9/04/2008

Só não vê quem não quer

É engraçado. Tá certo que reclamar é um esporte nacional. E muitas vezes a gente reclama com razão, é claro. As coisas não são fáceis, mesmo. E em um país onde a burrocracia impera e em que a máxima: “pra que facilitar se a gente pode complicar” é regra, muitas vezes dá vontade de mandar tudo a merda.

Mas longe de mim querer contrariar o coro dos descontentes, afinal, todo mundo sabe que eu sou reclamão também. Mas é que eu também sempre gostei de ser do contra, sabe como. De ir contra o senso comum.

E a real é que se reclamar é um esporte nacional, em Curitiba, a gente elevou isso ao status de arte. Curitibano adora reclamar da cidade, até que sai daqui e vê que lá fora muitas vezes o bicho é mais feio ainda, mas aí, as vezes quando percebe isso já é tarde.

Enfim, to falando isso porque sinto que muitas vezes a gente tá tão atolado nas dificuldades e exasperações de nosso dia a dia conturbado que não percebe as coisas boas que estão acontecendo à nossa volta. As vezes até percebe, mas de uma forma fragmentada, o que impede que você tenha uma noção do todo, e de que se a gente olhar com cuidado esse todo é muito maior do que se imagina.

Se não vejamos algumas das coisas que têm rolado nos últimos tempos aqui em Curitiba nessa área da música independente, muitas daquelas registradas neste blog e/ou nas reportagens da Adri no JE reproduzidas aqui:


- O TUC foi reformado e voltou a ser reduto das bandas curitibanas, com shows todas as quintas-feiras, todos com bom público e ótimo astral. Shows baratos, em um lugar bem localizado, com boa estrutura e público interessado.

- Com o apoio do edital de bandas de garagem da FCC, duas grandes levas de discos de 25 bandas foram lançadas pelos selos Grande Garagem que Grava e Discos Voadores, que por sua vez estão fazendo os lançamentos lá no TUC.

- Outro edital semelhante está para ser lançado, o que garante mais uma leva de discos saindo provavelmente no ano que vem, e ao mesmo tempo, a ocupação do TUC pra 2009, com mais shows de bandas locais.

- Depois de um período em que parecia ter se fechado, os espaços para a música local na mídia curitibana começam novamente a se abrir. Exemplo: a Gazeta do Povo, maior jornal daqui, voltou a ter um espaço fixo semanal para a produção nativa, a coluna do Luiz Cláudio Oliveira, Acordes Locais;

- ao mesmo tempo a Mundo Livre FM lançou o projeto Acústico capitaneado pelo Helinho Pimentel, com um programa semanal e shows de lançamento. Na primeira fase estão previstas 12 bandas, mas parece que a meta é chegar até 48 até o ano que vem.

- Além da grande mídia, espaços novos têm se aberto no veículos alternativos. Vide o programa Pras Bandas e outros em rádios comunitárias.

- O Último Volume, programa já clássico do Neri e do Marco Stecz com dez anos na Lumen FM tem aberto cada vez mais espaço para bandas e artistas locais, inclusive com uma sequência de especiais de bandas daqui tocando ao vivo no estúdio. E com uma audiência no rádio de 4 a 5 mil ouvintes, fora a internet.

- Abonico Smith reformulou o Bacana, que se transformou em um portal, inclusive com a criação de um selo virtual para lançamento de discos de artistas locais.

- O Digão Duarte, que já divulgava trabalhos de bandas locais no Bonde, agora também tem uma coluna semanal na Folha de Londrina.

-Tem ainda o Trevo Digital, plataforma para comercialização de música em MP3, com ênfase nos artistas locais.

- O festival Lulapaluna, da RPC, abriu espaço para grupos locais, mesmo que ainda timidamente, e a previsão é que isso se amplie nas próximas edições do evento.

- A FCC também lançou recentemente e já está em fase de seleção dos projetos para o edital de fomento de festivais independentes. Isso significa que no ano que vem teremos quatro festivais desse segmento com recursos para fazer eventos de boa estrutura e visibilidade. Além disso, a expectativa é que esse novo tipo de edital tenha periodicidade anual daqui pra frente.

- Novos núcleos de produção têm surgido e se consolidado. Vide as festas da Ruído Corporation, quase sempre cheias, e do pessoal do Basement. Novos bares tem aberto espaço para bandas locais, como o Slainte, e outros que eu não lembro agora.

