10/25/2006

Uma fantasia rock n´ roll

Jornal do Estado

Cultura
Livro

A jornalista Ana Maria Bahiana, autora de Almanaque anos 70, é a convidada a bater um papo hoje

Adriane Perin

Foto: Reprodução

Brinquedos, novela, carros, a banda Vímana, o programa Vila Sésamo: boas lembranças

Ela não é uma mulher agarrada ao passado. Nostalgias e aquelas conversas que começam com “naquele tempo era melhor.....” não fazem a sua cabeça. Mas, ironicamente, é do passado que tratam as mais recentes em recentes empreitadas da jornalista Ana Maria Bahiana: no cinema, 1972, filme na qual divide produção, argumento e roteiro com o companheiro de longa data, o também jornalista, José Emílio Rondeau; e o livro Almanaque Anos 70. Este último é o mote da vinda dela para projeto Sempre um Papo, no Teatro da Caixa. O título faz parte de uma série da Ediouro e foi feito incrivelmente rápido, de junho a janeiro, contou ela em entrevista por telefone. Alto astral, Ana Maria é boa de conversa e parece que o papo poderia se estender tarde adentro. Mas, temos tempo limitado, então concentramos o conversê em seus projetos, inevitavelmente, passando pelo jornalismo.O trabalho no Almanaque começou junho e trouxe um mergulho no passado. “Fiquei full time nos anos 70, o que foi muito estranho porque não é da minha natureza, não sou saudosista, não penso no passado e quando começa aquela papo de ‘naquele tempo era bom’, corto imediatamente”, diz. Em agosto “se mudou” para o Arquivo da Cidade, no Rio, “graças a generosidade da diretora e com a proteção das bibliotecárias. Eu entrava às 8 e saia quando o segurança me achava”. Primeiro mandou descer tudo que diz respeito a tal década e foi fazendo uma varredura no que foi publicado entre 70 e 79. “Procurava caras, celebridades, anúncios, tendências, gíria, a minúcia - e assim nasceu o copião do livro”, conta, sobre o livro de quatrocentas e poucas páginas, um levantamento divertido dos psicodélicos anos 70. As emoções foram fortes e pararam, também, em dias tristes, cheios de lembranças de amigos que não estão mais aqui. “Foi uma geração muito sofrida, tanta gente foi embora cedo demais”. O mais incrível, diz, foi o “outro” Brasil. “Cada um vivia a sua turma, não importava a questão geográfica. Quando eu vi umas propagandas da Operação Pulso, Mobral foi fascinante porque era outro mundo, do qual a gente, na época, não queira saber mesmo. Não tomávamos conhecimento do mundo dos caretas”.


A exigência pela mediocridade

Não dá para conversar com Ana Maria Bahiana sem falar de jornalismo. A chegada da edição nacional da revista Rolling Stone - de cuja primeira versão ela foi secretária de redação - a deixou animada porque ela é do tipo que gosta de revista com texto de verdade. Mas, pondera, esta de agora é diferente da de 34 anos atrás. “Não teria sobrevivido sem mudar. A pedra rola, são outros desafios, o leitor é mais fugidio. Fazer uma revista em papel hoje é muito mais dificil”, nota. Pode não parecer, mas o mercado atual é menor, proporcionalmente falando. “A revista vendia 25 mil exemplares, que equivalem a 250 mil hoje. Eu mesmo, compro 3 revistas ao ano, antigamente eram 3 ao dia. Até me esforço, páro em frente as bancas e fico procurando, mas não acho o que me interesse”. Com isso pena também o jornalismo. “É uma tendência mundial, só que em nenhum lugar se manifesta como aqui. Olha que rodei o mundo e vejo muita celebridade, mas também encontro boas revistas de verdade. Aqui não”. A situação chegou ao ponto de uma jornalista do gabarito dela se considerar desempregada. “Estávamos até brincando - eu, Giron, Maria Lucia Rangel e Sérgio Augusto, nesse final de semana - que somos espécie em extinção. Deveríamos criar a fundação ‘mico leão dourado do jornalismo’, ter nosso corpos empalhados”, zoa ela. O jornalismo brasileiro que já foi capaz de grandes publicações - Realidade, Bondinho, Senhor, O Sol - hoje não dá espaço para a criatividade na escrita, avalia. “ Me dói ver que existe uma exigência de mediocridade. A realidade leva até o mais talentoso jornalista a baixar o nível para sobreviver. E a grande contradição é que a única maneira de sobreviver ao longo prazo é buscar a excelência”. Enquanto isso, ela vai escrevendo livros, “meu primeiro e mais antigo amor”, conta, adiantando que tem projetos até 2009. (AP)


Um filme sobre acreditar na vida e nos ideais

O filme 1972 também se passa nos anos 70 - e muito se falou que seria a história dela e Rondeau. Mas não é. Trata de um jovem casal descobrindo a vida. “É em super 35, uma geometria de imagem incomum no cinema brasileiro”, explica ela. “Os personagens são fictícios, nos conhecemos muito tempo depois, mas vivemos aquele tipo de vida”, completa. A vontade de fazer coisas que nunca fez é que a move. “Queríamos escrever um filme sobre rock nos anos 70, sobre Brasil, não tinha nada. Um dia virei pro Zé e disse ‘é mais fácil você fazer do que explicar para outro”, lembra. E assim a história foi tomando conta do casal e os personagens se tornando reais. “O mais difícil é levantar o dinheiro. Mas até nisso fomos abençoados, teve uns malucos que acreditaram, a Buena Vista, Petrobrás”, diz, sobre o filme que foi muito bem recebido.1972 não faz reverência a estética que anda dando o tom das produções brasileiras.. “Não é angustiado, nem pessimista. É sobre acreditar na vida, nos seus ideais - demodê isso, né? Também já vi críticas dizendo que é ridículo, isso faz parte. As pessoas vão a festivais esperando filmes cínicos e nós celebramos a juventude, o amor, a alegria, a esperança, mesmo com uma históri em um momento mais horroroso do Brasil. É uma fantasia rock’n’roll”, diz sobre o filme que deve chegar a Curitiba até janeiro. (AP)

Serviço: Sempre um Papo com Ana Maria Bahiana. Hoje às 19h30. Entrada franca. Teatro da Caixa (R. Conselheiro Laurindo, 280). Informações: (41) 2118-5233.

10/24/2006

Aos amigos de verdade

Nós temos o nosso próprio CBGB, e mesmo que ele também já não tenha sempre as nossas bandas no palco, continua sendo "o lugar" muito especial. Por isso mesmo é lá que quero celebrar a entrada em outra primavera. Então, não aceito não como resposta. Nos vemos logo mais a noite no 92 Graus. Tá todo mundo me perguntando quem vai tocar, quem vai tocar.... pô, vamo lá, daí a gente vê o que faz. Sabe que os vizinhos não tão querendo essa barulheira que a gente gosta,né? E cês tão com tanta saudade assim de alguma produção da de inverno que tão querendo me por pra trabalhar mais ainda hoje?E também tive coragem de intimar o JR, amarelei. À priori, quem tiver a fim leva uns discos pra gente por rolar.... Vamos lá, celebrar os amigos de verdade.

