11/13/2009

Tempo

OAEOZ em 1999, na frente do antigo estúdio Áudio Beltrão, na época da gravação da segunda demo, "De Inverno": tínhamos todo o tempo do mundo.

Tempo tanto tempo qualquer tempo
possibilidades
tempo pra tudo
tudo e o nada
talvez
a mesma coisa
tudo e o nada

tudo talvez no espaço
o que existe depois do espaço
seria a galáxia do nada
seria a galáxia do nada

venha comigo e pegue
pegue sua espada
vamos para uma caminhada
vamos atrás do nada


Dia desses tava conversando com o Ramiro pelo msn (sim, parece que agora a gente só consegue conversar através dessas malditas máquinas) e a gente tava comentando como todo mundo parece não ter mais tempo pra nada, muito menos pra encontrar os amigos e jogar conversa fora, ou simplesmente fazer um som sem maiores preocupações, só por diversão. E ele citou rapidamente essa música do Igor que foi lançada na primeira demo do OAEOZ, no longínquo ano de 1998. E depois disso fiquei pensando em como essa letra, apesar de até certo ponto pueril, é tão eloquente em sua simplicidade e ainda mais atual quanto quando ela foi lançada.
É curioso porque eu lembro que os futurólogos de antigamente (ops) diziam que com a revolução tecnológica os homens teriam máquinas pra assumir as coisas chatas da vida, e a gente ia ter muito mais tempo pra lazer e outras coisas prazerosas. E o que aconteceu foi justamente o contrário. Nunca estivemos tão cercados por máquinas, e nunca tivemos tão pouco tempo pra viver de verdade, no mundo real. Estamos tão ocupados com o mundo virtual e seus blogs, orkuts, facebooks, emails e o caralho a quatro, que não temos tempo mais pra um simples abraço, uma cerveja com os amigos ou simplesmente sentar na calçada e ver o tempo passar.
Não se trata de nenhuma reclamação, mas de uma constatação. Como já comentei aqui, estamos cada vez mais “conectados” com a realidade virtual, e cada vez mais alienados da realidade “real” (rs). O que outrora era facilidade, virou escravidão. O mais triste é pensar que quando acordarmos desse “sonho cibernético”, a vida real terá passado, e aí será tarde demais pra recuperar o tempo perdido desperdiçado na frente dessa telinha. “vamos atrás do nada...”

pra ouvir e baixar "tempo" aqui

11/12/2009

Melhores amigos

O ator Mickey Rourke, que retomou a carreira artística recentemente após um período como lutador profissional e em produções B, disse que os cachorros salvaram a sua vida. “Meus cachorros realmente me ajudaram a sair dos tempos difíceis. Perdi tudo ao mesmo tempo: minha mulher, minha carreira, minha casa, minha credibilidade”, afirmou ao jornal “Daily Mail”. “Muitas pessoas que você conhece viram as costas quando você está por baixo, mas os cachorros não.”

ontem, na FSP.

11/10/2009

Tinha que ser hoje

Fiquei muito triste hoje. Acordei bem, achei que já tinha superado mais uma mudança no trampo, mas quando vi não consegui manter o bom humor: eu preciso descobrir um jeito de não me deixar afetar por essas rasteiras, que não são em mim, mas na cultura e na arte. Mais uma vez, o caderno diminuiu por contenção de gastos... tá eu sei, entendo isso e também que preciso me concentrar no que é importante e fazer o que é possível, mas, o jornalismo cultural por aqui tá cada vez mais difícil de se (tentar) fazer. Converso com pessoas tão legais, tão interessantes que parecem valorizar meu trabalho – como foi o caso recente do pintor curitibano Domício Pedroso, um senhor de 79 anos, que gostou de conversar comigo por conta do mínimo que sei de história da arte paranaense - e fico pensando que é meu nome que tá ali, fico lembrando de como as pessoas gostam de malhar os jornalistas de cultura de hoje, porque já não são táo bons quanto os de antes, não vão a shows, porque têm uma vida particular que não se resume a fazer o que alguns artistas esperam, porque não escrevem sobre tudo, porque não tem senso crítico - e me dá uma indignação tão grande tão incontrolável... me sinto tão impotente e com uma vontade tão grande sumir (afinal acham que eu não faço jornalismo mais aprofundado porque não quero?) e largar tudo, já que é assim... só que eu não consigo. E como eu queria conseguir, em certos dias.
Tá, ok, isso é só mum desabafo, daqui a pouco passa.

Aí, vou limpar emails e acho um que chegou durante minhas férias, do Fabrício da banda Radiare, a comentada derradeira da coluna Piracema, se não me engano. E daí, o gosto salgado de um chorinho teimoso que insiste em borrar minha cara, se mistura a um riso de satisfação, de alegria, que me faz lembrar porque eu não consigo desistir:

“ Resgatando minhas lembranças depois de responder sua mensagem eu passei na net e encontrei seu blog, editado por você e o Ivan (do OAEOZ, certo? Grande banda, tenho um Cd do qual gosto muito). Li seus textos sobre o disco, sua descobertas e experiências, críticas, comentários....
Me lembro que quando eu era adolescente não cansava de ouvir certos discos e k7s. Ouvia até o disco gastar, várias vezes, mas um de cada vez. E, aos poucos, ia compartilhando sentimentos e me identificando com o artista. Pensava que hoje em dia, com myspaces, ipods, discos baixados a rodo, isso não acontecia mais.

Confesso que fiquei bem tocado pelo que você escreveu. Algumas das músicas desse disco são antigas, outras novas, mas o fato é que durante todos esses anos levando a vida e as minhas bandas esses pensamentos que motivavam as letras e as melodias eu sempre dividi só comigo mesmo, com os caras da banda ou pessoas muito próximas. Muitas vezes a motivação de um artista é solitária e incompreensível. Você escreveu algumas coisas ali que me deixaram satisfeito por ser tão teimoso, sempre.

