8/29/2010

sobre a tal da cultura...


Foto emprestada do blog da Gleisi Hoffmann, feitas por Elias Dias.

Acabei de chegar em casa, e terminar um texto, sobre um evento de cultura, organizado pelo Vanhoni, com a presença do ministro da cultura, Juca Ferreira, que pela primeira vez ouvi falando tão de perto.Teve também a presença, e por isso eu estava lá, do candidato ao governo Osmar Dias, de cuja equipe faço parte atualmente. Não, eu não vou falar de política partidária. Eu quero falar do que vi lá. E foi política – gostem ou não. Ando, outra vez, sem conseguir escrever muito pro blog, por conta desse trampo que me ocupa bem.
Mas, não adianta, eu tento manter a frieza, mas quando vejo momentos como o de hoje, me inflamo. Adorei o dia. Eu filmei o grupo de fandango Pé de Ouro, lá da Ilha de Valadares, mas as imagens não ficaram muito boas pra por aqui, infelizmente. Mas, serviram muito bem para Me emocionar. Como também o fizeram, as falas do Paulo Munhoz, um cineasta que admiro, e também a fala do ministro. Eles não me emocionaram, e me fizeram continuar pensando no que falaram, porque fizeram política partidária, mas porque falaram em nome de coisas que acreditam. E em algumas delas eu também acredito.

Tenho participado de reuniões e delas saio, às vezes, pulando de alegria; noutras completamente frustradas pelo que me parece falta de articulação do pessoal da cultura. Muitas vezes fico com uma sensação de que estamos chafurdando nas migalhas que o poder público, às vezes, deixa cair. Então, tenho vontade sair correndo. Noutras, vejo gente que pensa maior, que pensa num todo e entende que somos parte de uma coisa só, mesmo que queiramos negar isso tantas vezes. Acho sim que temos que fazer política, deixando cada posto para quem em talento para exercê-lo.

Hoje o dia foi legal. Já estou em casa e continuo pensando no que a gente ta fazendo aqui pela cultura do Paraná, estado pra onde vim, antes mesmo de vir de verdade. Nunca imaginei que ia trabalhar com cultura e nesse tempo vi a cultura ser tratada como algo desimportante. No meio político, no meio jornalístico e no meio cultural. A vi perder sua força, aparentemente, e aprendi com os “(in)dependentes” algo que já sabia sem saber que sabia. A fazer. Simplesmente. Fazer. Não ficar só esperando. A fazer jornalismo cultural, a fazer um festival, a produzir um show, a produzir um disco e até (vejam só) a tocar um baixo e a arriscar uma cantoria. E a fazer política, sim, porque esse papo de “não gosto de política” é que ferra tudo. Tem jeitos, estratégicos, e jeitos, de se fazer política. E, não acho que sou ingênua ao dizer, que o bom trabalho feito, sempre aparece. Depende de as pessoas conseguirem diferenciar o que é balela e o que é de verdade. E só se aprende isso exercitando.

Hoje fizemos política. Do jeito que melhor sabemos fazer. Mostrando um pouquinho, foi só um pouquinho, da cultura paranaense. Não to nem dizendo que estou no grupo que vai fazer o certo. Estou dizendo que nós temos que tomar as rédeas do que acreditamos. E dar a cara a tapa, quando preciso.

E ver aqueles velhinhos dançando, cantando e tocando, depois de terem tocado o baile de fandango até 4 da matina... renovou minhas forças. Foi, quase, como ver uma banda que gosto. É isso. Tem o novo, que tanto gosto, e tem o velho – que está dentro de mim, também. Um precisa do outro. E isso é bom. Isso me faz bem. Tenho ouvido tanto discurso... mas, vejam só, não acho que são só palavras em vão. Não devem ser palavras em vão e isso, na boa, também depende da gente. Depende da gente estar por perto e atento. Depende da gente não largar mão.

No dia em que vi Gilberto Gil, como ministro, pirei. Sinceramente. A força desse cara é um negócio arrebatador. Tinha que ser um artista. E com Juca Ferreira foi parecido, sem o apelo de ser o Gilberto Gil “doces bárbaros” na minha frente. Hoje, em alguns momentos, pareceu que eu vi Juca Ferreira tremendo, enquanto falava sobre cultura. Que 80% da verba da lei rouanet fica pra SP e RJ (nada contra eles, por favor... mas peraí, né.)Isso, diz o ministro, é desfrutado por 3% dos cariocas e paulistanos... pô, precisa falar mais, cara? Aquele tremor na mão que segurava o microfone me pareceu provocado pelo que ele estava vendo e que, como me deixava mais forte, parecia deixar a ele mais forte também. É a força de algo que é mais forte do que a gente, o que faz a gente tremer...

é o que sinto numa boa entrevista. é o que sinto diante de um palco em um show produzido por mim. é o que sinto diante de um quadro, de um livro que acerta em cheio, de uma banda que quebra tudo...

Porque eu continuo acreditando que a força de uma boa banda tocando, de um bom poeta/escritor escrevendo ou declamando, de um pintor fudido desenhando seus sentimentos... é isso que me dá gás e não acho que sou a única a ser movida assim. Eu vou dormir bem hoje. Continuo tentando fazer a minha parte. E sei que não sou a única. (adriperin)

8/26/2010

Mofonovo

Nosso amigo Neri Rosa, uma daquelas figuras que como eu digo, se não existissem, deveriam ser inventadas, grande incentivador da cena local, apresentador e produtor durante anos do programa de rádio Último Volume, agora está com um blog, o Mofonovo. E o que é melhor, está disponibilizando no blog pérolas de seu incomensurável acervo discográfico, com direito a muitas raridades do rock underground brasileiro e curitibano.

Com a generosidade de sempre, ele até publicou um post falando sobre o OAEOZ e a Hotel Avenida.

Vale a pena visitar, conhecer e aproveitar o conhecimento e a sensibilidade desse grande cara.

8/24/2010

"A internet não vai salvar ninguém"

E como você situa a figura do músico na atualidade, em um cenário marcado pela divulgação online e uma suposta queda da indústria fonográfica?

Não é nada disso, esse que é o grande problema. Não existe queda nenhuma da indústria fonográfica, isso é um absurdo, é uma falácia. Eles nunca ganharam tanto dinheiro. O [produtor] Marcos Maynard, que é uma raposa velha, já está com um tal de Restart... E tem uma outra coisa: quem detém o monopólio das rádios continua vendendo disco. Essa coisa de achar que você bota no seu MySpace e está feito com 20 mil amigos, isso é um grande erro. A internet não vai salvar ninguém! O caminho que a gente abriu no final dos anos 70 e começo dos 80 era de fazer música pop para tocar no rádio, “vamos invadir o Chacrinha”. A mesma coisa tem que ser feita novamente. As pessoas não podem achar que não podem fazer [Domingão do] Faustão. Que merda é essa? Tá no Brasil ou tá aonde? Você acha que lá fora o cara não vai ao programa da [apresentadora americana de TV] Oprah? É o circuito, tem que fazer. Tem que fazer, sim! Agora, para poder alterar esse circuito, você tem que entrar nele. De fora, você não vai conseguir nada.

Lobão, em entrevista à Bilboard Brasil de julho

8/15/2010

Hotel Avenida - Eu não sou um bom lugar - Rock de Inverno 7

Hotel Avenida - Eu não sou um bom lugar from De Inverno on Vimeo.




E finalmente, após longos e tenebrosos inverno-primavera-verão-outono-e-inverno de novo, o vídeo do show da Hotel Avenida no Rock de Inverno 7 está pronto. Em breve "estaremos lançando" o material em DVD e outros formatos, além de disponibilizando tudo para ser assistido em streaming na rede. Aí acima vocês podem conferir o primeiro aperitivo, o vídeo da canção que encerrou o show, "Eu não sou um bom lugar", música do nosso primeiro single, lançado no início de julho de 2009. Vocês podem conferir o video pelo Vimeo ou pelo Youtube.

A direção geral do video é do Marcelo Borges, com edição de Fábio Barreira. O áudio foi gravado e mixado por Luigi Castel e Carlos Zubek.
A produção é da De Inverno, of course.