10/18/2006

O que resta é o futuro: o CBGB fechou




Eu nunca fui lá, nem na cidade dele, mas conheço um pouco do que fez sua história e conheço alguns equivalentes daqui, bem pertinho da gente. A Folha deu a notícia hoje: CBGB "o lugar" do punk em Nova Iorque fechou na segunda. A honra (com muita tristeza, é verdade!) de fazer o último show foi a diva que em breve veremos bem de perto, Patti Smith. Ela foi um dos que começou sua história lá e encerrou a fase acompanhada de bons amigos, o Flea e o Richard Loyd, do Television. Eu não pude evitarque um certo vazio invadisse meu coração, enquanto seguia para o trabalho, lendo o jornal,em pé dentro do ônibus. Algumas pausas, lembranças de livros lidos, de histórias contadas, do 92 Graus, do Lino's... é o tempo passando. Patti Smith diz que outros virão, que a meninada encontrará outros clubes.... é assim mesmo. fases se encerram para que outras entrem em nossas vidas. Também tô assim, na próxima terça completo mais doze meses viva, foram doze meses mais calmos, sem algumas coisas que se tornaram importantes pra mim, longe de algumas pessoas importantes nos meus dias, mas ao mesmo tempo uma linda, mas tão linda janela se abriu. Ela não tem mais as janelas azuis, ainda nem sei a cor, tô só levando... a única certeza que sinto é que outro ciclo começa. Que bom que continua sendo ao lado do meu amor, dos meus amigos (estão faltando alguns, né marcelinho - e outras que não querem mais falar comigo, né Lu: que triste, não tem nada de lindo, é só triste)... a vida é assim?
Parece que bateu na minha porta aqueles dias que precedem a virada, quero falar com pessoas importantes, quero estar com as pessoas que amo, quero só pensar no futuro,agora. Depois do seu show, o último do CBGB, Patti Smith entregou pro fãs buttons que diziam: "O que resta é o futuro". Depois do punk, depois de mais um ano, depois de tantos anos, depois de tantas histórias, de tantos sentimentos, alegrias, tristezas, raiva,frustração, só o que resta é futuro....

adriperin

10/11/2006

Um brinde ao OAEOZ

Flagrante de um dos primeiros (se não o primeiro) ensaios do OAEOZ no quartinho do meio da casa do Campina do Siqueira: notem a indumentária da figura.




Há exatos nove anos, o ivan, o camarão e o igor chegaram lá na casa das jabuticabas para o primeiro ensaio, nesse quartinho (aí ao lado), da casa onde o disco Dias foi gravado num super astral, com a gente cuidado pro calor não detonar o equipamento do Lúcio. Naquele 11 de outubro de 1997, provavelmente um sábado a tarde, nascia. Saia de cena (mas jamais das minhas melhores lembranças e da minha fonte de inspiração) o Dusty, embrião d’OAEOZ, que tinha o rubens k junto com o ivan e o igor. Sinto que a gente não esteja celebrando isso junto hoje, mas eu sei que tem várias pessoas que estão. Muita coisa mudou, mas eu não desisti de ver, pelo menos, mais um shows de vocês esse ano ainda.
Acordei pensando nisso. Aliás, ontem, também lembro de ter pensado nisso, antes de dormit. Eu que já vinha tendo idéias mirabolantes pra comemorar a primeira década da banda, me pego aqui lembrando que o ritmo está sendo lento demais neste 2006.
É frustrante sim, quando a gente se coloca desse jeito num projeto e ele pára, mas também é preciso pensar que é só a pausa que segue apertada.
De minha parte, eu só queria dizer que as canções dessa trupe - trio várias vezes, quarteto, quinteto - continuam no meu case, me acompanhando nas caminhadas embaixo das garoas frias de curitiba, sussurrando nos meus ouvidos doces palavras de aconchego e de ânimo em manhãs que não mereciam ter acordado; me empurrando pra outra empreitada; me dando vontade de fazer coisas, de sentir coisas, de viver coisas.
Deve ser o fim de um ciclo. Até a de inverno vai mudar de casa, vai pra sua própria casa, vai poder por parede abaixo, colorir até o telhado se quiser, plantar novas árvores... isolar paredes, impregnar novos bairros...

Foto divulgação do disco Dias, feita por Paulo Camargo, na janela do sótão da casa do campina: éramos tão jovens e tínhamos todo o tempo do mundo.


É isso que eu quero pro OAEOZ, que a gente possa conviver mais alguns anos juntos, com nossas novas descobertas, com as outras dúvidas que por certo virão, achando que achamos algumas respostas e perdendo todas as certezas logo ali adiante.
Porque quando eu ouço uma nova canção, fico num estado emocional tão forte, por vezes, devastador, mesmo, que me tira o chão, de deixa zonza, provoca um transe. E quando ouço aquelas primeiras e tortas gravações, então, na solidão do fone de ouvido indo pro trampo, andando de ônibus... é um negócio estranho, mistura tantas histórias, tantos momentos dos meus quase 36 anos, que é assustador, se dar conta da força de uma canção que é tão próxima da minha existência. É o que eles cantam e tocam. É o campo magnético, muitas vezes mágico até, que se cria – com a gente.
Acabei lembrando de tantas pessoas que passaram pela vida da banda nesse tempo, a primeira fã número 1, a Aninha (claro que eu deixei ela ser “fã n º 1” por um tempo, né). A passagem do Eduardo, as primeiras gravações, as primeiras capas de fita cassete, decidir imagem, acertar tudo (e sempre faltava alguma coisa nos créditos). Os fanzines (lembram disso?deliciosas viagens. Aliás, o melhor de todos, com o ivan contando a “nossa” história continua no boneco). Tardes e tardes inteiras em ensaios que se estendiam até a noite, desciam as escadas e se espalhavam pela casa e pelo jardim. Os cachorros novinhos; a manuela, passeando em cima dos cases de instrumentos (tem uma foto linda disso), a minha doce tatu... pra mim tudo isso é oaeoz. Se mistura com a minha vida. Os anos passaram e continua me dando vontade de fumar um cigarro e beber alguma coisa quando eu ouço uma cancã dessa banda, a mais especial de todas pra mim.
Enfim, hoje é o aniversário d’oaeoz. E eu não desisti de ver, pelo menos, mais um show de vocês, ainda este ano. Eu quero vida longa pr’OAEOZ.

adriperin

Onde é que está meu rock n roll (será que eu vou virar bolor?)

