10/31/2013

ruas

O bairro tinha quatro ruas, todas com nomes de escritores,
mas ninguém por ali, sabia.
E a placa azul na esquina ficou pálida sem que os garotos a notassem.
E finca sua estaca na porta!
Toda manhã ela fazia o mesmo trajeto: saia de casa por volta das 8h, com um agasalho verde musgo.
Fizesse frio ou calor, ela com ele. Sempre. Combinando mais ou menos com a blusa ou camiseta.
Ela parava na esquina do ponto de ônibus, pois sempre havia algum conhecido para dizer bom dia!
Seguia, então, ao boteco da esquipa para o desjejum: café com leite naquele copo grande – mais café, que é pra acordar – e um pão d'água, ás vezes com mortadela, noutras só com a manteiguinha da casa – aquela que a patroa do boteco colocava na mesa de sua cozinha toda manhã.
Antes, o cheiro da lenha nem era algo pra ser notado, todo dia estava ali tomando conta de tudo; comum, forte – deixaria marcas que ela nem imaginava.
Nossas verdades e certezas impediram de conhecer os outros medos e inseguranças. E assim, seguimos longe, talvez mais do que gostaríamos e admitimos, daquilo que acreditamos.
E por isso ela não perdeu tempo pensando muito nisso. Só agora, que o tempo passou e ela vai sozinha tomar seu café da manhã, sem sentir o cheiro da lenha queimando no fogão de ferro, é que percebe.
Sentada no cantinho do balcão é a única mulher no lugar. Observa, tentando disfarçar, os movimentos. Martelinhos na mão, eles começam seu dia. E o deixam passar assim, sem uma razão aparente, só esperando que tudo escape entre os dedos e a lua anuncie que é hora de voltar para aquele silêncio. Não é um silêncio ruim. É só o silêncio de quem não quer dizer mais nada. De quem sente que não tem nada para dizer.
Na volta, com seus passos sem pressa, olha outra vez praquela velha placa azul com o nome do bairro e da rua. O número é mesmo. As pessoas não.


tudo errado

Às vezes eu penso que fiz tudo errado.
Você nunca?!
E um frio gelado,
com o dedo em riste na tua cara,
atravessa a sala.

sorrir

eu queria acreditar em você
conseguir,
olho no olho,
sorrir
mas esse meu peito espremido aperta a garganta
seca
a voz treme
e só o que resta é uma porta entreaberta
sorrateira,
apaga a luz depois de sair
fecho os olhos
eles ardem e doem...
deixa isso pra lá
agora, dorme!


arredia

Alheia aos dois ela dorme
e sonha entre histórias perdidas
nas noites arredias

em que se agarra nas canções

Enxurrada

Sil saiu caminhando na chuva em direção ao portão. Não havia mais nada a dizer portanto também não havia o que fazer naquela hora. Era melhor mesmo caminhar um pouco e deixar a chuvinha fina que ameaçava engrossar bagunçar as luzes fracas que iluminam o parque. Guardou o óculos no bolso, acendeu um cigarro e tentou puxar o gorro o suficiente pra formar uma aba de proteção. A imagem dele falando coisas que ela não entendia sobre coisas que não aconteceram, como se mesmo vivendo na mesma casa há 10 anos tivessem estado em terras distantes, confundia tudo que acontecera nos últimos 60 minutos.
Sil nem sentiu quando uma pessoa passou a seu lado apressada esbarrando na bolsa com seu computador, única coisa que pegara ao sair de casa correndo. Ao ver a máquina se espatifar no chão algo aconteceu e foi como se o mundo tivesse vindo abaixo, num dilúvio de frustração desencadeado por um estalo inesperado!
Largada na calçada deixou o corpo arcar e soluçou, tanto, que se sentiu sem forças até pra levantar. Então, ficou ali. Sozinha no escuro, a chuva colando a roupa no corpo; sentindo a voz e até mesmo os soluços sumirem enquanto a enxurrada deixava só aquele frio gelado.
Do mesmo jeito que veio, a tempestade foi embora. E ela recomeçou os passos de onde parou. Meia volta lenta observando a água correr pelos cantos da rua de paralelepípedo, marrom, grossa... naquela água suja da chuva formando minúsculas ondas deixou correr junto toda aquela confusão de pensamentos e simplesmente seguiu até o fim da rua. Sil estava sem um pingo de vontade de existir, naquele resto de noite.

