10/02/2007

OAEOZ comemora dez anos com show e novo single


Apresentação terá a participação de parceiros e ex-integrantes, músicas de todas as fases do grupo curitibano, e o lançamento do single “Canção para OAEOZ”

A banda curitibana OAEOZ comemora seus dez anos de atividade no próximo dia 11/10 (quinta-feira), com um show especial e o lançamento de um novo single. O show, que acontece no Porão Rock Club, terá a participação de parceiros e ex-integrantes, como Igor Ribeiro, André Ramiro (ruído/mm; Índios Eletrônicos), e Rubens K (Terminal Guadalupe). No repertório, músicas de todas as fases da banda, desde a primeira demo, homônima (OAEOZ, 1998), passando pelos discos Dias (2001) e Às Vezes Céu (2005), e chegando ao novo disco, que o grupo está finalizando e deve ser lançado até o final do ano.
Além disso, o show marca também o lançamento do segundo single extraído das gravações do novo disco. “Canção para OAEOZ” é a primeira composição do guitarrista Carlos Zubek gravada pela banda e que ele também interpreta fazendo o vocal principal. Como “lado B”, uma versão para a música “Loucura”, do Ídolos de Matinee, banda curitibana dos anos 80.
O OAEOZ surgiu em outubro de 1997, formado por Ivan Santos, Igor Ribeiro, Hamilton de Lócco (bateria), e Rodrigo Montanari (baixo). Com essa formação, lançou duas demos - OAEOZ (1998) e De Inverno (1999), e dois CDs - Dias (2001) e Take um (2002). Participou das coletâneas, “Novos sons fora do eixo” (2202), lançada pelo selo independente De Inverno Records em parceria com o Jornal do Estado; e “Raízes da terra” (2003), pelo jornal Gazeta do Povo. Tocou no Free Zone em setembro de 2002, e ajudou a criar o festival Rock de Inverno, que deu origem ao selo De Inverno, mantido por Ivan e pela jornalista Adriane Perin. Com a saída de Igor no final de 2002, o grupo incorporou André Ramiro (Alphapsicotics/ Iconoclastas) e em seguida Carlão Zubek (Sabadá/Folhetim Urbano).
Em 2005, lançou Às vezes céu - seu primeiro álbum totalmente gravado em estúdio - com shows no teatro Paiol, em Curitiba; e em São Paulo , no clube OUTs e no Centro Cultural de SP. Com a saída de André Ramiro (guitarra), que participou das gravações do novo disco, mas deixou o grupo em 2006 para se dedicar aos Índios Eletrônicos e ao ruído/mm, o OAEOZ voltou a ser um quarteto.
Em julho deste ano a banda lançou o single virtual “Impossibilidades”, que logo em seguida foi selecionado para estrear o projeto Compacto.rec - série de compactos virtuais lançada pelo Circuito Fora do Eixo, que reúne produtoras, selos e festivais de todo o País. Com isso, “Impossibilidades” foi relançada pelo Compacto.rec simultaneamente em um pool de 30 sites que disponibilizaram para download gratuito um kit com as duas faixas em mp3, capa, contracapa e label do CD para impressão.
No último dia 1º de setembro, a banda se apresentou no projeto Grande Garagem que Grava, que tem o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, e é comandado pelo pessoal da Chefatura Records, produtora integrada por músicos remanescentes das bandas Beijo AA Força/Maxixe Machine. No show, o OAEOZ registrou ao vivo cinco composições inéditas, que serão lançadas em CD pelo projeto. Além disso, a banda prepara o lançamento de seu novo disco de estúdio, com outras oito composições inéditas, gravado por Luigi Castel, que também responde pela mixagem ao lado do guitarrista Carlos Zubek.


OAEOZ
Show de comemoração dos dez anos da banda
Lançamento do single “Canção para OAEOZ”

Quinta-feira
11 de outubro
22 horas

Porão Rock Club
Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1158

Ingressos: 8 reais

APOIO

Livrarias Curitiba
Datawatch
Tecnicópias

REALIZAÇÃO

De Inverno
Gravações & Produções

oaeoz@yahoo.com.br
www.deinverno.blogspot.com
www.myspace.com/oaeoz
www.tramavirtual.com.br/oaeoz

9/29/2007

Finalmente: Hurtmold volta a Curitiba

Divulgação

O sexteto paulistano Hurtmold faz seu segundo show em Curitiba, neste sábado


Jornal do Estado

Banda experimental paulistana, que é top do indepedente nacional, se apresenta na cidade


Adriane Perin

Algo que ficou na memória do primeiro show da banda paulistana Hurtmold em Curitiba, há cinco anos, foi as pessoas postadas diante do palco do antigo 92, na última noite da terceira edição do festival Rock de Inverno. Uns tipos diferentes com um olhar que não perdia uma virada de baqueta, sequer, atentos e boquiabertos diante das movimentações do seis músicos, que mudavam de instrumento o tempo todo. Claro, que os caras diante do palco eram músicos. Só eles têm aquele tipo de olhar que procura o que poucos conseguem perceber: a conversa singular que se estabelece entre músicos e seus instrumentos. Foi um show catártico, ainda hoje muito comentado no meio, em especial agora que os paulistas estão de volta para lançar seu terceiro, homônimo da banda, também pelo selo Submarine Records. O show é neste sábado no Novo 92, com produção da curitibana Ruído/mm que abre a noitada.
“Esse 92 é aquele mesmo...”, pergunta logo de cara o multinstrumentista Maurício Takara, o cara mais conhecido entre os seis do Hurtmold, por conta também, de seus trabalhos solo e como músico contratado de feras da música brasileira. Ele conversou com a reportagem no dia da estréia do novo show em São Paulo, quarta-feira, já com a notícia de que os ingressos lá estavam esgotados. “No começo do ano tocamos bastante mas agora fa zia um tempo que não tocávamos aqui”. Eles ainda capitalizam, provavelmente, a capa que ganharam na Ilustrada da Folha de S. Paulo há algumas semanas, apontando a banda como uma representando o independente “de gente grande”.
Independente sim, mas já num estágio mais profissional, que garante à banda de Fernando Cappi, Guilherme Granado, Marcos Gerez, Mário Cappi, Mauricio Takara e Rogério Martins receber cachê e fazer exigências, simples como passar o som, mas ainda difíceis de receber. Foi o que aconteceu no Curitiba Rock Festival, em 2005, que não permitiu o acerto dos equipos. Eles não tiveram dúvida e cancelaram a participação, provocando a grande baixa nacional do evento curitibano.
Como a banda tem muitos fãs na cidade, ficou um gosto estranho na boca, que eles promotem trocar pelo sabor catártico de uma comunhão artística que, com certeza, vai acontecer novamente. Certeza, proque os dez anos de existência sem mudar de formação garantem a química e a leveza entre os músicos. Nesse tempo o Hurtmold foi ocupando cada vez mais espaço, inclusive na vida profissional de Maurício, que tem uma sólida carreira fora da banda também. “As coisas vão acontecendo em pequenas fases. Meus projetos paralelos chamaram a atenção para este trabalho autoral e chegou um ponto em que tive que dar preferência para ele, que é o que mais gosto de fazer, compor e investir no processo criativo mesmo”, conta.
Ele define sua banda como “totalmente independente”. “Principalmente porque não temos nenhuma expectativa; essa é a diferenteça. Quando se tem uma grande estrutura por trás, é inevitável que se espere uma respota de mercado”, argumenta.
O Hurtmold passou por todas aquelas fases de carregar equipamento, tocar em muquifo, bancar suas viagens por bilheteria micha. Mas agora com prestígio também no exterior, o currículo ganhou peso. “Fizemos o processo inverso. Somos amigos que resolveram tocar sem nem saber quem tocaria o quê”.
Takara conta que a gravação deste trabalho foi diferente a começar pelo tempo de 3 anos que levou para ser feito. “O penúltimos disco, Mestro, fechou um ciclo natural, o do começo, que tinha um pé mais fincado no punk e até vocais. O disco também consolidou o que a gente vinha fazendo baseado na repetição de idéias, variações de dinâmica e criação de climas. Nesse novo, as músicas tem momentos diferentes: só percussão, só sopro e corda”, conta. Mas, se a pré produção demora, as gravações são quase tudo ao vivo, para pegar o máximo do astral original. “É um processo rústico. “A gente se junta na sala, arma o máximo que dá pra gravar ao vivo e depois faz um ou outro overdub”.
Ainda com a passagem do CRF na mente, Takara encerrra a entrevista comentando de sua alegria de tocar na cidade. “Vai ser o maior prazer voltar pra tocar do jeito que a gente queria. E conhecer o novo 92”. Defintivamente, quem sabe sabe: não dá pra perder.

Serviço
Hurtmold e Ruído mm. Dia 29. Ingressos a confirmar. Novo 92 (R. Des. Benvindo Valente, 280).

9/28/2007

Não tem pra ninguém






Então. A Adri já deu a letra aí embaixo. Nesse sábado, não tem pra ninguém. Em Curitiba, quem for amante dos bons sons só tem um endereço. A festa da Ruído Corporation, de nosso grande amigo André, com ruído/mm e Hurtmold (SP) no novo 92. Sim, eles estão de volta, cinco anos depois do primeiro e até agora único show em Cwb, quando estiveram aqui pro Rock de Inverno 3. Lembro bem até hoje como conheci o som dos caras. Eu e a Adri tínhamos ido pro Goiania Noise, ela a trabalho, eu por conta, pra divulgar material da De Inverno e do OAEOZ. Parei na banquinha de Cds do festival, e um Cd de uma banda que eu nunca tinha ouvido falar me chamou a atenção pela capa. Era o primeiro disco, quando eles ainda tinham músicas cantadas. Comprei. No dia seguinte eles tocaram e deixaram todo mundo de cara, com aquele som inclassificável e um prazer de fazer música que poucos vi demonstrar. Chapei. Um ano depois, tivemos a felicidade de te-los no Rock de Inverno. Eles já tavam lançando o segundo disco "Cozido". Lembro que passei o show inteiro enchendo o saco dos caras pra que eles tocassem uma música do primeiro, se não me engano, "Positividade mórbida". E no final eles tocaram, mesmo essa música não estando no set list. Só pra quem pode (ehehe). Vai ser muito bom vê-los de novo, hoje já reconhecidos como uma das melhores bandas do País. Parabéns ao André e sua turma, pela coragem de fazer aquilo que os produtores "profissionais" não foram capazes. Sei por experiência própria que não é fácil isso. Só tendo muito amor à camisa mesmo. Mas vale a pena. Nos encontramos lá no 92 então. Aí acima, o vídeo do Marcelo Borges com o Hurtmold no Rock de Inverno 3.

Hurtmold aí e eu...