- Tem ainda o projeto “Rock em Terça Maior", do teatro Guaíra, que abriu o Guairinha pra bandas locais.

- Idem em relação à TV Transamerica. Esses dias vi o Charme Chulo por lá.

- E tem o Projeto Tubo de Ensaio, que vocês viram recentemente aqui, criado pela Destilaria do Audio Visual coloca bandas em performances acústicas em lugares inesperados como em cima de uma laje. Videos superlegais, com ótima qualidade tanto de imagem quanto de som. Coisa de primeira linha.


Enfim, eu poderia ficar aqui o dia inteiro citando exemplos como esses (mas não dá porque tenho que trabalhar). E olha que são só exemplos de coisas que aconteceram ou surgiram este ano, não falei de coisas que já existem e continuam por aí há mais tempo, como o Ciclojam, do Ciro Ridal na TV Lúmen.

Nada disso significa que nós estamos no paraíso ou que amanhã as bandas curitibanas estarão tocando cheias da grana e tocando no faustão (até porque, no segundo caso, a maioria acho que nem quer mais isso). Mas sim que as pedras continuam rolando, e se nem tudo é uma maravilha, também não dá pra dizer, à luz dos fatos, que nada está acontecendo, ou que tudo é uma merda. Antes de falar é preciso ter perspectiva.

E o fato é que muita coisa boa tem acontecido, muitos novos espaços têm sido abertos, um público novo vem demonstrando cada vez mais interesse na produção local e essa produção continua se diversificando e se qualificando. Nunca houve tanta oportunidade para quem faz música faze com que ela seja ouvida. Só não vê quem não quer.

Se isso vai dar em alguma coisa maior lá pra frente não sei. E nem é a minha preocupação agora. Acho que o mais importante é aproveitar o momento e potencializar as coisas boas pra que elas cresçam e dêem novos e melhores frutos.

Me interessa quem faz, quem tem iniciativa e corre atrás, não fica perdendo tempo com choramingos inúteis. Quem faz por merecer, acredita e busca tornar os seus sonhos em realidade. Ou como diria o poeta: “só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”.

O resto, é conversa pra indie onanista dormir.

Punk rock em dose dupla com No Milk Today e Os Marlenes

Jornal do Estado

Banda das antigas e uma “novata”, com músicos já bem rodados, garantem o começo de noite da quinta-feira

No Milk Today e Diedrich e Os Marlenes são as bandas de hoje no palco do Teatro Universitário de Curitiba, o TUC, com ingressos a módicos R$3. Ambas trazem a influência do punk em suas entranhas, uma com pegada mais rock e outra, também com influências de mundos mais folks.

A No Milk Today tem mais tempo de estrada e estava lá nos porões dos primeiros anos da década de 90, quando a cidade fervia com uma verdadeira ebulição musical, recebendo representantes do cenário brasileiro de todo canto.

O grupo surgiu em dezembro de 1993 e tem em sua formação Maurício Singer (vocal e baixo), Rodrigo Meister (vocal e guitarra), Jahyr F. Neto (guitarra) e Mauricio Cabelo (bateria e percussão).
A levada dos três acordes dessa turma é mais calcada na vertente do Oi!, um punk, com linhas diretas de guitarra, baixo, bateria e vocais raivosos em dueto. Toy Dolls e The Misfits, Buzzcocks, Circle Jerks, The Damned, Varukers, Social Distortion, Sex Pistols, Inocentes, Sham 69, Die Toten Hosen e Ramones são influências citadas pelo grupo que tem dois CDs gravados: Devolvam meu Vinil! e Tormento.

Já a Diedrich e Os Marlenes nasceu há menos de um ano, mas só tem gente das antigas em sua formação. É formada por músicos das experientes Pelebrói Não Sei, Beijo AA Força e Gruvox. É composta por Oneide Diedrich (voz e violão), Ferreira (guitarra), Renato Quege (baixo) e Rodrigo Genaro (bateria), o conjunto tem no repertório tanto baladas quando potentes petardos bons pra dançar, que fazem a cama para as letras de Oneide. Pop com pitadas de folk, punk, ska, Raul, Sérgio Sampaio, Elvis, Paraguai e Porto Alegre estão presentes nessa mesma caldeira musical.

