10/11/2006

Onde é que está meu rock n roll (será que eu vou virar bolor?)

Como dizia aquela antiga propaganda, o tempo passa, o tempo voa... (e a poupança Bamerindus foi pra puta que pariu). Se fosse uma pessoa, o OAEOZ estaria hoje quase saindo da fase criança para entrar na pré-adolescência. Estamos completando nesta quarta-feira nada menos do que nove anos desde os primeiros passos da banda. Talvez isso explique a fase complicada que a gente vive hoje, já que é ao chegar a pré-adolescência/adolescência que em geral a vida parece ficar de ponta cabeça, e todos os complexos e incertezas da vida te atingem em cheio como um raio.
Foi lá no agora distante 11 de outubro de 1997, um sábado, que eu, o Igor e o Camarão nos reunimos pela primeira vez, na casa verde do Campina do Siqueira para a qual eu e a Adri havíamos na época acabado de nos mudar. Lembro que os primeiros ensaios foram no quartinho do meio da parte de baixo da casa. Mais tarde, iríamos passar a ensaiar no sótão, bem mais amplo e arejado.
Vista da parte da frente do quintal da casa do Campina do Siqueira, onde o OAEOZ "nasceu": tempos de ensaios longos, jams e ambiente bucólico.
No começo, como não tínhamos bateria, emprestávamos a batera do Rodriguinho (ex-Acrilírico, hoje no Gruvox). Nesse início também não tínhamos baixista, nem sequer nome para a banda, tanto que as fitas em que eu gravei os primeiros ensaios eram identificadas como “ICI” - ou seja, as iniciais de Igor, Camarão e Ivan. O nome só viria depois, escolhido de uma lista feita às pressas por mim e pelo Igor às vésperas do primeiro show, na lendária república da família peixe-cachorro. Lembro que entre as opções dessa lista tinha ainda “Os Arnaldos” (óbvia homenagem ao Arnaldo Baptista; depois fiquei sabendo que tem uma banda com esse nome em Porto Alegre).
O quartinho do meio da casa do campina, onde fizemos os primeiros ensaios do "ICI", depois OAEOZ: notem a sofisticação do colchoado pendurado em frente à janela para abafar o barulho.

Nessa primeira fase também tivemos por um período um violinista, o Eduardo, amigo do Igor, que saiu depois da gravação da segunda demo: De Inverno, de 1999. O Rodrigo Zóio entrou no início de 1998, e rapidamente se incorporou a banda e à nossa turma com seu jeito desencanado. Lembro ainda do primeiro ensaio com ele. No início, achei que não ia rolar, mas logo o cara foi se soltando e a coisa se encaixou perfeitamente.
O sótão da casa do campina visto de fora: espaço e ensaios embalados pelo vento e pela chuva. Também foi aí que a gente gravou o Dias (2001).
Foram bons tempos em que a gente tinha muito mais facilidade pra se encontrar e fazer música. Chegávamos a ensaiar três vezes por semana, e a fazer uma média de dois shows por mês, tocando em tudo quanto é moquifo ou lugar de Curitiba que abrisse espaço pra som próprio. (James, Café Beatnik, Café Curaçao, Cafénobule, QG Bar, Bills, e por aí vai). Fora que os ensaios de sábado eram verdadeiras jams que duravam até quatro horas.
Como eu disse, o primeiro show foi na casa da família peixe-cachorro. Aliás os dois primeiros foram lá, um deles abrindo para os Magnéticoss. Também fomos a primeira banda a tocar no James, quando o bar ainda tinha sido recém-aberto.

Os primeiros dois shows do OAEOZ foram na república da Família Peixe Cachorro: aí do lado uma coletânea de fotos de um deles, com direito a fogueira, malabares e tudo o mais.
Outra coisa que ficou na minha mente era a forma como o público reagia à música do OAEOZ nas apresentações ao vivo. Em uma época em que o underground de Curitiba era monopolizado por bandas de som “indie-guitar”, ou harcore, e psicobilly, a gente apareceu com um vocalista tocando violão e cantando “pra dentro”, geralmente sentado e também tocando teclado (heresia para os roqueiros mais “radicais”); um guitarrista esquizofrênico, um violino, um baterista que não tocava como um baterista convencional. Quando quase todo mundo cantava em inglês, nosso repertório era majoritariamente de letras em português falando de amores complicados, romances sem futuro, questões existenciais: nada de política, nada de “crítica social”, nada de lições de moral ou pose de fodão. Baladas melancólicas, que explodiam em longos trechos instrumentais e improvisos. Shows de mais de duas horas de duração. Também não tínhamos nada a ver com aquele lance que rolava muito na época de “fusão de ritmos regionais” na cola do mangue beat, raimundos, ou o funk-hardcore de Planet Hemp e Charlie Brown em voga então. Ou seja, tinha tudo ao contrário do receituário, tanto do underground quanto do mainstream.
Não à toa, a reação geralmente das pessoas nos shows era de um misto de incompreensão e perplexidade, quando não de desprezo puro e simples. Nunca esqueço de um show no QG – lugar que na época abrigava praticamente só bandas de hardcore e psicobilly. Até a quarta ou quinta música ficou quase todo mundo quieto de braços cruzados olhando a gente com uma cara tipo “qualé a desses caras”. Você terminava a música e era aquele silêncio constrangedor. Só então, em uma determinada música sei lá porque alguém aplaudiu e eu não tive como segurar um comentário: “vocês são um público bem curitibano mesmo, heim?”, brinquei.
Estúdio Luna, onde o OAEOZ gravou sua primeira demo, lançada em 1998: à direita, Eduardo, violinista que tocou com a gente no início.

Mas o legal é que apesar dessa frieza da maioria, sempre tinha um maluco desavisado que vinha conversar com a gente depois do show e comentar que tinha gostado, achado diferente e tal. E assim a gente foi seguindo, meio aos trancos e barrancos, um passo de cada vez, as vezes mais rápido, as vezes quase parando, mas sempre em frente.
Olhando para trás, eu sinto que o mais importante foi que independente de qualquer coisa (reconhecimento, espaço, sei lá), a gente conseguiu construir um trabalho que se não foi tudo o que sonhava ou idealizava, traz as marcas indeléveis de um período inesquecível das nossas vidas.
Foto tirada em frente à antigo estúdio Áudio Beltrão, onde gravamos a segunda demo, De Inverno, lançada em 1999: dá pra ver que era inverno mesmo.
Nossas histórias estão lá, contadas nessas dezenas de canções, que bem ou mal, são um retrato do que a gente é e do que a gente viveu. E mesmo que a gente não consiga nunca mais fazer mais nada pelo menos 43 delas estão lá registradas, gravadas e hoje disponibilizadas para quem quiser ouvir (www.tramavirtual.com.br/oaeoz) – além das duas versões ainda inéditas em disco que estão no my space (www.myspace.com/oaeoz). Fora o material inédito em áudio e vídeo, que eu ainda sonho em editar e lançar um dia, quem sabe quando a gente tiver completando uma década de banda.
2006 tem sido um ano difícil pro OAEOZ. Os compromissos de trabalho, vida pessoal, e o próprio desgaste natural de todo esse tempo fez com que a coisa travasse. Na verdade essa situação já vem desde o segundo semestre do ano passado, quando os ensaios foram ficando cada vez mais escassos, até pararem de vez esse ano. Com isso também, as gravações das novas músicas, iniciadas em novembro e que eu esperava lançar até meados deste ano, ficaram paralisadas e só recentemente a gente conseguiu retomá-las, mesmo assim em um ritmo muito, mas muito lento.
Não tenho como esconder minha imensa frustração com isso. Parece que tudo aquilo pelo qual eu sonhei, lutei e dediquei todas as minhas forças nesses anos todos não adiantou nada, não foi suficiente para fazer com que eu pudesse simplesmente continuar fazendo aquilo que eu mais quero, que é música. Mas como “não há mal que sempre dure”, ainda alimento esperanças de que as coisas possam mudar daqui pra frente. E mesmo que isso não aconteça, de um jeito ou de outro ainda vou continuar fazendo minhas musiquinhas, mesmo que seja pra ficar tocando sozinho no quarto.
Só posso deixar aqui meu abraço e agradecimento a todos os que nos ajudaram nessa estrada. A começar pelos comparsas Igor Ribeiro, Hamilton “Camarão” de Lócco, Rodrigo “Zóio” Montanari, Eduardo, André Ramiro, Carlão Zubek, que aguentaram meu mau humor, minha ansiedade, minha total e absoluta falta de tato; aos “sócios” e irmãos Rubens K e Marcelo Borges, parceiros eternos; e é claro, à minha musa, Adriane, a quem eu dedico esses nove anos ou 3285 dias de som e fúria.

Ivan
Curitiba, 11 de outubro de 2006.

10/09/2006

Polaca Azeda - Charme Chulo - Rock de Inverno 5



Confiram mais um vídeo do Marcelo Borges no Rock de Inverno 5
Desta vez é "Polaca Azeda", do Charme Chulo, que está para sair no primeiro disco "cheio" dos caras.
Que também estão em uma entrevista legal publicada esta semana pelo Scream Yell

9/28/2006

A MÚSICA ACABOU

O título acima pode parecer exagerado e incongruente pra alguém que toca em uma banda, tem um selo independente, produz um festival e respira música mesmo quando não a está ouvindo ou fazendo. Mas é exatamente assim que eu tenho me sentido ultimamente as vezes em relação a essa coisa que a princípio eu não dava a menor importância, mas que a partir de um momento invadiu a minha vida de tal forma que ocupou praticamente todos os espaços vazios. Mas o fato é que o excesso banalizou a música de tal maneira que hoje eu as vezes me sinto enfastiado dela, e não consigo mais ter aquela relação de êxtase que antes tinha com essa coisa tão importante e tão presente no meu dia a dia. É aquele lance, hoje em dia as vezes você só quer ir num boteco sentar pra tomar uma e conversar com os amigos. Mas os caras não querem saber, tem que colocar alguma música, de preferência num volume bem alto e em um aparelho de som horrível que deixa tudo estridente e inaudível.
Além disso, esse lance de internet e mp3 e tal agravou ainda mais esse processo. É claro que por um lado isso é ótimo, pois hoje você tem acesso a coisas que de outra forma difícilmente alcançaria ou porque custaria os olhos da cara ou porque simplesmente jamais chegaria até você. Mas por outro lado, parece que nunca a gente teve acesso a tanta coisa, e nunca houve tanta desinformação e indiferença. É claro que eu também me deslumbrei e sai baixando um monte de coisa que eu queria e outras que eu nem conhecia e tal. Mas a verdade é que ninguém (ou será que sou só eu) consegue absorver tanta informação direito. Sinto saudade daquele tempo em que você ficava esperando um ou dois anos pra tua banda preferida lançar um disco novo, tinha que esperar mais um tempo praquele disco chegar nas lojas da tua cidade, economizar uma grana e ir lá pegar aquele bolachão em vinil, com aquela capa grandona e quando colocava aquilo na vitrola e a agulha começava a girar, putz, era como se um novo mundo se abrisse na tua vida. Hoje, eu tenho um monte de cds e dvds com mp3s em casa, mas na maioria das vezes quando eu realmente quero ouvir alguma coisa que eu gosto, acabo voltando nas mesmas músicas e bandas. Sim, tem muita coisa nova legal, e eu gosto de descobrir coisas novas, mas é cada vez mais raro que elas me despertem aquele sentimento forte que eu tinha e ainda tenho com determinadas coisas.
Esse ano, por exemplo, teve vários discos muito bons por aí, como o do Cascadura – perfeito em suas canções e sua produção esmerada. O do Flaming Lips, com seu freak rock spacial. O disco do Morrissey também é muito bom. Mas na verdade, por mais que eu tenha gostado desses discos, pouca coisa me tocou realmente.
Uma delas eu já comentei aqui, o disco novo da Cat Power, com aquela voz grave e “quente” de fazer derreter as calotas polares. Maravilhoso. Tô viciado.