Como dizia aquela antiga propaganda, o tempo passa, o tempo voa... (e a poupança Bamerindus foi pra puta que pariu). Se fosse uma pessoa, o OAEOZ estaria hoje quase saindo da fase criança para entrar na pré-adolescência. Estamos completando nesta quarta-feira nada menos do que nove anos desde os primeiros passos da banda. Talvez isso explique a fase complicada que a gente vive hoje, já que é ao chegar a pré-adolescência/adolescência que em geral a vida parece ficar de ponta cabeça, e todos os complexos e incertezas da vida te atingem em cheio como um raio.
Foi lá no agora distante 11 de outubro de 1997, um sábado, que eu, o Igor e o Camarão nos reunimos pela primeira vez, na casa verde do Campina do Siqueira para a qual eu e a Adri havíamos na época acabado de nos mudar. Lembro que os primeiros ensaios foram no quartinho do meio da parte de baixo da casa. Mais tarde, iríamos passar a ensaiar no sótão, bem mais amplo e arejado.
Vista da parte da frente do quintal da casa do Campina do Siqueira, onde o OAEOZ "nasceu": tempos de ensaios longos, jams e ambiente bucólico.
No começo, como não tínhamos bateria, emprestávamos a batera do Rodriguinho (ex-Acrilírico, hoje no Gruvox). Nesse início também não tínhamos baixista, nem sequer nome para a banda, tanto que as fitas em que eu gravei os primeiros ensaios eram identificadas como “ICI” - ou seja, as iniciais de Igor, Camarão e Ivan. O nome só viria depois, escolhido de uma lista feita às pressas por mim e pelo Igor às vésperas do primeiro show, na lendária república da família peixe-cachorro. Lembro que entre as opções dessa lista tinha ainda “Os Arnaldos” (óbvia homenagem ao Arnaldo Baptista; depois fiquei sabendo que tem uma banda com esse nome em Porto Alegre).
O quartinho do meio da casa do campina, onde fizemos os primeiros ensaios do "ICI", depois OAEOZ: notem a sofisticação do colchoado pendurado em frente à janela para abafar o barulho.

Nessa primeira fase também tivemos por um período um violinista, o Eduardo, amigo do Igor, que saiu depois da gravação da segunda demo: De Inverno, de 1999. O Rodrigo Zóio entrou no início de 1998, e rapidamente se incorporou a banda e à nossa turma com seu jeito desencanado. Lembro ainda do primeiro ensaio com ele. No início, achei que não ia rolar, mas logo o cara foi se soltando e a coisa se encaixou perfeitamente.
O sótão da casa do campina visto de fora: espaço e ensaios embalados pelo vento e pela chuva. Também foi aí que a gente gravou o Dias (2001).
Foram bons tempos em que a gente tinha muito mais facilidade pra se encontrar e fazer música. Chegávamos a ensaiar três vezes por semana, e a fazer uma média de dois shows por mês, tocando em tudo quanto é moquifo ou lugar de Curitiba que abrisse espaço pra som próprio. (James, Café Beatnik, Café Curaçao, Cafénobule, QG Bar, Bills, e por aí vai). Fora que os ensaios de sábado eram verdadeiras jams que duravam até quatro horas.
Como eu disse, o primeiro show foi na casa da família peixe-cachorro. Aliás os dois primeiros foram lá, um deles abrindo para os Magnéticoss. Também fomos a primeira banda a tocar no James, quando o bar ainda tinha sido recém-aberto.

Os primeiros dois shows do OAEOZ foram na república da Família Peixe Cachorro: aí do lado uma coletânea de fotos de um deles, com direito a fogueira, malabares e tudo o mais.
Outra coisa que ficou na minha mente era a forma como o público reagia à música do OAEOZ nas apresentações ao vivo. Em uma época em que o underground de Curitiba era monopolizado por bandas de som “indie-guitar”, ou harcore, e psicobilly, a gente apareceu com um vocalista tocando violão e cantando “pra dentro”, geralmente sentado e também tocando teclado (heresia para os roqueiros mais “radicais”); um guitarrista esquizofrênico, um violino, um baterista que não tocava como um baterista convencional. Quando quase todo mundo cantava em inglês, nosso repertório era majoritariamente de letras em português falando de amores complicados, romances sem futuro, questões existenciais: nada de política, nada de “crítica social”, nada de lições de moral ou pose de fodão. Baladas melancólicas, que explodiam em longos trechos instrumentais e improvisos. Shows de mais de duas horas de duração. Também não tínhamos nada a ver com aquele lance que rolava muito na época de “fusão de ritmos regionais” na cola do mangue beat, raimundos, ou o funk-hardcore de Planet Hemp e Charlie Brown em voga então. Ou seja, tinha tudo ao contrário do receituário, tanto do underground quanto do mainstream.
Não à toa, a reação geralmente das pessoas nos shows era de um misto de incompreensão e perplexidade, quando não de desprezo puro e simples. Nunca esqueço de um show no QG – lugar que na época abrigava praticamente só bandas de hardcore e psicobilly. Até a quarta ou quinta música ficou quase todo mundo quieto de braços cruzados olhando a gente com uma cara tipo “qualé a desses caras”. Você terminava a música e era aquele silêncio constrangedor. Só então, em uma determinada música sei lá porque alguém aplaudiu e eu não tive como segurar um comentário: “vocês são um público bem curitibano mesmo, heim?”, brinquei.
Estúdio Luna, onde o OAEOZ gravou sua primeira demo, lançada em 1998: à direita, Eduardo, violinista que tocou com a gente no início.

Mas o legal é que apesar dessa frieza da maioria, sempre tinha um maluco desavisado que vinha conversar com a gente depois do show e comentar que tinha gostado, achado diferente e tal. E assim a gente foi seguindo, meio aos trancos e barrancos, um passo de cada vez, as vezes mais rápido, as vezes quase parando, mas sempre em frente.
Olhando para trás, eu sinto que o mais importante foi que independente de qualquer coisa (reconhecimento, espaço, sei lá), a gente conseguiu construir um trabalho que se não foi tudo o que sonhava ou idealizava, traz as marcas indeléveis de um período inesquecível das nossas vidas.
Foto tirada em frente à antigo estúdio Áudio Beltrão, onde gravamos a segunda demo, De Inverno, lançada em 1999: dá pra ver que era inverno mesmo.
Nossas histórias estão lá, contadas nessas dezenas de canções, que bem ou mal, são um retrato do que a gente é e do que a gente viveu. E mesmo que a gente não consiga nunca mais fazer mais nada pelo menos 43 delas estão lá registradas, gravadas e hoje disponibilizadas para quem quiser ouvir (www.tramavirtual.com.br/oaeoz) – além das duas versões ainda inéditas em disco que estão no my space (www.myspace.com/oaeoz). Fora o material inédito em áudio e vídeo, que eu ainda sonho em editar e lançar um dia, quem sabe quando a gente tiver completando uma década de banda.
2006 tem sido um ano difícil pro OAEOZ. Os compromissos de trabalho, vida pessoal, e o próprio desgaste natural de todo esse tempo fez com que a coisa travasse. Na verdade essa situação já vem desde o segundo semestre do ano passado, quando os ensaios foram ficando cada vez mais escassos, até pararem de vez esse ano. Com isso também, as gravações das novas músicas, iniciadas em novembro e que eu esperava lançar até meados deste ano, ficaram paralisadas e só recentemente a gente conseguiu retomá-las, mesmo assim em um ritmo muito, mas muito lento.
Não tenho como esconder minha imensa frustração com isso. Parece que tudo aquilo pelo qual eu sonhei, lutei e dediquei todas as minhas forças nesses anos todos não adiantou nada, não foi suficiente para fazer com que eu pudesse simplesmente continuar fazendo aquilo que eu mais quero, que é música. Mas como “não há mal que sempre dure”, ainda alimento esperanças de que as coisas possam mudar daqui pra frente. E mesmo que isso não aconteça, de um jeito ou de outro ainda vou continuar fazendo minhas musiquinhas, mesmo que seja pra ficar tocando sozinho no quarto.
Só posso deixar aqui meu abraço e agradecimento a todos os que nos ajudaram nessa estrada. A começar pelos comparsas Igor Ribeiro, Hamilton “Camarão” de Lócco, Rodrigo “Zóio” Montanari, Eduardo, André Ramiro, Carlão Zubek, que aguentaram meu mau humor, minha ansiedade, minha total e absoluta falta de tato; aos “sócios” e irmãos Rubens K e Marcelo Borges, parceiros eternos; e é claro, à minha musa, Adriane, a quem eu dedico esses nove anos ou 3285 dias de som e fúria.

