5/29/2009

Cada vez mais genuinamente Júpiter Maçã

Jornal do Estado/ Bem Paraná

O músico Flávio Basso, o Júpiter Maça, faz show hoje no Era Só o Que Faltava (foto: Divulgação/Cisco Vasques)


O gaúcho Flávio Basso apresenta sua nova banda a Curitiba, com repertório que passa por todos os discos e inéditas

Adriane Perin

Quando um músico constroi uma história que conquista pessoas, seu repertório acaba por ganhar uma interferência externa, digamos assim. Algumas músicas não podem faltar nos shows. É o caso de Flavio Basso. Ou Jupiter Apple. Ou Júpiter Maçã. O gaúcho, que começou a fazer história lá nos anos 80 nas irreverentes TNT e Cascavelletes, é um desses casos. E, para nossa sorte, não importa de qual disco ou época é sua música, porque o bom gosto musical é a regra em resultados que podem ter uma cara mais experimental ou mais pop, dependendo do que ele sente. A cada novo trabalho, esse cara engrossa sua lista de boas canções e o momento atual não parece diferente, como se pode conferir no single que acaba de lançar em sua página no my space (www.myspace.com.br/jupiterapple). Gregorian Fish tem um clima David Bowie, me lembrou Roxy Music. Outro trunfo de Júpiter Maçã são as sacadas regionais em referências a lugares, que aparecem em suas músicas sem que jamais as façam soar datadas, ao contrário, promovem aproximação. Golpe de mestre.
Hoje ele apresenta à Curitiba, na terceira edição do I_CWB, no Era Só o Que Faltava, sua nova banda, que tem as “estrelas” Thunderbird (aquele mesmo ex-VJ e vocalista do escrachado Devotos de Nossa Senhora Aparecida) no baixo, e Astonauta Pinguim no piano e órgão, com a responsa de dar aquele toque retrô que falta a um show do Júpiter. Ele também apresenta uma performance solo. A banda se completa com Dustan Galas (guitarra) e Felipe Maia (bateria). “A combinação está sendo bem boa e traduz o que quero passar no momento”, disse Basso, em uma animada conversa por telefone. Entre as músicas que não podem faltar no repertório – que terá também músicas inéditas - ele cita “Gregórian Fish” e “Um Lugar do Caralho”. Oba, essa é um clássico. Mas, e: “Eu e minha ex”, Miss Lexotan 6mg Garota .., “As Tortas e as Cucas”... ishi... essa lista é grande!

Jornal do Estado — Você está trabalhando em novo disco. O que podemos esperar desta vez?

Júpiter — O single já tá lançado virtualmente porque a música que abre tá no meu My Space. As gravações do álbum ainda tô no processo de criação. Na sequência virá o vinil, um compacto, ainda para este ano. Gosto dessa prova física, especialmente para o formato de single gosto de usar o compacto, que faço pela Monstro Discos.

JE — Você já fez discos pop, experimental; cantou em português em inglês; quando se esperava um tipo de som, você vio com outro... esse trabalho que está nascendo?
Júpiter — Acho que cada vez mais venho completando e sintetizando o disco anterior. A Tarde na Fruteira, o mais recente, já sintetiza os três anteriores. Na verdade, essa coisa de correr contra o que se esperava se deu mais nos meus primeiros discos. E aconteceu mesmo. São coisas que eu tenho que descobrir a meu respeito – e isso é saudável. Claro, que sempre coloco um plus, algo fresco à carga do que já estava no trabalho anterior. Me sinto cada vez mais completo e pleno como compositor.

JE — Legal essa postura longe da falsa modéstia de dizer que “é um trabalho despretencioso”.
Júpiter — Mas é a verdade. Me sinto assim. Tenho um estilo que já era definido e tende a afunilar, cada vez mais genuinamente Jupiter Maçã. Você ouve e sabe que se trata do meu disco, mesmo que sejam trabalhos com várias sonoridades diferentes, atitudes atípicas ou coisas que não tinha feito anteriormente.

JE — Desde aquele começo com TNT e Cascavelletes até agora...
Júpiter — O que disse não quer dizer que fosse inseguro ou imatudo na fase inicial. Nunca fui inseguro em relação ao que lancei. Essa segurança é que me move e abre para o exercício da continuidade. Mas, percebo, olhando pra trás que cada vez mais tem uma assinatura, que era de fato aquilo lá mesmo, desde o começo.

JE— Você - e alguns outros músicos da sua geração oitentista do Rio Grande do Sul – é um cara que influenciou muita gente e está entre os que deram os primeiros passos do que hoje chamamos de cena independente brasileira. Você se sente uma referência? Como é isso de ser pioneiro?

Júpiter — Independente eu sou. Mas, o independente cresceu e não é mais independente. Tomou vida própria em tamanho e dimensão. Se você pensar em termos de mainstream, acabei sendo um “main” que foi formado, que emergiu das profundezasa do indie, do underground, mas tomou proporções tais, que, agora, a essência, seja indie ou underground o termo que se aplique, já tem uma notoriedade outra. E lido com isso, no momento, como período transitório, porque sinto que venho de uma espécie de transição para que um número maior de pessoas tenha acesso. Isso tá acontecendo com meu trabalho.

JE — Por falar nos gaúchos já viu o Tenente Cascavel, formação que une ex-Cascavelletes e ex TNTs? Você chegou a ser convidado?
Júpiter — Fui convidado a assistir e fui comunicado com alegria do que acontecia, mas não tive a chance de ver ainda. Acho interessante um trabalho de resgate como este, mas eu não faria. Porque a mim incomoda viver do passado e, assim, não to dizendo que eles estão vivendo no passado, mas estão apegados por demais. Estão recriando uma sonoridade que eu já vivi intensamente. Seria difícil vivê-la como se fosse meu dia-a-dia. Mas, eles estão indo muito bem.

JE — Como ouvinte qual é sua relação com a música. Você gosta ouvir o que tá rolando agora?
Júpiter — Gosto sim, mas aconteceu de neste período estar completamente rodeado pelas minhas ideias, porque estou tentando organiza-las. Não que esteja desorganizado, mas estou dando nomes, encarando facetas de cada um dos elementos meus. E isso dá um trabalho. Algumas mudam, outras ficam mais em evidência em algum momento; outras que estavam esquecidas mostram sua importância.

JE — Tem algo que você citaria desta nova cena?
Júpiter— Diria que toda a cena está legal. Essa neo-mod que tem surgido é forte e gosto dos Faichecleres, por exemplo. Eles fazem várias alusões a Sétima Efervescência.

JE — Teus discos são bem resolvidos, acho que por isso você às vezes dá um intervalo maior para lançá-los – e por isso também aquela segurança que falou antes. Cada disco tem o tempo que precisa.

Júpiter — Só foram lançados albuns meus nos quais cheguei ao fim. Realmente é uma prova que me coloco, um dogma. Um disco só vem à tona se traduzir exatamente o que to querendo. Senão seria um desconforto muito grande e dificil de lidar artisticamente. E é o que você falou mesmo: cada um teve o tempo que precisava. Vejo que você conhece bem meu trabalho. Às vezes pode parecer que foi tempo demais, mas acaba saindo, uma vez que eu esteja completamente satisfeito.

JE — E sua relação com a crítica? Não tens muito que reclamar, você é “bem criticado”, né?
Júpiter — É sempre uma surpresa o que vão achar. Eu procuro ficar tranquilo porque é como disse: tem que passar por mim. Uma vez aprovado por mim tudo que tenho que fazer e ficar à vontade, porque afinal de contas fiz o que quis fazer.

JE — Uma Tarde na Fruteira foi lançado no exterior. Como vai a carreira internacional?
Júpiter— É, pela Elephant Records, gravadora espanhola com abrangência em outros países europeus. A crítica tem sido bastante generosa, meus discos estão sendo festejados, o que é lisonjeante. Infelizmente não estou acompanhando de perto, por isso os planos de fazer uma turnê. Mas por hora é planejamento. Issos ainda é recente de certa forma, dois anos de lançamento no exterior. Fiz uma vez um show em Londres, que foi muito legal. Com muitos ingleses e toquei “Marchinha Psicótica do Dr Soup”, que é toda em portuguuês e a letra é o forte, com longas estrofes, sem refrão. E eles realmente deliraram. Acho que é o formato de marchinha, a sonoridade.

JE — E sua postura com internet gravadoras e esses assuntos todos que vivem em voga?
Júpiter — A internet ajuda, mas também atrapalha em alguns pontos. Moeda com seus dois lados. Eu particularmente tenho lavado minhas mãos. Tenho todo um processo criativo, um trabalho que envolve muitos sentimentos, toda fase de composição até chegar a hora de expor o trabalho finalizado. E, aí, já não cabe mais a mim decidir ou ter certeza do que vai ser feito com isso pelo público. É assim que tenho encarado.

JE — Mas você tem um contato direto com os fãs pela internet?
Júpiter — Não tenho. Mas sou muito acessado e tenho consciência que sou um sucesso de internet. Coloco tudo e acabam sendo coisas bastante acessadas?

JE — Não está na hora de um DVD?
Júpiter — Existem planos, mas nada de fato agendado. Mas, concordo que um DVD seria bem vindo.

Serviço
3ª edição do I_CWB – Júpiter Maça, Astronauta Pinguin, Djs Our Gang, Banzai, Delta Cokers e intervenções de rasputines.
Dia 29 R$15.
ESOQF (Av. Rep. Argentina, 1334)
Informações: 41 33420826.

