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7/03/2009

Arnaldo Baptista - Esse cara não vai virar bolor na estante empoeirada

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Documentário traz pessoas importantes na vida e obra de Arnaldo Baptista, menos “Ritinha”

Muitas biografias de brasileiros importantes estão por serem escritas.

Adriane Perin

Muitas biografias de brasileiros importantes estão por serem escritas. É provável que tenhamos que esperar ainda mais tempo para esta lacuna ser coberta à altura dessas pessoas, pelo que se nota do que tem sido publicado por aí. É verdade, também que o volume de material biográfico aumentou. Nas últimas semanas até os cinemas de Curitiba, conhecidos por ficarem pra trás nos lançamentos com um pezinho no alternativo, tiveram em cartaz três cinebiografias de importantes músicos brasileiros: Wilson Simonal, Paulo Vazolini e Arnaldo Baptista.

A história do criador, líder dos Mutantes, seguem em cartaz. É mostrada com tranquilidade por Paulo Henrique Fontenelle no documentário Loki – Arnaldo Baptista, que acompanha a retomada dos Mutantes sem Rita Lee, no show de Londres, no aniversário da Tropicália. Com entrevistas e imagens de arquivo reconstroi a tortuosa história deste que, sem dúvida alguma, está bem lá no alto da lista dos caras que mudaram a música. É um documentário de fã, mas Fontenelle nem era tanto quando começou um programa sobre os Mutantes, para o Canal Brasil, produtor do filme. Ficou assim, como disse em entrevista ao JE, depois de ouvir o disco Lóki, um dos mais impressionantes feitos na música brasileira, pelo alto teor emocional. É tão cheio de sentimentos, de saudades, de dores, e arrependimentos, também, que machuca até quem ouve — e, pode acreditar, nem se ouve ele impunemente, nem é possível ouvi-lo qualquer dia.
Ali, está um Arnaldo fragilizado tanto pela separação de Rita Lee e rumos da banda, como pelos efeitos do consumo de drogas. Incapacitado de separar vida e arte, mergulhou tão profundamente na mistura que desmoronou sua existência, mas acabou por construir uma obra que continua sendo única. No documentário, estão pessoas importantes em sua vida, mas não Rita Lee. A relação com ela é tratada de maneira muito bonita pelos amigos. Não existe dúvida que foi um amor mais do que arrebatador. Todos falam com muito cuidado, compreendendo que as relações amorosas têm suas nuances só percebidas por quem as viveu.

O filme mostra todas as fases: o começo, na adolescência; tropicália; sem Rita nos Mutantes, com a Patrulha do Espaço e a solo, marcada por machucados visíveis, recados e pedidos de desculpas em canções que fazem a gente chorar. E a fase da internação para desintoxicação quando ele caiu da janela da clínica; o ostracismo, sem esquecer a da recuperação, sob os cuidados de Lucinha Barbosa, fã que virou mulher, mãe, amiga e protetora.

Arnaldo Baptista, como o são as pessoas geniais, não foi um cara fácil de se conviver. E as pessoas que depõem no filme, parece, são condescendentes com ele, abrigadas também no distanciamento que o tempo traz. Mas, todas são unânimes em reafirmar a genialidade de Arnaldo, em reconhecê-lo como “o cara” dos Mutantes e ao ver a sua obra como uma das mais revolucionárias da música. Arnaldo Baptista ainda não tem uma biografia “definitiva”, mas já tem uma cinebiografia que consegue colocá-lo no patamar que lhe cabe. Muito se fala de outros grandes nomes geniais da música brasileira, mas não são tantas assim as que citam Arnaldo. Quem sabe, justiça começa a ser feita.

5/13/2009

Curitiba tem jazz, sim senhor!

Jornal do Estado/Bem Paraná


O pianista Gebran Sabbag, o trombonista Raul Souza (foto) e o maestro Waltel Branco: músicos que ajudaram a construir, aqui de Curitiba ou buscando outros espaços, a história da música brasileira (foto: Divulgação)

É essa história que ganha destaque no documentário Música Subterrânea

Adriane Perin

La Vie en Rose, Marrocos, Moulin Rouge, King’s Club, Gracefull e o Clube Tropical. Se você viveu as décadas de 1950 e 60 em Curitiba e gostava de boa música, é possível que estes nomes estejam revolvendo suas lembranças. São nomes de algumas das casas de jazz da efervescente capital paranaense em meados do século passado. Uma cena que era forte e seguiu até os dias de hoje cheia de histórias que ficam na memória de poucos. Mas, cada vez, pode acreditar caro leitor, tem gente de olho nessa que é a “nossa história”. Um desses núcleos é o projeto Olho Vivo, de Luciano Coelho, cujo acervo de pesquisa fica cada vez mais precioso, e que agora se debruçou no jazz produzido em Curitiba. Um dos resultados é o documentário Música Subterrânea, assinado por Coelho, cuja exibição de lançamento será amanhã, no Wonka, na noite de jazz do bar.

A bonança daqueles anos na cidade refletia um dos momentos áureos da economia local e suas grandes safras de café, o chamado “ouro verde”. O movimento atraia músicos de vários lugares do país e teve palco principalmente nas boates da cidade, onde o repertório habitual começou a ser substituído pelo estilo musical norte-americano. O assunto é de interesse de Luciano há muito tempo, fã de jazz que é, e um observador próximo desse circuito que, me parece, é ainda mais maltratado, em certo sentido, que o das bandas independentes pelo seu público potencial. Mas, que tem um público fiel que acompanha os “êxodos” de seus instrumentistas pela cidade.