Serviço
No Milk Today e Diedrich e Os Marlenes. Dia 4 às 19h30. : TUC – Teatro Universitário de Curitiba (Galeria Júlio Moreira, s/n) Ingressos: R$ 3 e R$ 1,50 ( estudantes)

Aquecendo as turbinas para o Psychobilly Fest

Jornal do Estado

O 14° Psychobilly Fest é a partir de amanhã no Jokers, mas a festa começa hoje. Vai ser no Conserva Bar com a banda Rádio Cadaver e Chucrobillyman

O 14° Psychobilly Fest é a partir de amanhã no Jokers, mas a festa começa hoje. Vai ser no Conserva Bar com a banda Rádio Cadaver e Chucrobillyman. O Psychobilly é um dos mais tradicionais eventos do estilo no Brasil. E não é exagero dizer que é o mais importante, afinal o evento curitibano da Psychobilly Corporation está este tempo todo sem parar, trazendo pra a cidade também atrações internacionais e atraindo gente de outros lugares do Brasil que fazem parte desta tribo urbana. Esta 14ª edição vai ser com pratas da casa cuja potência dos shows é bem conhecidas entre os fãs do estilo. Entre as bandas estão Ovos Presley, Hillbilly Rawhide, Sick Sick Sinners, Krappulas. Tem ainda ainda a revelação As Diabatz, Chernobilies e CWBillies.

Uma das atrações mais esperadas é a Frantic Flinstones, banda que é ícone do psychobilly mundial, cujo fundador agora está vivendo em Curitiba e estréia a nova formação no festival. A Sick Sick Sinners, banda do produtor do festival Vlad Urban, também tem novidades. Acaba de voltar de turnê na Califórnia e México e está trabalhando no seu primeiro album Road of Sin, qeu vai sair pela Monstro discosaa, depois do lançamento na Europa pelo selo alemão Crazy Love Records. Entre os próximos shows já marcados está a passagem pelo festival Jambolada em Uberlandia e no Floripa Noise. Em dezembro outra viagem, para o Chile.

Serviço

Ingressos para o Psychobbilly. Por dia: 05/09: R$20; 06: R$30 e 07 R$15. Pacote: 3 dias: R$50

9/03/2008

Uma (boa) idéia na cabeça e uma câmera na mão

Jornal do Estado

Projeto Tubo de Ensaio, criado pela Destilaria do Audio Visual coloca bandas em performances acústicas em lugares inesperados como em cima de uma laje


A partir da esquerda: Arnaldo, Rodrigo, Eduardo e Lucas,
os criadores da produtora e do Tubo de Ensaio

Adriane Perin

A partir da esquerda: Arnaldo, Rodrigo, Eduardo e Lucas, os criadores da produtora e do Tubo de EnsaioA máxima glauberiana, quando trabalhada por boas cabeças, traz resultados instigantes. E a idéia pode partir de um princípio muito simples, cotidiano mesmo, como é o caso do projeto Tubo de Ensaio, criado pelo quarteto de publicitários – com formação em cinema -, Rodrigo Sakum oto, Lucas Negrão, Arnaldo Belotto e Eduardo Ribeiro, todos na faixa entre 23 e 25 anos. Neste caso a idéia foi colocar bandas para tocar, acusticamente, em lugares inesperados.

Tubo de Ensaio é um desdobramento da produtora Destilaria do Audiovisual, criada por eles há uma no e meio. Para colocar o site ano ar, o quarteto queria fazer algo para atrair acessos e, como todos acompanham, gostam e são amigos de músicos de bandas independentes da cidade e da vizinhança, optaram por atuar nessa área.

A Destilaria, conta Rodrigo, é uma produtora audiovisual que atualmente trabalha basicamente com filmes publicitários no mercado curitibano e catarinense, mas que nunca vai desistir de produzir também cinema. Enquanto eles vão pegando cancha, se exercitam no ofício que escolheram. “Foi uma chance de fomentar tanto o site quanto esta área fonográfica local e suas bandas, um circuito que todos aqui gostam muito”, comenta Rodrigo. Na área musical, a Destilaria já assinou alguns videoclipes para as bandas Charme Chulo, Sick Sick Sinners e Faichecleres. E está terminando um para a catarinense Lenzy Brothers.

Aliás, a catarinene é uma que também está no Tubo de Ensaio, em um vídeo com uma bela vista do Morro do Careca em Balneário Camboriú, em um clima muito astral. O legal d a proposta ser acústica, é que este formato permite sacar mais o potencial melódico do grupo. Outro dos vídeos que chama a atenção é de uma banda chamada Pão de Hamburguer - e pode tirar o risinho de incredulidade diante do nome da cara, porque é um grupo muito bom, daqui de Curitiba. Eles escolherem como “palco” uma laje. Outro momento muito legal é da banda Anacrônica, em uma performance na cinemateca.

