9/07/2010
Arnaldo Baptista - Será Que Eu Vou Virar Bolor?
Video raríssimo feito na época do lançamento do primeiro disco solo de Arnaldo Baptista, Lóki, um dos maiores clássicos da música brasileira de todos os tempos. Verdadeiro documento histórico de uma época e da arte de um gênio, título banalizado, mas que nesse caso cabe a ele como poucos, muito poucos. Disco que me marcou de tal forma que até hoje é difícil voltar a ouvi-lo. Ver esse vídeo, com o Arnaldo ainda na fase anterior ao acidente, em plena forma física e artística, é emocionante.
Abaixo, a crítica da Discoteca Básica da Bizz, que fala sobre as circunstâncias em que ele foi produzido.
Arnaldo Baptista
Loki? (1974)
(Edição 43,Fevereiro de 1989)
No pop brasileiro, são raros os que driblaram a barreira lingüística e edificaram trabalhos fundamentais. Em meio às síndromes progressivas, à invasão da Nordésia e do "rockão pauleira", no início de 74, o LP em questão surgiu não apenas como antídoto a essas tendências, mas também como uma obra única e radical do rock brasileiro.
Gravado em terríveis condições emocionais - Arnaldo havia perdido Rita Lee para sempre -, após sua saída dos Mutantes, o disco conta, além da participação de três ex-integrantes (o baterista Dinho, o baixista Liminha e Rita nos backing-vocals), com arranjos de Rogério Duprat. A gravação feita às pressas proporcionou um punch inigualável e, dado seu estado emocional, Loki? acabou por ser o maior tratado existencial do rock brasileiro, algo digno do desespero suicida da nouvelle vague, da dolorosa raiva incontida dos angry young men ingleses e de poetas visionários que enxergaram o lado obscuro da realidade.
Arnaldo demonstrou o que significa amar até perder o nome, buscar os paraísos artificiais a partir da desintegração da alma e percorrer os porões proibidos dos sentimentos, dando vazão aos abismos da vida e anunciando esboços da morte tateada, ainda que não consumada. Nessas antevisões, ele já parecia estar ciente das amargas metamorfoses que delineariam seu destino tatuado por uma tentativa de suicídio em 1980, após ter criado a alucinada Patrulha do Espaço.
Se, textualmente, provou genialidade, em nível musical nada deixou a dever; ou seja, a partir de sua voz arrancada do âmago e de um sensível piano de concepção clássica, ele percorre o tecido rock com eclética maestria, indo das mais tristes baladas até progressive rocks, passando por tons de bossa, jazz, funk e blues.
A primeira faixa do LP, a linda rock'n'roll ballad "Será Que Eu Vou Virar Bolor?", usando o título como mote, traça ironicamente um paralelo entre o futuro de seu amor e o do rock'n'roll, ambos ameaçados de extinção. A seguinte "Uma Pessoa Só", arranjada por Duprat, remonta os lindos sonhos dourados de 71/72, quando os Mutantes viviam em comunidade na Serra da Cantareira, numa trip coletiva em que era possível ser "uma pessoa só". "Não Estou Nem Aí" é uma beat-ballad pulverizada por tons bluesísticos/jazzísticos em que, sombreado pela (im)possibilidade de esquecer os "males", ele desafia a morte de forma sarcástica. Em "Vou Me Afundar na Lingerie", um bluesy-popster de primeira linha, instala a evasão absoluta do mundo real "deslanchando bem embaixo" e propondo afogar as mágoas no deslumbre da natureza e na relatividade das pequenas. A instrumental "Honky Tonky" é um delicioso mergulho ao piano.
A segunda fase traz a memorável "Cê tá Pensando Que Eu Sou Loki?", esmerado exercício bossístico que desbanca a loucura, mas não exime o prazer pelas viagens. Na baladaça "Desculpe", penetra na angústia passional, um "Jealous Guy" à brasileira, que sentindo "o pulso de todos os tempos" exige o amor a qualquer custo. Na fragmentada "Navegar de Novo", desvenda sua particular "passagem das horas" e as dimensões (im)possíveis do tempo. "Te Amo, Podes Crer", uma balada de amour fou, encarna o pranto de um abandonado que revela: "Dentro de algum tempo eu paro de tocar/espero o apocalipse de então eu te encontrar", um verso que resumiria profeticamente seu futuro. Fechando, a folk-psicodélica "É Fácil", microssíntese do amor absoluto.
Se hoje sua obra é mítica, saiba que Arnaldo pagou muito caro por toda essa paixão levada às últimas conseqüências. "Já leu todos os livros" e sabe que "a carne é triste".
Fernando Naporano
9/06/2010
DVD com Radiohead ao vivo para baixar
Um grupo de fãs do Radiohead liberou um show na íntegra deles em Praga para ser baixado em formato DVD e outros de graça. É só ir aqui e escolher o formato.
Mais sobre aqui no Scream Yell.
9/03/2010
Tom Jobim - "Passarim" (TV Manchete, 1984)
essa é foda. Tom Jobim, na TV Manchete, em 1984, mostrando "uma música nova", que "ainda não está pronta", comom explicado abaixo.
"No último programa da série 'A Música Segundo Tom Jobim', dirigida por Nelson Pereira dos Santos para a TV Manchete em 1984, o maestro mostrou uma canção àquela altura ainda inacabada, "Passarim".
Ele usaria o tema instrumental como base para a trilha sonora que compôs para a minissérie "O Tempo e o Vento", que foi ao ar na TV Globo no ano seguinte. Só em 1987, a música ganharia sua versão definitiva na gravação que deu título ao álbum lançando por Tom naquele ano, inaugurando uma nova fase de sua criação musical, ao lado da Nova Banda."
9/02/2010
"Está todo mundo só seguindo a onda"
Houve uma grande discussão devido à carta do João Paraíba aqui no Scream & Yell. Em certo momento, perguntamos por que o Romulo Fróes não tocava nos festivais independentes. A resposta foi: “Ah, o Rômulo tem um perfil controverso para festival de rock”. Desde quando os festivais são de rock?