Ivan
Curitiba, 11 de outubro de 2006.

10/09/2006

Polaca Azeda - Charme Chulo - Rock de Inverno 5



Confiram mais um vídeo do Marcelo Borges no Rock de Inverno 5
Desta vez é "Polaca Azeda", do Charme Chulo, que está para sair no primeiro disco "cheio" dos caras.
Que também estão em uma entrevista legal publicada esta semana pelo Scream Yell

9/28/2006

A MÚSICA ACABOU

O título acima pode parecer exagerado e incongruente pra alguém que toca em uma banda, tem um selo independente, produz um festival e respira música mesmo quando não a está ouvindo ou fazendo. Mas é exatamente assim que eu tenho me sentido ultimamente as vezes em relação a essa coisa que a princípio eu não dava a menor importância, mas que a partir de um momento invadiu a minha vida de tal forma que ocupou praticamente todos os espaços vazios. Mas o fato é que o excesso banalizou a música de tal maneira que hoje eu as vezes me sinto enfastiado dela, e não consigo mais ter aquela relação de êxtase que antes tinha com essa coisa tão importante e tão presente no meu dia a dia. É aquele lance, hoje em dia as vezes você só quer ir num boteco sentar pra tomar uma e conversar com os amigos. Mas os caras não querem saber, tem que colocar alguma música, de preferência num volume bem alto e em um aparelho de som horrível que deixa tudo estridente e inaudível.
Além disso, esse lance de internet e mp3 e tal agravou ainda mais esse processo. É claro que por um lado isso é ótimo, pois hoje você tem acesso a coisas que de outra forma difícilmente alcançaria ou porque custaria os olhos da cara ou porque simplesmente jamais chegaria até você. Mas por outro lado, parece que nunca a gente teve acesso a tanta coisa, e nunca houve tanta desinformação e indiferença. É claro que eu também me deslumbrei e sai baixando um monte de coisa que eu queria e outras que eu nem conhecia e tal. Mas a verdade é que ninguém (ou será que sou só eu) consegue absorver tanta informação direito. Sinto saudade daquele tempo em que você ficava esperando um ou dois anos pra tua banda preferida lançar um disco novo, tinha que esperar mais um tempo praquele disco chegar nas lojas da tua cidade, economizar uma grana e ir lá pegar aquele bolachão em vinil, com aquela capa grandona e quando colocava aquilo na vitrola e a agulha começava a girar, putz, era como se um novo mundo se abrisse na tua vida. Hoje, eu tenho um monte de cds e dvds com mp3s em casa, mas na maioria das vezes quando eu realmente quero ouvir alguma coisa que eu gosto, acabo voltando nas mesmas músicas e bandas. Sim, tem muita coisa nova legal, e eu gosto de descobrir coisas novas, mas é cada vez mais raro que elas me despertem aquele sentimento forte que eu tinha e ainda tenho com determinadas coisas.
Esse ano, por exemplo, teve vários discos muito bons por aí, como o do Cascadura – perfeito em suas canções e sua produção esmerada. O do Flaming Lips, com seu freak rock spacial. O disco do Morrissey também é muito bom. Mas na verdade, por mais que eu tenha gostado desses discos, pouca coisa me tocou realmente.
Uma delas eu já comentei aqui, o disco novo da Cat Power, com aquela voz grave e “quente” de fazer derreter as calotas polares. Maravilhoso. Tô viciado.


Mas ontem, eu procurei de novo pra ouvir uma banda que eu já conhecia um pouco e tinha ouvido rapidamente o novo trabalho deles mas ainda não tinha me tocado. To falando do Monodia, de POA, que conhecemos depois de fazer contato com o pessoal do Deus e o Diabo. É a banda da violinista do DEOD, a gente boa Desiré. E porra, as músicas novas dos caras caíram como uma bigorna na minha cabeça. Me deram aquele nó no estômago que só coisas que despertam sentimentos muito fodas me fazem. Como é bom isso. Como é bom saber que apesar de toda a banalização, toda a babaquice marqueteira, toda pose inútil que assola esse meio “musical”, seja ele mainstream ou udigrudi, ainda existe gente capaz de fazer canções que te emocionam de verdade. Que te fazem lembrar porque afinal você um dia se deixou envolver por isso de tal forma que parece que não sobrou espaço pra mais nada na sua vida.
Não que o som deles seja revolucionário ou traga algum tipo de grande novidade e i nditismo. Longe disso. Eles também não são virtuoses, e a produção, apesar de bem feita, e simples. Mas é justamente essa simplicidade que faz com que o poder dessas singelas canções te atinjam ainda mais em cheio. “Não tenho mais, não tenho mais, medo do escuro/não tenho mais medo de brincar/só”, diz a aterrorizantemente simples “Só”. “Quando o silêncio fala por nós dois, é porque já não há mais nada”, cantam na assustadoramente bela “Noite”.
E o vocal, putz, o cara canta como se tivesse sussurrando uma canção de ninar no seu ouvido. Maravilhoso. Alguns momentos lembram as conterrâneas Blanched e o próprio DEOD (e isso é um elogio, porque eu adoro essas bandas), e uma outra banda que provavelmente ninguém nem eles conhecem, que eu gosto muito, chamada lesionada, do Espírito Santo, e que nem deve existir mais. Mas enfim, não é isso o importante, o importante é que ouvir essas coisas me fazem de novo ter vontade de pegar o violão e pelo menos tentar arriscar minhas cançõezinhas, mesmo que ninguém esteja interessado ou disposto a dar qualquer atenção a elas. Mesmo que hoje fazer música pra mim está cada vez mais difícil, e que por um monte de motivos, eu nunca tenha me sentido tão vazio, frustrado e perdido em relação a minha banda e aquilo que eu tanto lutei e mais desejei fazer nunca esteve tão distante e inacessível. Mesmo que as vezes que sinta que tudo o que eu fiz se desfez como um castelo de cartas.
Foi só ouvir essas canções, e todo aquele desejo de fazer música se renovou e pareceu vir ainda mais forte. Como tava comentando ontem com a Adri, a gente não aprende mesmo, não tem jeito. Pois é Desiré e monodias, eu não sei se agradeço vocês ou os amaldiçoo. Mas acho que vou ficar com a primeira opção. Pelo menos até a próxima canção terminar. Valeu mesmo.

e se alguém estiver interessado em entender o que eu to falando (pelo volume de comentários por aqui duvido, mas sempre tem um maluco desavisado - né rubens)
o ep do monodia tá disponível na trama

http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=108

Ivan

9/25/2006

Mordida – Judy – Rock de Inverno 5



E pra começar a semana em alto astral, mais um vídeo inédito do Rock de Inverno 5, feito pelo Marcelo Borges. Desta vez é o Mordida, tocando Judy, quando a banda ainda tinha a Tati Lemos nos vocais. Classe. Só lembrando que o áudio que está aí não foi mixado, portanto ainda vai melhorar muito. Mas nada que comprometa a audição. Dá para ter uma boa idéia do que foi o show.

