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11/30/2009

Melhores da década por mim mesmo ou quem liga pra listas

Nunca gostei de listas. Pra falar a verdade, tenho uma relação de amor-ódio com elas (mais ódio que amor). Sempre achei que arte em geral, música em particular, não é competição esportiva. Não cabe nesse tipo de classificação porque uma coisa não exclui a outra. O fato de eu gostar de Beatles não me impede de ouvir Stones. E não faz sentido nenhum querer comparar coisas diferentes, dando a elas um valor intrínseco melhor-pior. Tudo depende como aquilo bate em você, dentro de um contexto muito pessoal, que é praticamente é impossível mensurar de forma objetiva.
Mas nos últimos anos, tenho sido convidado pelo Scream Yell pra participar das votações de melhores do ano. E por gostar muito do SY e ter um carinho especial pelo Mac, que considero um dos poucos jornalistas especializados em música da atual geração no País que realmente gosta de música, e não quer só fazer pose de antenado, fiz questão de participar, mesmo não me achando gabaritado para julgar o que quer que seja. Até porque, não sou crítico musical, não ouço todos os discos que estão sendo lançados de uma forma sistemática. Aliás nem quero. Portanto, nem teria condições de julgar se isso é melhor que aquilo outro, etc, querendo dar a isso algum caráter de verdade.
Pois bem, esse fim de semana fechei a lista de melhores da década que o Mac pediu, sobre os anos 2000-2009. E como das outras vezes, mais do que uma lista com critérios objetivos, a minha é muito mais uma relação baseada em afinidades pessoais, de memória afetiva. Não tenho a pretensão – de jeito nenhum – de que dizer que esses foram os melhores discos lançados no período, obviamente. Mas posso dizer com absoluta convicção de que esses foram alguns dos discos que mais me tocaram pessoalmente, que mais frequentaram o aparelho de som da minha casa, que mais me emocionaram e me fizeram cantar junto, ficaram rodando na minha cabeça, de ter vontade de ter feito essas músicas. De querer conhecer mais e ver essas bandas tocando. No caso específico das bandas nacionais, não por acaso, boa parte delas a gente teve a oportunidade e o privilégio de trazer pra tocar em Curitiba. E conhecê-las pessoalmente só aumentou a nossa admiração pelo trabalho delas.
Dito isso, publico abaixo a minha lista de melhores da década. Como digo, totalmente pessoal e intransferível. É claro que tem muitos outros discos/artistas e bandas que eu poderia ter relacionado, e isso é uma das coisas que me deixa incomodado com listas, porque sempre fica coisa legal de fora. Mas enfim, foi a síntese a que eu consegui chegar, meio no susto, porque como sempre deixei pra última hora e tive que tentar puxar pela memória, sem ficar de grandes elocubrações. O mais legal é perceber que ouvir esses discos continua sendo uma experiência única e emocionante pra mim. E confirmar que essas músicas fazem parte – de forma inequívoca – da trilha sonora da minha vida.

Melhores discos nacionais

Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
Íris – Bizri (2004)
Deus e o Diabo – Também morrem os verões (2004)
Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
La Carne – Desconhece o rumo mais se vai (2003)
Cascadura – Vivendo em grande estilo (2004)
Gianoukas Papoulas – Gianoukas Papoulas (2003)
Pipodélica – Simetria radial (2003)
Beto Só – Dias mais tranquilos
Charme Chulo – Charme Chulo (2007)

Melhores discos internacionais

Spiritualized – Let It Come Down (2001)
Mojave 3 – Excuses for travelers (2000)
Nick Cave – No more shall we part (2001)
Cowboy Junkies – One soul now (2004)
Mercury Rev – All is a dream
Beth Gibbons & Rustin Man – Out of season (2002)
Tindersticks - Waiting for the moon (2003)
Cat Power – The Greatest
Morphine – The night (2000)