“Trabalhamos dentro de um conceito de laboratório da imagem, tendo em mente um constante processo de destilação, digamos assim. Com essa parte das bandas não visamos nenhum fim lucrativo só divulgar o nosso trabalho e o de bandas que a gente gosta”, explica o produtor aspirante a cineasta, que conheceu os três sócios há seis anos na Academia Internacional de Cinema.

A inspiração, conta ele, veio de um clipe dos Novos Baianos, feito na quintal da troupe paz e amor. Plano sequência (ou seja, sem cortes, a câmera acompanhando o que acontece de um fôlego só), com uma excelente captação de áudio, detalhe técnico que pode não parecer, mas que faz toda a diferença. Um mínimo de equipamento pra gravar: câmera, dois microfones, um lap top e todo os quatro por perto para resolver rápido qualquer situação.

O mais dificil foi — do Charme Chulo gravado em uma manhã de sábado na Rua das Flores, dia e hora, em que o calçadão é cheio e portanto barulhento. “Encheu de gente ao redor. Foi uma loucura porque a gente sempre procura lugares mais silenciosos”. Dos que estão no ar é o único cujo som tem problemas, mas o clima compensa. “A gente pede que a banda escolha um lugar inusitado que sirva bem para se tocar acústico. Mas, o dia da Charme foi muito legal também”. O próximo a entrar no Tubo é a atração do Psychobilly Fest, que acontece neste feriado, o Frantic Flinstones, cujo vocalista mudou-se para Curitiba. “Foi em uma espécie de piscina meio abandonada”, adianta Rodrigo.

Serviço

http://www.vimeo.com/tubodeensaio

8/29/2008

Não basta sonhar, tem que realizar

Jornal do Estado

Rádios Comunitárias, como a Bairro Novo Fm, abrem espaço para as bandas locais em programas como o PrasBandas, todo domingo às 18 horas, ao vivo

Divulgação/Douglas Fróis

A equipe da RBN/Prasbandas

Adriane Perin

Bandas alternativas não têm espaço nas rádios? Bom, depende de que estação você sintoniza. Em Curitiba, as Rádios Comunitárias começam a ocupar um vácuo deixado pelas emissoras “comerciais”. A Rádio Comunitária Bairro Novo (RBN), no Sítio Cercado, é um exemplo. No ar há seis meses (98,3 FM - sintonia de todas as comunitárias), sua história começou há uma década, quando Gentil Cardoso, uma espécie de agente comunitário – já que atua na Associação de Moradores e no jornal comunitário –, começou os trâmites legais. Com 24 horas no ar, a emissora abre espaço para os talentos das proximidades. Aos domingos, das 18 às 20 horas transmite ao vivo, o Prasbandas (PB) braço do projeto criado pelo curitibano do Xaxim, Getúlio Guerra, a partir da idéia de fazer shows das bandas em seus bairros. O primeiro, em 2005, foi no Sítio Cercado.

No rádio, o programa está há três meses e desde então foram mais de 20 convidados ao vivo - bandas/artistas/produtores - em simpáticas e apertadas performances no pequeno, porém eficiente, estúdio da RBN, nos casos musicais. Sem falar no que não é ao vivo. Neste domingo, a comunidade vai saber sobre monobandas, com Koti e os Penitentes, que em sua outra encarnação é Chucrobillyman. A idéia agora, com proposta em análise na Lei de Incentivo a Cultura, é ampliar. As atividades começariam dois meses antes dos shows, com divulgação do ‘carro de sonho’, para atrair a comunidade para oficinas. O carro do sonho será uma espécie de rádio ambulante, com alto falante rolando som e informativos PB. “Iremos a escolas descobrir talentos e estimular a participação na mostra”, adianta Guerra, empolgado. A vontade é cada vez mais entrar e ficar nos bairros. “Meu sonho é ter casas de cultura e oferecer oficinas não só de música, para a comunidade sacar que isso é feito (de verdade) pra eles, e sentir que isso pertence a eles. Quando tem envolvimento político fica esquecida a necessidade de gerar essa sensação. Correr por fora, seja com apoios da FCC, Minc, ongs, nasa, ovnis, é nosso futuro”, diz, bem humorado.