8/12/2010

"Música é mais do que matemática"

"Só creio que infelizmente estamos baseados nos dois problemas que, pra mim, estragam a música: resultado e técnica. Sei que fiz muito pra entender dos dois, e lidei muito com isso (e ainda vou continuar lidando), mas a sinceridade as vezes não vem a tona se esses dois fatores entram na frente. Não julgo quem gravar uma música, já fazer MySpace, tirar foto, fazer clipe, fazer projeto pra Funcultura, querer tocar em festivais, querer lançar discos ou online, aparecer na tevê, dar entrevistas, fazer tournées mundiais em que interessa o nome da cidade e país, e não pra quantas pessoas se toca, não seja nada mais do que resultado, nenhum mérito se tem em aproximar do que já foi feito para atingir metas de quem teve o mesmo caminho, e tirar onda com isso tudo, achando-se importante e relevante para a música. Pois não o é, mesmo. Talvez, por algum motivo, possa impressionar as pessoas, possa iludir sobre o resultado, possa passar sentimentos positivos. Só que não canto uma música recente há tempos. Não me fica na cabeça melodias de discos novos, há anos. Ano passado, Radiohead. Ontem, só Chico Buarque. Continuo ouvindo aqui na memória coisas do passado, às vezes distante. Algumas perdidas, algumas canções, mas é bem pouco pra quando se tinham discos com todas as músicas cantáveis, ou músicas compostas há séculos que ainda mexem profundamente com alguma coisa que não temos compreensão. Em épocas de discussões acirradas por aqui, acho bom relembrar que música é mais do que matemática, e isso que estamos vivendo: formulas técnicas, de produção executiva, de resultados, de falsos méritos. Ainda assobio “Vassourinhas” quando passo em Olinda no carnaval."

trecho da excelente entrevista do produtor Iuri Freiberger no Scream Yell.
Leia a íntegra aqui.

Sonhei que estava numa roda de capoeira!!!!



“Mas hoje é dia de festa
eu jurei que não vou me importar,
se o batuque não sai como eu gosto se a morena não vai me olhar.
Hoje eu quero é jogar capoeira, ver mandinga para lá e pra cá, essa luta, essa dança guerreira, faz meu corpo arrepiar:
Brincadeira:
Brincadeira, mandinga, no remelexo do corpo mamolejar !!!


O dia começou tranqüilo mas não me engano com ele. Hoje será pedreira. Tem debate para governo do Estado na Band e, pra quem não sabe, estou trabalhando na assessoria de imprensa da campanha do Osmar Dias. Agora tá sossegado, mas já acordei atribulada e consegui perder dois ônibus, acredita nisso? Mas, no final deu tudo certo, voltei pra casa e tomei café com minhas gatas. Elas, e a Baby, estavam pessimamente acostumadas, pois nos últimos meses trabalhei em casa, sempre com todas elas bem perto, de preferência no escritório e mais de preferência ainda, pra minhas gatinhas, se pudessem estar no colo – e de vez enquanto elas se enchem o saco da minha falta de atenção pra elas e, se deixar, vão parar pra cima do teclado, as sem vergonha. Então, agora que to ficando fora o dia todo e até horas da noite, de manhã já as encontro na porta do quarto. Onde eu vou, lá estão elas. E gatas, especialmente, a tigra e a lu, as mais velhas, não são assim, não. A Chanel e a Moli são mais brincalhonas, as chamo de gatas capoeira. Vão se agarrando, pulando pela casa, acompanhando minha movimentação. Elas são o máximo e são as primeiras pessoas com quem converso no dia.
Mas, elas eu ainda vejo, cedo ou tarde, no começo ou no final do meu dia. Já a capoeira, aiaiaia, que falta eu tô sentindo. Tive que trancar por dois meses nesta fase. Desde 2001 não fico tanto tempo assim sem sair no aú, entrar na rasteira, antes de voltar pra ginga. Cara, sem dúvida alguma, é o que me faz mais falta. É no que penso várias vezes ao dia. Ouço os Cd do grupo Força da Capoeira e, como hoje, bate uma saudade. E, olha, que não deu nem um mês sem treinar. Meu berimbau ta encostado, ao lado do baixo. Acho até que sonhei que tava numa roda, acordei sentindo o toque do berimbau, com a cantoria dentro de mim. Naquela euforia que toma conta da gente quando tá num jogo.
Salve, Mestre Kinkas, salve contra-mestra Áurea e toda moçada do Força. Iê: capoeira. Iê, Força da Capoeira! (Adri)

8/04/2010

Ciclojam estreia nova temporada na TV Lúmen/Canal Futura

Nesta quarta-feira, as 22h30 (com reprises aos sábados no mesmo horário), na Lumen TV/Canal Futura (16 UHF e 32 NET), tem a estreia da nova temporada do Ciclojam, programa produzido pelo grande Cyro Ridal, com apresentações gravadas ao vivo e entrevistas com bandas curitibanas. Nesta temporada estão nove bandas: Koti e os Penitentes, Charme Chulo, Giovani Caruso e o Escambau, Poléxia, Diedrich e os Marlenes, Anacrônica, Cassim & Barbária, Mordida e Cosmonave.

O Ciclojam começou, na verdade, como um bloco dentro do programa de rádio - Caleidoscópio - e ia ao ar inicialmente na lendária Rádio Estação Primeira, e depois passou para a Rádio Educativa. Depois, se tornou um programa próprio, na televisão, inicialmente na TV Educativa, e mais recentemente, na Lúmen/Futura.

Com o OAEOZ, tive a oportunidade de participar do programa nos dois formatos - no rádio e na TV. E em ambos os casos foi uma experiência ótima. Afinal, pra quem faz música, nada melhor do que poder mostrar seu trabalho em uma emissora de rádio ou tv aberta, acessível a todos, e ainda com uma produção bacana. O programa de rádio, por exemplo, a gente gravou nos estúdios da Gramophone. Ficou tão bom que usamos algumas músicas no disco Dias (2001).

Monumentos sem cabeça - OAEOZ - Dias (2001)

O da TV gravamos na época no teatro Paiol, que não preciso dizer, é um lugar histórico para a cultura local.
Fico muito feliz que o programa esteja voltando. Trata-se de uma das mais importantes iniciativas de registro da música local. Muitas bandas surgem e desaparecem sem ter a oportunidade de ter um registro com essa qualidade. E a gente sabe como é difícil, no Brasil, manter um programa como esse, sem grandes patrocínios/apoios, no ar por tanto tempo.

Vida longa ao Ciclojam.

veja mais videos do Ciclojam aqui.

8/03/2010

"Ainda" - Ex



Taí uma boa notícia. Nossos amigos Thiane Nunes, Rafael Martinelli e Guilherme Klamt, que formavam a banda Deus e o Diabo, estão com novo projeto. Chama-se "Ex" e já está com primeiro disco disponível para download, chamado "Ainda".

Cola lá e confere o trampo dos caras, que eu ainda nem ouvi, mas só pelo que conheço, deve ser coisa fina. Ou baixe aqui direto do link.

7/30/2010

"Não pergunte quanto tempo faz"


Por uma dessas razões que razão desconhece, me veio esses dias a vontade de ouvir o disco do Sofia, que a De Inverno lançou em 2002. Pra quem não sabe, o Sofia era uma banda formada pelo vocalista e letrista Edson Ramos, o guitarrista Emerson Gus Macedo e o baixista Normando Spangler, e que no disco teve ainda Osmário Júnior (grande baterista também das lendárias CMU Down e UV Ray).
Conheci os caras antes, quando eles tinham outra banda, o Loaded, que tocou no primeiro Rock de Inverno, e que tinha as letras em inglês. Com a parada do Loaded, eles montaram o Sofia, já com repertório com letras em português, o que foi ótimo, porque o Edson escreve muito bem e isso só ficou ainda mais evidente com a mudança.
A estreia ao vivo do Sofia foi no Rock de Inverno 2, no auditório Antonio Carlos Kraide, em 2001. O primeiro e único disco “cheio” deles foi lançado pela De Inverno no ano seguinte. Lembro que o show de lançamento foi na antiga sociedade Portuguesa. A banda de abertura foi o Íris – que fez sua estreia ao vivo nessa noite.

Reouvir esse disco depois de tanto tempo é uma experiência emocionante mas também muito difícil. É inevitável se deparar com lembranças de tempos mais ingênuos e leves, em que a gente parecia ainda acreditar em alguma coisa que não sabia exatamente o que era, mas que de alguma forma nos empurrava pra frente.



“ao lembrar de mim
não ouça o que gravei
não leia o que escrevi
não procure minhas fotos
não procure saber se estou vivo
não bata à minha porta
não perca seu tempo”


Dá um orgulho danado ouvir de novo as canções desses caras e saber que a gente colaborou pra que isso pudesse ser registrado e apresentado. O CD incluía também um vídeo que o Marcelo Borges fez a partir de imagens gravadas pelo pioneiro cineasta do Paraná, Aníbal Requião, captadas em Curitiba, no final do século XIX. Coisa de gente metida a besta! (rs)

Ripei hoje o CD e fui ouvindo no ônibus. Em alguns momentos foi difícil segurar o marejar dos olhos, porque aquelas melodias são tão familiares, carregam tantos sentimentos e sensações de coisas que a gente viveu que sei lá, não tem como descrever. Quando desci descer do ônibus e começou a tocar “Tarde”, uma das minhas preferidas, não teve como segurar, parado esperando o sinal abrir, vieram as lágrimas, mal disfarçadas, sentimentos em erupção.

