5/26/2006
Que acordes são estes que recobrem suas declarações de amor, sem jeito de querer ser,
nada,
nascendo ao meu lado, durmo em teus braços mais um sono de anjo. Nem sonhei esta noite, mas sei que tive teu calor envolvendo meu corpo e agora quando acordo quase junto com o dia guardo na boca o gosto bom de saber que tenho você
procurei um presente pra te dar ontem, mas acabo sempre achando que não sei do que gostas. Até sei, mas não sei, me entendes? Porque no fim das contas nunca entendemos nada, não é possível saber tudo ao certo e as nuvens tremem e ganham outras formas que a gente não reconhece igual.
E as palavras que saem da boca, chegam outras aos ouvidos e a gente vai levando
mesmo sabendo que 'o que você quer eu não posso dar'
e nem eu posso e também não quero, não quero querer, às vezes, e quero não querer em outras
no final, outra noite cai e sabemos que nos temos, mais do que a qualquer outra coisa no mundo. Mesmo desse jeito que as vezes parece confuso
e é por isso que não me canso de olhar pra você dormindo, quando perco o sono no escuro da madrugada; é por isso que não canso de lembrar as lindas histórias adolescentes que vivemos e me fizeram perceber o que se espalhava, mesmo que nem sempre eu quisesse, mesmo que eu muitas vezes não quisesse
por isso que adoro ainda mais a chegada da noite, mesmo as de insonia, porque daí posso te olhar nesse silêncio, lembrar as primeiras vezes que vi tua boca linda se abrir nesse sorriso que vc teima em guardar para poucos momentos.
Que voz bonita é essa que sussurra em meu ouvido essa canção tão sentida e me deixa com mais vontade ainda de viver tudo que aparecer pela frente....
Adri.
5/19/2006
A próxima onda
5/16/2006
Histórias da vida de um rapaz em forma de belas canções
foto: Rafael DabulJornal do Estado de hoje
Adriane Perin
O disco começa com um jazz bem intimista, com os primeiros acordes de trumpetes que começam bem baixinho e vão gradativamente ocupando os espaços em companhia de outros instrumentos, para já no meio da música formar um conjunto jazzístico do qual o trumpete segue sendo a estrela máxima. É quase uma vinheta, o jazz que abre o disco Insomnica, do curitibano Igor Ribeiro. O que vem depois é uma chapuletada atrás da outra em um repertório de 15 canções que foram buriladas por quase três anos. Insomnica começou a ser gerado como o segundo disco da banda Iris, uma das que Ribeiro integra. Mas, na verdade foi produzido na quase solidão completa do estúdio caseiro do músico, com participações de Rubens K, Rodrigo Lemos, Mariele Loyola e Marco Mackoy. É mesmo a viagem bem pessoal do compositor e, portanto, o primeiro disco solo desse rapaz que é um dos artistas mais talentosos do circuito local, com direito a figurar como tal também no âmbito nacional. A carga emocional deste trabalho transborda desde a primeira faixa. Tem nas entrelinhas de canções carregadas de sentimentos, as cores de relações intensas, em escritos confessionais, que soam como acertos e erros de um romance que está no caminho para o fim, mas não sem deixar marcas fundas. Pianos, violões, trumpetes, teclados, guitarras, barulhos. Nada de mais, aparentemente, mas vai ouvir o resultado... Se nota ali algumas influências/referências de Ribeiro. Embora as letras sejam um dos pontos altos do trabalho, não é só elas que calam fundo, provocando até uma zonzeira pela força que mostram. As combinações instrumentais escolhidas por ele captam a tristeza das letras. Ao longo da existência de sua banda, Ribeiro construiu uma sonoridade peculiar na qual é possível identificar claramente o “som da Íris” - e é também a marca do Igor Ribeiro, que, no entanto, consegue em outros projetos se misturar mais aos parceiros. Na Íris, no entanto, parece estar a essência do artista inquieto que nunca fica satisfeito com o que fez. São timbres, arranjos instrumentais e vocais de cores sentimentais que servem de cama para letras pessoais e formam um conjunto de fazer doer o coração, äs vezes, de fazer pensar na vida, de fazer lembrar e sentir tudo de novo.Solidão, saudade, tristeza, busca, tentativa de (se) compreender, um tumulto de sensações que ficam entre o querer largar e não conseguir. Sentimentos que escapam desse álbum, lançado independente. Não é um disco fácil - é