...aqui em Porto de Galinhas, um lugar lindo do lado do recife. Vim por conta da Fliporto, Festa Literária de Porto de Galinhas. Muitas, muitas coisas acontecendo e poesia, principalmente, até agora, escapando pra todo canto. Tem painel de hora em hora, com vários escritores participando. a temática é a produção da américa latina, então as boias voltaram a circular nas salas ar refrigeradas onde acontecem os debates. E todo mundo lê poesias....
cheguei ontem... foi um tanto tumultuado. mas passada a fase de instalação que durou a tarde todinha (a manhã foi voando de um aeroporto a outro, estômago estranho, pouca fome e essas coisas que sempre acontecem quando saio da segurança do meu doce lar no Abranches)foi bem legal. os jornalistas de fora são gente boa e já tem disquinho d'OAEOZ em mais mãos. ninguém ouviu ainda, por razões óbvias, agora é hora das palavras (depois eles verão que n'OAEOZ a palavra é estrela, também). pessoal de sampa e rio e euzinha. na mesma pousada e alguns passeios afins.
nossa, acabei de me tocar que até agora, já estou aqui há nesse lugar a quase 24 horas e não tomei nenhuma cerveja... ah, não. mas, a caipirinha da pousada é bem boa, no ponto. é, mas tá na hora de abrir uma cerva, pelo amor de deus... uma pausa de todo pensamento, pelo menos no horário do almoço....
ah, ontem rolou um lance engraçado. No coquetel de abertura do evento. o garçom entregou a cintia, jornalista de sampa, um drink de frutas e ficou em dúvida quando eu pedi um também: "é com cachaça, tá, moça!", me disse, hesitando entregar o copo. Não botei fé: olhei bem pra cara dele e soltei: por favor,só me falta vc me dar um coquetel docinho de frutas"... eu,hein, disse pra cintia, qualé tô com cara de santa...brincadeira...foi engraçado. bom, vou lá providenciar a cerveja. esse lugar é muito bonito, mas ainda não circulei muito. vou dar um giro daqui a pouco e amanhã.
e vocês vê se não perdem o hurtmold amanhã e leiam a entrevista que o Maurício takara me deu, no JE, sábado. E até a volta. Mas, dou mais notícias aqui antes... minhas impressões da cidade fora das salas refrigeradas (pelo menos aqui o povo não exagera).abço da adri.

9/21/2007

murros...

Eu tô tentando não pensar tanto. Juro que to tentando deixar tudo andar de um jeito mais tranquilo. Às vezes, até consigo. Mas daí, alguém - especial – diz algo que eu não queria ouvir e aquilo fica (ficou) grudado como se uma gravação repetisse a fala ad infinitum. Acho que tenho mania de achar que tô certa, especialmente em “coisas da vida”. Aí lembrei do que a Gilce –minha amigona - disse quando perguntei, retórica e dramaticamente, se “eu é que sou muito chata ou ao meu redor tinha muita coisa errada”. Eu acho que as duas opções estão certas, depende do momento e ás vezes elas acontecem ao mesmo tempo. Mas, ela, sabiamente, disse algo como: o certo pra você pode não ser o certo pra outro alguém”. Óbvio, né?
É... a vida é cheia de obviedades pelas quais a gente passa batido – por isso o simples pode ser a grande sacada. Ouvi algo essa semana que me entristeceu, e travou. É muito difícil a gente saber quando é hora de acabar algo pra começar um algo novo. É muito difícil dar uma guinada e mudar tudo – e também exige coragem corrigir o curso quando percebemos o erro. É muito difícil, pra mim, largar mão de coisas que gosto. Não sei quem tá certo e bem por isso tenho que deixar as pessoas andarem com suas pernas e não ficar tentando corrigir cursos que não são meus. Só que é muito dolorido deixar de lado algo muito importante. Mas, também é preciso parar de dar murros em ponta de facas. Isso machuca.

pelos blogs da vida...

"Daquelas músicas que você ouve por acaso, numa rádio online, e se pega pensando nela o resto da noite."

por Flávia Silveira, do blog Innocent and Sweet

9/17/2007

Dez anos e Disco Riscado





E ontem (sábado, estou escrevendo isso no domingo, no plantão do JE) fizemos o quarto ensaio pro show dos dez anos do OAEOZ. E posso dizer que foi catártico, impulsionado pela presença do Rubens, Adri e outros amigos, que armaram até um churras pra nosso deleite lá na casa do Carlão. Um dia daqueles pra ficar ecoando na cabeça por um bom tempo. E o repertório do show começa a se definir de vez. Por enquanto, são essas aí abaixo:

De inverno
Contato
Recado
Me apaixonei por uma burguesa
Monumentos sem cabeça
Disco riscado
Talvez
Waking up
Meg & John
Dizem
Canção para oaeoz
Lembranças


Tem sido uma aventura prazerosa e uma redescoberta tocar de novo a maioria dessas músicas que a gente há muito tempo não toca, e perceber como elas ainda funcionam perfeitamente pra descrever nossos estados de espírito, nossas histórias e idiossincrassias. Isso só reforça o nosso entusiasmo com esse show, que certamente tem tudo pra ser uma grande festa, uma celebração entre amigos e parceiros queridos, que tanto nos ensinaram e continuam ensinando até hoje. É uma alegria renovada reencontrar as canções e os amigos ao mesmo tempo, e perceber que toda a energia dispensada nesses últimos anos se materializou em melodias e letras que têm uma inegável força catalisadora, e que preservam a qualidade de nos elevar a uma intensidade de sentimentos e sentidos que só a verdadeira música é capaz. Como eu
disse antes, sinto como se estivesse começando tudo de novo, só que desta vez, de uma forma muito mais consciente e prazerosa, curtindo cada momento, cada nota. É isso aí, segue em frente que 11 de outubro taí.

E aí acima vocês podem conferir mais uma música que estará nesse show: Disco Riscado, parceria minha e do Camarão, gravada no show de lançamento do disco Dias, em 5 de maio de 2001, no auditório Antonio Carlos Kraide, com a participação da grande pianista Marília Giller. O vídeo é do Marcelo Borges.

9/14/2007

Aquelas canções fizeram realmente a diferença

Então. no próximo dia 11 de outubro, quinta-feira, véspera de feriado, completam-se dez anos desde que eu, o Igor e o Camarão nos reunimos pela primeira vez, para fazer um som na casa verde do campina do siqueira, e começar a história do que se tornaria o OAEOZ. E pra comemorar essa data mais que especial, é claro, faremos um show especialíssimo, no Porão Rock Clube, com a participação de alguns dos nossos grandes amigos e parceiros que fizeram toda essa história com a gente: Igor Ribeiro, André Ramiro, Rubens K, entre outros. Tocaremos músicas de todas as fases da banda, desde o começo, até hoje.
Está sendo muito legal relembrar antigas canções, que há muito tempo não tocávamos, e que marcaram esse período. Tem sido uma incrível viagem no tempo e na memória, e um prazer voltar a ouvi-las, e um prazer maior ainda por perceber que independente de qualquer coisa, elas continuam fazendo todo o sentido até hoje, mesmo depois de tanto tempo. Continuam dizendo coisas e despertando sentimentos e emoções incríveis pra gente. É o tipo de coisa que faz você sentir que todo o esforço não foi em vão afinal. Como diria o Rubens, “aquelas canções fizeram realmente (e continuam fazendo) a diferença”, mesmo que só pra gente. Então, pra ir esquentando, to postando aqui um exemplo daquilo que vocês poderão ouvir dia 11 no Porão: “Contato”, da primeiríssima demo do OAEOZ, lançada no longínquo 1998. Belíssima composição do Igor, uma das mais belas letras que eu conheço, e que me emociona até hoje ouvir e cantar versos como :

"a cidade dorme
pra ela poder dançar
no meio da rua
como uma onda movida pelo vento
como uma brisa que faz a onda se quebrar"


É muito bom saber que eu fiz parte disso. Que bem ou mal, a gente conseguiu produzir grandes canções como essa e muitas outras, que contam as nossas histórias, aquilo que a gente é, vive, sente, vê. E isso, ninguém pode tirar da gente. E voltar a ouvir, tocar essas músicas, só renovaram o meu prazer de fazer música e de tocar com esses caras. Me sinto como se tivesse começando tudo de novo. Foi engraçado ontem o meu "reencontro" com minha velha guitarra (que vendi pro Flávio e ele, gentilmente, me emprestou, valeu mesmo véio jacobsen) e o velho e abandonado pedal zoom reverb. Os velhos timbres voltando a soar de novo. que coisa maluca essa da música. como ela consegue capturar o tempo e as sensações, e de devolve-las de novo, todas lá, intactas. enfim, são essas coisas que fazem tudo valer a pena.

É isso, ouçam, cantem junto e vão ensaiando pro porão. Esperamos todos lá.

8/28/2007

OAEOZ ao vivo no Grande Garagem


A banda OAEOZ se apresenta, neste sábado, dia 1º de setembro, no projeto Grande Garagem que Grava, comandado pelo pessoal da Chefatura Records, produtora integrada por músicos remanescentes das bandas Beijo AA Força/Maxixe Machine, e que tem o apoio da Fundação Cultural de Curitiba. No show, o OAEOZ mostra cinco composições inéditas que vem ensaiando especialmente para o Grande Garagem, responsável pelo registro e lançamento de uma série de CDs com apresentações de bandas curitibanas.
O OAEOZ surgiu em outubro de 1997, formado por Ivan Santos, Igor Ribeiro, Hamilton de Lócco (bateria), e Rodrigo Montanari (baixo). Com essa formação, lançou duas demos - OAEOZ (1998) e De Inverno (1999), e dois CDs - Dias (2001) e Take um (2002). Participou das coletâneas, “Novos sons fora do eixo” (2202), lançada pela De Inverno em parceria com o Jornal do Estado; e “Raízes da terra” (2003), pelo jornal Gazeta do Povo. Tocou no Free Zone em setembro de 2002, e ajudou a criar o festival Rock de Inverno, que deu origem ao selo De Inverno Records, mantido por Ivan e pela jornalista Adriane Perin.
Com a saída de Igor no final de 2002, o grupo incorporou André Ramiro (Alphapsicotics/ Iconoclastas) e em seguida Carlão Zubek (Sabadá/Folhetim Urbano). Em 2005, lançou “Às vezes céu”, seu primeiro álbum totalmente gravado em estúdio, com shows no teatro Paiol, em Curitiba; e em São Paulo, no clube OUTs e no Centro Cultural de SP.
Com a saída de André Ramiro (guitarra), em 2006, para se dedicar aos Índios Eletrônicos e ao ruído/mm, o OAEOZ voltou a ser um quarteto. No momento, a banda trabalha na finalização de um novo disco de estúdio, com oito faixas inéditas, a ser lançado até o final do ano.
Em julho, o OAEOZ lançou o single virtual “Impossibilidades” com uma amostra do novo disco. O single foi selecionado para estrear o projeto Compacto.rec - série de compactos virtuais lançada pelo Circuito Fora do Eixo, que reúne produtoras, selos e festivais de todo o País. “Impossibilidades” foi relançada pelo projeto simultaneamente em 30 sites que disponibilizaram para download gratuito um kit com as duas faixas em mp3, capa, contracapa e label do CD para impressão.