As comunitárias são emissoras de alcance limitado a até 1 KM de sua antenas. As dificuldades para conseguir concretizar uma idéia, não são poucas, conta Gentil Cardoso, um gaúcho de coração curitibano, que se emociona ao lembrar a batalha até ouvir a RBN no ar. Tem a burocracia e as grandes emissoras que temem as pequenas concorrentes, mais próximas das realidade do bairro. A RBN tem até uma “equipe de reportagem”, com estudantes de comunicação. Sobre as comunitárias curitibanas você lerá mais no Espaço 2. Inclusive, outras duas abrem espaço para bandas. Nas noites de segunda, a Rádio Comunitária São José dos Pinhais tem o Conexão Bandas. E na do Boqueirão, o Acordes Independentes é aos sábados, às 20h. Aguarde cenas dos próximos capítulos.

8/28/2008

Os góticos de hoje são um pouco diferentes

Jornal do Estado

Adriane Perin

Banda curitibana Góticos 4 Fun faz o lançamento de seu primeiro disco em português

Com canções próprias em português a banda curitibana Góticos 4 Fun abre uma nova fase em sua carreira, a partir do show que faz hoje, no Teatro Universitário de Curitiba, mostrando suas novas criações. Ame os Góticos 4Fun é mais um discos quentinho do estúdio Discos Voadores, produzido por Fernando Tupan e Marcus Gusso, que faz parte da leva produzida com apoio do Fundo Municipal da Cultura, cujos shows marcam a retomada do TUC, depois de uma reforma, com shows toda quinta-feira.

Eles têm o “góticos” no nome, mas na verdade a banda nasceu explorando toda a força visual e no palco do glam rock ( maquiagens, inclusive) e do rock’n’roll (aquele de arena, mesmo), mais o noise típico dos 90’s. O disco traz 8 músicas que passeiam por vertentes do rock, e também mostram baladas muito boas, “Mil Corpos” e “Perversidade”. Tem também a divertida “ Não Beba o Meu Vermuth”, com uma levada meio dançante, mas não pauleira . “Amor Meretrício”, um hard rock climático fala da “ paixão da banda por garotas de vida fácil”. Em “Major Junkie” eles brincam com uma de suas referências, David Bowie. A banda - que tem dois discos lançados anteriormente – Góticos 4Fun (2003) e Ao Vivo na Grande Garagem que Grava (2005) – define suas músicas com citações como “o um cruzamento inusitado entre o punk nova-iorquino de Johnny Thunders e Richard Hell com as esquisitices de bandas neo-psicodélicas como Mercury Rev”.

Mas, se você não tem a menor idéia de quem sejam, não se preocupe, o que interessa saber mesmo é que os caras são demais ao vivo, têm energia de sobra pra envolver a galera e com suas boas novas músicas isso vai ficar mais fácil ainda. Johnny Lipstick (voz e composição) e Pharosbird (guitarra), Gary Flower (baixo), Roy Thunder (guitarra) e Vic Lovestar (bateria) fazem música com personalidade, usando com competência as referências que trazem na memória. Quietinha no seu canto, a banda vai galgando posto de destaque no cenário nacional.

Serviço

Góticos 4Fun. Dia 28 às 19h30. R$3. TUC – Teatro Universitário de Curitiba (Galeria Júlio Moreira, s/n – Setor Histórico)

Conversa com quem entende do riscado

Jornal do Estado

O projeto Produtores Toddy nasceu no ano passado para dar consultoriamusical para os novos

Adriane Perin


Edu K

Com o surgimento da internet tem-se a impressão de tudo está ali e que as novas gerações não precisam de ninguém para ajudá-las a se virar: basta fazer. É tanta informação que até parece que tudo se resolve depois da digitação de algumas palavras-chave. Ledo engano. Pois não é que os novos músicos ainda alimentam velhas ilusões que já imaginávamos perdidas? E querem, sim, ouvir dicas de gente “das antigas”, como o gaúcho Edu K – da banda DeFalla, que ficou famoso mesmo com o “Melô da Popozuda”, o pancadão feito pra “Feiticeira” Joana Prado, no H, programa do tempo que o Luciano Huck ainda era da Bandeirantes.

Então, nasceu o projeto Produtores Toddy, cuja proposta, em seu sergundo ano, é dar consultadoria para novos grupos, com dicas técnicas e de marketing. “O mais legal é ajudar a galera que está começando, de todo lugar do Brasil, algumas que ainda nem no underground chegaram, são de garagem. Acho que nos procuram para ter opiniões diferentes”, diz o músico, hoje também produtor e DJ, com uma carreira mais no exterior e um dos convidados desde o começo.