Num mundo tão rápido, instantâneo, superficial e cheio de intenções mascaradas, é muito raro mesmo alguém que "perca tempo" prestando atenção numa obra, seja ela uma música, uma poesia ou uma pintura. Até rolar uma identificação pode ser exigido um tempinho a mais de atenção. A quantidade de obras (um pouco daquilo que o John Ulhoa disse no texto que você postou) que chega até nós é tão grande que hoje fracionamos o nosso tempo de modo a muitas vezes não dedicarmos a um artista o tempo que é necessário à sua compreensão. Em 20 segundos de myspace condenamos, enterramos ou consagramos um artista. Me parece injusto, em qualquer sentido.

Obrigado pela chance, por nos dedicar seu tempo, por prestar atenção, por ouvir, por gostar de música e entender e sentir a arte como ela eventualmente pede.”

É evidente que ele se refere também ao que o Ivan escreveu sobre o impacto desse maravilhoso disco nas nossas vidas...
Nnca dependi do jornalismo pra encontrar pessoas como o Fabrício – e suas bandas, Astromato e Radiare. Estas, eu é que trouxe para o jornalismo que, no geral, as esnoba, as desconhece. Agora, preciso fazer o trabalho do dia e pra conseguir vou outra vez por Radiare no ouvido e no coração, porque eu sei que pode até me dar uma vontadinha de chorar e sumir, mas sei também que é daí que vem a vontade de acordar mais um dia.

Valeu, Fabrício, tinha que ser hoje, o dia pra eu ler teu email. (Adri Perin)

11/07/2009

sobre música e "losers"

"Hoje, sei que o que o Txotxa me apresentou naquele instante foi a percepção de que a música deve ser, antes de um meio, o fim. Tocamos porque queremos fazer música boa. Esse é o objetivo."

do blog do beto só, em um ótimo texto sobre o fazer música no seculo 21

11/06/2009

Mais uma Granada do La Carne

Jornal do Estado/ Bem Paraná

La Carne apresenta o repertório de Granada, seu disco mais poderoso, até agora (foto: Divulgação/Edson Kumasawa)


Banda de Osasco mostra as novas músicas hoje no 92 Graus

Adriane Perin

A banda La Carne, de Osasco, está em Curitiba hoje para mostrar o repertório de um dos melhores discos do ano. Granada, quarto trabalho da banda, que se apresenta no Espaço Cultural 92 Graus, ao lado de Folhetim Urbano, Gruvox e Popstars Acid Killers, de São Paulo, tem um nome bem apropriado à história e à postura de Linari, Jorge, Carlos e Chicão. Granada é o sucessor de outro petardo, Desconhece o Rumo mas se Vai, e conseguiu ser ainda mais devastador - ou alentador, dependendo do olhar.

Uma história musical que iniciou em meados dos anos 90, e no começo, lembra Linari, eram os sonhos comuns a todo iniciante de fazer a vida na música, ter seu trabalho reconhecido - também por uma gravadora com força para dar suporte. Mas, o tempo passa, a realidade provoca e depende de cada um, a reação. A do La Carne foi seguir fazendo uma música como ninguém mais faz, de um vigor que namora o violento, calcado numa realidade ou situações mais fáceis ignorar. Nas músicas, Linari - um professor de História que leva pra cima do palco toda sua (ou seria nossa?) fúria, ainda que seja um cara gente boníssima - canta “cenas” que nos contam sobre um mundo que vive nas bordas. As ansiedades, as sacanagens que a vida apronta, o que lhe incomoda, ele transmuta em letras certeiras que explodem e implodem, se jogando na cara com força capaz de derrubar.

Se o compositor e cantor considera os trabalhos anteriores “manifestos”, com este Granada bate à porta uma certa maturidade. “A constante referência às letras me orgulha, claro, mas sempre tive um desejo íntimo que enxergassem no som a mesma ousadia que vejo; e isso, agora ficou muito evidente. Em comparação aos outros, desta vez repararam mais nisso também”, observa, com razão, afinal é o trio de instrumentistas feras que dá as bases tão perfeitas, com um equilíbrio tenso, para as histórias que Linari canta. Ajudou para isso, acredita o compositor, a produção de Bill Reinikova, amigo do tempo de escola e integrado ao circuito Grammy. “Grande parte do mérito deste disco é dele”, avalia, tentando se “eximir da culpa”.
Antes de mais nada, no entanto, teve a confiança de Wellington Dias, do Zine Gramophone, um seguidor da banda que motivou os rapazes. “Os anteriores foram feitos num “esquema guerrilha”, diz. Bom Dia Barbárie e Desconhece o Rumo Mas se Vai, em sua visão, são discos mais de um gueto político que artístico. “Na época não era tão evidente que as gravadoras estavam falidas, hoje é bem chique e todo mundo fala isso. Depois que gravamos o primeiro e não tivemos o retorno que imaginávamos nos perguntamos e agora?”, lembra. “Pra gente sempre foi muito mais prazeroso tocar junto do que fazer planos profissionais. E não somos virtuoses, viemos do punk rock, somos de pegar estrada junto”. Se a gravadora esperada inicialmente não veio, vieram fãs que espalharam a boa nova sobre, não uma nova “bandinha indie”, mas uma banda de verdade. Que faz música pra gente grande! Que não surfa na moda, não tem uma moçoila simpática na linha de frente, nem rapazes com seus cabelinhos bem penteados, mas tem o que ainda interessa para muita gente: música de verdade, que acerta em cheio.