Mas ontem, eu procurei de novo pra ouvir uma banda que eu já conhecia um pouco e tinha ouvido rapidamente o novo trabalho deles mas ainda não tinha me tocado. To falando do Monodia, de POA, que conhecemos depois de fazer contato com o pessoal do Deus e o Diabo. É a banda da violinista do DEOD, a gente boa Desiré. E porra, as músicas novas dos caras caíram como uma bigorna na minha cabeça. Me deram aquele nó no estômago que só coisas que despertam sentimentos muito fodas me fazem. Como é bom isso. Como é bom saber que apesar de toda a banalização, toda a babaquice marqueteira, toda pose inútil que assola esse meio “musical”, seja ele mainstream ou udigrudi, ainda existe gente capaz de fazer canções que te emocionam de verdade. Que te fazem lembrar porque afinal você um dia se deixou envolver por isso de tal forma que parece que não sobrou espaço pra mais nada na sua vida.
Não que o som deles seja revolucionário ou traga algum tipo de grande novidade e i nditismo. Longe disso. Eles também não são virtuoses, e a produção, apesar de bem feita, e simples. Mas é justamente essa simplicidade que faz com que o poder dessas singelas canções te atinjam ainda mais em cheio. “Não tenho mais, não tenho mais, medo do escuro/não tenho mais medo de brincar/só”, diz a aterrorizantemente simples “Só”. “Quando o silêncio fala por nós dois, é porque já não há mais nada”, cantam na assustadoramente bela “Noite”.
E o vocal, putz, o cara canta como se tivesse sussurrando uma canção de ninar no seu ouvido. Maravilhoso. Alguns momentos lembram as conterrâneas Blanched e o próprio DEOD (e isso é um elogio, porque eu adoro essas bandas), e uma outra banda que provavelmente ninguém nem eles conhecem, que eu gosto muito, chamada lesionada, do Espírito Santo, e que nem deve existir mais. Mas enfim, não é isso o importante, o importante é que ouvir essas coisas me fazem de novo ter vontade de pegar o violão e pelo menos tentar arriscar minhas cançõezinhas, mesmo que ninguém esteja interessado ou disposto a dar qualquer atenção a elas. Mesmo que hoje fazer música pra mim está cada vez mais difícil, e que por um monte de motivos, eu nunca tenha me sentido tão vazio, frustrado e perdido em relação a minha banda e aquilo que eu tanto lutei e mais desejei fazer nunca esteve tão distante e inacessível. Mesmo que as vezes que sinta que tudo o que eu fiz se desfez como um castelo de cartas.
Foi só ouvir essas canções, e todo aquele desejo de fazer música se renovou e pareceu vir ainda mais forte. Como tava comentando ontem com a Adri, a gente não aprende mesmo, não tem jeito. Pois é Desiré e monodias, eu não sei se agradeço vocês ou os amaldiçoo. Mas acho que vou ficar com a primeira opção. Pelo menos até a próxima canção terminar. Valeu mesmo.

e se alguém estiver interessado em entender o que eu to falando (pelo volume de comentários por aqui duvido, mas sempre tem um maluco desavisado - né rubens)
o ep do monodia tá disponível na trama

http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=108

Ivan

9/25/2006

Mordida – Judy – Rock de Inverno 5



E pra começar a semana em alto astral, mais um vídeo inédito do Rock de Inverno 5, feito pelo Marcelo Borges. Desta vez é o Mordida, tocando Judy, quando a banda ainda tinha a Tati Lemos nos vocais. Classe. Só lembrando que o áudio que está aí não foi mixado, portanto ainda vai melhorar muito. Mas nada que comprometa a audição. Dá para ter uma boa idéia do que foi o show.

9/15/2006

De lembranças (em vídeo), noitadas e comparsas



Noitada excelente, como só aquelas em que a gente se encontra com grandes e velhos amigos pode oferecer. O show do Folhetim foi perfeito. Nada como show em teatro para você ouvir de verdade todos os detalhes da música de uma banda. E os caras mostraram que fizeram a lição de casa direitinho. Show redondo, sem arestas, sem deixar cair a peteca em nenhum momento. Participações especiais de vários meliantes da “máfia”, entre eles este que voz escreve, mister Linari, Rodriguinho, o grande Paulinho Branco. Parabéns a todos os folhetinescos. E Carlão, depois de quinze anos nessa correria de show, festival, selo, produção, equipo, gravação, cartaz, etc, acho que tenho uma “parca” idéia do que você está sentindo. Entendo perfeitamente tua expressão meio perdida de quem parece não saber se está feliz por estar ali ou torcendo pra que tudo acabe logo. Já passei por essa de se quebrar tanto pra fazer a coisa, que quando acontece você tá tão cansado que as vezes nem consegue aproveitar direito. Mas fica frio cara. Foi muito bom. Tá feito. Tá registrado. Agora é história. Relaxa e aproveita, porque apesar de todo o perrengue ou justamente por ele, a gente tem que valorizar esses momentos especiais. Vocês merecem.
Mas o melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista), veio depois do show, quando uma trupe inacreditável de mais de vinte pessoas invadiu o Pudim para o horror dos garçons da casa, e só saiu de lá a 1 hora enxotada. Parte dela rumou para o folclórico Japas Bar, que mais parece um cenário de um filme do Tarantino. Que que é aquele Japa? Pois bem, várias cervejas e chiboquinhas depois, nem o Japa aguentou a gente.
Muito bom ter mister Linari por aqui de novo. É incrível como esse cara ocupou um espaço tão grande em nossa pequena, estranha e barulhenta “famiglia”. É como se a gente conhece o cara a vida toda. Ver o Linari no palco, cantando com o Folhetim, faz a gente entender porque é que a gente insiste nessa história de música por tanto tempo (que diga o Rubens, com sua carteira da OMB de 1989), mesmo que isso custe um pouco do que resta de nossa sanidade mental e física, ou mesmo sem saber se algum dia vai chegar a algum lugar, ou sequer se existe algum lugar pra chegar. O cara foi feito pra isso, pra estar em cima do palco. Esse maldito tablado iluminado e sonorizado é a melhor droga que existe. E os poucos minutos que a gente consegue finalmente chegar lá e fazer o que tem que ser feito fazem valer toda uma vida de sangue, suor, lágrimas e ressacas, e frustrações e vontade de mandar tudo à merda, e desprezo e ...vontade de começar tudo de novo porque sempre tem uma canção perdida por aí precisando ser descoberta, trazendo um sentimento novo que te alimenta a vontade de seguir em frente.
Que venham outras. Enquanto a gente tiver força pra ficar de pé e segurar uma guitarra, vai ser assim.
Pra terminar, mais uma preza de outro sócio honorário dessa nossa pequena e insana “famiglia” rock n roll. Mister Marcelo Borges nos avisa de lá do outro lado do Atlântico e vocês podem conferir aí acima a estréia mundial do primeiro vídeo de uma música do disco “Às vezes céu”, do OAEOZ. Marcelinho nos deu a honra de videografar “Lembranças não valem nada”, com imagens de viagens dele de trem pelas terras da rainha, e pela Europa (Cracóvia, me parece, não me pergunte onde fica). E como em todos os vídeos que o Marcelo fez pra gente, é uma criação toda dele, sem qualquer participação da banda que não seja fornecer a música e a inspiração. E como sempre, ficou perfeito. Confiram, comentem, link em seus blogs e o scambau. A famiglia OAEOZ mais uma vez agradece ao nosso parceiro, que em breve, esperamos, estará de volta por aqui para armarmos mais algumas artimanhas.

9/14/2006

Histórias de um Folhetim Urbano no teatro

Jornal do Estado

Independente - disco

Adriane Perin

Foto: Jonas Oliveira
Renato, Carlos e Marcelo: primeiro disco na praça

O disco Cativeiro abre com um rock “funkeado”, margeado pelo saxofone falante do jazzista Paulo Branco e vocais devastadores de Marcos Linari, da paulista La Carne, tudo muito bem coberto pela base baixo-guitarra-bateria, na letra de pegada meio política de “Guerrilha”. “F de Todos nós”, a segunda faixa, mantém o clima nervoso para ceder espaço à bela “Avon”, homenagem póstuma ao avô de dois dos integrantes, que começa num clima bem U2, até a entrada da voz que da o tom ao lado de uma guitarra mais evidente para a letra: “Não feche os olhos pra sonhar, não pare para descansar, a vida segue e procura o fim sozinha”. Uma música bonita, comovente... e tão simples. É assim: intenso, simples e belo, o álbum Cativeiro, estréia da banda Folhetim Urbano, que faz hoje no Teatro do Sesi seu lançamento. Trata-se de um trio de “irmãos-amigos” que leva a risca a essência motriz do rock n roll: “fazer um som”. A atitude resume bem as intenções de Carlos e Renato Zubek e Marcelo Chytchy, que surgiram como Sabadá em 2001 e ano passado decidiram se dar uma cara mais de cidade. Sinceridade, cotidiano, autenticidade são termos muito usados, mas não, necessariamente, sinônimo de boa música. Mas aqui eles são eficientes numa tentativa de descrever o Folhetim. Entre os três existe, mesmo, uma autenticidade comportamental traduzida em canções, que destoa das “tendências indies” e não dá a menor bola para caras e bocas e poses. Eles parecem não precisar de nada mais do que fazer um som com os amigos, sem pretensões. Ops, outra dessas palavrinhas gastas em textos de apresentação de bandas. Então, empresto os dizeres do mestre Mario Bortolotto para uma correção. Quem aqui quer ser desprentensioso? Eles são pretensiosos, sim, afinal montar uma banda, fazer um disco e ter coragem de encarar um palco não é para quem gosta de ver a vida passar na janela. E a dedicação dessa trupe a este trabalho, é um caso desses. Folhetim não é banda que toca toda noite, mas quando promove uma balada, pode saber que além de música boa e poesia, vai ter muitos sorrisos abertos e pessoas se divertindo pra valer. Porque como bem diz o texto de apresentação do trio: “Se o teu negócio é caras e bocas, penteados da moda e promessas de salvação do rock, esqueça. Se é ouvir boas canções, de gente de carne e osso, pode vir nessa que tamo junto”.

Serviço: Lançamento do disco Cativeiro, da banda Folhetim Urbano. Dia 14 às 20h. R$10 e R$5. Teatro do Sesi (R. Pe. Leonardo Nunes, 180). Informações: (41) 9958-4000.

9/12/2006

Confraria Folhetim

Foto: Andy Avon
Folhetim Urbano é uma banda de Curitiba que faz música com a despretensão e a paixão de quem joga uma pelada de futebol de várzea. Rocks básicos com letras em português falando de gente que levanta cedo, pega ônibus, paga aluguel, e vive seus amores e desencantos longe de manchetes e telejornais. Por mais desgastada que possa parecer, a palavra aqui é autenticidade. E pra entender isso basta dar um pulo em uma apresentação dos caras ou ouvir esse CD que está nas suas mãos, e que será lançado com show no próximo dia 14/09, quinta-feira, no teatro do Sesi no bairro do Portão. O disco tem a distribuição do selo independente De Inverno Records, de Curitiba.
Mais que uma banda, o Folhetim é uma confraria, uma reunião de amigos e famílias que se encontram em torno desses três freak brothers Carlão Zubek (guitarra, voz, letras), Renato Zubek (baixo, voz) e do baterista Marcelo Chytchy. “Cativeiro” traz o registro de estréia dos caras em disco com cinco composições próprias da banda que nasceu em 2001, ainda como Sabadá, trocando o nome para Folhetim Urbano no ano passado. O clima de confraria é confirmado pela participação decisiva e intensa de várias figuras dessa “máfia”, como o baixista Rubens K, que faz a co-produção do disco. O vocalista da banda osasquense La Carne, Marcos Linari, cantando, e Rodrigo Genaro na bateria de “Guerrilha”. Paulinho Branco empresta seu saxofone à mesma ‘Guerrilha”, e ainda a “Fases, frases e tempestades”. Mr Carlos Codespoti comparece com as fotos da capa. A arte do CD e capa fica por conta de Zubartez.