10/03/2013

The Tumbling Tumbleweeds, Cowboy Junkies e eu



Meu primeiro contato com o Cowboy Junkies foi através dessa resenha da revista Bizz. Tempos depois, comprei o disco e foi paixão à primeira ouvida. Que embalou muitas madrugadas, desde quando eu ainda morava na garagem da casa verde em Ponta Grossa. Era um disco perfeito para se ouvir no fim de noite, quando os sentidos já estavam cansados pelos excessos e aquele som delicado, profundo e melancólico servia como moldura sonora para o alvorecer. Tempos depois a Adri comprou o Caution Horses, e desde então, seguimos a carreira dessa banda, que se tornou uma referência básica, e principalmente, parte indelével da minha memória afetiva.
Pois quis o destino que mais de vinte anos depois eu fosse convidado para participar de um projeto tributo aos Junkies. Algo que eu mesmo jamais esperava, e que me deixou absolutamente em estado de graça. Ainda mais partindo de um músico com o o JC Branco, cujo trabalho acompanho e admiro desde os anos 90, com o Woyzeck, e que depois passou (e em alguns casos permanece) por outras formações importantíssimas para a música de Curitiba, como Bad Folks, Excelsior, Svetlana e Wandula (os três últimos tendo se apresentado no Rock de Inverno).
Por isso é uma baita satisfação, honra, prazer, alegria participar hoje desta apresentação no Vox, ao lado desse grupo de músicos, e ter a oportunidade de celebrar o trabalho dessa banda que eu tanto amo e que faz parte da trilha sonora da minha vida.

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P.S: Procurando a Bizz onde saiu essa resenha, acabei vendo que ao lado, saiu também a resenha sobre o Cemitério dos Elefantes, coletânea que praticamente apresentou o rock curitibano ao Brasil no início dos anos 90. Nada é por acaso.

só shows bacanas

Hoje, quinta, 03 de outubro, tem esse imperdível aqui, no Vox, com participação do Ivan Santos. Este aqui é amanhã, abrindo a segunda temporada. Dá uma olhada na programação toda, no final, tem festa de aniversário de uma certa Adri Perin também, no dia 25 de outubro. Tão sabendo bem antes, sem desculpa, hein! E este é no domingo, dia 6, mais uma volta dos que não foram, no inesquecível, Lino's!