Desde quando os festivais emburreceram se fechando em uma temática “rock stoner, guitarra é legal”. Guitarra só é legal quando é bem feita. A partir de 2006, os festivais independentes emburreceram. Por que o Vanguart sumiu dos festivais? Porque não tem mais espaço. Só tem espaço para bandas que “agitam a galera” (aumenta a voz). Isso é o rock ‘n’ roll brasileiro independente atual. É som pesado. Só que o “Kind of Blue” é mais pesado que o “Artista Igual Pedreiro”. Não ataco o rock quando falo mal dele. Eu falo mal da caretice, do fechamento artístico totalmente burro que o rock faz. Um exemplo: a galera que jogou lata no Lobão quando ele subiu com a Mangueira pra tocar um som pesado e ninguém entendeu. Essa é a massa rock que me decepciona. Ainda bem que eu não estou nesse bolo porque parece que o som pesado é o que rola. Minha esperança é que daqui a cinco anos seja diferente, que o Rômulo esteja ganhando uma puta grana com as músicas dele e que eu possa estar compondo para alguém, porque hoje estamos compondo uma música que se fode porque é diferente. O Romulo é um dos artistas mais corajosos, inquietos e criativos dos últimos anos. O nosso disco novo tem coisas tão diferentes, bizarras, que resolvemos não lançar… ainda.
Por que não?
A gravadora fez uma pressão pra ter uma música forte e eu disse que não tinha uma, mas 14, que todas eram fortes, dependendo do jeito que você olha (risos). Tem uma que fala: “Eu te levei até a praia / eu me desfiz da minha esposa / eu joguei fora o meu dinheiro / e eu dei de costas para um amigo e só sonhei meu desengano”. Coisas de você ter se fodido mesmo, e eles não acharam forte. Então isso mostra que até nossa gravadora, que sempre foi incrível conosco, sempre nos entendeu, está pensando de outra maneira. Assim como eu acho que 90% das bandas brasileiras estão pensando de outra maneira. Ainda mais as bandas novas que entraram e vislumbraram um cenário de festivais independentes. “Meu, vamos viajar o Brasil inteiro curtindo? Comendo buceta? Vamos, vamos?” E quem não vai? É foda. E tudo envolve paixão porque todos estão apaixonados pelo som que estão fazendo, mas não está existindo um questionamento sobre o que se está fazendo. Falta uma sagacidade artística de “vamos fazer diferente, mesmo que seja uma bosta”. Está todo mundo só seguindo a onda. E quem está tendo essa sagacidade – como o Rômulo, a Lulina e o próprio Vanguart – está se fodendo porque não falam a língua dos festivais, que acharam muito mais cômodo pegar bandas que seguem uma onda. Funciona pra eles. O público vai rolar e a politicagem está na ponta da língua. É tudo uma questão de prioridades. Quem não está tendo a prioridade de defender a cena e tocar de graça pelo Brasil inteiro está em casa, por isso que continua fazendo coisa boa, como o Romulo Froés.
trecho da excelente entrevista de Hélio Flanders, Vanguart, no Scream Yell. Eu nem sou lá muito fã da banda, mas fiquei muito bem impressionado com a entrevista do cara, que fala altas verdades sobre a falta de consistência e de coragem do cenário musical independente brasileiro. Concordo plenamente que há uma tendência clara de mesmice e acomodação em fórmulas. O indie brasileiro hoje repete as mesmas práticas desgastadas do mainstream. Só muda o repertório.
Isso inclui, infelismente os festivais, que muitas vezes insistem nas mesmas bandas "pra agitar a galera", como o cara fala na entrevista, ignorando artistas e grupos com propostas diferentes e em certos casos artisticamente mais relevantes, porque não se enquadram nessa fórmula de enterteniment. No Rock de Inverno a gente sempre teve a preocupação de chamar bandas e artistas que a gente gostava, mas que via que não rolava tanto por não se adequarem a essa fórmula de "roque de roqueiro". Não entendo como grupos como o Liquespace, por exemplo, não estão tocando por aí nos festivais. Quer dizer, até entendo, mas não concordo. Ou mesmo um La Carne, que pra mim é uma das melhores bandas do País. Ou Lestics. Enfim, poderia citar muitas outras. E isso acontece muitas vezes ou porque essas bandas não fazem certas articulações políticas, ou porque o som delas não se enquadra na "fórmula indie" convencional. É aquela coisa. Se vc não faz um som com referências óbvias, se não parece com strokes, los hermanos, não imita stooges, ou queen of stone age, ou algum desses grupos de "eletro rock" da gringa, não serve. To pouco me lixando pro rock há muito tempo. Quero fazer música.
Acho fundamental levantar essa discussão estética sim, ao invés de só ficar discutindo mercado e divisão de verba, pagamento de cachê. Não que isso não seja importante. Mas não é tudo.
confira a íntegra aqui.
Desde quando os festivais emburreceram se fechando em uma temática “rock stoner, guitarra é legal”. Guitarra só é legal quando é bem feita. A partir de 2006, os festivais independentes emburreceram. Por que o Vanguart sumiu dos festivais? Porque não tem mais espaço. Só tem espaço para bandas que “agitam a galera” (aumenta a voz). Isso é o rock ‘n’ roll brasileiro independente atual. É som pesado. Só que o “Kind of Blue” é mais pesado que o “Artista Igual Pedreiro”. Não ataco o rock quando falo mal dele. Eu falo mal da caretice, do fechamento artístico totalmente burro que o rock faz. Um exemplo: a galera que jogou lata no Lobão quando ele subiu com a Mangueira pra tocar um som pesado e ninguém entendeu. Essa é a massa rock que me decepciona. Ainda bem que eu não estou nesse bolo porque parece que o som pesado é o que rola. Minha esperança é que daqui a cinco anos seja diferente, que o Rômulo esteja ganhando uma puta grana com as músicas dele e que eu possa estar compondo para alguém, porque hoje estamos compondo uma música que se fode porque é diferente. O Romulo é um dos artistas mais corajosos, inquietos e criativos dos últimos anos. O nosso disco novo tem coisas tão diferentes, bizarras, que resolvemos não lançar… ainda.