Nas cinco músicas, o que se ouve é o que se percebe quando se conhece os caras. Uma banda que não faz pose de “cool”, nem está preocupada em parecer fashion, mas sim em contar suas histórias sem qualquer compromisso que não seja simplesmente fazer o som que curte com os amigos, e se divertir com isso. Esqueça essas bandas que prometem reinventar a roda. Em um mundo em que todo mundo quer ser celebridade e os roqueiros parecem mais preocupados com seus cabelinhos simetricamente desalinhados, ouvir Folhetim Urbano é descobrir que ainda existe gente de verdade, que trabalha, cansa, pragueja, se sente frustrada e luta contra tudo isso todo dia com um sorriso no rosto, uma guitarra nas mãos, uma boa melodia na cabeça, e uma vontade inexplicável de fazer algo mais do que apenas seguir a manada e sobreviver.
Nas canções do Folhetim cabem tanto rocks furiosos, quanto funks adrenalinados, ou baladas pop que poderiam circular tranquilamente nos ipods e rádios rocks da vida. Nas letras, experiências pessoais (“ontem eu vi alguém que se ama, isso é raro e já não me toca mais”), romantismo ingênuo (“não feche os olhos pra sonhar, não pare para descansar, a vida segue e procura um fim sozinha), crônica social (“cê lembra daquele menino que batia em sua porta lhe pedindo uma chance?), e porque não, crítica política (“quem pegar mais americano, vence o show, business...”). Mas tudo isso com a naturalidade e desencanação de quem dá um passe pro amigo completar pro gol. Ou bate um pingado com pão e manteiga na esquina antes de encarar mais um dia de trampo.

Se o teu negócio é caras e bocas, penteados da moda e promessas de salvação do rock, esqueça. Se é ouvir boas canções, de gente de carne e osso, pode vir nessa que tamo junto.

SERVIÇO:

Show de lançamento do CD Cativeiro
Banda Folhetim Urbano
quinta-feira 14/09/06, às 20 horas
projeto Quinta do SESI
Teatro SESI do Portão
Rua Padre, nº 180
Próximo ao BIG do Portão
Ingresso: R$ 10,00
e R$ 5 (estudantes e industriários


Contatos:
www.folhetimurbano.com
fu@folhetimurbano.com

8/28/2006

GIANOUKAS PAPOULAS - Panorâmica - Rock de Inverno 5



e pra começar bem a semana, o Marcelo nos avisa de mais um vídeo do Rock de Inverno 5 saído do forno. Desta vez, dos nossos amigos paulistanos do Gianoukas Papoulas, com a música "Panorâmica", que está no novo disco dos caras e pode ser baixada junto com as demais faixas do disco na página do Gianoukas.
Só é importante explicar que esse áudio que está no vídeo ainda é provisório. A áudio definitivo ainda vai ser mixado depois que todos os vídeos estiverem prontos, e deve melhorar bastante.
por enquanto é isso
boa semana e aproveitem

8/24/2006

N.Y.C.



e eu pensava que esse ano não ia rolar de assistir nenhum show de gente grande de fora, porque eu não ia ter grana pra viajar pra sampa ou outro lugar, e o CRF/sonora, sei lá o que, tá vai não vai. Mas hoje de manhã a Adri me ligou contanto que vai ter Tim Festival na pedreira, dia 31 de outubro, com ninguém nada menos que a lenda viva do punk novaiorquino Patti Smith, e de quebra, os Beasty Boys. Excelente. Oportunidade única de ver ao vivo por aqui uma mulher porreta, parceira e companheira de Fred Sonic Smith, frequentadora do palco do CBGB ao lado de Ramones, Television, Richard Hell...
Aí em cima, um videozinho pra ir esquentando.

8/16/2006

Cascadura: sem ilusões e com os pés no chão

Jornal do Estado de hoje

Fábio Cascadura, o compositor e criador da banda, conversou com o Espaço 2
Adriane Perin
Já está nas bancas a mais nova edição da revista Outra Coisa e junto com ela um delicioso presente sonoro, Bogary, o disco novo da banda baiana Cascadura.
O grupo, que tocou em Curitiba no festival Rock de Inverno 6, quer voltar ainda este ano. Bogary é o quarto álbum e tem a tarefa de ocupar o lugar do excelente Vivendo em Grande Estilo. A diferença deste trabalho, diz Fábio Cascadura, criador do grupo que nasceu Dr. Cascadura, é a orientação artística musical que nos primeiros era mais voltada para o rock clássico. “Nosso som remetia a esfera que veio logo depois da primeira geração dos anos 50 e que culminaria nos anos 70”, comenta. A sonoridade setentista foi uma das marcas do grupo no disco anterior, mas a banda já havia, nas palavras de Fábio, “esgotado aquele formato e queria agregar referências mais contemporâneas”. “Agora é nosso momento de ruptura completa, já que no anterior começamos a emular uma personalidade mais nossa”, avalia.
Para este disco foi tudo mais simples, de certa forma. “Os produtores foram capazes de criar a atmosfera em que a banda expõe suas influências sem ser obliterada por elas”, comenta sobre Bogary que foi feito em parcos 22 dias em estúdio. “Não foi corrido, aconteceu naturalmente. Nos outros discos ficamos muito tempo ensaiando e ainda nos demoramos no estúdio porque queríamos reproduzir o que havia sido ensaiado. No Vivendo, não ensaiamos nada até entrar no estúdio e também foi bem bacana, em 40 dias”, diz, reforçando a importância dos produtores, andré p. e Jô Estrada. “Foi uma troca mesmo”. A única coisa que ele pediu à dupla foi: não vamos usar nem piano nem violão. “Foi tudo na guitarra, baixo e bateria e estamos muito satisfeitos. Nunca gostei tanto de um disco. Em geral, depois que gravo me desinteresso como objeto artístico, mas desta vez esta sendo bem diferente”, diz.
O disco está mais pop e o termo não incomoda a banda. “Se é para usar um rótulo, acho esse apropriado. É um disco mais digerível. Já me perguntaram se a banda faz pós- rock. Eu acho que é só um rock”.
O grande lance é estar encartado numa revista que vai levá-lo ao Brasilt todo, algo muito difícil para um grupo alternativo. Era para ser o relançamento do Vivendo, mas acabou surgindo um novo disco no caminho e o relançamento ficou com a Monstro Discos, o que também é bom, pois Vivendo merece ser mais conhecido.
A distribuição pela revista tira um peso das costas da banda, mas continua sendo necessário força e persistência. “Claro que é bom este apoio que nos leva para um novo lugar em um mercado que está se redefinindo. Não podemos nos acomodar como artista que só sobe no palco e toca. Nós gerenciamos nossa parte para dar satisfação aos parceiros. E da mesma forma eles com a gente”.
De qualquer maneira pode estar nascendo uma nova fase para o Cascadura. “Ano que vem fazemos 15 anos e conseguimos agora uma exposição que nunca tivemos antes, entrar em centros que nunca chegamos. Também, estamos num ponto em que não temos muitas ilusões acerca de estrutura e mercado. Sabemos onde estamos nos metendo. É uma nova etapa que começa sem ilusões e com os pés no chão. Não tem essa conversa de vamos estourar, aliás o que tenho ouvido muto e acho graça. Possibilidade existe, mas não vou ficar correndo atrás dela. Estamos mais preocupados em conservar a música que a gente faz”, garante.
Serviço
Em breve novo site da banda. Por hora, dá pra conferir o www.fotolog.com/dr.cascadura

“Não somos a melhor banda da última semana”

JE de hoje


Jornal do Estado — O que é ser uma banda nesses tempos de “maior banda de todo os tempos da última semana” para um grupo que tem quase 15 anos?
Fábio Cascadura — Não ser a maior banda da última semana. A gente não quer ser uma dessas. Já temos nossas maiores bandas de todos os tempos e posso te assegurar que nenhuma delas é de fora do Brasil. Nós só queremos ser uma banda de rock, mesmo.
JE — E o que é ser independente agora que o termo virou grife?
Fábio Cascadura — É estar envolvido com todos os períodos e detalhes da construção da carreira. Pra mim independência significa meter a mão na massa de verdade. É fácil se dizer independente, mas ser de verdade, é outra história.
JE — Porque um disco físico, num tempo em que a internet está mais forte do que nunca e dizem que “ninguém compra mais ”
Fábio Cascadura — É fundamental, porque nem todo mundo tem acesso à internet. E tem o lado da satisfação, eu sou do tempo do vinil e preciso desse retorno visual, tátil e não só auditivo.
JE — Porque o rock na terra do Axé?
Fábio Cascadura — É a terra do axé que está no planeta do rock. A Bahia tem um histórico de lançar rock e produzir ícones – a cada dez anos surge um Raul Seixas, Camisa de Vênus, uma Pitty. Nós fazemos parte de uma geração – com Dead Billies e Brincando de Deus – que ajudou a criar uma situação mais consistente na cidade, que permite que uma Pitty seja revelada ao grande público.
JE — Quem é cascadura no circuito independente brasileiro de hoje?
Fábio Cascadura — Pra mim é inevitável não citar o Cachorro Grande, que primeiro quando vi pensei que fosse só uma brincadeira. Quando notei que era banda de verdade, achei a melhor coisa do mundo. Também tem a Monstro Discos que passou a fase de ser independente por falta de opção, ela é, mas não de qualquer jeito.

Jornal do Estado de hoje A memória da música paranaense

Já está disponível para pesquisa o acervo do Musin – Museu do Som Independente, em Curitiba. Trata-se do material coletado ao longo das duas últimas décadas pelo pesquisador Manoel Neto. Ele trabalha para transformar o endereço oficialmente em um Museu, processo lento que corre junto com o trâmite para que seja tombado como bem histórico cultural do Estado.
São 10 mil folhetos e cartazes de eventos culturais, 1500 vinis, cassetes e cds de músicos locais, mil publicações, como fanzines, livros e informativos, e mais de 3 mil fotos relacionadas ao tema. “Técnicos da Secretaria da Cultura já avaliaram o material para dar entrada no processo, só que isso é demorado”, comenta. O pesquisador explica que o problema por hora é o espaço não ser institucionalizado. “É difícil conseguir verba para dar continuidade. Mas, estar sendo usado como fonte de pesquisa já conta pontos, porque é utilidade pública”, esclarece ele que, enquanto isso, vai trabalhar com Leis de Incentivo como pessoa física.
Não é de hoje que o material recolhido por Neto tem sido fonte bibliográfica para o crescente número de projetos acadêmicos que se debruçam sobre o assunto - e também para a imprensa. Este é o único acervo organizado da história da música paranaense de que se tem notícia. “O acervo não está inventariado e isso custa caro. É a velha lição punk de romper algumas questões e dar um jeito de fazer o que precisa ser feito”, completa. O setor de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura confirmou que o trâmite está correndo e agora só depende de Neto cumprir as contrapartidas exigidas. Neto, que também vem participando de discussões de política cultural nacional, está bem otimista com o momento. “O mais difícil é ter base consistente e nisso, pelo que tenho visto, estou a frente no Brasil inteiro. A idéia de que já fiz o mais importante, me deixa tranqüilo, agora tenho que organizar”. Ele sabe também que agora é que o bicho vai pegar. Afinal, organizar mais de 40 mil páginas de documentos não é bolinho. “É engraçada: a gente faz a pesquisa e pensa que ela é a questão, mas não. O uso dela e a institucionalização do acervo é a questão. Eu achava que o trabalho estava feito, e é agora que começa”. (AP)
Serviço
MUSIN - Museu do Som Independente (Av Luiz Xavier 68, conjunto 1618 - Galeria Tijucas,). Para visitar é preciso marcar hora antes. Informações: (41) e 41 9604 3992 ou pelo email manoel_umbigo@-yahoo.com.br.

8/11/2006

Cat Soul Power (valeu Takeda)



essa eu descobri no blog do Takeda. realmente impressionante a transformação dessa moça. quando ela esteve por aqui eu não dei muita bola, porque tinha ouvido os discos mais antigos e não tinha batido. mas agora parece que a coisa mudou e muito de figura. aí Rubão, dá uma olhada que eu acho que você vai gostar. e dá um toque pro Mário, também.