de uma beleza doída. Tem seus momentos pop, mas a densidade e tensões musicais dão o tom das 15 faixas.A primeira parte é a mais soturna do disco, com passagens intensas pelos machucados provocados pela vida, como “Meia Noite” (“Se Você acha que a gente deve seguir nossos destinos separados/ é melhor então deixar as lembranças de lado/ é melhor então deixar alguns sentimentos de lado/ Te reencontrei num quarto chorando sozinha/ num quarto escuro meia noite”).Ou “Tuas Mentiras” (“Eu te dei meu coração/você me disse não vale a pena/ Eu te dei meu coração/você me deu os teus problemas. Eu te dei meu coração/ você me disse não gosto de você/ como você gosta de mim/O Amor sempre tem fim”).Cortando as faixas com letra, estão outras igualmente belas, instrumentais. O disco de Ribeiro, que também toca na ESS, tem momentos pinkfloydianos, tem elementos eletrônicos e até uma desconstrução a la Gengivas Negras, mas na maior parte do tempo é Íris/Igor Ribeiro, até a medula. A partir de “O que é que Você vai Fazer”, parceria com Rubens K (Íris e Terminal Guadalupe) Insomnica parece a janela aberta em um dia bonito, para o até então clima sombrio predominante no disco. A partir daí, o álbum tem um som mais aberto, com cores mais pop que o deixam menos introspectivo. Entre estas, duas versões de “Certas Manhãs”, com vocal do Poléxia Rodrigo Lemos (“Lembra de certas manhãs, em que a vida, você eu/ ficavamos leves/ Depois no final da noite a gente se abraçava e tentava descobrir novas maneiras de ser feliz/A gente quase consegui/ foi por um triz”).
NÃO VOU MORRER NA MINHA KITCHENETE
O curioso é que o texto do Mário saiu justamente na página ao lado da que tem como destaque uma matéria intitulada "Está inaugurado o terror nos Jardins". Ou seja o problema, todo dia morre gente no Capão Redondo, mas neguinho que tá lá na Daslu não tá nem aí. Entenderam o que eu disse...
Não vou morrer na minha quitinete
MÁRIO BORTOLOTTO ESPECIAL PARA A FOLHA
A ordem agora é morrer nas próprias casas. Uma das frases que mais me marcaram nas últimas semanas foi justamente a frase dita por Sara Joanna Gould, uma americaninha de 21 anos que tá fazendo intercâmbio no Brasil. Ela falou pra Revista da Folha: "O que me surpreende não é a pobreza, comum na América Latina, mas sim a riqueza, o número de milionários em um país como o Brasil".Sacaram? Vocês que agora estão escondidos em suas casas, com medo de saírem às ruas pra tomar uma inocente cerveja ou pra ir a um cinema depois de um dia cansativo de trampo e pavor? Vocês sacaram que isso que vocês estão passando nesse momento é rotina nas favelas cariocas? O toque de recolher, o abaixar as portas, o rezar baixinho pra que ninguém ouça. Às vezes tão baixinho que nem Deus ouve.E a gente faz de conta que tá acontecendo longe daqui, num país distante de alguma fábula de terror. E agora você tá vendo os busões incendiados, as estações de metrô metralhadas, e você tá dentro do trem fantasma.E você pergunta pra mim o que eu penso disso? Eu não sou político, não faço parte de nenhuma igreja, não sou banqueiro nem empresário. Não lucro com nenhuma espécie de proibição. Mas tem gente lucrando, não tem? O pouco dinheiro que ganho trabalhando é pra pagar as contas e comprar livros. E você vem perguntar pra mim o que eu acho disso? Você acha que isso aí é só uma guerra de polícia e bandido?Faz a autópsia da situação, brother. Com atitudes meia-boca não vai acontecer nada de fato. Não vou gastar meus 1.600 toques com palavrório empolado. Libera tudo, meu irmão, divide o bolo, libera as drogas, a pirataria e a putaria, deixa todo mundo trabalhar livremente e ser o dono de suas próprias vidas.Oportunidade pra todo mundo melhorar de vida. Iguala as condições pra batata não assar. Mas é claro que isso não vai acontecer, não é? Então não perguntem pra mim o que acho disso. Nunca perguntem para alguém libertário como eu o que acho de algo assim. Você tá com a bunda no inferno e quer manter a dita refrigerada?Eu tô em casa, mas prefiro optar por não morrer aqui. Ainda posso fazer isso. Vou sair pra tomar uma cerveja. Se eu ainda tivesse um pai, arrastava ele comigo. Meu nome é Mário Bortolotto e não existe nada de que eu goste mais do que um pingado e um pão com manteiga depois de uma noite de sinuca.