Por que não?
A gravadora fez uma pressão pra ter uma música forte e eu disse que não tinha uma, mas 14, que todas eram fortes, dependendo do jeito que você olha (risos). Tem uma que fala: “Eu te levei até a praia / eu me desfiz da minha esposa / eu joguei fora o meu dinheiro / e eu dei de costas para um amigo e só sonhei meu desengano”. Coisas de você ter se fodido mesmo, e eles não acharam forte. Então isso mostra que até nossa gravadora, que sempre foi incrível conosco, sempre nos entendeu, está pensando de outra maneira. Assim como eu acho que 90% das bandas brasileiras estão pensando de outra maneira. Ainda mais as bandas novas que entraram e vislumbraram um cenário de festivais independentes. “Meu, vamos viajar o Brasil inteiro curtindo? Comendo buceta? Vamos, vamos?” E quem não vai? É foda. E tudo envolve paixão porque todos estão apaixonados pelo som que estão fazendo, mas não está existindo um questionamento sobre o que se está fazendo. Falta uma sagacidade artística de “vamos fazer diferente, mesmo que seja uma bosta”. Está todo mundo só seguindo a onda. E quem está tendo essa sagacidade – como o Rômulo, a Lulina e o próprio Vanguart – está se fodendo porque não falam a língua dos festivais, que acharam muito mais cômodo pegar bandas que seguem uma onda. Funciona pra eles. O público vai rolar e a politicagem está na ponta da língua. É tudo uma questão de prioridades. Quem não está tendo a prioridade de defender a cena e tocar de graça pelo Brasil inteiro está em casa, por isso que continua fazendo coisa boa, como o Romulo Froés.
trecho da excelente entrevista de Hélio Flanders, Vanguart, no Scream Yell. Eu nem sou lá muito fã da banda, mas fiquei muito bem impressionado com a entrevista do cara, que fala altas verdades sobre a falta de consistência e de coragem do cenário musical independente brasileiro. Concordo plenamente que há uma tendência clara de mesmice e acomodação em fórmulas. O indie brasileiro hoje repete as mesmas práticas desgastadas do mainstream. Só muda o repertório.
Isso inclui, infelismente os festivais, que muitas vezes insistem nas mesmas bandas "pra agitar a galera", como o cara fala na entrevista, ignorando artistas e grupos com propostas diferentes e em certos casos artisticamente mais relevantes, porque não se enquadram nessa fórmula de enterteniment. No Rock de Inverno a gente sempre teve a preocupação de chamar bandas e artistas que a gente gostava, mas que via que não rolava tanto por não se adequarem a essa fórmula de "roque de roqueiro". Não entendo como grupos como o Liquespace, por exemplo, não estão tocando por aí nos festivais. Quer dizer, até entendo, mas não concordo. Ou mesmo um La Carne, que pra mim é uma das melhores bandas do País. Ou Lestics. Enfim, poderia citar muitas outras. E isso acontece muitas vezes ou porque essas bandas não fazem certas articulações políticas, ou porque o som delas não se enquadra na "fórmula indie" convencional. É aquela coisa. Se vc não faz um som com referências óbvias, se não parece com strokes, los hermanos, não imita stooges, ou queen of stone age, ou algum desses grupos de "eletro rock" da gringa, não serve. To pouco me lixando pro rock há muito tempo. Quero fazer música.
Acho fundamental levantar essa discussão estética sim, ao invés de só ficar discutindo mercado e divisão de verba, pagamento de cachê. Não que isso não seja importante. Mas não é tudo.
confira a íntegra aqui.
8/30/2010
Devils and Dust
Demorei pra gostar de Bruce Springsteen; pra conhecer, na verdade. Sei lá que imagem tinha dele, que nunca me chamou para seu som. Isso até conhecer Devils and Dust, décimo terceiro álbum do cara, um disco tão delicioso, mas tão bom que estou completamente viciada nele há meses. Virou outro daqueles que vez ou outra preciso ouvir. É daqueles álbuns pra se ouvir de peito aberto, com a janela do carro deixando o vento entrar solto, me dá uma sensação de liberdade. Adoro andar pela cidade com este som na cabeça e já fiz o trajeto da ciclovia muitas vezes no ritmo desses sons, com um caminhar próximo do dançar, inclusive, porque ele se espalha pela gente e toma conta. Tem baladas lindas e também uma pegada rock, sinto um certo clima Credence, até, no ar.
O jeito dele cantar é um caso à parte. Tem uma música, especificamente, a faixa-título, que parece que a voz dele falha, no disco, a rouquidão chega ao limite... E que falha, se é que é, mais linda é essa.
Vejaí...
O jeito dele cantar é um caso à parte. Tem uma música, especificamente, a faixa-título, que parece que a voz dele falha, no disco, a rouquidão chega ao limite... E que falha, se é que é, mais linda é essa.
Vejaí...
8/29/2010
sobre a tal da cultura...

Foto emprestada do blog da Gleisi Hoffmann, feitas por Elias Dias.
Acabei de chegar em casa, e terminar um texto, sobre um evento de cultura, organizado pelo Vanhoni, com a presença do ministro da cultura, Juca Ferreira, que pela primeira vez ouvi falando tão de perto.Teve também a presença, e por isso eu estava lá, do candidato ao governo Osmar Dias, de cuja equipe faço parte atualmente. Não, eu não vou falar de política partidária. Eu quero falar do que vi lá. E foi política – gostem ou não. Ando, outra vez, sem conseguir escrever muito pro blog, por conta desse trampo que me ocupa bem.