é o tipo de coisa que faz aqueles dias em que a gente tá meio assim, pra baixo, ver as coisas de outro modo. música é um negócio muito foda. mesmo com toda a banalização, a vulgarização, o "excesso" que a gente tem por aí hoje em dia, sempre tem alguém fazendo alguma música por aí, que pode mudar, salvar o teu dia. que bom que ainda tem isso. é isso que me faz continuar tendo vontade de tentar arriscar algumas cançõezinhas, apesar de todo o perrengue, de todo o stress, do desânimo com a falta de vontade de ter vontade que parece que nos paralisa e emperra, dessa sensação cada vez mais funda de que você virou um rato de laboratório preso em uma gaiola correndo em uma roda que gira gira e não sai do lugar.

é só isso que a gente precisa de vez em quando. uma canção que te deixa mudo. que provoca aquela dor de estômago inexplicável. e te dá vontade de pegar o violão e colocar pra fora aquela dor que cala, mas não consente. porque o dia em que eu conseguir fazer uma única canção com essa força, que seja, sei que poderei morrer feliz.

e aqui o link pro disco novo da guria

se tiver no nível disso aí em cima, Deus nos proteja!

Mais overmundo

Aí moçada tem texto novo meu no overmundo. sobre bandas curitibanas (novidades...!)
o link é http://www.overmundo.com.br/overblog/alem-do-tropico-de-capricornio

Então, funciona assim. as pessoas tem que votar nos textos que mais gostam pra que eles fiquem no site. confiram.
adri.

8/02/2006

Os donos da “Situação”

Jornal do Estado de hoje

Bandas curitibanas criam associação e apresentam a segunda edição de projeto musical que leva os grupos para o teatro

Adriane Perin

Esta semana tem Situação em dose dupla. O coletivo de músicos curitibanos que virou uma associação promove, amanhã na Fnac, o pocket show das bandas Anacrônica eNambrena e um debate, para marcar o lançamento oficial do projeto Acústico Situação, que acontece no próximo domingo no Memorial de Curitiba. Na Fnac, como de costume, a entrada é franca e as performances começam às 19 horas. No domingo, os shows serão às 18 horas, com ingressos a R$12 e R$6. O músico Rafael Wasmann, um dos mentores da história toda, conversou com o Espaço 2 sobre os planos e empreitadas do Situação, idéia gerada naquelas velhas e boas conversas de bar, há uns quatro anos. Desde então, as festas mensais do grupo se tornaram populares, e atraem artistas de outras áreas que sempre contribuem para diversificar as domingueiras que sempre acontecem entre 16 e 22 horas. Este mês, no entanto, tem Situação de sobra. Além da festa que deve acontecer no dia 27, tem os dois eventos desta semana.O Acústico Situação, comenta Wasmann, na verdade já teve duas edições há exatamente um ano, no Paiol e no Antonio Carlos Kraide. “A idéia é que as bandas mostrem suas músicas o mais próximo de como elas foram compostas”, explica Wasmann. “Este perfil, mais apropriado para teatro, ajuda a atrair pessoas que não freqüentam a noite, levando as bandas curitibanas para um público mais diversificado”, aposta, emendando que é uma brincadeira com os acústicos da MTV. “Virou moda, mas o nosso acústico não tem arranjos de flores, naipes de sopros e cordas, muito menos Pitty e Maria Rita”, brinca ele. Para fazer o evento eles contam com apoios (Padaria América, Fnac, Monti Paz Luthier. Miltimusic e Ticolor) , mas pagam o aluguel do teatro. O núcleo que começou e continua organizando as coisas no Situação é formado pelas bandas de amigos X Máquina, Real Sub e Coletiva. “Todo mundo sabe a dificuldade que é fazer música aqui, só que a gente não queria ficar nessa de reclamar. Pensamos num selo até que surgiram as festas”, conta ele. Isso foi meio por acaso, já que o que estava marcado e era um ensaio geral, coisa entre amigos, mas apareceu tanta gente que já virou uma festa - junto quase com um site”, conta sobre a movimentação que nasceu no bairro Boqueirão, onde residem os músicos da bandas-núcleo. No domingo passado aconteceu a 19 ª edição da festa. “Escolhemos o domingo porque é um dia meio sem o que fazer. E as pessoas podem escolher entre assistir televisão ou ir conhecer a cultura local”. Atualmente, o coletivo que era algo informal virou uma Associação legalmente registrada, com diretoria, estatuto e tudo mais. “Acho que é uma alternativa para a cena independente sim, porque dá mais credibilidade”, diz ele, completando que são dois os focos da entidade: o artístico que produz eventos variados e o político , que participa das discussões pertinentes, como reserva de mercado nas rádios locais e na abertura de shows. Ele já pensa adiante, no dia em que a associação tiver uma sede, com estúdio, loja pra vender os produtos dos artistas paranaenses. Enquanto isso, a trupe segue conquistando espaço. A mais recente novidade é o fanzine Fala, que com apoio da Tecnicópias “ficou com cara de revista pop, com capa couchê, colorido, bem bacana”, diz orgulhoso Wasmann. O Fala será distribuído para quem comprar ingresso no domingo.

Serviço:
Lançamento do projeto Acústico Situação, com as bandas Anacrônica e Nambrena. Dia 3 na Fnac, pocket show e bate papo às 19h, com entrada franca. Dia 6 às 18h, no Memorial de Curitiba, com ingressos a R$12 e R$6.
"A vida é curta pra ser pequena"

disse Chacal, o poeta carioca, que tive o prazer de conhecer de pertinho. Me agarrei as palavras dele hoje, pra ver se consigo voltar a tona e não afundar de vez - isso nunca acontece, é verdade, mas a sensação parece tão real.... é tô num dia meio tonto, mas queria voltar a este blog, que também é meu, embora eu o abandone tantas vezes.

sou mesmo um bichinho esquisito, e não só por ser mulher, embora desconfie que isso é determinante. tem dias que baixa uma inércia e a única vontade é escolher entre encontrar um buraco e sumir do mundo; cobrir a cabeça com um cobertor e fazer de conta que nada existe (até lembrei do moleque Chinaski, tão jovem e tão existencialista em Misto Quente...); ou ficar feito uma retardada em frente da televisão “não assistindo” aquele filme ridículo da sessão da tarde, alguma novela, ou qualquer coisa do tipo.
Tem dias que um baixo astral mais sem razão do mundo estraçalha qualquer tentativa de reação e deixa só essa insatisfação insana, que derruba tudo e deixa só a saudade de alguma coisa que não sei o que é, se é que é alguma coisa. Os olhos vertem de um jeito tão estranho construindo um pranto tão dilacerado quando ridículo, porque de coisas que não são reais, embora de efeito devastador bem real. o sorriso ta sem vontade, e a minha doce casa azul vira um nada antes do cair da noite. Inutilidade, burrice, ignorância, mediocridade parecem não mais só rondar a existência, mas algo palpável.

Ah, mas vamos a outro clichê barato, amanhã é um outro dia e ele pode até ser o mesmo enquanto a noite não chegar, mas vai ter algo bom: se não chover nem garoar faremos - o Grupo Força da Capoeira do qual eu faço parte cada vez com mais orgulho e alegria - uma roda na Boca Maldita, às 19h30, pra celebrar o Dia da Capoeira. Então eu já sei, que a tardinha já vou estar de pernas pro ar e que vou chegar na casa azul toda toda, cheia de energia pra ainda curtir o show do Blue Afternoon - ah é, esse show vai ser muito bom, no James.

Viu só, Adriane, como "a vida é curta pra ser pequena". Larga mão disso, bobona! (Adri)

7/23/2006

IRIS- CCSP - 01/abril/2005



pra fechar
Iris, no Centro Cultural de São Paulo
01 de abril de 2005
"Meia-noite"

LA CARNE - ROCK DE INVERNO 6



e aqui, outro inédito do La Carne, no Rock de Inverno 6, outubro de 2005, no 92 graus. "Desconhece o rumo mas se vai"

momento inesquecível

LA CARNE - Rephinaria - set/2004



e agora, retomando a programação da nossa TV De Inverno Records and the Corporation, nada mais nada menos do que uma raridade absoluta: La Carne, no Rephinaria, em Curitiba, em uma noite que rolou ainda OAEOZ, Cores D Flores e Ludovic (SP). O som é tosco, gravado direto da câmera, mas isso não tem a menor importância. Prevalece a performance absolutamente explosiva dessa que é uma das maiores bandas do país. e tenho dito. voltamos após os nossos comerciais.

OAEOZ - Horizontes - CCSP

7/22/2006

OAEOZ - Ausência - OUTS - SP - abril de 2005



aqui de novo o de ausência no outs, só que linkado direto.

OAEOZ - Mar Dividio - no Teatro Paiol

então. to começando a aprender a mexer com esse negócio.

esse video ficou meio esquisito, mas dá pra sacar.

oaeoz, no paiol, lançando o cd "Às vezes céu", em maio de 2005.

pra quem preferir ver direto no you tube, onde dá pra aumentar o tamanho da tela

o link é esse:

http://www.youtube.com/watch?v=3ZnbocmRbu8

7/19/2006

A cena musical curitibana não pára



Gruvox toca hoje na I Festa Tirana, no Porão Rock Club

Jornal do Estado de hoje

O ritmo é dado pela necessidade de fazer algo, não dá pra ficar parado esperando que as vontades se realizem como num passe de mágica. Esta é a dinâmica que move o circuito independente de música em Curitiba, a despeito das dificuldades que que todo mundo está cansado de saber, mas que nunca foram o suficiente para silenciar as gerações que surgem nas garagens para construir um caminho particular de fazer arte. Enquanto algumas portas se fecham, outras se abrem, novos endereços aparecem e outros ficam mais fortes, rostos jovens dão as caras nos palcos, produtores se revezam na missão de manter a programação musical na cidade. E assim surgem novos projetos: Tinidos, Prasbandas, UPE, Situação, Motorrad, bandas novas... é assim que a cena independente curitibana não pára. No final de semana, foi a vez do músico André Ramiro sair do palco para organizar uma festa com bandas da cidade e uma convidada, artes visuais e exibição de audiovisual. Hoje é a hora de outro rosto que vive no palco, fazer as vezes de produtor. Partiu do compositor Flávio Jacobsen, da banda Gruvox, a idéia da Festa Tirana – Música, pensamento e atitude, que quer ser um manifesto para unir, ao menos uma vez por mês, as “cabeças ativas e pensantes” de diferentes áreas artísticas. “A idéia é promover uma confraternização em diferentes endereços, entre amigos e pessoas da comunidade, para ampliar não só as redes de amizade, mas também os contatos e ações conjuntas”, comenta ele. Tudo começou das conversas e da vontade de fazer algo. “Estou trabalhando numa campanha política e descobri, convivendo com velhos comunistas daqui, que a radio estatal da Albânia, que transmitia como rádio oficial para os guerrilheitos na Guerra do Araguaia, tinha este nome – que é também o nome da capital da Albania que imagino seja um dos lugares menos visitados do mundo. Juntando todas essas referêencia e porque, simplesmente achei o nome irresistível, é que surgiu a festa”, diz e emenda que cada festa destas terá uma ou duas personalidades, digamos assim, em foco. (AP)

Intenção é ampliar público para as bandas

Nesta primeira festa Elza Campos e Ricardo Gomyde, ativistas políticos, são essas personalidades. “Não enquanto candidatos a eleição, mas enquanto pessoas ativas e dispostas a fazer algo de bom. É para colocar pessoas de diferentes universos conversando e, assim, ampliando o tipo de público que conhece as bandas curitibanas também”, argumenta Flávio Jacobsen.A intenção, adianta, é ano que vem criar uma rádio na internet que pode evoluir para uma emissora comunitária. “Ainda é uma idéia, mas quero levá-la adiante, a partir dessas festas, que são um primeiro passo. Agora é meter bronca”.As festas serão sempre com bandas – a próxima deve ser com o Terminal Guadalupe. E o lugar desta vez é o Porão Rock Club. “A cena local ainda vive muito a mercê dos empresários e um lugar como este mostra que ainda nos restam esperanças. As coisas vem e vão, mas a cena nunca parou”, diz. “Eu brinco que o que falta é alguém disposto a ficar rico as nossas custas, porque nossa parte, estamos fazendo. (AP)

Serviço:O que: I Festa Tirana, com Gruvox e DJ Ivanovick e Thais Glow . Quando: hoje às 22h. Quanto: R$7. Onde: Porão Rock Club (R. Carlos Cavalcanti, 1188)

7/14/2006

Deserto

Tantas palavras vazias
à meia luz
tem um deserto dentro de mim
a naufragar

não é verdade que eu minto
pra te machucar
apenas interpreto
pra sobreviver

voce só me procura
quando não quer existir
e agora o tempo passa
bem devagar

o mundo não merece
minha compaixão
mas vou insistir assim mesmo
até o fim

Hoje tem

7/11/2006

Shine On You Crazy Diamond

O anjo louco, doce e frágil se foi com seus olhos negros e todo aquele brilho. Mesmo que ele já tenha se calado há muito tempo, o mundo ficou mais triste. Pois as canções continuavam nos gritando de que existe um outro mundo além desse que a gente vive, entre contas e frustrações, compromissos e sorrisos vazios. Mas as mesmas canções teimam em sobreviver ao homem e ao mito. E aquele olhar e aquela voz vai continuar nos desafiando nos discos, filmes, imagens. Será que ainda teremos coragem de encará-lo novamente? De que adianta a luz no fim do túnel, se estamos cegos? De que serve a liberdade, se não há mais pra onde ir? Não responda. Caminhe para cá, não tenha medo. É apenas a expansão...