Granada – lançado pelo selo Senhor F – está com boa repercussão “nesse nosso pequeno mercado alternativo. Recebemos muitas palavras carinhosas”.
Já a “outra mídia”, é indiferente. “Se voce me perguntar porque, não vou te responder porque não convém a mim julgar. É evidente que no meu íntimo penso mil e uma coisas. Imagino que não vejam relevância no que fazemos”, investiga, com a tranquilidade absoluta que vem da segurança de quem sabe que é isso que quer.

Certa vez um amigo puxou papo sobre o La Carne com um desses grandes jornalistas nacionais, que já havia falado bem da banda, conta Linari. Ele disse que o tempo do La Carne passou. “Falando bem desapaixonadamente, isso tem sentido. A gente sempre foi ruim de mídia”, diz. Postura assumida no texto pessoal do encarte do disco anterior, que com suas palavras deixava às claras as intenções. La Carne não nasceu para fazer tipo. Muito menos pra frequentar. Hoje, Linari pondera. “Não sei se foi correto, mas na época havia muita pressão em cima da gente e escrevi como um manifesto de intenções. Porque é muito fácil alguém bater na testa da gente carimbos incomodos, como uma banda injustiçada e detesto isso”, diz, comentando entrevista que viu recentemente de Tom Zé, que o fez chorar. “Confesso, me identifiquei quando ele disse que ninguém tem culpa de seu ostracismo, porque ele sempre teve um pouco de vergonha de ser artista. Porque de onde ele veio, bater no peito e dizer que é artista é complicado. Talvez isso revele essa inabilidade de se vender”, pondera.

La Carne toca com velhos amigos daqui. Folhetim Urbano está em vias de terminar seu disco de estreia e Gruvox se prepara para os primeiros shows em Sampa. Flavio Jacobsen embarca naquela direção logo após o show. Ele também vai aproveitar para terminar dois clipes da Gruvox, assinados por Renato Larini, um músico curitibano que voltou a pouco de Londres e agora vivendo em São Paulo. “Onde a fome espanto” e “demasiadamente humano” foram filmados em Londres. A noite vale ainda para conhecer o som da Popstars Acid Killers.

Serviço
La Carne, Popstars Acid Killers, Folhetim Urbano e Gruvox. Dia 6. Espaço Cultural 92 Graus
(Rua Des. Benvindo Valente, 280 – S. Francisco) R$10 e R$5 (mulheres até as 23h)

11/05/2009

Granada em Curitiba



E finalmente nossos comparsas de Osasco do La Carne desembarcam em Curitiba para apresentar o show de um dos melhores discos de 2009, Granada. A festa, que acontece nesta sexta-feira, no 92 graus, terá também Popstars Acid Killers (SP), Gruvox e Folhetim Urbano. Eu e a Adri vamos colocar uns discos lá.

Nos vemos lá!

Programa:

Show com as bandas

Gruvox - 23h
Popstars Acid Killers – 23h40
Folhetim Urbano – 0h20
La Carne – 1h

Sexta-feira – 06/11/09 – 21hs
Espaço Cultural 92 Graus
R. Des. Benvindo Valente, 280. Alto São Francisco.
Ingressos: R$10,00. ELAS R$5,00 ATÉ 23:00hs.
21:00hs A CASA ABRE COM PROMOÇÃO DE CERVEJA ALL NIGHT LONG!
CHEGUE CEDO, ESTACIONE NA FAIXA!!

11/03/2009

Celebration ou "um dia de cada vez"

Fotos: Felipe Gollnick



E a festa no Jokers foi muito legal. Digo festa porque mais do que um show, foi uma celebração. Por vários motivos. Primeiro por ser o nosso último show programado no ano. E segundo, uma comemoração – um pouco atrasada é verdade – dos recém aniversariantes Adri e Gian, além do lançamento do novo EP.
Mas também e principalmente porque também foi o último show com essa formação. Como diz a canção, "não me pergunte, eu não sei" exatamente o que vai acontecer daqui pra frente. Da minha parte estou em uma fase da vida que não faço planos para o futuro mais do que para a próxima semana ou o próximo mês. E de certa forma me sinto bem assim. É bom viver a vida de acordo com o que ela se apresenta, sem alimentar grandes expectativas. Porque grandes expectativas quase sempre levam a grandes frustrações. Já dizia o filósofo Jésus: “a cada dia a sua própria angústia”. Me convenço cada vez mais que o negócio é viver um dia de cada vez mesmo. Porque quanto mais a gente faz planos, mas o destino teima em nos contrariar.
Enfim, mas voltando ao show, com certeza foi o nossa apresentação mais “power”. Acho que até por todos esses fatores que eu falei acima, todo mundo tocou “com a faca entre os dentes”. Quase todas as músicas ficaram mais rápidas, pesadas e com uma pegada forte. E funcionaram, o que é mais importante.
Todo mundo estava no gás e na sintonia de tocar e se divertir. Nossa “cozinha” mandou muito bem, com Alan impressionando os bateristas amigos presentes pela desenvoltura. E o Igor também não deixou por menos, mantendo o groove em alta e o beat certeiro. Carlão com sua guitarra minimalista desenhando licks e linhas na medida. E o Gian, despirocando e pulando que nem uma criança que ganhou um doce. Eu tentei como sempre não atrapalhar muito, mas me diverti bastante. O som colaborou e quando isso acontece, tudo fica mais fácil. Quem dera fosse sempre assim.
Na verdade, pensando bem, não temos do que reclamar. Todos os seis shows que fizemos esse ano foram legais. E pra mim o de sexta entra certamente na disputa com o do Wonka (17/07) e do Expressões Oi (19/07) na briga pela primeiro lugar no top five das apresentações da Hotel Avenida em 2009. Com o do Rock de Inverno 7 (24/07) e o primeiro do James (26/02) vindo logo em seguida.
Pra quem como eu sempre teve uma relação de “amor e ódio” com shows, por tudo o que envolve esses eventos, um índice de aprovação de cinco em seis shows é um recorde. E o mais legal é que tirando o do Rock de Inverno, todos os outros shows aconteceram naturalmente, por convite, sem que a gente tivesse que ir atrás. E tiveram todos ótima recepção de quem foi ver. O que confirma a qualidade do trabalho da banda.
Agora é curtir um recesso, enquanto preparamos o lançamento do DVD do Rock de Inverno 7, esse sim o último “acontecimento” de 2009 pra Hotel Avenida, em um ano atribulado, difícil, mas muito produtivo.
Aos comparsas - Carlão, Igor, Alan, Eduardo, Rubens - o meu muito obrigado. E em especial ao Gian, por ter me dado a oportunidade de renovar a minha paixão e vontade de fazer música, de uma forma que eu mesmo nem esperava mais. 2010 ta aí. Vamos ver no que dá.