Contatos

oaeoz@yahoo.com.br
www.deinverno.blogspot.com
www.myspace.com/oaeoz
www.tramavirtual.com.br/oaeoz


e nesta terça, 28 tem:




Porão Loquax com A Mulher mais Vagabunda do Pedaço & Outros Poemas Sujos
com Flávio Jacobsen + Gruvox
Flávio Jacobsen é poeta e compositor, guitarrista e vocal da banda Gruvox. Acaba de lançar o CD Phala (poemas sonorizados). Vem acompanhado de Carlos Alberto Lins, Rodrigo Genaro e Walmor Goes (músicos Gruvox em estado semi-acústico-não-menos-ruidoso). Na noite Loquax, textos de sua autoria, mais Arnaldo Machado, Leminski, Chacal, Augusto dos Anjos, Mário Domingues, Edson Vulcanis, canções mínimas, máximas divertidas e badulaques que fazem som.
entrada R$1,99

8/23/2007

Dois textos

"Vejo as pessoas todas muito irritadas e as minhas vulgares análises todas me levam a crer que em algum lugar do caminho elas tiveram opções erradas, mas não querem se arrepender, porque talvez em algum ponto elas consigam se sentir satisfeitas a ponto de acreditar que tenham feito as opções certas. São os tais dos planos que não se concretizam. São as tais das vontades irrealizáveis, e todos parecem meio frustrados e infelizes, mesmo quando contam piadas e riem com sinceridade. Mesmo quando falam algo e querem se fazer notar. Mesmo quando insistem em chamar a atenção. Chamam a atenção para sua alegria, mas tudo que eu consigo ver é uma tristeza filha da puta, o tal buraco negro da alma, o tal buraco de 12 que eu disse que não dá pra encher nem com todo o whisky do mundo."

esse não precisa falar nada. Vai lá no atirenodramaturgo e veja a íntegra.



"O Charles Watson fala muito disso: o processo criativo deve ser um fim por si só. Ninguém que se envolve em alguma atividade criativa pode ficar pensando no fim, na recompensa, porque isso automaticamente mata o processo criativo.

"Todo criador, segundo ele, deve temer a sua criação. Porque quando você chega na obra, termina o processo criativo e tem a solução, acaba a melhor parte: o processo em si. Curiosamente, o ato criativo é um ato que leva invariavelmente à uma morte. E a morte é sempre dura. Criar é morrer o tempo todo.



esse outro eu achei no blog do Douglas Dickel (Blanched), que por sua vez retirou do blog do Mini (Walverdes), e fala sobre umas aulas sobre criatividade de um artista plástico que esteve por POA recentemente.

8/22/2007

Ivan, vc não vai acreditar, adivinha quem me ligou?

Acabei de voltar do almoço. O telefone toca e uma voz forte de mulher me pergunta quem fala. Quando respondo, ouço: Adriane Perin, você sabe quem está falando? Puxo pela memória, notando uma certa familiaridade na voz que se apresenta. Mas, o silêncio foi inevitável, logo em seguida: é Claudette Soares. Hã!!!???? Levei um susto, e ela riu: Vc não tá acreditando que sou eu?" Eu fiquei muda, não sabia se era alguma piada, mas o timbre da voz não deixou dúvidas era ela mesma e foi logo falando sobre o que meu comentário fez com ela. “Eu já li tanta coisa boa, achava que não ia ter mais nada pra ler a meu respeito. Mas, que loucura, o que você escreveu de mim. Chorei. Muito. Você sabe o que vcoê fez comigo?” Só consigo balbuciar: “ E o que vc tá fazendo neste instante?”. Ela ria.... “ Sou mulher antiga, gosto de falar, não gosto de nada virtual. Acho que a sensação de falar com a pessoa é imbatível.... nunca vi uma coisa tão linda. E outra coisa: abriu- se um vulcão...”. Você sabe, continou ela, que sou suspeita pra falar de emoção, pois trabalho com emoção, mas essa coisa é forte.

Sobrevivi até à Elis

“Se nunca me respeitaram pelo tamanho, pela idade vão respeitar”, conta ela que pensava isso porque quando começou a concorrência era braba. “ Eu sobrevei às grandes estrelas, até à Elis e quem sobreviveu à Elis, sobrevive a qualquer coisa na vida”. Contou que brincava que não conseguiria ficar pra sempre na bossa nova. “Eu queria ser a Dalva, que era uma cantora que você tinha que ver, não só ouvir. Ela tinha aqueles olhos, era como a Maysa. Garota, eu gostava muito disso, dessas cantoras, e achava que quando eu envelhecesse minha carreira não se sustentaria só na bossa, pois ficaria algo meio débil. E fui aos poucos indo pro romântico e hoje sou o que psersegui. Se alguém disser preu voltar uns 30 anos, não voltaria nunca....Mas, voltando, olha, fiquei tão feliz que fiz meu assessor descobrir seu telefone, porque eu queria ouvir sua voz, ouvir você conversando comigo”.

Silvinha e tom
Falou também sobre Silvinha Telles a quem, ela dedica o disco que fez só com composições de Tom Jobim, e sobre o qual falei (tá logo abaixo, cortesia do ivan). Ela lembra que morreu de inveja quando viu a amiga fazendo um disco em homenagem a Tom. E ouviu: amiga, na hora certa você vai fazer um até melhor... e ninguém canta Primavera de Vincius como você.
Na hora de escolher as canções foi difícil. É muito dificil cantar Tom Jobim, por várias razões. E quem sabe, sabe, né Claudette? “Aprendi que quando alguém faz muito e você vai fazer depois dessa pessoa, você faz pouco!." E o que fazer depois de Tom. Chamei Alaíde Costa e optamos pelo simples, também nas mais conhecidas músicas. “Com certeza Silvinha e Tom, lá onde estão, se olharam e ela disse: tá vendo, só! E você entendeu tão perfeitamente.... Vou fazer o lançamento aqui com Orquestra Tom Jobim, puxa bem que você podia vir assistir, né. Não tá marcado ainda, mas eu te aviso, quem sabe....”

Eu mais ouvi. Mas, também conversei. E, meu, se o email que eu havia recebido pelo assessor de imprensa dela já me deixou em estado de graça, imagine receber uma ligação dela... lindo, lindo, lindo! Ela terminou me agradecendo novamente. Fico até sem graça. Do mesmo jeito que falo por meus amigos – ou não – que fazem discos incríveis: eu é que agradeço por você cantar pra mim, pra nós! (Adri)

acordando...

A guria acordou cedo, mais cedo que de costume. Abriu bem pouquinho a cortina do quarto e viu o movimento das folhas verdes denunciando que um arzinho gelado acordou outra manhã. Teria de mudar a roupa planejada para o dia, a saia, mesmo com meia-calça, não vai rolar. A noite vai ser mais gelada ainda. No bairro, o frio é denunciado horas antes, quando à noitinha o amarelo das lâmpadas da iluminação pública já estão envoltos em uma leve neblina. E foi o que viu ontem, quando voltava. No banheiro, se esticando em cima da tampa da privada, a gatinha diz bom dia. Pouco depois, a outra, a gatona, deixa o seu resmungo matinal, também. É a rotina diária de despertar, dizer oi pros bichos, se preparar pro trabalho.


a hora dos cachorros

Água fria no rosto – é bom pra acordar a pele e ela já não sente gelar até os ossos como sentia quando criança e se recusava a tal absurdo. Dentes escovados, creme no rosto, roupa de trabalho: preta: calça, blusa, casado, cachecol. Bota!. Agora, a hora dos cachorros, no quintal, botarem seus focinhos gelados pra ganhar carinho. A guria empurra a porta que dá pra lavandeira e o peso do outro lado, indica que o pastor dormiu grudado na porta. A baixinha, não sai de seu ninho quentinho, espera que a guria vá até ela e faça um chamego. É sempre assim: tá frio, ela nem espera que sua cachorrinha saia do ninho atrás da porta. Ela é friorenta e mal humorada, prefere ficar na cama em dias cinzas, chuvosos.
Lixo pra fora de casa e duas, duas bolsas pra carregar todo o dia. A guria repete mais uma vez pra si mesma que precisa diminuir a quantidade de bugiganas que carrega todo dia nas bolsas, mas, outra vez, não consegue esvaziar nenhuma e sabe que também por isso, os braços já começam a doer novamente. Dali a pouco, eles também enfrentam o ônibus sem um lugarzinho sequer pra sentar. E a porcaria da prefeitura da cidade insiste em diminuir os veículos. Motorista simpático, mas sempre atrasado que nas manobras empurra a gente pra lá e pra cá, pendurada no braço dolorido. Burburinho no coletivo, mas estranhamente, a sensação é de silêncio.

pela janela do ônibus
No caminho pro trabalho, a mesma paisagem de sempre faz os pensamentos voarem alto. O som, sem pilha, não é companhia hoje. A guria repassa o que tem que fazer, mas não lembra de tudo. Pensa como seria bom não ter nada pra fazer a não ser ficar em casa, arrumando a casa nova – mas pra isso queria mais grana. Começando uma psicodélica horta, com plantinhas que não conhecia mas se tornarão muito amigas. Puts, e não é que ela esqueceu novamente de ligar pra seu avô? Há mais de duas semanas tá nessa.
Ai, dá um tempo, meu, o dia tá só começando. Nem sabe se já começou mesmo, afinal esse trajeto de ônibus é tão sonolento que deixa dúvidas. Passa o parque, passa o colégio, passa... passa... as horas passam... e a fazem lembrar de gianoukas papoulas, a banda paulistana que tocou uma única vez em Curitiba. Por alguma razão ela também lembra de cecília gianetti, que agora escreve na folha e deixou o casino de lado. Pensa no livro que ela ainda não escreveu (a guria, não a cecília, que esta não perde tempo e escreve mesmo – e bem) e nas conversas com seu amor. Solidão, vontades, saudades, alegrias, dúvidas....música! Muita coisa pra primeira hora acordada do dia.


sessão da tarde ou cinema?

Mas, é sempre assim. No ponto depois do correio, ela desce. Não sabe o que quer de café. Tá meio sem vontade. Até pensou em ir pra casa assistir sessão da tarde hoje... mas talvez queira pegar um cineminha, antes da aula de inglês. Quatro quadras depois, o computador. Quando a luz acende e os emails começam a baixar é hora de parar de divagar. Agora sim, mais um dia começou. Um pouco da vida fica em stand by! Mas, só um pouco, porque a guria, reconhece ela mais uma vez, gosta do seu trabalho, apesar de tudo - e não tem tanto problema em acordar cedo.

8/21/2007

Marcatti: um historiador de si mesmo

Jornal do Estado

Em entrevista exclusiva, o desenhista, que é um dos mais importantes do Brasil, fala de HQ

Adriane Perin

Divulgação

Diz que o gosto pelas Histórias em Quadrinhos veio antes mesmo de ler e escrever.