Shine On You Crazy Diamond

Lembre-se de quando você era jovem
Você brilhava como o sol
Continue a brilhar, louco diamante
Agora há um olhar em teu rosto
Como buracos negros no céu
Continue a brilhar, louco diamante
Você foi pego no fogo cruzado
Entre a infância e o estrelato
Arrastado pela brisa de aço
Vamos, alvo de risos distantes
Vamos, estranho, lenda,
Mártir, e brilhe!
Você buscou alcançar o segredo cedo demais
Você quis o impossível
Continue a brilhar, louco diamante
Ameaçado pelas sombras á noite
E exposto á luz
Continue a brilhar, louco diamante
Bem, você desgastou suas boas-vindas
Com precisão a esmo
Cavalgou a brisa de aço
Vamos, festeiro, visionário
Vamos, pintor, tocador de gaita,
prisioneiro, brilhe!

7/10/2006

Mais Overmundo

adri avisa:

aí moçadinha, tem texto novo meu no overmundo (www.overmundo.com.br) com o título Cabeças de Olhos muito vivo, é sobre o projeto Olho Vivo, bem legal, dos cineastas Luciano Coelho e Marcelo Munhoz. Pra que ela entre no overblog do site, é preciso ter votos. Vejam lá se curtem e votem....E preparem-se para encarar o Hermano Vianna em breve. Ele vem falar do Overmundo. O site parte de uma idéia bem legal, mas precisa de participação. é isso.abço

eu (Ivan), reforço:
então. não sei se vocês sabem, mas o Overmundo é um portal em que as colaborações dependem da participação de todo mundo pra ganharem destaque. Tem que fazer um cadastro (que é rápido, de graça e indolor) pra votar, deixar comentários e até colocar suas próprias colaborações, músicas, etc. Vão lá.

7/08/2006

Ausência - OAEOZ no You Tube

Confiram video do OAEOZ tocando "Ausência" no OUTS, em São Paulo, em 1º de abril de 2005.
É o primeiro vídeo que eu consigo colocar por lá
com o tempo, a gente vai postando outras raridades;
é só clicar aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=hqK3zCwqVZo

7/07/2006

"Hoje pensei na minha morte, talvez porque tem horas que bate mesmo um fastio, uma sensação de kilometragem rodada, quando você percebe que tá caindo no mesmo erro recorrente de correr atrás de algo bom, ou de uma miragem de felicidade. As pessoas colecionam frustrações, como colecionam dívidas e eletrodomésticos. As pessoas querem ter filhos, comprar uma casa melhor, jantar em restaurantes caros, ter uma mulher melhor e um carro melhor. As pessoas querem se distinguir. As pessoas se masturbam na frente de imagens de computador, dançam em lugares com músicas sem alma, acumulam trabalhos. As pessoas arquitetam estratégias de sobrevivência, mas a senhora de preto que parece a Dolly Parton pisca pra você sobre um cadilac cor de rosa. "

Mário Bortolotto

leia a íntegra no atirenodramaturgo

6/29/2006

Festival Tinidos 2006

do Scream Yell

por Tiago Agostini

Sexta-feira, dia 9 de junho, dia de abertura da Copa do Mundo. Em todo o Brasil, grande parte dos 180 milhões de habitantes respiram futebol, se preparando para a estréia da seleção canarinho. Em Curitiba, no entanto, nos próximos três dias a atenção estará dividida com a música, na segunda edição do Festival Tinidos. De Copa do Mundo, apenas os comentários pelos cantos do Motorrad Bar, que abrigará o festival, e o jogo entre as bandas no sábado à tarde, no hotel do evento.
Na verdade, o Tinidos 2 havia começado já na quarta, 7 de junho, com um pocket show dos cariocas do RockTed na FNAC Curitiba. Na quinta, quem deu as caras pela FNAC foi o Phonopop, banda de Brasília que emocionou os presentes com um show acústico. À noite, largada no Motorrad, com shows de Mordida (Curitiba), Superlego (Umuarama) e Pelebrói Não Sei? (Curitiba).
Aliás, um dos avanços do Festival em relação à primeira edição foi o local. Quem se lembrava dos shows de Poléxia e Ludov no ano passado nem acreditava que aquele fosse o mesmo lugar. Depois de passar por uma boa reforma, o Motorrad Bar ampliou seu espaço, permitindo mais conforto para público e banda. Agora, podia-se andar e respirar com tranqüilidade, sem que o bar tenha perdido seu estilo rústico que dá um charme ao ambiente. Os cariocas do Moptop abriram o terceiro dia de Festival na FNAC. Fazendo o primeiro pocket show de sua carreira, o "Strokes brasileiro" fez as cerca de 60 pessoas presentes cantar e dançar suas músicas mesmo tendo que controlar o volume da apresentação. Um bom aperitivo do show "pra valer" do dia seguinte. À noite, quem abriu a festa no Motorrad foi a banda mineira Ímpar. Com um instrumental seguro, o powerpop da banda escorrega nas melodias vocais, doces e chicletudas demais, lembrando, às vezes, Roupa Nova. Em seguida, o Phonopop atacou com um show elétrico e mostrou porque é uma das bandas mais respeitadas do cenário independente desde 2001, com seu rock britânico redondinho. Destaque para as canções Cidade-Labirinto e Já Não Há Tempo, sendo que esta última dá título ao bom álbum lançado por eles em 2005.
Mesmo com o bom show do Phonopop, o público só foi se animar mesmo com os locais Dissonantes. Mostrando uma mistura de Beatles, The Who e Jovem Guarda regada a muito teclado no último volume, os curitibanos trouxeram o público para a frente do palco, fazendo todos dançarem com as ótimas Um Filme a Dois e Amor Retrô, além da cover de Não Vá Se Perder Por Aí, dos Mutantes. Depois de uma hora de show e de um bis recheado, a banda provou ao vivo ser a nova revelação Mod de Curitiba, seguindo os passos da Relespública e dos Faichecleres.
Quem esperava o frio de Curitiba pôde senti-lo na noite de sábado. Acompanhado de uma garoa fina, ele recepcionou todos que foram assistir à principal noite do Tinidos. O Imperdíveis (SP) aqueceu o público com um punk rock básico e enérgico, amparado na boa presença de palco do vocalista Anabela, dançando com o pedestal e levantando-o todo tempo. Pena que a banda amoleça nas baladas, arrastadas demais, contrastando com a empolgação dos momentos mais punk. O grande show da noite (e do Festival) ficou a cargo da Poléxia. A energia do show dos curitibanos é inexplicável. Poléxia não é apenas música: durante a apresentação, Neto (bateria), Rafael (baixo), Dudu (teclado) e Rodrigo (guitarra) vibram e sentem cada acorde, cada mudança de tom e ritmo; mais do que cantar e tocar, incorporam as emoções de suas canções, contagiando a platéia. A performance de Dudu, pulando e dançando o tempo todo, é um caso a parte. As letras, diretas (destaque para Aos Garotos de Aluguel, com o refrão "eu vou te dar o teu prazer, mas com amor é mais caro") e reflexivas (como em Melhor Assim, "às vezes é melhor chorar do que sorrir, às vezes é melhor calar e ressentir") dão o toque final às canções. Músicas novas, como Inércia, apontam que a banda segue no caminho certo com seu auto-intitulado "pop alternativo".
Para fechar noite de gala entram os convidados principais, o Moptop. Gravando o primeiro CD pela major Universal, os cariocas são hoje a principal promessa de estouro do meio independente no mainstream (mais ou menos o que o Cachorro Grande era em 2005). Representando o "novo rock" no cenário brasileiro (é impossível não compará-los ao Strokes, mesmo que em alguns momentos a voz de Gabriel Marques lembre bastante a de Rodrigo Amarante, do Los Hermanos), os cariocas fizeram um show bem mais solto do que o do dia anterior. O baterista Mario Mamede não economizou no peso e desceu lenha na bateria com as baquetas viradas ao contrário, comandando os pulos da platéia que se aglomerava em frente ao palco. E, em termos de comparação com o Strokes, músicas como O Rock Acabou, Moonrock e Sempre Assim não deixam nada a desejar. O único pecado foi o excesso de covers no show (quatro, entre elas Seven Nation Army, do White Stripes), que tirou um pouco do brilho da apresentação.
O domingo, último dia de festival, teve escalação 100% caseira, além do início mais cedo (afinal, segunda é dia de labuta...). Perto das 21h30, o guitarrista André Ramiro sobe ao palco e começa a mexer nos mais de 10 pedais que estão dispostos no chão. Sons estranhos enchem o ambiente e surpreendem os presentes. Depois de cerca de cinco minutos de distorções e sons diferentes, os outros quatro membros do Ruídos/MM sobem ao palco. Mas o show já havia começado. A banda honra seu nome, apresentando um show instrumental recheado de rock progressivo e experimentalismos, utilizando múltiplas afinações e texturas sonoras, numa apresentação intimista.
Na seqüência, para manter o clima, o OAOEZ apresentou sua mistura de progressivo, hard rock e psicodelia. Destaque para a ótima balada Dizem, reflexiva, pungente e direta ("Dizem também que mantenho uma certa distância que dura mais ou menos dois copos, mas que depois me solto") e para o som crescente da banda, que preenchia aos poucos cada centímetro do Motorrad.
Para fechar a noite, e o festival, Bangalô. A banda aproveitou o momento para fazer o lançamento de seu primeiro CD, Feito à Mão. O pop-rock da banda contagiou o público, fazendo os familiares e amigos cantarem juntos.
Quase uma hora da manhã de segunda-feira, final de festival, é hora de pegar o caminho da rodoviária. O som redondo e a qualidade dos shows deixam a certeza de que a viagem valeu. O Tinidos cresceu não só em dias nessa segunda edição, mas também em organização. Um bom incentivo e impulso para uma cena borbulhante, que cresce a cada ano, mas que soa ainda um pouco desorganizada, como a de Curitiba. No final, nem importou perder alguns jogos do Mundial da Alemanha por causa do sono. A boa música venceu.

6/25/2006

Videomaker "publica" mais de 100 vídeos de bandas curitibanas


(a Gazeta publicou hoje texto sobre os vídeos do Marcelinho no You Tube. Como o conteúdo da Gazeta na internet só pode ser acessado por quem é assinante, não tive como reproduzir aqui o texto na íntegra. Aí embaixo vai então o texto resumido publicado pelo site Tudo Paraná, da mesma Gazeta)


Marcelo Borges registrou os últimos 15 anos do rock curitibano

A cena rock da capital paranaense ganhou espaço na rede mundial de computadores. O site You Tube (http://www.youtube.com/) oferece 101 vídeos feitos pelo videomaker Marcelo Borges, atualmente radicado em Londres. São registros de shows, clipes e exemplares de sua produção como videoartista, que compõem um panonarama do underground curitibano dos últimos 15 anos.A banda Jully et Joe, por exemplo, aparece com seu primeiro vídeo, datado de 1991. Mas há também trabalhos mais recentes, como os produzidos para os grupos Poléxia, Sofia, Íris, Limbonautas, OAEOZ e Magnéticoss. Porém, o grosso da coleção são os registros do festival anual Rock de Inverno, que desde 2000 escala bandas de vários estilos para as noites de apresentações. Com isso a lista de artistas fica maior: Relespública, Cores D Flores, Plêiade, Loxoscelle, Trio Quintina, Zaius, Svetlana, Pelebrói Não Sei?, Magog, Excelsior, AAAAAA Malencarada, Quisto, Zeitgeist Co., Loaded, Criaturas, Zigurate, entre outros.Criado em 2005 pela empresa americana PayPal, o You Tube recebe e disponibiliza todo o tipo de conteúdo audiovisual. Em março deste ano, o site atingiu a marca de 20 mil novos vídeos cadastrados diariamente por internautas de todos os cantos do planeta. A busca é fácil e não é preciso fazer download.