10/29/2009

Passando a régua em 2009

Então é isso.
Nessa sexta-feira, 30/10, a gente da Hotel Avenida vai estar lá, fazendo o show da Mundo Livre, abrindo para a Plêiade. Com direito a cover de Roberto Carlos e Engenheiros do Havaí.
aproveitem porque é o último de 2009 e sei lá quando. como qualquer banda independente que se preze, sempre pode ser o último...nunca se sabe quando a ficha vai cair.
Nos vemos lá!

10/26/2009

Hotel Avenida lança EP ao vivo





BAIXE AQUI (rapidshare)

OU AQUI (4shared)

A banda Hotel Avenida, de Curitiba, lança no próximo dia 26/10, o EP com seis faixas, sendo quatro composições da banda, e duas versões: “Nuvens de Lágrimas”, conhecida pelas gravações de Roberta Miranda e Fafá de Belém; e “Meu abismo, meu abrigo”, do disco “Noite” (1998), de Lobão. O EP foi gravado ao vivo em pouco mais de três horas no Nico’s Studio, em Curitiba, na noite do último dia 6 de outubro. O EP faz parte do projeto “Acústico Mundo Livre”, que vai ao ar no próximo domingo, 25/10, as 23 horas, na Rádio Mundo Livre FM (93.9) e via internet (http://portal.rpc.com.br/mundolivrefm ). A gravação foi conduzida por Vinicius Braganholo, com produção de Mariele Loyola.

A exemplo do primeiro single da banda, “Eu não sou um bom lugar”, lançado em junho, o novo EP também será disponibilizado em formato virtual simultaneamente em uma rede de blogs e sites na internet, além das páginas da banda no Myspace e na Trama Virtual. No dia 30/10, no Joker´s Pub, a Hotel Avenida apresenta o show de lançamento do disco, ao lado da também curitibana Plêiade.

A Hotel Avenida surgiu de um projeto de Ivan Santos (OAEOZ) e Giancarlo Rufatto iniciado com um EP lançado no final de 2008. A vontade de apresentar ao vivo as canções os levou a recrutar outros músicos. Na gravação do Acústico Mundo Livre, os dois são acompanhados por Carlos Zubek (guitarra), Igor Ribeiro (baixo), Eduardo Patrício (bateria), e Alan Yokohama (bateria).

Sites amiguinhos deste lançamentos


http://www.myspace.com/hotelavenida

www.tramavirtual.com.br/hotel_avenida

http://giancarlorufatto.blogspot.com

http://deinverno.blogspot.com

www.senhorf.com.br

http://screamyell.com.br

http://aires-buenos.blogspot.com

http://subtropicalia.wordpress.com/

http://www.rockinpress.com.br/


http://www.innewmusicwetrust.com.br/


http://younghotelfoxtrot.blogspot.com/


http://www.blogdovinhas.blogspot.com/

http://euelaocoeoaffairredivivo.blogspot.com

10/25/2009

Hotel Avenida no Acústico Mundo Livre

E daqui há pouco, as 23 horas, tem Hotel Avenida, no Acústico Mundo Livre. Sintonize 93.9 FM, ou acesse a página da Mundo Livre.

10/22/2009

Pão na rede

Uma das bandas mais legais da nova safra musical curitibana, o Pão de Hamburguer, acaba de disponibilizar no My Space seu primeiro álbum. Ainda não tive tempo de ouvir, mas pelo que já conhece com certeza deve ser muito bom. Então aproveita e vai lá conferir, porque se depender de qualidade musical essa piazada vai longe.

www.myspace.com/paodehamburgue

10/20/2009

Hotel Avenida no Acústico Mundo Livre



Quem quiser convite para o show do dia 30/10 é só entrar em contato: deinverno2@gmail.com

Para ouvir o programa é só sintonizar a Rádio Mundo Livre FM no próximo domingo, as 23 horas, no 93.9 do dial. Ou acessar pela página da rádio na internet.

10/16/2009

passando por aqui...

- fomos assistir Bastardos Inglórios. Não achei toda essa bolacha do pacote não. As críticas favoráveis e elogios dos amigos jogaram a expectativa lá no alto. achei arrastado. e os diálogos, que sempre foram talvez o grande trunfo do Tarantino, não tão inspirados. pra mim, tá longe de ficar entre os melhores do cara. melhor sorte na próxima.

- dia 25/10 - domingo que vem, as 23 horas, na rádio Mundo Livre FM, tem Hotel Avenida ao vivo, dentro do programa "Acústico Mundo Livre". No dia seguinte, segunda-feira, 26/10, vamos lançar um EP com as seis faixas gravadas no programa. Será o terceiro lançamento do ano da banda. Nada mal pra quem até agora foi levando a coisa na flauta, aos trancos e barrancos.