Mário Bortolotto é dramaturgo, diretor de teatro e ator
5/10/2006
Essas recordações me aquecem
Posso me sentir lá outra vez, o cheiro da lenha começando a queimar no fogão, a chapa limpa, fumaça discreta fumegando; o calor começando a aquecer e se espalhando pela casa ao som de uma música caipira que saia do radinho de pilha ligado na tomada, sintonizado na rádio Coroado (que ainda ta lá, mas agora é FM, se não me engano) em cima da geladeira. Era uma cônsul vermelha a geladeira da casa onde cresci.
Dali a pouco o cheio do café é que tomaria conta, enquanto os primeiros ruídos dos caminhões chegando para levar o povo pras lavouras de alho (é difícil esquecer aquele cheiro – o do alho, to falando agora).
Eu já estava com a porta do bar aberta. Nem sempre era eu quem o abria, mas sempre que abri tive que controlar um certo medo do que havia depois da porta. Coisa de criança ter medo assim – mas desde pequena não me dei outra chance que não a de encara-lo. (Lembro muito bem, que via “fantasmas” no trajeto entre o bar e a cozinha de casa – eles eram juntos, mas se passava por um corredor entre um e outro. E eu me obrigava: vai lá e olha atrás da porta pra vê como num tem nada ali. Antes um pouco de abrir o bar pedia a proteção das ‘entidades do bem’, que foi como aprendi, de seu ‘destranca rua’ –quem sempre ganhava uns goles de pinga pra melhor cuidar da gente - do meu querido ‘preto velho’. Foi as bênçãos de algumas “entidades” que vivi a primeira etapa da minha vida).
Voltando ao café, o café com mistura ficava pra depois, antes era preciso preparar as marmitas de quem pegaria no batente sob o ar gelado em cima de uma caçamba, os bóia-frias, com suas cadernetas de contas anotadas. Eles levavam na bolsa café com leite, pão com salame, lembro bem.
O meu lanche favorito era o bauru, que minha vozinha fazia com pão de leite e queijo da roça (eu não tinha idéia de que é algo sofisticado com tantas variações!), feito direto na chapa do fogão a lenha, prensado por uma chaleira que sempre tinha água quente. Na mesma chapa que fazia um gostoso pinhão, deixando marcas do seu calor na casca e espalhando aquele cheiro que aqui no Paraná o povo também conhece muito bem.
O café para acompanhar vinha com graspa para esquentar o corpo pequeno que logo encararia o horário escolar subindo um imenso morro, não raras vezes, coberto pela geada que fazia deslizar de volta três passos em cada um que se conseguia dar.
Era mais ou menos assim que meus dias começavam e foi deles que senti saudades hoje, meio dormindo ainda. Quis outra vez minha Vó Ina ao meu lado ou me esperando na cozinha com seu avental e vestido florido, fazendo tudo por mim – inclusive não me deixando ver televisão. Ou levando uma porção de brasa num panelão para aquecer meus pés gelados desde criança, preu não ficar tão gelada no bar nos dias mais frios.
Fui de volta praquele quarto que dividia com eles, parede na parede do bar e o barulho dos homens jogando sinuca, ou cartas: pife ou canastra, não truco, que aquele povo era muito brabo e esse jogo era briga quase certa e as brigas lá eram sempre muito feias de se ver e eu vi algumas...
Essas recordações me matam, canta o Rei – e tantas vezes ouvi essa triste música pensando nisso tudo, depois que vim pra Curitiba. Mas, fazia tempo que elas não me acertavam assim. Claro que não dormi, pulei da cama e rabisquei algo parecido com o que você ta lendo. Mesmo agora, dois dias depois desse despertar, é impressionante, como tudo volta a tona, só que de manhã, no silêncio do dia que ainda não começou pra maioria, é tudo tão mais forte. E o mais incrível de tudo é a nitidez das sensações, das lembranças, dos cheiros, dos medos, dos barulhos, do amor e do carinho que recebi, e, principalmente, dessa saudade tão monstruosa que nunca mais vai passar.