Desde pequeno, Francisco A. Marcatti recebeu estímulos da mãe para exercitar seu traço, já que bem cedo mostrou talento com o desenho. Diz que o gosto pelas Histórias em Quadrinhos veio antes mesmo de ler e escrever. Nos anos 70, com 15 anos, foi junto com um amigo se meter em reuniões de uns caras mais velhos, que já estavam na faculdade. Lá encontrou outros caras da mesma idade que faziam a revista Papagaio, como o Marcelo Fromer, o Nando Reis, o escritor Paulo Monteiro, e foi ali que publicou suas primeiras histórias. Lá se vão três décadas dessa primeiros passos, período em que ficou conhecido como o quadrinista mais escatológico entre os brasileiros, com um estilo que lhe rende inúmeras comparações à Robert Crumb, de quem ele confessa, no entanto, não ser um admirador, nem estar na lista de suas referências, embora reconheça a importância.

Marcatti parou um tempo de desenhar, mas voltou com tudo em 2000. Seu mais recente trabalho, pela editora Conrad, foi o desafio de adaptar A Relíquia, do Eça de Queiroz para os quadrinhos. Ele nunca tinha lido o autor português e adorou. Outro trabalho que mereceu a atenção dele nesses anos foi a construção de seu próprio site, um endereço muito, mas muito legal, onde ele colocou tudo sobre sua obra. “Me transformei em um historiador de mim mesmo. Sou muito sistemático, tenho tudo anotadinho, uma cópia de cada coisa”, conta. Sorte nossa que ele não desistiu diante da trabalheira que teve. “Lá tem a lista de todas as histórias e quadrinhos que fiz na vida e com dados cruzados. Ou seja, você clica na história, vê onde foi publicada e que histórias mais estavam naquela revista, por exemplo. Até o que eu mesmo imprimi está lá”, diz.

Marcatti trabalha com produção gráfica na internet – e em casa, o que acaba fazendo uma miscelânia de trabalho e vida pessoal. “Faço tudo ao mesmo tempo. Agora mesmo, estava restaurando uma vespa”. Como é? “Tô pintando uma vespa brasileira, só que com meus desenhos”, emenda empolgado, contando que tem como “atividade remunerada” a customização de guitarras. “Então meu sobrinho, dono da vespa, me deu a idéia de fazer dela uma vitrine”.

Por ser um quadrinistas que não está fazendo charges em jornais diários ou em revistas mais conhecidas – e também porque sua vervemais afiada é para a escatologia, o que não agrada a qualquer um – tem-se a impressão de que Marcatti andou fora de circulação nos últimos anos. Achar isso, pondera ele, não é desinformação. “Exatamente porque meu tipo de quadrinho é muito maldito, difícil. E só a internet mesmo tem ajudado achar mais fácil”.

Ele só ficou sem desenhar entre 93 e 2000, mas desde então voltou com tudo. A primeira publicação foi o livro Restolhada, da Opera Graphica, com edição luxuosa da seleção das melhores criações dele até aquele momento. “Desse não tenho uma cópia sequer. Mas, com certeza, a Itiban consegue”, garante, se referindo a uma das mais completa livrarias especializadas do país, que fica ali na Avenida Iguaçu.
De lá para cá saiu também a revista com o Frauzio -“O primeiro e único personagem, propriamente dito, que criei” - em mais de 300 páginas publicadas pela editora Escala em revista mensal. Em 2005, ele assinou com a Conrad, que primeiro lançou Mariposa. “De fato, meu primeiro livro de quadrinhos meus, concebido como tal”. Fazer um livro e não juntar quadrinhos soltos em um, diz ele, dá uma outra dimensão e o obriga a pensar numa abordagem diferente. “A diferença da construção de personagens e da narrativa é a mesma que existe entre criar um jingle e uma ópera: coisas bem distante”, explica.

Serviço
www.marcatti.com.br

8/20/2007

astrologia!?!?!@?&*#$%¨¨&**(*()(!

"Um dia delicado para você, pois a lua crescente ocorre em seu signo, levantando muitas perguntas. Aquele velho tormento de alma que lhe é peculiar retorna. Você tem que mostrar serviço, administrar o tempo, dar conta do trabalho e de um sem número de encargos. Mas onde estará você nisso tudo?"

onde eu estarei nisso tudo? no trampo... na aula de inglês, em reunião pra pedir patrocínio, frilando,pagando contas, fazendo inglês, tentando salvar um projeto que larguei nas mãos de outros.... não adianta, mesmo. nessas horas fica fácil, pra mim, entender porque eu virei uma pessoa centralizadora quando o assunto é projetos da De Inverno. por uma razão bem simples: ninguém faz do jeito que eu faço, pode até não ser o melhor jeito, pode não ser o mais fácil, e realmente é mais estressante, eu sei disso. pode até ficar no meio do caminho porque falta de patrocínio, ou seja porque foi preterido por outros, mas nunca por faltar algo que eu poderia ter feito. que ódio, que raiva, que ódio dessa situação... vai ser difícil, mas preciso manter a cabeça fria o dia inteiro hoje....
então, bom dia e boa semana pra vcs. vou ouvir um som!(adri).

8/17/2007

No meu peito, um vulcão

Jornal do Estado

Claudette Soares presta sua homenagem a Tom Jobim em um belíssimo disco, Foi a Noite, lançado pela gravadora Lua Music


Adriane Perin

Toda vez que uma cantora brasileira é saudada como a “nova MPB”, me bate uma imensa desconfiança. Me preparo logo para uma suposta sofisticação calcada em uma técnica vazia e excessos vocais. Infelizmente, na maioria das vezes, o que ouço é uma música fria, sem calor algum na interpretação. Prefiro aquelas que o tempo fez divas - e não as que nasceram acreditando serem uma. Aquelas, mais discretas, são centradas na música, o “show”é conseqüência. Esse eterno “pós-elis” e “pós-marisasmontes” que a mídia mostra como algo novo, dá uma saudade das ditas grandes cantoras. Pré ou pos- bossa-nova, mulheres como Alaíde Costa, Dolores Duran, cantando, é o que me interessa. É o que tira o pé do chão, diante de uma entrega tamanha que toma conta da vida da gente e não deixa nada mais ser tão importante quanto a canção que expõe a alma do artista diante de ti. O tempo que passa, também me distancia dessas novas cantoras para aproximar de veteranas que conheci, de verdade, quase tardiamente.

Um desses casos me cai nas mãos de um pacote cheio de Cds, enviados pela Lua Music. Foi A Noite – Canções de Tom Jobim é a homenagem de Claudette Soares a Tom e a Sylvinha Telles. Em plena manhã de segunda-feira, esse disco embalou a volta ao trabalho, fez dar uma pausa na pilha de rock, para me deleitar com uma interpretação forte, entre arranjos instrumentais perfeitos em sua sofisticação que não se traduz em virtuosismos gratuitos.
Claudete Soares tem aquele jeito de cantar de quem quer um “dedo de prosa, ao pé do ouvido”, como que contando a bela nova percebida pelo compositor. Se ter uma canção de Tom Jobim, é meio caminho andado, esses passos podem também levar pra trás, pois a dificuldade de lidar com uma obra imortal como estas, é proporcional. Cantar Tom Jobim, que canta como ninguém suas próprias composições, é muito difícil. Noto isso claramente, agora que a tal maturidade começa a se sobrepor às inquietações em alta velocidade da juventude e a aprimorar os ouvidos para as sutilezas da música brasileira, também em outros ritmos. Já posso aquietar e emocionar-me sem nenhum pudor. Me entregar embalada por Claudete, que é capaz de reavivar uma letra tão conhecida quanto “Sabiá”, na companhia de Alaíde Costa, sua convidada mais do que especial. Posso encostar o rosto cansado no ombro de uma canção carregada da dor e da alegria dessas duas - e não só delas. Mas também, ouvindo “Retrato em Branco e Preto” (impossível não lembrar do próprio Tom a cantando...), “Cala, meu Amor”, “Andam Dizendo”...
É um disco daqueles para acordar, abrir a janela – e “ouvir cantar uma sabiá” - e deixar a música sair para o quintal, pra que também o vizinho sinta essa vontade doida de dançar essa canção de levada romântica, que faz pensar tanto na vida. Para que também ele perceba, que precisa de um tempo, sentar e, com calma, degustar canções como estas. No texto de apresentação, Aldir Blanc lembra a primeira vez que ouviu Claudete cantando e, quieto, chorou. Penso nisso, enquanto procuro o jeito certo de falar dos efeitos de uma música assim no dia da gente. E fico com a certeza de que, quando pessoas como esta cantam, a nós, resta o silêncio. Um silêncio que parece, às vezes, do tamanho dessa existência, que chega trazendo todo o peso das tristezas e das saudades, mas também de um dia bonito, junto das pessoas que a cada dia ficam mais importantes na vida da gente.


PS: (Comentário/apresentação do blog: belíssima resenha escrita pela Adri para o JE sobre o disco da grande cantora Claudette Soares, que como muitos artistas deste País, mesmo esquecida pela mídia, continua fazendo um trabalho de altíssimo nível. Não por acaso, a resenha emocionou a própria Claudette, que fez questão de mandar um recado pra Adri, dizendo que há muito tempo não lia um texto com essa profundidade e entrega, e que é esse tipo de reação que a faz querer continuar cantando. Parabéns Adriane. Isso é pra você parar de falar certas besteiras que eu as vezes tenho que ouvir sobre o jornalismo que você faz.) Ivan

Grande Garagem volta hoje à ativa

Jornal do Estado

Projeto criado pelos músicos do BAAF começa sua segunda etapa e segue até dezembro, com 13 bandas locais

Da redação

As portas da Grande Garagem que Grava (GGG) reabrem hoje para mais um etapa do projeto, que põe bandas curitibanas de volta na garagem para captação ao vivo de suas músicas. Criado pelos músicos Luiz Ferreira e Rodrigo Barros, o projeto começou há dois anos, dentro das Residências do Rebouças, programa da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e gravou 16 grupos. Este ano, a proposta ganhou o edital Bandas de Garagem, do Fundo Municipal de Cultura.
O primeiro final de semana será com Black Maria, Imperious Malevolence e o Lendário Chucrobillyman Monoband Orquestra. Até dezembro, 13 grupos passarão pela simpática garagem transformada em palco. As próximas datas serão 31/8 (Heitor e Banda Gentileza), 1/9 (OAEOZ) e 2/9 (Maxixe Machine).
Para iniciar esta fase, o estúdio ganhou novos equipamentos para garantir a qualidade das gravações feitas como os músicos parecem gostar mais: todos tocando junto, com a platéia e captação ao vivo, que é pra registrar o pique de palco. Representantes de todos os estilos da diversificada cena curitibana passarão pela garagem dos ex-Beijo AA Força que, aos poucos, vão compondo o mais completo panorama da produção contemporânea na capital paranaense - em especial do fértil momento da produçãoatual da cidade, que “é campeã nacional de bandas de rock por metro quadrado”.
Os artistas não tiram nem um centavo do bolso e contam com uma equipe competente que entende do riscado, afinal Rodrigão e Ferreira - e sua trupe - têm mais de duas décadas de trabalho no circuito independente brasileiro, à frente da Beijo AA Força e, mais recentemente, no Maxixe Machine. Os grupos também levam para casa 200 cópias, sem custo algum.
Hoje, o som está sob os cuidados da Black Maria, grupo de ponta da cena local, que fez ferver as segundas-feiras, do bar Era Só o Que Faltava, por anos seguidos. Sábado é dia do death metal da internacionalmente conhecida Imperious Malevolence, uma das bandas mais respeitadas do gênero no circuito metal em qualquer parte do planeta.
O domingo será igualmente interessante com Klaus Koti, o homem responsável pelo Lendário Chucrobillyman Monoband Orquestra, que faz um mix de sons e referências com um resultado inusitado. Haverá também performances poéticas, venda de cds, livros e vinís no estande da Livraria Joaquim, além do já tradicional Chilli do Renatão, outro velho companheiro de BAAF.
O projeto terá ainda, até dezembro, a participação dos grupos Poléxia, Criaturas, Cores d Flores, Opinião Pública, No Milk Today, Charme Chulo, Terminal Guadalupe e Diedrich e os Marlenes. È só ficar ligado para não perder sua preferida, e aproveitar a chance para conhecer as demais.