5/28/2009

sei que não vou me cansar de você

"Luz de outono
Lestics (Olavo Rocha e Umberto Serpieri)

pode ser que algum dia eu perca o sono
e não tenha vontade de andar e comer
mas eu nunca me canso da luz do outono
e não tenho porque
me cansar de você

a eternidade vai um pouco além
do que eu costumo planejar
e no pedaço dela que me cabe
é com você que eu quero estar

pode ser que algum dia eu queime meus livros
jogue fora os meu discos e quebre a tevê
mas mesmo enjoado de tuda na vida
eu sei que eu não vou
me cansar de você

a eternidade vai um pouco além
do que eu costumo planejar
mas no pedaço dela que me cabe
é com você que eu quero estar"

... nossos novos clássicos também dizem tudo!

5/26/2009

"Eu Não Existo Sem Você"

Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você

5/22/2009

Zé Rodrix - R.I.P.





E o mestre Jonas voltou pra dentro da baleia, pra sempre. Vai fazer falta. Mas hoje ainda é dia de roque lá em cima!

Crianças Perdidas

Sá, Rodrix & Guarabyra

Composição: Zé Rodrix

Hoje eu queria um encontro, numa pequena avenida
Com as crianças perdidas que um dia deixamos de ser
Hoje eu queria um instante num banco branco da praça
Vendo no céu os desenhos das nuvens de um ano qualquer

Hoje uma lua na laje do pátio, quase igual àquele dia
Ia me dar uma grande alegria,
quase igual aquele dia.

Hoje eu queria a tranquilidade de uma cisterna esquecida
Com as crianças perdidas e as nuvens de um ano qualquer,
de um ano qualquer

5/21/2009

"Festival Rock de Inverno traz Fellini a Curitiba"

Rock de Inverno 7 no Sobretudo

"A amiga, colega jornalista e produtora musical Adriane Perin manda notícias sobre a nova edição do "Rock de Inverno", que está se tornando tradicional ao chegar ao seu sétimo aniversário. Como o próprio nome diz, trata-se de um festivel de bandas de rock que acontece durante o inverno curitibano.

Sempre feito no peito e na raça pela Adri e pelo jornalista e músico Ivan Santos, da banda OAEOZ, neste ano ganha o apoio da Fundação Cultural de Curitiba. A grande novidade promete ser a volta aos shows da banda paulistana Fellini, em comemoração aos 25 anos de surgimento do grupo que foi um dos precursores do indie brasileiro."


lei a íntegra

5/20/2009

Falsas baladas entre os mais baixados do Senhor F

Deu no Senhor F

Selo digital Senhor F Virtual: 140 mil downloads gratuitos em 2008

* Da Redação

O selo digital Senhor F Virtual totalizou 141.706 downloads durante o ano de 2008, superando a marca de 55.576 registrada no ano anterior. Até abril deste ano, os números já ultrapassaram os 70.000 downloads, apontando para um novo crescimento. O número total inclui discos-cheios zipados (que contém várias músicas), eps e singles, e músicas avulsas lançadas durante e, em alguns casos, antes de 2008.

O disco-cheio mais baixado é "Pequenas Coisas Me Fazem Feliz" da banda mineira Radiotape, lançado em maio de 2008, com 820 downloads. Em seguida, estão "Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada" da curitibana OEOZ, (sic)lançado em abril, com 520 discos, e "Teatro que Celebra a Extinção do Inverno" dos catarinenses Stuart, lançado em junho, com 390 discos.

veja a íntegra.

5/19/2009

Rock de Inverno 7 - Folha de Londrina

Folha de Londrina de hoje (acesso com cadastro), na coluna "Camarim", de Rodrigo "Digão" Duarte

Festival 1

Após três anos sem ser realizado, o festival Rock de Inverno confirma sua sétima edição, programada para os dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall. A principal atração é o Fellini, banda cult da cena rock paulistana dos anos 80, que encerrou atividades no começo da década seguinte mas realiza shows de reencontro de tempos em tempos, como já aconteceu em 1998, 2000 e 2003 (este último, no Tim Festival).

Festival 2

O Fellini vem a Curitiba com sua formação clássica: Cadão Volpato (vocais), Thomas Pappon (baixo), Jair Marcos (guitarra) e Ricardo Salvagni (bateria). Segue a linha invernal, intimista e de letras inteligentes. Foi uma das primeiras bandas de rock a flertar com a MPB, inserindo algumas batidas de samba às músicas. Isso era percebido, de leve, no álbum de 1986, ''Fellini Só Vive Duas Vezes'', se intensificando no disco de 1987, ''Três Lugares Diferentes'' (vale citar que na mesma época o Beijo AA Força já fazia algo semelhante em Curitiba).

Festival 3

A grade do Rock de Inverno conta com mais 13 bandas. Estão escaladas Ruído/mm, Mordida (estas são as únicas que já tocaram em outras edições), Hotel Avenida, Je Rêve De Toi, Koti e os Penitentes, Heitor e Banda Gentileza, Diedrich e os Marlenes, Pão de Hamburger e Liquespace. Todas essas são de Curitiba. Entre os convidados de outras cidades estão Nevilton (Umuarama), Beto Só (Brasília), Les Tics e 3 Hombres (ambas de São Paulo). Esta última fará um show em homenagem ao falecido Minho K, integrante de sua formação original, e que também já fez parte do Fellini.

Festival 4

O Rock de Inverno terá também uma festa de abertura no dia 23 de julho, no Era Só O Que Faltava, com outros shows (a confirmar). No mesmo dia, às 19 horas, também vai rolar um bate-papo sobre produção de festivais de música independente.

5/13/2009

Curitiba tem jazz, sim senhor!

Jornal do Estado/Bem Paraná


O pianista Gebran Sabbag, o trombonista Raul Souza (foto) e o maestro Waltel Branco: músicos que ajudaram a construir, aqui de Curitiba ou buscando outros espaços, a história da música brasileira (foto: Divulgação)

É essa história que ganha destaque no documentário Música Subterrânea

Adriane Perin

La Vie en Rose, Marrocos, Moulin Rouge, King’s Club, Gracefull e o Clube Tropical. Se você viveu as décadas de 1950 e 60 em Curitiba e gostava de boa música, é possível que estes nomes estejam revolvendo suas lembranças. São nomes de algumas das casas de jazz da efervescente capital paranaense em meados do século passado. Uma cena que era forte e seguiu até os dias de hoje cheia de histórias que ficam na memória de poucos. Mas, cada vez, pode acreditar caro leitor, tem gente de olho nessa que é a “nossa história”. Um desses núcleos é o projeto Olho Vivo, de Luciano Coelho, cujo acervo de pesquisa fica cada vez mais precioso, e que agora se debruçou no jazz produzido em Curitiba. Um dos resultados é o documentário Música Subterrânea, assinado por Coelho, cuja exibição de lançamento será amanhã, no Wonka, na noite de jazz do bar.

A bonança daqueles anos na cidade refletia um dos momentos áureos da economia local e suas grandes safras de café, o chamado “ouro verde”. O movimento atraia músicos de vários lugares do país e teve palco principalmente nas boates da cidade, onde o repertório habitual começou a ser substituído pelo estilo musical norte-americano. O assunto é de interesse de Luciano há muito tempo, fã de jazz que é, e um observador próximo desse circuito que, me parece, é ainda mais maltratado, em certo sentido, que o das bandas independentes pelo seu público potencial. Mas, que tem um público fiel que acompanha os “êxodos” de seus instrumentistas pela cidade.

“A maior parte dos músicos que aparecem no trabalho eu já vi tocar várias vezes e sempre gostei muito de assisti-los e de perceber a qualidade e, também, que como em outras áreas, Curitiba tem uma peculiaridade: tem os artistas que ficaram e os que foram embora”, comenta. Um dos primeiros casos famosos é de Airto Moreira, que passou três dos anos muito significativos de sua formação musical, na cidade. “Ele coloca isso no filme. É um cara super importante para a música mundial, tocou no grupo de Miles Davis”, acentua Coelho. Um caso oposto ao dele, é o do pianista Gebran Sabbag, hoje uma espécie de eminência parda do jazz local.

“Um super pianista citado por todos que entrevistei e que ficou aqui e foi praticamente esquecido por muito tempo. Uma pessoa hoje ainda muito desconhecida e que não pede reconhecimento da arte que faz. O filme acompanha essa geração do Gebran, da época em que havia muita vida noturna e muita música nas boates da cidade. O próprio Gebran diz que eram umas 20 casas”, comenta o documentarista que, de papo informal em papo informal entre os músicos que gravou, reconstruiu essa história.
Moreira é um conhecido, mas tem um outro “estranho”, que começa a ser notado e não aqui na cidade, apenas. Um tal Guarany Nogueira. “Cada vez mais se comenta que a batida da bateria da bossa nova foi criada por aqui por este músico que tocava na banda de Waltel Branco e Gebran”, conta o diretor. “Ele e o Waltel foram para o Rio e o Guarany foi tocar com João Gilberto e agora isso está vindo à tona. Quem conta no nosso filme é o Robertinho Silva, um dos maiores bateristas brasileiros”, situa Luciano, emendando outro porém. “Isso sem falar no Waltel. Nem todos sabem mas o arranjo de “Chega de Saudade” não é do Tom Jobim, não; é dele. É que a gente tem ainda uma imagem de Brasil como sendo o Rio de Janeiro”.