Adri Perin
5/05/2006
Réquiem por um sonho alquebrado
3/24/2006
NOTÍCIAS E IMAGENS DO LADO DE LÁ
Emily Phillips e o Transcargo, em ação, no antigo Cine, no Rock de Inverno 5, por Marcelo BorgesE nosso amigo, Marcelo Borges, manda avisar de Londres que seus vídeos já estão a disposição pra quem quiser conhecer e assistir no You Tube. Lá vocês podem conferir, por exemplo, vários clips que ele fez pra gente do OAEOZ e outras bandas de Curitiba, como o Magnéticoss, Poléxia, Eletric Haven, Sofia, Zeitgeist, aaaaaaamalencarada. Também dá pra ver os vídeos que ele fez das três primeiras edições do festival Rock de Inverno, com apresentações das bandas Faus, Zigurate, Cores D Flores, Poléxia, Loaded, Sofia, Trio Quintina, Plêiade, e Zaius. Agora a novidade mais quente é que o Marcelo já postou lá também uma prévia dos dois primeiros vídeos do Rock de Inverno 5, que ainda estão em fase de edição, e estarão no DVD com o vídeo documentário sobre o festival que pretendemos lançar este ano. Já estão lá o OAEOZ, tocando “3h30”, e o Transcargo (UK), tocando o ska jazzy “If only”. O mais legal é que nessa edição a gente pode captar tanto o vídeo quanto o áudio com qualidade muito boa. Foram três câmeras digitais registrando o vídeo e o áudio gravado em oito canais. Então teremos condições de conseguir um resultado final muito melhor. Tanto que o áudio que vocês ouvem nos vídeos lá no You Tube ainda não foi mixado, e mesmo assim está bem razoável, mas vai melhorar muito ainda.
Pra quem não sabe, o Marcelo é um parceiro nosso das antigas e um cara que tem uma longa folha de serviços prestados a cultura e a música paranaense. Pra começo de conversa, o cara foi um dos sócios fundadores do Poeta Maldito, lendário bar do final dos anos 80, começo dos 90 que durante um tempo reunia o melhor e o pior da fauna rocker e malucos afins da cidade. Depois, criou e construiu o Hole, outro bar lendário, que mesmo com vida curta abrigou memoráveis shows da então emergente cena independente de Curitiba, servindo inclusive como um dos palcos do primeiro BIG, promovido simultaneamente pelo JR Ferreira, do 92 graus. Além disso, o cara, como fotógrato e videomaker, registrou shows de praticamente toda aquela cena do começo dos anos 90 em vídeo, reunindo um material que ainda está por ser devidamente recuperado, editado e divulgado. Depois, já na metade final dos anos 90, o cara foi um dos sócios moradores da república da família peixe-cachorro, que também abrigou grandes festas e shows com um palquinho montado no fundo do quintal, e onde o OAEOZ fez seus dois primeiros shows, no final de 1997. Enfim, eu poderia ficar aqui o dia inteiro contando histórias desse cara, de quem me orgulho de ter como amigo, parceiro e brother mesmo, do coração, sem demagogias. Gostaria, inclusive, de tê-lo aqui por perto, mas a necessidade, a vontade e a inquietude dele não permite que fique muito tempo em um lugar só, muito menos em um país como o Brasil, onde o talento não garante sequer trabalho capaz da pessoa poder garantir sua subsistência com um mínimo de dignidade. O trabalho do Marcelo é de extrema importância para a cena independente não só de Curitiba, como brasileira, mas como muita coisa em nossa terrinha, ninguém conhece nem dá a menor bola. Ao contrário de lá fora, onde o cara já teve a manha de cruzar e trabalhar com gente como Damon Albarn (Blur), Irvine Welsh (Trainspotting), Ben Watt (Everything Butt the Girl) e os Libertines, pra ficar só nos mais conhecidos. Por aqui o cara mal conseguia pagar o aluguel, mesmo trabalhando pra caralho. Enfim, agora todo mundo que quiser e tiver interesse pode conhecer o trabalho do cara pela internet. Portanto, vão lá, deixem seus comentários, divulguem, aproveitem.
link direto para a página do Marcelo Borges no You Tube
ou digite marceloborges na busca do site
3/21/2006
Independente - livro“Se tirar a poesia da vida não sobra nada”
Adriane Perin
“Escrever e publicar é sempre um ato de quem não tem nada a perder. Coisa de fedelhos que não têm o que fazer, a não ser ficar metendo o bedelho na vida e nos sentimentos alheios”. A apresentação do novo livro de Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos já é um poema ao mesmo tempo que diz muito sobre o ofício do poeta. Não é missão fácil escrever em forma de rimas, em tempos de em que ela tanto se confundiu com os desabafos pós-adolescentes.
Mas, parece que os ventos estão virando e novamente a poesia essencial começa a chegar mais fácil novamente, quem sabe, recolocando Curitiba na dianteira irradiadora em que fez história nessa vetusta arte de lidar com a palavra em formas.
É o que acha Thadeu, o poeta – como ele se apresenta facilitando a vida de quem não tem familiaridade com a sonoridade de seu sobrenome. Incansável, o veterano do tempo da turma de Leminski, Marcos Prado, Beijo AA Força, Opinião Pública e cia. apresenta hoje Não Temos Nada A Perder , vigésimo-quinto título de uma carreira que tem muitas músicas gravadas e também romances.