Gazeta do Povo Online com informações do repórter Omar Godoy - Gazeta do Povo

6/06/2006

E lá vamos nós...




Depois de 8 meses escondidos, trabalhando, o ruído surgirá completo e pretende mostrar as novas tendências de estudo no domingo, dia 11 de junho no motorrad. Uma nave pronta para o ataque. Aqueles que lá estiverem, fechem os olhos e aguardem o contato para a transcendência. Será a estreia do piloto Giva na bateria...Somas são aceitos....
Oaeoz vai estar mostrando suas novas tendências também, uma apresentação recheada de canções que deverão compor o próximo disco. A nave quinteto prepara o ataque logo após da apresentação ruidosa, ou seja, continue de olhos fechados, mesmo no intervalo.... bons sonhos....

André Ramiro

Novos tinidos que se espalham pela cidade

OAEOZ é atração do último dia da mostra, domingo.

Jornal do Estado hoje

Começa amanhã a segunda edição do festival independente curitibano Tinidos, que vai se espalhar por três lugares este ano. Amanhã, a festa de lançamento será no korova, mas antes tem pocket show na Fnac, com entrada franca, da banda carioca Rock Ted, no lugar da Polar, ao lado de grupos do interior do Estado, da capital, de Brasília e Rio de Janeiro. Os shows completos serão no Motorrad, noite adentro.
Era para ser mais fácil esta segunda edição, mas como a vida de independente exige sempre um plano b na manga, com o Tinidos não está sendo diferente. A programação que segue até domingo não conseguiu um patrocinador e conta com apoios em forma de permutas - e as bandas convidadas de outros lugares estão pagando a viagem. Os apoios ajudaram na estadia dos músicos e aluguel de som. Mas faltam “detalhes” que não interessam para platéia e maioria das bandas, mas deveriam, no mínimo, porque provocam algumas reflexões - e também refletem a falta de incentivo e a tão discutida inexistência de uma política cultural. Não bastasse isso, ainda tem banda local que nem ajuda na divulgação. Mas, não é o caso de chorar as pitangas, pois se assim fosse, não teria Tinidos este ano – e ele taí.
De Umuarama vem a a Superlego, que toca na quinta-feira



“Achamos que por estar maior estaríamos mais sossegados. Mas não foi o que aconteceu, não estamos conseguindo nem pagar as passagens dos grupos convidados”, diz Fernando Souza, da produção.
É impossível negar que isso é sintoma de um retrocesso que agora parece engrossado até por bandas locais cansadas de “vestir a camisa”. “E da iniciativa privada que não vê no meio independente um potencial, não percebe que neste circuito tem um um público fiel e tem trabalhos bem feitos, coisa séria”, pondera Souza. As leis de incentivo, no caso de festivais anuais, se tornam quase inviáveis pelo tempo de trâmite que exigem. “Dá uma desanimada, porque a gente esperava ter patrocínio. Mas, também estávamos preparados para o que está acontecendo, já sabemos como é ser produtor de música aqui”, diz Souza.
Mas, não tem nada não, emenda. O segundo Festival Tinidos já está fazendo a trilha sonora da semana e o som vai rolar na Fnac e no Motorrad até o próximo domingo. O Projeto Tinidos também mantém um site (www.tinidos.com.br), com entrevistas, coberturas de shows e viagens, resenhas, agenda, rádio online e um guia de casas de shows, imprensa, bandas, selos e gravadoras. Somente em 2005, com apenas 6 meses de existência, o Projeto realizou 15 shows. (AP)
Programação Festival Tinidos
Dia 7
a 19h — Pocket-show com Rock Ted (RJ) e coquetel para a imprensa na Fnac (R. Viriato Parigot de Souza, 5000), sempre com entrada franca.
a 22h — Festa de lançamento do festival com discotecagem Tinidos no Korova Bar
Dia 8
a 19h — Pocket-show com a brasiliense Phonopop e debate sobre o rock independente nacional com a participação de Emanuel Moon (Relespública), Fernando Brasil (Phonopop),
Adriane Perin (Jornal do Estado), Getulio Guerra (PrasBandas) na Fnac.
a 23h — Shows: Mordida, Superlego (Umuarama) e Pelebrói Não Sei, no Motorrad Bar (R. Trajano Reis, 418), sempre com ingressos a R$10.
Dia 9
a 19h — Pocket-show com a carioca Moptot e debate com a participação de Marielle Loyola (Cores d´Flores), Abonico Smith (TV Educativa), Álvaro Jr. (Movimento Música Curitibana), Gabriel Marques (Moptop) na Fnac.
a 23h — Shows com Impar (BH), Phonopop, e Os Dissonantes, Motorrad Bar
Dia 10
a 23h — Shows com Imperdíveis (SP), Poléxia e Moptop, no Motorrad Bar
Dia 11
a20h — Shows com Ruído/MM, OAEOZ e Bangalô, no Motorrad Bar

Site do Festival - www.tinidos.com.br/festival

Contato - contato@tinidos.com.br

6/05/2006

Notícias do outro lado do Atlântico

Marcelo Borges está em Londres desde 2003 se dividindo entre a marcenaria e a produção de vídeos

Jornal do Estado hoje

O fotógrafo e vídeomaker Marcelo Borges completou a marca de 100 vídeos no You Tube, a maioria de bandas curitibanas

Adriane Perin

A história de brasileiros que vão tentar a vida em outros países não é nenhuma novidade. Alguns vão compelidos por afinidades estéticas e por considerarem que suas propostas artísticas terão mais abertura, além, principalmente, de mercado de trabalho. Foi essa combinação que moveu o fotógrafo e videomaker Marcelo Borges para Londres. A razão que o levou a tentar pela terceira vez - a menos aventureira, digamos assim, mas sem deixar o clima de mochila nas costas totalmente de lado – foi o fato de que em sua cidade natal era difícil manter em dia as contas mais corriqueiras. E se é para ir para outra cidade que seja um bem longe, nada de São Paulo ou Rio de Janeiro.
A jogada deu muito certo e ele passa bem, produzindo seus vídeos, trabalhando com gente que lança moda na música pop. Seu mais mais recente aliado para dar vazão as criações é o site You Tube, que permite a disponibilização de produções audiovisuais na rede mundial de computadores.
Na semana passada Borges atingiu a marca de 100 vídeos, vistos por mais de seis mil pessoas. Além de clipes de várias bandas brasileiras, tem as propostas mais conceituais de Borges, algumas inéditas outras já conhecidas como o Única Coisa. Aos poucos sua intenção é colocar no site tudo o que produziu.
Entre os clipes já disponíveis estão os da paulista Hurtmold, os da carioca Casino, além de vários de grupos curitibanos de diferentes épocas: Trio Quintina, Zeitgeist, Cores d Flores, OAEOZ, Poléxia, Charme Chulo, Ruído MM, Svetlana, Sofia, Eletric Haven, aaaaaamalencarada, Plêiade, Magnéticoss. Entre os inéditos estão os clipes que são trechos do DVD Rock de Inverno 5, com a performance de bandas como a inglesa Transcargo, na quinta edição do festival curitibano, cujo material completo está previsto para o segundo semestre.
Em Curitiba, Borges também foi dono de bar, dos históricos Poeta Maldito e The Hole e tem em seu acervo imagens, em vídeo e fotografias, do nascimento da cena curitibana de música que se formou em torno do 92 Graus, no começo dos anos 90. São mais 1, 5 mil negativos e acima de 150 horas de imagens em vhs – preciosidade que aguarda atenção para não perder o registro desse pedaço da história da música curitibana contemporânea.
Marcelo Borges está num momento muito interessante e produtivo em Londres. Se das outras vezes entrou driblando as autoridades britânicas e conheceu de perto as artimanhas que permitem a sobrevivência num ambiente underground de verdade, desta vez ele está com tudo nos conformes da lei. De quebra, faz viagens que são valiosas experiências de vida, como a de bicicleta pelo Reino Unido, ele e a namorada. decididos a entender quem são os ingleses no meio de tanta gente de outros lugares do mundo. Ele também tem outros projetos interessantes de documentários comportamentais em curso.
Ele também se garante com a marcenaria, ófício que sempre lhe deu prazer e lá rende uma grana. Isso entre um convite e outro para filmar festivais como o Glastonbury ou para fazer luz em algum clube que irradia música alternativa para o mundo, como o Neighbourhood. “È do Bem Watt, do Everything But The Girl. Fiz um dia de bobeira, a luz ao vivo para uns djs e era o cara quem estava tocando, gostou e me contratou”, contou ele. “O lugar é fresco e só tem gente famosa com suas garrafas de champagne”, conta sobre o lugar onde, há um ano, apareceu o vocalista do Blur para dar uma palhinha, curtiu o trabalho do curitibano e pagou os drinks. “Thanks, Damon”.
Agora, os próximos planos são ir para Polônia e Russia, de onde, com certeza, sairão novos documentários sempre com esse olhar de andarilho de Borges, que segue deixando pegadas fortes lá do outro lado e aqui. “São muitos projetos a vida ta boa, não dá mais pra reclamar’, diz.

Serviço
Para conhecer o trabalho de Marcelo Borges é só acessar:

http://www.youtube.com/profile?user=marceloborges

6/03/2006

lembranças


e aqui, De inverno, demo de 1999
nessa versão, além das cinco faixas da original
tem várias outtakes, de shows, jams, etc
tosqueira


DOWNLOAD

AUTOPIRATARIA

é isso
dois discos do OAEOZ agora estão disponíveis para serem baixados, completos, no rapidshare e megaupload. Dias (2001) e Às vezes céu (2005). Com capa e tudo

é só clicar nos links abaixo

rapidshare

megaupload

RAPIDSHARE

MEGAUPLOAD

6/02/2006

Tateando em busca do elo perdido...

Paulo Barnabé
Cada vez mais me convenço de um dos grandes problemas da cultura paranaense não é a falta de identidade cultural do Estado, mas a falta de consciência dessa identidade, por absoluto desconhecimento sobre a nossa história e sobre a história de nossa produção cultural. É o velho clichê de quem não conhece o seu passado não tem futuro. E um dos motivos para esse desconhecimento é justamente a dificuldade de acesso as informações sobre essa história, seus personagens e realizações. Por isso, quando acontece da gente topar com um livro como “Na boca do bode – entidades musicais em trânsito”, de Fabio Henriques Giorgio, é inevitável ser assaltado pela sensação de descoberta e revelação de algo que ao mesmo tempo está tão próximo, e tão obscurecido pela desinformação. O livro se propõe a contar a história da geração que ficou conhecida como “Vanguarda Paulista”, mas que na verdade foi gestada aqui no Norte do Paraná, tendo Londrina como epicentro. Geração essa que deu ao Brasil nomes como os irmãos Arrigo e Paulo Barnabé e o “Nego Dito” Itamar Assumpção – responsáveis por uma verdadeira revolução na música brasileira, ao desafiar os grilhões dos formatos tradicionais de canção, injetando atonalismo e experimentalismo na música popular, chocando tanto acadêmicos quanto o público médio, e deixando a mídia desconcertada. O marco inicial é o show realizado por eles, tendo como produtor o hoje escritor Domingos Pelegrini, em março de 1973, no Teatro Universitário de Londrina, e que já trazia em seu repertório a versão inicial de Clara Crocodilo.
Arrigo, com a camisa do LEC, no festival da Tupi, em SP, 1979

Mas o livro faz um panorama extenso e ramificado de toda o contexto social, político e cultural que fez essa geração germinar e aparecer para o Brasil e o mundo. Desde que o livro chegou as minhas mãos ontem à noite, através da Adri, que não consigo desgrudar dele, e mesmo só tendo dado uma passada superficial a cada página que abro é uma descoberta e uma surpresa. Uma delas, por exemplo, foi saber que o Nego Dito, antes de se radicar em Arapongas, de onde seguiria para Londrina após iniciar seu envolvimento com teatro e música, teve como primeira morada no Norte do Paraná, para onde veio depois que sua avô, com quem ele morava no interior de São Paulo, morreu, nada mais nada menos que minha cidade natal, Paranavaí, onde o pai de Itamar trabalhava como fiscal do IBC (Instituto Brasileiro do Café).