9/15/2006

De lembranças (em vídeo), noitadas e comparsas



Noitada excelente, como só aquelas em que a gente se encontra com grandes e velhos amigos pode oferecer. O show do Folhetim foi perfeito. Nada como show em teatro para você ouvir de verdade todos os detalhes da música de uma banda. E os caras mostraram que fizeram a lição de casa direitinho. Show redondo, sem arestas, sem deixar cair a peteca em nenhum momento. Participações especiais de vários meliantes da “máfia”, entre eles este que voz escreve, mister Linari, Rodriguinho, o grande Paulinho Branco. Parabéns a todos os folhetinescos. E Carlão, depois de quinze anos nessa correria de show, festival, selo, produção, equipo, gravação, cartaz, etc, acho que tenho uma “parca” idéia do que você está sentindo. Entendo perfeitamente tua expressão meio perdida de quem parece não saber se está feliz por estar ali ou torcendo pra que tudo acabe logo. Já passei por essa de se quebrar tanto pra fazer a coisa, que quando acontece você tá tão cansado que as vezes nem consegue aproveitar direito. Mas fica frio cara. Foi muito bom. Tá feito. Tá registrado. Agora é história. Relaxa e aproveita, porque apesar de todo o perrengue ou justamente por ele, a gente tem que valorizar esses momentos especiais. Vocês merecem.
Mas o melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista), veio depois do show, quando uma trupe inacreditável de mais de vinte pessoas invadiu o Pudim para o horror dos garçons da casa, e só saiu de lá a 1 hora enxotada. Parte dela rumou para o folclórico Japas Bar, que mais parece um cenário de um filme do Tarantino. Que que é aquele Japa? Pois bem, várias cervejas e chiboquinhas depois, nem o Japa aguentou a gente.
Muito bom ter mister Linari por aqui de novo. É incrível como esse cara ocupou um espaço tão grande em nossa pequena, estranha e barulhenta “famiglia”. É como se a gente conhece o cara a vida toda. Ver o Linari no palco, cantando com o Folhetim, faz a gente entender porque é que a gente insiste nessa história de música por tanto tempo (que diga o Rubens, com sua carteira da OMB de 1989), mesmo que isso custe um pouco do que resta de nossa sanidade mental e física, ou mesmo sem saber se algum dia vai chegar a algum lugar, ou sequer se existe algum lugar pra chegar. O cara foi feito pra isso, pra estar em cima do palco. Esse maldito tablado iluminado e sonorizado é a melhor droga que existe. E os poucos minutos que a gente consegue finalmente chegar lá e fazer o que tem que ser feito fazem valer toda uma vida de sangue, suor, lágrimas e ressacas, e frustrações e vontade de mandar tudo à merda, e desprezo e ...vontade de começar tudo de novo porque sempre tem uma canção perdida por aí precisando ser descoberta, trazendo um sentimento novo que te alimenta a vontade de seguir em frente.
Que venham outras. Enquanto a gente tiver força pra ficar de pé e segurar uma guitarra, vai ser assim.
Pra terminar, mais uma preza de outro sócio honorário dessa nossa pequena e insana “famiglia” rock n roll. Mister Marcelo Borges nos avisa de lá do outro lado do Atlântico e vocês podem conferir aí acima a estréia mundial do primeiro vídeo de uma música do disco “Às vezes céu”, do OAEOZ. Marcelinho nos deu a honra de videografar “Lembranças não valem nada”, com imagens de viagens dele de trem pelas terras da rainha, e pela Europa (Cracóvia, me parece, não me pergunte onde fica). E como em todos os vídeos que o Marcelo fez pra gente, é uma criação toda dele, sem qualquer participação da banda que não seja fornecer a música e a inspiração. E como sempre, ficou perfeito. Confiram, comentem, link em seus blogs e o scambau. A famiglia OAEOZ mais uma vez agradece ao nosso parceiro, que em breve, esperamos, estará de volta por aqui para armarmos mais algumas artimanhas.

9/14/2006

Histórias de um Folhetim Urbano no teatro

Jornal do Estado

Independente - disco

Adriane Perin

Foto: Jonas Oliveira
Renato, Carlos e Marcelo: primeiro disco na praça

O disco Cativeiro abre com um rock “funkeado”, margeado pelo saxofone falante do jazzista Paulo Branco e vocais devastadores de Marcos Linari, da paulista La Carne, tudo muito bem coberto pela base baixo-guitarra-bateria, na letra de pegada meio política de “Guerrilha”. “F de Todos nós”, a segunda faixa, mantém o clima nervoso para ceder espaço à bela “Avon”, homenagem póstuma ao avô de dois dos integrantes, que começa num clima bem U2, até a entrada da voz que da o tom ao lado de uma guitarra mais evidente para a letra: “Não feche os olhos pra sonhar, não pare para descansar, a vida segue e procura o fim sozinha”. Uma música bonita, comovente... e tão simples. É assim: intenso, simples e belo, o álbum Cativeiro, estréia da banda Folhetim Urbano, que faz hoje no Teatro do Sesi seu lançamento. Trata-se de um trio de “irmãos-amigos” que leva a risca a essência motriz do rock n roll: “fazer um som”. A atitude resume bem as intenções de Carlos e Renato Zubek e Marcelo Chytchy, que surgiram como Sabadá em 2001 e ano passado decidiram se dar uma cara mais de cidade. Sinceridade, cotidiano, autenticidade são termos muito usados, mas não, necessariamente, sinônimo de boa música. Mas aqui eles são eficientes numa tentativa de descrever o Folhetim. Entre os três existe, mesmo, uma autenticidade comportamental traduzida em canções, que destoa das “tendências indies” e não dá a menor bola para caras e bocas e poses. Eles parecem não precisar de nada mais do que fazer um som com os amigos, sem pretensões. Ops, outra dessas palavrinhas gastas em textos de apresentação de bandas. Então, empresto os dizeres do mestre Mario Bortolotto para uma correção. Quem aqui quer ser desprentensioso? Eles são pretensiosos, sim, afinal montar uma banda, fazer um disco e ter coragem de encarar um palco não é para quem gosta de ver a vida passar na janela. E a dedicação dessa trupe a este trabalho, é um caso desses. Folhetim não é banda que toca toda noite, mas quando promove uma balada, pode saber que além de música boa e poesia, vai ter muitos sorrisos abertos e pessoas se divertindo pra valer. Porque como bem diz o texto de apresentação do trio: “Se o teu negócio é caras e bocas, penteados da moda e promessas de salvação do rock, esqueça. Se é ouvir boas canções, de gente de carne e osso, pode vir nessa que tamo junto”.

Serviço: Lançamento do disco Cativeiro, da banda Folhetim Urbano. Dia 14 às 20h. R$10 e R$5. Teatro do Sesi (R. Pe. Leonardo Nunes, 180). Informações: (41) 9958-4000.