Antes desse, o lançamento mais recente foram quatro títulos em um lambada, em 2004: Assim até eu, um romance; Comes, Bebes e Fumacês, o Carinho da Violência e O Amor é Lino (homenagem ao buteco e seu dono que tão bem receberam a geração punk curitibana e as que vieram depois). Este ano, outro tanto virá. Ele anuncia uns quatro, talvez. Será que este figura que parece estar sempre rodeado de muitos amigos escreve sempre tanto assim? “É que ás vezes as coisas ficam guardadas. Agora estou com dez livros esperando”, conta, emendando que em abril chega ao mercado seu primeiro disco-solo.
Opa, isso é novidade. “Já tenho músicas gravadas por um monte de gente, mas esse projeto é da Grande Garagem que Grava, me chamaram. Se dependesse de mim não teria gravado”, diz.
Bares se renderam a leituras poéticas
Tem muita gente que fala bastante sobre as dificuldades de entrar no mercado editorial. Não o Thadeu. “Não acho difícil. Que não se tem apoio oficial, é verdade. Mas o cara que fica dependendo disso não faz nada. Veja eu, ainda vou ter uns três ou quatro livros esse ano”, adianta ele, que partilha com o parceiro Sérgio a definição de Ezra Pound para a poesia. “É uma conversa de pessoas inteligentes”.
O momento é bom, acredita, para a poesia, que tem ganho espaços. Tem gente se reunindo para ouvir poesia até em bares. “O poeta é um artigo de primeira necessidade, se a gente tirar a poesia da vida não sobra nada”, ensina.
Na verdade, Thadeu acha que a poesia nunca deixou de ser importante. “É que é preciso separar aqueles que escrevem como um desabado amoroso até os 20 anos – todo mundo passa por esta fase. Mas, o público, mesmo pequeno, nunca deixou de existir. Nosso poeta mais lido é Augusto dos Anjos, leitura difícil e fartamente consumida. Estive em Londrina na Semana Leminski e li poesia em dez lugares diferentes. Em Curitiba estive no Porão Loquax e também tinha pessoas me ouvindo”, argumenta. ”Curitiba sempre foi uma referência em poesia, desde a época do simbolismo. Antigamente, das nove revistas brasileiras sete eram daqui. Acho que estamos retomando essa trajetória como centro irradiardor de poesia. Tem uma piazada legal, isso sem falar no rock, no que a cidade é a capital mundial. Tem muita letra da gente cantada por este pessoal”, celebra. (AP)
Serviço
Beto Batata (R. Prof. Brandão, 678 - Alto da XV). Informações (41) 3262-0840.
3/20/2006
Top Overmundo
O novo texto da Adri em destaque conta sobre um projeto de uma professora de antropologia de Foz do Iguaçu, que busca, através de objetos recolhidos junto à comunidade, estimular a integração entre as 73 diferentes etnias que povoam a cidade.
Entrem lá, confiram e votem.
3/15/2006

EU JÁ SABIA
E a festa do Overmundo, com os Índios Eletrônicos e amigos analógicos foi muito legal. E confirmando aquilo que eu já imaginava - que o trabalho dos caras ia chamar mais atenção logo lá fora do que aqui - eles estão desde ontem na capa do site Trama Virtual, com uma entrevista impagável, que com certeza vai aumentar ainda mais o interesse de muita gente inquieta por esse trabalho mais do que provocador. Pra mim não é surpresa. O som do Índios vai além da música, é uma experiência física. Porque expressa exatamente o caos e a loucura que passa pela cabeça desses dois caras, processada em oito amplificadores de guitarra e baixo e inúmeros pedais de efeitos. É claro que não é algo de fácil digestão, nem é pra ser. Mas quando a gente pára de procurar uma referência óbvia daquilo que se conhece como "música" ou "canção", e se deixa levar pela onda de vibrações e frequências, começa a realmente "fruir" (aproveitar, curtir), o negócio. É como pintura abstrata. Não adianta ficar querendo encontrar uma figura conhecida no meio daquelas pinceladas. o que importa é se o resultado final de causa algum tipo de sensação real, emoção, sentimento, seja do belo ou do inusitado. É isso aí André e John. Colocaram na roda, agora aguentem. Parabéns. Confiram a reprodução da entrevista abaixo e confiram a íntegra no link
Pajelança hi-tec
por Dagoberto Donato
Os Índios Eletrônicos, de Curitiba, fundem xamanismo e experimentos intergaláticos em sua música pouco convencional
14/03/2006
“Um laboratório de guitarras, basicamente umbanda de space rock”. Desta maneira se definem, enigmaticamente, os Índios Eletrônicos. O som, assim como a definição, pode parecer de difícil digestão. Ouvidos acostumados a sons menos convencionais, no entanto, devem encontrar, entre os diversos lançamentos do projeto, farto material para se deliciar. Os Índios falaram por e-mail à TramaVirtual – devidamente auxiliada por Guilherme Barrella, da Peligro e Open Field Records, admirador da banda e de música não-óbvia em geral. As repostas, assim como o som, podem desorientar os incautos. Ou instigar os mais atentos. Com vocês, os “pregadores do desapego elegante” André Ramiro e João XXIII.