8/29/2013

Lu Jardinadora - a gatinha punk

A Lu não foi a mais linda das gatinhas que eu já tive. Nem a mais peralta. Nem a mais próxima, no começo. O que ela foi, desde o começo, foi a Lu Jardinadora. Ela nasceu na casa das jabuticabas e, enquanto todo o resto da trupe preferia ficar pelos lados, nos terrenos vazios por perto, ela era a única que sempre estava na parte da frente, no jardim. Sempre foi mirradinha, herança da matriarca, Manuela, mignonzinho, como eu dizia. Por ser pequenina, aparentava uma fragilidade. Até que um dia descobri seu lado b. Indo pro trabalho uma manhã, eis que vejo a mocinha saindo da valeta, descobri que ela era uma esgoteira. Foi um achado pra nós e desde então ela virou a nossa gatinha punk, a felina underground da família. Ela era irmã do Lo, um gato sem vergonha, maravilhoso de lindo, preto também, que depois de uma briga simplesmente sumiu. A última coisa que lembro são seus olhões amarelos bordados, me olhando pelo vidro da janela e eu dando de dedo nele. Nunca mais o vimos. Por esta época ele andava atormentando as gatas, possessivo que só, achando que a casa era só dele. A partir do instante em que ele foi embora, a Lu começou a ocupar o seu espaço na minha vida, muito mais próxima de mim. A cada dia, ela ficou mais e mais e foi entrando para ala das “mais experientes” da família - era a sobrevivente, como a Tigra. Ela não foi escolhida por nós pra ficar na casa. Ela ficou. Desde 11 de outubro de 2001. Ao lado da Tigra e da Baby nesses últimos 4 anos virou uma das mais velhas da família. Aqui na casa do Abranches ela fez valer ainda mais o nome Lu Jardinadora, porque achou um cantinho, do tamanho dela, bem ao lado do portão, embaixo de um pequeno arbusto que lhe fazia sombra e a mantinha quentinha ao mesmo tempo. Passava horas ali, esparramada no cantinho dela. Perdi 'a' foto, dias antes de tudo acontecer tão rápido. Aqui na Casa do ABranches, alias, nesses últimos 7 anos, nossos laços se amarraram ainda mais e ela, visivelmente, foi se achando mais e mais a minha dona. Eu fui o tapete, o colchão, a cama dela, o travesseiro, a escada, o puleiro dela. De dia, ela ficava lá fora. Era chegar em casa e sentar em frente à televisão, que lá vinha minha pequenina, esticando suas patinhas em direção ao meu rosto, querendo mordiscar a ponta dos meus dedos. Com o sofá, ela parecia mesmo estar dormindo tranquilamente em cima da minha cabeça, dependendo do lado que se olhasse. Conversava comigo sim, com seu miadinho pequeno, suave como ela. Era a mais relax, me acalmava; ouvia música com a gente e dançava comigo – ela achou um jeito de ficar no meu colo, não importando o movimento que eu fizesse: ela se adaptava. Não tem como não rir, lembrando disso. Um riso molhado, mas é um sentimento bom. De repente, em questão de dias, começou a emagrecer. Mas, como sempre foi magrinha, demorei a perceber que não estava comendo direito, nessa correria. Minha culpa. Eu não percebi. E ela não reclamou de nada. Não teve dor, não se machucou. Nada. Quando notei a diferença comigo já era tarde. Simplesmente, no dia 15 de agosto, ela foi para o médico, pois por ser velhinha e gata, ele preferiu fazer exames. Ela não voltou. Foi o mesmo dia em que meu pai morreu. Em questão de duas horas, a entreguei para a clínica naquela caixinha que odeio e recebi uma ligação do hospital. A notícia sobre meu pai chegou antes; a dela só soube na manhã seguinte. Uma intoxicação a levou junto. Não teve como saber se algo que comeu, se envenenamento, e também não importa. Menos de 12 horas e ela não resistiu. As tristezas se juntaram e só sobrou o não saber o que dizer, essa sensação estranha de estar quebrada, zonza, meio grogue. E outro lugar vazio, agora no jardim. E essa vontade de chorar, chorar, de ter feito tudo diferente, de ter prestado mais atenção, que bate junto com a saudade... enfim, esses buracos que se abrem na gente quando a gente perde alguém muito importante. O amor dela por mim era perfeito. E ela não exigia (quase) nada. Só estava ali. E bastava ela estar ali para eu estar calma, tranquila. E para ela, bastava saber, parecia, que eu voltaria. Eu vou continuar voltando. Mas, aquela hora de não fazer nada, não vai mais ser igual. Vai faltar a Luluzeba sentindo um cheirinho bom no ar e chegando apressada para participar da roda. Vai faltar o peso dela passeando em cima de mim; não vai mais ter motivo pro Ivan zoar comigo por conta da gata “em cima da minha cabeça”. E aquele cantinho no lado do portão que sempre que saio atrai meu olhar – para logo lembrar que não, a Lu não vai mais estar ali. nada do que eu faça vai mudar isso. É ali que pretendo plantar uma flor bem linda pra minha pequenina ficar sempre por perto. No jardim que ela curtiu muito mais do que eu!