Serviço
GGG, com Black Maria, Imperious Malevolence e O LendárioChucrobillyman. Dias 17, 18 e 19. às 19h. R$5. GGG (R. Santo Antonio, 900). Informações: 3016-0409.

8/15/2007

"Eu sempre tive necessidade de provar que não precisava de ninguém pra me salvar. Talvez por isso com o tempo passemos a esquecer as orações de nossa infância e aí a gente acabe se transformando nesses adultos solitários, falsamente auto-suficientes e melancólicos que somos hoje."

trecho de mais um texto indispensável do Mário Bortolotto
Veja a íntegra no atirenodramaturgo

8/09/2007

E hoje (quinta/09/08) tem...

Folhetim Urbano no Porão Rock Clube, junto com a banda Blaubléus. O FU estréia nova formação, com o Zuba, mais um dos irmãos dessa confraria familiar, nos teclados.

8/02/2007

“O que eu faço é Folk Brasileiro”, diz Renato Teixeira

Jornal do Estado

Divulgação
Renato Texeira acertou ao valorizar a singeleza das canções

O músico santista lançou seu primeiro DVD para celebrar os 40 anos de carreira e está em sexto lugar no ranking de vendas

Adriane Perin

O músico Renato Teixeira festejou os 40 anos de carreira com o lançamento de seu primeiro DVD, Ao vivo no Auditório Ibirapuera. Trata-se de registro no qual a música é o que mais importa. Pode prescindir, portanto, de aparatos complementares para mostrar toda sua força. Com simplicidade, o músico argumenta que em sua produção a poesia tem a mesma importância que a música. “Por isso tem que deixar isso à frente e foi este o norte de todo trabalho”, conta, sobre o lançamento da Som Livre, que faz uma retrospectiva de suas primeiras quatro décadas.
Com viola em punho, ele é conhecido como um fazedor de música caipira de agora. Mas, ele contesta. A idéia é mostrar a música folk brasileira. Nem a caipira, nem a sertaneja, nem aquela chamada ‘de raíz”. Esses termos, diz, são usados como forma de facilitar a compreensão. “Folk brasileiro é o que me agrada mais, é uma música que considera muito os valores culturais memoriais; quer projetar algo pro futuro; leva o lado familiar a sério. O caipira, hoje, é restauração, é Tonico e Tinoco. Sertanejo, é Chitãozinho e Xororó”, diz.
O Folk Brasileiro tem sua origem no caipira, que começa com Cornélio Pires e vai até que acontece uma dissidência, que gera o sertanejo, de um lado, e algo que ficou sem nome, do outro. “Eu e Almir Sater fomos pra esse lado que as pessoas ficam achando que é raíz”, comenta. Os dois já foram definidos como fazendo música caipira contemporânea, mais sofisticada, em geral, praticada por pessoas com formação musical mais clássica. “Não me incomoda isso, incomoda é achar que é sertanejo ou raiz, porque acaba sendo uma barreira. Raíz, pra mim, é folclore. A música caipira, cumpro o doloso dever de dizer, faleceu”, encerra o assunto.
Com participação dois dois filhos dele, João no piano, e Chico, na viola de 12 cordas, o DVD tem também entrevistas nos extras. “Estar tocando com eles é muito interessante. Eles têm banda e logo estarão andando sozinhos, mas, por enquanto, é comigo: não empresto, não dou”. Outro destaque, é a entrada de Pena Branca no palco.
Simples, eficiente e encantador, na medida para quem gosta de música, simplesmente... e de canções, em especial. Teixeira conta que depois do lançamento a procura por shows aumentou e diz, com espanto, que está “até sendo pirateado”. “Nunca tinha vivido essa experiência. Quem sabe não é pela pirataria que vou chegar nesse povo mais simples? É que o preço é muito alto”, pontua. E mesmo com os “intermediários”, o Ao vivo está em sexto no ranking de vendagens.
Agora, organiza ele, uma coisa de cada vez. Primeiro, precisa se acertar com a agenda de shows mais gorda. “Tenho muitos projetos, é só abrir alguma gaveta”, conta, bem humorado. “Mas, tenho que considerar que depois de mostrar um repertório de 40 anos, tem que segurar as vendas, o volume de shows, a repercussão”, pondera, adiantado que disco novo só no o segundo semetre de 2008.
O balanço da carreira é positivo – e pés no chão. “Fiz 62 anos, faço 15 shows por mês, meu disco está entre os mais vendidos, tenho músicas muito conhecidas e toco pra muita gente. Se existe um desconhecimento, é porque não atuo nesse meio de pessoas mais simples. Não cheguei ao público que é manipulado pelas quadrilhas que existem por aí, do presidente da República ao carinha que faz música ruim”.



n.r: então. reforçando o que a Adri diz na matéria, realmente esse dvd do Renato Teixeira tá muito bom. O cara tem grandes canções, e teve o bom gosto de fazer uma produção simples, sem exageros, explorando mesmo essa veia folk do trabalho. Tem uns deslizes aqui e ali, como a participação dispensável dos chitaozinhoxororó, mas nada que comprometa. Como eu to testando um novo breguete, resolvi colocar uma mostra do disco aí acima pra quem quiser ouvir. O que mais me impressionou é que à parte esse lance da influência da música caipira, o som do cara tem um componente ultra contemporâneo e moderno. Em alguns momentos, os timbres, arranjos e melodias me remetem até a coisas como Mojave 3 e Tindersticks. E o jeitão simplão do cara também traz uma empatia imediata. Em um país de artistas quase sempre com aquela pose de geniais e intocáveis, isso faz diferença. Na real, fica claro que o cara tem sim muita coisa de música de raiz brasileira, mas combina isso com a coisa da contracultura, uma espécie de Bob Dylan caipira, com aquele jeito brejeiro do sertanejo, mas de uma forma natural. sem forçação de barra.

Vale a pena ir atrás. Tanto que foi difícil pra mim escolher uma música. Além dessa que eu coloquei aí "Olhos profundos", tem várias outras ótimas como "Amizade sincera", a belíssima e autobiográfica "A primeira vez que eu fui ao Rio", e "Tocando em frente". Fiquei com vontade de ouvir os discos originais antigos do cara. Ah, que se foda. vou por "Tocando em frente" também. aproveitem. É muito linda. Parabéns Renato.

8/01/2007

Gian no Bem Paraná






E AQUI, matéria da Adri no Bem Paraná com o Gian Ruffato, incluindo vídeo com a entrevista e ele tocando voz e violão. Vale a pena conferir.

7/26/2007

FU no Crasezine






"Existem discos que você tem que ouvir – não, não se trata de uma obrigatoriedade estabelecida por alguém que escreve e se atribui o direito de dizer o que alguém vai fazer com seus gostos. Tem a ver com uma concepção quase metafísica de que você está “predestinado” a ouvir certas canções. Sabe aquele trecho do “Quase Famosos” em que o Lester Bangs diz aos ouvintes da rádio que a verdadeira música – seja rock, jazz ou erudita – escolhe o ouvinte, e não o contrário? É exatamente disso que se fala aqui e agora.
E numa dessas escolhas que de aleatórias não têm nada, me chegou Cativeiro, EP de estréia do Folhetim Urbano. Assim como Deus não joga dados com o Universo [o que não nos impede de vivermos numa nem sempre saudável baderna], a arte musical transmutada em rock não aterrissa em qualquer ouvido sem uma razão definida."


leia aqui no Crasezine a íntegra da excelente entrevista que o Leo Vinhas fez com o Carlão, do nossos comparsas do Folhetim Urbano

7/25/2007

dois sozinhos

... ele ali ao lado
o som do chinelo batendo contra o taco
a voz baixa
e me dou conta da falta que faz
ouvir um violão assim (adri)

7/15/2007

OAEOZ emplaca a estréia do projeto Compacto.rec







É isso mesmo. Por essa eu juro que não esperava. Impossibilidades, do OAEOZ, foi escolhida para estrear o projeto Compacto.rec, série de compactos virtuais que está sendo lançada pelo Circuito Fora do Eixo, que inclui uma rede de 30 sites lançando simultaneamente o single, entre eles o pessoal do Espaço Cubo (MT), Demosul (LDA), e muitos outros. Um verdadeiro pool de sites, selos, festivais e núcleos de produção alternativa organizados nas cinco regiões do País, como eles explicam no site do projeto.

"No caso de “Impossibilidades”, a escolha foi feita por um painel de produtores. Pablo Kossa é produtor da goiana Fósforo Records e participou. O agitador acreano Daniel Zen também participou. Ele é presidente da Fundação Elias Mansur (espécie de secretaria estadual de cultura do Acre). Além deles, Marcelo Domingues, produtor do festival paranaense Demo Sul, e Pablo Capilé, do mato-grossense Festival Calango."

"A faixa-título, que Ivan compôs, é um rock dançante com letra de tom filosófico e uma enchente de guitarras. Já o lado B, “Cittá Piu Bella” é uma versão para a banda paulista Fellini, que marcou a cena nos anos 80. A versão original está no disco “Amor Louco”, de 1989. Na interpratação da Oaeoz, que deve fazer parte de um CD tributo aos paulistanos, a música ganha um tom mais dramático e sombrio, alternando silêncios e efeitos de guitarra."


Achava que a gente até poderia ter alguma chance nos próximos lançamentos, já que eles vão lançar um compacto diferente a cada quinze dias até o final do ano. Mas jamais imaginei que fôssemos emplacar a estréia do projeto. Imaginei que naturalmente acabaria sendo escolhida alguma banda que já está integrada ao circuito de festivais ligado ao projeto. Enfim foi uma grande surpresa emplacar o nosso humilde disquinho, feito de forma radical na base do do it yourself, mas com muita vontade. A gente fica muito feliz de saber que todo o trabalho e sofrimento não foi totalmente em vão. De alguma forma a nossa música novamente conseguiu tocar algumas pessoas, e pessoas especiais, que já têm uma história de militância e formação de massa crítica invejável. É uma grande satisfação e honra pra gente.
Valeu todo povo do oaeoz, principalmente seu Carlão Zubek, talvez o maior responsável por isso que está acontecendo agora. E também Zóio, Camarão, André e Luigi. Além dos convidados especiais de Citá Piu Bella, Igor e Rafael Martins, que com certeza contaram ponto pra esse resultado. É isso aí. CHUPA ARGENTINA!