Explica o que e quem são os índios eletrônicos.
Índios eletrônicos é um laboratório de guitarras, basicamente umbanda de space rock. Se fôssemos mais precisos, diríamos que somos pitadas adocicadas de experimentos intergalácticos mediados por um cerimonial indígena hi-tec. Fazemos parte de uma nave-mãe, esperando e convertendo sentinelas. Somos discípulos do abstrativo com realidade. Somos caçadores do transe aurífero azulado. Somos pregadores do desapego elegante. Somos João XXIII e André Ramiro.
De que outras bandas e projetos vocês fazem parte? Como eles se relacionam com o índios?
OAEOZ e ruído/milímetro, bandas curitibanas. Na verdade, a diferença é que ainda não foram convertidas em água. Certo ou errado, com elas o resultado é sólido e o desgaste é menor. Basta apenas centrar o canal destes alicerces. Como funciona a participação dos colaboradores? Quem participa? Somos como coração de mãe, carregamos conosco os não necessitados de prazer. Sempre há espaço para mais um sentinela. Por mais que demore, é incontestável o poder da força. É verdade que vocês já têm dez discos prontos? Têm a pretensão de lançar tudo? em que formato? Se estivermos corretos, os 100 próximos discos já estão prontos antes mesmo de serem concebidos. É o próprio poder da água. No momento temos dois discos virtuais (índios também amam o supremo e live at chinasky), dois de modo impresso (lâmina d´água e brados retumbantes) e mais um virtual que será lançado pela net label portuguesa MERZBAU.
Explique o nome da banda e o conceito de xamanismo dentro do projeto.
O nome da banda é uma homenagem aos exterminados. Quanto ao xamanismo, pode-se dizer que é um ritual indígena hi-tec, um cerimonial temperado a base de amplificadores, delays, echos, samplers e guitarras que, fundidos densamente, estão em busca do nó. Os rituais são de cunho hindu de R$1,99, trivédico de R$1,99, cigano de R$1,99 e químico adocicado 25.
Fale sobre o processo criativo. Como vocês se utilizam dos equipamentos de que dispõem para criar?
O processo criativo é inicialmente aleatório e, na medida em que a força impera, o procedimento torna-se auto-suficiente. Nem tudo é ouro azul, nem tudo é água, nem tudo é pirita. A divindade se revela na medida em que os pedais são ativados e os circuitos se fecham. Por graça dos que repousam e na nossa ingenuidade, a abertura só vem depois. Vem e vai. Vem e vai. São como espadas de fogo, empunhadas juntamente com bandeiras flamejantes. Como já dissemos, nem tudo que reluz é ouro. Às vezes, tão intenso é o rumor dos amplificadores que até nos amedronta; e para nossa surpresa, a sonoridade captada quase sempre admite uma singela clareza e lucidez. Como se as pedras lamentassem nossos pecados.
Quem é o público de vocês? Existe público no Brasil pra música experimental?
Temos um público alvo bem definido; os que necessitam da luz. Estes existem desde que o mundo é mundo.
Fale sobre os discos que estão lançando.
A lâmina d’água é um tributo aos lambaris merovíngeos. A sonoridade do disco é voltada para o mundo muçulmano, visto que existe uma participação explícita dos nossos familiares libaneses. O brados retumbantes é o clamor enclausurado do rock curitibano. Anel no bolso. O disco índios também amam o supremo é uma homenagem ao baiacu merovíngeo Igor Ribeiro. live at chinasky é uma obra downtempo. Uma representação retrógrada do cenário underground paranaense.
Mais alguma coisa?
Multiplicai-vos com auto-conhecimento!