O projeto tem ainda um convidado diferente todo mês, e em agosto, quem assume o posto é Macau Amaral, publicitário mineiro, produtor musical e sound designer, encarregado de dar dicas sobre a parte de visual, tanto de apresentação quanto de video clipe.

Edu K já constatou os resultados das dicas. “Tem gente que manda o som reformulado, incorporando os toques dados. Poder ajudar a galera a alcançar o que quer é um puta prazer”, diz, citando a paulistana Tango, que foi para o estúdio sob os olhares do projeto e o resultado está no site. Ele garante que incentiva a moçada a procurar seu próprio jeito e não se prender a supostas regras de mercado. “Fazer aquilo que gosta, independente de estar na moda agora e tal. Esse negócio de ficar tentando se moldar pra tentar fazer sucesso nunca dá certo. Também sempre falo pra galera que o tal “esquemão” é coisa do passado; existem outros meios de se chegar ao público. O mais óbvio a internet, é claro - mas às vezes a galera não se liga que isso já é (faz tempo!) uma realidade muito forte”, acentua.

Macau, o convidado do mês, diz que vai dar uns toques “a respeito de estética, direção de arte, porque não se pode esquecer a imagem”. Sua idéia, é dar pistas de oportunidades legais que rolam na internet. “É verdade que a informação está toda diante das pessoas, por isso o desafio é filtrar - esse é o diferencial do Produtores”, comenta . “Ainda não sei como vai fluir, mas estou aqui pra dar pitacos na parte que conheço mais, acompanho muito as novas tecnologias”. Nesta área, segue ele, ficou mais fácil editar e todo mundo tem câmera, mas como ter uma forma diferenciada pra não ser mais um nesse mar de informações? “Aí nos entramos”.

Com tanta informação, pondera Edu K, a galera não sabe nem por onde começar. “Precisam de um aval, uma outra figura a quem recorrer”, observa, citando como principais questões: como gravar uma demo, que tipo de computador usar, softwares e como chegar a determinados timbres. E até como arranjar empresário e gravadora, essa entidade jurássica, para muitos, fadada à extinção. “Explico que as coisas mudaram hoje, não é mais preciso depender deles e que sem, funciona tão, ou às vezes melhor, que ter uma gravadora. Muita gente não se deu conta, os mais novos ainda tem um sonho de estar com gravadora”.


Serviço

www.produtorestoddy.com.br

8/27/2008

quando é bom ser jornalista?

porra, essa é muito fácil: quando a gente tem a chance de conversar com pessoas que fazem a diferença. Tá sendo uma semana de muito trabaalho, mas de bom trabalho, produção de textos de verdade. Ganhei a semana já no domingo, quando fui conferrir o Prasbandas numa rádio comunitária no Sítio Cercado (matéria de sexta), e meu bônus veio agora, no papo com o ator (global, é, tem muita gente legal lá!) José de Abreu, que vai estar na cidade com sua peça Fala Zé, na qual ele perfaz sua história de vida, através de momentos marcantes pro mundo. E que história de vida. Simplesmente, amei conversar com ele, que é um workaholic, do tipo apaixonado e não por ser alguém frustrado em sua vida pessoal (o meu tipo de workaholic, diga-se!).
Veja, o cara experimentou o LSD - e não "esse que as pessoas tomam hoje pra ir dançar", como diz ele, mas aquele do Timoty, com sessões, na região de Londres, com assistente social cuidando de quem tinha bad trip... mas, não é só isso - essas histórias de drogas - ele conversando, você percebe o gosto, a alegria pelo faz, o quanto gosta, o como aproveita sua vida, cada gota. divertido, informado e bom de papo. Muito, muito legal. Adorei! (adri)

8/24/2008

Grant Lee Phillips

Tenho ouvido muito esse cara. Já conhecia e gostava do Grant Lee Bufallo, mas indicado pelo Gian, fui ouvir os discos solo dele e gostei muito. Especialmente o
"Ladies love oracle", pequena obra-prima de leveza e sensibilidade que faz qualquer derreter o mais gélido dos corações. E com tanta poluição sonora, tanta afetação por aí, ouvir isso é um alívio. É o que eu chamo de "música reconfortante", pois tem uma beleza terna e simples que faz você se perguntar porque demorou tanto em ouvir isso.
Acima, ele no Morning Becomes Eclectic, da KCRW, em show que já começa com a linda "Dream in color", que me lembra muito a fase solo do Lennon. Um som perfeito para esse domingo ensolarado, e pra fazer melhor qualquer dia.