BAIXE AQUI o banner de divulgação do lançamento de Impossibilidades, do OAEOZ, pelo compacto.rec

E AQUI! baixe o single, release, banner, letras etc do single Impossibilidades

Rock de Inverno 3 - Jornal da MTV



E aqui, outra raridade dos arquivos da De Inverno. A matéria do Jornal da MTV sobre o Rock de Inverno 3. E segue a nossa programação normal.

Bortolotto conta a história de Billy, uma garota

Jornal do Estado
TV Cultura exibe neste domingo, às 21 horas, a estréia do dramaturgo londrinense na televisão

Adriane Perin


Cenas da vida desregrada de Hassim, personagem criado por Mário Bortolotto, para o teatro
O dramaturgo londrinense Mário Bortolotto assina roteiro e direção do teleteatro Billy, a Garota, que será exibido neste domingo pela TV Cultura dentro do programa Direções – Por Um Novo Caminho na Teledramaturgia, um laboratório para a pesquisa de novas linguagens. A Cultura já exibiu 11 dos 16 teleteatros que irão ao ar, semanalmente, até 19 de agosto, com direção de dramaturgos contemporâneos, estreantes em televisão. No elenco da história de um cara abandonado pela namorada, estão Joyce Roma (Billy), Gustavo Machado (Hassim) e Fernanda D´Umbra (Vanessa). Em participações especiais aparecem alguns amigos do escritor, vários deles que fazem parte da equipe da companhia Cemitério de Automóveis, criada em Londrina, nos anos 80 e atualmente radicada em São Paulo. São 30 minutos da produção e outros 30 de making off. “É pouco, então tinha que achar algo não muito longo. Poderia ter pego conto de algum amigo, mas preferi mostrar algo meu”, comenta. Ele escolheu um texto que considera mais ameno, já que será exibido por um veículo de massa, e educativo. A escolha, então, recaiu sobre um dos trechos da peça Curta Passagem, já apresentada em palcos curitibanos. “Não tive nenhuma preocupação”, responde ele, com seu jeito direto de sempre, quando perguntado sobre quais foram os demais cuidados para fazer a transposição de suporte. “Fiz como sempre faço, e foi muito rápido. Tanto que era para passar só dia 12 de agosto e foi adiantado. É como o meu teatro, sem inventar muito, tudo simples, gravado em um apartamento na Avenida São João”. Billy é a garota que aparece na vida de Hassim. “Ele mora com a namorada e ela vai embora porque não aguenta mais ele. É um cara muito parecido com uns amigos da gente e comigo mesmo”, confessa, referindo-se, possivelmente, a um estilo de ser boêmio e arredio a etiquetas sociais, comportamentais e politicamente corretismos. Só que a garota que aparece tem tendências suicidas e faz de tudo pra firmar um pacto de morte. “È uma brincadeira, algo bem leve”, adianta Bortolotto, que está terminando o novo disco de sua banda, e também deve ver em breve o lançamento da adaptação cinematográfica de Minha vida não vale um Chevrolet.


Serviço: Billy,a Garota. Dia 15 às 21h, na TV Cultura. A TV Cultura é retransmitida Paraná Educativa. Outra opção, na tv paga, é acessar diretamente a emissora.

7/13/2007

Ludov apresenta suas músicas novas

Jornal do Estado

Banda independente de São Paulo assinou com o selo campineiro Mondo 77, para lançar o segundo álbum

Adriane Perin

O Ludov é uma banda legal e tem minha simpatia. Mas, mesmo fazendo um esforço é difícil descobrir qual é a força que (não) emana do terceiro trabalho da banda, Disco Paralelo, pela Mondo 77. A banda faz um som redondinho, a Vanessa Krongold tem uma voz aveludada gostosa de se ouvir, na maior parte do tempo, o instrumental é bem executado e tem detalhes, também nos timbres, que compõem uma sonoridade pop madura, com letras que não pararam na adolescência. Também é uma banda importante, já veterana do circuito independente brasileiro que, comparada ao primeiro disco, mostra-se mais madura. Mas ainda não encontrou o jeito que vai diferenciá-la do batalhão de bandas que circulam por aí.O complicado é que alguma coisa que não fecha, no disco, deixa uma sensação de falta. Falta uma pulsação vital. O disco não alcança nem as entranhas nem o coração, as canções não ficam na gente. Provoca fagulhas de interesse que, infelizmente, não são suficientes para nos enredar por marcas mais profundas da música. Assim, provoca um certo cansaço. As músicas não são ruins, mas também não causam alvorço, não trazem desassossego, tampouco tranquilidade; não tem momentos de tirar o fôlego, nem aqueles que exigem silêncio. Mas, tem sim, bons momentos, alguns a lá Clube da Esquina, como na faixa 9, “Delírio”, que ainda lembra Arnaldo Baptista, com Mauro Motoki, também no piano elétrico, mostrando que pode dividir os vocais com Vanessa. Parece que a banda quis (e quer) vôos musicais mais altos e criou sonoridades menos ensolaradas. Quem sabe não é um desses trabalhos que exige mais tempo e atenção - talvez tempo e atenção demasiados nesses tempos de uma geração desacostumada a dar o tempo que as canções pedem. Um artista não tem que revolucionar tudo ao seu redor a cada lançamento, mas ele tem que provocar algo em quem ouve. Me parece que o Ludov está em fase de definição de rumos. Deve seguir com seu pop amadurecido, mas carece de descobrir algo mais sobre si mesma.

Independentes e premiados

Jornal do Estado

Premiação é o tipo de evento que divide opiniões.Tem quem ache que é bom pra auto-estima e os que acham que é só uma badalação para egos

Adriane Perin

Premiação é o tipo de evento que divide opiniões.Tem quem ache que é bom pra auto-estima e os que acham que é só uma badalação para egos. Particularmente, acho que pode haver utilidade, sim, pra essas cerimônias além de massagear egos. Atrair marcas patrocinadoreas fortes, por exemplo, como fez o Prêmio Toddu de Música Independente, que nasceu Dynamite e ganhou o Toddy este ano. De Curitiba concorreram Índios Eletrônicos , Motorrocker e Cadela Maldita, Pelebrói Não Sei e Evil Idols, Porão Rock Club, Espectral Skunk, Bonde das Impostoras, Djambi, Bonde do Rolê (o melhor colocado em segundo, como revelação). Ninguém trouxe o troféu. O anúncio dos escolhidos pelo voto popular, foi entregue semana passada. O clima, contou quem foi, era de festa, mas o melhor show da noite, Ludovic, teve problemas no som. O que me irrita nos resultados é a obviedade que impera. E foi quase sem novidade no front, com prêmios divididos entre nomes de novos artistas (Matanza, merecido musicalmente, apesar de ser de uma gravadora com aparato de major) e gente das antigas, que agora também figuram no panteão dos independentes (Tom Zé e Sepultura). Observe, além dos já citados: Gram, Arnaldo Antunes, Dead Fish, Racionais Mcs, Dj Patife, Tribo de Jah, Trama, Monstro Discos, Abril Pró Rock. Indiscutivelmente nomes importantes em termos musicais e de articulação. Mas, nenhum de todos esses festivais que pululam pelo Brasil mereceu mais o título do que o veterano Abril Pro Rock? Será que a Monstro é vitalícia na categoria selos independentes? Nenhum outro veículo on line surgiu para ser comentado? O Trama Virtual tinha que estar sendo homenageado. Todos os citados logo acima são hours concurs. Puxa vida, este ano a gente viu tanto show de bandas interessantes, de todos os lugares do Brasil, em Curitiba, e só vejos os mesmos nomes? E, fique claro, isso não é uma defesa dos paranaenses, mas uma tentativa de refletir sobre o circuito nacional. Alguém pode argumentar que em votação de público quem tem mais bala na agulha, leva. É verdade, mas então isso aqui não tem nada a ver com qualidade e sim com fã clube forte. Veja a lista completa no site: http://www.premiotoddy.com.br/

7/12/2007

sobre fazer jornalismo

Eu participei do debate do Festival Tinidos esse ano e uma das perguntas foi como a gente, o jornalista que fala de música independente, se sente quando não tem nenhum retorno do que escreve. Achei legal a pergunta, porque é bom virar o jogo um pouco e parar de se fazer de coitadinho pra ver o outro lado - que é tão´difícil quanto, em alguns dias, mais, tenho certeza, porque a gente não tem o prazer o palco (mas tem o fazer uma puta duma entrevista que vale o dia). É um trabalho muitas vezes frustrante e solitário, pois parece que ninguém lê nada mesmo e quando lê, é a Gazeta ( mas, mesmo lá, eu tinha pouco retorno).

Mas, eu já tive retorno emocionados. E é legal conversar com alguém que se sentiu valorizado - sem pieguismo, tô falando um pouco do ser jornalista também, que pode ser algo bem solitário. E pensar nisso me faz lembrar de uma alguns dos momentos mais legais de minha vida como jornalista. Um dia cheguei no jornal (Na Gazeta) e tinha um cd, aliás, mais de um, largado mesmo, em cima das mesas, ao lado de computadores. Ninguém tinha dado bola, ele tava lá e quando eu entrei me encarou. "Será que esse Cd aqui, é pra mim?”. “Um carinha passou aí distribuindo, pode pegar pra ti”, alguém respondeu com jeito de nada importante.

Pois é, este disco, Grosso Calibre, é um dos meus preferidos de todos os tempos, tem canções que passados uns seis anos continuam me emocionando de tal maneira que ainda alimentam meu espírito e me dão ânimo pra seguir em frente. Quando peguei o cd e vi a foto reconheci logo “aquele maluco que tá sempre nos bares, é do circuito do igor. Ah, ele também faz música, não sabia”. Coloquei pra ouvir. Meu amigo, que estrondo aquela gravação tosca, com a voz meio enterrada (que ele odeia e eu continuo amando), com letras que até o ivan já confessou igualmente emocionado que gostaria de ter escrito. É o disco do Rodrigo Garcia, uma carinha que até onde sei tá nos EUA.

O engraçado é que cheguei em casa toda elétrica e fui logo falando pro meu amor: “olha só aquele maluco que tá sempre nos bares que a gente vai também é músico, ele deixou o Cd no jornal e é muito bom, cê tem qu ouvir”. Rá-rá: ele tinha encontrado o tal “maluco do bar” na rua que havia passado um exemplar pro ivan que também já tinha ouvido e se impressionado. Enfim, desde então, Rodrigo Garcia é o dono de um disco tão inspirado que de tempos em tempos eu preciso ouvir – e o disco tem que rolar lá em casa – pra resgatar energia, sensações... E sempre, é incrível, mas sempre a audição desse disco me deixa estupefeta.