3/10/2006
Overmundo nasce ao som dos Índios Eletrônicos em Curitiba
É nesta sexta-feira, 10 de março, o lançamento nacional do portal Overmundo e Curitiba não vai ficar de fora. No Paraná o QG da festa é no Retro Bar, na capital, onde acontece a “intervenção-cerimonial-indígena hit tec” do duo Índios Eletrônicos – lançando os eps Lâmina d’Água e Brados Retumbantes - e a discotecagem de Guga Azevedo e Rafael Trucker. O evento paranaense é um dos 17 que estarão acontecendo simultaneamente pelo Brasil para marcar a entrada no ar do site que tem entre seus “cabeças” o antropólogo Hermano Vianna.
A idéia, que tem patrocínio da Petrobrás e é baseada em conteúdos colaborativos, é um portal que se sustente com informações culturais e comportamentais do Brasil inteiro. Para ser colocado no ar, o Overmundo contou com o trabalho de 27 jornalistas de todo o Brasil (chamados de overmanos e overminas) contratados para produzir o material inicial que viabilizou a existência do portal, desde a última terça-feira, dia do lançamento oficial. No Paraná a jornalista é Adriane Perin.
Criado para ser alimentado pelos próprios usuários, o site exigiu o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas. “Criamos os instrumentos para que a idéia de um endereço efetivamente colaborativo seja uma realidade. Portanto, é uma ferramenta que estamos disponibilizando e não uma revista. Nós queremos ser surpreendidos pelo uso que a comunidade vai fazer”, comenta Vianna. O Overmundo funciona num sistema de votação que deixa para a comunidade a decisão do que vai estar em destaque. As pessoas podem comentar os textos e dicas postadas, que depois irão para uma ‘fila de votação’. Tem também espaço para agenda e um banco de dados com disponibilização de obras.
Índios Eletrônicos, a atração escolhida para a festa do overmundo em Curitiba, é um duo formado por André Ramiro (OAEOZ/ruído mm) e João XXIII (ruído mm). Nascido há menos de um ano no mundo virtual, o duo já tem muito boas notícias e estão está criando uma trilha de boa e rápida repercussão na internet (www.myspace.com/indioseletronicos), com convites inclusive para lançamentos no exterior.
A proposta deles é experimentar e eles não têm medo de mergulhar em seus experimentos, se valendo para isso de duas guitarras conectadas a um número de amplificadores que dependendo do espaço pode variar entre 4 e oito, além de muitos pedais de efeitos. A discotecagem, dividida em dois tempos, terá uma seleção especial de obras brasileiras pouco conhecidas no set de Guga Azevedo que vai se revezar com o Dj Rafael, residente do Retro – parceiro da De Inverno na empreitada de produção da festa.
Serviço:
O que: Festa de Lançamento do portal Overmundo (www.overmundo.com.br)
Quando: Dia 10 de março a partir das 22h.
Quanto: R$6.
Onde: Retro Bar (R. Trajano Reis, 351).
3/08/2006
Overmundo no ar
Na fila de votãção, está uma matéria sobre o Cinema Paranaense. A dica é: entrem, comentem, votem, escrevam. Agora estamos todos juntos descobrindo como o site funciona. (adri perin)
adendo: só um detalhe que a Adri não explicou. lá no site do Overmundo tem uma série de textos assinados por ela sobre a produção cultural paranaense, incluindo cinema, música, etc. Pra acessar essas matérias é só ir no item "colaborações referentes a um estado", e escolher o Paraná. Para que as matérias apareçam na primeira página do site é preciso que elas estejam entre as mais votadas. Por isso, todo mundo pode ajudar a colocar em destaque nacional aquilo que muita gente legal e talentosa tá fazendo por aqui. é só VOTAR!!
Aproveitando o ensejo, notícia de última hora. O Terminal Guadalupe teve seu disco eleito o melhor de 2005 na votação do público da revista Laboratório Pop. Parabéns Dary, Alan, Rubens e Fabiano por mais essa conquista. E vamo em frente!
Ivan
3/07/2006
2/03/2006
Essa entrevista saiu no site Descubra Curitiba, a propósito do show da Fnac.
Pocket com OAEOZ na Fnac
Músicas inéditas ainda em gravação compõem o repertório do pocket show que a banda curitibana OAEOZ apresenta nesta quarta-feira na Fnac. O som do grupo é intimista, ganha força com as guitarras e é influenciado pelo rock 1970’s, música progressiva e psicodelismos.
Além das novidades, o público vai ouvir algumas composições do álbum Às Vezes Céu – o primeiro da banda gravado inteiramente em estúdio, entre fevereiro e março de 2004. O CD foi lançado pelo selo De Inverno Records, criado pelo fundador da OAEOZ, Ivan Santos, e sua esposa, a jornalista Adriane Perin.