“não pergunte quanto tempo faz
não há tempo que dê tempo ao querer depois
não há modo, que dê forma ao não feito
não há sentido em fazer valer o não dito”


Desde a primeira vez que eu vi o Loaded, fiquei impressionado com a postura e a performance do Edson. No palco, aquele cara tímido e retraído se transformava em um dínamo de emoção e sentimentos à flor da pele, te hipnotizando. A seu lado, Gus desenhava melodias e fraseados sutis, mas perfeitos dentro do que as canções pediam. A mudança para o português com o Sofia só potencializou ainda mais o impacto emocional das apresentações dos caras.

O disco também tem uma capa que eu particularmente gosto muito, acho das melhores capas que a gente lançou, com ilustrações de Rubens Curi, com um estilo ultraminimalista que cai como uma luva para o som da banda.

Há muito tempo não vejo o Edson. Acho que a ultima vez foi no Rock de Inverno 5, em 2004, ou seja, longos seis anos. Gus nos deixou no ano passado. Mas ouvi-los traz uma sensação de conforto e familiaridade que parece que a gente continuou tão próximo quanto antes. Saudade desses caras. E mais ainda, saudade de um tempo em que a gente parecia menos “conectado” com o mundo, e mais perto de nós mesmos e dos que sonhavam (e viviam) o mesmo sonho que a gente.

“ao lembrar de mim
não deixe de olhar o sossego dos cães e gatos
não deixe de sorrir como criança
caminhe sob a chuva
olhe para as nuvens
beba sua bebida preferida...”


valeu Edson, gus, normando, jr pelas grandes canções e momentos juntos (mesmo distantes). e vocês tem razão. "não há sentido em fazer valer o não dito". e não há sentido em deixar pra depois, o que deveria ser dito enquanto a gente pode. enquanto as pessoas que a gente gosta e admira estão aqui. porque não há segunda chance, não há volta, "não há tempo que dê tempo ao querer depois".


pra quem quiser baixar o disco dos caras
ele tá todo aqui na trama virtual

Jane's Addiction - Enmore Theatre, Sydney 23rd February 2010

Watch Jane's Addiction and other great gigs on Moshcam.



Watch Jane's Addiction and other great gigs on Moshcam.

vão tomar no cu bandecas de hypedemerda do caralho. vejam, ouçam e aprendam.

Brasil bandido

Do blog do André Forastieri

Na TV, o chefe dos tiras paulistas comemora a queda no número de assassinatos e assaltos, de absurdamente muitos para inacreditavelmente muitos. Peça de propaganda política. Vejo o candidato e ex-governador prometendo que agora vai resolver o problema da segurança, pagar salários mais altos para policiais etc. Cai quem quer.

Tem bandido pra todo canto, da esquina ao Flamengo, e a sordidez dos detalhes hipnotiza e ofende. Precisaríamos de um Ballard brasileiro para dar conta de nossa guerra civil.

Me assustam mais os fardados. Estamos todos calejados, mas tem dia que o noticiário passa dos limites. É PM paulista decapitando deficiente mental, é PM carioca envenenando moleques com cocaína.

A polícia militar não deveria existir. É coisa de ditadura. Não será abolida. É politicamente impossível. Como descriminalizar as drogas e tratar os viciados, o caminho certo para diminuir a violência, como fartamente demonstrado pela experiência internacional.

O Brasil dá passinhos tímidos para sair do Terceiro Mundo, comemorados ao exagero. Os níveis de violência cotidiana, e institucional, nos colocam no Quarto Mundo, junto com países em guerra civil. Esta é a realidade dos números. Este é o desafio a ser enfrentado pelo poder público e pelos candidatos em todos os níveis. Não vejo inteligência ou coragem em nenhum. A luz no fim do túnel é o clarão de um disparo.

7/27/2010

Cicas no Proteste já do CQC



O quadro "Proteste já" do programa CQC da Band levou ao ar ontem matéria denunciando a intenção da prefeitura de São Paulo de tentar desalojar o projeto da ONG Cicas, que ocupou espaço antes abandonado, transformando-o em um verdadeiro centro cultural à disposição da população local. A ONG é formada por diversos coletivos, entre eles o Sinfonia dos Cães, que tem dado força a bandas underground, como nossos amigos do La Carne.

7/21/2010

Boas canções merecem uma segunda chance





Quando ouvi as primeiras vezes o The National, com os dois primeiros discos (Sad Songs For Dirty Lovers/Boxer) achei legal e tal, mas alguma coisa não bateu. Sentia que a banda era legal, o instrumental bacana, os vocais no estilo que eu curto e tal, mas as canções não me empolgavam. De tanto ouvir falar bem do novo disco da banda resolvi insistir e dessa vez a coisa mudou de figura. Em pouco tempo, o disco passou a ser um dos prediletos do meu player nas viagens diárias de ônibus. Acho que a diferença tá mesmo nas canções, que pra mim, atingiram finalmente um ponto que separa músicas legalzinhas de canções de verdade, que te pegam pelo estômago e te trazem sentimentos essenciais. A começar pela segunda faixa, "Sorrow", que começa lenta e depois engata uma terceira num crescendo emocionante.

Outro destaque pra mim é "Bloodbuzz Ohio", que me remete a um Tindersticks mais pop/roqueiro, com aquela elegância típica do rock inglês (nesse caso feito por uma banda norte-americana).

Dos discos recentes, esse talvez tenha sido o que mais me empolgou e se tornou uma alternativa "reconfortante". É legal perceber como as vezes é preciso vencer o imediatismo, a primeira impressão, e insistir em algo que num primeiro momento não te toca. Pois muitas vezes aquilo que inicialmente você não gosta, é justamente mais precioso e depois, com o tempo, vai se tornar algo fundamental pra você. Lembro do disco "Document", do REM, que eu levei um ano pra entender e começar a gostar, e que depois virou um dos meus preferidos. Mas isso era na época do vinil, em que a música não era descartável como hoje. E a gente meio que se obrigava a reouvir os discos até conseguir captar algo deles, mesmo que isso levasse tempo, afinal era um investimento.

Bom saber que ainda existem por aí bandas capazes de fazerem canções assim. Que não estão preocupadas em seguir a manada, mas sim em fazer o seu trabalho, do jeito que acha que tem que ser.

Acima, dois videos com eles interpretando as canções que eu citei.

7/20/2010

Mutarelli em Curitiba


No dia 23/07, sexta-feira, às 19 horas, Lourenço Mutarelli voltará à Itiban Comic Shop, para bate-papo com os fãs e sessão de autógrafos, no evento intitulado “Lourenço Mutarelli em 4 atos”, em que falará de seu trabalho em literatura, história em quadrinhos, teatro e cinema, e de que modo consegue transitar por áreas criativas diferentes, sem deixar de lado suas características como artista.
Lourenço Mutarelli é escritor, ator e quadrinista. Recentemente esteve em Curitiba como parte do elenco da peça escrita e dirigida por Mario Bortolotto, Música para ninar dinossauro. Escreveu os livros Cheiro do ralo, que foi adaptado para cinema por Heitor Dhália, com o próprio Mutarelli no elenco; Jesus Kid e Teatro das sombras, todos lançadas pela Editora Devir. Pela companhia das Letras, publicou A arte de produzir efeito sem causa, Miguel e outros demônios e O Natimorto – que foi adaptado para o cinema com Mutarelli no papel de protagonista.
Entre seus diversos trabalhos em quadrinhos, destacam-se: Transubstanciação, O dobro de cinco, O rei do ponto, A soma de tudo – partes 1 e 2 e A caixa de areia – ou eram dois no meu quintal, todos lançados pela Editora Devir.

O evento é gratuito.
A itiban Comic Shop fica na Av. Silva Jardim, 845, em Curitiba.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3232-5367, com a Mitie.

7/15/2010

Dasvelas no Scream & Yell On The Radio

Do Scream & Yell

"O Scream & Yell entrou no ar em outubro de 2000, mas eu já estava virando madrugada ali por agosto de 2000, quando me mudei de mala, CDs e cuia de Taubaté para São Paulo para tentar a vida na cidade grande (que eu nasci). Virei várias madrugadas na redação acertando detalhes do que viria a ser a primeira capa do site, ainda usando os serviços do HPG (pouca gente deve lembrar).

Dez anos se passaram, e me surpreendo por ainda estar aqui escrevendo e pelo site ainda continuar relevante. Este segundo semestre promete bastante, e duas novidades você vai poder conferir essa semana: o Scream & Yell On The Radio, na Rádio Levis, e o Confraria Pop, megafusão independente do Scream & Yell, Urbanaque, Move That Jukebox! e Alavanca.

O Scream & Yell On The Rádio irá ao ar todas as sextas, às 15h, na Rádio Levis. Eu e Tiago Agostini comandamos o falatório. A gente ainda está aprendendo a mexer com os botões, mas ficou divertido e interessante. Nessa sexta vamos falar de Stooges, Teenage Fanclub e apresentar em primeira mão a estréia do Dasvelas, grupo formado por Allan, Marano e Fabiano, os três ex-Terminal Guadalupe (mais Igor, do Iris)."