Mas, não adianta, eu tento manter a frieza, mas quando vejo momentos como o de hoje, me inflamo. Adorei o dia. Eu filmei o grupo de fandango Pé de Ouro, lá da Ilha de Valadares, mas as imagens não ficaram muito boas pra por aqui, infelizmente. Mas, serviram muito bem para Me emocionar. Como também o fizeram, as falas do Paulo Munhoz, um cineasta que admiro, e também a fala do ministro. Eles não me emocionaram, e me fizeram continuar pensando no que falaram, porque fizeram política partidária, mas porque falaram em nome de coisas que acreditam. E em algumas delas eu também acredito.
Tenho participado de reuniões e delas saio, às vezes, pulando de alegria; noutras completamente frustradas pelo que me parece falta de articulação do pessoal da cultura. Muitas vezes fico com uma sensação de que estamos chafurdando nas migalhas que o poder público, às vezes, deixa cair. Então, tenho vontade sair correndo. Noutras, vejo gente que pensa maior, que pensa num todo e entende que somos parte de uma coisa só, mesmo que queiramos negar isso tantas vezes. Acho sim que temos que fazer política, deixando cada posto para quem em talento para exercê-lo.
Hoje o dia foi legal. Já estou em casa e continuo pensando no que a gente ta fazendo aqui pela cultura do Paraná, estado pra onde vim, antes mesmo de vir de verdade. Nunca imaginei que ia trabalhar com cultura e nesse tempo vi a cultura ser tratada como algo desimportante. No meio político, no meio jornalístico e no meio cultural. A vi perder sua força, aparentemente, e aprendi com os “(in)dependentes” algo que já sabia sem saber que sabia. A fazer. Simplesmente. Fazer. Não ficar só esperando. A fazer jornalismo cultural, a fazer um festival, a produzir um show, a produzir um disco e até (vejam só) a tocar um baixo e a arriscar uma cantoria. E a fazer política, sim, porque esse papo de “não gosto de política” é que ferra tudo. Tem jeitos, estratégicos, e jeitos, de se fazer política. E, não acho que sou ingênua ao dizer, que o bom trabalho feito, sempre aparece. Depende de as pessoas conseguirem diferenciar o que é balela e o que é de verdade. E só se aprende isso exercitando.
Hoje fizemos política. Do jeito que melhor sabemos fazer. Mostrando um pouquinho, foi só um pouquinho, da cultura paranaense. Não to nem dizendo que estou no grupo que vai fazer o certo. Estou dizendo que nós temos que tomar as rédeas do que acreditamos. E dar a cara a tapa, quando preciso.
E ver aqueles velhinhos dançando, cantando e tocando, depois de terem tocado o baile de fandango até 4 da matina... renovou minhas forças. Foi, quase, como ver uma banda que gosto. É isso. Tem o novo, que tanto gosto, e tem o velho – que está dentro de mim, também. Um precisa do outro. E isso é bom. Isso me faz bem. Tenho ouvido tanto discurso... mas, vejam só, não acho que são só palavras em vão. Não devem ser palavras em vão e isso, na boa, também depende da gente. Depende da gente estar por perto e atento. Depende da gente não largar mão.
No dia em que vi Gilberto Gil, como ministro, pirei. Sinceramente. A força desse cara é um negócio arrebatador. Tinha que ser um artista. E com Juca Ferreira foi parecido, sem o apelo de ser o Gilberto Gil “doces bárbaros” na minha frente. Hoje, em alguns momentos, pareceu que eu vi Juca Ferreira tremendo, enquanto falava sobre cultura. Que 80% da verba da lei rouanet fica pra SP e RJ (nada contra eles, por favor... mas peraí, né.)Isso, diz o ministro, é desfrutado por 3% dos cariocas e paulistanos... pô, precisa falar mais, cara? Aquele tremor na mão que segurava o microfone me pareceu provocado pelo que ele estava vendo e que, como me deixava mais forte, parecia deixar a ele mais forte também. É a força de algo que é mais forte do que a gente, o que faz a gente tremer...
é o que sinto numa boa entrevista. é o que sinto diante de um palco em um show produzido por mim. é o que sinto diante de um quadro, de um livro que acerta em cheio, de uma banda que quebra tudo...
Porque eu continuo acreditando que a força de uma boa banda tocando, de um bom poeta/escritor escrevendo ou declamando, de um pintor fudido desenhando seus sentimentos... é isso que me dá gás e não acho que sou a única a ser movida assim. Eu vou dormir bem hoje. Continuo tentando fazer a minha parte. E sei que não sou a única. (adriperin)
8/26/2010
Mofonovo
Nosso amigo Neri Rosa, uma daquelas figuras que como eu digo, se não existissem, deveriam ser inventadas, grande incentivador da cena local, apresentador e produtor durante anos do programa de rádio Último Volume, agora está com um blog, o Mofonovo. E o que é melhor, está disponibilizando no blog pérolas de seu incomensurável acervo discográfico, com direito a muitas raridades do rock underground brasileiro e curitibano.
Com a generosidade de sempre, ele até publicou um post falando sobre o OAEOZ e a Hotel Avenida.
Vale a pena visitar, conhecer e aproveitar o conhecimento e a sensibilidade desse grande cara.
Com a generosidade de sempre, ele até publicou um post falando sobre o OAEOZ e a Hotel Avenida.
Vale a pena visitar, conhecer e aproveitar o conhecimento e a sensibilidade desse grande cara.
8/24/2010
"A internet não vai salvar ninguém"
E como você situa a figura do músico na atualidade, em um cenário marcado pela divulgação online e uma suposta queda da indústria fonográfica?