9/12/2006

Confraria Folhetim

Foto: Andy Avon
Folhetim Urbano é uma banda de Curitiba que faz música com a despretensão e a paixão de quem joga uma pelada de futebol de várzea. Rocks básicos com letras em português falando de gente que levanta cedo, pega ônibus, paga aluguel, e vive seus amores e desencantos longe de manchetes e telejornais. Por mais desgastada que possa parecer, a palavra aqui é autenticidade. E pra entender isso basta dar um pulo em uma apresentação dos caras ou ouvir esse CD que está nas suas mãos, e que será lançado com show no próximo dia 14/09, quinta-feira, no teatro do Sesi no bairro do Portão. O disco tem a distribuição do selo independente De Inverno Records, de Curitiba.
Mais que uma banda, o Folhetim é uma confraria, uma reunião de amigos e famílias que se encontram em torno desses três freak brothers Carlão Zubek (guitarra, voz, letras), Renato Zubek (baixo, voz) e do baterista Marcelo Chytchy. “Cativeiro” traz o registro de estréia dos caras em disco com cinco composições próprias da banda que nasceu em 2001, ainda como Sabadá, trocando o nome para Folhetim Urbano no ano passado. O clima de confraria é confirmado pela participação decisiva e intensa de várias figuras dessa “máfia”, como o baixista Rubens K, que faz a co-produção do disco. O vocalista da banda osasquense La Carne, Marcos Linari, cantando, e Rodrigo Genaro na bateria de “Guerrilha”. Paulinho Branco empresta seu saxofone à mesma ‘Guerrilha”, e ainda a “Fases, frases e tempestades”. Mr Carlos Codespoti comparece com as fotos da capa. A arte do CD e capa fica por conta de Zubartez.

Nas cinco músicas, o que se ouve é o que se percebe quando se conhece os caras. Uma banda que não faz pose de “cool”, nem está preocupada em parecer fashion, mas sim em contar suas histórias sem qualquer compromisso que não seja simplesmente fazer o som que curte com os amigos, e se divertir com isso. Esqueça essas bandas que prometem reinventar a roda. Em um mundo em que todo mundo quer ser celebridade e os roqueiros parecem mais preocupados com seus cabelinhos simetricamente desalinhados, ouvir Folhetim Urbano é descobrir que ainda existe gente de verdade, que trabalha, cansa, pragueja, se sente frustrada e luta contra tudo isso todo dia com um sorriso no rosto, uma guitarra nas mãos, uma boa melodia na cabeça, e uma vontade inexplicável de fazer algo mais do que apenas seguir a manada e sobreviver.
Nas canções do Folhetim cabem tanto rocks furiosos, quanto funks adrenalinados, ou baladas pop que poderiam circular tranquilamente nos ipods e rádios rocks da vida. Nas letras, experiências pessoais (“ontem eu vi alguém que se ama, isso é raro e já não me toca mais”), romantismo ingênuo (“não feche os olhos pra sonhar, não pare para descansar, a vida segue e procura um fim sozinha), crônica social (“cê lembra daquele menino que batia em sua porta lhe pedindo uma chance?), e porque não, crítica política (“quem pegar mais americano, vence o show, business...”). Mas tudo isso com a naturalidade e desencanação de quem dá um passe pro amigo completar pro gol. Ou bate um pingado com pão e manteiga na esquina antes de encarar mais um dia de trampo.

Se o teu negócio é caras e bocas, penteados da moda e promessas de salvação do rock, esqueça. Se é ouvir boas canções, de gente de carne e osso, pode vir nessa que tamo junto.

SERVIÇO:

Show de lançamento do CD Cativeiro
Banda Folhetim Urbano
quinta-feira 14/09/06, às 20 horas
projeto Quinta do SESI
Teatro SESI do Portão
Rua Padre, nº 180
Próximo ao BIG do Portão
Ingresso: R$ 10,00
e R$ 5 (estudantes e industriários


Contatos:
www.folhetimurbano.com
fu@folhetimurbano.com

8/28/2006

GIANOUKAS PAPOULAS - Panorâmica - Rock de Inverno 5



e pra começar bem a semana, o Marcelo nos avisa de mais um vídeo do Rock de Inverno 5 saído do forno. Desta vez, dos nossos amigos paulistanos do Gianoukas Papoulas, com a música "Panorâmica", que está no novo disco dos caras e pode ser baixada junto com as demais faixas do disco na página do Gianoukas.
Só é importante explicar que esse áudio que está no vídeo ainda é provisório. A áudio definitivo ainda vai ser mixado depois que todos os vídeos estiverem prontos, e deve melhorar bastante.
por enquanto é isso
boa semana e aproveitem

8/24/2006

N.Y.C.



e eu pensava que esse ano não ia rolar de assistir nenhum show de gente grande de fora, porque eu não ia ter grana pra viajar pra sampa ou outro lugar, e o CRF/sonora, sei lá o que, tá vai não vai. Mas hoje de manhã a Adri me ligou contanto que vai ter Tim Festival na pedreira, dia 31 de outubro, com ninguém nada menos que a lenda viva do punk novaiorquino Patti Smith, e de quebra, os Beasty Boys. Excelente. Oportunidade única de ver ao vivo por aqui uma mulher porreta, parceira e companheira de Fred Sonic Smith, frequentadora do palco do CBGB ao lado de Ramones, Television, Richard Hell...
Aí em cima, um videozinho pra ir esquentando.