“A maior parte dos músicos que aparecem no trabalho eu já vi tocar várias vezes e sempre gostei muito de assisti-los e de perceber a qualidade e, também, que como em outras áreas, Curitiba tem uma peculiaridade: tem os artistas que ficaram e os que foram embora”, comenta. Um dos primeiros casos famosos é de Airto Moreira, que passou três dos anos muito significativos de sua formação musical, na cidade. “Ele coloca isso no filme. É um cara super importante para a música mundial, tocou no grupo de Miles Davis”, acentua Coelho. Um caso oposto ao dele, é o do pianista Gebran Sabbag, hoje uma espécie de eminência parda do jazz local.

“Um super pianista citado por todos que entrevistei e que ficou aqui e foi praticamente esquecido por muito tempo. Uma pessoa hoje ainda muito desconhecida e que não pede reconhecimento da arte que faz. O filme acompanha essa geração do Gebran, da época em que havia muita vida noturna e muita música nas boates da cidade. O próprio Gebran diz que eram umas 20 casas”, comenta o documentarista que, de papo informal em papo informal entre os músicos que gravou, reconstruiu essa história.
Moreira é um conhecido, mas tem um outro “estranho”, que começa a ser notado e não aqui na cidade, apenas. Um tal Guarany Nogueira. “Cada vez mais se comenta que a batida da bateria da bossa nova foi criada por aqui por este músico que tocava na banda de Waltel Branco e Gebran”, conta o diretor. “Ele e o Waltel foram para o Rio e o Guarany foi tocar com João Gilberto e agora isso está vindo à tona. Quem conta no nosso filme é o Robertinho Silva, um dos maiores bateristas brasileiros”, situa Luciano, emendando outro porém. “Isso sem falar no Waltel. Nem todos sabem mas o arranjo de “Chega de Saudade” não é do Tom Jobim, não; é dele. É que a gente tem ainda uma imagem de Brasil como sendo o Rio de Janeiro”.

O documentário foi possível pelo Fundo Municipal via edital de patrimônio imaterial, o que é muito interessante. Com verba pública, foi possível fazer a pesquisa coordenada por Débora Aguilham. Basicamente, explica Luciano, foram longas conversas, que renderam 30 horas que agora ele está sofrendo para transformar em 1h50. Não dá para perder a exibição de amanhã, porque não tem outra marcada. Primeiro, terminar o trabalho, depois agilizar uma agenda para que ele seja mais conhecido.

Foram muitos momentos comoventes no encontro com cinco gerações de músicos locais, conta ele, um deles, a conversa com Scarlate, um (super, na definição de Luciano) guitarrista que está bem velhinho e que não tem destaque atualmente. “Mas a maneira como ele conta que veio para Curitibapara ser faxineiro... as histórias lembradas das madrugadas no Bar do Saul...”

Serviço
Lançamento de Música Subterrânea , com banda Wonka Jazz Project e jam session. Dia 14 às 21h. Ingressos a confirmar. Wonka Bar (Rua Trajano Reis, 326. Informações: (41) 3015-1592

10/19/2008

Grashopper e Joy Division

Grasshopper And The Golden Crickets (The Orbit Of Eternal Grace)


disco do guitarrista do Mercury Rev. tirado do blog Amor Louco, que aliás, tem muita coisa boa.

Joy Division


Outra descoberta recente foi o blog Arapongas Rock Motor, especializado em filmes underground e de rock, música, etc, que fiquei conhecendo através de outro blog, o Go to Heaven. De lá baixei esse maravilhoso documentário sobre o Joy Division, dirigido por Grant Gee, sobre o qual, aliás, nosso amigo Marcelo Borges já escreveu em texto para o Jornal do Estado publicado em maio. Um complemento perfeito para o "Control", filme de ficção dirigido por Anton Corbijn sobre a vida de Ian Curtis. Sou suspeito pra falar, afinal sou fã da banda e o Joy foi um dos artistas que mais impacto causou em mim, inclusive levando a querer fazer música. Mas o documentário é muito bom, mesmo pra quem não gosta do som, porque mostra bem como a história da banda está ligada à sua cidade, Manchester. Além disso, os caras foram precursores em muita coisa, inclusive nesse lance do independente, e na atitude para com a música. Vale a pena baixar e conhecer. Abaixo um trailer do mesmo.



"Nós fazemos música para nós mesmos, mas esperamos que ainda assim,
outras pessoas gostem dela."


Ian Curtis


Decades
Décadas

Aqui estão os jovens, um peso em seus ombros
aqui estão os jovens, bem, onde estiveram?
batemos nas portas das salas mais sombrias do inferno
levados aos limites, nos arrastamos para dentro
observávamos das coxias enquanto as cenas se repetiam
nos vimos agora como nunca tínhamos visto
retrato dos traumas e degeneração
As mágos que sofremos e nunca fomos libertados
onde estiveram, onde estiveram?

Cansados por dentro, agora nossos corações perdidos para sempre
não podemos nos recompor do medo e da ânsia da perseguição
estes rituais mostraram a porta para nossas caminhadas sem rumo
aberta e fechada, e então batida na nossa cara
onde estiveram, onde estiveram?

tradução: blog Spectrumgothic