O documentário foi possível pelo Fundo Municipal via edital de patrimônio imaterial, o que é muito interessante. Com verba pública, foi possível fazer a pesquisa coordenada por Débora Aguilham. Basicamente, explica Luciano, foram longas conversas, que renderam 30 horas que agora ele está sofrendo para transformar em 1h50. Não dá para perder a exibição de amanhã, porque não tem outra marcada. Primeiro, terminar o trabalho, depois agilizar uma agenda para que ele seja mais conhecido.

Foram muitos momentos comoventes no encontro com cinco gerações de músicos locais, conta ele, um deles, a conversa com Scarlate, um (super, na definição de Luciano) guitarrista que está bem velhinho e que não tem destaque atualmente. “Mas a maneira como ele conta que veio para Curitibapara ser faxineiro... as histórias lembradas das madrugadas no Bar do Saul...”

Serviço
Lançamento de Música Subterrânea , com banda Wonka Jazz Project e jam session. Dia 14 às 21h. Ingressos a confirmar. Wonka Bar (Rua Trajano Reis, 326. Informações: (41) 3015-1592

5/12/2009

Second Come: mais uma partida

Recebi hoje este email do Rodrigo Lariú, jornalista e produtor do Midssummer Madness, contando sobre a morte de um dos caras do Second Come.

"Faleceu na segunda-feira, 11 de maio, Fábio Leopoldino, ex-vocalista e guitarrista das bandas Eterno Grito, Second Come, Stellar a Polystyrene. Fábio tinha 46 anos, morava em Valença e teve um infarto fulminante. Abaixo reproduzo o email do Francisco, baixista e amigo de várias bandas:

Estranho isso, mas neste momento, realmente não sei o que faço. Acabei de receber uma notícia extremamente triste e a única frase que me veio foi o nome desta música.

Hoje, lá pelas três da tarde, faleceu o Fábio Leopoldino. Fábio L., como na época do Second.
Segundo informações de um amigo comum, que foi avisado pela mãe do Fábio, ele teve um infarto e não chegou sequer a receber socorro. Apenas pediu a mãe que ficasse com ele. Poético, como foram suas composições.

Durante alguns anos, após o final do Second Come, fiquei sem falar com ele.
Vários foram os "motivos" que me levaram a acreditar que eu estava certo.
E vários foram os motivos que me levaram a acreditar, depois, que estava errado.
Quando voltamos a conversar foi ótimo. E libertador.

Mas agora não valem mais as palavras.

Apenas peço que os que o conheciam, pessoalmente ou por suas músicas, desenhos, contos, etc. lembrem dele agora de uma forma boa, com aquele pensamento bom que poucas vezes temos na vida. E que essa luz o ajude nesta passagem.
F. Kraus


Tive a chance de ver um show in-crí-vel dos caras, no 92, em meados daqueles deliciosos anos 90 curitibanos. Também temos o vinil dos caras em casa. Eu sei que já vi show memoráveis, mas este foi um daqueles da gente ficar grudando no 92, todo mundo se acabando de dançar, beber, cantar (eles fizeramn um versão da Madonna). não tenho certeza se foi nesse que tocou junto o magog... posso não ter lembranças claríssimas dos detalhes, mas sei que o Second Come fez um dos grandes show dessa minha curta vida. Não conversei com o cara nunca, mas a música tem dessas coisas, não é não? insiste em nos aproximar - ou, pelo menos era assim, antigamente. A partir de agora, nossa geração começará a ver partir os seus.. é a vida que segue seu curso que não nos deixa alternativa a não ser aproveitar o curto tempo que temos. Vai em paz Fabio L e bons sons.(Adri).

5/06/2009

“Violência no Brasil é violência mesmo!”

Foi o que constatou o alemão Rodger Klingler no período que ficou em presídios brasileiros

Jornal do Estado/Bem Paraná

Kingler espera que o Ministério da Justiça brasileiro permita que volte ao Brasil, já que pagou sua dívida com o País (foto: Divulgação)

Adriane Perin

O inferno que é viver em um presídio brasileiro não é nenhuma notícia nova para quem esteve atrás das grades ou acompanha os lançamentos literários e cinematográficos nacionais dos últimos anos – vários foram os títulos nos dois suportes que se debruçaram e sobre esta cruel e amarga realidade. Agora, esse (sub) mundo ganhou um olhar estrangeiro, do alemão Rodger Klingler, autor de Memórias do Submundo – Um Alemão Desde ao Inverno no Rio de Janeiro, da editora Best Seller. Klingler tem feito pessoalmente um “corpo a corpo” telefônico com a imprensa nacional, direto de sua terra natal, já que em uma tentativa de entrada no País para os trâmites do lançamento, há dois anos, foi barrado. Anos antes, no entanto, por Curitiba, entrou sem problemas, na única volta que fez ao país, onde passou 4 anos preso por porte de meio quilo de cocaína, apreendida numa tentativa de embarcar para a Alemanha, no início da década de 80. “Há três anos fiz um pedido para MInistro da Justiça e não tive respostas. Talvez agora, com a atenção ao livro, isso facilite. Já cumpri minha pena, gostaria muito de poder voltar ao Brasil e não tive mais nenhum problema com a polícia”, garante.
Nas 380 páginas, Klingler não se esquiva de tratar das questões que o levaram por este caminho e trata abertamente sem hipocrisia de temas delicados, como o consumo de drogas nas prisões, relações com travestis, funcionários e ações policiais. Não há lamentos, nem o coitadismo de se dizer enganado e injustiçado. Ao contrário, suas palavras deixam claro que foi o fascínio de um jovem por um país que lhe despertava o gosto pela aventura e o desejo de ganhar dinheiro, as razões que o levaram a este underground. Dos 19 aos 23 anos.

Há coisa um mês, ele ligou da Alemanha para contar dessa empreitada e combinar o envio do livro. Passado um início de desconfiança, ficou a suspeita de que o interlocutor do outro lado do mundo tinha uma boa história, que valia uma reportagem. Confesso que comecei a ler o livro ainda certa de que seria “só” isso, uma boa história, sem contudo, a certeza de que o livro traria em si algum valor literário. E tem. E também potencial para cinema, como ele sonha. O estímulo para o livro veio de uma das pessoas importantes que encontrou, o professor Arthur, que dava aulas no presídio. Klingler não queria uma biografia como estreia e na Alemanha publicou Das Leben der Anderen ( A Vida dos Demais), em 2005. Esta sua segunda obra, no entanto, não despertou o interesse das editoras conterrâneas. Ele diz que está ás voltas com o livro há uma década, mas o escreveu em 4 meses. “É uma história que não se esquece, tava toda na minha cabeça. Mas escrita, mesmo, foi em 4 meses. Foi uma dureza começar lembrar porque também é algo que não se quer lembrar”, diz.
Olhando hoje o período de prisão, ele confessa que foi definitivo para sua vida. “Parece loucura, mas foi o melhor que poderia acontecer. Senão ia acontecer mais tarde e seria pior. Assim, pode saber que não vou cair numa loucura dessas novamente”, avalia. Klingler está informado sobre a bibliografia disponível no Brasil sobre o assunto e não se intimida em afirmar que seu livro é melhor que o que deu origem ao filme Meu Nome não É Johnny, sobre a história de um jovem carioca classe média que virou traficante. “Depois que assinei contrato com a Record fui ler sobre e estou convencido que o que diferencia o meu livro é o ponto de vista das coisas. Como estrangeiro quero chamar a atenção para as condições dos presidiários brasileiros, que são desumanas, e o Brasil não merece isso”
Nas páginas escritas, nota-se um nada de rancor, nem tem espaço para arrependimentos. Claro que eles aconteceram, mas o olhar dele é de carinho, não julga nem presos, nem policiais. Nem vem com falso moralismo dos abatidos. Vê o que de bom havia mesmo nos piores momentos, nas chamadas “lumbras”, as invasões pela PM nos presídios, quando tudo era destrúido. “Sempre procuro me apoiar na cabeça do outro para entender. Imagine um funcionário que ganha uma mixaria que não sustenta nem a família e é obrigado a fazer algo que não deveria fazer. Sabe, as coisas são assim, é lógico. E sempre fui bem tratado, por funcionários. Quando a PM entra numa lombra, é um caso a parte, eles nem sabem o que tem lá, atiram em qualquer coisa que se mexa. Do ponto de vista da polícia brasileira fazer assim é certo, porque violência no Brasil, é violência mesmo. Isso na Alemanha não conhecíamos. Se você assalta um banco, a polícia jamais vai atirar para matar, atira para ferir. No Brasil, atiram para matar”. Foi num desses “encontros” sombrios que ele viveu um dos momentos mais incríveis, quando o professor Arthur enfrentou um PM em defesa da escola. “Foi um momento de definição, nunca vou esquecer. Entra um policial negão, muito grande e partiu para cima. E esse Arthur, uma pessoa pequena, se pos na frente, cresceu a voz dele a ponto de não o reconhecer. Só podia ser outra pessoa dentro dele que o fez gritar para o policial e o fazer parar. E realmente aquele policia tirou o chapéu para ele; pediu desculpas. Foi assim, esse professor mostrou que a força maior é amor”, lembra ele que há 3 anos perdeu contato com o professor, mas espera que a filha dele entre em contato, com a repercussão do livro. Outra expectativa é que sua história vá para o cinema. “Tenho o roteiro prontinho. Estou esperando um brasileiro ou brasileira, que faça isso. Não entendo porque até agora ninguém se manifestou. Acho que não conhecem o livro”.