Benedito Santos Silva Beleléu vulgo Nego Dito cascavé

Também é interessante saber que um dos gurus desse pessoal todo foi o maestro tropicalista Rogério Duprat, de quem partiu a primeira proposta para que eles fossem pra São Paulo, onde gravariam seus primeiros discos. E foi por isso que eles acabaram taxados de “Vanguarda Paulista”. Porque foi lá que eles se tornaram conhecidos do Brasil. Mas toda a gestação do “projeto musical” desse pessoal na verdade se deu no Norte do Paraná. Tanto que o Arrigo fez questão de em um festival da extinta TV Tupi de São Paulo, tocar com a camiseta do Londrina Esporte Clube (LEC), como aparece em uma das fotos do livro. E é muito legal perceber que muito daquilo que a gente pensa, sonha, luta, persegue já tinha um paralelo nessa geração, que por sua vez tinha na geração do Duprat, que desafiou as fronteiras do erudito/popular, do bom/mau gosto, do cafona/sofisticado, da caretice/maluquice, também uma referência básica.

“O paranaense Arrigo Barnabé, então obscuro estudante de música da USP não vacilou. Mesmo sob o ardil da vaia. Sua participação no 1º Festival Universitário da Música Brasileira promovido em São Paulo pela TV Cultura, causou espécie. Bombástico no palco, desconhecido no vídeo (ainda) inédito em disco. Entrava para a história arrombando a festa e a casa grande do latifúndio MPB. Saíam os repertórios redundantes, as melodias com intervalos regulares, a reprodução deliberada das técnicas usuais, dos jeitos e trejeitos do cancioneiro. A histórica e nacionalmente desgastada “fórmula festival” renovada em TV pública. Nada dos óbvios e abomináveis refrões, do instrumental previsível e da simpatia mecânica, característicos nesse tipo de disputa. A aparição de Arrigo e seu arsenal sonoro, pelo contrário, beirou o insólito, o imprevisível, a polêmica. Inventor de uma nova sintaxe musical acabou esgrimindo com a preguiça mental da platéia: “O público quanto tem que pensar estranha”.
(trecho do livro Na boca do Bode)

“Fizemos um grande manifesto, etc. Mas aí foi na volta, exatamente, na volta desse trabalho em que fui lá, "mamar" nas tetas culturais, é que a gente viu lá os "cagistas", aqueles caras ligados ao John Cage (músico concrestista americano). E descobrimos, então, toda uma fatia de produção ligada ao acaso, ao happening, essa coisa, e começamos a fazer isso aqui. Eu, o Júlio Medaglia, o Damiano Cozzela, o pessoal que assinou aquele tal manifesto. Esse manifesto dizia exatamente isto: "chega desse negócio de coisinha da música erudita enfiada só dentro do teatro, pra meia dúzia de milionários e tal. A gente tem é que sair para a rua, fazer música na rua com os meios que houver; se forem bons ou maus, isso é outra coisa. Mas fazer o que for possível". E aí que me aproximei deliberadamente da música popular”.(...)Eu tenha uma composição que se chama "Organismo", que vai ser gravada provavelmente nos próximos meses. Era nesse tipo aí, bouleziana, tudo era seriado, estruturação dos sons, a reunião dos sons, a reunião dos grupos, o jeito de cantar, porque também tinha canto. E, aí, o Zappa passou lá e botou, jogou merda no ventilador. O Zappa e outros amigos deles. Ninguém conhecia o Frank Zappa, ele não fazia, não tinha formado os Mothers of Invention, uma coisa caralhal... Não sei se já se já chegaram a ouvir... espetacular. Mas ele estava prestes a fazer isso, mais tarde, às... . Quando nós chegamos, mais tarde, em 69, que eu fui vê-lo em Nova York, já era 69. Enfim, essa geração, aí, que está hoje beirando os 70 anos, como eu, 68 anos, é que fez essa mistura toda. Então, tudo virou uma coisa só. Não tem esse negócio que tem música erudita, tem música popular; não sei o que, é som aí.
Rogério Duprat em entrevista ao Trabalho Sujo


Outra história legal do livro é sobre o festival “Colher de Chá”, que levou para Cambé, cidade próxima a Londrina, nada mais nada menos que os Mutantes, já sem Rita Lee mas ainda com a formação básica, Arnaldo, Sérgio, Liminha e Dinho.

Arnaldo Baptista, com os Mutantes, em Cambé (1973), no festival "Colher de Chá"

Enfim, ao descobrir tanta coisa que está aí, tão próxima da gente e tão escondida me vem a mente muitas outras coisas. Como a gente teima em estar tão preocupado com o que anda rolando em Londres, sem enxergar aquilo que está acontecendo ao nosso lado, no nosso quintal, no nosso vizinho, no nosso bairro, cidade, estado, País. Essa inconsciência e alienação é um freio invisível em nossa evolução. Afinal, se não desvendamos nem o Leminski, ícone máximo da cultura paranaense, como esperar que as pessoas hoje (sejam os mass média ou o público médio) dêem atenção ao ruído/mm, ou ao Terminal Guadalupe, ou ao OAEOZ?Quantos de nós lemos de verdade um livro inteiro do cara? Quantos já ouviram uma composição do Waltel Branco, que de Paranaguá correu o mundo como maestro, arranjador dos discos do João Gilberto, trabalhou com Henri Mancini e Stravinski, produziu discos de novela, da jovem guarda ou de ídolos populares como Odair José? Quem é Inami Custódio Pinto? E Anatilde Julião? Alguém já ouviu falar do professor Heriberto Ivan Machado e do livro “Futebol do Paraná” - 100 anos de História? Alguém lembra que os Mutantes tocaram em Curitiba ainda com a formação original nos anos 60? E que o Beijo AA Força dividia palcos com a Legião Urbana, o Fellini e o Sexo Explícito nos anos 80? Contrabanda? Opinião Pública? Carne Podre? Fumou um na casa branca da “Chave”? Tomou umas com o Marcos Prado?

Mas uma coisa nisso tudo me anima. É imaginar que de alguma forma a gente tá ajudando ou pelo menos tentando ajudar a mudar um pouquinho essa mentalidade vira-lata, coitadística. E perceber como é importante a gente também contar e registrar as nossas histórias. Seja com os vídeos do Rock de Inverno, as fotos dos shows, as gravações, os discos, os textos, as poesias. A gente vai passar, mas todo esse material vai ficar pra quem quiser descobrir, no futuro, o que um grupo de malucos dessa cidade tava fazendo pra passar o tempo e tornar a vida menos árida, menos medíocre e modorrenta. Estamos vivos e isso é bom, e eu quero descobrir mais, conhecer mais, produzir mais, registrar mais, e viver mais. Porque parodiando o Chacal, o tempo é curto, mas a vida não pode ser pequena.

5/26/2006

Que voz bonita é essa que sussurra em meu ouvido, que me ajuda a acordar para um dia que, assim, até parece envolto em magia? Que diz sobre ausência e me faz lembrar que nem sempre as noites são de risos e que tenho de aprender a não querer sempre assim, e a me aquietar quando ao redor o dia está nublado. Entender os dias nublados dos outros e não querer que tudo seja perfeito, e aceitar que teus dias não são sempre ....
Que acordes são estes que recobrem suas declarações de amor, sem jeito de querer ser,
nada,
nascendo ao meu lado, durmo em teus braços mais um sono de anjo. Nem sonhei esta noite, mas sei que tive teu calor envolvendo meu corpo e agora quando acordo quase junto com o dia guardo na boca o gosto bom de saber que tenho você
procurei um presente pra te dar ontem, mas acabo sempre achando que não sei do que gostas. Até sei, mas não sei, me entendes? Porque no fim das contas nunca entendemos nada, não é possível saber tudo ao certo e as nuvens tremem e ganham outras formas que a gente não reconhece igual.
E as palavras que saem da boca, chegam outras aos ouvidos e a gente vai levando
mesmo sabendo que 'o que você quer eu não posso dar'
e nem eu posso e também não quero, não quero querer, às vezes, e quero não querer em outras
no final, outra noite cai e sabemos que nos temos, mais do que a qualquer outra coisa no mundo. Mesmo desse jeito que as vezes parece confuso
e é por isso que não me canso de olhar pra você dormindo, quando perco o sono no escuro da madrugada; é por isso que não canso de lembrar as lindas histórias adolescentes que vivemos e me fizeram perceber o que se espalhava, mesmo que nem sempre eu quisesse, mesmo que eu muitas vezes não quisesse
por isso que adoro ainda mais a chegada da noite, mesmo as de insonia, porque daí posso te olhar nesse silêncio, lembrar as primeiras vezes que vi tua boca linda se abrir nesse sorriso que vc teima em guardar para poucos momentos.
Que voz bonita é essa que sussurra em meu ouvido essa canção tão sentida e me deixa com mais vontade ainda de viver tudo que aparecer pela frente....

Adri.

5/23/2006


valeu ao Tinidos pelo convite
tocamos no mesmo dia com ruído/mm e Bangalô
apareeeeeeeçam!

5/19/2006

A próxima onda

Minha alma é uma janela de espelhos distorcidos carregados de culpa e sombras a espera de uma iluminação tentando entender até quando valerá a pena repetir os mesmos erros. Cada passo um alvo serpenteando em falso crescendo desespero até explodir em milhões de cores translúcidas. Caminhando no vazio do amanhecer elevado enquanto o céu se fantasia de oceano em direção ao infinito. A estrada íngreme e tortuosa alterada no redemoinho caleidoscópico de sons e rostos apagados no sonho esquecido do tempo. Intoxicado pelos enigmas da ambição em desertos povoados de respiração febril no limiar do crepúsculo da inconsciência percebo que viver é estar cego. A solidão da noite intemporal se estende a espreita de algum gesto de paixão e nos mergulha alegremente no caos da loucura embriagada para acordar a besta fera da ilusão animada em extase sórdido e silencioso. Tudo está calmo. Até a próxima onda. Enquanto o sono não vem, planejamos crimes delicados. Assassinatos caridosos. Genocídios sagrados. Horrores rituais. Estenda a sua mão. Não tenha medo. É apenas a vida.