8/05/2013

Radiocaos no Parque S. Lourenço

Uma tarde linda, num dos parques que mais curto da cidade - difícil isso, com tantos lindos. Radiocaos deu ainda mais charme ao parque ontem, com convidados bacanas, boa música. Fiz alguns cliques!

7/22/2013

imof na 4ª UV Night - imagens

O caos que tomou conta de Curitiba, com uma chuva que não parava, muito frio,árvores caídas e quedas de luz, não impediu as bandas Imof, clube las vegas e Wack de fazerem três grandes shows, na noite do último sábado, 20 de julho de 2013, no 92 Graus, em Curitiba. Lá pelas tantas, Jr avisava aos jovens presentes que tava todo mundo sem luz ao redor, só o 92 segurou firme. e assim foi. pena que não consegui registrar a última banda pois a bateria da câmera decidiu unir-se aos que já tinha parado Curitiba. rs. Algumas fotos, espero que logo algum vídeo.

7/10/2013

Tô com fome desde ontem (Ou Viva a Baixa Gastronomia!)

Não costumo escrever sobre gastronomia, mas lendo o caderno Comida, da Folha de hoje, fiquei cheia de vontades: de comer uma comidinha bem brejeira, calmante e, portanto, com sabor de "comer em casa". E também de escrever sobre o que penso disso tudo. Pra começar, seria bom se tivessemos, também aqui em Curitiba, opiniões especializadas mais críticas e não apenas essas impressões de 'release' cheias de frases de efeitos e termos estrangeiros, supostamente chiques (que eu acho de um colonialismo constrangedor, na maioria dos casos). Tá, tudo bem, como não acompanho disciplinadamente as publicações do ramo, posso estar perdendo algo e aceito de bom grado, indicações para leituras mais apuradas neste campo - embora, já confesse de antemão muito mais disposição para experimentar do que ler, neste caso. Não pretendo frequentar os chamados "espaços gourmet" de preços absurdos. Quando quero passear no outro lado, e se é pra pagar caro, tenho cá meus (velhos) endereços certos (de guerra, como o querido Old West, ao qual voltamos, eu e ivan, dia desses, depois de muitos anos. Não foi surpresa - mas sim uma imensa alegria - comprovar que eles continuam como eram nos anos 90. Prepare o bolso, mas saiba que vai provar pratos de alto nível e não enganações visuais que assustam o apetite e só apavoram o bolso. E tem ainda o ambiente - se é pra decoração ser tããão importante, que seja a luz de velas -, deliciosamente noturno, do tipo que dá vontade de chegar mais perto; e o atendimento simpático, gentil e eficiente sem ser ostensivo (odeio, quando ficam do meu lado esperando... e também odeio quando já escolhi e não aparece ninguém para anotar!). ******** Tá, mas quero mesmo é falar do dia a dia, porque ontem vivi um dia tragicômico em termos de comida, em Curitiba. E a culpa foi toda minha.***** Já faz tempo que me causa espanto a conformação das pessoas em relação aos preços abusivos cobrados por comidas absolutamente sem sabor, sem vida! Tão frias que causam um imenso desgosto ao (meu) estômago, coração e cansam a mente - sim, porque sempre fico pensando como é que pessoas inteligentes, com bom gosto como algumas que já conheci se deixam engabelar por essa falta... de tudo, né?! Eu sou mesmo é da Baixa Gastronomia. Adorei quando surgiu o termo, o blog, pois ficou evidente que era daquilo que tanto falávamos aqui em casa, gostávamos e procurávamos em Curitiba - em especial os maravilhosos PFs, que, parecia, tinham sumido do mapa para dar lugar aos tais "pratos executivos". Eu sempre lembrava é do "sortido" que servíamos no bar do 'seo' Perin láááá atrás... TEm outro detalhe, no dia a dia, eu até tento me conformar, mas em geral me recuso a pagar 9, 10 reais pela comida que tá rolando por aí - acabo preferindo lugares por peso (ok, Barcinski, hoje também concordo que é comida morrendo!) e como pouco. A não ser quando estou com muuuita fome, mas daí tenho endereço mais do que certo nestes tempos de BG: Nonna Giovana, na São Francisco, imbatível pra mim desde a segunda vez que entrei lá. E o pf da Ivete,na Mateus Leme e, principalmente, o pf dos chineses, na José Loureiro (neste, tem inclusive um 'meio-prato' com a quantidade ideal para a fome do meu tamanho. Ele me lembra o saudoso Ginjinha que, se existesse agora seria astro da BG também, alí