Um momento absolutamente marcante no livro é a chegada de Rodger Klingler no presídio Lemos de Brito, com Nelson, o preso que ao questionar o que ele, um alemão, sabia do Brasil definiu explicou o país a partir do samba. “No tempo da escravidão as pessoas era tratadas como animais, punham-se ferros em seus pés para que só pudessem dar passos muito pequenos. (...) mesmo a noite não lhe tiravam os grilhões. (...) apesar disso eram pessoas alegres (...) e dançavam do jeito que era possível – com os grilhões em volta do tornozelo. Você já olhou atentamente como é que se dança samba?”. Talvez o encontro com pessoas com este olhar tenha ajudado a alimentar seu amor pelo Brasil, evitando que a decepção virasse ódio.
Os momentos cinematográficos vão alem. Como o encontro com o delegado que ainda tinha restos da cocaína pura apreendida nas narinas. E apenas metade do quilo que tentava levar para a Alemanha estava nos autos. Ele tinha um plano detalhado, que foi barrado no aeroporto naquele período de festas, do começo dos anos 80. O joven esteve no país anos antes e se encantou; tomou a decisão de voltar com dinheiro para comprar, direto na fonte, seu passaporte para uma vida boa. O plano era vender o quilo, bem mais caro do que pagou, em sua terra. “Inicialmente foi uma aventura. Vivia em outro mundo, eram outros costumes. O Brasil não tava ainda em destaque como hoje, que é uma força econômica”, situa.

Mesmo com a desventura, e toda violência, recebeu mais atenção do pessoal daqui do que de sua terra. As visitas do representante do consulado alemão não foram alentadoras, muito ao contrário. “Para eles eu estava sujando a imagem da Alemanha. Por causa do Alois, meu amigo holandês, é que recebi a visita da Unicef por ser estrangeiro”, comenta. Este foi outro personagem importante, que até o bancou numa fuga que não deu certo. Com ele perdeu contato há 5 anos e acha que pode estar preso novamente. O outro dos nomes fortes dessa história,é o Nelson, que tomou as rédeas e acabou com a própria vida, ainda na prisão.
Rodger é muito seguro na conversa. Quer voltar ao Brasil e não teme represálias. “Foi exatamente o que aconteceu. Vinte anos se passaram, assumi meu erro e paguei minha conta. Quero ser um exemplo para que outras pessoas não incorram no mesmo erro. Fui muito sincero”.

5/04/2009

Emerson "Gus" - RIP





Fiquei sabendo agora pouco de uma notícia muito triste. Nosso amigo Gus não resistiu às complicações provocadas por uma cirurgia e morreu na tarde desta segunda-feira. Pra quem como eu teve o privilégio de não só conhecer como conviver com esse cara talentoso, generoso, simples, gentil, é um choque saber que ele se foi assim, tão cedo, mesmo sabendo que há tempos ele lutava contra uma doença grave e rara. A morte de alguém próximo é sempre algo difícil de aceitar, mas mais ainda quando isso acontece com alguém ainda jovem, com tanta vida pela frente. Conheci o Gus inicialmente como guitarrista do Loaded. Como tal ele se apresentou no primeiro Rock de Inverno, em 2000. Depois, com o Sofia, eles se apresentaram mais três vezes no festival, e minha admiração pelos caras só cresceu. Não esqueço de uma entrevista pro video do Rock de Inverno 3, quando o Gus brincava com o "estigma" que algumas bandas tinham de fazerem música melancólica demais. "Lá vem os caras tristes...", ironizava ele. E deixava claro que ele, o Sofia, enfim, faziam o que queriam, e não estavam ali pra fazer média com ninguém.

Me lembro também quanto eu, o Gus e o Rafael Martins fizemos um tributo ao Joy Division, no James, fazendo só com dois ensaios e cara de pau. Foi muito divertido.

E ainda no Rock de Inverno 6 ele tocou novamente, desta vez com o Goticos For Fun, demonstrando outra faceta de seu talento como músico e artista.

Não sei muito o que dizer nessas horas. A não ser que você vai fazer falta Gus. Quem é que vai gritar "toca um roque aí" nos shows só pra apavorar?

Fica aqui a nossa homenagem a essa grande figura, na forma de dois videos - o Loaded no primeiro Rock de Inverno, e o Sofia, no auditório Antonio Carlos Kraide, no Rock de Inverno 2, com o Gus se jogando no chão com a sua guitarra. Essa é a imagem pela qual eu quero lembrar dele, feliz, fazendo o que mais gostava. Vai com Deus e fica em paz Gus.

É tri



A folga no feriadão acabou, o Mengão é tri, e a correria pra aprontar o Rock de Inverno 7 continua. E continuando nossa recapitulação, vcs podem conferir acima a Plêiade, segunda atração do primeiro Rock de Inverno, aquele lá no Circus, em 2000, com Claudião Pimentel e sua trupe detonando a bela e intensa "A árvore". Boa semana pra nós!

4/29/2009

conversas e lembranças


(pra ilustrar o texto da Adri, Criaturas tocando "Serenata" no Rock de Inverno 3, em 2002)


Essa semana falei com Dóris Monteiro e Billy Blanco. Semana passada com Glória Menezes. 74, 85 e 74 anos, respectivamente. Esta última vi na televisão desde que nasci, tenho a impressão, geração nascida nos anos 70 que sou, quando as novelas eram boas. Lembro dela em pb, lembro de histórias de novelas que assistia junto com minha avó... E agora, mais de 15 anos depois de ter tomado o rumo do jornalismo, quando falo com essas pessoas, tanta, mas tanta coisa passa na minha cabeça. Um misto de ansiedade, alegria, medo, euforia tudo se mistura. Nunca planejei essa profissão, mas gosto do que ela me oferece. Escrevendo a matéria da Doris e o Billy, que me surpreenderam com a força de suas vozes, velhinhos, atendendo a imprensa por telefone, mesmo cansados de contar suas histórias.... lembrei do dia em que Nelson Gonçalves cantarolou pra mim, ao telefone (ou seja no meu ouvido) aqui nesta mesma redação, quando eu ainda era uma foquinha...puxa, eu já falei com gente tão importante. Mas, mais do que "importantes", pessoas com personalidade que viveram suas histórias tão fortemente que elas viraram parte da história de outras pessoas também. Isso me emociona de um jeito... Não acho, sinceramente, que fiz jus a elas... mas tentei.

Ao mesmo tempo to aqui, ouvindo a manhã inteira a voz suave da Xanda, nas canções da Criaturas... não sei exatamente o que eu quero dizer com este texto... só que fazia tanto tempo que não punha nada no blog, me prometi um diário do Rock de Inverno, mas não fiz rolar ainda... é, tá chegando outro Rock de Inverno, quem diria...

ahhhhh, acho que acordei com saudades...mas com o pé, os dedos e a mente no agoram (porque hoje é dia de começar a fechar o caderno de sexta, coluna piracema). Acordei com saudade da lu raitani, que (que bom!) tá dando aulas de teatro em Londres (finalmente uma notícia que queria ouvir ou ler, mesmo que isso signifique que ela cada vez mais vai mesmo ficar lá longe.); com saudades d'OAEOZ (que ouvi, na tentativa inutil de escolher uma música como a melhor); saudades das tardes cheias de amigos e sons na casa das jabuticabas ou na casa azul); com saudade da minha infância (falar com esses velhinhos adoráveis todos me faz pensar tanto tanto no meu vô Ino e na minha doce Vó Ina, que não posso mais abraçar)... saudades...

Acho que a gripe (e os remédios) é que me deixa assim, mais lenta e divagante... Tem um lado bom, ela me deu uma brecada.. me sinto mais leve que nas últimas semanas... com vontade de caminhar pela cidade, sentar numa dessas praças lindas de Curitiba e só olhar pras árvores, ver as pessoas passando... sem pensar que tenho que escrever algo sobre alguma coisa; sem correr porque to em cima da hora de alguma coisa marcada... só ficar quieta e deixar o dia passar no ritmo dele, esse ritmo de outonal, com seu sol, que queima os olhos, e céu azul com a certeza de que em alguma hora do dia vou encontrar com aquele ventinho bom que anuncia que nem só de verão vive a humanidade. Ainda bem! (Adri Perin)

4/28/2009

Granada na revista Etecetera

"Muita gente nem sequer ouviu falar deles. Tudo bem, é que os caras não freqüentam os basfounds indies, repletos de esnobes filhinhos-de-papai recém saídos de uma faculdade de moda, praticando seu inglês imperialista de merda como bons chimpanzés do terceiro mundo, tampouco têm videoclipe veiculado na MTV e nem são sensação no myspace. Nunca li uma matéria sobre eles na Rolling Stone. É só uma banda de trabalhadores, da “classe trabalhadora” como costumam dizer, caminhando por uma estrada construída por eles próprios e mais ninguém."

trecho do excelente texto de Sandro Saraiva, na revista Etecetera, sobre Granada, do La Carne. Vai lá e ve a íntegra.

4/27/2009

Carpinejar por Leo Vinhas no JE

Na edição de hoje do JE/Bem Paraná tem mais uma matéria do Leo Vinhas. Desta vez uma entrevista com o Fabrício Carpinejar. Confere lá.