Rodrigo se aproximou e agradeceu muitas vezes, me deixando até sem jeito. Me surpreendi porque, afinal, não vejo nada demais em falar das bandas que eu acho legal. Aí alguém me deu o toque da importância que é prum artista nessa fase ser comentado num jornal e, principalmente, numa Gazeta do Povo. Eu realmente não tinha noção, pra mim não fazia (faço) mais do que obrigação de passar adiante quando encontro algo que me encanta. Eu realmente quero que mais gente saiba dessas existências, se elas não dão bola, o problema é delas que são idiotas ou correm demais e deixam passar coisas importantes....

E hoje recebi um email legal do Gian, esse rapaz de quem a gente tem falado nos último dias:

"ola, acabei de ver este email e de ler seu texto la no blog. fiquei pensando que minha mãe estava certa, fiquei dois meses com ela (abril e maio) e foi la que eu escrevi essas canções novas (entre outras 20 hehehe) e foi pensando em gente simples como meu pai, minha mae que eu gravei tudo, pelo menos desta vez. As canções dos outros discos, do primeiro que gravei, do ep que não lancei, elas foram feitas pra mim, numa epoca que eu estava totalemente grudado a hypes, internet, wanna bees. olhando por esse prisma hj eu acho tudo uma merda e digo que estraguei um monte de boas canções. mas então, quando li seu texto, ontem o do ivan, fiquei com aquela coisa na cabeça, a virtualidade e a indiferença para com tudo hj, quando musica é baixada hoje e deletada amanha e de repente, vcs se importam, gastam linhas e tempo sobre a minha musica, assim como uns meninos que me deixam scraps no orkut, (tem um pessoal de manaus que me assusta, gente que tem até demos que eu deletei, medo), tem d ehaver alguma relevancia, algum coração batendo por ai. e ai aquilo que decidi meses atras, de fazer canções que minha mae consiga ouvir e gostar tem de dar certo.obrigado a vcs."

Então, é isso, Gian, continue fazendo música pra sua mãe... e pra gente. (Adri).

7/11/2007

então tá!

Foi assim: no meio de mais uma leva de coisas baixadas da internet veio esse tal lo fi dream. Nas primeiras duas ou três vezes: o que é isso, mesmo? Muito bom, hein!. E as canções foram ficando familiares, em casa ou no trampo. essas músicas que ficam na gente causando desassossego, provocando, insinuando que vieram pra ficar. Não é coisa fácil nesses dias um disco fazer um estrago desses. “se tiver um próximo Rock de inverno, essa banda tá escalada”, soltei um dia. O ivan só riu: “é um carinha que veio do interior e que pelo jeito gravou tudo sozinho em casa. e ele perguntou se vai ter Rock de Inverno”. E hoje (ontem, de manhã) já sabendo dessa nova empreitada dele parei de adiar o contato que esperava sua vez uns três meses e escrevi pro tal Gian que respondeu prontamente.
Ao mesmo tempo, ivan, em casa, escrevia sobre as novas canções do rapaz, enquanto a gente combinava foto foto pro jornal e tal. Só li o que o ivan escreveu a noite, já em casa. É engraçado como as mesmas inquietações bateram e foram expostas ao mesmo tempo. Os dois textos que escrevi pro JE ontem falam dessas coisas que a gente tanto conversa e que ele tratou no blog (claro que ele o faz com toda sua maestria e liberdade com as palavras e sentimentos). Desses amores e ódios, dessas frustrações e da vontade de largar tudo; das coisas feitas, cujas lembranças jogam algumas resoluções por terra, só pra ter novamente, por alguns instantes, a satisfação de ver o sonho de ver aquela banda que a gente tanto ama tocando no palco armado por nós, em Curitiba.

esse tipo de sensações que trazem nas entrelinhas as coisas que desejo tão profundamente que acabo me acovardando e largando pelos caminhos; as certezas que ficam destroçadas diante de uma palavrinha pequena que chega como o peso de uma avalanche; de um gesto brusco sem (ou com) intenção, que mostra também um tanto de desamor que não quero (necessário, segundo John, do ruído, mas ainda quero conversar mais com ele sobre isso). é incrível como quando ouvimos uma música ou lemos determinados textos os medos, a necessidade de enfrentamento; as entregas e as hesitações, esses solavancos que fazem perder o equilíbrio mas também empurram, dão as caras.

Ando sem quase nenhuma certeza nesses últimos meses. É, confesso que já tive a pretensão de ter algumas. E as alimentava mesmo, pois acreditava, ainda - que em silêncio por receio de parecer ridícula demais, otimista que sou, tão inseguramente ingênua, essa guria... Mas, agora me sinto num buraco. E é um hole diferente daquele que tenho vontade de me enfiar todo mês. É como um desses sustos característicos de determinadas idades de passagem (tem uma que chamam a da "razão"), alguma coisa aconteceu e eu não percebi ( ou não quis perceber).

Não sei é a resposta que mais me vem nos olhos quando me encaro em algum espelho e vejo as olheiras e marcas novas no rosto. São dias diferentes estes de agora. E não sei exatamente porque... ainda.

E quando ouço um Ludov e procuro algo que me faça sentir alto mais fortee mesmo assim saio do trabalho com uma sensação de vazio (mas de missão cumprida, de certa forma.) e chego em casa e ouço as novas canções do gian, de certa maneira, algumas coisas fazem um pouco mais de sentido, por alguns instantes finais do dia. Não preciso esforço pra que essas canções me joguem alto e pra baixo, incoerentemente, ao mesmo tempo, não preciso explicar, é só ouvir. As inquietações conectadas ao trabalho me largam, porque aqui estão as canções que quero pra mim, sem precisar mais nada. As inquietações do dia agora estão nas paredes de casa e daqui a pouco também elas vão dormir e me deixar sonhar um pouco, quem sabe, mas não é certo. As dúvidas (novas e algumas velhas) continuam todas aqui, mas me sinto de novo com vontade de ver alguns amigos, de conversar (mas só um pouco), de escrever em um jornal sobre uma banda que (quase) ninguém conhece, de produzir outro show e, quem sabe (e quem diria!), fazer outra canção, hoje a tarde na minha casa em silêncio. Valeu Gian, valeu ivan. (adri)

7/10/2007

Uma canção




Maldita bendita música. Tem dias que eu a amaldiçôo e ao dia que eu peguei um violão e toquei a primeira, aliás toquei errado, só bem depois fui descobrir. Provavelmente era um presságio do que viria por aí. Foi uma daquelas tiradas de um daqueles livrinhos de cifras com os sucessos do momento. E que me empurrou pra outra, e pra outra e daí pra um turbilhão de tropeços, êxtases, fracassos, sentimentos de impotência e rejeição, altos e baixos, vontade de jogar tudo pro alto e sair correndo, desânimo, e hoje, principalmente, cansaço. Fadiga. Fastio.
Por isso, ouvir música tem sido uma operação cada vez mais rara e por vezes penosa pra mim hoje em dia. Tem horas que tudo o que eu queria era desligar, simplesmente. Não ouvir mais nada, não conhecer mais nada. Baixo um monte de coisa na internet, mas pouco, muito pouco me interessa. Me diz algo. Sei lá. Não sei se é a ranzinzisse natural que vem com a idade, o cansaço por todos esses anos correndo atrás de algo que eu já nem sei quem é, ou mesmo a nenhuma tolerância para com a babaquice que reina no meio. Por isso, como diz o Camarão, tem dias que “odeio música”, e em especial, “odeio rock”.
Tem a ver é claro também com essa banalização da música, tanto no cotidiano em geral (ce vai num buteco pra tomar uma e conversar, mas sempre tem uma porra dum som, geralmente estridente e horrível, tocando alguma porra duma música ruim, o mesmo acontece em farmácias e lojas em geral), quanto por esse lance de mp3, internet. É aquela coisa, antes a gente penava pra ter acesso aos discos e tal. Mas cada um deles era ouvido com uma atenção e uma dedicação que hoje é simplesmente impraticável. Então se o lance não te chama a atenção nos primeiros trinta segundos, tchau. Infelizmente é assim, e isso não é uma reclamação, crítica, é uma constatação. Sem falar que meu som ta uma bosta e eu não gosto de ouvir música no computador. Mas enfim, sem grana pra comprar um som novo ou mesmo arrumar o velho, fui me acostumando.
Mas, contudo, entretanto, deveras, amiúde, however, como sempre, quando você já ta de saco cheio, querendo vender todos os seus instrumentos e mandar aquela porrada de discos que não ouve mais pro sebo, e tentar esquecer que um dia você pisou num palco, eis que vem uma melodia, uma palavra, um refrão, um acorde mágico, e tudo volta. A vontade de transformar sentimentos em sons e eternizá-los em uma pequena e simples seqüência de notas. Essas malditas canções e suas cápsulas aprisionadas das sensações, do tempo em freqüências vibrantes.
E é isso que eu sinto quando volto de um ensaio do oaeoz, mesmo depois de tudo. Como disse o Jair, do Ludovic, em uma entrevista, mesmo quando todo mundo está convencido de que isso nunca vai te levar a lugar nenhum. E eu acrescentaria, quando até você já começa a perceber essa possibilidade, aliás, cada vez mais óbvia.
E é isso também o que eu sinto quando eu ouço algo que me toca de verdade, que dá aquele nó no estômago, aquela sensação de familiaridade e “quentura”, apesar de isso ser cada vez mais raro. O último que eu lembro que eu comentei por aqui foi o disco do Monodia. Maravilhoso. Continua em alta rotação aqui em casa.
Também ando curtindo muito o Pork a light, do grande Carneiro, mas esse já é outra história, e é velho preferido da casa.
Mas um lance que eu conheci há pouco tempo pela internet e que a cada vez que eu tenho ouvido tem me chamado mais a atenção e agradado é o trabalho de um carinha chamado Giancarlo Rufatto, que tem o projeto Lo-fi dreams. Conheci através do My Space, depois baixei os mp3s na Trama, e realmente fazia tempo não ouvia uma coleção de canções tão boas e bem resolvidas em termos de composição, arranjo e mesmo produção – apesar de ser, como o próprio nome indica, algo produzido de forma lo-fi.
Além disso, fiquei sabendo também esses dias que o cara ta tocando nas ruas, por aí, com violão, voz e gaita, em lugares tipo terminal guadalupe e a praça Zacarias. E fazendo um documentário sobre os músicos de rua de Curitiba – uma pauta aliás, que eu sempre quis fazer no jornal mas ninguém nunca deu bola e eu também, na verdade, não me animei em insistir e ir atrás. A velha preguiça e os dias passando, sabecumé. Mas isso não vem ao caso.
Voltando ao lo-fi dreams, me impressionou – além das melodias e ótimas letras – justamente a consistência do trabalho do cara. Não tem música ruim, e várias delas são muito boas, bem acima da média, canções perfeitas, pra tocar no rádio, se as rádios ainda não estivessem tocando money for nothing, do dire straits, enfim. To ouvindo agora por exemplo uma chamada justamente “Uma canção (nome provisório)”, que porra, é ducaralho. Daquele tipo que você ouve uma vez e sai cantando.