Mais aqui

Easy Players e Blasè no Wonka

7/14/2010

dasvelas no programa loaded

Dasvelas está no Programa Loaded desta semana (#242)

Para Ouvir:
Rádio UFsCAR FM 95,3 - São Carlos (SP) - segunda-feira - meia noite
Rádio Universitária UNICENTRO FM 99,7 - Todo Centroeste do Paraná - sexta-feira 22hs
Rádio Universitária UFG AM 870 - Goiânia (GO) - domingo 19hs

E para todo o planeta 24hs por dia: www.loaded-e-zine.net

7/08/2010

PAREM AS MÁQUINAS - FISHBONE NO BRASIL E EM CURITIBA!!!!!

O Carneiro já tinha me falado que eles tocariam em SP, porque o Mickey Junkies vai abrir. Mas essa de que eles vão tocar em Curitiba eu não sabia. Caramba. To lá com certeza !



Rock on line

Com mais de 30 anos de carreira, a banda norte-americana Fishbone vem ao Brasil para três apresentações e os ingressos para o show em São Paulo já estão à venda.

O grupo formado em Los Angeles em 1979 tem agendado shows em Curitiba e Rio de Janeiro, além da capital paulista. As apresentações estão marcadas para os dias 23, 24 e 25 de julho, respectivamente.

Considerado um dos pioneiros na mistura de Punk, Funk, Metal e Ska, a banda conta atualmente com os músicos Angelo Moore (voz, saxofone), John Norwood Fisher (baixo) ‘Dirty’ Walter A. Kibby II (trompete), Rocky George (guitarra), John ‘Wet Daddy’ Steward (bateria), Dre Gipson (teclado) e John McKnight (trombone).

Ainda não foram divulgadas informações sobre a venda de ingressos para os shows em Curitiba e no Rio. Em São Paulo os ingressos para o show no Carioca Club já estão à venda. Confira os detalhes:

23/07/2010 - Curitiba/PR
Village Batel - Av. Batel, 1.149
Informações em breve

7/07/2010

gatos precisam de ajuda



..e nós também. Há alguns anos minha mãe, uma mulher completamente apaixonada por gatos e cachorros, deu mole e começou a recolher os bichinhos que pessoas estúpidas largavam na rua. Ela não conseguia deixar esses animais adoráveis sem atendimento. Claro, que isso traria problemas, mas na hora ela não pensou nisso e os recolheu. Agora, tem um enorme problema em casa porque, logicamente, não deu conta de manter as contas que uma empreitada dessas gera, e eles proliferaram.

As pessoas, confortáveis em sua falta de responsabilidade, sabiam tão bem o endereço pra largar os bichinhos em frente à casa e até no jardim, agora também não se acanham em reclamar das consequências.

Resumindo: o pessoal do setor de zoonoses (de uma cidade da região metropolitana)fez uma nova "visita" e é preciso resolver o problema. Todos, inclusive minha mãe, sabemos que a situação tem que mudar. Porém, falei com as duas secretarias da saúde, do estado e do município, e os governos não têm o que fazer a não ser verificar as reclamações e exigir do morador o cumprimento da lei. Os õrgãos públicos não têm como receber esses bichos, explicam, e também não existe nenhum õrgão para isso.

A SITUAÇÂO é MUITO SÉRIA E NÃO SÓ NA CASA DA MINHA MÃE.

As Ongs, cujos contatos são passados aos cidadãos pelos próprios representantes das administrações das cidades e estados, e que não recebem subvenção dos governo ( E DEVERIAM RECEBER),também não têm mais condições de receber esses bichos.

O que fazer???????????

E ESSES SERES HUMANOS MISERÁVEIS E IRRESPONSÁVEIS NÃO SENTEM UMA DORzinha sequer NA CONSCIÊNCIA NEM AO LARGAR, NEM DIANTE DA LUTA DE UMA PESSOA QUE, AO QUE TUDO INDICA, DEVERIA TER AGIDO COMO ELES, NÉ???!!!!

enfim, não adianta nada fica lamentando agora: a responsabilidade é de todos. A sociedade deveria estar preocupada em resolver esse problema. Porque, é como disseram as duas médicas com quem conversei: a situação só vai piorar. Todos os órgãos estão no limite e as pessoas continuam irresponsáveis na guarda de bichos.

EU QUERIA MUITO ACHAR GENTE RESPONSÁVEL e diposta a receber alguns desses gatos e cachorros.

Os gatinhos são lindos, minha mãe deu a eles tudo que podia. As quatro gatas que moram comigo, tiveram origem naquela casa. São todas lindas, saudáveis, amadas e muito felizes, eu sei disso. Queria poder ajudar minha mãe entregando alguns desses gatos e cachorros a pessoas de bem, que gostem dos bichos e que possam cuidar bem deles.

Adoções serão muito bem recebidas, mas também dicas de ongs, de pessoas que possam ajudar a doar esses gatos e cachorros também.(Adri)

Festival Demo Sul

Marcelo domingues continua firme. Este ano o Demo Sul celebra dez anos. Seguem as novidades, enviadas pelo produtor:
Prévias Demo Sul seleciona bandas para tocar na 10 edição do Festival

Pré-evento vai permitir que público decida o que quer assistir no Demo Sul 2010


Em 2010 o Demo Sul completa 10 anos de existência, e, para comemorar, a organização está preparando uma série de novas atividades que vão integrar a programação do festival. Entre estas novidades estão as Prévias Demo Sul.
As Prévias vão funcionar assim: a curadoria do Festival vai selecionar, por meio de edital, 25 bandas para participarem dos shows das Prévias Demo Sul, que vão acontecer nos dias 3, 4, 10, 11 e 12 de setembro.

Nestes dias, os shows serão gratuitos, e cada banda selecionada terá 30 minutos para se apresentar. Depois dos shows, o público presente vai votar para decidir quais delas farão parte da programação oficial do Demo Sul 2010. As 5 (cinco) mais votadas irão tocar no festival, que neste ano será realizado entre os dias 15 e 23 de outubro. A banda que obtiver mais votos entre as cinco, será protagonista de um vídeo clipe a ser produzido pela Kinoarte, dentro de uma oficina de produção de vídeo clipe inclusa na programação do Festival.

A idéia é que bandas novas, que não têm experiência em festivais, tenham uma chance de tocar no Demo Sul, democratizando o line-up do festival e revelando novos nomes da cena independente.

Bandas de todo o Brasil e da América do Sul interessadas em participar das Prévias têm até o dia 10 de agosto para se inscrever. Grupos de qualquer gênero musical podem realizar a inscrição, e a única restrição é que desenvolvam um trabalho autoral.

As inscrições deverão ser feitas pela internet. Neste caso, as bandas devem mandar um release, fotos e mais três músicas em mp3 para o e-mail demosul10anos@ gmail.com

O Festival

O Demo Sul conta com o patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura (MINC) e do Programa Municipal de Incentivo a Cultura (PROMIC). Realizado anualmente em Londrina pela Braço Direito Produções, o Festival se consolida cada vez mais como um evento que não só busca mostrar o que tem sido feito na música independente, mas também que organiza ações visando seu debate e seu fortalecimento.

Nestes 10 anos de existência, o Demo Sul abriu espaço para as mais diversas bandas da cena independente local e nacional e grupos de reconhecimento internacional. Nomes como Mudhoney, Nação Zumbi, Móveis Coloniais de Acaju, Macaco Bong, Mundo Livre S/A, Porcas Borboletas, Trilöbit, Terra Celta e Júpiter Maçã já figuraram nos palcos do festival."

7/05/2010

Paraíso do Rock III



Eu não fui, mas ouvi falar muito bem e conheci, em maringá, ano passado, o responsável pela mostra que fez a alegria de uns marmajos que eu conheço. Acabei de receber a notícia da terceira edição, que tem entre outras: Charme Chulo que tá aí na foto:

"FESTIVAL PARAÍSO DO ROCK III

Paraíso do Norte – PR, cidade do interior, com apenas 54 anos e aproximadamente 12.000 habitantes, foi colonizada por gaúchos, paulistas e nordestinos, já teve sua economia determinada pela cultura do café, depois a pecuária extensiva e hoje a cana de açúcar é a cultura dominante, mas a economia da cidade é diversificada, além da cana a mandioca, soja, milho agroindústria avícola e a indústria de confecção de roupas se entrelaçam, tornando a cidade campeã na geração de novos empregos no Paraná no 1º trimestre de 2009.

A cultura também diversificada tem raízes musicais na música sertaneja, mas desde a década de 70 apresenta uma cena roqueira independente; por aqui já passaram desde a banda “Flor da Pele” nos anos 80, até “Arame Farpado” e “Jamaica 70” nos anos 2000. Mais recentemente esta cena se organizou, em 2008, o PARAÍSO DO ROCK se estruturou como Festival Independente, trazendo no mês de Julho a cidade bandas de renome nacional como “Terminal Guadalupe” de Curitiba, “Aerocirco” de Florianópolis, “Nevilton” de Umuarama, “Inimitável” de Maringá e a Banda “Kromossomus” de Paraíso do Norte – 700 pessoas deram consistência ao Festival.