4/25/2009

Urgente

Nosso amigo Emerson Gus Macedo, ex-Sofia, atual guitarra do Goticos For Fun fez uma cirurgia delicada na última quarta-feira, e está precisando de doadores de sangue. O estado dele é considerado grave. Quem puder ajudar pode doar sangue na Santa Casa de Misericòrdia de Curitiba, até ás 18 horas - segunda a sexta- feira, e sábado até o meio dia. Força aí Gus!Estamos torcendo por você.

Lembranças que valem tudo



"palavras não tem sentido, são sentidas"


pois é. o tempo passa cada vez mais rápido. há quase nove anos atrás, em uma noite de junho de 2000, o Faus - banda do grande multiinstrumentista e compositor Marcos Coelio Gusso - abria o primeiro Rock de Inverno, no porão do finado e saudoso Circus bar. E hoje faltam exatamente três meses para o Rock de Inverno 7, que desta vez, está programado para acontecer nos dias 24 e 25 de julho, no John Bull Music Hall, com quatorze atrações divididas em duas noites. A contagem regressiva já começou e a ansiedade tá batendo. Mas é um sentimento bom, pois na verdade esse momento já é o de realização, pois o trabalho mesmo pra chegar aqui começou há pelo menos dois anos, e só por isso e pela insistência da Adri que a coisa toda aconteceu de novo. Que os deuses da música nos iluminem e protejam! Como diria o Arnaldo, tudo o que nós queremos é que sejam duas noitadas excelentes para todos.

fiquem ligados que daqui pra frente nos próximos dias estaremos divulgando muitas outras novidades e informações sobre o festival.

4/21/2009

Blá blé bli blogs

Dicas de blogs legais que eu descobri recentemente e partilho com vocês. O primeiro do Cassim e Barbária - banda formada pelo Cassiano Fagundes (Bad Folks), mais o pessoal ex-Pipodélica - Xuxu, Leonardo, Heron, e pelo ambervisions Zimmer, que recentemente esteve em turnê pelos EUA. No blog, eles contam em detalhes as aventuras, shows e outras curiosidades dos mais de onze mil km de viagem em uma van pelas américas nortistas.

Já no Diário de Bordo nossa amiga Xanda Lemos conta as aventuras dela e do marido-batera-companheiro Bruno pelas terras do Tio Sam, pra onde os dois mudaram recentemente.

4/20/2009

Música de Bolso





Conheci o Música de Bolso por um link no blog do Rubens K. É um projeto muito semelhante ao curitibano Tubo de Ensaio, que registra em vídeo performances acústicas de bandas em locais inusitados. A diferença, aparentemente, é que os caras estão há mais tempo nessa e já contam com um acervo bem amplo, ajudados pelo fato de que as gravações são em sp, e provavelmente eles se aproveitam dos artistas de fora que estão por lá para shows, etc. O ruído/mm gravou e deve entrar no ar nos próximos dias. No arquivo dos caras tem muita coisa boa. Destaco duas que me chamaram a atenção, o Momo, tocando em uma feira de antiguidades, e o Wado, na escadaria de um prédio. Impressionante a composição que os caras conseguiram nesse último, aproveitando o visual da escadaria. Coisa de primeira. Legal também que cada artista/video tem o relato de como e onde foi gravado o vídeo. Também dá pra assistir os videos na página dos caras no You tube. Vale a pena conferir.

4/17/2009

La Carne no Piracema, Leoni no JE



No Piracema de hoje tem La Carne. E na edição de hoje do JE também tem uma entrevista bem legal com o Leoni.

"ô crianças, isso é só o fim"

Sabe quando você faz um esforço tremendo para mudar as coisas, mas depois que consegue, percebe que acabou ficando na mesma, e que a tal mudança que você tanto almejava não te levou a lugar nenhum? Sempre me lembro de um quadro de um antigo programa de humor da TV, onde um personagem de um político tinha como bordão: “nem que for pra pior, nós vamos melhorar”.

É mais ou menos assim que me sinto, como um cachorro correndo atrás do próprio rabo. E o pior é que já não vejo mais perspectivas de que isso mude (olhaí de novo). Deve ser algum tipo de karma, seja lá o que for isso. Estou quase me convencendo de que essas filosofias segundo as quais a gente tem que se conformar e aceitar as coisas como elas são estão certas. Afinal, parece que nada adianta nada mesmo. Estamos todos condenados. “A humanidade caminha sobre cadáveres”. “Deus está morto, Marx morreu, Freud morreu, e eu mesmo não me sinto muito bem”.

Me sinto simplesmente empurrado pelos acontecimentos, horas, dias, compromissos, como se eu mesmo nem existisse, apenas um corpo carregado pra lá e pra cá, esperando o tempo passar, e a hora derradeira chegar. Cada vez mais “rezo por uma pausa de todo o pensamento”, mas essa pausa nunca vem, ou se vem, não resolve nada, porque quando ela acaba, os velhos problemas continuam lá, zombando das nossas ilusões, nossas esperanças vazias.

Não há mais saídas. Não há mais nem mesmo vontade de procurá-las. Nem motivos para encontrá-las. Só o arrastar de um corpo gasto e cansado, até o fim dos dias. “Quem vai achar a diferença, se a verdade se repete como farsa, no fim”.

4/16/2009

Folhetim Urbano apresenta single e site


Bem Paraná/Jornal do Estado

Adriane Perin

O Folhetim Urbano, com o convidado Allan Yokohama (foto: Jonas Oliveira)
É legal ter a chance de acompanhar a caminhada de um artista, notar o amadurecimento na busca por uma história pessoal e a sentir, no caso de uma banda, a encorpada do som. Com a que ocupa hoje o palco da James Session, Folhetim Urbano, foi assim. Carlos e Renato Zubek e Marcelo Chytchy – hoje com a companhia do guitarrista Allan Yokohama - fazem o lançamento do single Insanidade e a apresentação do site, feito por Renato, e que vais ser o QG da banda daqui em diante. O single é o primeiro resultado daquele que será o segundo trabalho do trio, com produção de Rubens K. A música está no endereço www.folhetimurbano.com, e outras virão em breve. Ansiedade é normal, mas eles deram uma destravada na semana passada com o show em São Paulo. “Foi recompensador, estamos trabalhando bastante. Viagem sempre desgasta um pouco, o Marcelo teve um acidente e ainda estava se recuperando, havia uma certa tensão no ar. Fomos os primeiros a tocar e o pessoal já foi parando de conversar, se aproximando do palco. O Allan é, antes de tudo uma pessoa especial, e um músico talentosíssimo e fez toda a diferença. Também chamamos o Linari (do La Carne) para cantar”. Já que o guitarrista, vocalista e compositor tocou no assunto,diga-se logo que a banda de Osasco é clara referência e inspiração do Folhetim. Responsa que os curitibanos sabem quanto pesa – e que estão segurando com bravura. A banda está potente, ganhou corpo e o disco, D’aurorà Tormenta, está ficando bem legal. A previsão é para início do segundo semestre, resultado da “confraria Z”, nome do estúdio de Zubek, que reflete bem o jeito de trabalhar da banda, entre amigos, no mais puro “do It Yourself”. Mas, sobre o disco, seu produtor e esse caminho todo, a gente volta a falar mais adiante, quando ele estiver pronto. No início, o que me atraia no Folhetim era a honestidade na busca por um som que fosse seu, em meio a convivência em um circuito de amigos músicos e escritores muito fortes. Era preciso um tempo pra banda se fortalecer. Isso já é visível. Confira no show.

4/15/2009

FU na TV

Carlota Joaquina avisa:

Gravamos uma participação no programa Enfoque, que vai ao ar hoje. Foi em nosso estúdio e tocamos as músicas Insanidade e A poesia, ambas do próximo disco. Também batemos um papo com o repórter, sabe lá o que vai passar pela edição, mas foi divertido. Além do mais junto com a banda participou também o Rubens K. (nosso produtor) e o Allan Yokahama (nosso David Grohl japonês).
Assista às 21h no canal 09m, TV Educativa - PR

Eu (carlão), o Japa (Allan) e meu novo filho o Tonico, participamos do programa Upload tocando duas músicas do F.U. em versão acústica. O Tonico fez a batera pra gente e foi legal pra caramba. Conversamos com o Alexandre sobre novas tecnologias de Web, cena curitibana e sobre o nosso trabalho todo.
Assista às 21h, no canal 59 UHF, TV Transamérica.

Perceberam que os dois são no mesmo horário, às 21h? Pois é, não é impossível assistir os dois, sempre faço isso aqui em casa, é só ficar pulando de um canal pro outro. Quem tiver uma TV legal dá pra assistir pelo PIP e quem quiser da pra assistir pelo computador via web também. Vale a pena, hein.