8/16/2006

Cascadura: sem ilusões e com os pés no chão

Jornal do Estado de hoje

Fábio Cascadura, o compositor e criador da banda, conversou com o Espaço 2
Adriane Perin
Já está nas bancas a mais nova edição da revista Outra Coisa e junto com ela um delicioso presente sonoro, Bogary, o disco novo da banda baiana Cascadura.
O grupo, que tocou em Curitiba no festival Rock de Inverno 6, quer voltar ainda este ano. Bogary é o quarto álbum e tem a tarefa de ocupar o lugar do excelente Vivendo em Grande Estilo. A diferença deste trabalho, diz Fábio Cascadura, criador do grupo que nasceu Dr. Cascadura, é a orientação artística musical que nos primeiros era mais voltada para o rock clássico. “Nosso som remetia a esfera que veio logo depois da primeira geração dos anos 50 e que culminaria nos anos 70”, comenta. A sonoridade setentista foi uma das marcas do grupo no disco anterior, mas a banda já havia, nas palavras de Fábio, “esgotado aquele formato e queria agregar referências mais contemporâneas”. “Agora é nosso momento de ruptura completa, já que no anterior começamos a emular uma personalidade mais nossa”, avalia.
Para este disco foi tudo mais simples, de certa forma. “Os produtores foram capazes de criar a atmosfera em que a banda expõe suas influências sem ser obliterada por elas”, comenta sobre Bogary que foi feito em parcos 22 dias em estúdio. “Não foi corrido, aconteceu naturalmente. Nos outros discos ficamos muito tempo ensaiando e ainda nos demoramos no estúdio porque queríamos reproduzir o que havia sido ensaiado. No Vivendo, não ensaiamos nada até entrar no estúdio e também foi bem bacana, em 40 dias”, diz, reforçando a importância dos produtores, andré p. e Jô Estrada. “Foi uma troca mesmo”. A única coisa que ele pediu à dupla foi: não vamos usar nem piano nem violão. “Foi tudo na guitarra, baixo e bateria e estamos muito satisfeitos. Nunca gostei tanto de um disco. Em geral, depois que gravo me desinteresso como objeto artístico, mas desta vez esta sendo bem diferente”, diz.
O disco está mais pop e o termo não incomoda a banda. “Se é para usar um rótulo, acho esse apropriado. É um disco mais digerível. Já me perguntaram se a banda faz pós- rock. Eu acho que é só um rock”.
O grande lance é estar encartado numa revista que vai levá-lo ao Brasilt todo, algo muito difícil para um grupo alternativo. Era para ser o relançamento do Vivendo, mas acabou surgindo um novo disco no caminho e o relançamento ficou com a Monstro Discos, o que também é bom, pois Vivendo merece ser mais conhecido.
A distribuição pela revista tira um peso das costas da banda, mas continua sendo necessário força e persistência. “Claro que é bom este apoio que nos leva para um novo lugar em um mercado que está se redefinindo. Não podemos nos acomodar como artista que só sobe no palco e toca. Nós gerenciamos nossa parte para dar satisfação aos parceiros. E da mesma forma eles com a gente”.
De qualquer maneira pode estar nascendo uma nova fase para o Cascadura. “Ano que vem fazemos 15 anos e conseguimos agora uma exposição que nunca tivemos antes, entrar em centros que nunca chegamos. Também, estamos num ponto em que não temos muitas ilusões acerca de estrutura e mercado. Sabemos onde estamos nos metendo. É uma nova etapa que começa sem ilusões e com os pés no chão. Não tem essa conversa de vamos estourar, aliás o que tenho ouvido muto e acho graça. Possibilidade existe, mas não vou ficar correndo atrás dela. Estamos mais preocupados em conservar a música que a gente faz”, garante.
Serviço
Em breve novo site da banda. Por hora, dá pra conferir o www.fotolog.com/dr.cascadura

“Não somos a melhor banda da última semana”

JE de hoje


Jornal do Estado — O que é ser uma banda nesses tempos de “maior banda de todo os tempos da última semana” para um grupo que tem quase 15 anos?
Fábio Cascadura — Não ser a maior banda da última semana. A gente não quer ser uma dessas. Já temos nossas maiores bandas de todos os tempos e posso te assegurar que nenhuma delas é de fora do Brasil. Nós só queremos ser uma banda de rock, mesmo.
JE — E o que é ser independente agora que o termo virou grife?
Fábio Cascadura — É estar envolvido com todos os períodos e detalhes da construção da carreira. Pra mim independência significa meter a mão na massa de verdade. É fácil se dizer independente, mas ser de verdade, é outra história.
JE — Porque um disco físico, num tempo em que a internet está mais forte do que nunca e dizem que “ninguém compra mais ”
Fábio Cascadura — É fundamental, porque nem todo mundo tem acesso à internet. E tem o lado da satisfação, eu sou do tempo do vinil e preciso desse retorno visual, tátil e não só auditivo.
JE — Porque o rock na terra do Axé?
Fábio Cascadura — É a terra do axé que está no planeta do rock. A Bahia tem um histórico de lançar rock e produzir ícones – a cada dez anos surge um Raul Seixas, Camisa de Vênus, uma Pitty. Nós fazemos parte de uma geração – com Dead Billies e Brincando de Deus – que ajudou a criar uma situação mais consistente na cidade, que permite que uma Pitty seja revelada ao grande público.
JE — Quem é cascadura no circuito independente brasileiro de hoje?
Fábio Cascadura — Pra mim é inevitável não citar o Cachorro Grande, que primeiro quando vi pensei que fosse só uma brincadeira. Quando notei que era banda de verdade, achei a melhor coisa do mundo. Também tem a Monstro Discos que passou a fase de ser independente por falta de opção, ela é, mas não de qualquer jeito.

Jornal do Estado de hoje A memória da música paranaense

Já está disponível para pesquisa o acervo do Musin – Museu do Som Independente, em Curitiba. Trata-se do material coletado ao longo das duas últimas décadas pelo pesquisador Manoel Neto. Ele trabalha para transformar o endereço oficialmente em um Museu, processo lento que corre junto com o trâmite para que seja tombado como bem histórico cultural do Estado.
São 10 mil folhetos e cartazes de eventos culturais, 1500 vinis, cassetes e cds de músicos locais, mil publicações, como fanzines, livros e informativos, e mais de 3 mil fotos relacionadas ao tema. “Técnicos da Secretaria da Cultura já avaliaram o material para dar entrada no processo, só que isso é demorado”, comenta. O pesquisador explica que o problema por hora é o espaço não ser institucionalizado. “É difícil conseguir verba para dar continuidade. Mas, estar sendo usado como fonte de pesquisa já conta pontos, porque é utilidade pública”, esclarece ele que, enquanto isso, vai trabalhar com Leis de Incentivo como pessoa física.
Não é de hoje que o material recolhido por Neto tem sido fonte bibliográfica para o crescente número de projetos acadêmicos que se debruçam sobre o assunto - e também para a imprensa. Este é o único acervo organizado da história da música paranaense de que se tem notícia. “O acervo não está inventariado e isso custa caro. É a velha lição punk de romper algumas questões e dar um jeito de fazer o que precisa ser feito”, completa. O setor de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura confirmou que o trâmite está correndo e agora só depende de Neto cumprir as contrapartidas exigidas. Neto, que também vem participando de discussões de política cultural nacional, está bem otimista com o momento. “O mais difícil é ter base consistente e nisso, pelo que tenho visto, estou a frente no Brasil inteiro. A idéia de que já fiz o mais importante, me deixa tranqüilo, agora tenho que organizar”. Ele sabe também que agora é que o bicho vai pegar. Afinal, organizar mais de 40 mil páginas de documentos não é bolinho. “É engraçada: a gente faz a pesquisa e pensa que ela é a questão, mas não. O uso dela e a institucionalização do acervo é a questão. Eu achava que o trabalho estava feito, e é agora que começa”. (AP)
Serviço
MUSIN - Museu do Som Independente (Av Luiz Xavier 68, conjunto 1618 - Galeria Tijucas,). Para visitar é preciso marcar hora antes. Informações: (41) e 41 9604 3992 ou pelo email manoel_umbigo@-yahoo.com.br.

8/11/2006

Cat Soul Power (valeu Takeda)



essa eu descobri no blog do Takeda. realmente impressionante a transformação dessa moça. quando ela esteve por aqui eu não dei muita bola, porque tinha ouvido os discos mais antigos e não tinha batido. mas agora parece que a coisa mudou e muito de figura. aí Rubão, dá uma olhada que eu acho que você vai gostar. e dá um toque pro Mário, também.

é o tipo de coisa que faz aqueles dias em que a gente tá meio assim, pra baixo, ver as coisas de outro modo. música é um negócio muito foda. mesmo com toda a banalização, a vulgarização, o "excesso" que a gente tem por aí hoje em dia, sempre tem alguém fazendo alguma música por aí, que pode mudar, salvar o teu dia. que bom que ainda tem isso. é isso que me faz continuar tendo vontade de tentar arriscar algumas cançõezinhas, apesar de todo o perrengue, de todo o stress, do desânimo com a falta de vontade de ter vontade que parece que nos paralisa e emperra, dessa sensação cada vez mais funda de que você virou um rato de laboratório preso em uma gaiola correndo em uma roda que gira gira e não sai do lugar.