- E 06/11, tem La Carne de volta a Curitiba, finalmente lançando aqui o (já nem tão) novo disco, Granada, no 92 graus, ao lado das locais Gruvox e Folhetim Urbano, além de outra banda de SP que até agora não sei qual é. Imperdível MESMO!

- Se tudo der certo hoje chega nosso som novo. nem acredito que depois de mais de uma década ouvindo música em uma gambiarra só com um canal funcionando eu vou finalmente poder ouvir um som decente. a conferir.

- semana que vem tem aniversário da Adri. Churrasco à vista, roda de capoeira em casa, e amigos. Não muitos, que eles estão cada vez mais raros e ariscos. veremos.

- por enquanto é só. bom final de semana para todos.

10/13/2009

"Cadê as notas que estavam aqui"

"Os artistas perdem (com a pirataria), mesmo que haja certa euforia independente com todas as possibilidades de divulgação, o fato é que a capacidade que a indústria fonográfica tinha, com todos seus defeitos, de lançar e sustentar novos artistas ainda não foi substituído e está longe de ser".

"O resultado é que temos milhões de myspaces com artistas novos, mas quantos desses têm carreiras decentes na "vida real"? Muito menos que nos anos 90. É chato, mas o meio “indie-hit-de-internet” ainda não paga a conta do aluguel sem fazer a curva para o mainstream de tv e rádio, pelo menos aqui no Brasil. E, as gravadoras estão num ponto que não contratam quase ninguém. Mas prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo", conclui."


John Ulhoa, Pato Fu/Sexo Explícito

perfeito
dica do Scream Yell
aqui tem mais opiniões muito interessantes, incluindo o Pena Schimidt e o bombástico "O rock brasileiro precisa morrer", de Vladimir Cunha

10/09/2009

Um lugar onde eu possa me atrasar

da Piracema dessa semana

Adriane Perin

Colocar a primeira música de um disco – seja de uma banda conhecida ou de uma completa estranha - e já se sentir uma fisgada no estômago é algo cada vez mais precioso. Sentir o prazer de ouvir outra vez e outra, e ir rapidamente identificando minha música preferida pra logo em seguida perceber que essa lista não é fácil, porque tem outra, e mais outra, é daqueles momentos reveladores. Me faz pensar no que já caminhei, dá uma vontade tão grande de continuar; traz uma segurança que se opõe diretamente a esse trator que a vida no meu tempo se transformou, cheia de pressões que imobilizam e causam cansaço existencial. Quando isso acontece é porque tenho em mãos um disco que me faz chorar e rir porque fala de mim mesma falando de outro. Toca nos meus machucados, lambendo a ferida aberta de outro alguém. Traz as minhas minhas lembranças - e isso é tão absurdo porque eu sei que não são as minhas lembranças que estão sendo cantadas ali. Mas são - fazer o que? Mesmo que quem escreveu não tenha a menor ideia de quem eu sou. É essa a magia. Só que não é tão fácil encontrar isso no meio de tantas inversões de valores. Porém sou otimista, e só tenho que ser, afinal sou eu que faço a trilha sonora da minha vida – não deixo que uma rádio ou televisão quaisquer façam isso. Há muitos anos, quando eu engatinhava no jornalismo conheci uma banda de Campinas. Quisemos – eu e Ivan - trazê-la pra o Rock de Inverno 3, o primeiro que tivemos verba pra tal, mas cheguei tarde. Quando a conheci eram os anos 90 e o tal do “guitar” imperava soberano, com as bandas independentes brasileiras cantando maciçamente em inglês. Então ouvi Astromato. E, resumindo, ainda hoje mais de 10 anos depois, aquelas canções continuam muito boas. Daí, eis que semana passada, acho, um disco começou a rodar lá em casa. Quem é? “Radiare”. Radiare? Me lembra Violins e Astromato. “É a nova banda do cara do Astromato”. Caraca ! Peraí... é Violins que lembra Astromato. Vamos organizar as coisas. E, por conseguinte, é Violins que lembra Radiare e não o inverso, apesar dessa banda ter nascido este ano e Violins – uma das predilétissimas da casa e que, não por acaso, deu seu pulo do gato quando passou para o português – já ter acabado e voltado várias vezes. Porque Radiare é uma “evolução” de Astromato. (Entre aspas, porque não é exatamente isso, mas sim um outro momento de alguém que escreve muito bem e faz musica muito bem). A conexão tá toda ali: nas guitarras, no baixo, no cantar, na bateria, tudo na primeira audição remete ao Astromato. Não é a mesma banda, mas afetivamente, sinto como se o Astromato recomeçasse de onde parou - e melhor. Falando das coisas que fazem parte dos dias de seu compositor hoje. Enfim, a vida passou pra ele e pra mim e por isso ouvir esse disco agora me toca de uma maneira ainda mais especial que o Astromato tocava. Radiare chegou em algum canto, daqueles que provocam umas sensações estranhas e revitalizadoras. Esse disco me dá uma enorme votande de sair vagando pela cidade com fone no ouvido, de rir e chorar. Me dá vontade de largar tudo e parar um pouco o mundo só pra eu poder ficar aqui, sentada nessa calçada, ou num banco de praça olhando as pessoas passarem apressadas – como eu, na maioria das vezes. É um disco tão visceral em sua tranquilidade. Sereno em seus “acertos de contas com a vida” e na tranquila busca por um futuro. Um disco que dá vontade de beijar meu amor e abraçar um amigo especial. Ou seja, viver direito essa vida e não só senti-la passando pela janela do ônibus ou escapando entre os dedos. Vontade de jogar conversa fora e, mais: dá uma vontade enorme de deixar ele rolando indefinidamente, começando outra vez cada vez que chega ao fim. De manhã, de tarde ou de noite. Não quero parar de ouvir. Dessa vez, os campineiros vão tocar em Curitiba. Eles nem sabem, mas vão. E estarei lá, cantando junto. Vá correndo ouvir (myspace.com/radiare). E depois compre o CD, porque uma banda como esta faz a diferença. Acredite nisso.