pertinho da Gazeta). Esse virou meu triunvirato alimentar da região central de Curitiba. O único problema do Nonna, repito, é o tamanho dos pratos. Lá mesmo com muuiuita fome, não dá pra ir sozinha: é muita comida. e eu fico com peso na consciência por deixar comida no prato. Gosto muito também do velho amigo de guerra Mignon e do bar do Silvio, mas tenho ido pouco ao primeiro e o segundo também é muita comida para eu sozinha. É para dias com companhia. Só de pensar nesses lugares - em especial o Nonna - meu estômago já fica histérico. KKKKKKKK ************* Tudo isso para contextualizar o que significou meu dia ontem. Cometi um erro e não fui no PF por causa do horário - e porque agora que mais gente sacou o quanto é bom, sempre falta mesa nos horários de rush. Acabei, morrendo de fome, já no final da tarde, parando numa dessas franquias de grife de sanduíche. Conheço muito gente que gosta e não vou falar o nome, vou deixá-los deduzir porque é bem fácil. Tadinha da minha amiga que tava junto e do rapaz de me atendeu porque quando comecei a olhar os ingredientes já cortados na minha frente... e olha que eu fui discreta porque tô tentando ser menos bocuda! Mas, não tem jeito: como é que alguém consegue comer - e gostar - daquilo? O que pedi tinha churrasco no nome: um pedaço nojento (desculpe, mas esta é a única palavra que cabe. Me dá enjoo até agora pensar que comi aquilo. É que, de novo, to tentando ser menos intransigente e mais compreensiva com situações sem remédio para remediar. E,já que eu já sabia que não gostava, e mesmo assim decidi arriscar, eu que, ao menos, reclamasse pouco e saísse logo dali) "Aquilo" - o tal churrasco do nome - era um filezinho retangular disforme, que depois notei ser hamburguer, na verdade - nesses lugares a 'carne' é sempre hamburguer?. Carne 'vermelha' com uma cor escura mas meio esbranquiçada. Senti de longe que tava gelaaaado. Eu sei que fiz careta e foi nesta hora que pensei, de novo, desista que ainda é tempo, desista. O pão não era do dia - gente, tenho certeza disso, deu pra ver que era pão velho quando o rapaz cortou, tava borrachudo. ********* Bem feito pra mim, sei que deveria ter continuado procurando uma lanchonete para comer um belo X-Bife (hum, como o da Ivani, ali do lado do JE). Mas, enfim, o tempo me chamava e comi aquele negócio apesar da cara feia do meu estômago e do meu apetite, amuado pelo péssimo tratamento que dei a ele, exatamente quanto ele ressurgiu depois de outra temporada longe.******* Fui fazer o que tinha pra fazer e já a noitinha, bateu aquela vontade, ainda não saciada, de uma "boa porcaria" e resolvi (ah, tá bom, não sei o que me deu na cabeça ontem, tava com problema, confesso!KKKKK)encarar a batata-frita, única coisa que acho comível da mais famosa dessas franquias de fast food. Não é possível que eu esteja tão errada, mas alguma coisa está acontecendo. O brasileiro está percebendo o que empurram para ele moído no meio das fotos e propagandas alegres da turma? O clima era de total decadência, total mesmo, ali naquela lanchonetona da boca maldita. O negócio tá falindo e eu que não sabia, né? Só pode. Fiquei impressionada. salão enorme fechado, nem meia duzia de pessoas e uma meninada de funcionários toda cheia de risadinha, atrapalhada; cliente dando um toque de algo relacionado a higiene de um deles... e pra completar, até a famosa batata-frita tava uma porcaria - sabe quando não frita tudo direito e fica umas partes mais 'al dente'? Pode até ser que as outras lojas da franquia não estejam tão ruins, mas eu saí dali impressionada com o grau de ruindade que este tipo de comércio, como todo o peso de suas publicidades, foi capaz de chegar. Será que no mundo todo é tão abaixo da crítica assim? e pensei, rindo sozinha pelo calçadão em direção à Rui Barbosa para encarar a capoeira mesmo mal alimentada: viva a Baixa Gastronomia! Foi trágico, mas foi cômico. Escolhi o bom humor, depois das minhas péssimas escolhas do dia. Agora, esse papo aumentou a fome. Vou terminar meu almoço bem gostoso, bem caipira, colorido, fresquinho, quentinho e beeem brasileiro! Que eu mereço! Afinal, tenho muito trabalho pela frente e eu tô com fome desde ontem! (adri)