é só isso que a gente precisa de vez em quando. uma canção que te deixa mudo. que provoca aquela dor de estômago inexplicável. e te dá vontade de pegar o violão e colocar pra fora aquela dor que cala, mas não consente. porque o dia em que eu conseguir fazer uma única canção com essa força, que seja, sei que poderei morrer feliz.

e aqui o link pro disco novo da guria

se tiver no nível disso aí em cima, Deus nos proteja!

Mais overmundo

Aí moçada tem texto novo meu no overmundo. sobre bandas curitibanas (novidades...!)
o link é http://www.overmundo.com.br/overblog/alem-do-tropico-de-capricornio

Então, funciona assim. as pessoas tem que votar nos textos que mais gostam pra que eles fiquem no site. confiram.
adri.

8/02/2006

Os donos da “Situação”

Jornal do Estado de hoje

Bandas curitibanas criam associação e apresentam a segunda edição de projeto musical que leva os grupos para o teatro

Adriane Perin

Esta semana tem Situação em dose dupla. O coletivo de músicos curitibanos que virou uma associação promove, amanhã na Fnac, o pocket show das bandas Anacrônica eNambrena e um debate, para marcar o lançamento oficial do projeto Acústico Situação, que acontece no próximo domingo no Memorial de Curitiba. Na Fnac, como de costume, a entrada é franca e as performances começam às 19 horas. No domingo, os shows serão às 18 horas, com ingressos a R$12 e R$6. O músico Rafael Wasmann, um dos mentores da história toda, conversou com o Espaço 2 sobre os planos e empreitadas do Situação, idéia gerada naquelas velhas e boas conversas de bar, há uns quatro anos. Desde então, as festas mensais do grupo se tornaram populares, e atraem artistas de outras áreas que sempre contribuem para diversificar as domingueiras que sempre acontecem entre 16 e 22 horas. Este mês, no entanto, tem Situação de sobra. Além da festa que deve acontecer no dia 27, tem os dois eventos desta semana.O Acústico Situação, comenta Wasmann, na verdade já teve duas edições há exatamente um ano, no Paiol e no Antonio Carlos Kraide. “A idéia é que as bandas mostrem suas músicas o mais próximo de como elas foram compostas”, explica Wasmann. “Este perfil, mais apropriado para teatro, ajuda a atrair pessoas que não freqüentam a noite, levando as bandas curitibanas para um público mais diversificado”, aposta, emendando que é uma brincadeira com os acústicos da MTV. “Virou moda, mas o nosso acústico não tem arranjos de flores, naipes de sopros e cordas, muito menos Pitty e Maria Rita”, brinca ele. Para fazer o evento eles contam com apoios (Padaria América, Fnac, Monti Paz Luthier. Miltimusic e Ticolor) , mas pagam o aluguel do teatro. O núcleo que começou e continua organizando as coisas no Situação é formado pelas bandas de amigos X Máquina, Real Sub e Coletiva. “Todo mundo sabe a dificuldade que é fazer música aqui, só que a gente não queria ficar nessa de reclamar. Pensamos num selo até que surgiram as festas”, conta ele. Isso foi meio por acaso, já que o que estava marcado e era um ensaio geral, coisa entre amigos, mas apareceu tanta gente que já virou uma festa - junto quase com um site”, conta sobre a movimentação que nasceu no bairro Boqueirão, onde residem os músicos da bandas-núcleo. No domingo passado aconteceu a 19 ª edição da festa. “Escolhemos o domingo porque é um dia meio sem o que fazer. E as pessoas podem escolher entre assistir televisão ou ir conhecer a cultura local”. Atualmente, o coletivo que era algo informal virou uma Associação legalmente registrada, com diretoria, estatuto e tudo mais. “Acho que é uma alternativa para a cena independente sim, porque dá mais credibilidade”, diz ele, completando que são dois os focos da entidade: o artístico que produz eventos variados e o político , que participa das discussões pertinentes, como reserva de mercado nas rádios locais e na abertura de shows. Ele já pensa adiante, no dia em que a associação tiver uma sede, com estúdio, loja pra vender os produtos dos artistas paranaenses. Enquanto isso, a trupe segue conquistando espaço. A mais recente novidade é o fanzine Fala, que com apoio da Tecnicópias “ficou com cara de revista pop, com capa couchê, colorido, bem bacana”, diz orgulhoso Wasmann. O Fala será distribuído para quem comprar ingresso no domingo.

Serviço:
Lançamento do projeto Acústico Situação, com as bandas Anacrônica e Nambrena. Dia 3 na Fnac, pocket show e bate papo às 19h, com entrada franca. Dia 6 às 18h, no Memorial de Curitiba, com ingressos a R$12 e R$6.
"A vida é curta pra ser pequena"

disse Chacal, o poeta carioca, que tive o prazer de conhecer de pertinho. Me agarrei as palavras dele hoje, pra ver se consigo voltar a tona e não afundar de vez - isso nunca acontece, é verdade, mas a sensação parece tão real.... é tô num dia meio tonto, mas queria voltar a este blog, que também é meu, embora eu o abandone tantas vezes.

sou mesmo um bichinho esquisito, e não só por ser mulher, embora desconfie que isso é determinante. tem dias que baixa uma inércia e a única vontade é escolher entre encontrar um buraco e sumir do mundo; cobrir a cabeça com um cobertor e fazer de conta que nada existe (até lembrei do moleque Chinaski, tão jovem e tão existencialista em Misto Quente...); ou ficar feito uma retardada em frente da televisão “não assistindo” aquele filme ridículo da sessão da tarde, alguma novela, ou qualquer coisa do tipo.
Tem dias que um baixo astral mais sem razão do mundo estraçalha qualquer tentativa de reação e deixa só essa insatisfação insana, que derruba tudo e deixa só a saudade de alguma coisa que não sei o que é, se é que é alguma coisa. Os olhos vertem de um jeito tão estranho construindo um pranto tão dilacerado quando ridículo, porque de coisas que não são reais, embora de efeito devastador bem real. o sorriso ta sem vontade, e a minha doce casa azul vira um nada antes do cair da noite. Inutilidade, burrice, ignorância, mediocridade parecem não mais só rondar a existência, mas algo palpável.

Ah, mas vamos a outro clichê barato, amanhã é um outro dia e ele pode até ser o mesmo enquanto a noite não chegar, mas vai ter algo bom: se não chover nem garoar faremos - o Grupo Força da Capoeira do qual eu faço parte cada vez com mais orgulho e alegria - uma roda na Boca Maldita, às 19h30, pra celebrar o Dia da Capoeira. Então eu já sei, que a tardinha já vou estar de pernas pro ar e que vou chegar na casa azul toda toda, cheia de energia pra ainda curtir o show do Blue Afternoon - ah é, esse show vai ser muito bom, no James.

Viu só, Adriane, como "a vida é curta pra ser pequena". Larga mão disso, bobona! (Adri)