5/16/2006

Histórias da vida de um rapaz em forma de belas canções

foto: Rafael Dabul

Jornal do Estado de hoje

Adriane Perin

O disco começa com um jazz bem intimista, com os primeiros acordes de trumpetes que começam bem baixinho e vão gradativamente ocupando os espaços em companhia de outros instrumentos, para já no meio da música formar um conjunto jazzístico do qual o trumpete segue sendo a estrela máxima. É quase uma vinheta, o jazz que abre o disco Insomnica, do curitibano Igor Ribeiro. O que vem depois é uma chapuletada atrás da outra em um repertório de 15 canções que foram buriladas por quase três anos. Insomnica começou a ser gerado como o segundo disco da banda Iris, uma das que Ribeiro integra. Mas, na verdade foi produzido na quase solidão completa do estúdio caseiro do músico, com participações de Rubens K, Rodrigo Lemos, Mariele Loyola e Marco Mackoy. É mesmo a viagem bem pessoal do compositor e, portanto, o primeiro disco solo desse rapaz que é um dos artistas mais talentosos do circuito local, com direito a figurar como tal também no âmbito nacional. A carga emocional deste trabalho transborda desde a primeira faixa. Tem nas entrelinhas de canções carregadas de sentimentos, as cores de relações intensas, em escritos confessionais, que soam como acertos e erros de um romance que está no caminho para o fim, mas não sem deixar marcas fundas. Pianos, violões, trumpetes, teclados, guitarras, barulhos. Nada de mais, aparentemente, mas vai ouvir o resultado... Se nota ali algumas influências/referências de Ribeiro. Embora as letras sejam um dos pontos altos do trabalho, não é só elas que calam fundo, provocando até uma zonzeira pela força que mostram. As combinações instrumentais escolhidas por ele captam a tristeza das letras. Ao longo da existência de sua banda, Ribeiro construiu uma sonoridade peculiar na qual é possível identificar claramente o “som da Íris” - e é também a marca do Igor Ribeiro, que, no entanto, consegue em outros projetos se misturar mais aos parceiros. Na Íris, no entanto, parece estar a essência do artista inquieto que nunca fica satisfeito com o que fez. São timbres, arranjos instrumentais e vocais de cores sentimentais que servem de cama para letras pessoais e formam um conjunto de fazer doer o coração, äs vezes, de fazer pensar na vida, de fazer lembrar e sentir tudo de novo.Solidão, saudade, tristeza, busca, tentativa de (se) compreender, um tumulto de sensações que ficam entre o querer largar e não conseguir. Sentimentos que escapam desse álbum, lançado independente. Não é um disco fácil - é de uma beleza doída. Tem seus momentos pop, mas a densidade e tensões musicais dão o tom das 15 faixas.A primeira parte é a mais soturna do disco, com passagens intensas pelos machucados provocados pela vida, como “Meia Noite” (“Se Você acha que a gente deve seguir nossos destinos separados/ é melhor então deixar as lembranças de lado/ é melhor então deixar alguns sentimentos de lado/ Te reencontrei num quarto chorando sozinha/ num quarto escuro meia noite”).Ou “Tuas Mentiras” (“Eu te dei meu coração/você me disse não vale a pena/ Eu te dei meu coração/você me deu os teus problemas. Eu te dei meu coração/ você me disse não gosto de você/ como você gosta de mim/O Amor sempre tem fim”).Cortando as faixas com letra, estão outras igualmente belas, instrumentais. O disco de Ribeiro, que também toca na ESS, tem momentos pinkfloydianos, tem elementos eletrônicos e até uma desconstrução a la Gengivas Negras, mas na maior parte do tempo é Íris/Igor Ribeiro, até a medula. A partir de “O que é que Você vai Fazer”, parceria com Rubens K (Íris e Terminal Guadalupe) Insomnica parece a janela aberta em um dia bonito, para o até então clima sombrio predominante no disco. A partir daí, o álbum tem um som mais aberto, com cores mais pop que o deixam menos introspectivo. Entre estas, duas versões de “Certas Manhãs”, com vocal do Poléxia Rodrigo Lemos (“Lembra de certas manhãs, em que a vida, você eu/ ficavamos leves/ Depois no final da noite a gente se abraçava e tentava descobrir novas maneiras de ser feliz/A gente quase consegui/ foi por um triz”).

NÃO VOU MORRER NA MINHA KITCHENETE

O texto mais interessante sobre o que aconteceu nos últimos dias em SP saiu hoje na Folha. Taí. Mais uma vez o Mário disse tudo. assino embaixo. os caras só lembram da violência quando ela atinge a classe média ou quando acontece algum evento desse. no dia a dia, a bala come solta por aí e ninguém tá ligando. se quisessem mesmo resolver, já teriam feito. Acontece que como bem diz aquele ex-chefe de Polícia do RJ naquele documentário notícias de uma guerra particular, do João Salles, a classe média quer essa polícia (ou política, ou justiça) corrupta que está aí. Porque o dia que a polícia não for corrupta, e para de matar apenas pobre, preto e favelado, são os bacanas engravatados que vão ter que começar a dançar. e aí eles não vão querer. Por isso, as leis são feitas pra protegê-los. Pro resto, tem as armas.

O curioso é que o texto do Mário saiu justamente na página ao lado da que tem como destaque uma matéria intitulada "Está inaugurado o terror nos Jardins". Ou seja o problema, todo dia morre gente no Capão Redondo, mas neguinho que tá lá na Daslu não tá nem aí. Entenderam o que eu disse...


Não vou morrer na minha quitinete

MÁRIO BORTOLOTTO ESPECIAL PARA A FOLHA

A ordem agora é morrer nas próprias casas. Uma das frases que mais me marcaram nas últimas semanas foi justamente a frase dita por Sara Joanna Gould, uma americaninha de 21 anos que tá fazendo intercâmbio no Brasil. Ela falou pra Revista da Folha: "O que me surpreende não é a pobreza, comum na América Latina, mas sim a riqueza, o número de milionários em um país como o Brasil".Sacaram? Vocês que agora estão escondidos em suas casas, com medo de saírem às ruas pra tomar uma inocente cerveja ou pra ir a um cinema depois de um dia cansativo de trampo e pavor? Vocês sacaram que isso que vocês estão passando nesse momento é rotina nas favelas cariocas? O toque de recolher, o abaixar as portas, o rezar baixinho pra que ninguém ouça. Às vezes tão baixinho que nem Deus ouve.E a gente faz de conta que tá acontecendo longe daqui, num país distante de alguma fábula de terror. E agora você tá vendo os busões incendiados, as estações de metrô metralhadas, e você tá dentro do trem fantasma.E você pergunta pra mim o que eu penso disso? Eu não sou político, não faço parte de nenhuma igreja, não sou banqueiro nem empresário. Não lucro com nenhuma espécie de proibição. Mas tem gente lucrando, não tem? O pouco dinheiro que ganho trabalhando é pra pagar as contas e comprar livros. E você vem perguntar pra mim o que eu acho disso? Você acha que isso aí é só uma guerra de polícia e bandido?Faz a autópsia da situação, brother. Com atitudes meia-boca não vai acontecer nada de fato. Não vou gastar meus 1.600 toques com palavrório empolado. Libera tudo, meu irmão, divide o bolo, libera as drogas, a pirataria e a putaria, deixa todo mundo trabalhar livremente e ser o dono de suas próprias vidas.Oportunidade pra todo mundo melhorar de vida. Iguala as condições pra batata não assar. Mas é claro que isso não vai acontecer, não é? Então não perguntem pra mim o que acho disso. Nunca perguntem para alguém libertário como eu o que acho de algo assim. Você tá com a bunda no inferno e quer manter a dita refrigerada?Eu tô em casa, mas prefiro optar por não morrer aqui. Ainda posso fazer isso. Vou sair pra tomar uma cerveja. Se eu ainda tivesse um pai, arrastava ele comigo. Meu nome é Mário Bortolotto e não existe nada de que eu goste mais do que um pingado e um pão com manteiga depois de uma noite de sinuca.

Mário Bortolotto é dramaturgo, diretor de teatro e ator

5/10/2006

Essas recordações me aquecem

Meu sono me largou cedo hoje, nem tinha o dia clareado ainda e já estava eu abraçada com o travesseiro ouvindo o piar dos pássaros madrugueiros. Até lembrei de repente, dos tempos de pular ainda noite da cama pra abrir o bar, junto com minha doce e companheira vozinha. Éramos nós duas começando o dia no bar do ‘seu Perin’, o meu amado avô.
Posso me sentir lá outra vez, o cheiro da lenha começando a queimar no fogão, a chapa limpa, fumaça discreta fumegando; o calor começando a aquecer e se espalhando pela casa ao som de uma música caipira que saia do radinho de pilha ligado na tomada, sintonizado na rádio Coroado (que ainda ta lá, mas agora é FM, se não me engano) em cima da geladeira. Era uma cônsul vermelha a geladeira da casa onde cresci.
Dali a pouco o cheio do café é que tomaria conta, enquanto os primeiros ruídos dos caminhões chegando para levar o povo pras lavouras de alho (é difícil esquecer aquele cheiro – o do alho, to falando agora).
Eu já estava com a porta do bar aberta. Nem sempre era eu quem o abria, mas sempre que abri tive que controlar um certo medo do que havia depois da porta. Coisa de criança ter medo assim – mas desde pequena não me dei outra chance que não a de encara-lo. (Lembro muito bem, que via “fantasmas” no trajeto entre o bar e a cozinha de casa – eles eram juntos, mas se passava por um corredor entre um e outro. E eu me obrigava: vai lá e olha atrás da porta pra vê como num tem nada ali. Antes um pouco de abrir o bar pedia a proteção das ‘entidades do bem’, que foi como aprendi, de seu ‘destranca rua’ –quem sempre ganhava uns goles de pinga pra melhor cuidar da gente - do meu querido ‘preto velho’. Foi as bênçãos de algumas “entidades” que vivi a primeira etapa da minha vida).
Voltando ao café, o café com mistura ficava pra depois, antes era preciso preparar as marmitas de quem pegaria no batente sob o ar gelado em cima de uma caçamba, os bóia-frias, com suas cadernetas de contas anotadas. Eles levavam na bolsa café com leite, pão com salame, lembro bem.
O meu lanche favorito era o bauru, que minha vozinha fazia com pão de leite e queijo da roça (eu não tinha idéia de que é algo sofisticado com tantas variações!), feito direto na chapa do fogão a lenha, prensado por uma chaleira que sempre tinha água quente. Na mesma chapa que fazia um gostoso pinhão, deixando marcas do seu calor na casca e espalhando aquele cheiro que aqui no Paraná o povo também conhece muito bem.
O café para acompanhar vinha com graspa para esquentar o corpo pequeno que logo encararia o horário escolar subindo um imenso morro, não raras vezes, coberto pela geada que fazia deslizar de volta três passos em cada um que se conseguia dar.

Era mais ou menos assim que meus dias começavam e foi deles que senti saudades hoje, meio dormindo ainda. Quis outra vez minha Vó Ina ao meu lado ou me esperando na cozinha com seu avental e vestido florido, fazendo tudo por mim – inclusive não me deixando ver televisão. Ou levando uma porção de brasa num panelão para aquecer meus pés gelados desde criança, preu não ficar tão gelada no bar nos dias mais frios.
Fui de volta praquele quarto que dividia com eles, parede na parede do bar e o barulho dos homens jogando sinuca, ou cartas: pife ou canastra, não truco, que aquele povo era muito brabo e esse jogo era briga quase certa e as brigas lá eram sempre muito feias de se ver e eu vi algumas...
Essas recordações me matam, canta o Rei – e tantas vezes ouvi essa triste música pensando nisso tudo, depois que vim pra Curitiba. Mas, fazia tempo que elas não me acertavam assim. Claro que não dormi, pulei da cama e rabisquei algo parecido com o que você ta lendo. Mesmo agora, dois dias depois desse despertar, é impressionante, como tudo volta a tona, só que de manhã, no silêncio do dia que ainda não começou pra maioria, é tudo tão mais forte. E o mais incrível de tudo é a nitidez das sensações, das lembranças, dos cheiros, dos medos, dos barulhos, do amor e do carinho que recebi, e, principalmente, dessa saudade tão monstruosa que nunca mais vai passar.

Adri Perin

5/05/2006

Réquiem por um sonho alquebrado

Porque será que eu tenho que me sentir culpado por sonhar, acreditar no sonho e lutar por ele? Será que é pecado ter paixão por aquilo que se gosta e querer muito, e não só querer, mas vibrar por isso e sofrer quando as coisas não acontecem? Será que estou condenado a passar o resto da vida pedindo desculpas por querer fazer mais do que apenas esperar? É triste perceber que tudo aquilo em que você mais apostou não passa de uma miragem, um castelo de cartas que pode ruir na primeira brisa. E todas aquelas promessas e tapinhas nas costas não significavam nada. Estou cansado. Ficando velho e ranzinza. E acreditando cada vez menos. E sonhando cada vez menos. E sinto que o tempo está se esgotando. E que nada pode me salvar. Me sinto como aquela pessoa que está se afogando, e quanto mais se debate, mais afunda. Talvez tenha chegado a hora de fechar a porta, apagar a luz e ficar em silêncio. Mesmo que pra mim isso signifique algo parecido à morte. Mas quem se importa? Afinal, “ninguém sai vivo daqui” mesmo.