imof com Clube Las Vegas e Wack na 4ª UV Night

7/03/2013

A minha 'Grande Avó'

O inverno chegou e com ele esse frio gelado que me deixa saudosa, não sei porquê, mas é sempre assim. Só que parece que este ano estou com minha memória afetiva do frio mais afiada. Tenho pensado muito na cidade onde nasci – que é friiiiiiiiiia!! Será que é porque acho que, depois de uma temporada meio amena, o inverno vem fervendo este ano e por isso os preciosos alertas da minha vozinha se farão ainda mais (se isso é possível) imprescindíveis? Talvez sim. A real é que me aparecem ainda mais nítidos os conselhos dela: ‘menina, olha esse pé no frio! ‘, os puxões de orelha: ‘Pé descalço nesse chão gelado, de novo?’. E os cuidados que ela tinha comigo, então? Nunca fomos uma família rica de dinheiro e eram necessários pequenos truques para que a criançada fosse pra escola bem quentinha. Começava com um café com ‘graspa’, ela chamava assim uma cachaça que colocava um pouco na minha xícara para esquentar. Puxa, eu quase posso ver a fumacinha saindo do café, parece que sinto aquele cheiro e o sabor... ah, o sabor, meio ardido: imbatível. Os pés, ganhavam primeiro uma meia, depois um pedaço de plástico os encobria para impedir que a geada derretida passasse pelo calçado e molhasse os pés. Quando eu tinha que ficar no bar logo cedo, além do café ela levava um pequeno tacho com brasa, simulando o calor de uma fogueira mansa para que eu não congelasse – mesmo com a pala. Pra dormir também lembro de alguns truques como esquentar no fogão a lenha um ou dois tijolos que enrolados em um pano eram colocados nos nossos pés, na cama, para dormir bem quentinha. Outras vezes era o ferro de passar roupas – aqueles antigos com brasa dentro, inclusive – que tomavam o lugar do tijolo. E se meu olho ficava “que nem o de peixe morto”, pequeno e caidinho, sinal de gripe ou algum mal estar qualquer, lá vinha outro cheiro indescritível da minha doce infância: chá de hortelã com um pouquinho de brasa (que também servia para afugentar as bichas, ensinava). A Vó Ina tava sempre por perto, com seu avental e saias floridas, e alguma carta na manga de sua sabedoria de mulher sábia, de Grande Avó, como, creio, diria Clarissa Pinkola Estés. Não sei se é o frio, se é a gripe (que nem acho que tá tão forte assim),mas sei que a alguns dias já, parece que quase ouço a voz dela chamando a minha atenção para tomar cuidado com o frio. Bom, não tenho a brasa, mas tenho a hortelã, que vou, como ela, pegar lá no quintal pra fazer um chá bem quentinho e correr pra baixo das cobertas para não pegar essa friagem que tá bem do outro lado da porta. Mas, vou cobrir a cabeça pra ir lá fora, porque cabelo molhado pegar sereno...já sabem, né? É cama quase certa.