Em tempo: Estou saindo de férias. Na volta, entrevista com Radiare é certa. Nesse tempo, Ivam Cabral assume este espaço.

10/08/2009

Rádio espírito, ou quem tem medo de envelhecer


Estamos quase em meados de outubro e 2009 já se encaminha para seu final, então hoje vou falar de um disco que descobri há uma duas, três semanas atrás, e que desde então não sai do meu player (real e mental).
To falando de Radiare, disco lançado este ano da banda homônima formada por Fabrício Frebs, ex-integrante da Astromato e outros músicos vindos de outras bandas de Campinas, SP. Astromato, pra quem não sabe, é uma das melhores bandas brasileiras dos anos 90, que lançou o excelente “Memórias de uma estrela falsa” (Midssummer Madness/1999) – verdadeiro clássico do indie brazuca (que pode ser baixado aqui). Pois bem, o Radiare mantém as qualidades do Astromato, com melodias perfeitas e ótimas letras, além do instrumental caprichado e das lindas harmonias vocais, mas com uma pegada atual.
Ao descobrir esse disco me lembrei de quando conheci o primeiro EP do Gianoukas Papoulas. Porque assim como o GP, o do Radiare foi um daqueles discos que na primeira audição achei legal, mas não dei muita bola. Mas aí você ouve de novo e pensa, poxa essa música é foda. E daí ouve mais uma vez descobre outra música, e daqui há pouco não consegue mais parar de ouvir.

Como já comentei por aqui, nesses tempos de overdose de informação e de milhões de bandas/discos, tem sido cada vez mais raro pra mim esse tipo de sensação de descobrir um disco que você se encanta tanto e se identifica de tal forma que aquilo passa a fazer parte da trilha sonora da tua vida. E talvez até por ser raro, hoje valorizo muito isso, talvez até mais que antes.

Porque as vezes a gente tem aquela sensação de "fim da história". De que toda música já foi feita. e que o que resta hoje é só pose, egocentrismo, gente de alma pequena que ao invés de viver sua vida vive de alimentar polemiquinhas vazias, picuinhas ridículas, disparando frases feitas e sociologia de botequim como se fossem os donos da verdade. cachorros cheirando o próprio rabo como animais midiáticos. Afinal, o importante agora não é ser, mas parecer, não é mesmo?

Mas aí chega alguém com uma coleção de canções que te balança e te atordoa. Com o Radiare, minha vontade de ouvir música voltou nas últimas semanas. TENHO que ouvir pelo menos uma vez ao dia pra conferir se aquela sensação é de verdade e ainda tá lá. Como se precisasse daquilo pra me reconfortar diante de tantos dias sem sentido.

Fazendo um leitura absolutamente pessoal e intransferível, diria que o disco tem como tema o amadurecimento, envelhecer, se redescobrir e se reinventar. Me parece que várias músicas falam ou insinuam uma situação de fim de um relacionamento longo daqueles que te marca pra toda a vida. E de como fazer desse momento limite uma oportunidade pra recomeçar. Pra quem como eu já tá na casa dos 4.0, e começa a perceber a curva da decadência, não teria como não ter empatia.
O negócio começa foda já na faixa inicial, “O meio é o fim”, com os vocais e guitarras de introdução à lá Ride/Teenage Fun Club. Na letra, o narrador/sujeito da história já entrega de cara que:

“ser bem surreal
não é me enganar
pois sei onde não quero mais chegar”


Só a introdução da levada de baixo e batera da segunda faixa “Quem canta o seu refrão”, já valeria o disco. Mas Frebs não deixa por menos e enquanto a cozinha segura a onda canta:

“viver nem é tão mal
discrer é que é o tal
se maldizer
aliviar
então tá...”


pra em seguida explodir junto com as guitarras no refrão:

“olho no olho e sangue quente
saia do seu alcance e mergulhe um pouco mais
sem ar, capaz
bem vindos aqui
não finjam que não
tentando ser sensatos
se o destino é jogo de dados
qualé a regra então?”



ufa. Não à toa, na mix eles mantiveram na linha de voz o som de alguém tomando fôlego. Porque é de tirar o fôlego mesmo.

Na faixa seguinte, “Relógios”, o narrador brinca/reclama da garota que apesar de não ligar pras horas tá sempre na hora certa, enquanto ele, sempre preocupado, sempre fica pra trás.

“Você nunca quis relógios
faz o que quer quando quer
nunca adivinhar as horas
mas você sempre vai chegar lá
você sempre vai chegar lá
antes de mim”

(...)

“eu marco hora pra fazer minhas coisas
você faz tudo pra não ter que marcar hora”


A quarta música, “Pra quando der mais” é outra pérola que poderia perfeitamente estar tocando no rádio, se a maioria das rádios tivesse interesse em algo mais que não a mesmice de sempre, e seus programadores não tivessem perdido qualquer capacidade de descobrir coisas novas. Outra levada que vai em um crescendo e embala mais uma letra dessas pra ficar na cabeça da gente e não sair mais.