“uma canção quando não houver saída
qando a chuva deixar a noite um pouco mais
vazia”


muito bom

algumas coisas, como a balada “ok”, me lembram o Beto Só, de Brasília, que eu adoro. O engraçado é que não é nada “ixperimental” e tal, novidadeiro hypado, que a gente ta acostumado a trombar por aí no indie anglófilo brasileiro. Pelo contrário, como eu digo, é o tipo de canção que deveria rolar nas transamérica lights da vida para casais apaixonados no motel, se é claro, nossas rádios, e nossos casais no motel não fossem uns tapados. Provavelmente eu sou o tapado, o resto é que tá certo, mas sei lá. foda-se, isso é outra história.

outra que eu gostei muito, e que tem um clima bem folk psicodélico setentista foi “Reza”, que tem uma letra muito foda, também.

“Reza

hey deus, agora sei como fazer você ouvir, me diz se é só mais um segundo, se este é o ultimo aqui. E ai então teremos vencido e encontrado abrigo, me diz se ela pensa em mim, se ela pensa em mim.

Acho que isso é um sinal, bem acho que agora já são dois, por favor, eu te peço, talvez um dia, só pra nós, e um tanto de coragem, um tanto de coragem.

eu vejo tudo dando voltas e porque ainda estamos no mesmo lugar?.

Por favor deixe me descer na mesma estação que ela escolher.

No fim é tudo de mentira, faz de conta, de ilusão, mas não quero nem saber, não quero nem saber, deixe me descer, na mesma estação que ela escolher.”

É aquela coisa. Todo mundo anda falando do Vanguart, e tal, que eu até ouvi e achei legal, mas me desculpe. Nada do que eu ouvi deles me chamou tanto a atenção e grudou no ouvido como “Reza” do Lo-fi dreams. Não to aqui querendo fazer comparações, até porque não vem ao caso. Só to falando que a gente ta tão acostumado a só comprar o que já ta todo mundo badalando por aí, seja na internet, seja aonde for, que as vezes não percebe que as coisas mais legais podem estar bem perto, aqui do lado. Me irrita um pouco a tendência que a gente tem nesse meio jornalístico indie musical de eleger uma meia dúzia de coisas e ficar batendo na mesma tecla o tempo todo e ignorando, muitas vezes, muitas outras coisas tão ou mais legais, mas que por circunstâncias diversas, ou por os caras não “freqüentarem”, como acontece por exemplo com um Monodia, ou um Deus e o Diabo, ou mesmo um La Carne, pouca gente acaba dando atenção. É a velha mania de agir como manada. Só muda a escala, mas é a mesma atitude, seja entre o grande público mainstream, seja a meia dúzia de indie sempre. Afinal, quantas vezes você foi no James e ouviu pela enésima vez “Girls & Boys”, do Blur, ou aquela outra (uhhuuu), ou aquela meia dúzia do Pixies que toca em toda balada indie. Isso me enche o saco.

Voltando novamente ao lo-fi dreams (sim eu sei, to me perdendo e me estendendo demais nesse texto, mas e daí, isso aqui é um blog, não gostou, vai ler a Veja). Além de tudo, pelo que eu li, o cara parece ser gente boa, escreve muito bem e é mais um batalhador que também veio do interior do paranã, filho de caminhoneiro, ta por aí ralando e pondo a cara pra bater – o que é sempre admirável em um panorama tão apático e bundamolístico coxinha que a gente vê por aí. Eu como filho de cabeleleira nascido em Paranavaí não poderia deixar de notar esse detalhe, apesar de ele não ter necessariamente nada a ver com a qualidade do trabalho e o talento do cara, é claro. É só algo que também não pode ser totalmente desprezado/ignorado, porque se reflete claramente na abordagem e nas escolhas que a gente percebe que ele revela nesse trabalho.
Achei ótimo o texto que ele colocou sobre uma das apresentações na rua, contando que colocou uns cds do lado escrito “CD grátis” e o povo chegava com cara de assustado perguntando quanto era. É aquela coisa, como diz a Mariele, “nada é por acaso”. Não é a toa que eu nem conheço o cara e quando ouvi a música me identifiquei na lata. E quando mostrei pra Adri rolou a mesma coisa. E quando deixei uma cópia dos mp3s lá com o Carlão, semanas depois ele veio perguntar, o que era aquilo.
É sempre muito bom descobrir coisas novas, que renovam na gente o sentimento de paixão pela música. Mesmo que amanhã, a gente esteja se amaldiçoando por isso. E mudando de opinião no minuto seguinte.

Enfim. Recomendo quem quiser ir lá no my space, trama e baixar os discos e conferir.

7/06/2007

Rock de Inverno 3 - Alto Falante



Rock de Inverno - Alto Falante

Add to My Profile More Videos

E depois de alguns dias me batendo com o computador, finalmente consegui postar na internet uma das raridades de nosso acervo De Inverno, extraída de uma velha fita VHS. Estou falando da matéria que o programa Alto Falante, da Rede Minas (TVE/MG) fez sobre o Rock de Inverno 3, que aconteceu em julho de 2002, no 92 graus, e foi a edição que teve a maior cobertura de mídia de todas as do festival. A matéria é muito legal, porque ao contrário do que geralmente acontece em TV, os caras fizeram um negócio super bem feito, com muita informação, inclusive trechos de shows e entrevistas de quase todas as quinze bandas que participaram, além de depoimentos de pessoas envolvidas na cena, como o Abonico, entre outras. Vale a pena conferir.
E no final das contas, valeu a pena ter se empenhado para digitalizar e postar o vídeo, pois eu acabei descobrindo alternativas ao You tube, que anda meio cheio de frescura. É que antes o You tube exigia que os vídeos fossem de no máximo 100 megas, independente da duração. Agora, além do tamanho do arquivo, os caras limitaram também os vídeos em no máximo 10 minutos de duração, o que é uma idiotice, pois pra efeito de espaço o que importa é o tamanho do arquivo. Como a matéria do Alto Falante tem 18 minutos não tava conseguindo postar lá. A saída foi apelar para outros sites que também oferecem espaço pra vídeo, como o Google Video e o Myspace, e que inclusive são melhores, pois não tem essa limitação de tempo de duração, carregam mais rápido e tem qualidade melhor. O bom da internet é isso. Neguinho começa a complicar, logo aparece outro oferecendo aquele serviço e melhor. Ou seja, se o You tube tá de frescura, pau no cú deles. Acima, vocês podem conferir o vídeo, tanto na versão Google video, quanto no myspace.
E fiquem ligados, que logo mais raridades dessas vão aparecer por aqui.

Impossibilidades na 91 Rádio Rock

Então. Neste sábado (07/07), o novo single do OAEOZ, "Impossibilidades", volta às ondas do rádio. Desta vez no programa Cena Local, capitaneado pela nossa grande amiga Marielle Loyola (Cores D Flores), que vai colocar a música para rolar na 91 Rádio Rock. O programa começas as 17 horas. Para quem não é de Curitiba ou já está habituado a ouvir rádio pela internet, é só acessar a página da 91.

7/05/2007

O que a classe média brasileira não mais suporta - haja vista as iniciativas de controlar a mendicância em São Paulo - é o contato com gente pobre. Você mora num condomínio bem-cuidado, freqüenta um colégio particular, passeia num shopping center, e tudo vai às mil maravilhas. Só que existe a rua, o trânsito, o sinal vermelho, e quando você olha para o lado lá estão eles. À noite, parada na rua, uma mulher pode ser prostituta, mas pode estar apenas esperando um ônibus. Pouco importa: não é "tudo a mesma coisa"?

Marcelo Coelho, na FSP de ontem (para assinantes)

7/04/2007

Mercadão e mercadinho em maus lençóis

Jornal do Estado

Dono de selo diz que problema de independentes e majors é falta de público e não de dinheiro

Adriane Perin

Foi o descontentamento com os rumos do mercado fonográfico independente que moveu Gustavo Furniel a dar mais um passo na empreitada que começou com um bar em Campinas e hoje é também uma gravadora independente, a Mondo 77. Anova empreitada é uma rádio virtual homônima. “É por causa do retorno pífio que estamos tentando uma nova forma de atrair o público. Somos um selo de rock pop, nosso público é jovem e está acostumado ao mundo virtual”, comenta. Mas, se o público alvo da Mondo é o jovem habituado a internet, principal instrumento das bandas alternativas hoje, porque a apatia com os discos lançados pela gravadora? “Creio que faltava diálogo mais próximo, ficamos muito no lançamento de CDs tradicionais e faltava esse investimento no virtual”, avalia Gustavo. Ele observa que a queda das vendas é evidente também entre os grupos independentes, embora se fale mais da falência do mainstream. “Quem vendia 6 mil discos quatro anos atrás, hoje mal atinge 2 mil cópias e a internet teve participação decisiva nisso” . É com estes dados em mão que a Mondo parte para essa nova etapa de sua recente história – um pouco mais de um ano, como gravadora. Nesse tempo também mudou seu jeito de trabalhar. Começou investindo financeiramente também na gravação e produção dos discos lançados mas teve que recuar nessa postura, porque as vendas não dão retorno e o custo é altíssimo. Serão duas as frentes de atuação da Mondo 77, a partir de agora. A primeira é a tentativa de fazer com que a rádio se sustente, através de comerciais e publicidade no site. Na outra ponta, segue com o selo que voltou a ser mais como os tradicionais, que não custeam a fase de estúdio, que volta a ser por conta dos músicos. A Mondo aboliu também a verba de apoio para produção de shows e manteve apenas a assessoria de imprensa para os lançamentos novos.“O importante agora é fortalecer a marca, tanto da Mondo, como das bandas”, pondera Gustavo. Qualquer artista pode se cadastrar no site e ter uma página. Tem a rádio padrão e outras que podem ser compartilhadas. Lá estão, claro, as bandas do selo, como Ludov, Autoramas, Banzé e Walverdes. Mesmo com a internet não gerando receita direta hoje, ela continua sendo uma aliada importante. “Daqui a cinco anos ela pode gerar receira. Temos que tentar vislumbrar o caminho que viabilize a sobrevivência das bandas e dos selos. A rádio é uma tentativa. As bandas colocam música, que gera audiência, que gera publicidade, que pode gerar receita’’, defende. Ainda assim, Gustavo não decreta o fim da mídia tradicional, o CD, nem das gravadoras. “ Acabamos investindo menos em lançamento de bandas novas, é verdade, pois não se tem retorno. Mas, também não se pode desprezar o disco totalmente”, alerta. Ele considera lançamentos vistuais interesssantes, mas não como único. “A verdade é que todo mundo está perdido, no independente e no mainstream. Nosso problema é igual ao da Universal. Não importa a quantidade de dinheiro que se gasta, pois ninguém sabe o que fazer. Estamos no mesmo barco afundando juntos. Alguém vai vislumbrar o caminho antes. A Trama, que virou uma referência, por exemplo. Não se sabe se o sistema de venda de downloads vai vingar, mas eles estão tentando. Nós também.

Serviço - www.mondo77.fm/