Programa Upload
Vai ao ar às 21h pelo canal 59 UHF - PR
Assista na Web pelo site www.transamerica.tv.br
link direto - http://transamerica.tv.br/index.php/Institucional/Tv-Transamerica-ao-Vivo-3.html

Programa Enfoque
Vai ao ar às 21h pelo canal 09 VHF, TV Educativa
Assista na Web pelo site www.rtve.pr.gov.br/
link direto - http://www.rtve.pr.gov.br/modules/programacao/tv_ao_vivo.php

Próximo show:
Folhetim Urbano - Projeto James Sessions
Nesta quinta-feira (16/04/09)
22h no James Bar

Rua Vicente Machado, 894 - Curitiba

Entrada R$ 8

enviando uma mensagem para

maamuteproducoes@gmail.com = pague R$ 4

double chopp até às 24 horas

4/09/2009

Folhetim ducaralho, Carlão pau no cu



O Folhetim Urbano tá lançando o primeiro single de seu novo disco, produzido pelo Rubens K. O cuzão do Carlão não foi capaz de me mandar nem um e-mail avisando pra eu divulgar aqui. Mas por conta própria eu vi hoje no site da Maamute. Não devia, mas reproduzo então abaixo as info que o mané não teve a capacidade de me passar (pau no cu). Fazer o que. A música tá ducaralho mesmo. Deve ser mérito do Rubens.

Para quem estiver em São Paulo temos show no Outs, nesta sexta-feira (10/04), junto com as bandas Copacabana Café e o elegante Charme Chulo e para quem estiver em Curitiba faremos show aqui na quinta-feira (16/04), no James, dentro do projeto James Sessions realizado pela Maamute Produções. Nestes shows estaremos tocando as músicas do nosso próximo álbum que se chamará D’aurorà Tormenta e também teremos a participação do guitarrista kamikaze Allan Yokohama. Sobre o nosso novo álbum, D’aurorà Tormenta:

O álbum está em fase de finalização, contendo 11 faixas e várias participações, seu lançamento está previsto para o início do segundo semestre,

Até o fim de maio serão disponibilizadas mais duas músicas na web.

*Insanidade - Single disponibilizado na net

A faixa Insanidade, do novo álbum, está disponível para ouvir e baixar pelo site da banda (www.folhetimurbano.com), pelo myspace (www.myspace.com/folhetimurbano), pelo site da produtora Maamute (www.maamute.blogspot.com).

*Ficha técnica:

Rubens K., parceiro nosso desde sempre, é responsável pela produção musical de todo o trabalho.

A gravação e mixagem foram feitas no estúdio da banda, Confraria Z, por Carlos Zubek.

A arte do disco é de Carlos Carah.

O design e programação de web foram feitos por Renato Zubek.

O álbum tem participações especiais de:

Mário Bortolotto (dramaturgo, ator e músico)

Marcos Linari (La Carne)

Igor Ribeiro (Orkestra Mecânica)

André Ramiro e João XXII (Índios Eletrônicos)

Lawrence Avon (Solo)

Tudo novo:

Hotsite - www.folhetimurbano.com

Criamos um hotsite para disponibilizarmos as três faixas e informações sobre o D’aurorà Tormenta.

Fotolog - www.fotolog.com.br/folhetimurbano

Como somos preguiçosos para manter atualizado um blog, achamos mais fácil tentar atualizar um fotolog, vão lá, comentem e dêem vida a página.

Orkut - www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=32872389

Não há como lutar contra, criamos uma comunidade no Orkut, então…seja nosso amigo.

Trama e Myspace de cara nova www.myspace.com/folhetimurbano http://tramavirtual.uol.com.br/folhetim_urbano

Próximos Shows:

10/04/09 Club Outs - Rua Augusta, 486 - São Paulo

Charme Chulo + Copacabana Café + Folhetim Urbano

16/04/09 James Bar - Rua Vicente Machado, 894 - Curitiba

Projeto James Sessions - Folhetim Urbano

Então é isso, ouçam Insanidade e fiquem a vontade para comentar. Abs.

4/03/2009

Piracema e fim de semana



E além das matérias abaixo, tem muito mais na edição de fim de semana do Jornal do Estado/Bem Paraná. Tem a coluna Piracema, com resenha sobre o ótimo disco "Buscador", do Momo. E entrevista com o deputado Ângelo Vanhoni sobre as mudanças na lei Rouanet.

Música é a alternativa

Bem Paraná/Jornal do Estado

Alex Santos

Trio Quintina apresenta seu quinto disco

Trio Quintina lança nesta sexta e sábado seu novo disco no Paiol; enquanto isso, a Ruído/ mm recebe as paulistanas Cérebro Eletrônico e Guizado no John Bull Music Hall

Adriane Perin



Não tem pra ninguém. Este final de semana voltou a ser da música independente, depois da avalanche teatral. Vários shows, importantes, acontecem na cidade.

Quintina Orquestra Trio. Não é sem razão que o novo disco do trio curitibano tem esse nome. Gabriel e Gustavo Schwartz e Fabiano Silveira. o Trio Quintina, se desdobram em vários no quinto trabalho do grupo que existe há 11 anos. Para o show de lançamento no Teatro Paiol eles terão companhia de Graciliano Zambonim (bateria), Vitor Gabriel (sax tenor e clarinete), Sérgio Albach (clarinete) e Rodrigo Capistrano (sax alto e soprano).

Está ali bem reconhecível a verve deste trio formado por exímios multiinstrumentistas. Aliás, a excelência instrumental é algo que logo salta aos olhos e faz pensar sobre o segredo para que o som não vire uma mera exibição de técnica. As músicas do Trio Quintina têm vida, não são frias, elas te envolvem. Gabriel, o homem que atende a imprensa, está certo que isso tem a ver com o tempo de convivência. "Faz toda a diferença e continuamos ensaiando toda semana. Cada um faz o que sabe mais e acho que isso é a organicidade. Estar tocando junto na noite, interpretando outros compositores também fez com que a gente criasse uma linguagem nossa", diz, explicando que os shows, no entanto, exigirão formações diferentes, por conta da orquestração que marca o disco.

A levada segue na praia emepebística, que vive de caso com o jazz. Mas, os mais atentos vão notar uma guitarra, valorizada entre cavaquinhos, violão de 7 cordas e muitos sopros. Ouvir Trio Quintina é entrar no mundo da tal "musicalidade brasileira", provoca a sensação de estar na companhia de algum clássico do nosso cancioneiro executado por um dos veteranos que esse Brasil larga por aí. Neste disco, eles também tem seu momento de pop romântico, com direito a nova versão de "Balão Azul", a primeira música a atrair a atenção, lá em 98. O Trio também entrou mais no universo dos afro sambas, o que provoca uma interrogação. Seria isso só a influência da música brasileira que volta a e meia bebe nesta fonte? Não, diz Gabriel, é o Fabiano que está cada vez mais nesse mundo que reverencia caboclos, belamente traduzido em "Aruanda" e " Amor e Flor", que se pega no maracatu.

Outra novidade é operacional, que vem com o lançamento do trabalho pelo selo paulistano Sete Sóis . O Trio sempre foi uma banda muito na sua, não é figura que a gente encontre fácil no circuito de bares por onde as bandas circulam aqui, e tampouco tinha preocupação em fazer shows fora. "Realmente até agora a gente não tinha se empenhado de verdade em produção. Só fizemos uma viagem para América Latina e Europa, mas no Brasil é mais dificil. Queremos tentar algo com os Sesc e teremos formatos que permitam também tocar um pouco mais em casas noturnas, pois vínhamos tocando mais em teatro", comenta ele , que também sente a banda mais profissa na hora de gravar. "Está tudo mais preciso e ampliamos os sopros. Antigamente eu queria soar só como trio, agora decidimos dar uma pirada e fazer coisas diferentes". O Trio tem show marcado no Rio de Janeiro, com apoio da Caixa Cultural. "Isso foi muito legal, porque é um edital nacional. Teremos condições legais, todo mundo viajando de avião", comemora, informando que o disco leva ainda uns dois meses para estar a venda em lojas, mas no show e no Empório São Francisco, vai estar a venda antes.

Serviço

Trio Quintina.Dias 3 e 4 às 21h. R$15 e R$7,50. Teatro Paiol (Pça Guido Viaro, s/n).

O que o nosso tempo tem a dizer em forma de som

Bem Paraná/Jornal do Estado

Dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita

Adriane Perin

No palco do John Bull Music Hall, sábado, é dia do encontro de três bandas de ponta do circuito independente da atualidade: a curitibana Ruído/mm e as paulistas Cérebro Eletrônico e Guizado, estas duas, pela primeira vez na cidade. E preste atenção, leitor, dizer que são bandas de ponta, neste caso, não é um vício de escrita. Estas são, efetivamente, três formações em evidência pela sonoridade que colocam em cena - e o encontro mostra bem como a capital, neste quesito, está sintonizada no seu tempo – muito graças às bandas que continuam “se produzindo e se convidando” .

O Cérebro Eletrônico tempera seu som com um ironia direcionada ao egocentrismo que alimenta muito artista por aí, calcado em uma sonoridade que, primeiro de tudo, lembra Mutantes e a fase mais experimental de ícones da música brasileira. Mas, é só dar uma batida de olho nas influências para perceber que essa constatação é só a mais óbvia. O mix do disco de estreia Pareço Moderno, tem cara pop, usa levadas eletrônicas, e não dispensa o rock. Fernando Maranho, Fernando TRZ, Isidoro Cobra e Gustavo Souza são os caras que tocam junto com Tatá Aeroplano - o idealizador -, uma moçada que circula por vários projetos bem cotados. Foi do duo dele com o guitarrista Fernando, amigo de infância, que veio a banda. “Lançamos um disco todo gravado em casa e decidimos ter mais acompanhamento. Acabou virando banda mesmo, todos colocaram suas personalidades e referências”, conta Tatá, dizendo que agora o projeto é prioridade. “O disco chamou a atenção porque tem vários ingredientes que funcionam bem. Tem a ironia, mas tem também o romantismo, o lirismo, canções pop”, avalia. A moçada já está pensando em novo trabalho e deve mostrar 3 ou 4 novas composições. “É importante hoje ter uma constância na produção musical”. Importante também é circular e se articular, já que hoje em dia a banda não pode ficar numas de esperar. “Existem pessoas pensando a cena alternativa e vivemos uma realidade em que o artista tem que ser tudo e não se deslumbrar”.