“Sabe
tem outra história
outros mistérios
que eu espero não ter que explicar
são outras vidas
longe do meu viver
maldisfarçadas dos meus passos

ah, que enganação
maldade não
que me segura aqui nessa ilusão
então espera um pouco mais
e a vida se vai

tantos anos que fazem não arriscar
mas sempre foi assim
guarda-me, dá pra me querer gastar lá atrás
pra quando não der mais

tenho vontades súbitas
qualquer coisa pra balançar essa rotina
densa neblina
sonho acordado
congelo o por do sol
no fundo é só um dizimar de tempo”

é aquela coisa. A gente passa tanto tempo apegado a coisas e sonhos que que muitas vezes já perderam o sentido, mas insiste nelas apenas por conveniência, medo, e perde a capacidade de entender que as vezes é preciso mudar sim, virar a página e deixar pra trás coisas que ao invés de te ajudarem, só estão te matando aos poucos.

Na música seguinte, o narrador, que claramente, após o fim de um longo relacionamento repentinamente se vê sozinho de novo e se depara com alguém (ele mesmo), que não reconhece mais.

“Fazia tempo que eu me apaixonava
Há muito tempo eu não ficava só
Fazia tempo que eu não via gente
Que eu não ia ao cinema, sozinho
E entrava em três sessões seguidas
Um vinho vagabundo eu bebia
Com amigos que há tempos eu não via

Eu nem lembrava que eu tinha um espelho
E hoje procuro um adulto são
Há muito tempo eu não ficava à toa
Descalço, sozinho em casa numa boa
Criando um prato estranho que só eu ia comer
Sem um futuro pra vencer
Só esperando minha unha crescer
Pra eu cortar

Não lembrei de mim
Só hoje eu conheci um cara bem mais velho
Careta e cabeça-dura
Mas que só quer gostar de viver
Muito prazer
Eu sou você
E após tanto tempo tentando agradar
Agora só eu sou o meu par”


Genial.

Mas pra mim a grande canção do disco é a seguinte, “Minha voz”. Ela tem uma melodia simples, limpa e fluida, que dá uma sensação de conforto e aconchego indescritível. Na letra ele fala sobre a dificuldade de expressar sentimentos e diz que talvez a canção seja a melhor forma de fazê-lo

“segure a minha mão
eu tenho alguns dons pra te mostrar
só não sou muito bom em fazer
esses momentos brilhar”

(...)

“prometo dizer muito mais
só espero pela próxima canção
essa é a voz desse coração

e mesmo se eu não disser
mesmo se eu não fizer
eu vou estar...aqui”

Simplismente maravilhoso.

E depois da também bela “Som do mar”, o disco termina com a épica “Rádio espírito”, que deu origem ao nome da banda. Aqui o tema do amadurecimento fica bem claro nos versos

“Quero ser mais nada
demasia é frustração
me despertando de sonhos
a idade toca toda manhã

horizonte claro
posso antever o fim
que massada é essa
o silêncio em que consentes
mente pra mim

já perdi a vontade de não saber porque brigar
e a esportiva de cair, sorrir e levantar
uma razão pra eu ficar só é mendigar um tempo a mais
e assim vou doendo”

ele sabe que está envelhecendo, que o tempo passa cada vez mais rápido; mas não sabe se terá forças pra começar de novo, continuar, ou pra mudar, ou pra voltar atrás.

“Tantos ofícios me encantavam
rigor em dispersão
se escolhas eram por capricho
agora não me tocam outra opção
e hoje eu sinto dor nas costas
me restou uma paixão”


enfim, um disco que pra mim tá entre os cinco mais nacionais de 2009. e que eu sinto, vai me acompanhar por um bom tempo. Porque fala coisas que eu mesmo gostaria de ter escrito, que me sinto absolutamente identificado. E que me dá vontade de novo de ouvir e de fazer música. Como aqueles discos que mais me apaixonaram na vida. Um daqueles discos de cabeceira, para embalar aqueles dias tortos em que tudo o que você precisa é uma boa canção.
Que bom Radiare, seja bem vinda. E vida longa a essas e outras canções que vocês possam nos brindar. Porque vale a pena sim, apesar de tudo. Porque ainda temos um coração, e enquanto ele bater, algo haverá de viver.

ouça: http://www.myspace.com/radiare
baixe: Radiare na Trama

P.S. : com exceção de "Não lembrei de mim", que achei a letra na internet, as outras tirei tudo de ouvido, portanto, podem e devem conter muitos erros de transcrição, todos minha culpa, whatever.

10/07/2009

De volta ao Nico´s

Ontem (terça, 06/10), gravamos a participação da Hotel Avenida para o programa Acústico Mundo Livre, da Mundo Livre FM, que vai ao ar no próximo dia 18, e tem show de lançamento com a gente e a Plêiade, no Jokers, no dia 30. Entre erros, desafinações e vacilos, mas também muita risadas, piadas e bobagens, salvaram-se todos e foi uma noite bem legal. Gravamos seis músicas, no esquema "ao vivo no estúdio", sem firulas. E apesar ou mesmo sem muito ensaio, acho que ficou legal, porque a Hotel Avenida é assim mesmo, e funciona assim. Pouco ensaio, muito feeling e vontade de fazer o que se gosta, sem se preocupar com expectativas outras que não fazer boa música.

Foi legal também voltar ao Nicos. Não pisava lá desde a gravação do "As vezes ceu", do OAEOZ, em 2004, ou seja, mais de cinco anos. Deu um frio na barriga lembrar e se tocar do tempo que passou e de tanta coisa que aconteceu desde então. Mas como "lembranças não valem nada", o que interessa agora é ver o resultado da gravação e se preparar para o show, que com certeza, será uma bela celebração.

Valeu ao Vinícius do Nicos, e principalmente a Mariele Loyola, grande parceira, amiga e produtora do "Acústico Mundo Livre", que nos deu essa oportunidade.