Não é nada disso, esse que é o grande problema. Não existe queda nenhuma da indústria fonográfica, isso é um absurdo, é uma falácia. Eles nunca ganharam tanto dinheiro. O [produtor] Marcos Maynard, que é uma raposa velha, já está com um tal de Restart... E tem uma outra coisa: quem detém o monopólio das rádios continua vendendo disco. Essa coisa de achar que você bota no seu MySpace e está feito com 20 mil amigos, isso é um grande erro. A internet não vai salvar ninguém! O caminho que a gente abriu no final dos anos 70 e começo dos 80 era de fazer música pop para tocar no rádio, “vamos invadir o Chacrinha”. A mesma coisa tem que ser feita novamente. As pessoas não podem achar que não podem fazer [Domingão do] Faustão. Que merda é essa? Tá no Brasil ou tá aonde? Você acha que lá fora o cara não vai ao programa da [apresentadora americana de TV] Oprah? É o circuito, tem que fazer. Tem que fazer, sim! Agora, para poder alterar esse circuito, você tem que entrar nele. De fora, você não vai conseguir nada.
Lobão, em entrevista à Bilboard Brasil de julho
Não é nada disso, esse que é o grande problema. Não existe queda nenhuma da indústria fonográfica, isso é um absurdo, é uma falácia. Eles nunca ganharam tanto dinheiro. O [produtor] Marcos Maynard, que é uma raposa velha, já está com um tal de Restart... E tem uma outra coisa: quem detém o monopólio das rádios continua vendendo disco. Essa coisa de achar que você bota no seu MySpace e está feito com 20 mil amigos, isso é um grande erro. A internet não vai salvar ninguém! O caminho que a gente abriu no final dos anos 70 e começo dos 80 era de fazer música pop para tocar no rádio, “vamos invadir o Chacrinha”. A mesma coisa tem que ser feita novamente. As pessoas não podem achar que não podem fazer [Domingão do] Faustão. Que merda é essa? Tá no Brasil ou tá aonde? Você acha que lá fora o cara não vai ao programa da [apresentadora americana de TV] Oprah? É o circuito, tem que fazer. Tem que fazer, sim! Agora, para poder alterar esse circuito, você tem que entrar nele. De fora, você não vai conseguir nada.
Lobão, em entrevista à Bilboard Brasil de julho
8/15/2010
Hotel Avenida - Eu não sou um bom lugar - Rock de Inverno 7
Hotel Avenida - Eu não sou um bom lugar from De Inverno on Vimeo.
E finalmente, após longos e tenebrosos inverno-primavera-verão-outono-e-inverno de novo, o vídeo do show da Hotel Avenida no Rock de Inverno 7 está pronto. Em breve "estaremos lançando" o material em DVD e outros formatos, além de disponibilizando tudo para ser assistido em streaming na rede. Aí acima vocês podem conferir o primeiro aperitivo, o vídeo da canção que encerrou o show, "Eu não sou um bom lugar", música do nosso primeiro single, lançado no início de julho de 2009. Vocês podem conferir o video pelo Vimeo ou pelo Youtube.
A direção geral do video é do Marcelo Borges, com edição de Fábio Barreira. O áudio foi gravado e mixado por Luigi Castel e Carlos Zubek.
A produção é da De Inverno, of course.
8/12/2010
"Música é mais do que matemática"
"Só creio que infelizmente estamos baseados nos dois problemas que, pra mim, estragam a música: resultado e técnica. Sei que fiz muito pra entender dos dois, e lidei muito com isso (e ainda vou continuar lidando), mas a sinceridade as vezes não vem a tona se esses dois fatores entram na frente. Não julgo quem gravar uma música, já fazer MySpace, tirar foto, fazer clipe, fazer projeto pra Funcultura, querer tocar em festivais, querer lançar discos ou online, aparecer na tevê, dar entrevistas, fazer tournées mundiais em que interessa o nome da cidade e país, e não pra quantas pessoas se toca, não seja nada mais do que resultado, nenhum mérito se tem em aproximar do que já foi feito para atingir metas de quem teve o mesmo caminho, e tirar onda com isso tudo, achando-se importante e relevante para a música. Pois não o é, mesmo. Talvez, por algum motivo, possa impressionar as pessoas, possa iludir sobre o resultado, possa passar sentimentos positivos. Só que não canto uma música recente há tempos. Não me fica na cabeça melodias de discos novos, há anos. Ano passado, Radiohead. Ontem, só Chico Buarque. Continuo ouvindo aqui na memória coisas do passado, às vezes distante. Algumas perdidas, algumas canções, mas é bem pouco pra quando se tinham discos com todas as músicas cantáveis, ou músicas compostas há séculos que ainda mexem profundamente com alguma coisa que não temos compreensão. Em épocas de discussões acirradas por aqui, acho bom relembrar que música é mais do que matemática, e isso que estamos vivendo: formulas técnicas, de produção executiva, de resultados, de falsos méritos. Ainda assobio “Vassourinhas” quando passo em Olinda no carnaval."
trecho da excelente entrevista do produtor Iuri Freiberger no Scream Yell.
Leia a íntegra aqui.
trecho da excelente entrevista do produtor Iuri Freiberger no Scream Yell.
Leia a íntegra aqui.
Sonhei que estava numa roda de capoeira!!!!
“Mas hoje é dia de festa
eu jurei que não vou me importar,
se o batuque não sai como eu gosto se a morena não vai me olhar.
Hoje eu quero é jogar capoeira, ver mandinga para lá e pra cá, essa luta, essa dança guerreira, faz meu corpo arrepiar:
Brincadeira:
Brincadeira, mandinga, no remelexo do corpo mamolejar !!!