Se o Cérebro tem canções e uma levada meio pop, o Guizado é experimentalismo psicodélico. Se tem gente de outros projetos, Guizado tem Lucio Maia, da Nação Zumbi e Regis Damaceno e Rian Batista, do Cidadão Instigado. Precisa mais? O trompetista Guilherme Mendonça, quem começou essa história, conta ainda com o amigo das antigas Curumim, na batera. Só a formação, na boa, neste caso concordo com o assessor de imprensa, é garantia de bom show. São todos músicos profissionais acostumados a fazer altas sonzeiras em palcos e discos. “Eu não queria que fosse Guilherme e banda, e esse nome – que é um prato de carne cozida em seus próprios liquidos, em seu caldo – virou conceito”, conta ele, que vinha alimentando a vontade de investir no trabalho autoral. “Quando começou a tomar forma, era eu e Curumim na bateria, e bem experimental. Fomos entrando num acordo, colocando baixo, guitarra e sacando como ficava. Hoje eu dou uma direção e todos criam”, completa ele que quer lançar o disco de estreia, Punx, em vinil. “Gravamos em fita de rolo, 16 polegadas, uma gravação bem analógica que ganharia em vinil”.

Mas, o tempo não pára e também eles já estão com a cabeça no novo trabalho. “Em uma eu canto, é natural que exploremos esse lado também, mas não pensamos no modelo com refrão e estrofe. Não vamos perder a pegada experimental”, assegura. E qual o futuro de uma banda com músicos tão solicitados? “O Guizado tá começando a se conectar, estão aparecendo convites com cachês melhores, a idéia é até pegar um empresário...”

Sobre a Ruído, vai tocar para moçada que já sabe do que eles são capazes, com repertório novo e na pilha dos shows recentes (muito bem) feitos em São Paulo. Não tenha dúvida, vai ser uma noite preciosa para quem gosta de boa música e mais instigante ainda, para quem gosta de conhecer o que o nosso tempo tem a dizer musicalmente. (AP)

Serviço
Cérebro Eletrônico, Guizado e ruído/mm.
Dia 04. R$20 (meia entrada válida tambémpara doadores de 1kg de alimento. John Bull Music Hall. (R. (Eng. Rebouças, 1645). Informações: (41) 3013 2700 / 3013-2707

4/01/2009

“Na vida e na carreira, o que vier agora é lucro”

Bem Paraná/Jornal do Estado

Ivo “do Blindagem” Rodrigues fala em primeira mão sobre as gravações informais que está fazendo de suas composições inéditas, inclusive parcerias com Paulo Leminski

Jonas Oliveira


Adriane Perin


A conversa que escapou de uma mesa de bar ao lado foi que Ivo Rodrigues estaria gravando um disco solo. Na rápida entrevista que deu por telefone, no entanto, ele não confirma a informação. Diz apenas que está registrando suas músicas que nunca foram gravadas. Sem compromisso algum com discos, lançamentos ou coisa do tipo. Quem, sim, está trabalhando em novo álbum, a ser lançado este ano ainda, é a Blindagem, banda que há anos virou adendo no nome do vocalista e compositor curitibano.

Levada adiante, a informação gerou outra especulação. Estaria Ivo “do Blindagem” gravando um disco solo em clima de despedida, por conta de sua delicada condição de saúde que exige do músico cuidados muitos, enquanto espera o transplante de um fígado? Haveria algum tipo de risco à vida do artista? Nenhuma pista indica este rumo, já que Ivo se mostra muito bem na conversa – a não ser por um esquecimento do horário marcado que complicou, por duas vezes, a vida dos fotógrafos. Ele garante - e, que bom, parece mesmo - que tudo vai muito bem. “Achei estranho quando você me ligou falando que estou gravado porque não é um CD, só estou registrando as músicas de minha autoria que ainda não gravei”, garante. “Minha única preocupação é não esquecer as músicas. Por outro lado, nada impede que se eu achar boas as gravações, as transforme em um disco. Estou registrando músicas que não tive antes a oportunidade de gravar”, completa.

Ele prefere não colocar o Blindagem nessa conversa inicialmente, mas assegura que, se essas músicas vierem a ser lançadas, sua banda desde os anos 70 tem a prioridade absoluta. “Assim como 95% das músicas da banda são minhas, a Blindagem também é minha primeira opção. “Sempre lembrava dessas canções e dizia pra mim mesmo que uma hora iria acabar por esquecê-las. Estou fazendo bem devagar, vou ao estúdio quando posso. É só eu voz e violão, não tem mais ninguém, gravo na minha casa no meu computador pretinho. Tenho umas 50 composições inéditas, coisas mais antigas. Tem boas coisas, até da época do Paulo (Leminski), meu grande amigo e parceiro. É que quando ele morreu perdi um pouco o tesão, sabe. Agora, é mole. É bom lembrar bons amigos”, conta, acrescentando que ninguém sabia. “Meu filho até perguntou que gravação é esta depois que você ligou aqui”.

É impossível falar de Ivo Rodrigues sem passar pela Blindagem, veículo que bem serviu de suporte para o compositor mostrar seu talento. Sobre a banda, ele diz que vem disco novo por aí. “Já começamos a gravar e vamos dar continuidade. Serão todas músicas inéditas, não temos planos de regravar nada. Antes, vai sair um Ao Vivo, do show que fizemos com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Esse sai antes, mas é dificil, vamos procurar patrocínio. Sobre o nosso disco, agora estamos a fim de gravar, só depois a gente vê esses pormenores de lançamento e tal”, diz.

Até lá, quem quer ver a banda e Ivo já sabe. Toda quarta-feira, tem Blindagem no Porão do Hermes. Com os mesmos componentes há 33 anos - “isso não existe no Brasil, é só nós”. “Vai tudo de vento em popa, minha saúde tá muito bem. Não fiz o transplante ainda, estou na fila, mas tenho previsão para este ano”.

Ele diz que a doença mudou tudo em sua vida. “Me informei muito e sei que é um dos transplantes mais fáceis de fazer, o que me tranquilizou. E estou nas mãos do maior especialista do assunto e de Deus. O médico pediu que eu mudasse o ritmo de shows, mas não mudei nada, continuo fazendo direto. Só parei de beber, há mais de um ano, já. Eu me conscientizei mais com isso tudo. Parei com todas as drogas e estou muito feliz, com meus filhos, minha mulher por perto. Na carreira e na vida, o que vier agora é lucro”.

Serviço
Blindagem. Todas as quartas-feiras. Hermes Bar (Av. Iguaçu, 2504).

3/26/2009

Parem as máquinas !


"o barquinho vai, e a tardinha cai..."



Iggy Pop canta Tom Jobim em novo álbum

""Isso é porque chegou um certo momento em que simplesmente fiquei enjoado de ouvir brutamontes idiotas com suas guitarras, tocando música ruim."

Gian na Daslu



pois é. o Gian não gostou da banda e resolveu voltar a fazer shows sozinhos. agora ele só tá tocando em boutiques e lugares chiques, tipo o D2 na Daslu. Fazer o que?

3/23/2009

"I lost myself"



Zilhões de coisas passaram pela minha cabeça nas últimas horas pra falar sobre o show do Radiohead. Mas como o editor da minha cabeça é preguiçoso e ainda está atarantado e confuso, por enquanto só o que eu posso dizer é: thanks, guys. valeu apena esperar. valeu a pena cada centímetro de esforço para estar lá. e mesmo que seja difícil depois de uma experiência como essa voltar a nossa vidinha "normal", vcs também cuidaram disso, pois a cada vez que a gente ouvir aquelas canções, vamos lembrar daquela noite em que essas músicas fizeram a gente imaginar pelo menos naquele momento que a vida pode ser muito mais...


update: pra quem quiser conferir, já tá na rede o áudio de parte do show de SP. Ainda não ouvi mas dizem que a qualidade é boa porque foi retirado da transmissão do multishow.

aqui tem 12 músicas zipadas

e aqui a primeira 15 Step

e a segunda There There

update 2: também já tá na rede o video tirado do multishow. pra quem entende de torrent tá aqui

eu não manjo essa porra, mas se alguma boa alma baixar e quiser me presentear com uma copia, prometo pagar umas cervas ahahaha.

abaixo, um exemplo do video

3/20/2009

Lá Prasbandas do Uberaba

Bem Paraná/Jornal do Estado


Franklin de Frieitas


A equipe que não deixa Getúlio (esse com o Che no peito): à direita dele estão o irmão, Gilberto e Beth, da ONG Culturarte; à esquerda, o amigo Caio, Fabiana e Eduardo

Projeto que coloca bandas independentes em praças de seus próprios bairros agora tem apoio da cidade

Adriane Perin


Dá pra dizer que foi dentro da cozinha da família do produtor Getúlio Guerra que o projeto Prasbandas nasceu. Caio André Kiel, amigo de infância dos irmãos Guerra, ali do Boqueirão, é testemunha. Foi diante dele que o amigo de infância rabiscou em uma folha de sulfite as idéias para shows de bandas do bairro, no bairro. “Ele tinha essa necessidade de fazer atividades de cultura nos bairros; sempre falou disso. E brincando com uns trocadilhos de fazer algo pras bandas do Boqueirão, veio o nome”, conta, sob o sol escaldante de sexta-feira passada, na praça Renato Russo, no Uberaba, onde começa neste sábado a nova fase do projeto. Aliás, há coisa de um ano, na primeira entrevista sobre o projeto que começava causar bururu, Guerra disse que seu sonho era entrar nos bairros por um tempo antes do show, e da vontade de começar isso na praça do compositor da Legião Urbana. Dito e feito. Esse passo se concretiza com apoio da cidade, através da Fundação Cultural de Curitiba, via Fundo Municipal da Cultura, que lançou edital específico para produção de festivais independentes, do qual o Prasbandas foi o vencedor.

