Foi lá no agora distante 11 de outubro de 1997, um sábado, que eu, o Igor e o Camarão nos reunimos pela primeira vez, na casa verde do Campina do Siqueira para a qual eu e a Adri havíamos na época acabado de nos mudar. Lembro que os primeiros ensaios foram no quartinho do meio da parte de baixo da casa. Mais tarde, iríamos passar a ensaiar no sótão, bem mais amplo e arejado.

Nessa primeira fase também tivemos por um período um violinista, o Eduardo, amigo do Igor, que saiu depois da gravação da segunda demo: De Inverno, de 1999. O Rodrigo Zóio entrou no início de 1998, e rapidamente se incorporou a banda e à nossa turma com seu jeito desencanado. Lembro ainda do primeiro ensaio com ele. No início, achei que não ia rolar, mas logo o cara foi se soltando e a coisa se encaixou perfeitamente.

Como eu disse, o primeiro show foi na casa da família peixe-cachorro. Aliás os dois primeiros foram lá, um deles abrindo para os Magnéticoss. Também fomos a primeira banda a tocar no James, quando o bar ainda tinha sido recém-aberto.
Não à toa, a reação geralmente das pessoas nos shows era de um misto de incompreensão e perplexidade, quando não de desprezo puro e simples. Nunca esqueço de um show no QG – lugar que na época abrigava praticamente só bandas de hardcore e psicobilly. Até a quarta ou quinta música ficou quase todo mundo quieto de braços cruzados olhando a gente com uma cara tipo “qualé a desses caras”. Você terminava a música e era aquele silêncio constrangedor.
Só então, em uma determinada música sei lá porque alguém aplaudiu e eu não tive como segurar um comentário: “vocês são um público bem curitibano mesmo, heim?”, brinquei. Mas o legal é que apesar dessa frieza da maioria, sempre tinha um maluco desavisado que vinha conversar com a gente depois do show e comentar que tinha gostado, achado diferente e tal. E assim a gente foi seguindo, meio aos trancos e barrancos, um passo de cada vez, as vezes mais rápido, as vezes quase parando, mas sempre em frente.
Olhando para trás, eu sinto que o mais importante foi que independente de qualquer coisa (reconhecimento, espaço, sei lá), a gente conseguiu construir um trabalho que se não foi tudo o que sonhava ou idealizava, traz as marcas indeléveis de um período inesquecível das nossas vidas.

2006 tem sido um ano difícil pro OAEOZ. Os compromissos de trabalho, vida pessoal, e o próprio desgaste natural de todo esse tempo fez com que a coisa travasse. Na verdade essa situação já vem desde o segundo semestre do ano passado, quando os ensaios foram ficando cada vez mais escassos, até pararem de vez esse ano. Com isso também, as gravações das novas músicas, iniciadas em novembro e que eu esperava lançar até meados deste ano, ficaram paralisadas e só recentemente a gente conseguiu retomá-las, mesmo assim em um ritmo muito, mas muito lento.
Não tenho como esconder minha imensa frustração com isso. Parece que tudo aquilo pelo qual eu sonhei, lutei e dediquei todas as minhas forças nesses anos todos não adiantou nada, não foi suficiente para fazer com que eu pudesse simplesmente continuar fazendo aquilo que eu mais quero, que é música. Mas como “não há mal que sempre dure”, ainda alimento esperanças de que as coisas possam mudar daqui pra frente. E mesmo que isso não aconteça, de um jeito ou de outro ainda vou continuar fazendo minhas musiquinhas, mesmo que seja pra ficar tocando sozinho no quarto.
Ivan
Curitiba, 11 de outubro de 2006.



