O dia começou tranqüilo mas não me engano com ele. Hoje será pedreira. Tem debate para governo do Estado na Band e, pra quem não sabe, estou trabalhando na assessoria de imprensa da campanha do Osmar Dias. Agora tá sossegado, mas já acordei atribulada e consegui perder dois ônibus, acredita nisso? Mas, no final deu tudo certo, voltei pra casa e tomei café com minhas gatas. Elas, e a Baby, estavam pessimamente acostumadas, pois nos últimos meses trabalhei em casa, sempre com todas elas bem perto, de preferência no escritório e mais de preferência ainda, pra minhas gatinhas, se pudessem estar no colo – e de vez enquanto elas se enchem o saco da minha falta de atenção pra elas e, se deixar, vão parar pra cima do teclado, as sem vergonha. Então, agora que to ficando fora o dia todo e até horas da noite, de manhã já as encontro na porta do quarto. Onde eu vou, lá estão elas. E gatas, especialmente, a tigra e a lu, as mais velhas, não são assim, não. A Chanel e a Moli são mais brincalhonas, as chamo de gatas capoeira. Vão se agarrando, pulando pela casa, acompanhando minha movimentação. Elas são o máximo e são as primeiras pessoas com quem converso no dia.
Mas, elas eu ainda vejo, cedo ou tarde, no começo ou no final do meu dia. Já a capoeira, aiaiaia, que falta eu tô sentindo. Tive que trancar por dois meses nesta fase. Desde 2001 não fico tanto tempo assim sem sair no aú, entrar na rasteira, antes de voltar pra ginga. Cara, sem dúvida alguma, é o que me faz mais falta. É no que penso várias vezes ao dia. Ouço os Cd do grupo Força da Capoeira e, como hoje, bate uma saudade. E, olha, que não deu nem um mês sem treinar. Meu berimbau ta encostado, ao lado do baixo. Acho até que sonhei que tava numa roda, acordei sentindo o toque do berimbau, com a cantoria dentro de mim. Naquela euforia que toma conta da gente quando tá num jogo.
Salve, Mestre Kinkas, salve contra-mestra Áurea e toda moçada do Força. Iê: capoeira. Iê, Força da Capoeira! (Adri)
8/04/2010
Ciclojam estreia nova temporada na TV Lúmen/Canal Futura
Nesta quarta-feira, as 22h30 (com reprises aos sábados no mesmo horário), na Lumen TV/Canal Futura (16 UHF e 32 NET), tem a estreia da nova temporada do Ciclojam, programa produzido pelo grande Cyro Ridal, com apresentações gravadas ao vivo e entrevistas com bandas curitibanas. Nesta temporada estão nove bandas: Koti e os Penitentes, Charme Chulo, Giovani Caruso e o Escambau, Poléxia, Diedrich e os Marlenes, Anacrônica, Cassim & Barbária, Mordida e Cosmonave.
O Ciclojam começou, na verdade, como um bloco dentro do programa de rádio - Caleidoscópio - e ia ao ar inicialmente na lendária Rádio Estação Primeira, e depois passou para a Rádio Educativa. Depois, se tornou um programa próprio, na televisão, inicialmente na TV Educativa, e mais recentemente, na Lúmen/Futura.
Com o OAEOZ, tive a oportunidade de participar do programa nos dois formatos - no rádio e na TV. E em ambos os casos foi uma experiência ótima. Afinal, pra quem faz música, nada melhor do que poder mostrar seu trabalho em uma emissora de rádio ou tv aberta, acessível a todos, e ainda com uma produção bacana. O programa de rádio, por exemplo, a gente gravou nos estúdios da Gramophone. Ficou tão bom que usamos algumas músicas no disco Dias (2001).
Monumentos sem cabeça - OAEOZ - Dias (2001)
O da TV gravamos na época no teatro Paiol, que não preciso dizer, é um lugar histórico para a cultura local.
Fico muito feliz que o programa esteja voltando. Trata-se de uma das mais importantes iniciativas de registro da música local. Muitas bandas surgem e desaparecem sem ter a oportunidade de ter um registro com essa qualidade. E a gente sabe como é difícil, no Brasil, manter um programa como esse, sem grandes patrocínios/apoios, no ar por tanto tempo.
Vida longa ao Ciclojam.
veja mais videos do Ciclojam aqui.
O Ciclojam começou, na verdade, como um bloco dentro do programa de rádio - Caleidoscópio - e ia ao ar inicialmente na lendária Rádio Estação Primeira, e depois passou para a Rádio Educativa. Depois, se tornou um programa próprio, na televisão, inicialmente na TV Educativa, e mais recentemente, na Lúmen/Futura.
Com o OAEOZ, tive a oportunidade de participar do programa nos dois formatos - no rádio e na TV. E em ambos os casos foi uma experiência ótima. Afinal, pra quem faz música, nada melhor do que poder mostrar seu trabalho em uma emissora de rádio ou tv aberta, acessível a todos, e ainda com uma produção bacana. O programa de rádio, por exemplo, a gente gravou nos estúdios da Gramophone. Ficou tão bom que usamos algumas músicas no disco Dias (2001).
Monumentos sem cabeça - OAEOZ - Dias (2001)
O da TV gravamos na época no teatro Paiol, que não preciso dizer, é um lugar histórico para a cultura local.
Fico muito feliz que o programa esteja voltando. Trata-se de uma das mais importantes iniciativas de registro da música local. Muitas bandas surgem e desaparecem sem ter a oportunidade de ter um registro com essa qualidade. E a gente sabe como é difícil, no Brasil, manter um programa como esse, sem grandes patrocínios/apoios, no ar por tanto tempo.
Vida longa ao Ciclojam.
veja mais videos do Ciclojam aqui.
8/03/2010
"Ainda" - Ex

Taí uma boa notícia. Nossos amigos Thiane Nunes, Rafael Martinelli e Guilherme Klamt, que formavam a banda Deus e o Diabo, estão com novo projeto. Chama-se "Ex" e já está com primeiro disco disponível para download, chamado "Ainda".
Cola lá e confere o trampo dos caras, que eu ainda nem ouvi, mas só pelo que conheço, deve ser coisa fina. Ou baixe aqui direto do link.