Em 2009 o PARAÍSO DO ROCK solidificou-se como festival independente de peso em âmbito nacional, uma estratégia ousada trouxe bandas consagradas no cenário independente nacional como “Relespública” de Curitiba, “Zefirina Bomba” de João Pessoa e “Wander Wildner” de Porto Alegre ícone do rock nacional independente e de qualidade. Tudo isso mesclado com uma banda revelação no País, “Nevilton” de Umuarama, e não poderia faltar uma banda Paraisense, “Ex-cabelos” Novamente mais de 700 ( setecentas) pessoas assistiram ao festival e 150 ( cento e cinqüenta) pessoas foram ao debate realizado na Casa da Cultura, que contou com palestras de Marcelo Domingues (Dir. do Demo Sul), Andye Iore (Radio UEM) e Wander Wildner.

Ainda engatinhando na idade, mas maduro na concepção, o PARAÍSO DO ROCK 2009 foi idealizado pela A.P.M.I. (Associação de Proteção a Maternidade e a Infância) onde todo o lucro de R$ 3.000,00 ( três mil reais) foi destinado a esta entidade de responsabilidade social e sem fins lucrativos. O festival conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Paraíso do Norte, através do Departamento de Cultura.

Este ano o festival apresenta uma inovação será realizado em dois dias 09 e 10 de Julho no C.T.G. São Jorge, mesclando bandas consagradas nacional e internacionalmente no rock alternativo como a banda Identidade e Superguidis (Porto Alegre), Charme Chulo (Curitiba), Lenzi Brothers (Camboriu), e banda revelação de Londrina: Trilöbit, Dinartes de Passo Fundo e Los Cocineros (Córdoba – ARGENTINA) são as 11 bandas que revezarão no palco durante os dias de Festival, que contara ainda com debates sobre novas linguagem do Rock mídias e etc.

Paraíso do Norte já tem festas renomadas como o Rodeio Interestadual de Laço Comprido, a Leitoa Desossada a Pururuca e certamente o PARAÍSO DO ROCK 2010 tem tudo para firmar-se como UM GRANDE FESTIVAL DE ROCK!

http://www.paraisodorockdois.com.br ".

7/01/2010

Velhos e bons sons


O bom de trabalhar em casa é poder espalhar o som pela casa. Não que trabalhar em outro lugar me impedisse de mergulhar no meu mundo da música, mas ligar o som alto e percebê-lo tomando conta (e alegrando) a casa é um calmante e inspirador.

Acordei morrendo de saudade de ouvir "Peixes, pássaros, pessoas..." do Darma Lovers. A música tá no disco Os The Darma Lóvers, o de capa branca aí em cima. Lá fui eu pro quarto dos discos tentar achar. Achei a capa..... que m.... sem o disco dentro. Puts, será que esse disco tava na leva que foi roubada? OU tá dentro de algum desses cases - mas dei uma geral outro dia e não achei... que droga. Preciso ouvir esse disco. Tem dias que é assim. Tem musica que é assim: EU PRECISO OUVIR DE TEMPOS EM TEMPOS.

É assim, também, com Rodrigo Garcia; é assim com anis, é assim com OAEOZ, Cores d Flores, com Criaturas, com Hotel Avenida,Radiare, Jair naves, mais recentemente, com La Carne, com iris...É Assim, ainda hoje com os discos da Legião Urbana, em especial os que vieram do V em diante... enfim.. são muitos os discos que me aprisionam assim. São tão imprescindíveis na minha vida que sempre volto a eles para recarregar as baterias...

Fui pra sala e fiz um rápido passeio pelas capinhas de disco...Achei essa preciosidade da artista MIM, a Eva Leiz:

Hoje:
" Hoje um pedaço de mim terminou como uma xícara de café que chega ao fim num sonho ruim. Não falo mais o que dizia, não penso mais o que fazia.. não entendo você!Me deixaram só sem ninguém ao meu redor sem nada para me amparar cai num imenso sono não posso levantar.
sonhar com uma roseira onde nasciam uvas em um jardim de gatos em vez de capim meninas ruivas fugindo a chuva que choravam lágrimas de pedra."

Lembro muito bem quando ganhei esse disquinho (é daqueles pequenininhos). O jeito dela cantar... essa letra, essa base eletrônica... eu não conseguia parar de ouvir a primeira faixa.... do mesmo jeito que agora... nã consigo tirar dessa faixa...

Só depois, percebi que ali tinha o dedo do Jr Tostoi, do Vulgue Tostoi. Ele e ela eram casados na época, não sei se são ainda. Nunca falei com ela, portanto nunca disse como gosto deste seu disco. Depois, recebi um outro, disco cheio, dela. gostei também... mas outra música não me pegou mais como esta... tinha esquecido da MIM. Até que outro dia o ivan colocou o disquinho e reconheci no primeiro segundo... algumas canções são assim... vou pesquisar ver se a acho no mundo virtual. Se achar, coloco o link aqui.

A que eu queria ouvir, cortesia de Nenung, diz assim:

"peixes são iguais a pássaros/só que cantam sem ruído/som que não vai ser ouvido/voam águias pelas águas/ nadadeiras como asas/ que deslizam entre nuvens

nóvs vivemos como peixes/com a voz que em nós calamos/ com esta paz que não achamos/

peixes pássaros pessoas/ nos aquários nas gaiolas/ pelas salas e sacadas/ afogados no destino/de morrer como decoração de casas/

nós morremos como peixes/ o amor que não vivemos/satisfeitos mais ou menos/todas as iscas que mordemos/os anzóis atravessados/
nosso gritos abafados".


Bem, nessa busca trouxe pra outra sala uma leva de discos que estão com saudade de mim: Mopho, Galaxy 500, hurtmold, Vulgue Tostoi, red house painters, neil Halstead...(adri)

6/28/2010

Viajar é muito,muito bom...

Estivemos em sampa neste final de semana, com amigos especiais e reencontrando outros que estavam longe. Adorei, Neli, nossas conversas, cervejas, churras e cigarros.

Esta foto, porém, foi feita antes, pelo Carlão, numa viagem que fizemos juntos.


e essa eu fiz, no mesmo passeio:



e tinha uma arvore linda no meio do calçadão,rodeada de cimento e ela lá...


... mas, voltar pra casa é ainda melhor .
vista linda da nossa casa, faça frio ou abra o sol; caia a chuva ou o silêncio madrugador da neblina...


cenas da cidade que (me escolheu) escolhi como minha....
Curitiba é linda, amo essa cidade. essa fotos são dos meus passeios sob duas rodas ou duas pernas, pela ciclovia paralela da Mateus Lemes... que passa por três maravilhosos parques...
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Mirrors - marine kulture

6/15/2010

Dez anos de Rock de Inverno - I


Capa da coletânea e filipeta: detalhe do "impreterivelmente" às 23h, estes somos nós.


- ... a gente... fazer um festival?
- Porque não?
Nem parece, mas na semana passada o Rock de Inverno – Mostra da Nova Música Independente de Curitiba fez dez anos. Nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2000 estávamos todos no Circus, com a casa cheia pra primeira edição da mostra, que teria outras seis edições ao longo da década, geraria uma produtora/selo independente, a De Inverno. Ainda lembro bem, lá na casa das jabuticabas, quando o Ivan puxou o assunto e respondi com uma cara de interrogação – mas, total empolgada, já topando em seguida. A vontade era reunir as bandas, daqui e de outras cidades, que a gente mais gostava, já que não eram figurinhas fáceis no circuito da época. E, claro, um espaço para tocar a razão maior disso tudo, OAEOZ.

O nome é algo que eu amo e veio no pacote inspirado do ‘terrível’ Ivan e até hoje acho perfeito, simplesmente perfeito. O tempo passou e fui me dando conta do quanto a essência desse nome/projeto é algo que não tem só a ver com o tipo de música que gosto, mas tem a ver comigo. Quando penso nesse nome só as coisas que amo surgem à mente - e as estações do ano que mais curto e suas nuances nos meus dias é só a mais óbvia delas. Na época, no site, o Ivan publicou um belo “manifesto”, falando da estética do frio, essa coisa preciosa do Sul do Brasil em paralelo com o Brasil praieiro e tal.

Faus, Plêiade, Zigurate, Loaded, OAEOZ, Cores d Flores, Madeixas, Quisto e Zeitegeist.Co.

OAEOZ era uma banda que se quisesse tocar, tinha que produzir seus próprios shows. Então tá! Lá fui, dar de cara com a produção cultural. Disposta a mostrar pra todo mundo que Curitiba continuava, sim, a ter bandas muito boas – mostrar inclusive pro Brasil, já que desde o começo queríamos ter a imprensa nacional como convidada.