10/02/2009

Preciso de doadores de sangue pro meu paizão

Moçada, preciso de ajuda. Meu pai acaba de passar por uma cirurgia delicada de colocação de pontes de safena e precisamos de doares de todos os tipos de sangue.

A doação deve ser feita no Hemobanco (R. Capitão Souza Franco, 290 – Bigorrilho).

É muito importante que se diga que é doação para: Roinildo Alves Vieira, que está internado no Hospital Vita, Br 116.


Já tenho boas notícias, meu irmão tá la, e diz que "seu Roi" está bem, mas como é diabético exige cuidados.

Abraços apertados. E valeu.
Adri perin.

10/01/2009

Um poeta erudito e rock and roll

Jornal do Estado/ Bem Paraná

Mostra lembra os 20 anos da morte de Paulo Leminiski ocupa Itaú Cultural

Em exibição estarão preciosidades como o primeiro manuscrito de Catatau, em um caderno escolar (foto: Divulgação/ Carlos R. Zanello de Aguiar)

Adriane Perin

Não vai ser em Curitiba a exposição mais completa que já se fez sobre o poeta paranaense Paulo Leminski, morto há 20 anos. São Paulo é que vai desfrutar, a partir de hojem de um material pra lá de especial na terceira edição do projeto Ocupação do Itaú Cultural, que refaz o percurso do poeta por meio de poemas, preciosos manuscritos que revelam a gênese do anti-romance Catatau, depoimentos pessoais gravados em vídeo e shows musicais. Ocupação Leminski conta ainda uma programação de leitura de poemas, adaptações de sua obra para o teatro e o cinema, além de shows musicais com participações especiais de Moraes Moreira e Vitor Ramil (veja abaixo). Durante a ocupação, poetas e prosadores – como Elson Fróes, Nelson de Oliveira, Marcelino Freire e Ricardo Aleixo, Maria Esther Maciel, Frederico Barbosa, Paulo Scott, Izabela Leal, entre outros, escreverão os primeiros twitcais (haicais em forma de twitter) e o público será convidado a fazer o mesmo.

A ideia partiu do também poeta Ademir Assunção, que assina a curadoria, há pouco mais de um ano. Apresentou ao Itaú Cultural e recebeu o sinal verde para se debruçar sobre o acervo que a família guarda em Curitiba no intento de transformar em um acervo público. A primeira oferta foi feita ao Sesc, que vacilou e perdeu a deixa. “Ofereci aqui porque moro em são Paulo e conheço pouca gente dos órgãos oficiais de Curitiba que poderiam fazer uma exposição como esta. Nem pensei em oferecer para Curitiba, na verdade”, diz.

Assunção conviveu com Leminski quando foi estudar jornalismo em Londrina, no final dos anos 70 e a identificação, imediata, se estreitou depois em correspondências e numa convivência maior que evoluiu para uma amizade. “Ele é, sobretudo, poeta em tempo integral. Embora sua obra extrapole a poesia, tudo que fez - na prosa, tradução e ensaios - tinha como centro a poesia. Não conheci poeta mais intenso que ele”, observa. “E não tenho dúvida de que tem o lugar dele na literatura brasileira. Mesmo que ainda hoje pessoas digam que é um poeta menor – como o fez recentemente José C astello sob o argumento de que Leminski é uma figura pop, de marketing. .. Só posso pensar que isso parte de pessoas que não conhecem a obra de Leminski”, defende.

Leminiski foi – e é – pop, sim, sem que isso seja algo pejorativo. É de conhecimento público que ele tinha uma formação erudita, sem que isso se traduzisse em uma empáfia que só serve para distanciar. “Fala isso quem só conhece a superfície, porque a obra de Leminski é densa e múltipla.Ele é uma figura muito peculiar na cultura brasileira exatamente por ser ao mesmo tempo extremamente erudito e ter uma atitude rock and roll. Um poliglota, que conhecia latim e grego, e um boêmio que mantinha uma disciplina rigorosa, fruto das práticas do budismo e do judô. Estive em noitadas com ele de nos separarmos de manhã e às nove ele estar na máquina de escrever. Eu vi isso”, conta o curador-poeta. “É um tipo de artista intelectual ainda bem pouco assimilado pela inteligentsia brasileira. Mas, é essa diferença que faz com que os jovens continuem se identificando de imediato com ele”, completa.
Assunção teve contato com o material com o qual a filha de Leminski, a jornalista Aurea, está tentando criar um memorial, um lugar que possa acondicionar corretamente e também disponibilizar pra pesquisa na internet. “É muito rico e tá tudo bem guardado, mas precisa de condições apropriadas”, alerta. “ Encontrei manuscritos do Catatau. O começo de tudo, de próprio punho em um caderno escolar... quando peguei isso na mão foi... emocionante. Para um pesquisador é como ter encontrado os manuscritos de On The Road , do Jack Kerouak”, pondera sobre uma das raridades que será exibida no Itaú Cultural, numa vitrine fechada.

E alguma chance desse material vir pra Curitiba? “Se alguém dos órgãos culturais da cidade ou do Estado demonstrar interesse. A Áurea tá conversando com a Secretaria de Estado da Cultura. Sem dúvida é a maior exposição que já se fez sobre ele. E o que coroaria isso tudo, pra mim, seria o anúncio do relançamento por alguma grande editora das obras completas dele, porque os livros não estão em circulação e seria uma grande homenagem a ele traze-lo de volta pras livrarias”, diz sobre o escritor que Leminski morreu no dia 7 de julho de 1989, aos 44 anos. Seu livro Metaformose ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, o poema “Sintonia para Pressa e Presságio” foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século.

SERVIÇO
Ocupação Paulo Leminski. Até 8/11. De terça a sexta, das 10h às 21h; sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h. Entrada franca Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149). Informações: (11) 2168-1776/1777.