Uma cena de gentileza perdida no dia

Em tempos de manifestações e tanta gente cheia de razão me peguei pensando em algumas atitudes que a gente acaba (não) tendo no dia a dia e nem se dá conta de que tem tudo a ver com aquilo mesmo que tanto criticamos. Umas coisinhas bobas no meio de tantas outras. Por exemplo, como nos portamos no trânsito em relação aos ônibus que fazem o transporte coletivo das cidades. Já repeti muitas vezes, como tantos outros, que os motoristas de ônibus são foda, que por dirigirem veículos grandes passam por cima se vc, do carro pequeno, moto, não sair da frente. E já vi essa atitude em muitos motoristas de ônibus dessa cidade. Tem que cuidar. Mas, tenho cá comigo que o comportamento dos motoristas e dos pedestres com os coletivos não ajuda em nada. Hoje vivi uma cena que me trouxe aqui. Um motorista atrasado – até porque em determinados horários motorista que tem que encarar toda a Mateus Leme só não atrasa se o veículo tiver asas – tentou várias vezes voltar para a lado próximo da calçada, já que tinha um ponto de parada logo adiante e provavelmente com alguém pra subir. Pois ele tentou por vários metros, ali perto do Parque São Lourenço, dando sinal para a direita. Eu estava bem atrás do motorista e vi que os motoristas de dois carros pequenos arrancavam e não davam o espaço. Faziam de propósito, sim! Porque o sinal estava fechado e eles estavam parados mesmo. Ficaram o mesmo tempo que o ônibus esperando. E no ponto havia uma mulher querendo subir e uma fila de carros entre o ônibus e ela. O motorista do ônibus não teve dúvidas: em frente ao ponto parou o veículo, abriu a porta da frente foi para o degrau e estendeu a mão, em um gesto de proteção como um autêntico cavalheiro, para que a senhora passasse com segurança entre os dois carros, enquanto explicava: “me desculpe, eu tentei parar ali, mas os carros não deixaram. Eu só estava no outro lado porque estamos atrasados e quero deixa-los em casa rápido, não gosto de atrasar meu horário...” Não sei se os ocupantes dos carros pequenos perceberam o tapa de luva de pelica que levaram na cara. Espero que sim, mas sinceramente acho que não. Já vi motorista parar do outro lado e nem se preocupar com o passageiro passando entre os carros – algo perigosíssimo. Talvez por isso, achei a cena tão bonita, aquele motorista estendendo a mão pra pessoa entrar em segurança. Uma cena de gentileza perdida no dia que, provavelmente, mais ninguém viu. Espero, quando voltar a dirigir, lembrar dela quando um motorista de ônibus apressado pedir a vez. Espero lembrar que ele deve ter, sim, alguma prioridade no trânsito, porque atende coletivos de pessoas e não unicamente a minha necessidade de chegar em casa ( ou onde quer que seja) 5 minutos antes.

6/16/2013

imof no 92 na Festa do UV

Dias chuvosos são convites para ficar morgando, na boa companhia de um livro e das gatas que não saem de perto por conta do friozinho gostoso que bate à porta. O inverno tá chegando, mas as fotos que achei aqui são de um belo dia de sol, sob a sombra de um abacateiro e uma jabuticabeira. Em geral, essas gurias felinas gostam de atrapalhar a leitura, porque querem toda atenção só pra elas. Mas, às vezes, elas ficam quietinhas também, só aproveitando os bons momentos com os amigos. Tigra, Lu e Adri, numa tarde de calor, na primavera de 2013, no quintal do jardim das amoras.