Na frente da Praça está a Escola Municipal Professora Maria Piovezan, a primeira a ganhar as oficinas de música, fotografia, vídeo e astrologia, uma das formas pensadas por Getúlio para “entrar” na rotina dos bairros e não simplesmente chegar, fazer um show e ir embora. Nos corredores da escola, que é uma referência na região, dava para sentir uma certa euforia entre os adolescentes inscritos e, segundo observam a diretora Sandra Regina Pereira e a coordenadora do Comunidade na Escola, Claudete Barcarol, eles estavam ansiosos, perguntando quando começariam as aulas. São jovens como Bruna, de 17 anos, e Evelin e Cristiano, de 15 anos, todos do projeto Pró-Jovem, que também acontece na Escola. O menino comenta que, embora goste de cinema e vídeo, não conseguiu terminar outros cursos porque os achava monótonos. “ Sempre gostei de assistir e quero saber o que tem por trás, só que não aguento os cursos. É sempre a mesma coisa. Mas, estou muito disposto a ir até o final desta vez”, diz o rapaz, com pinta de muito interessado. Todos dizem que o curso ser no bairro fez toda a diferença. “Sempre tive vontade de aprender a tocar um instrumento e a gente tem que se agarrar a oportunidades como esta”, fala Evelin. Bruna já fez aula de bateria e quer continuar estudando música. “Gosto mesmo e sei que muitos dos meus amigos também estão bem interessados”, conta.

Equipe — Getúlio tem seus aliados, gente que viu nascer a idéia e, diante da resolução do rapaz, comprou a bronca junto, e outros que chegaram quando os primeiros passos já tinham sido dados e perceberam logo a importância do que estava acontecendo. Fabiana Bubniak, produtora do Festival Tinidos, professora da UnicenP, curtiu a idéia logo de cara e viu, agora, a chance de outra vez fazer um projeto relevante em contato com adolescentes da periferia. A idéia de investir no bairro agrada à produtora-jornalista que atua mais no circuito central da cidade. Eduardo Cirino, da Poléxia, uma das convidadas a participar, também testemunha a importância do projeto para as bandas habituadas a apresentações no circuito de bares centrais da capital. “Nos dá um contato maior com outras realidades e também testamos a banda com públicos diferentes”, acredita.

Beth Capponi juntou as forças da ONG OCA (Organização Culturarte), de alfabetização audiovisual, por ter notado a relevância social dessa empreitada. “E um projeto que tem alma, vai até o bairro e traz para a berlinda seus artistas. A missão do Prasbandas é revelar artistas. Ele sabe que quando se vai para os bairros o que tem de bom vem, aparece. Essa idéia do centro ir um pouco mais para os bairro, essa troca é imprescindível”, avalia. “Sem falar na acupação do tempo livre do adolescente. O Prasbandas passa a ser efetivamente um agente cultural de conhecimento; despertando as pessoas. Astrologia tem a ver com esse descobrir e oportunizar o novo”, diz.


Prasbandas: um organismo faminto

Adriane Perin

Antes a inscrição custava R$10. Agora sai de graça. Antes as bandas convidadas tocavam de graça. Agora ganham uma ajuda de custo. Essas são algumas mudanças do Prasbandas, com a entrada do apoio público. Para dar conta da responsabilidade maior que se avizinha, Getúlio Guerra tem mais comparsas.

Fiéis escudeiros são como o amigo Caio, aquele lá dos primeiros rabiscos do Prasbandas. Sempre como voluntário, ele até já tomou o lugar de Getúlio, na hora de fazer a abertura da primeira edição. “Porque ele tava lá na bilheteria e ao mesmo tempo resolvendo outros problemas. Nem nem conseguiu assistir”, lembra. Algo que marcou nas primeiras edições, conta ele, foi ver como as pessoas se envolveram. “Havia um êxtase no ar. Ele jogara algo e as pessoas quiseram”, comenta.

A família não foi menos importante nessa história, e até já emprestou a sala de casa para a gravação do programa de rádio. Gilberto, cujos traços não escondem que é irmão de sangue de Getúlio, também esteve junto desde sempre. É verdade que, no começo, chegou a pensar que era mais uma piração do mano. “Pensei: é outra das loucuras dele, que sempre foi agitado desde moleque, de fazer as coisas”, lembra. “Na divulgação da primeira edição é que caiu a ficha que não era uma loucura. E fomos para o Sítio Cercado onde todos falavam que era um lugar violento. Lá descobrimos uma banda do bairro, num quartinho de nada. Foi emocionante”, conta. Agora com apoio público, o conceito não muda, aumenta a responsabilidade “e vamos ter mais visibilidade. É o monstrengo ganhando braços; é um organismo faminto”, comenta.
E o produtor também já está bem consciente disso, até porque o jeito de trabalhar já mudou também. “As pessoas se surpreendem por não ter que pagar nada. Respondo que de graça é o modo de dizer, elas já pagaram por isso, uma parte dos impostos que a prefeitura lhes cobra está aqui, nessa liberação de grana pra projetos como o nosso”, observa. “Com grana pública a diferença é ter mais responsabilidade ainda; a vantagem é de poder ficar por 2 meses dentro do bairro ensinando algo também; se chegar de uma forma mais comprometida do que antes, quando era só mostra e tinha só a estrutura de apresentação”, diz Guerra, que planeja outras oficinas que sejam permanentes em alguns bairros da periferia, em casas pequenas de 60m².

O show no Uberaba está previsto pra 24 de maio e tem duas bandas inscritas Macumbaria e Pão de Hamburguer. “Basta ter um integrante do bairro para inscrever, gratuitamente e tocar. E as oficinas também ainda têm vaga”, adianta o produtor. Cada edição tem tido uma média de 20 grupos tocando, 10 minutos cada. Para o Uberaba foram convidados grupos que já tocaram de graça no projeto antes, além da Poléxia, Terminal Guadalupe e Anacrônica. A sequência é no Bairro Alto e Campo Comprido, mas o roteiro pode sofrer alteração de acordo com o andar da produção, liberações de documentação e tal. “E tem que ter uma praça que comporte um show no bairro”, lembra Guerra.

Serviço
O site está sendo finalizado e no mais tarde neste final de semana entra no ar. No endereço www.prasbandas.mus.br o pessoal vai poder pegar sua ficha de inscrição e ficar ligado nem quando o projeto chega em seu bairro e até cobrar que ele chegue.

Queremos a Pedreira de volta!



na Piracema de hoje do JE/Bem Paraná

depois do "Também sou hype"...

3/19/2009

Cioran



“Que é a verdade?” é uma pergunta fundamental, mas nada ao lado de: “como suportar a vida?”, questão que por sua vez empalidece perto desta outra: “como se suportar?” – eis o problema capital para o qual ninguém está à altura de nos dar uma resposta."

"Ser é estar encurralado."

Emil Cioran

retirado daqui

vai como veio...

3/12/2009

A culpa



A culpa espreita na esquina

ela tem os olhos cansados da noite mal dormida

a culpa está a espera na sala

movimenta os dedos enquanto imagina a próxima vítima

a culpa não é questão de escolha ou vontade

os bebês já nascem com ela

se o cristo morreu por nós

todos temos as mãos manchadas de sangue?

a culpa está cochilando no quarto

aguarda o sol se erguer para partir atrás de mim novamente

quanto mais corro, mas sinto sua sombra me encobrindo

o vento carrega a culpa pra longe

mas a traz de volta com a tempestade

o que seríamos sem a culpa

anjos exilados, almas deserdadas

versos incompletos, palavras indecifráveis

todos os homens são mortais e tem culpa

até o dia em que desaparecem no pó do tempo

e levam suas culpas pro outro mundo

3/06/2009

Espaço 2 e Piracema



E o Jornal do Estado estreiou hoje a nova fase de seu caderno de cultura, o Espaço 2, que agora as sextas-feiras passa a ter oito páginas. Outra novidade é a coluna "Piracema", assinada pela editora, Adriane Perin. Nesta primeira edição ela conta o porque do nome da coluna, fala de Koti e os Penitentes, Charme Chulo, entre outros borogodós. Como a dona Adri não tem tempo de divulgar isso por aqui, eu to fazendo esse trabalho sujo, nê. Agora vão lá e leiam. Ou assumam as consequências...ahaha

PS: o logo foi bolado pelo Gian. Sabecumé. panelinha, essas coisas.