8/16/2008

The Verve - Forth


The Verve - Forth


nunca ouvi The Verve. só conhecia aquelas do Urban Hymns que todo mundo conhece. por algum motivo tinha passado batido, enfim é tanta coisa. mas de tanto ver o tulio falando e agora os comentários do show deles no Glanstonbury que quando essa semana vazou o disco resolvi baixar. e to há tres dias só ouvindo isso. é muito bom. além das belas melodias, timbres fodidos etc e tal, me chamou a atenção a produção do disco. ao contrário de muitos discos de artistas top, mesmo do rock mundial, não tem aquela produção limpa, certinha. parece um disco ao vivo no estúdio, guitarra vazando, o jeito que o cara canta, a forma como a banda deixa as músicas fluirem, tudo remete a um show, só que bem gravado, em estudio. muito foda. to viciado na música que fecha o disco, "Appalachian Springs". recomendo, e também os videos do show do glastonbury, que foi transmitido pela BBC, estão todos no youtube.

8/08/2008

...


A menina nem piscava, olhos arregalados brilhando, diante do senhor de, poucos, cabelos brancos, que contava a história tantas vezes ouvidas, de como (não) estudou, com a irmã mais velha, de quem fugia junto com o irmão gêmeo, das aulas. E Catarina ainda conseguia ficar assim, diante da ainda imponente figura que viu por uma vida inteira como um guia e mentor, quase 40 anos depois. De volta àquela cidade empoeirada, a pegou dormindo, rodoviária nova, vazia. Só o motorista do ônibus que teve de acordá-la, já que ela não identificou que havia chegado em seu ponto de parada; e um outro rapaz madrugueiro no trabalho, junto com um taxista que se escondia do ar gélido que não foi impedido pela cimento de entrar no amplo ambiente.
Cachecol colorido, cabelos desgrenhados, pegou a bagagem e perguntou por um taxi. Em que parte da cidade eu estou? “ no Parque do Bosque”. Ainda perdida, pensou que estava mais pros lados do cemitério da cidade, tentou se situar e só conseguiu quando avistou a longa avenida que dava na velha casa, agora de portas fechadas. As obras deixavam o antigo barro vermelho espalhado, seco, pelo paralelepípedo, não da calçada, mas da avenida com nome de governador.
Aos poucos, foi acordando, identificando a cada quadra alguns lugares conhecidos, quase todo com novos estabelecimentos. A loja Zortea, de materiais de construção, o antigo mercado Centauro, onde o avô sempre fazia sua paradinha pra uma longa conversa com algum conhecido; o posto de gasolina. Depois a antiga borracharia do outro avô e, à frente, o morro que lhe rendeu alguns pesadelos e que não suportava subir de carro, por medo que ele não vencesse a subida. Invariavelmente, fechava os olhos e enfiava o rosto, apavorado, no banco pra não ver a subida. Um riso nostálgico escapa enquanto o taxista vai contado a boa nova, a instalação de campus da Universidade Federal, que vai valorizar muito o lugar.
O taxi segue adiante, chegando a casa dos Sonda, o antigo Poeira, como era chamada a zona (de putas mesmo, que era assim que eram chamadas, nem sempre com desrespeito) vizinha e chegamos ao trecho que era de terra, lama que sujava os calçados rumo a escola. E logo ali, a casa da Ju, da Dina, do Julio e do Aldo Pereira, o primeiro que a ensinou a empunhar um violão (não que ela tenha aprendido...).
Em frente, a casa da tia, seu novo destino. A casa que foi construída quando ela ainda morava lá e oje abriga algumas das pessoas que Catarina mais ama. A outra casa, onde cresceu, tá lá, guardando toda a saudade dessa vida. Nem Catarina se atreveu a entrar, desta vez.
Silêncio. Até os cachorros dormindo. São 4 da matina. Catarina está de volta e as próximas 24 horas serão de muitos silêncios, mesmo no meio das conversas e fotografias, diante daquele senhor de incríveis olhos azuis e mãos grandes, que já não fala como antes - de quem ela nunca vai cansar de ouvir as histórias, mesmo as já tão conhecidas. e diante de quem seus olhos sempre estarão atentos, querendo ser cúmplices de tantos e tão intensos sentimentos, mesmo sabendo que, talvez, isso já não seja mais possível. (adri)