8/02/2010
7/30/2010
"Não pergunte quanto tempo faz"

Por uma dessas razões que razão desconhece, me veio esses dias a vontade de ouvir o disco do Sofia, que a De Inverno lançou em 2002. Pra quem não sabe, o Sofia era uma banda formada pelo vocalista e letrista Edson Ramos, o guitarrista Emerson Gus Macedo e o baixista Normando Spangler, e que no disco teve ainda Osmário Júnior (grande baterista também das lendárias CMU Down e UV Ray).
Conheci os caras antes, quando eles tinham outra banda, o Loaded, que tocou no primeiro Rock de Inverno, e que tinha as letras em inglês. Com a parada do Loaded, eles montaram o Sofia, já com repertório com letras em português, o que foi ótimo, porque o Edson escreve muito bem e isso só ficou ainda mais evidente com a mudança.
A estreia ao vivo do Sofia foi no Rock de Inverno 2, no auditório Antonio Carlos Kraide, em 2001. O primeiro e único disco “cheio” deles foi lançado pela De Inverno no ano seguinte. Lembro que o show de lançamento foi na antiga sociedade Portuguesa. A banda de abertura foi o Íris – que fez sua estreia ao vivo nessa noite.
Reouvir esse disco depois de tanto tempo é uma experiência emocionante mas também muito difícil. É inevitável se deparar com lembranças de tempos mais ingênuos e leves, em que a gente parecia ainda acreditar em alguma coisa que não sabia exatamente o que era, mas que de alguma forma nos empurrava pra frente.
“ao lembrar de mim
não ouça o que gravei
não leia o que escrevi
não procure minhas fotos
não procure saber se estou vivo
não bata à minha porta
não perca seu tempo”
Dá um orgulho danado ouvir de novo as canções desses caras e saber que a gente colaborou pra que isso pudesse ser registrado e apresentado. O CD incluía também um vídeo que o Marcelo Borges fez a partir de imagens gravadas pelo pioneiro cineasta do Paraná, Aníbal Requião, captadas em Curitiba, no final do século XIX. Coisa de gente metida a besta! (rs)
Ripei hoje o CD e fui ouvindo no ônibus. Em alguns momentos foi difícil segurar o marejar dos olhos, porque aquelas melodias são tão familiares, carregam tantos sentimentos e sensações de coisas que a gente viveu que sei lá, não tem como descrever. Quando desci descer do ônibus e começou a tocar “Tarde”, uma das minhas preferidas, não teve como segurar, parado esperando o sinal abrir, vieram as lágrimas, mal disfarçadas, sentimentos em erupção.
“não pergunte quanto tempo faz
não há tempo que dê tempo ao querer depois
não há modo, que dê forma ao não feito
não há sentido em fazer valer o não dito”
Desde a primeira vez que eu vi o Loaded, fiquei impressionado com a postura e a performance do Edson. No palco, aquele cara tímido e retraído se transformava em um dínamo de emoção e sentimentos à flor da pele, te hipnotizando. A seu lado, Gus desenhava melodias e fraseados sutis, mas perfeitos dentro do que as canções pediam. A mudança para o português com o Sofia só potencializou ainda mais o impacto emocional das apresentações dos caras.
O disco também tem uma capa que eu particularmente gosto muito, acho das melhores capas que a gente lançou, com ilustrações de Rubens Curi, com um estilo ultraminimalista que cai como uma luva para o som da banda. Há muito tempo não vejo o Edson. Acho que a ultima vez foi no Rock de Inverno 5, em 2004, ou seja, longos seis anos. Gus nos deixou no ano passado. Mas ouvi-los traz uma sensação de conforto e familiaridade que parece que a gente continuou tão próximo quanto antes. Saudade desses caras. E mais ainda, saudade de um tempo em que a gente parecia menos “conectado” com o mundo, e mais perto de nós mesmos e dos que sonhavam (e viviam) o mesmo sonho que a gente.
“ao lembrar de mim
não deixe de olhar o sossego dos cães e gatos
não deixe de sorrir como criança
caminhe sob a chuva
olhe para as nuvens
beba sua bebida preferida...”
valeu Edson, gus, normando, jr pelas grandes canções e momentos juntos (mesmo distantes). e vocês tem razão. "não há sentido em fazer valer o não dito". e não há sentido em deixar pra depois, o que deveria ser dito enquanto a gente pode. enquanto as pessoas que a gente gosta e admira estão aqui. porque não há segunda chance, não há volta, "não há tempo que dê tempo ao querer depois".
pra quem quiser baixar o disco dos caras
ele tá todo aqui na trama virtual
Jane's Addiction - Enmore Theatre, Sydney 23rd February 2010
Watch Jane's Addiction and other great gigs on Moshcam.
Watch Jane's Addiction and other great gigs on Moshcam.
vão tomar no cu bandecas de hypedemerda do caralho. vejam, ouçam e aprendam.Brasil bandido
Do blog do André Forastieri
Na TV, o chefe dos tiras paulistas comemora a queda no número de assassinatos e assaltos, de absurdamente muitos para inacreditavelmente muitos. Peça de propaganda política. Vejo o candidato e ex-governador prometendo que agora vai resolver o problema da segurança, pagar salários mais altos para policiais etc. Cai quem quer.
Tem bandido pra todo canto, da esquina ao Flamengo, e a sordidez dos detalhes hipnotiza e ofende. Precisaríamos de um Ballard brasileiro para dar conta de nossa guerra civil.
Me assustam mais os fardados. Estamos todos calejados, mas tem dia que o noticiário passa dos limites. É PM paulista decapitando deficiente mental, é PM carioca envenenando moleques com cocaína.
A polícia militar não deveria existir. É coisa de ditadura. Não será abolida. É politicamente impossível. Como descriminalizar as drogas e tratar os viciados, o caminho certo para diminuir a violência, como fartamente demonstrado pela experiência internacional.