(Nessa época, trabalhando na Gazeta do Povo, viajei para alguns festivais, shows e coletivas legais, sempre levando cds de bandas pra entregar, e notava claramente que a esmagadora maioria dos jornalistas quando conhecia era até a cena que nos deu Relespública e Resist Control, duas citadas nas conversas. Quando eu falava das bandas da segunda metade dos anos 90, praticamente ninguém conhecia. Mas, muitos estavam interessados em saber, afinal tinham as boas referências da geração ‘Ninety two degrees’, aquela que fez de Curitiba a “seattle brasileira” e que deixou marcas muito fortes. O Ivan, que sempre foi um cara que gosta de dividir suas descobertas culturais com os amigos, fez uma caixa com um texto e CDs das bandas que a gente mais curtia para enviar para algumas pessoas-chave, como o Fernando Rosa, do Senhor F e o Alexandre Mathias, do Trabalho Sujo, que foram dos primeiros a falar dessa nova cena curitibana.)

Fui confiante, afinal de contas, quem não ia querer apoiar uma ideia tão legal.
Logo percebi a real. Bancamos na primeira edição até as passagens e hotel pra jornalistas – e quem os acompanhou enquanto estávamos trabalhando foram meus pais, Seu Rui e Lu.

Tivemos três dias na companhia de uma figura lendária da música e do jornalismo brasileiros, Minho K, o jornalista Celso Pucci, que veio pela Bizz, mas acabou escrevendo sobre o que viu pro Estadão. E nos deu o primeiro dos (tantos) momentos lindos de bastidores. Na madrugada da terceira noite, depois dele já ser figura conhecida no bar com seu chapéu, vimos o dia amanhecer, depois de eu e Ivan termos cantando pra ele, pirando, as músicas do De volta ao Oeste, do 3Hombres. (Exatamente, não foi a toa que ano passado tivemos 3 Hombres no Rock de Inverno 7). A noitada foi dividida com a jornalista Carlota Cafiero, enviada de Alexandre Mathias, com quem ainda troco alguns emails.

Tivemos apoios preciosos: Circus Bar, Ggráfica, A. S We Designer, 96 Rock/Helinho Pimentel, Planeta Gulla, La La Spageteria Ristorante Mediterrâneo e Spaghetteria Pontevecchio: os apoiadores


E o Marcelinho Borges... eita. Ele tava lá, como a Mariele e o Mackoy, nossos novos amigos. Marcelo foi parceiro desde o começo e não mediu esforços pra comprar sua própria passagem de Londres pra cá, pra estar em duas edições, numa delas, trouxe o Transcargo junto, nossa única atração internacional, no Cine, em 2005.

Ver o Circus cheio nos três dias, presenciar “a volta” da Plêiade e ver aquelas bandas mandando ver por conta do meu trabalho foi... incrível, na falta de uma palavra que consiga traduzir um dos momentos mais especiais da minha vida.

E eles se repetiram por outras seis vezes – sem falar nos shows fora do festival. Produzir o Rock de Inverno foi um verdadeiro exercício de paciência pra essa ansiosa crônica que sou. (adri)

Dez anos de Rock de Inverno: 2




Na segunda edição, 4 e 5 de agosto de 2001, no auditório Antonio Carlos Kraide entrou em cena a Fundação Cultural de Curitiba (FCC), através de Janete Andrade. Oboeísta, responsável para área de música da FCC, foi com ela a reunião que pedi em busca do local pros shows. A gente achava que teatro poderia ser legal, mas pra festival é complicado. Quando ela viu o material já produzido quis saber mais e pediu que a ajudasse a estabelecer contato com o pessoal do circuito pop rock. Logo se armou uma grande mesa de conversa lá na antiga sede da FCC, no Largo. Estavam lá, eu, JR ferreira, Vadeco e mais um punhado de gente que não lembro, mas a mesa tava cheia.

Daquela reunião saiu apoio para vários festivais do ano seguinte, e o JR coordenou um circuito de shows/festivais, que trouxe a imprensa nacional como convidada pela FCC – o Abonico tava lá também. Só pro Rock de Inverno 3 – que aconteceu no 92 (o original) – vieram 22 convidados e muita gente mais queria vir.
Além de Janete, tenho que citar diretamente o Leandro Knophflz e a Paola Wescher, por tabela. Ele consolidou o apoio da FCC, que desde então é parceira da De Inverno. Ela tava do lado tentando ajudar em um momento bem complicado.

(Essa cena é a conexão direta com o Curitiba Pop Festival que eles dois fizeram depois, primeiro sob a chancela da FCC, depois sem. Pra mim, o CPF foi um passo importante adiante do que estávamos fazendo; é lamentável, pra Curitiba, que mais uma vez um projeto pop que colocaria a cidade com mais força no roteiro cultural alternativo não tenha vingado.)

Em 2002 outra parceria preciosa foi fechada, esta pela intervenção de Cassiano Fagundes, então na Livrarias Curitiba. Desde então, a rede de livrarias paranaense tem sido nossa apoiadora em TODOS os projetos da De Inverno, através do João Alécio, que foi quem continuou fazendo o meio de campo pra gente lá dentro.

Esta edição teve os primeiros convidados de fora, concretizando nossa teoria de “inserir a cena curitibana no circuito nacional”: Casino, Pipodélica e Hurtmold junto com as curitibanas OAEOZ, Criaturas, Sofia, Poléxia, Volume, Aaaaaamalencarada, Svetlana, Excelsior, Pelebroi Não Sei, Lorena foi embora... e Magog


Eu estava em êxtase!!! Não precisava de mais nada além de ver a expressão boquiaberta de todos os convidados; não tinha um ali dentro que não tivesse pagando o mó'pau pra cena curitibana.
E,de quebra: casino e hurtmold (hospedados lá em casa) e meus conterrâneos pipodélicos. Aí começava um histórico de amizades, mesmo que distantes, com alguns dos músicos brasileiros que a gente admira. Recebê-los em nossa casa, é um capítulo a parte. E a edição terminou apoteótica com Reles e Magog, para a nossa singela homenagem à cena – aquela da tal Seattle brasileira – que foi tão importante nas nossas vidas.

É emblemático pra mim que este Rock de Inverno estrondoso tenha sido ali, no 92, daquele jeito e com a Reles voltando a trio, tocando ao lado da “banda irmã”, Magog...

2003
Depois da euforia do Rock de Inverno 3, a frustração da edição que não aconteceu, acontecendo. Foi um dia do cão, o 29 de agosto de 2003, no Diretoria Café. Nada do que foi combinado foi cumprido. Quando chegamos pra passar som, o equipamento era menos do que tínhamos em casa pros ensaios d”OAEOZ. Lá foram Ivan e Mackoy atrás de tudo. Conseguimos. Telão arrumado, Sonic Junior mandando ver já na passagem. Ivan foi em casa e eu fiquei direto.

De repente, dô de cara com policiais, metralhadoras em punho, uma invasão armada. Ainda hoje... fico pensando que lei permite que se faça isso com cidadãos. Respirei fundo e procurei o comandante da “ação”. Me apresentei como produtora. Ele explicou que o local seria fechado, pois não tinha alvará. Mantive o sangue frio! Perguntei se era preciso entrar daquele jeito agressivo no bar. E só então, expliquei que era jornalista e que ali dentro só tinha músicos e imprensa, inclusive a nacional.

Paola já estava no local e dá-lhe linha direta com as autoridades. O policial disse que receberam denúncia e que eu poderia até reabrir a casa depois, mas que se eles tivessem de voltar, a coisa ficava mais complicada. Acho que no final, até ele queria que a gente fizesse o festival. Mas, a gente jamais correria aquele risco. Então ele disse que se nós não fôssemos ao microfone pedir a todos que saíssem, eles o fariam.

Não lembro de nada tão difícil. Naquele ano o Rock de Inverno aconteceu na Casa Azul, para onde fomos assistir ao lançamento do vídeo da edição anterior, feita pelo Marcelo. Nesta noite, pela nossa casa passou até jornalista da Folha da São Paulo. Mas eu lembro só de cenas picadas. De quando falei com o comandante, da gente no palco falando com a moçada; flávio chorando muito, bem quando eu tinha conseguido parar, de eu sentada quase embaixo da mesa da nossa casa, cheia de gente. E da gente recebendo no outro dia de manhã o pessoal das bandas de fora e contando tudo.
Foram os amigos que conseguiram uma brecha no Motorrad, se não me engano, em shows dos Dissonantes, que cederam o espaço pra que as bandas que vieram de fora tocassem (La Carne, Blanched; o Sonic Junior foi embora sem tocar, mas Paola os chamou para o CPF, depois). No outro dia, já mais recuperada pelo carinho dos amigos, me acabei de dançar (e chorar,claro) nos shows emprestados deles.

Dez anos de Rock de Inverno: 3



A outra edição tinha que ser o máximo. E foi. Em 2004, no Cine. Deu tudo mais do que certo e ainda tivemos a inglesa Transcargo, por conta do Marcelo Borges. Com direito a uma bela roda de capoeira e maculelê com facão que acabou com meu tremos de pernas nervoso. Iê, Força da Capoeira!