8/06/2008

Para ouvir, ver, ler e comprar artistas alternativos

Site Bacana, do jornalista Abonico Smith, passa de revista eletrônica a Portal e selo virtual

Iaskara/Divulgação

Jornal do Estado

Adriane Perin

Em uma semana com várias boas novidades para quem vive no mundo alternativo da música, mais uma boa nova nos chega hoje. A revista eletrônica Bacana, criada pelo jornalista Abonico Smith em 2003 ampliou seu leque de atuação e inicia na próxima sexta-feira a nova fase, agora como portal e selo virtual. O selo entra em ação com o lançamento do disco da banda Babies. A entrada no ar do Mondo Bacana é no dia 8/08/2008, data cabalística, que marca o início de vários projetos no Brasil e no mundo – como por exemplo o novo Trabalho Sujo, do também jornalista Alexandre Matias.

Bem humorado, Abonico parece com fôlego renovado. O jornalista especializado em música, é o criador do caderno e do Prêmio Fun, na Gazeta do Povo, de onde saiu em 2001. Desde então, ele vinha se dedicando ao Bacana e ao trabalho na pauta de televisão. Agora, garante, será uma fase mais estrutura do projeto. “A pessoa vai ouvir, ver, ler e poder comprar o artista alternativo, nacional e internacional, independente de estilos”, diz e explica que o alternativo não se refere apenas ao que está fora das grandes gravadoras. “Posso falar de artistas de majors que tenham origem alternativa. A idéia é servir de filtro, porque hoje os 40 milhões de usuários da internet, só no Brasil, geram muito conteúdo e é difícil separar o joio do trigo”, observa.

E o portal não será apenas de música, vai ter textos sobre cinema, livros, RPG e moda. Um diferencial em que Abonico aposta são as Biografias feitas por ele – aliás ele vai fazer praticamente tudo neste começo, mas está aberto a colaborações. “Não existe site no Brasil de biografias musicais com textos autorais. O primeiro vai ser na Amy Winehouse”.

Entre os canais disponíveis vai ter também os blogs. Entre os nomes já confirmados tem a gaúcha Clarah Averbuck; o carioca radicado em Curitiba Rodrigo Brownie, para tratar de de MPB; a jornalista Bárbara Magalhães, conversando com as mulheres e mães modernas e notícias de Londres. “São blogs autorais e exclusivos”, ressalta o jornalista. Vai ter ainda o Fórum - com espaço para comercializar instrumentos -, entrevistas em vídeo e videoclipes. Essa parte, explica Abonico, vai entrar aos poucos, assim como o projeto da Rádio on line, que inicialmente vai apenas tocar músicas, sem uma programação. O visitante também vai poder montar seu próprio Mondo Bacana. “Vai poder fazer sua própria página, criar relacionamentos”, conta, animado.

Selo — A banda que abre o selo, Babies, apresenta seis músicas, entre as quais uma versão, bem fiel, de “Sonho de Ícaro”, já ouvida e aprovada por Biafra - cujo jeito de cantar, aliás, me pareceu uma influência do vocalista da Babies, numa primeira ouvida, ainda rápida, da versão entregue à reportagem. O lado musical deve ser o forte do portal. Semanalmente, o usuário vai ter o Free Download, que disponibilizará uma música gratuita por dia, por 24 horas. “O Los Hermanos vai lançar DVD dia 28 e tô fechando para soltar uma faixa”, adianta.

Abonico está muito entusiasmado com o projeto no qual vem trabalhando, junto com o publicitário Guilherme Boni, que fez toda a parte de programação e vai ficar encarregado de cuidar também da parte de marketing. “Para manter não tem nenhum investimento fora o que eu mesmo aplico. É cem porcento independente”, diz Abonico. O custo, comenta, não é alto. E Abonico conta com os muitos bons contatos feitos ao longo de sua carreira de jornalista especializado em música, que em momentos como este se tornam mais preciosos ainda, porque para concretizaar a proposta é preciso ter textos que façam mesmo a diferença.


Abonico mergulhou no mundo virtual antes dele se tornar uma mania. Desde 1999 ele chafurda pelas conexões e tem internet em casa desde 95, “quando ainda demorava 30 minutos pra carregar páginas e o e-mail era utopia. O google nem existia”.

Sobre o portal, uma última palavra. A coisa toda engrenando e ganhando seu ritmo, Abonico não descarta a possibilidade da TV Bacana, em um futuro nem tão distante assim.