O Brasil dá passinhos tímidos para sair do Terceiro Mundo, comemorados ao exagero. Os níveis de violência cotidiana, e institucional, nos colocam no Quarto Mundo, junto com países em guerra civil. Esta é a realidade dos números. Este é o desafio a ser enfrentado pelo poder público e pelos candidatos em todos os níveis. Não vejo inteligência ou coragem em nenhum. A luz no fim do túnel é o clarão de um disparo.
Na TV, o chefe dos tiras paulistas comemora a queda no número de assassinatos e assaltos, de absurdamente muitos para inacreditavelmente muitos. Peça de propaganda política. Vejo o candidato e ex-governador prometendo que agora vai resolver o problema da segurança, pagar salários mais altos para policiais etc. Cai quem quer.
Tem bandido pra todo canto, da esquina ao Flamengo, e a sordidez dos detalhes hipnotiza e ofende. Precisaríamos de um Ballard brasileiro para dar conta de nossa guerra civil.
Me assustam mais os fardados. Estamos todos calejados, mas tem dia que o noticiário passa dos limites. É PM paulista decapitando deficiente mental, é PM carioca envenenando moleques com cocaína.
A polícia militar não deveria existir. É coisa de ditadura. Não será abolida. É politicamente impossível. Como descriminalizar as drogas e tratar os viciados, o caminho certo para diminuir a violência, como fartamente demonstrado pela experiência internacional.
O Brasil dá passinhos tímidos para sair do Terceiro Mundo, comemorados ao exagero. Os níveis de violência cotidiana, e institucional, nos colocam no Quarto Mundo, junto com países em guerra civil. Esta é a realidade dos números. Este é o desafio a ser enfrentado pelo poder público e pelos candidatos em todos os níveis. Não vejo inteligência ou coragem em nenhum. A luz no fim do túnel é o clarão de um disparo.
7/27/2010
Cicas no Proteste já do CQC
O quadro "Proteste já" do programa CQC da Band levou ao ar ontem matéria denunciando a intenção da prefeitura de São Paulo de tentar desalojar o projeto da ONG Cicas, que ocupou espaço antes abandonado, transformando-o em um verdadeiro centro cultural à disposição da população local. A ONG é formada por diversos coletivos, entre eles o Sinfonia dos Cães, que tem dado força a bandas underground, como nossos amigos do La Carne.
7/21/2010
Boas canções merecem uma segunda chance
Quando ouvi as primeiras vezes o The National, com os dois primeiros discos (Sad Songs For Dirty Lovers/Boxer) achei legal e tal, mas alguma coisa não bateu. Sentia que a banda era legal, o instrumental bacana, os vocais no estilo que eu curto e tal, mas as canções não me empolgavam. De tanto ouvir falar bem do novo disco da banda resolvi insistir e dessa vez a coisa mudou de figura. Em pouco tempo, o disco passou a ser um dos prediletos do meu player nas viagens diárias de ônibus. Acho que a diferença tá mesmo nas canções, que pra mim, atingiram finalmente um ponto que separa músicas legalzinhas de canções de verdade, que te pegam pelo estômago e te trazem sentimentos essenciais. A começar pela segunda faixa, "Sorrow", que começa lenta e depois engata uma terceira num crescendo emocionante.
Outro destaque pra mim é "Bloodbuzz Ohio", que me remete a um Tindersticks mais pop/roqueiro, com aquela elegância típica do rock inglês (nesse caso feito por uma banda norte-americana).
Dos discos recentes, esse talvez tenha sido o que mais me empolgou e se tornou uma alternativa "reconfortante". É legal perceber como as vezes é preciso vencer o imediatismo, a primeira impressão, e insistir em algo que num primeiro momento não te toca. Pois muitas vezes aquilo que inicialmente você não gosta, é justamente mais precioso e depois, com o tempo, vai se tornar algo fundamental pra você. Lembro do disco "Document", do REM, que eu levei um ano pra entender e começar a gostar, e que depois virou um dos meus preferidos. Mas isso era na época do vinil, em que a música não era descartável como hoje. E a gente meio que se obrigava a reouvir os discos até conseguir captar algo deles, mesmo que isso levasse tempo, afinal era um investimento.
Bom saber que ainda existem por aí bandas capazes de fazerem canções assim. Que não estão preocupadas em seguir a manada, mas sim em fazer o seu trabalho, do jeito que acha que tem que ser.
Acima, dois videos com eles interpretando as canções que eu citei.
7/20/2010
Mutarelli em Curitiba

No dia 23/07, sexta-feira, às 19 horas, Lourenço Mutarelli voltará à Itiban Comic Shop, para bate-papo com os fãs e sessão de autógrafos, no evento intitulado “Lourenço Mutarelli em 4 atos”, em que falará de seu trabalho em literatura, história em quadrinhos, teatro e cinema, e de que modo consegue transitar por áreas criativas diferentes, sem deixar de lado suas características como artista.
Lourenço Mutarelli é escritor, ator e quadrinista. Recentemente esteve em Curitiba como parte do elenco da peça escrita e dirigida por Mario Bortolotto, Música para ninar dinossauro. Escreveu os livros Cheiro do ralo, que foi adaptado para cinema por Heitor Dhália, com o próprio Mutarelli no elenco; Jesus Kid e Teatro das sombras, todos lançadas pela Editora Devir. Pela companhia das Letras, publicou A arte de produzir efeito sem causa, Miguel e outros demônios e O Natimorto – que foi adaptado para o cinema com Mutarelli no papel de protagonista.
Entre seus diversos trabalhos em quadrinhos, destacam-se: Transubstanciação, O dobro de cinco, O rei do ponto, A soma de tudo – partes 1 e 2 e A caixa de areia – ou eram dois no meu quintal, todos lançados pela Editora Devir.
O evento é gratuito.
A itiban Comic Shop fica na Av. Silva Jardim, 845, em Curitiba.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3232-5367, com a Mitie.
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