O Portal Descubra Curitiba conversou com Ivan sobre a apresentação “minimalista” que a OAEOZ fará na Fnac. Na entrevista, o editor de política do Jornal do Estado e vocalista da banda conta mais sobre o novo trabalho e a cena alternativa na capital paranaense. Confira:
PORTAL DESCUBRA CURITIBA - Vocês já estão trabalhando no novo CD?
IVAN SANTOS – Eu não sei se vai ser um CD, estamos trabalhando em músicas novas, inéditas, que vão entrar em um novo trabalho. Ainda não sei se será um disco físico ou virtual. Hoje, CD é mais para divulgação. Está caindo em desuso, é uma mídia em vias de extinção. Já gravamos a base de quatro músicas, devemos terminar até o final do 1º semestre.
Como são as novas músicas?
Na essência, seguimos a mesma linha desde o começo, que é o rock com base em folk e elementos de jazz. Há momentos mais introspectivos e outros mais experimentais. O que difere nesse trabalho é a coesão da banda. No CD anterior, o Carlos Zubek e o André Ramiro estavam há pouco tempo na banda, ainda havia um processo de entrosamento. Agora já tocamos em São Paulo, Porto Alegre, no interior do Paraná... Inclusive, no próximo disco, uma das faixas tem música e letra do Carlos. A banda está mais coesa, o som mais sólido, reflete o entrosamento maior. A maioria das composições continua minha, o som está um pouco mais pesado e mais sintético. As letras continuam bem confessionais – a música é um veiculo para contar nossas histórias.
Desde quando você compõe?
Comecei a compor a sério a partir de 1994 ou 1995. Eu e o Igor [Ribeiro], atual ESS, somos fundadores da banda. Nós e o Rubens K, da Terminal Guadalupe, começamos a compor junto e foi aí que se formou o embrião da OAEOZ.
O repertório do pocket show são as músicas novas ou as canções do CD “Às vezes céu”?
A maioria são músicas novas, com roupagem um pouco diferente. O baixista não vai participar, ele está viajando. A gente aproveitou o que seria um problema para transformar o show em uma coisa mais introspectiva, mais minimalista, com a bateria usando a coisa da percussão. O show normalmente é mais explosivo. Adaptamos até por uma questão de adequar ao ambiente e ao horário, queremos fazer uma coisa que envolva o publico.
Alguma das novas músicas já está disponível na internet?
Tem uma gravação inédita que a gente fez no Tributo a Fellini [banda de rock brasileira dos anos 1980] que a gente pôs no “my space”, é uma versão de Città più Bella do Felline. O tributo ainda não saiu.
Qual é o público da OAEOZ?
É difícil dizer, porque a gente não se encaixa nem na cena underground, nem na mainstream, a gente não se prende a nenhuma fórmula, a nossa música é muito espontânea, sempre tivemos isso como princípio básico da banda. O público vai desde pessoas mais velhas até a molecada que conheceu agora e freqüenta o festival Rock de Inverno. No show de lançamento do Paiol, por exemplo, tinha gente que eu nunca tinha visto em um show nosso.
Você está bem integrado na cena alternativa curitibana com a banda e o selo De Inverno, e é casado com uma jornalista que cobre música independente. Que análise você faz da cena musical curitibana neste momento?
O momento é muito bom, no geral muitas coisas estão acontecendo e as bandas estão se firmando. O próprio ESS está crescendo, recentemente rolou um lance envolvendo o Bonde do Rolê, um grupo de DJs que vai ser produzido pelo memso produtor da M.I.A. Há uma série de núcleos coletivos de produção, são várias cenas convivendo paralelamente: psycho, hardcore (praticamente profissionalizada), reggae, mod... O Faicheclairs está com gravadora, está para sair o DVD da Relespública pela MTV (um fato histórico, porque é a primeira banda independente daqui que consegue espaço maior na mídia nacional. Agora, é sempre tendo que matar um leão por dia. O trabalho é constante e o desafio é ter continuidade. A Relespública é um exemplo perfeito dessa persistência e continuidade
Já dá para viver de música?
Não, o mercado é muito restrito, a indústria musical no Brasil é viciada, decadente, vive na mesmice. A chance de se projetar é muito pequena e discos não vendem mais praticamente. Determinados nichos, como o hadcore (o Sugar Kane), conseguem sobreviver do que fazem. A maioria faz porque gosta, quer e tem naquilo uma forma de expressão. Não quero transformar a música em trabalho, porque seria contraproducente. Até porque a nossa não música não é de consumo rápido, fácil. Exige um grau de atenção em que o grande público não tem interesse.





