovar a minha paixão e vontade de fazer música, de uma forma que eu mesmo nem esperava mais. 2010 ta aí. Vamos ver no que dá.



E a festa no Jokers foi muito legal. Digo festa porque mais do que um show, foi uma celebração. Por vários motivos. Primeiro por ser o nosso último show programado no ano. E segundo, uma comemoração – um pouco atrasada é verdade – dos recém aniversariantes Adri e Gian, além do lançamento do novo EP. Mas também e principalmente porque também foi o último show com essa formação. Como diz a canção, "não me pergunte, eu não sei" exatamente o que vai acontecer daqui pra frente. Da minha parte estou em uma fase da vida que não faço planos para o futuro mais do que para a próxima semana ou o próximo mês. E de certa forma me sinto bem assim. É bom viver a vida de acordo com o que ela se apresenta, sem alimentar grandes expectativas. Porque grandes expectativas quase sempre levam a grandes frustrações. Já dizia o filósofo Jésus: “a cada dia a sua própria angústia”. Me convenço cada vez mais que o negócio é viver um dia de cada vez mesmo. Porque quanto mais a gente faz planos, mas o destino teima em nos contrariar.
Enfim, mas voltando ao show, com certeza foi o nossa apresentação mais “power”. Acho que até por todos esses fatores que eu falei acima, todo mundo tocou “com a faca entre os dentes”. Quase todas as músicas ficaram mais rápidas, pesadas e com uma pegada forte. E funcionaram, o que é mais importante.
Todo mundo estava no gás e na sintonia de tocar e se divertir. Nossa “cozinha” mandou muito bem, com Alan impressionando os bateristas amigos presentes pela desenvoltura. E o Igor também não deixou por menos, mantendo o groove em alta e o beat certeiro. Carlão com sua guitarra minimalista desenhando licks e linhas na medida. E o Gian, despirocando e pulando que nem uma criança que ganhou um doce. Eu tentei como sempre não atrapalhar muito, mas me diverti bastante. O som colaborou e quando isso acontece, tudo fica mais fácil. Quem dera fosse sempre assim.
Na verdade, pensando bem, não temos do que reclamar. Todos os seis shows que fizemos esse ano foram legais. E pra mim o de sexta entra certamente na disputa com o do Wonka (17/07) e do Expressões Oi (19/07) na briga pela primeiro lugar no top five das apresentações da Hotel Avenida em 2009. Com o do Rock de Inverno 7 (24/07) e o primeiro do James (26/02) vindo logo em seguida.
Pra quem como eu sempre teve uma relação de “amor e ódio” com shows, por tudo o que envolve esses eventos, um índice de aprovação de cinco em seis shows é um recorde. E o mais legal é que tirando o do Rock de Inverno, todos os outros shows aconteceram naturalmente, por convite, sem que a gente tivesse que ir atrás. E tiveram todos ótima recepção de quem foi ver. O que confirma a qualidade do trabalho da banda.
Agora é curtir um recesso, enquanto preparamos o lançamento do DVD do Rock de Inverno 7, esse sim o último “acontecimento” de 2009 pra Hotel Avenida, em um ano atribulado, difícil, mas muito produtivo.
Aos comparsas - Carlão, Igor, Alan, Eduardo, Rubens - o meu muito obrigado. E em especial ao Gian, por ter me dado a oportunidade de renovar a minha paixão e vontade de fazer música, de uma forma que eu mesmo nem esperava mais. 2010 ta aí. Vamos ver no que dá.
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