Gianoukas Papoulas, Cores d Flores, Wandula, Charme Chulo, OAEOZ, Mordida, Ruido/mm, Trancargo, Deus e o diabo, Fuid, Sofia, Johnz, Matema e Gengivas Negras. Tivemos apoio luxuoso da Gazeta do Povo – e a menor cobertura jornalística por parte do jornal.

Eu não consegui parar. Acho que por aí, o Ivan já estava meio de saco cheio, afinal o que tinha começado como prazer tava virando obrigação. E o estresse era sempre o mesmo. A mostra cresceu, não dava mais pra oferecer nossa casa pros convidados. No sexto, quase caímos no mesmo erro e olha que os donos da casa apresentaram até documentos da prefeitura – que não eram definitivos. Uma checagem por parte da FCC indicou que não constava nos registros legais da prefeitura. Lá fomos eu e Ivan encarar outro dono de bar fdp (nem lembro o nome, mas era esse boteco que tem ao lado da casa vermelha). Voltamos pro 92, mas desta feita, tivemos o menor público de um Rock de Inverno, que aconteceu na primavera com

La Carne, OAEOZ, Stela Campos, Cascadura, Góticos 4 Fun, Gruvox, Goya, Mocambo, Terminal Guadalupe e Gianinnis

Os ventos mudaram

O cansaço era evidente, mas eu posso ser muito teimosa... inscrevemos no edital da Petrobras e não entramos. Os ventos mudaram. Foram dois anos sem o festival – e eu ainda não conseguia largar dele. Até que fui convidada a analisar propostas de um edital da FCC e soube que poderia, como qualquer cidadão, encaminhar à comissão um pedido de edital.
Assim o fiz. Assinada também por outros produtores importantes de festivais da cidade. Foi aprovado o primeiro edital do Brasil exclusivamente para festival de música independente (neste contexto, artistas sem vínculo com grandes gravadoras).

O Rock de Inverno 7, nos dias 24 e 25 de julho de 2009, foi um dos quatros projetos aprovados pela única edição que este edital teve. Tivemos quatro bandas de fora. Todos que tocaram receberam cachê, mesmo que simbólico. Tenho orgulho de dizer que quando pudemos, pagamos pra todos. Quando não pudemos, nenhum recebeu – mas também ninguém tirou do bolso pra vir tocar no Rock de Inverno.

Fellini, Mordida, Lestics, Koti e os Penitentes, Ruído/mm, Je Rêve de Toi, Heitor e Banda Gentileza, Beto Só, 3 Hombres, Diedrich e os Marlenes, Nevilton, Hotel Avenida, Pão de Hambúrguer e Liquespace. Patrocínio da cidade, através do Fundo Municipal de Cultura de Curitiba/FCC. Apoios: Livrarias Curitiba, Jornal do Estado, Influx e 91Rock.

Eu olhava pro lado, Rubens, Coelho, Flavio, Rafael.... olhava pro Ivan... meu, é o Fellini tocando no rock de inverno!!!!!! Lindo, emocionante... e eu fiquei nervosa, ansiosa e irritada (coitados do Ivan , da Mari e da Karla) quase mais que no primeiro. Podem até não acreditar, mas cada show que eu assisti (ou perdi, alguns poucos, por estar na correria) no Rock de Inverno fez minha existência mais especial. E não só porque praticamente todos se transformaram em pessoas mais próximas. Receber essas pessoas inquietas, sensíveis, exigentes e tão talentosas que recebemos pra mim foi um privilégio. E, modéstia à parte, conseguimos estar a altura, porque todos falam muito bem do festival. Não digo que fomos perfeitos, porque não o somos, nem pretendemos. Como a gente costumava dizer por aqui: somos amadores, mesmo, no melhor sentido da palavra.

Nunca quis que o Rock de Inverno fosse um festival grande maior. Prefiro a consideração de quem admiro. Porque o que eu gosto mesmo é desse contato próximo. E, depois dos shows trazer os amigos pra uma prosa ou gig aqui em casa. O prazer de ver uma banda destruindo no palco que você ajudou a armar e poder dizer: “eu sabia que isso ia acontecer e se deliciar com a expressão das pessoas ao redor”.Sempre amei ser platéia e com o Rock de Inverno (e OAEOZ) aprendi que posso estar escrevendo bem mais firme essa nossa história, daqui desse lado. E que fazer parte de algo maior – independente de se é algo grande ou não - é o que faz hoje ser tão especial e dá a chance de daqui uns dias ter todas essas boas sensações pra lembrar, como a gente tem. Valeu moçada De Inverno, vocês que fazem parte desse pedaço da nossa história. Valeu Rock de Inverno. E, em especial, de minha parte, valeu Ivan e OAEOZ. (adriperin)

TINDERSTICKS – Live In London (2010)



Mais um "achado" do The sound & The fury

6/08/2010

Giancarlo Rufatto - novo single



baixe aqui

“Canção da espera” é o novo single que, dizem, é em homenagem a mais uma data comemorativa - aquela do dia 12 de junho. Os quadrinhos da capa do Single são desenhados pelo grande Álvaro Borba, que já havia desenhado o Single de natal. O single traz tambem “O fim das Horas” se fingindo de lado B e ambas devem fazer parte do Ciao EP, que sai um dia desses. Mas enfim, aquela coisa de sempre, para baixar basta clicar na arte acima ou diretamente no myspace.

6/07/2010

Dasvelas - Sempre criança



Mais uma música dos amigos do Dasvelas, que na quinta-feira tocam com o Charme Chulo no James. Abaixo a descrição deles e a letra

""Sempre Criança", composta por todos os integrantes da banda, com letra do Marano, traz ainda a participação de Diogo Soares (Los Porongas) nos vocais:

"Você que tem a mesma força que eu
Tem no sangue: música e palavras
E traz sem perceber
O entusiasmo presente de um Deus
No coração
Te espero pra voltar pra casa.

Você que tem as flores no cabelo
Desde criança do mesmo jeito
Chegue mais perto
Traga a sobra
Do céu que te descansou
Do lugar que ainda não conheceu
mas que chegou, chegou, chegou..."

6/01/2010

Um Brasil diferente

Um Brasil diferente - Ensaio sobre fenômenos de Aculturação no Paraná é o livro de Wilson Martins que comecei a ler. Ele fala da formação cultural do paranense e Logo no começõ trata da paisagem. Dividido o Paraná em cinco regiões - litoral serra do mar,planaltos 1,2 e 3 -, ele comenta que o "pa raná é uma civilização de planalto".

"(...) construída por homens do interior, sem a nostalgia dos horizontes talássicos, e que preferiam, antes, a marcha demorada e pouco aventurosa através dos campos gerais, das planícieis infinitas, em que a sensação de solidão enorme só equivale à de segurança perfeita, com os olhos devassando para todos os lados a amplitude desabitada e deserta".

Tá um dia perfeito pra ficar com a cara num livro e um bom chá do lado.

"... esta civilização de burgueses e não de marinheiros. de construtores de cidades e não de aventureiros amantes do perigo e da incerteza. civilização de carteira de identidade e não do passaporte. é que o homem lhe veio, em geral, não das fímbrias de terras esmagadas entre a fronteira e o oceano, mas das tranquilas aldeias em que o ser humano se sente defendido pelo grupo;e daí uma civilização grupal, civilização de equipe, sem herois e sem extravagantes, sem solitários e sem rebeldes, e na qual, mesmo nos tempos mais recuados, é praticamente desconhecida a figura do pioneiro individual: civilização construída pelo grupo, que partiu do arado, da carroça de quatro rodas, e não do fuzil e do cavalo. "

5/28/2010

sei lá..

“A vida é fácil
eu é que sou complicado
sempre acabo me enroscando nesses dias tortos
A gente sempre quis ter uma vida simples (...)”


Tava trabalhando e dei uma passada no blog da Josiane Ritz... li alguns post, lindos, falando das filhas dela (que são, realmente, crianças encantadoras, resultado, com certeza, de uma educação amiga e amorosa). E aí, eis que começo a pensar na vida simples, e careta se preferir, que parece que o tempo insiste em nos encaminhar, os mais loucos e os menos loucos como eu. Cada um, louco ou louco, no seu rumo. Lembrei d’OAEOZ. Lembrei de Dias Tortos...que viagem no tempo. (Ah, amanhã é o niver do RO, por falar nisso).
Pensei na vida. Lembrei de coisas que venho pensando nesses últimos dias (que voltam como se estivesse num círculo do qual não posso sair). E que de tanto ficar pensando, acabo nunca escrevendo sobre no blog.... talvez seja só um tipo de covardia mesmo. Vai saber.
Só sei que me bateu uma nostalgia nesse fim de tarde, no meio dessa confusão de pensamentos. Acho que é a gripe (eu tinha prometido me entregar a seus braços, mas olha só que horas são e continuo na frente dessa tela). Uma saudade de sei lá o quê, mas com a certeza, também, de que amo a minha vida e a escolhi bem, embora me sinta, outra vez, num momento de me “perceber” novamente. Seria a saída da fase balzaca? ‘Sabeimelá’. Só sei que me perco, constantemente, entre ideias e vontades, umas sobrepondo as outras, voltando depois, para sobrepor-se às outras que vieram.

Acho que é o dia. Me senti um pouco assim até quando li sobre a peça que a Fernanda D’Umbra ta estreando hoje como diretora em Sampa, com texto do Caco Galhardo. Garotas que trabalham numa loja de sapatos esperando a porta ser aberta pra iniciar outro dia de trabalho. Enquanto esperam falam de si, de nós e das outras. Eu fiquei com tanta vontade de ver essa peça!!!!! Não sei porquê, mas me senti próxima.
Talvez seja a semana. Ontem também senti essa saudade de sei lá o quê, quando terminei o livro dos diretores de cinema. E parecia a gente conversando sobre como as pessoas curtem a música hoje de um jeito diferente, apressado demais, sem aquele ritual que a nós era tão caro. Um clima meio fim de festa, no livro, perante o jeito como as coisas são feitas, apressadas e com alvos duvidosos, hoje em dia.
Enfim... não vou entrar numas de "no meu tempo..." por favor, né adriane!!!

Pra encerrar essa coisa sem nexo:
“(...) ainda espero neste banco (...) com este caderninho em que uma mão escreve para inventar um tempo que não seja só aquela interminável rajada que me projeta em direção a outro sábado (...)”, Julio Cortázar.

Ou
“Vivo a caça de motivos pra estar vivo. só existir me empurra pro abismo/ás vezes o viver também, sabemos disso/os dias passando só pra preencher o tempo, como rabiscos num caderno antigo, não me interessam mais, embora me atropelem, quase sempre”, cortesia d’OAEOZ, que acolheu em uma de suas belas músicas minhas palavras perdidas num comentário de blog... parece que foi há tanto tempo!!!! (adri)

Beijo AA Força - Homem de ferro - Aeroanta 1992



Taí. Alguns dos "culpados" por eu ter me metido nessa fria de música.

5/25/2010

Novas na BR Press

Tem duas matérias novas da Adriane Karine Perin Vieira na BR Press, sobre os shows da banda Gentileza e do Apanhador Só em Sampa.

Colalá.

ou direto aqui e aqui.

5/23/2010

Um show pra voltar pra casa de pernas bambas


Sou muito emocional. E isso também na minha relação com as bandas que curto. Tem aquelas mais próximas e as que não conheço os autores. Com as bandas de Curitiba que eu gosto, a relação fica ainda mais forte. E uma dessas, muito próximas, é a Criaturas. Não somos amigos que se visitam, que conhecem as casas um dos outros, mas quando nos encontramos é sempre como se fosse. Na última quinta, não foi diferente. Era o único show de lançamento do disco de Xanda, Bruno e Caetano – que contaram com o apoio de um guitarrista bem bom (pô, desculpe, não sei o seu nome...)
Bom, as músicas eu conheço todas, ouço esse disco antes dele ficar pronto. E, já sabia disso, não era a única que sabia cantar todas, entre as pessoas que lotaram o James Bar. “Águas Passadas”, “Gato por Lebre”, “Serenata”, “Tábata” e todas as demais canções que me fizeram chamar a banda de Criaturas grudentas. E que grude bom é este que faz com essas canções fiquem coladas não só em mim. Num tempo de tantas cantoras surgindo no cenário nacional, me espanta que, outra vez, o restante do Brasil não conheça uma das melhores, senão a melhor entre todas elas: a “óóóótima” Xanda Lemos.
E não é só porque a Xanda tem charme de sobra e roube quase toda a cena, toda vez que sobe ao palco. Não é só porque ela é uma verdadeira “front woman” do rock nacional. Talvez também porque ela sabe como poucas transformar em música o que acontece em sua vida. Porque ela tem uma voz linda que, sendo doce e suave, não perde um tico da força que colhe dentro de si mesma (e nos outros também) em prol de poses vazias como as que se vê em pessoas que não tem o mesmo brilho.
A Xanda não precisa fazer força alguma, é a impressão que se tem.

"deixa eu fumar o meu cigarro em paz/não queira me encher o saco/deixa eu tremer pór toda vida/ deixa eu beber se isso me acalma/e se eu te faço mal é engraçado/a minha indiferença agora é o que restou/e seu ainda ontem não fui nada/hoje eu serei o que não sou/eu faço de conta que nada aconteceu/ as mágoas são águas passadas/ eu peço perdão para o menino meu/ as mágoas são sempre cantadas".

E põe toda sua vida no palco, pra cantar e tocar pra gente. Deve ser isso que faz a diferença. E, claro, ter ao lado uma dupla fiel. E, pra completar, o som no James tava perfeito. Deixou o resto pras duas bandas. Mordida, igualmente matadora. Se eles vão conseguir imagens pra fazer o clipe é outra história. Tinha tanta gente no bar que não sei não, se o sucesso dessa vez não vai atrapalhar... Como com a Criaturas, teve coro o tempo todo.
E as duas tiveram a participação da Tati Lemos, que fez parte das duas formações em seus começos. E com as duas formações, pra meu (nosso, eu sei) imenso orgulho e alegria, participou de duas edições do Rock de Inverno. No 3, com a então pouco conhecida Criaturas, no porão 92; e no Rock de Inverno 5, no Cine, com a Mordida. Nunca mais tinha visto a Tati - e não consegui falar com ela na quinta, mas foi tão legal vê-la cantando com essas duas bandas que fazem parte da vida dela - e da nossa, também, né. Afinal de contas, não são poucas as vezes que a gente coloca Mordida em alto e bom som pra dançar no meio da sala. Do mesmo jeito que são muitas as vezes que me pego cantarolando dentro do ônibus as canção das Criaturas...

"beibe, abra ao menos a janela/ isso não passa de uma serenata de meia tigela/ beibe, faça alguma coisa comigo/eu não vou querer me cuidar/já perdi a noção do perigo" (...)

Foi uma daquelas noites mágicas, perfeitas. Daquelas de voltar pra casa com as pernas bambas e sentir o efeito ainda no dia seguinte. E no outro.
Pena, é um show só, e eles já estão voltando por States. E nós vamos ficar aqui esperando outro show desses, arrebatador, pra gente poder atrapalhar bastante a (o) vocalista, querendo decidir repertório e insistindo em cantar tudo junto. Só pra depois poder levar pra casa mais boas lembranças e ficar ouvindo aquela canção até no silêncio. (adri)

Um belo show e um atendimento bem meia boca

Foram dois shows esta semana. O do Jame, com Criaturas e Mordida, na quinta,dia 20, foi nota dez, de verdade. O atendimento no James foi inclusive melhor que a última vez que estive lá, quando achei meio devagar. O do Otto, na sexta anterior a esta quinta, no John Bull Music Hall, só ficou perfeito quando a banda subiu no palco.
O John Bull Music Hall me deixou envergonhada por ele, por conta do (falta de) atendimento. Antes dessa noite, eu costumava dizer que o John Bull era uma das nossas principais casas de shows; depois desse show do Otto, não direi mais. Simplesmente porque uma casa de shows de respeito tem que atender bem a seus clientes e oferecer o melhor. E não foi o caso do John Bull Music Hall. Não que eu tenha sido atendida mal pelos pessoal.
O bar pecou pelo que não tinha. Só um tipo de cerveja, e em lata (tinha aquela bohemia insossa também, mas não tinha nem heinekken ???!!!! Básico! Nem uma cerveja escura decente? Nem sequer um uísque bebível, pois a única dose que a gente comprou daquela porcaria que eles tavam vendendo ficou no copo. De plástico. E o sistema novo de fichas, sem uso de cartão, é uma regressão pra uma casa tão importante. Se a intenção era evitar problemas na hora de sair, com filas, sinto informar que essa “solução” ficou pior. Sem falar que o show começou 1h30 da manhã – o ingresso falava 22h. Imperdoável. E mais, incompreensível, pra uma casa com a tradição do John Bull. (ah, e o ingresso tava com o valor riscado, pra mais, é claro, quando eu o comprei?????!!!!)
Só não foi uma noite mais irritante porque Otto e sua banda não deixaram. Quando eles começaram esqueci que tava puta da cara com o lugar. A sonzera no palco, as firulas de Otto querendo fumar e fazendo suas ligas sonoras entre uma musica e outra, uma platéia feliz, junto com a base da poderosa percussão que o lançou ao mundo e alguns dos melhores músicos da atualidade (porque esses caras o são, efetivamente), salvaram a noite. O Otto está melhor do que nunca, e não poderia escolher melhores companhias para subir ao palco. A gente agradece. Voltem sempre. Mas, o John Bull que se prepare melhor pra receber seus clientes da próxima vez. (adriane perin)